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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/artigos.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>M&Aacute;RIO DE ANDRADE: RETRATOS, REFLEXOS, REFLEX&Otilde;ES</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Raya Angel Zonana    <br>   Orlando Hardt Junior</b></font></P>     <p>&nbsp;</P> <table width="100%" border="0" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0">   <tr>      <td width="33%">&nbsp;</td>     <td width="33%">&nbsp;</td>     <td width="34%" valign="top"><font size="3">Eu sou trezentos, sou trezentos&#45;e&#45;cincoenta,    <br>       Mas um dia afinal eu toparei comigo…    <br>       Tenhamos paci&ecirc;ncia, andorinhas curtas (…)" (1)</font></td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>JOGO DA MASCARADA</b> Assim se apresenta M&aacute;rio de    Andrade que, como todo artista, brincou, ao longo de sua vida, do jogo da mascarada.    </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"No jogo da mascarada h&aacute; uma situa&ccedil;&atilde;o&#45;limite    bastante conhecida: &eacute; aquela em que o indiv&iacute;duo vai retirando,    uma por uma, as v&aacute;rias m&aacute;scaras que recobrem seu rosto, at&eacute;    a &uacute;ltima &#150; que nem por estar no fim de todas deixa de ser m&aacute;scara    tamb&eacute;m. A verdadeira cara nunca se mostra; por tr&aacute;s do &uacute;ltimo    disfarce (e ser&aacute; mesmo o &uacute;ltimo?) a face sempre escondida se nega    &agrave; exibi&ccedil;&atilde;o. A verdadeira cara, no fim de todas, &eacute;    talvez a mais enigm&aacute;tica de todas: &eacute; a face &iacute;ntima, a imagem    da intimidade" (2).</font></P>     <p><font size="3">Olharemos para esse enigma, a face &iacute;ntima de M&aacute;rio    de Andrade que, como todos os enigmas, n&atilde;o pode ser desvendado. Os enigmas    ficam sempre em suspenso. Ao artista, entretanto, &eacute; dado o talento e    as formas que lhe permitem expressar com cores, palavras, sons, as mais discretas    nuances que nos aproximam do cerne desta indaga&ccedil;&atilde;o: Quem sou?    Quantos sou?</font></P>     <p><font size="3">De outra maneira, os psicanalistas fazem dessas quest&otilde;es    seu of&iacute;cio, garimpam o humano, buscam a cada sentimento, a cada palavra,    a cada sil&ecirc;ncio, novos prismas da alma que se abre sempre em outras refra&ccedil;&otilde;es.    Somos m&uacute;ltiplos, j&aacute; o sabemos, e jamais conheceremos todos os    aspectos que nos povoam. </font></P>     <p><font size="3">M&aacute;rio de Andrade, habitado por tantos, artista de v&aacute;rias    artes, em sua diversidade nos mostra as muitas configura&ccedil;&otilde;es de    seu desejo.</font></P>     <p><font size="3">Precursor da Semana de Arte Moderna de 1922, al&eacute;m de    escritor, cr&iacute;tico, m&uacute;sico, cedo manifestou interesse como colecionador    de obras de arte. <I>"</I>Nunca colecionei pra mim, mas imaginando me constituir    apenas salvaguarda de obras, valores e livros que pertencem ao p&uacute;blico,    ao meu pa&iacute;s, ao pouso que eu gastei e me gastou" (3).</font></P>     <p><font size="3">O interesse pelo seu pa&iacute;s &eacute; uma de suas inquieta&ccedil;&otilde;es.    Busca uma identidade cultural do pa&iacute;s, uma forma de express&atilde;o    da t&atilde;o variada cultura brasileira. Isso &eacute; reflexo de uma procura    de identidade pessoal que ele faz no jogo de m&aacute;scaras, no qual faces    surgem e caem ao longo de sua vida. </font></P>     <p><font size="3">No entanto, aquilo que se constitu&iacute;a numa riqueza de    interesses e de produ&ccedil;&atilde;o intelectual, e que atra&iacute;a os cr&iacute;ticos,    muitas vezes era visto por estes como uma fonte de desnorteamento (4), n&atilde;o    s&oacute; da cr&iacute;tica, mas do pr&oacute;prio M&aacute;rio: "Foi a&iacute;    que fiquei horrorizado comigo e lhe escrevi, menos para lhe contar o que eu    n&atilde;o posso ser, do que para me libertar de mim. E me libertei de fato.    Voltei a ser apenas trezentos e cincoenta m&aacute;rios, repudiando duma vez    o trezentos e cincoenta e um (…) Vamos matar para sempre o trezentos e cincoenta    e um. Pois n&atilde;o bastam os sofrimentos, as hesita&ccedil;&otilde;es, as    ang&uacute;stias do resto da tropilha!" (5).</font></P>     <p><font size="3">Em sua cole&ccedil;&atilde;o, a enorme quantidade de retratos    do pr&oacute;prio M&aacute;rio, de v&aacute;rias &eacute;pocas e autores, nos    faz pensar que ao olhar um desses retratos logo surgia uma indaga&ccedil;&atilde;o    que fazia necess&aacute;rio o pr&oacute;ximo.</font></P>     <p><font size="3"><b><i>TEMPO DA CAMISOLINHA</i>: PRIMEIRO CORTE, PRIMEIROS RETRATOS</b>    H&aacute;, na arte, a &eacute;tica e a finalidade de, atrav&eacute;s do conhecimento    est&eacute;tico, desvelar e transformar o real. Contemplando com a especificidade    do pensar psicanal&iacute;tico a experi&ecirc;ncia est&eacute;tica dos insistentes    retratos de M&aacute;rio, o entrela&ccedil;amento entre est&eacute;tica, psican&aacute;lise    e arte torna poss&iacute;vel uma articula&ccedil;&atilde;o e uma vis&atilde;o    na qual nos envolvemos com esses retratos, criando uma hist&oacute;ria pr&oacute;pria    atrav&eacute;s de um novo olhar, que delineia mais uma das faces enigm&aacute;ticas    de M&aacute;rio de Andrade.</font></P>     <p><font size="3">Assim, tamb&eacute;m M&aacute;rio de Andrade entende os retratos.    Uma revela&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o do pintor e do retratado:    "A pintura tem sempre seu lado fantasmag&oacute;rico, seu lado inven&ccedil;&atilde;o,    o seu lado interpreta&ccedil;&atilde;o" (6). O pintor deveria buscar uma    deforma&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica que pudesse representar a personalidade    interior do retratado.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">M&aacute;rio desejava retratos&#45;interpreta&ccedil;&otilde;es    que trouxessem &agrave; luz aspectos psicol&oacute;gicos. Queria encontrar em    seus retratistas, interlocutores que o vissem e desnudassem sua personalidade    interior. </font></P>     <p><font size="3">Menotti Del Picchia (1920) faz de seu amigo M&aacute;rio de    Andrade um retrato, dessa feita, escrito: "Este longo bibli&oacute;filo    de &oacute;culos coruscantes e cara comprida e serena, (…). A sua fronte invadiu    o couro cabeludo com uma prematuridade alarmante (…). Esta batalha entre a fronte    e o cabelo, batalha em que a epiderme levou regular vantagem (…)" (7).</font></P>     <p><font size="3">O embate com o cabelo &eacute; antigo para M&aacute;rio, e torna&#45;se    uma caracter&iacute;stica importante de sua identidade.</font></P>     <p><font size="3">Em seu conto "Tempo da camisolinha", o narrador conta&#45;nos,    com melancolia, de um corte de cabelo imposto violentamente pelo pai quando    tinha tr&ecirc;s anos de idade e que provoca uma brutal mudan&ccedil;a em sua    alma: "Toda a gente apreciava os meus cabelos cacheados, t&atilde;o lentos!    E eu me envaidecia deles, mais que isso, os adorava por causa dos elogios"    (8).</font></P>     <p><font size="3">Dessa &eacute;poca compara duas fotografias (primeiros retratos    colecionados?). Na primeira foto, "na moldura da cabeleira havia sempre    um olhar manso, um rosto sem marcas, franco, promessa de alma sem maldade".    Na outra foto v&ecirc; algo diverso: "… pare&ccedil;o velho. E o que &eacute;    mais triste, com uns sulcos v&iacute;vidos descendo das abas voluptuosas do    nariz e da boca larga, entreaberta num risinho p&eacute;rfido (…) se ela (foto)    n&atilde;o me perdoa do que tenho sido, ao menos me explica<I>"</I>. Continuando    diz: "Recusava os espelhos em que me diziam bonito. Os cad&aacute;veres    de meus cabelos guardados naquela caixa de sapatos: choro. Choro e recusa. (…)    E o meu passado se acabou pela primeira vez".</font></P>     <p><font size="3">Onde antes havia cabelos, surge a falta vis&iacute;vel da beleza,    dos elogios, do amor. Nesse corte, algo mais grave do que os cabelos transforma&#45;se    em cad&aacute;ver. Os olhares nos quais se refletia belo n&atilde;o existem    mais. Resta um passado para sempre perdido e a feiura que afogava seus anseios    de perfei&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Na busca de perfei&ccedil;&atilde;o parece estar uma das causas    de tantos retratos. Na imensa cole&ccedil;&atilde;o h&aacute; um fasc&iacute;nio    dos pintores por M&aacute;rio e de M&aacute;rio por ele mesmo. Esse fasc&iacute;nio    faz com que tudo que M&aacute;rio escreva &#150; poemas, romances, cr&iacute;ticas    liter&aacute;rias &#150; sejam formas de escrever sobre ele pr&oacute;prio (9).</font></P>     <p><font size="3">"(…) Eu tenho j&aacute; uns quatro contos e pretendo fazer    mais, de aspecto autobiogr&aacute;fico. (…) &Eacute; que em todos os contos    eu insisto muito em me garantir ruim, perverso, cheio de v&iacute;cios, baixo,    vil, e, no entanto, os casos que sucedem n&atilde;o provam isso, mas sim que    sou um sujeito bom, moralmente sadio, cheio de car&aacute;ter, digno e en&eacute;rgico!    Achei isso espl&ecirc;ndido como retrato de mim e sa&iacute;do assim, inconsciente    como saiu, vale mais que uma confiss&atilde;o" (10).</font></P>     <p><font size="3">Notamos a palavra <I>inconsciente</I>. M&aacute;rio foi um dos    primeiros intelectuais brasileiros a se interessar por Freud e pela psican&aacute;lise,    e, em v&aacute;rios textos, aproxima&#45;se de ideias e da linguagem psicanal&iacute;ticas.    Desejaria aproximar&#45;se de outra maneira, mais pessoal, buscar um retrato por    esse vi&eacute;s?</font></P>     <p><font size="3"><b>M&Aacute;RIO MULTIPLICADO, OU O ESTRANHO QUE O HABITA</b>    Freud (11) perguntava de onde o escritor criativo, retirava seu material e como    conseguia produzir tantas impress&otilde;es e despertar emo&ccedil;&otilde;es    das quais, nem mesmo nos julg&aacute;vamos capazes. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">M&aacute;rio de Andrade, poeta, responde e escrevendo apresenta&#45;se,    desnuda&#45;se, e nos comove. </font></P>     <p><font size="3">No poema "Noturno de Belo Horizonte", que expressa    o amor de M&aacute;rio por sua terra, Gilda de Mello Souza at&eacute;m&#45;se a    um trecho expressivo, representativo da personalidade do poeta, e escreve: "(…)    a chave desse trecho misterioso, cuja compreens&atilde;o exige n&atilde;o s&oacute;    uma leitura alternativa, mas um conhecimento da biografia intelectual de M&aacute;rio    de Andrade, est&aacute; na imagem do &uacute;ltimo verso: 'Nas polidas lagoas    de cabe&ccedil;a para baixo'. Pois n&atilde;o s&atilde;o as lagoas polidas,    aonde os rios v&ecirc;m desaguar, j&aacute; sem for&ccedil;as, que est&atilde;o    de cabe&ccedil;a para baixo, &eacute; o poeta que, postado &agrave; sua margem,    cansado da travessia, inseguro, assim divisa a pr&oacute;pria imagem, debru&ccedil;ando&#45;se    sobre as &aacute;guas &#150; onde busca um valor, uma ce<I>rteza" </I>(12).</font></P>     <p><font size="3">Que certeza &eacute; poss&iacute;vel ter da pr&oacute;pria imagem    se, como no rio, assim como na vida, o movimento das &aacute;guas a deixa sempre    turva, mutante e fluida?</font></P>     <p><font size="3">Esse fr&aacute;gil intelectual paulista, &agrave; espreita da    pr&oacute;pria imagem, procurava reav&ecirc;&#45;la em um objeto diferente, em um    outro. Os in&uacute;meros retratos de M&aacute;rio de Andrade s&atilde;o ind&iacute;cios    desse roteiro para buscar a si pr&oacute;prio pelo caminho da alteridade, nos    olhares estrangeiros dos artistas que o retratavam. Procura insinuar, nas formas    e contornos dos retratos, o que n&atilde;o consegue formalizar em sua alma.    </font></P>     <p><font size="3">Em carta a Jo&atilde;o C&acirc;ndido Portinari, que acabara    de retrat&aacute;&#45;lo, M&aacute;rio de Andrade escreve: "&Agrave;s vezes    me paro em frente do seu quadro e fico, fico, fico, n&atilde;o s&oacute; perdido    na beleza da pintura, mas me refortalecendo a mim mesmo. Porque de fato voc&ecirc;,    mais que ningu&eacute;m, n&atilde;o apenas percebeu, mas me revelou que eu…    sou bom. Seu quadro me d&aacute; confian&ccedil;a em mim, me d&aacute; mais    vontade de trabalhar, de continuar, &eacute; um verdadeiro t&ocirc;nico. Foi    um bem enorme que voc&ecirc; me fez, palavra" (13). </font></P>     <p><font size="3">Nesse retrato pintado por Portinari, M&aacute;rio capta uma    afetividade preciosa de "<I>um estado iluminado de amor"</I>, que    revela em carta &agrave; amiga Henriqueta: "(…) sei o que ele queria dizer,    vendo atr&aacute;s de minha feiura dura e minha cor que s&atilde;o bem de madeira,    &#91;Portinari referia&#45;se &agrave; cor mulata de M&aacute;rio&#93;, uma bondade, o sujeito    bom que ele exigia de mim pra me querer bem" (14).</font></P>     <p><font size="3">Vemos que o bom e o belo s&atilde;o sin&ocirc;nimos na linguagem    narc&iacute;sica que emergiu imediatamente em M&aacute;rio ao se sentir amado    por Portinari. </font></P>     <p><font size="3">Desse olhar desponta o mito de Narciso, filho de Cefiso, um    rio, e Lir&iacute;ope, uma ninfa. Tir&eacute;sias, oracularmente, enuncia que    Narciso s&oacute; viver&aacute; muito tempo se n&atilde;o se olhar. Um dia,    ap&oacute;s uma ca&ccedil;ada, Narciso tem sede e vai at&eacute; o rio, onde    ao debru&ccedil;ar&#45;se v&ecirc; uma imagem na qual n&atilde;o se reconhece e    pela qual se apaixona. Torna&#45;se insens&iacute;vel a tudo que o cerca, s&oacute;    v&ecirc; a si, e inclinado sobre sua pr&oacute;pria imagem deixa&#45;se morrer.    </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a14img01.gif"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Voltando ao poema e ao rio de M&aacute;rio de Andrade, aonde    ele se v&ecirc; de cabe&ccedil;a para baixo, aonde tamb&eacute;m n&atilde;o    se reconhece, a sa&iacute;da do artista n&atilde;o &eacute; a morte, mas a arte.    N&atilde;o se recolhe em uma contempla&ccedil;&atilde;o narc&iacute;sica, mas    busca na arte um objeto onde possa reconhecer&#45;se belo e amado. </font></P>     <p><font size="3">N&atilde;o s&oacute; nos que o retrataram M&aacute;rio buscou    interlocutores que o interpretassem, mas tamb&eacute;m os necessitava em sua    imensamente vasta correspond&ecirc;ncia. Faz, atrav&eacute;s dos amigos, algo    que Freud j&aacute; havia feito com Wilhelm Fliess: sua an&aacute;lise. </font></P>     <p><font size="3">Se o retrato feito por Portinari ressaltava seu lado ang&eacute;lico,    outros dois retratos foram para M&aacute;rio de Andrade revela&ccedil;&otilde;es    de seus aspectos perturbadores. Reconhece que Lasar Segall e Fl&aacute;vio de    Carvalho conseguiram captar a exist&ecirc;ncia em seu rosto de "incompatibilidades    irredut&iacute;veis do bem e do mal<I>".</I> Dizia que Segall, com "frieza",    e Fl&aacute;vio de Carvalho, com "crueldade", mostravam um lado diab&oacute;lico,    com tend&ecirc;ncias m&aacute;s. Nas imagens, fixado para sempre, o seu ser    dividido, feito de um "eu conhecido", "de encomenda para usar    quando sai na rua", e de um "eu verdadeiro, interior, ca&oacute;tico".    </font></P>     <p><font size="3">Um estranho o habitava (15). </font></P>     <p><font size="3">Na l&iacute;ngua portuguesa, a palavra "estranho"    est&aacute; ligada &agrave; ideia de uma alteridade, algo diferente do conhecido    ou trivial, &agrave; ideia de sinistro, esquerdo, "torto". Assim se    v&ecirc; M&aacute;rio nos retratos que capturam seu lado diab&oacute;lico. H&aacute;    nesse reconhecimento do eu e do contra&#45;eu a ambiguidade que Freud descreve no    estranho. Surge no poeta o inquietante desconforto de se desconhecer naquilo    que reconhece como seu. H&aacute; o eu e o contra&#45;eu, e ambos o constituem (16).    </font></P>     <p><font size="3">O espelho/retrato captura e revela o amor e o &oacute;dio retomando    as duas fotografias da inf&acirc;ncia. </font></P>     <p><font size="3">A busca dos "trezentos, trezentos e cinquenta" continuava    sem a possibilidade do encontro. M&aacute;rio de Andrade vivia no negativo.    Vivia a presen&ccedil;a insistente da aus&ecirc;ncia do belo em seu rosto e    buscava&#45;o em sua cole&ccedil;&atilde;o, na literatura, na m&uacute;sica e, mais    do que tudo, em uma imagem. Mas, o mais significativo &eacute; que, para M&aacute;rio,    esses retratos eram percebidos como duplos, e o jogo de penumbras, v&eacute;us    e m&aacute;scaras mantinha a necessidade da busca de um imposs&iacute;vel real    e de novas cria&ccedil;&otilde;es. Buscava uma solidez e encontrava uma identidade    l&iacute;quida, fluida. </font></P>     <p><font size="3"><b>CULTIVANDO DOENCINHAS E RETRATOS</b> M&aacute;rio de Andrade    procura um rosto no qual tenta reconhecer a bela crian&ccedil;a anterior ao    corte que lhe tirou os longos cachos que o faziam bonito.</font></P>     <p><font size="3">Repete, atrav&eacute;s dos retratos, esse desejo em busca de    algo, que s&oacute; pode ser encontrado nos sonhos ou na fantasia (17).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No entanto, &eacute; nessa repeti&ccedil;&atilde;o que, muitas    vezes, esconde&#45;se a cria&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Ainda no seu conto "No tempo da camisolinha", o narrador    &#150; personagem que identificamos com M&aacute;rio crian&ccedil;a &#150;, ao ouvir uma    voz lhe dizendo que os cabelos cortados tornaram&#45;no homem, conta que foi tomado    de pavor, pois tinha tr&ecirc;s anos e "(…) j&aacute; ter ficado homem    naquele tamaninho, um medo medonho (…)".</font></P>     <p><font size="3">O conto expressa um momento terr&iacute;vel de dor pela perda    do cabelo e da beleza da inf&acirc;ncia que este simbolizava; pela promessa    de sorte que lhe traria uma estrela&#45;do&#45;mar, tamb&eacute;m irrecuper&aacute;vel.    Tempo vivido de ang&uacute;stia por uma perda t&atilde;o dolorosamente contada,    tempo traum&aacute;tico, espa&ccedil;o do irrepresent&aacute;vel (18).</font></P>     <p><font size="3">O n&atilde;o representado se insinua, insiste e solicita uma    poss&iacute;vel representa&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">A figurabilidade (19) s&oacute; se fazia poss&iacute;vel atrav&eacute;s    dos retratos criados pelos artistas/analistas de M&aacute;rio de Andrade. </font></P>     <p><font size="3">Na pot&ecirc;ncia do que chamamos aqui de espa&ccedil;o traum&aacute;tico,    irrepresent&aacute;vel, &eacute; que se faz a arte. &Eacute; a&iacute; tamb&eacute;m    que se cria o colecionador M&aacute;rio de Andrade.</font></P>     <p><font size="3">M&aacute;rio de Andrade, para conservar intactos os livros que    lhe dedicavam, comprava outro exemplar da obra para ler. </font></P>     <p><font size="3">"Possui assim a mais bela cole&ccedil;&atilde;o de duplicatas    da bibliofilia nacional" (20). </font></P>     <p><font size="3">Seriam assim tamb&eacute;m seus retratos? Duplicatas dele mesmo    que ficariam guardados, intactos, conservando as caracter&iacute;sticas amorosas    com as quais foram pintados? Contemplados por ele como um quebra&#45;cabe&ccedil;a    dele mesmo e de todas as emo&ccedil;&otilde;es que lhe suscitavam. Todos os    retratos poderiam, juntos, deixar transparecer uma identidade una, uma colagem    de seus fragmentos para sempre ligados e, quem sabe, entendidos.</font></P>     <p><font size="3">Imposs&iacute;vel n&atilde;o lembrar de outro retrato significativo    na literatura, <I>O retrato de Dorian Gray</I>, de Oscar Wilde. Se, no entanto,    para Dorian Gray o desejo era manter a beleza e a juventude, enquanto seu retrato    vivia o envelhecimento do qual ele, Dorian, escapava, para M&aacute;rio de Andrade    o que ocorre &eacute; o inverso. M&aacute;rio tenta nesses retratos recuperar    e manter uma beleza que ele pr&oacute;prio sentia n&atilde;o ter. Seus retratos    seriam a sua reden&ccedil;&atilde;o (21). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Mais do que tudo, M&aacute;rio de Andrade tomava seus retratos    como forma de aproxima&ccedil;&atilde;o com sua subjetividade atrav&eacute;s    de olhares que sentia ora amigos, ora inimigos. Via&#45;se revelado nas imagens    que seus pintores&#45;analistas figuravam. </font></P>     <p><font size="3">O poeta, melhor do que qualquer outro, o diz em suas cartas.    Em uma delas conhece&#45;se e se reconhece. A poesia com que se encanta e desencanta    de si mesmo nesses retratos &eacute; reveladora e bela. </font></P>     <p><font size="3">A fun&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica se faz na descoberta    da pr&oacute;pria fala. &Eacute; o que acontece com M&aacute;rio ao escrever    para sua querida Henriqueta (22). "Agora, lhe quero t&atilde;o desabusado    bem, sou t&atilde;o seu &iacute;ntimo que n&atilde;o dura muito lhe estarei    fazendo confid&ecirc;ncias descaradas, descansando meu pensamento fraco e tantas    vezes horr&iacute;vel nas suas m&atilde;os perdoadeiras de mulher". E &eacute;    o que faz M&aacute;rio na longa e confessional carta de 11 de julho de 1941.    </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">"(…) Uma coisa que tem me dado horas de pensamento &eacute;      me contemplar juntamente nos dois retratos que o Segall e o Portinari fizeram      de mim. Tenho muitos retratos meus; v&aacute;rios deles completamente so&ccedil;obrados      como o de Tarsila &#91;do Amaral&#93;, o do Hugo Adami. O &#91;Emiliano&#93; Di Cavalcanti,      o &#91;Jos&eacute; Maria dos&#93; Reis J&uacute;nior, ent&atilde;o, pararam no meio      sem poder solucionar os seus problemas. Os meus problemas, nem sei! Anita      Malfatti nos tempos do modernismo talvez tenha feito uns vinte retratos meus.      (…) tr&ecirc;s ficaram: o primeiro feito mesmo com inten&ccedil;&atilde;o      de retrato, creio, ali&aacute;s, que anterior a 1922, muito ruim como pintura,      mas curioso como &eacute;poca e como… como eu. Sou bem eu e somos bem n&oacute;s      daqueles tempos, gente em del&iacute;rio, lan&ccedil;ada atrav&eacute;s de      todas as maluquices divinas e minha magreza espigada um pouco com ar messi&acirc;nico      de quem jejuou quarenta dias e quarenta noites. (…) Anita por sua vez guardou      um que preferiu aos demais, um eu mais desiludido, mais desmilinguido, j&aacute;      dos fins do nosso excesso de camaradagem (…).</font></p>       <p><font size="3">Gosto tamb&eacute;m muito do retrato que recentemente Fl&aacute;vio      de Carvalho fez de mim. (…) &Eacute; estranho (…), assim que Fl&aacute;vio      de Carvalho principiou me pintando na primeira pose, tive uma sensa&ccedil;&atilde;o      violenta de que eu &eacute; que estava me pintando! (…) Ali&aacute;s, imediatamente      estendi a sensa&ccedil;&atilde;o para tr&aacute;s e percebi que tamb&eacute;m      o meu retrato do Portinari fora eu quem pintara, ao passo que o do Segall      n&atilde;o. Dos outros n&atilde;o &eacute; bom falar, percebi imediatamente      que os outros pintores n&atilde;o tinham sido artistas, sido poetas, sido      vates ao me pintar, pelo menos ao me pintar. E por isso eu sentia os retratos      deles t&atilde;o insuficientes. </font></p>       <p><font size="3">Assim que o Fl&aacute;vio principiou me pintando percebi que      eu era para ele mais que um motivo de pintura. N&atilde;o era por minha beleza      ou feiura f&iacute;sica atraente, n&atilde;o era por minha poss&iacute;vel      alta posi&ccedil;&atilde;o nas letras nacionais, n&atilde;o era por qualquer      extravag&acirc;ncia psicol&oacute;gica ou pl&aacute;stica que o Fl&aacute;vio      de Carvalho se propusera a me pintar. De forma que eu n&atilde;o era um motivo      para pintura, a pintura &eacute; que era um pretexto de aproxima&ccedil;&atilde;o.      O Fl&aacute;vio me estimava, me admirava (…) De forma que eu me impusera a      ele. E estava fazendo a pintura. (…) eu n&atilde;o era para ele apenas um      problema pl&aacute;stico em que ele se continuava… mas, um outro mundo… Quando      est&aacute;vamos procurando uma pose… diante de uma atitude que fiz, ele a      repudiou com uma espontaneidade violenta: Assim n&atilde;o! Voc&ecirc; perde      completamente a for&ccedil;a do seu car&aacute;ter! …Voc&ecirc; andando na      rua parece… n&atilde;o sei… voc&ecirc; anda erguido! No momento eu achei meio      besta a frase dele, mas agora eu compreendia como ele me compreendia (…).</font></p>       <p><font size="3">O outro retrato meu que eu fiz foi o do Portinari. Mas desta      vez n&atilde;o foi respeito, foi amor declarado. (…) O Portinari quando se      prop&ocirc;s fazer meu retrato j&aacute; me queria muito bem e &eacute;ramos      muito bons camaradas. (…) eu estava sendo o verdadeiro esteio moral dele.      Principalmente contra as investidas do Segall.</font></p>       <p><font size="3">Portinari estava muito comovido de gratid&atilde;o, estava      'filhizado' &agrave; minha maior e paternal experi&ecirc;ncia do ambiente      (…). E foi neste estado iluminado de amor que ele fez o meu retrato que… eu      fiz ele fazer de mim: s&oacute; bom.</font></p>       <p><font size="3">Como os retratos dele e do Segall me completam… (…) O retrato      feito por Segall foi ele mesmo sozinho que fez. (…)… ele pegou o que havia      de perverso em mim, de pervertido de mau, de feiamente sensual. A parte do      Diabo. Ao passo que o Portinari s&oacute; conheceu a parte do Anjo. &Agrave;s      vezes chego a detestar (me detestar) o quadro que o Segall fez. &Eacute; subterraneamente      certo, mas sem vangl&oacute;ria, o do Portinari &eacute; mais certo, porque      &eacute; o que eu gosto, que sou permanentemente e que chora, ainda e sempre      vivo, mesmo quando a parte do Diabo domina e age detestada por mim. Esse quadro      do Segall n&atilde;o fui eu que fiz, juro.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">&Agrave;s vezes chego a imaginar que, no caso, o Segall tem      maior valor, porque atingiu, mais longe, o mais sorrateiro dos meus eus. Mas      tamb&eacute;m penso que pra fazer o meu retrato pelo Portinari, &eacute; preciso      uma pureza de alma, uma dadivosidade de cora&ccedil;&atilde;o que raros chegam      a ter. E que isso &eacute; melhor que ter o dom de descobrir os criminosos.      O Segall fez papel de tira. O Portinari n&atilde;o, certo ou errado, contou      aos homens que os homens s&atilde;o melhores do que s&atilde;o. E &eacute;      certo que ao lado dele eu me sinto melhor… </font></p>       <p><font size="3">Carinhosamente o M&aacute;rio". </font></p> </blockquote>     <p><font size="3"><b>ANDORINHAS CURTAS</b> E assim podemos perguntar: o que &eacute;    M&aacute;rio, o que &eacute; retrato?</font></P>     <p><font size="3">Gilda de Mello e Souza nos fala que era do feitio de M&aacute;rio    de Andrade interrogar&#45;se, e ele continua a faz&ecirc;&#45;lo j&aacute; pr&oacute;ximo    do fim de sua vida. Vai em busca de Fl&aacute;vio Dias, um dos pioneiros da    psican&aacute;lise em S&atilde;o Paulo, para fazer um teste de Roscharch. Talvez    seu derradeiro retrato.</font></P> <table width="100%" border="0" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0">   <tr>      <td width="33%">&nbsp;</td>     <td width="33%">&nbsp;</td>     <td width="34%" valign="top"><font size="3">"(…) um dia afinal    <br>       eu toparei comigo…    <br>       Tenhamos paci&ecirc;ncia, andorinhas curtas (…)"</font></td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Raya Angel Zonana</b> &eacute; psicanalista pela Sociedade    Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo.</i></font></P>     <p><font size="3"><i><b>Orlando Hardt Junior</b> &eacute; psicanalista pela Sociedade    Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo.</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Andrade, M. de. <I>Melhores poemas. </I>Sele&ccedil;&atilde;o    de Gilda de Mello e Souza. S&atilde;o Paulo: Global, 2003, p. 99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047898&pid=S0009-6725200900020001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Lafet&aacute;, J. L. M. <I>1930: a cr&iacute;tica e o    modernismo</I>. S&atilde;o Paulo; Duas Cidades, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047900&pid=S0009-6725200900020001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Batista, M. R. <I>Cole&ccedil;&atilde;o M&aacute;rio    de Andrade: artes pl&aacute;sticas. </I>S&atilde;o Paulo: IEB, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047902&pid=S0009-6725200900020001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  Rosenfeld, A. "M&aacute;rio e o cabotinismo".    In: <I>Texto/Contexto</I> I S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 1982, p. 185&#45;200.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047904&pid=S0009-6725200900020001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">5.  Andrade, M. de. <I>Querida Henriqueta: cartas de M&aacute;rio    de Andrade &agrave; Henriqueta Lisboa</I>. Abigail Oliveira Carvalho (Org.).    Rio de Janeiro: Jos&eacute; Olympio, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047906&pid=S0009-6725200900020001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Carta a Manuel Bandeira (10/09/1931), a respeito do retrato    deste, pintado por F. Maron (Andrade, M. &amp; Bandeira, M. <I>Correspond&ecirc;ncia    M&aacute;rio de Andrade e Manoel Bandeira</I>. Org. Marcos Antonio de Moraes.    SP: IEB, 2001).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047908&pid=S0009-6725200900020001400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7.  Picchia, M. Del. "Cr&ocirc;nica social: cartas a    Chrispim: IX M&aacute;rio Moraes de Andrade (1920)". In: <I>O gede&atilde;o    do</I> m<I>odernismo</I>: 1920/ 22. RJ: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira,    1938, p.174&#45;176.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047910&pid=S0009-6725200900020001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Andrade, M de. "Tempo da camisolinha (1939&#45;43)".    In: <I>Os melhores contos</I>. Sel. Tel&ecirc; Ancona Lopez. S&atilde;o Paulo:    Global, 2000, p. 159&#45;167.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047912&pid=S0009-6725200900020001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <p><font size="3">9.  Afirma&ccedil;&atilde;o de Gilda Melo e Souza, cr&iacute;tica    liter&aacute;ria e profunda conhecedora da obra de M&aacute;rio de Andrade,    sua prima, e que com ele conviveu intimamente (Batista, 1998, citada acima).</font></P>     <p><font size="3">10.  Andrade, M. <I>Op. Cit.,</I> 1991.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">11.  Freud, S. (1908). <I>Escritores criativos e devaneio</I>.    ESB vol. IX, p.147&#45;158. RJ: Imago, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047916&pid=S0009-6725200900020001400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <p><font size="3">12.  Batista, M. R. <I>Op. Cit.,</I> 1998.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">13.  Andrade, M. De. <I>Portinari, amico mio</I>: <I>cartas    de M&aacute;rio de Andrade a Portinari</I>. Annateresa Fabris (Org.). Campinas.    SP: Mercado de Letras, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047919&pid=S0009-6725200900020001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <p><font size="3">14.  Andrade, M. <I>Op. Cit.,</I> 1991. </font></P>     <p><font size="3">15.  Revelado por Freud (1919), <I>O estranho</I> (Freud,    S. ESB vol. XVII p.273&#150;218) aponta para a ambiguidade que habita cada um de    n&oacute;s. Ambiguidade que opera tanto no sentido de um significado familiar,    conhecido &#150; <I>heim (</I>que em alem&atilde;o tamb&eacute;m significa um local    de intimidade) &#150; como tamb&eacute;m opera no sentido de desconhecido, do secreto,    do clandestino.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">16.  A necessidade de livrar&#45;se de aspectos "maus"    da pr&oacute;pria personalidade, o contra&#45;eu de M&aacute;rio de Andrade, pode    ser pensado como duplo tamb&eacute;m do ponto de vista de Bion W. ("O g&ecirc;meo    imagin&aacute;rio". In: <I>Estudos psicanal&iacute;ticos revisados</I>.    RJ: Imago, 1988, p.9&#45;25),    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047923&pid=S0009-6725200900020001400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> que o faz atrav&eacute;s da imagem do g&ecirc;meo    imagin&aacute;rio. A cria&ccedil;&atilde;o de uma imagem gemelar representa    uma parte excedida e n&atilde;o compreendida do ego, projetada num outro igual    e, ao mesmo tempo, outro. Dessa forma, nega&#45;se a exist&ecirc;ncia do diferente    sempre aut&ocirc;nomo e incontrol&aacute;vel, que para M&aacute;rio de Andrade    se personificaria nesses retratos. </font></P>     <p><font size="3">17.  As lembran&ccedil;as n&atilde;o elaboradas, n&atilde;o    "entendidas", retornam sempre e h&aacute; a necessidade da repeti&ccedil;&atilde;o    para que possa surgir, quem sabe, o entendimento ou o que Freud chama de elabora&ccedil;&atilde;o,    que pode ocorrer com a recorda&ccedil;&atilde;o. &Eacute; disso que nos fala    Freud em <I>Recordar, repetir e elaborar</I> (1914), e, mais adiante, quando    trata dos repetitivos sonhos traum&aacute;ticos em <I>Al&eacute;m do princ&iacute;pio    do prazer</I> (1921).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">18.  O trauma, um aporte excessivo de est&iacute;mulos com    os quais o aparelho ps&iacute;quico n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de    lidar e, principalmente, ocorrido num momento de despreparo do sujeito, &eacute;,    por isto, irrepresent&aacute;vel.</font></P>     <p><font size="3">19.  Freud em <I>Constru&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise</I>    (1938) prop&otilde;e que numa an&aacute;lise, muitas vezes, situa&ccedil;&otilde;es    traum&aacute;ticas que n&atilde;o t&ecirc;m representa&ccedil;&atilde;o para    o paciente, podem ser constru&iacute;das, "alucinadas" pelo analista    atrav&eacute;s de sua viv&ecirc;ncia com o paciente e sua hist&oacute;ria e,    assim, ter sua figurabilidade dada pelo analista.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">20.  Reportagem de Silveira J. In: <I>M&aacute;rio de Andrade    &#150; entrevistas e depoimentos</I>. Tel&ecirc; A. Lopez (Org.), S&atilde;o Paulo:    Ed. T. A . Queiroz, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047928&pid=S0009-6725200900020001400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">21.  A ilus&atilde;o &eacute; entendida por Donald Winnicott    como um momento de inaugura&ccedil;&atilde;o da realidade e &eacute; no espa&ccedil;o    potencial, por ele conceituado como &aacute;rea intermedi&aacute;ria entre o    externo e o interno, que o qu&ecirc; &eacute; criado pode ser encontrado na    realidade. Assim "o imagin&aacute;rio pode assumir seu papel de cria&ccedil;&atilde;o    de realidades (…) em vez de ter seu estatuto restringido &agrave; fun&ccedil;&atilde;o    de c&oacute;pia de uma realidade existente, desde sempre, em si mesma"    (Kon, N. M. <I>Freud e seu duplo: reflex&otilde;es entre psican&aacute;lise    e arte</I>. S&atilde;o Paulo: EDUSP, 1996).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047930&pid=S0009-6725200900020001400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font size="3">22.  Andrade, M. <I>Op. Cit.,</I> 1991.</font></P>      ]]></body>
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