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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>PERI&Oacute;DICOS CIENT&Iacute;FICOS</b></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n3/line_blk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>A dif&iacute;cil tarefa de entrar para o cen&aacute;rio internacional</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">A recente not&iacute;cia de que o Brasil saltou da 15ª    para a 13ª posi&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    mundial foi motivo de alegria para o ministro de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia    e acad&ecirc;micos. Trinta e dois novos peri&oacute;dicos nacionais entraram    para o Thomson Reuters&#45;ISI, base internacional de dados respons&aacute;vel pela    indexa&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas do mundo    todo, o que ocasionou um crescimento no n&uacute;mero de artigos em espantosos    56% em rela&ccedil;&atilde;o a 2007, chegando a um total de 30.145. A conquista    de mais espa&ccedil;o no rol dos peri&oacute;dicos considerados de qualidade    tem aumentado nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, como fruto do amadurecimento    e consolida&ccedil;&atilde;o do sistema de ci&ecirc;ncia e tecnologia no pa&iacute;s.    Ainda assim, apenas 0,94% dos 11 mil peri&oacute;dicos indexados na base internacional    s&atilde;o brasileiros ou ent&atilde;o 0,42% da ainda mais seleta base Journal    Citation Report. O foco agora deve ser em medir e impulsionar a qualidade do    que se publica.</font></P>     <P><font size="3">A maior base de dados de peri&oacute;dicos eletr&ocirc;nicos    nacionais, o SciELO (Scientific Electronic Library Online), foi implantada em    1997 com o objetivo de elevar a qualidade e visibilidade das publica&ccedil;&otilde;es    em &acirc;mbito internacional. Atualmente ele re&uacute;ne 205 publica&ccedil;&otilde;es    nacionais indexadas de um total de 623 de 13 pa&iacute;ses. Para passar pelo    crivo dos consultores da base exige&#45;se o cumprimento de fatores cruciais m&iacute;nimos    como regularidade de publica&ccedil;&atilde;o, um conselho editorial e sistema    de avalia&ccedil;&atilde;o por pares, vers&atilde;o digitalizada gratuita e    possuir t&iacute;tulo, resumo e palavras&#45;chave em ingl&ecirc;s. Segundo o consultor    cient&iacute;fico do SciELO, Rog&eacute;rio Meneghini, afirmou em editorial    na <i>Qu&iacute;mica Nova</i>, a base tem proporcionado um aumento na visibilidade    nacional e internacional da ci&ecirc;ncia brasileira, como ocorreu com esse    peri&oacute;dico de qu&iacute;mica geral, que teve seu fator de impacto mais    que dobrado no sistema de base de dados internacional ISI, uma vez que ingressou    na base brasileira, em 2000. Atualmente, a revista cient&iacute;fica tem se    destacado como a mais citada no SciELO e, mesmo sendo escrita sobretudo em portugu&ecirc;s    e espanhol &#151; mas tamb&eacute;m em ingl&ecirc;s &#151; tem importante lugar mundial,    tendo o maior fator de impacto entre os peri&oacute;dicos em portugu&ecirc;s    no ISI, totalizando 0,91. </font></P>     <P><font size="3">O fator de impacto tem sido a ferramenta mais frequente para    se medir a qualidade de peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos, resultado do n&uacute;mero    m&eacute;dio de cita&ccedil;&otilde;es que os artigos de um peri&oacute;dico    recebe. Assim, a publica&ccedil;&atilde;o de maior destaque nacional, o <i>Journal    of the Brazilian Chemical Society</i> (JBCS), tem fator de impacto igual a 1,52.    Comparativamente, a m&eacute;dia dos 127 peri&oacute;dicos de qu&iacute;mica    geral indexados internacionalmente gira em torno de 1,32.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Com tantos louros, os peri&oacute;dicos brasileiros de destaque    ainda vislumbram obst&aacute;culos a serem transpostos. Luiz Carlos Dias, editor    da JBCS e docente do Instituto de Qu&iacute;mica da Unicamp, acredita ser fundamental    oferecer atrativos para os autores. Entre eles, publicar artigos de qualidade,    oferecer curto prazo para aprova&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o    dos artigos, n&uacute;mero DOI (Data Object Identification), que permite que    os artigos dispon&iacute;veis online (prelo) j&aacute; possam ser lidos e citados;    al&eacute;m de acesso gratuito digital, fatores que contribuem para a visibilidade    do peri&oacute;dico e seus artigos. "&Eacute; preciso tamb&eacute;m incentivar    uma cultura entre os autores para que citem trabalhos do peri&oacute;dico e    tamb&eacute;m os seus pr&oacute;prios artigos quando forem publicar em outro",    diz Dias, mencionando estrat&eacute;gias utilizadas por publica&ccedil;&otilde;es    internacionais.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a04img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">J&aacute; as editoras da <i>Qu&iacute;mica Nova</i>, Susana    de Torresi e Vera Padini, do Instituto de Qu&iacute;mica da USP, apontam a necessidade    de aumentar o corpo administrativo e diminuir o gargalo entre o tempo de submiss&atilde;o    e de aceite de um artigo, que ainda gira em torno de 4 a 5 meses. O fator de    impacto atraente resulta em um aumento na demanda de artigos, inclusive de pa&iacute;ses    perif&eacute;ricos como Egito e Iraque, e, consequentemente, no volume de trabalho.    J&aacute; s&atilde;o 114 na&ccedil;&otilde;es que contribuem com artigos para    as publica&ccedil;&otilde;es do SciELO. Apenas no ano passado o peri&oacute;dico    recebeu cerca de 700 artigos, avaliados sempre por dois <i>referees</i>, para    compor 8 edi&ccedil;&otilde;es &#151; neste ano ser&atilde;o 9. A inclus&atilde;o    de quatro editores associados, foi uma das formas encontradas para driblar o    crescente n&uacute;mero de p&aacute;ginas. Em 2006, eram 1.600 p&aacute;ginas    e no ano passado chegou a 2.300, um aumento de quase 44%.</font></P>     <P><font size="3">Dentre os principais motivos que levam os autores a escolherem    o peri&oacute;dico em que desejam publicar est&aacute; o prest&iacute;gio do    mesmo, o p&uacute;blico leitor e as chances de seu trabalho gerar cita&ccedil;&otilde;es,    a presen&ccedil;a de sua &aacute;rea de pesquisa e a chance de seu trabalho    ser aceito. A an&aacute;lise foi publicada no <i>Jama</i>, em 1994, enfatizando    que os fatores de escolha fortalecem um c&iacute;rculo vicioso que prejudica    a manuten&ccedil;&atilde;o dos peri&oacute;dicos iniciantes: baixo fator de    impacto gera baixa visibilidade, baixa ades&atilde;o de autores e trabalhos    de qualidade, por sua vez, resultam em baixo fator de impacto. A performance    insatisfat&oacute;ria tamb&eacute;m diminui as chances do peri&oacute;dico conseguir    financiamento. O edital, lan&ccedil;ado no final do ano passado pelo CNPq e    Capes (58/2008), de incentivo &agrave; editora&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o    de peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos brasileiros, por exemplo, exigia que    os peri&oacute;dicos candidatos estivessem indexados no SciELO ou classificados    como A&#45;Nacional no Qualis da Capes, al&eacute;m de ter abrang&ecirc;ncia nacional    e internacional quanto a autores, corpo editorial e conselho cient&iacute;fico    para que concorrerem &agrave; parte da verba de R$5 milh&otilde;es. "Deveria    ter faixas &#91;do edital voltadas&#93; para revistas que cumprem os crit&eacute;rios    de qualidade, mas ainda n&atilde;o tiveram tempo para entrar nos patamares exigidos",    lamentou Gilberto Hochman, editor da <i>Brazilian Political Science Review</i>,    que recentemente entrou no Scielo Social Sciences, mas tem apenas dois anos    de exist&ecirc;ncia.</font></P>     <P><font size="3">O n&uacute;mero total de peri&oacute;dicos brasileiros n&atilde;o    &eacute; certo. Meneghini afirma ser cerca de 1.500 peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos,    embora o Latindex, sistema de informa&ccedil;&atilde;o da Universidade do M&eacute;xico    que re&uacute;ne peri&oacute;dicos da Am&eacute;rica Latina, Caribe, Portugal    e Espanha, registre 745 publica&ccedil;&otilde;es eletr&ocirc;nicas do Brasil.    O fato &eacute; que o reconhecimento se d&aacute; apenas &agrave;queles indexados    em bancos de excel&ecirc;ncia nacional, como os 205 no SciELO, e 103 na base    de dados internacional ISI. Destes, 22 n&atilde;o est&atilde;o indexados na    base brasileira, fato que Meneghini afirma ser fruto de uma diferen&ccedil;a    nos padr&otilde;es de aceite de publica&ccedil;&otilde;es. Para ele, o ISI est&aacute;    mais focado, hoje, na representatividade regional e de determinadas especialidades.    O importante, segundo Meneghini, &eacute; que a base nacional abarca cerca de    50% dos artigos produzidos no pa&iacute;s. </font></P>     <P><font size="3"><b>IND&Iacute;CIOS DE QUALIDADE</b> Al&eacute;m do SciELO, aponta&#45;se    o programa Qualis, como indicador de qualidade. Trata&#45;se de uma classifica&ccedil;&atilde;o    de peri&oacute;dicos usados por programas de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o    para publicar sua produ&ccedil;&atilde;o intelectual avaliada por comiss&otilde;es    especializadas que atribuem notas A1 e A2, B de 1 a 5 e C (igual a zero), segundo    varia&ccedil;&otilde;es no fator de impacto e indexa&ccedil;&atilde;o em bancos    de dados. As categorias variam dentro de um mesmo peri&oacute;dico dependendo    da especialidade. Por considerar, sobretudo, o fator de impacto de peri&oacute;dicos    cient&iacute;ficos nacionais, comparando sua performance a equivalentes internacionais,    o Qualis tem sido alvo de cr&iacute;ticas por estimular a publica&ccedil;&atilde;o    de artigos no exterior. </font></P>     <P><font size="3">Enquanto ainda n&atilde;o &eacute; anunciada a nova tabela Qualis,    a comunidade se esfor&ccedil;a para propor condi&ccedil;&otilde;es mais justas    de classifica&ccedil;&atilde;o. Mauricio Rocha&#45;e&#45;Silva em editorial para o <i>Clinics</i>    (Vol.64, n.1, 2009), reconhece que os artigos de pa&iacute;ses em desenvolvimento    sejam inferiores ao de na&ccedil;&otilde;es desenvolvidas, mas afirma que a    disparidade &eacute; maior nas cita&ccedil;&otilde;es do que na qualidade dos    peri&oacute;dicos. "Algum suporte aos peri&oacute;dicos brasileiros &eacute;    imperativo. N&atilde;o estou sugerindo que se escancare a porteira: apenas que    se d&ecirc; aos peri&oacute;dicos brasileiros metas ating&iacute;veis de ambi&ccedil;&atilde;o    de progresso", defende. Meneghini faz coro na defesa da produ&ccedil;&atilde;o    nacional: "a Capes deve considerar uma pol&iacute;tica de est&iacute;mulo    para se publicar em revistas nacionais". Com os crit&eacute;rios atuais,    nenhuma publica&ccedil;&atilde;o nacional recebe a classifica&ccedil;&atilde;o    A1 e poucas se enquadram como A2, resultado de uma competi&ccedil;&atilde;o    injusta com os peri&oacute;dicos de n&iacute;vel internacional que deixa de    fora crit&eacute;rios que reconhe&ccedil;am a relev&acirc;ncia dos ve&iacute;culos    na ci&ecirc;ncia nacional.</font></P>     <P><font size="3">Embora haja suspeitas de que a qualidade das publica&ccedil;&otilde;es    brasileiras n&atilde;o esteja avan&ccedil;ando na mesma velocidade que a produ&ccedil;&atilde;o    de artigos, faltam evid&ecirc;ncias que comprovem essa hip&oacute;tese. Um dos    motivos, acredita o cienciometrista Rog&eacute;rio Meneghini, &eacute; o limitado    e caro acesso a dados do ISI. Alguns ind&iacute;cios, no entanto, mostram que    a qualidade est&aacute; melhorando. Um deles, afirma, &eacute; o aumento das    contribui&ccedil;&otilde;es de publica&ccedil;&otilde;es brasileiras no Journal    of Citation Report, uma base de dados ligada ao ISI, mas distinta do Web of    Science, e que re&uacute;ne seletos peri&oacute;dicos de import&acirc;ncia internacional.    O pa&iacute;s tem se destacado entre os pa&iacute;ses que mais crescem em percentagem    no JCR, ao lado da China e &Iacute;ndia, mas sua participa&ccedil;&atilde;o    total chega a meros 1%.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>DEDICA&Ccedil;&Atilde;O INTEGRAL</b> Com o amadurecimento    das publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas nacionais vir&aacute; a necessidade    de se pensar sua estrutura de funcionamento. Enquanto os peri&oacute;dicos internacionais    de destaque possuem editores e equipe contratados sob regime integral de trabalho,    no Brasil o trabalho &eacute; feito de modo volunt&aacute;rio, a exemplo do    que ocorre nas duas publica&ccedil;&otilde;es anteriormente citadas, JBCS e    QN, ambas publicadas pela Sociedade Brasileira de Qu&iacute;mica. Al&eacute;m    de cuidar das atividades de avalia&ccedil;&atilde;o de artigos e delineamento    de estrat&eacute;gias editoriais para as publica&ccedil;&otilde;es, frequentemente,    os editores tamb&eacute;m cuidam das quest&otilde;es burocr&aacute;ticas, como    a busca por financiamentos e a reda&ccedil;&atilde;o de relat&oacute;rios para    as ag&ecirc;ncias de fomento. Trabalho esse que pode tomar uma m&eacute;dia    de 8 horas semanais, em meio &agrave;s atividades acad&ecirc;micas individuais.</font></P>     <P><font size="3">Outra caracter&iacute;stica estrutural importante &eacute; que    no Brasil os peri&oacute;dicos s&atilde;o publicados por institui&ccedil;&otilde;es    e sociedades cient&iacute;ficas, e financiados, em sua maioria, por dinheiro    p&uacute;blico. "Quando se coloca uma revista em torno de uma institui&ccedil;&atilde;o    ou sociedade, fica mais f&aacute;cil levar em conta &#91;os artigos de&#93; as pessoas    que atuam dentro deste grupo", observa Meneghini. Seria necess&aacute;rio    que o pa&iacute;s investisse na forma&ccedil;&atilde;o de cientistas para lidarem    com as tarefas editoriais de modo a estabelecer uma equipe de especialistas.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Germana Barata</i></font></P>      ]]></body>

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