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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/mundo.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">M<SMALL>ELHORAMENTO GEN&Eacute;TICO</small></font></P>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/line_blk.gif"></font></P>     <P><font size="4"><b>Caf&eacute; made in Brazil &eacute; plantado pelos maiores    produtores mundiais</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n3/selo.gif"></P>     <p><font size="3">Basta derramar &aacute;gua quente sobre o p&oacute; escuro que    o cheiro inconfund&iacute;vel se espalha pelo ambiente. O caf&eacute; est&aacute;    servido. Com sabor singular e qualidades estimulantes, o h&aacute;bito de sorver    uma x&iacute;cara de caf&eacute; conquistou pessoas em todo o planeta e fez    com que o gr&atilde;o, depois do petr&oacute;leo, seja o segundo produto mais    exportado no mundo, em valor, segundo o Centro de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional    em Pesquisa Agron&ocirc;mica para o Desenvolvimento. Com leite, com creme, mais    forte, mais fraco, s&atilde;o in&uacute;meras as maneiras de preparar, mas,    nos pa&iacute;ses em que a bebida &eacute; tradicional, &eacute; grande a probabilidade    de que o caf&eacute; servido seja do Brasil. Pode ter sido produzido aqui, j&aacute;    que nosso pa&iacute;s responde por 30% da produ&ccedil;&atilde;o mundial, ou    pode ter sido plantado na Costa Rica e na Col&ocirc;mbia, a partir de variedades    desenvolvidas em nosso pa&iacute;s. </font></P>     <p><font size="3">Obter caf&eacute; de boa qualidade depende de v&aacute;rios    requisitos, entre eles o clima e boas t&eacute;cnicas de processamento, mas    o fundamental &eacute; a mat&eacute;ria&#45;prima, isto &eacute;, a cultivar plantada.    O Brasil, primeiro produtor e segundo maior consumidor mundial, &eacute; tamb&eacute;m    refer&ecirc;ncia em pesquisa para obten&ccedil;&atilde;o de cultivares de caf&eacute;.    O programa de melhoramento de caf&eacute; mais antigo do mundo foi implantado    no Brasil, mais precisamente no Instituto Agron&ocirc;mico de Campinas (IAC),    por Carlos Arnaldo Krug, em 1928. O programa passou a ser coordenado por Alcides    Carvalho, que dedicou mais de 50 anos de sua vida &agrave;s pesquisas para obter    variedades, ao mesmo tempo, produtivas e resistentes a doen&ccedil;as e pragas.    Alcides Carvalho &eacute; quem assina um dos artigos do primeiro volume da revista    <I>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</I>, publicada em 1949. "O texto traz uma    an&aacute;lise sobre os aspectos reprodutivos da flor do cafeeiro, pesquisa    b&aacute;sica para o melhoramento gen&eacute;tico", conta Luiz Carlos Fazuoli,    que trabalhou com Carvalho e hoje &eacute; diretor do Centro de Caf&eacute;    do IAC, cujo nome homenageia o pesquisador, falecido em 1993. Fazuoli lembra    que, no mesmo ano da publica&ccedil;&atilde;o do artigo na <I>Ci&ecirc;ncia    &amp; Cultura, </I>foi feito o cruzamento das variedades <I>caturra </I>com    <I>mundo novo</I>. O resultado foi a <I>catua&iacute;</I>, liberada em 1972,    que resulta em uma planta muito produtiva e com porte baixo, o que gera grande    economia de m&atilde;o&#45;de&#45;obra. Ela representa hoje cerca de 40% da cafeicultura    brasileira.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a06img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>CAF&Eacute; COLOMBIANO</b> "Embora tenhamos um enorme    potencial para produzir caf&eacute;s de alt&iacute;ssima qualidade, por uma    s&eacute;rie de raz&otilde;es, principalmente marketing, sempre fomos superados    neste segmento pela Col&ocirc;mbia, Qu&ecirc;nia e pa&iacute;ses da Am&eacute;rica    Central, como a Costa Rica, Guatemala e El Salvador", lamenta Fazuoli.    O que poucos sabem &eacute; que as variedades do IAC tamb&eacute;m s&atilde;o    da base da cafeicultura de importantes produtores mundiais. Col&ocirc;mbia e    Costa Rica, por exemplo, utilizam as variedades <I>caturra</I> e <I>catua&iacute;,</I>    que apresentam alta produtividade e resist&ecirc;ncia &agrave; ferrugem. "A    Col&ocirc;mbia tinha problema grave com a ferrugem e, como predominam terrenos    de montanha, &eacute; mais dif&iacute;cil fazer pulveriza&ccedil;&otilde;es    com tratores, da&iacute; a necessidade de variedades resistentes &agrave; doen&ccedil;a",    explica Paulo Mazzafera, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).    Outra caracter&iacute;stica do nosso vizinho latinoamericano s&atilde;o os altos    &iacute;ndices de insola&ccedil;&atilde;o que favorece o crescimento da planta    do caf&eacute;. Isso exige variedades de porte mais baixo, caso da cultivar    <I>catua&iacute;</I>. </font></P>     <p><font size="3">De posse de bons cultivares, a Col&ocirc;mbia passou a investir    em campanhas de publicidade. O personagem Juan Valdez, campon&ecirc;s tradicional    que est&aacute; sempre acompanhado da mula Conchita, carregada com sacas de    gr&atilde;o, &eacute; a marca do caf&eacute; colombiano reconhecida em todo    o mundo pela qualidade e sabor t&iacute;pico. Um dos resultados mais recentes    da agressiva estrat&eacute;gia comercial dos colombianos &eacute; a instala&ccedil;&atilde;o    de cafeterias sofisticadas, com a marca Juan Valdez, nos Estados Unidos, M&eacute;xico,    Costa Rica, Panam&aacute;, Equador, Chile e Espanha, entre outros pa&iacute;ses.</font></P>     <p><font size="3"><b>RESIST&Ecirc;NCIA &Agrave; FERRUGEM</b> Fundamentais para    o sucesso do caf&eacute; colombiano, as variedades resistentes &agrave; ferrugem    foram um marco nas pesquisas na &aacute;rea de melhoramento de caf&eacute; no    Brasil. Alcides Carvalho come&ccedil;ou a estudar a doen&ccedil;a em 1959, dez    anos antes de ela chegar efetivamente ao Brasil. Causada por um fungo que faz    surgir manchas amareladas nas folhas do cafeeiro, a ferrugem chega a provocar    perdas de 50% na produ&ccedil;&atilde;o de um cafezal. Carvalho fez o cruzamento    entre duas esp&eacute;cies de caf&eacute;: <I>Coffea arabica</I> com a <I>Coffea    canephora</I>. "O objetivo era transferir a resist&ecirc;ncia &agrave;    ferrugem da <I>canephora</I> para a <I>arabica</I>", conta Paulo Mazzafera,    da Unicamp. </FONT></P>     <p><font size="3">As pesquisas do IAC s&atilde;o respons&aacute;veis por levar    a cultura do caf&eacute; para muito al&eacute;m das famosas terras roxas paulistas.    Ensaios feitos nos laborat&oacute;rios do instituto, em solos de cerrado, permitiram    a expans&atilde;o da cultura para todo pa&iacute;s. </font></P>     <p><font size="3">A cafeicultura baseia&#45;se no plantio dessas duas esp&eacute;cies:    <I>Coffea arabica</I>, que fornece o tipo de caf&eacute; ar&aacute;bica, e <I>Coffea    canephora</I>, que fornece o caf&eacute; robusta, com sabor menos atraente,    por&eacute;m, como o nome diz, mais resistente a doen&ccedil;as. A primeira    esp&eacute;cie &eacute; reconhecida por produzir bebida de boa qualidade ou    o caf&eacute; de coador. A segunda &eacute; mat&eacute;ria&#45;prima para o caf&eacute;    sol&uacute;vel. O pioneirismo do instituto e a persist&ecirc;ncia de seus pesquisadores    para obten&ccedil;&atilde;o de novas variedades fizeram com que o IAC criasse    um dos maiores acervos de caf&eacute; do mundo. Mais de 90% do material que    se cultiva no Brasil saiu de l&aacute;. Al&eacute;m da <I>catua&iacute;</I>,    outras variedades s&atilde;o a <I>bourbon, caturra, mundo acai&aacute;</I> e    <I>icatu</I>. Entre as mais recentes est&atilde;o a <I>obat&atilde;, tupi</I>    e <I>ouro verde</I>. </font></P>     <p><font size="3"><b>NATURALMENTE SEM CAFE&Iacute;NA</b> Esse importante acervo    ainda promete importantes descobertas. Exemplo disso ocorreu em 2003, com a    identifica&ccedil;&atilde;o de uma planta que produz um fruto naturalmente descafeinado.    A planta, que possui vinte vezes menos cafe&iacute;na, foi descoberta por Paulo    Mazzafera, Luiz Carlos Fazuoli e Maria Bernadete Silvarolla, tamb&eacute;m do    IAC. As plantas do acervo do instituto vieram da Eti&oacute;pia e seu caf&eacute;    nunca tinha analisado para saber o teor de cafe&iacute;na. Enquanto o caf&eacute;    que tomamos tem de 1% a 1,2% de cafe&iacute;na, a variedade do IAC apresenta    teor de 0,07%. Ainda pouco comum no Brasil, onde representa apenas 1% do mercado,    o caf&eacute; descafeinado &eacute; muito procurado na Europa, principalmente    na Alemanha, e nos Estados Unidos, onde 25% do caf&eacute; comercializado &eacute;    descafeinado. Hoje ele &eacute; obtido utilizando solventes que lavam os gr&atilde;os    de caf&eacute; e dissolvem a cafe&iacute;na. Entretanto, o processo compromete    o sabor da bebida. Al&eacute;m do processo qu&iacute;mico, a alternativa para    obter caf&eacute; com baixo teor de cafe&iacute;na era desenvolver plantas geneticamente    modificadas. Pesquisas nessa linha est&atilde;o sendo desenvolvidas no Jap&atilde;o,    mas ainda h&aacute; resist&ecirc;ncia por parte do mercado em consumir caf&eacute;    de plantas transg&ecirc;nicas. "O grande apelo da nossa pesquisa &eacute;    que estamos trabalhando com uma planta naturalmente descafeinada, que n&atilde;o    passa por nenhum tratamento qu&iacute;mico ou gen&eacute;tico", ressalta    Mazzafera. Atualmente, a pesquisa busca cruzar a variedade descafeinada com    outras mais produtivas como a <I>mundo novo</I> e a <I>catu&aacute;i</I>, para    viabilizar o cultivo pelo produtor. S&oacute; assim ser&aacute; poss&iacute;vel    chegar a um produto final com pre&ccedil;o competitivo.</FONT></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a06img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Segundo o diretor do Centro de Caf&eacute;, a produtividade    &eacute; um objetivo permanente das pesquisas no IAC, que segue na busca de    plantas cada vez melhor adaptadas &agrave;s necessidades do produtor e do mercado    consumidor. "Em vista da crescente dificuldade em obter m&atilde;o&#45;de&#45;obra    para colheita do caf&eacute;, algumas variedades mais novas como a <I>tupi</I>    e a <I>ubat&atilde;</I> visam facilitar a colheita mec&acirc;nica", conta    Fazuoli. "Tamb&eacute;m estamos estudando plantas com sistema radicular    que proporcione melhor absor&ccedil;&atilde;o de nutrientes. Plantas assim usam    menos adubo", complementa. No ano passado, o IAC gerou uma cole&ccedil;&atilde;o    de 300 plantas matrizes, que poder&atilde;o gerar cultivares de caf&eacute;    robusta. Por possuir mais subst&acirc;ncias sol&uacute;veis, a&ccedil;&uacute;cares    e cafe&iacute;na, em compara&ccedil;&atilde;o ao caf&eacute; ar&aacute;bica,    o caf&eacute; robusta &eacute; bastante utilizado na fabrica&ccedil;&atilde;o    de caf&eacute; sol&uacute;vel. O robusta pode ser uma op&ccedil;&atilde;o para    o plantio em regi&otilde;es de temperaturas elevadas e uma oportunidade para    alcan&ccedil;ar o mercado com altas cota&ccedil;&otilde;es praticadas pela ind&uacute;stria    de caf&eacute; sol&uacute;vel, em crescimento no Brasil e que representa a maior    fatia no mercado norte&#45;americano. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></font></P>      ]]></body>

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