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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <b>Oscar Sala e o desenvolvimento    dos aceleradores de part&iacute;culas no Brasil </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Dirceu Pereira</b></font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe2/a08fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">O desenvolvimento de aceleradores eletrost&aacute;ticos e  equipamentos perif&eacute;ricos no Brasil para estudos em  f&iacute;sica nuclear experimental teve impacto importante  para o dom&iacute;nio de tecnologias de ponta pela ind&uacute;stria  nacional. A f&iacute;sica nuclear experimental, hoje &aacute;rea  estrat&eacute;gica em termos mundiais, contou com uma  grande concentra&ccedil;&atilde;o de f&iacute;sicos experimentais na  &aacute;rea, sobretudo na d&eacute;cada de 1960. Nos dias atuais,  v&aacute;rias t&eacute;cnicas nucleares desenvolvidas, inclusive no  Brasil, t&ecirc;m aplica&ccedil;&otilde;es em estudos em v&aacute;rias outras  &aacute;reas como: metalurgia, microeletr&ocirc;nica, medicina,  odontologia, agricultura, arqueologia, energia etc. Nesse contexto &eacute; que surge, no final dos anos 1940,  uma das grandes contribui&ccedil;&otilde;es do professor Oscar  Sala, ao construir na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP)  o acelerador eletrost&aacute;tico do tipo Van de Graaff, para  estudos de problemas em rea&ccedil;&otilde;es nucleares e estrutura  nuclear. Esse fato propiciou aos jovens pesquisadores,  a partir dos anos 1950, a oportunidade de  fazer ci&ecirc;ncia no campo de f&iacute;sica nuclear experimental  e tamb&eacute;m motivar outros pesquisadores para a  &aacute;rea de f&iacute;sica nuclear te&oacute;rica. Al&eacute;m desses aspectos,  o desenvolvimento da f&iacute;sica nuclear experimental  proporcionou uma maior inser&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s na comunidade  cient&iacute;fica internacional, com importante  aumento do intercÃ¢mbio de pesquisadores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">O acelerador Van de Graaff de S&atilde;o Paulo tinha uma capacidade de armazenar uma voltagem no terminal da ordem de tr&ecirc;s milh&otilde;es de volts, num tanque met&aacute;lico (figura 1) a alta press&atilde;o (3 a 4 atmosferas de nitrog&ecirc;nio). A constru&ccedil;&atilde;o do mesmo na &eacute;poca foi um dos maiores desafios enfrentados pela incipiente ind&uacute;stria brasileira, pois foi o primeiro equipamento desse porte e caracter&iacute;sticas feito no pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">A constru&ccedil;&atilde;o do acelerador propiciou &agrave; ind&uacute;stria brasileira o contato com novos equipamentos eletr&ocirc;nicos, soldas especiais, materiais e bombas usados em sistemas de v&aacute;cuo, al&eacute;m do dom&iacute;nio de detec&ccedil;&atilde;o de vazamentos nesses sistemas. Na parte de desenvolvimento de instrumenta&ccedil;&atilde;o nuclear espec&iacute;fica, o pa&iacute;s contribuiu, de maneira importante, a n&iacute;vel internacional, com <i>a t&eacute;cnica de detec&ccedil;&atilde;o de n&ecirc;utrons via tempo de v&ocirc;o</i>, e tamb&eacute;m na parte de controle da voltagem do acelerador via <i>volt&iacute;metro gerador</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> O acelerador Van de Graaff da USP funcionou at&eacute; o final da d&eacute;cada de 1960, com v&aacute;rias teses experimentais realizadas e trabalhos publicados em revistas internacionais. Al&eacute;m disso, o laborat&oacute;rio contribui de maneira significativa na forma&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos especializados e diferenciados, sendo que parte deles foi absorvida pela ind&uacute;stria brasileira ou fundaram suas pr&oacute;prias empresas, como foi o caso das empresas Tectrol e Brasele. A d&eacute;cada de 1970 &eacute; marcada por uma mudan&ccedil;a na f&iacute;sica nuclear experimental mundial, que passa a focar a f&iacute;sica de &iacute;ons pesados e o desenvolvimento de aceleradores de dois est&aacute;gios tipo"tandem" e fontes injetoras de &iacute;ons negativos. O professor Sala, em sintonia com a f&iacute;sica internacional, liderou o projeto para a compra e instala&ccedil;&atilde;o na USP do acelerador Pelletron de tecnologia de ponta. Esse acelerador entrou em funcionamento parcial em 1972, foi constru&iacute;do pela firma americana National Eletrostrotatics Corporation (NEC), e era o prot&oacute;tipo de uma nova gera&ccedil;&atilde;o de aceleradores com concep&ccedil;&otilde;es inovadoras de tubo acelerador e sistema de transporte de carga para o terminal. Nos dias atuais h&aacute; v&aacute;rios (~200) aceleradores tipo Pelletron de diferentes portes, funcionando em v&aacute;rios laborat&oacute;rios do mundo. Colocar o Pelletron em funcionamento custou um esfor&ccedil;o muito grande para a equipe liderada pelo professor Sala. O acelerador, por ser novo, tinha problemas estruturais importantes, v&aacute;rios deles resolvidos pela equipe local.Al&eacute;m disso, havia problemas s&eacute;rios de infraestrutura. Quando se instala um equipamento de alta tecnologia na universidade isso n&atilde;o &eacute; um fato isolado, pois ela est&aacute; inserida num pa&iacute;s e numa sociedade com toda sua estrutura ou a falta dela. Entre v&aacute;rios problemas, existia uma instabilidade importante da rede el&eacute;trica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Apesar de todas as dificuldades enfrentadas para o funcionamento do Pelletron, ele foi muito importante para a f&iacute;sica nuclear experimental brasileira. Passamos a ter uma maior inser&ccedil;&atilde;o na comunidade cient&iacute;fica internacional, com participa&ccedil;&atilde;o em eventos importantes e publica&ccedil;&otilde;es em revistas de primeira linha. Al&eacute;m disso, houve interc&acirc;mbio de estudantes e pesquisadores e colabora&ccedil;&otilde;es com outros centros de pesquisa, que perduram at&eacute; hoje. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">O Pelletron entrou efetivamente em opera&ccedil;&atilde;o no ano de 1975. At&eacute; os dias atuais foram conclu&iacute;das cerca de 200 teses de mestrado e doutorado com dados experimentais obtidos no laborat&oacute;rio. N&uacute;mero bastante significativo quando comparado com o total de teses produzido pelo Instituto de F&iacute;sica da USP desde 1970, que &eacute; da ordem de 1000. Do ponto de vista tecnol&oacute;gico passamos a dominar novas tecnologias para sistemas de v&aacute;cuo, sistemas eletr&ocirc;nicos e comunica&ccedil;&atilde;o de computadores (grande novidade na &eacute;poca). Sob a minha &oacute;ptica, a instala&ccedil;&atilde;o do Pelletron na USP, foi um dos maiores desafios enfrentados pelos f&iacute;sicos nucleares experimentais e o corpo t&eacute;cnico da USP</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> Na d&eacute;cada de 1980, o professor Sala inicia um novo projeto de um p&oacute;s-acelerador do tipo linear (Linac) com cavidades ressonantes (figura 3) supercondutoras. A ideia era triplicar a energia de acelera&ccedil;&atilde;o do Pelletron. O projeto teve s&eacute;rios problemas de financiamento devido &agrave; situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do pa&iacute;s, principalmente nos anos 1980 e 1990. No momento, o mesmo encontra-se em fase final de montagem. Este &eacute; apenas um resumo da contribui&ccedil;&atilde;o do professor Sala para o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia e da tecnologia no Brasil. Esses fatos fazem do professor Oscar Sala figura diferenciada da ci&ecirc;ncia brasileira, que merece o respeito de todos. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62nspe2/a08fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><i><b>Dirceu Pereira</b> &eacute; professor titular do Instituto de F&iacute;sica da USP. Fez mestrado e doutorado em f&iacute;sica nuclear experimental sob a orienta&ccedil;&atilde;o do professor Oscar Sala </i></font></p>      ]]></body>
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