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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/mundo.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">ENTREVISTA</font></P>     <P><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/linha.jpg"></font></P>     <P><font size="4"><b>Valorizando a visualiza&ccedil;&atilde;o de dados biol&oacute;gicos na era da informa&ccedil;&atilde;o</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/a08img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Desde que Bang Wong come&ccedil;ou sua forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, estava certo de que queria combinar ci&ecirc;ncia, medicina, ilustra&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o art&iacute;stica da ci&ecirc;ncia em sua carreira. Durante a p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o em imunologia na prestigiosa Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, passava todos os dias pelo mesmo pr&eacute;dio para comprar o indispens&aacute;vel caf&eacute; matinal. Ali era oferecido um curso de ilustra&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica e Wong sempre acompanhava o que acontecia no programa, t&atilde;o concorrido quanto a escola de medicina. Mesmo tendo o pedido de assistir como ouvinte a algumas aulas de ilustra&ccedil;&atilde;o negado, Wong pediu licen&ccedil;a da p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o e passou tr&ecirc;s meses preparando seu portf&oacute;lio, que deveria incluir uma prova de habilidades art&iacute;sticas tradicionais. Deu certo. Ele foi aprovado e terminou os cursos de arte e imunologia. Hoje ele &eacute; diretor de cria&ccedil;&atilde;o do Instituto Broad, ligado ao MIT e &agrave; Universidade de Harvard, em Cambridge, e trabalha com express&atilde;o visual de conceitos cient&iacute;ficos. Recentemente, foi eleito pela revista <i>Nature Medicine</i> como um dos l&iacute;deres inovadores na interface entre arte e medicina e ganhou, em 2010, a coluna mensal "Points of view" na revista <i>Nature Methods</i>, onde trata da comunica&ccedil;&atilde;o visual da ci&ecirc;ncia. "O foco da coluna &eacute; estabelecer um enquadramento conceitual para comunica&ccedil;&atilde;o visual da ci&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m fornecer dicas que as pessoas possam usar diretamente em seus trabalhos", diz. Nessa entrevista, Wong fala sobre a import&acirc;ncia da &aacute;rea de visualiza&ccedil;&atilde;o de dados biol&oacute;gicos, muito menos avan&ccedil;ada, segundo ele, do que a visualiza&ccedil;&atilde;o de dados sociais. Dados de genomas, prote&iacute;nas, c&eacute;lulas, organismos e popula&ccedil;&otilde;es podem ser apresentados de maneiras cada vez mais atrativas. "Se as pessoas valorizarem a visualiza&ccedil;&atilde;o de dados como ferramenta poderosa de comunica&ccedil;&atilde;o que gostariam de usar, passariam a pensar mais sobre o quanto e em como a visualiza&ccedil;&atilde;o impacta a mensagem a ser transmitida", afirma. </font></P>     <P><font size="3"><b><i>A pesquisa em biologia est&aacute; gerando dados cada vez mais complexos e em maior quantidade. Como a visualiza&ccedil;&atilde;o ajuda os cientistas a lidar com esse mar de informa&ccedil;&atilde;o? </i></b></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Com muitos dados, computa&ccedil;&atilde;o e modelagem s&atilde;o cr&iacute;ticos. Um dos jeitos que a computa&ccedil;&atilde;o ajuda &eacute; aumentando o poder de visualiza&ccedil;&atilde;o. Veja o caso do quarteto de Anscombe: quatro grupos de n&uacute;meros, id&ecirc;nticos estaticamente, mesma regress&atilde;o, mesma vari&acirc;ncia, mas quando voc&ecirc; plota nos gr&aacute;ficos, parecem muito diferentes. Isso mostra a import&acirc;ncia de se olhar para os n&uacute;meros antes de analis&aacute;&#45;los.</font></P>     <P><font size="3"> Penso que o outro papel da visualiza&ccedil;&atilde;o &eacute; ajudar quando n&atilde;o se sabe o que perguntar sobre o dado; a visualiza&ccedil;&atilde;o pode trazer um pouco de intui&ccedil;&atilde;o que ajuda a ver padr&otilde;es, permitindo desenvolver um algo&#45;ritmo computacional inteligente. Um mergulho nos resultados. Esses s&atilde;o os dois pap&eacute;is da visualiza&ccedil;&atilde;o, especialmente importantes, considerando a maneira como fazemos ci&ecirc;ncia atualmente: gerar dados primeiro, sem necessariamente uma hip&oacute;tese clara, e dar seguimento &agrave; pesquisa a partir da&iacute;. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n1/a08img02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b><i>Quais s&atilde;o os principais erros de visualiza&ccedil;&atilde;o de dados cometidos pelos cientistas? </i></b></font></P>     <P><font size="3">A intera&ccedil;&atilde;o de cores pode inserir vieses, e &eacute; preciso estar ciente disso. Al&eacute;m disso, plotamos dados usando gr&aacute;ficos de pizza, de barra, dispers&atilde;o, principalmente por conta da percep&ccedil;&atilde;o visual. Tentamos organizar coisas em padr&otilde;es, de modo que quando as vemos depois de decifr&aacute;&#45;las, as leremos diferentemente. Outro ponto que observo, que n&atilde;o &eacute; necessariamente um erro, &eacute; que cientistas tendem a lidar com um conjunto novo de dados olhando para trabalhos que eles publicaram antes, usando os mesmos m&eacute;todos gr&aacute;ficos, o que pode ou n&atilde;o servir aos seus objetivos. Outras maneiras podem ser mais efetivas. Gastar tempo representando dados pode ser muito vantajoso e proveitoso. Veja o caso dos infogr&aacute;ficos, cada vez mais presentes nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. Quando determinada informa&ccedil;&atilde;o &eacute; bem apresentada, a comunica&ccedil;&atilde;osetornamaisefetiva.Hojeemdia, n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; as manchetes que chamam a aten&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m os infogr&aacute;ficos. Com isso, melhora a interpreta&ccedil;&atilde;o de gr&aacute;ficos feita pelo p&uacute;blico geral. </font></P>     <P><font size="3"><b><i>Como ajudar os cientistas a trabalhar melhor a visualiza&ccedil;&atilde;o de dados? </i></b></font></P>     <P><font size="3">Penso que &eacute; uma quest&atilde;o de valor. Se as pessoas valorizarem a visualiza&ccedil;&atilde;o de dados como ferramenta poderosa de comunica&ccedil;&atilde;o que gostariam de usar, passariam a pensar mais sobre o quanto e em como a visualiza&ccedil;&atilde;o impacta a mensagem a ser transmitida. Estamos acostumados a pedir que outros leiam e comentem nossos textos, mas n&atilde;o fazemos o mesmo com figuras e ilustra&ccedil;&otilde;es. Precisamos mostrar figuras para nossos colegas e perguntar o que acham. No entanto, fazer gr&aacute;ficos em computadores n&atilde;o &eacute; t&atilde;o f&aacute;cil quanto escrever. Montar gr&aacute;ficos usando o PowerPoint, por exemplo, n&atilde;o &eacute; natural e &eacute; limitado.</font></P>     <P><font size="3"> H&aacute; outras ferramentas como o Illustrator, mas n&atilde;o &eacute; t&atilde;o f&aacute;cil de usar e nem &eacute; intuitivo; &eacute; preciso memorizar v&aacute;rios passos e normalmente dependemos de outra pessoa.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"> Os cientistas precisam pensar mais sobre visualiza&ccedil;&atilde;o, em como representar dados. Vale desenhar no guardanapo, como sugere o interessant&iacute;ssimo livro <i>The back of the napkin</i> &#91;de Dan Roam, 2008&#93;. Fazer um rascunho no guardanapo e depois traduzir para o formato digital. Desenhos em guardanapos s&atilde;o uma maneira muito boa de comunicar. Claro que &eacute; dif&iacute;cil transferir para a tela do computador o que est&aacute; na sua cabe&ccedil;a. O que o cientista pode fazer? Trabalhar com algu&eacute;m acostumado com softwares de desenho, ilustradores e, de prefer&ecirc;ncia, familiarizado com o t&oacute;pico cient&iacute;fico. </font></P>     <P><font size="3">O livro de autoria de Edward Tufte, <i>The visual display of quantitative information</i> &#91;Graphics Press, 2001&#93;, cont&eacute;m exemplos convincentes de como hist&oacute;rias podem ser contadas por meio de gr&aacute;ficos estat&iacute;sticos bem desenhados ou como gr&aacute;ficos ruins podem induzir a erros. No entanto, o trabalho seminal na apresenta&ccedil;&atilde;o visual de dados quantitativos &eacute; do cart&oacute;grafo franc&ecirc;s Jacques Bertin. Em seu livro <i>Semiology of graphics: diagrams, networks, maps</i> (reimpresso em 2010), Bertin mostra como "vari&aacute;veis da retina" podem ser usadas para codificar informa&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3"><b><i>Quais s&atilde;o os desafios da &aacute;rea? </i></b></font></P>     <P><font size="3">Os cientistas percebem que h&aacute; um valor na visualiza&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o sabem muito bem onde coloc&aacute;&#45;lo. Onde realizar o trabalho? Quem financia? Quem faz? Aqui no Instituto Broad, as pessoas dizem que visualiza&ccedil;&atilde;o &eacute; importante, que precisamos ver todos esses dados gerados, mas nem sempre fica claro quem exatamente vai fazer o trabalho. Um dos desafios &eacute; achar o grupo adequado de pessoas. Atualmente, as pessoas que fazem s&atilde;o engenheiros de software e cientistas da computa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o tenho certeza se designers gr&aacute;ficos tradicionais seriam os melhores, embora pensem o tempo todo no visual. Penso que a sa&iacute;da &eacute; fazer uma grande mescla de pessoas com diferentes forma&ccedil;&otilde;es, incluindo psic&oacute;logos que estudam como entendemos e interpretamos o que vemos. Certas representa&ccedil;&otilde;es visuais s&atilde;o mais eficientes em nos ajudar a enxergar certos dados. Pensar na codifica&ccedil;&atilde;o visual primeiro e depois no software pode ser uma outra abordagem. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Cristina Caldas</i></font></P>      ]]></body>
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