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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a09mundo.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>F&Iacute;SICA DE PART&Iacute;CULAS</b></font></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v63n3/linha.jpg"></P>     <P><font size="4">Observat&oacute;rio Pierre Auger Norte s&oacute; no papel</font></P>     <P><font size="3">O Observat&oacute;rio Pierre Auger foi originalmente projetado para se localizar nos dois hemisf&eacute;rios terrestres: o primeiro, constru&iacute;do em Malargue (Hemisf&eacute;rio Sul), na Argentina, foi inaugurado em 2008; o segundo deveria se localizar no Hemisf&eacute;rio Norte. O ex&#45;chefe da colabora&ccedil;&atilde;o no Brasil, Carlos Escobar, explica que o projeto foi inicialmente concebido para ter dois s&iacute;tios, Sul e Norte, para permitir cobertura total do c&eacute;u: estudo abrangente das fontes de raios c&oacute;smicos; poss&iacute;veis anisotropias de distribui&ccedil;&atilde;o dessas fontes; estudo dos efeitos dos campos magn&eacute;ticos gal&aacute;cticos e extra&#45;gal&aacute;cticos sobre os raios c&oacute;smicos. A constru&ccedil;&atilde;o do observat&oacute;rio Norte deveria come&ccedil;ar entre 2008 e 2009, mas a falta de investimentos tornou as previs&otilde;es de inaugura&ccedil;&atilde;o remotas. Desde 2000, o cons&oacute;rcio de 17 pa&iacute;ses, dentre os quais o Brasil, dedicou&#45;se a constru&ccedil;&atilde;o do Auger do Sul, na prov&iacute;ncia argentina de Mendonza. Ronald Shellard, atual chefe da colabora&ccedil;&atilde;o Auger no Brasil, conta que o Auger Sul, inaugurado em 2008, custou US$ 48 milh&otilde;es, (cerca de US$ 1,5 milh&atilde;o anuais s&atilde;o usados para mant&ecirc;&#45;lo em opera&ccedil;&atilde;o). O Auger Norte, com uma &aacute;rea efetiva dez vezes maior que a do s&iacute;tio Sul (3 mil km<sup>2</sup>), seria constru&iacute;do no estado norte&#45;americano do Colorado, com custo sete vezes superior: cerca de US$ 120 milh&otilde;es. Segundo Shellard, o Auger Norte foi adiado por tempo indeterminado. "Neste momento temos um prot&oacute;tipo &#91;RDA, da sigla em ingl&ecirc;s Research and Development Array&#93; com 10 esta&ccedil;&otilde;es instaladas no Colorado e ainda n&atilde;o iniciamos os investimentos para constru&iacute;&#45;lo", afirma o coordenador.</font></P>     <P><font size="3"><b>BUSCA POR LOCAL</b> Escobar menciona que, al&eacute;m do Brasil, pa&iacute;ses como EUA, Fran&ccedil;a, Alemanha e Holanda esfor&ccedil;aram&#45;se na constru&ccedil;&atilde;o do RDA, no Colorado. "Ainda n&atilde;o h&aacute; candidatos para abrigar o futuro Giant Array &#91;o novo s&iacute;tio Norte&#93;, mas uma boa parte da colabora&ccedil;&atilde;o Auger est&aacute; envolvida em buscar parceiros e locais onde possamos constru&iacute;&#45;lo". </font></P>     <P><font size="3">Apesar de ter tido boas avalia&ccedil;&otilde;es nos f&oacute;runs de ag&ecirc;ncias de fomento norte&#45;americanas, a raz&atilde;o fundamental do adiamento do projeto, segundo Shellard, foi o corte de investimentos em ci&ecirc;ncia nos EUA (o pa&iacute;s investe cerca de 2,5% de seu Produto Interno Bruto em ciência e desenvolvimento, de acordo com dados da National Science Foundation), que forçou algumas escolhas: "o Auger perdeu para experimentos que pesquisam matéria e energia escura." Para ele, o adiamento n&atilde;o foi ruim, pois possibilita um rearranjo de prioridades: "Mais precisamente, temos um candidato a fonte de raios cósmicos ultra energéticos no Hemisfério Sul que é a AGN Centaurus&#45;A &#91;AGN é a sigla em inglês para designar núcleo de galáxia ativo&#93;. Com mais atenç&atilde;o ao Sul poderemos medir com mais precis&atilde;o essa fonte."</font></P>     <P><font size="3">A opini&atilde;o de Shellard é compartilhada por outros pesquisadores entusiasmados como a professora Carola Dobrigkeit e o jovem Rafael Batista, ambos do Departamento de Raios Cósmicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Batista, que pesquisa um modelo para o campo magnético da nossa galáxia, acredita que a n&atilde;o construç&atilde;o do Auger Norte implicará apenas em uma limitaç&atilde;o, mas n&atilde;o inviabilizará o estudo de raios cósmicos: "A estatística de eventos continuará baixíssima. Além disto, possíveis fontes de raios cósmicos ultra energéticos que estejam localizadas no norte, e que n&atilde;o sejam visíveis no sul, n&atilde;o poder&atilde;o ser detectadas."</font></P>     <P><font size="3">O pesquisador Jo&atilde;o dos Anjos, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), pensa diferente: "conhecer a metade do céu é como conhecer a metade da verdade". Segundo ele, n&atilde;o se pode garantir que as fontes mais importantes de raios cósmicos ultra energéticos n&atilde;o estejam no Hemisfério Norte. Além disso, ele acredita que a regi&atilde;o mais interessante está acima de um limite de energia (50 EeV, ou 50. 1018 eV), a qual o Auger Sul n&atilde;o cobre inteiramente. O Auger Norte deveria, ent&atilde;o, ter um maior espaçamento entre os tanques, para cobrir melhor essa regi&atilde;o, aumentando a estat&iacute;stica desses eventos, que s&atilde;o rar&iacute;ssimos (veja box). Por isso pensa&#45;se al&eacute;m da constru&ccedil;&atilde;o do Auger Norte, numa amplia&ccedil;&atilde;o do s&iacute;tio Sul, em Malargue. Nesse s&iacute;tio ainda h&aacute; 10 ou 15 anos de coleta e an&aacute;lise de dados, mas essa ainda &eacute; uma discuss&atilde;o em aberto, diz Ronald Shellard. Para Jo&atilde;o dos Anjos, a extens&atilde;o do Auger Sul &eacute; problem&aacute;tica, pois, como a regi&atilde;o dispon&iacute;vel n&atilde;o &eacute; suficiente, teria que ser feita em outra regi&atilde;o n&atilde;o cont&iacute;gua.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <table width="578" border="0" align="center" cellpadding="5" cellspacing="5" bgcolor="#FEF9BF">   <tr>     <td colspan="2">    <p><font size="3">T<small>ELESC&Oacute;PIOS ESPECIAIS PERMITEM DETECTAR PART&Iacute;CULAS DE ALTAS ENERGIAS</small></font></p>           <p><font size="3"> Um dos principais objetivos do Observat&oacute;rio Pierre Auger &eacute; estudar a          distribui&ccedil;&atilde;o e constitui&ccedil;&atilde;o de part&iacute;culas ultra energ&eacute;ticas (n&uacute;cleos at&ocirc;micos          chamados raios c&oacute;smicos), que viajam com energias que v&atilde;o de 109 eV at&eacute;          1020 eV (eV &eacute; sigla para el&eacute;tron&#8209;Volts, unidade que mede energia de part&iacute;culas          elementares). No caminho que fazem pelo Universo, os raios c&oacute;smicos podem          ser defletidos por campos magn&eacute;ticos e, por isso, espera&#8209;se v&ecirc;&#8209;los em todas as          dire&ccedil;&otilde;es daqui da Terra. Quanto maior for sua energia, mais rara sua incid&ecirc;ncia          na Terra. Part&iacute;culas com energia de 1018 eV incidem em frequ&ecirc;ncia de uma          part&iacute;cula por km2 por semana. Acima de 1020 eV apenas uma part&iacute;cula por          km2 por s&eacute;culo. &Eacute; poss&iacute;vel detectar part&iacute;culas quando elas interagem com          mat&eacute;ria densa da atmosfera terrestre formando os chamados chuveiros de          part&iacute;culas: uma cascata de milh&otilde;es de part&iacute;culas secund&aacute;rias com energia          menor. Durante esse fen&ocirc;meno          h&aacute; tamb&eacute;m emiss&atilde;o de luz. O           Pierre Auger registra esses          chuveiros c&oacute;smicos usando 1600          detectores (separados entre si          por 1,5km), espalhados numa    &aacute;rea de 3 mil km<sup>2</sup>. J&aacute; a emiss&atilde;o          da luz fluorescente gerada          pelos chuveiros &eacute; registrada por      telesc&oacute;pios especiais.</font></p>         <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a08img02.jpg"></p></td>   </tr> </table>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>AUGER NO BRASIL</b> Enquanto isso, as pesquisas no Auger Sul v&atilde;o muito bem. H&aacute; o desenvolvimento de detectores que utilizam novas t&eacute;cnicas (detec&ccedil;&atilde;o de ondas de r&aacute;dio emitidas pelos chuveiros de raios c&oacute;smicos na atmosfera). A pesquisadora Carola Dobrigkeit explica que o arranjo de antenas de r&aacute;dio e demais projetos (no total de 4), que est&atilde;o na fase de prot&oacute;tipos, j&aacute; est&atilde;o sendo constru&iacute;dos e alguns dos quais est&atilde;o sendo levados para a Argentina. Jo&atilde;o dos Anjos cita outros projetos que est&atilde;o em desenvolvimento, como o estudo de fen&ocirc;menos atmosf&eacute;ricos com tanques de detec&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o muito sens&iacute;veis &agrave; varia&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o, temperatura etc. "Tem muita coisa acontecendo, o projeto est&aacute; numa fase muito produtiva", diz o pesquisador. Carola Dobrigkeit, que tamb&eacute;m &eacute; respons&aacute;vel pela parte paulista da colabora&ccedil;&atilde;o e pelo projeto tem&aacute;tico aprovado, no ano passado, pela Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp), conta que, entre outras coisas, o projeto possibilita a participa&ccedil;&atilde;o de pesquisadores e estudantes brasileiros no Auger Sul, at&eacute; 2013, com recursos dispon&iacute;veis para detectores, viagens, bolsas, manuten&ccedil;&atilde;o do observat&oacute;rio etc.</font></P>     <P><font size="3">Os custos foram distribu&iacute;dos de maneira equilibrada entre os pa&iacute;ses. "N&atilde;o h&aacute; pa&iacute;s dominante no Auger, os maiores &#91;financiadores&#93; s&atilde;o EUA, Alemanha, Argentina e por a&iacute; vai. O investimento &eacute; proporcional ao n&uacute;mero de cientistas envolvidos" lembra Shellard. O processo &eacute; realmente colaborativo porque os dados e os artigos pertencem a todos os membros da colabora&ccedil;&atilde;o (&agrave; exce&ccedil;&atilde;o de alguns artigos extremamente t&eacute;cnicos).</font></P>     <P><font size="3">O Brasil investiu cerca de 10% (US$ 5 milh&otilde;es) no Auger Sul, atrav&eacute;s da Fapesp; da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) e do CBPF, por meio do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia). S&atilde;o v&aacute;rias as institui&ccedil;&otilde;es brasileiras que mant&ecirc;m a colabora&ccedil;&atilde;o, dentre elas: o CBPF e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); a Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), a Unicamp, a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).</font></P>     <P><font size="3"><b>INVESTIMENTO LOCAL</b> Segundo Ronald Shellard, o pa&iacute;s    formou, at&eacute; agora, pelo menos 16 doutores em temas relacionados ao Auger.    Al&eacute;m disso, todo o investimento brasileiro foi realizado no pa&iacute;s,    em ind&uacute;strias locais. "Investimos em equipamentos, por exemplo, sendo    que alguns componentes desenhamos e constru&iacute;mos. Outros pa&iacute;ses    encomendaram direto de ind&uacute;strias brasileiras (caso das lentes corretoras    dos telesc&oacute;pios), ou pegaram o projeto brasileiro e foram construir nos    seus pa&iacute;ses." </font></P>     <P><font size="3">Shellard se posicionou em rela&ccedil;&atilde;o a outros projetos    da chamada big science (aqueles que requerem altos investimentos financeiros    e uma grande equipe internacional de cientistas) dos quais o Brasil &eacute;    parceiro, como os dos telesc&oacute;pios Gemini (localizado no estado americano    do Hawai) e Soar (Cerro Pach&oacute;n no Chile). Para ele, cada um desses projetos    tem suas especificidades, mas o Brasil desempenha um papel relevante em todos.    "Nossas limitações tem mais a ver com problemas estruturais que ainda temos,    como a falta de infraestrutura para gerar instrumentaç&atilde;o científica,    os financiamentos que têm ritmo brasileiro e o custo Brasil, que foi uma dificuldade    atenuada em tempos recentes".</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Físicos de partículas se envolvem em colaborações da big science, porque suas pesquisas requerem instrumentos muito caros (caso do LHC, do inglês Large Hadron Colider, o super&#45;acelerador subterrâneo de partículas localizado entre a Suíça e a França). Alguns pesquisadores do Fermilab (instituto de pesquisas norte&#45;americano que abriga outro grande acelerador de partículas) prepararam um documento no qual defendem investimentos em ciência de base. Para eles, a justificativa para empreendimentos com aplicações que afetam diretamente a sociedade s&atilde;o óbvios, mas quando se trata de ciência de base, como é o caso do Auger e do LHC, a primeira raz&atilde;o é que nunca se deve desprezar o desejo do homem de conhecer o mundo à sua volta &#150; n&atilde;o apenas para controlá&#45;lo melhor, mas para satisfazer seus anseios puros em relaç&atilde;o ao conhecimento das coisas.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Victória Flório</i></font></P>      ]]></body>
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