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</front><body><![CDATA[ <P><font size="3"><b>NAMING</b></font></P>      <P><font size=5><b><small>Processo que faz o produto ser identificado no mundo inteiro</small></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Dar nome a produtos e servi&ccedil;os &eacute; hoje uma especializa&ccedil;&atilde;o, um processo que tamb&eacute;m tem seu nome globalizado &#150;  <I>o naming</I>. Envolve equipes multidisciplinares e tem similaridades com a poesia.</font></P>     <P><font size="3">Batizar um novo produto n&atilde;o &eacute; uma tarefa f&aacute;cil. Quando d&aacute; muito certo, o nome de batismo acaba virando sin&ocirc;nimo do produto &#150;  os casos mais famosos s&atilde;o a gillette, o danoninho, o bombril, entre outros. Por&eacute;m, &agrave;s vezes, ocorre erro de interpreta&ccedil;&atilde;o por parte dos consumidores, podendo comprometer o investimento em comunica&ccedil;&atilde;o, principalmente com o segmento onde mais se gasta:  a publicidade. O fabricante do furg&atilde;o multiuso "Besta" que o diga: entrou no mercado praticamente sem concorrentes diretos, mas o nome acabou virando piada, desconforto e impress&atilde;o negativa em v&aacute;rios tipos de p&uacute;blico, em especial religiosos que associam a palavra ao dem&ocirc;nio.</font></P>     <P><font size="3">"Os gastos com publicidade para reverter a antipatia inicial com o nome, e que enfatizou uma comunica&ccedil;&atilde;o mais bem humorada, poderia ter sido evitada simplesmente mudando o nome do ve&iacute;culo", explica a publicit&aacute;ria Irene Carballido, que trabalha com <I>naming,</I> uma &aacute;rea que conheceu durante sua especializa&ccedil;&atilde;o na Universidade Aut&ocirc;noma de Barcelona (UAB), na Espanha.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a24img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O <I>naming</I> se insere dentro do que os designers chamam de <I>branding</I>, um processo amplo que ajuda a construir a marca, que vai al&eacute;m da concep&ccedil;&atilde;o do logotipo. &Eacute; a cria&ccedil;&atilde;o do chamado "universo da marca", onde diversas pistas sensoriais &#150; da paleta de cores, ilumina&ccedil;&atilde;o dos ambientes, associa&ccedil;&otilde;es imag&eacute;ticas at&eacute; a fon&eacute;tica do nome &#150; comunicam a inten&ccedil;&atilde;o da empresa, ou seja, mostram o diferencial em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; concorr&ecirc;ncia. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">"Um produto como o sorvete H&auml;agen Dazs j&aacute; faz determinado tipo de consumidor ativar alguma conex&atilde;o no inconsciente, que torna mais f&aacute;cil a empatia. O nome tem algo de europeu, inicialmente pode soar alem&atilde;o ou escandinavo &#150; o que pode remeter &agrave; ideia de qualidade especial, exclusiva e diferenciada em rela&ccedil;&atilde;o a outros sorvetes. Ao se complementar tal impress&atilde;o inicial com a parte visual, se induz a um processo de decis&atilde;o mais f&aacute;cil. Se a pessoa quer algo fora do cotidiano &#150; e das marcas cotidianas &#150; talvez opte por esse produto", diz Delano Rodrigues, designer e professor da Universidade Federal do Maranh&atilde;o, ressaltando que a empresa em quest&atilde;o &eacute; americana e o nome &eacute; apenas um conjunto de fonemas, sem correspond&ecirc;ncia em nenhuma l&iacute;ngua, assim como a palavra  Kodak.</font></P>      <P><font size="3"><b>MARCAS MUNDIAIS</b> O <I>naming</I> vem se tornando cada vez mais importante &agrave; medida que a a&ccedil;&atilde;o das empresas se internacionaliza. E, mesmo aquelas com produ&ccedil;&atilde;o focada no p&uacute;blico local, com a internet, t&ecirc;m que planejar suas a&ccedil;&otilde;es de forma global. "Um nome com muitos 'r'poder&aacute; ter dificuldade de ser comunicado ou lembrado no Jap&atilde;o. Ent&atilde;o a fon&eacute;tica &eacute; importante para definir um produto global. Escrit&oacute;rios de <I>disaster check</I> fazem pesquisas mundiais atr&aacute;s de poss&iacute;veis problemas relacionados aos nomes dos produtos lan&ccedil;ados em pa&iacute;ses diferentes. Tamb&eacute;m procuram nomes de outros produtos locais que j&aacute; existam (o que pode indicar a necessidade de adapta&ccedil;&otilde;es). Caso isso ocorra, os profissionais envolvidos na comunica&ccedil;&atilde;o da marca passam por mais um teste de paci&ecirc;ncia: encontrar dom&iacute;nios na internet para um produto global que pode acabar concorrendo &#150; em termos de aten&ccedil;&atilde;o &#150; com um produto local.</font></P>     <P><font size="3">Por isso n&atilde;o &eacute; incomum que os <I>namers </I>&#150; profissionais de <I>naming </I>&#150; partam de uma solu&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica: criar nomes sonoros que n&atilde;o sejam, necessariamente, uma palavra com sentido conhecido, como o do sorvete j&aacute; citado. S&atilde;o os chamados "nomes artificiais" (cuja dica, mas n&atilde;o regra geral, &eacute; alternar consoantes e vogais simples para serem universalmente aceitos).</font></P>     <P><font size="3">"N&atilde;o existe nome sem sentido, afinal essa &eacute; uma das fun&ccedil;&otilde;es da linguagem, dar nomes &agrave;s coisas. O nome &eacute; associado &agrave; empresa, ent&atilde;o ele tem um sentido, representa aquela empresa, produto ou servi&ccedil;o. Para o linguista Ferdinand de Saussurre o nome tem significante e significado. E s&atilde;o os leitores &#150; nesse caso os consumidores &#150; que v&atilde;o dar significado a esses nomes, com a facilita&ccedil;&atilde;o de outras formas de comunica&ccedil;&atilde;o envolvidas nesse processo (como o design ou a publicidade) que ajudam na resignifica&ccedil;&atilde;o do referente do discurso, ou seja, do objeto do qual se est&aacute; falando", explica Anna Christina Bentes, pesquisadora da &aacute;rea de sociolingu&iacute;stica do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</font></P>     <P><font size="3">Anna Christina ressalta que esse processo &eacute; similar ao que fazem poetas, escritores e qualquer um que trabalhe com a linguagem. "Esse processo de resignifica&ccedil;&atilde;o dos nomes n&oacute;s encontramos em Guimar&atilde;es Rosa, nos escritores de cord&eacute;is e mesmo no rap. O que muda &eacute; a forma como se chega a essas resignifica&ccedil;&otilde;es &#150; os m&eacute;todos e objetivos &#150; e, no caso dos <I>namers</I>, designers ou publicit&aacute;rios, na necessidade da originalidade e outras quest&otilde;es espec&iacute;ficas da &aacute;rea", completa.</font></P>     <P><font size="3">"No processo de <I>naming</I> &eacute; preciso chegar &agrave; ess&ecirc;ncia da empresa, do produto ou servi&ccedil;o que estamos nomeando. A metodologia vai variar, mas isso &eacute; talvez o menos importante. S&atilde;o as discuss&otilde;es sobre o que vai nomear &#150; n&atilde;o somente entre os profissionais especialistas da &aacute;rea, mas tamb&eacute;m entre os indiv&iacute;duos dentro da empresa &#150; &eacute; que v&atilde;o criando os significados e levando ao nome. O teste final &eacute; ver se o p&uacute;blico reage bem a toda essa constru&ccedil;&atilde;o", explica Rodrigues, cuja pesquisa o levou a escrever um livro sobre o tema, recentemente lan&ccedil;ado. "&Eacute; esse conjunto que d&aacute; significado aos nomes", finaliza.</font></P>      <P><font size="3"><b>EST&Oacute;RIAS QUE OS NOMES CONTAM</b> Alguns nomes s&atilde;o constru&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas que fazem sentido para os consumidores de um produto. No Brasil, assim como em v&aacute;rios pa&iacute;ses, uma marca de moda masculina pode fazer mais sucesso se tiver refer&ecirc;ncias ou associa&ccedil;&otilde;es europeias &#150; italiano ou franc&ecirc;s, por exemplo &#150; do que com um nome mais latino. "As pessoas associam determinadas imagens e sensa&ccedil;&otilde;es quando ouvem um nome como Maximo Gucci que n&atilde;o seriam ativadas com outros nomes", explica Carballido. Mesmo assim pertence ao grupo que os <I>namers </I>denominam "patron&iacute;micos", ou seja, nomes que remetem a uma pessoa. Nomes como Ferrari, Ford, Pinifarina, Channel, Hugo Boss e a brasileira Bauducco s&atilde;o desse grupo.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v63n3/a24img02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Outro grupo de nomes bastante comum desde que as grandes empresas come&ccedil;aram a se consolidar s&atilde;o os chamados "descritivos". Pertencem a esta categoria nomes como Banco do Brasil, onde o nome diz tudo (&eacute; um banco e pertence ao Estado brasileiro). </font></P>     <P><font size="3">J&aacute; os nomes topom&iacute;nicos indicam lugares de onde, teoricamente, os produtos vieram. Situada &agrave; beira do rio Nokia, na Finl&acirc;ndia, a empresa de celulares conhecida pelos brasileiros &eacute; um bom exemplo disso. Diversos modelos de carros tamb&eacute;m recorrem a essa fam&iacute;lia de nomes. E mesmo a regi&atilde;o de Champagne tem seu nome associado diretamente a um tipo de bebida, mas com assinaturas de fabricantes diversos.</font></P>     <P><font size="3">No grupo de nomea&ccedil;&otilde;es cl&aacute;ssicas, mas com uma l&oacute;gica um pouco mais sofisticada, est&atilde;o aqueles chamados de "metaf&oacute;ricos". "S&atilde;o nomes que revelam a natureza dos neg&oacute;cios indiretamente. Referem&#45;se a seu objeto atrav&eacute;s de uma qualidade comum, que provoca associa&ccedil;&otilde;es,", aponta Delano. &Eacute; o que ocorre com a marca Quaker, por exemplo, que faz alus&atilde;o a uma seita protestante que realmente existe e que alude ao que os fundadores da empresa &#150; que n&atilde;o eram quakers &#150; achavam ser a personifica&ccedil;&atilde;o de atitudes positivas. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Enio Rodrigo Barbosa</i></font></P>      ]]></body>
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