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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>FIC&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA</b></font></p>     <p><font size=5><b>Cinema e literatura a servi&ccedil;o da ci&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">"A imagina&ccedil;&atilde;o &eacute; mais importante que o conhecimento", pois n&atilde;o tem fronteiras, &eacute; ilimitada, argumentava Albert Einstein. Esse poder imaginativo o f&iacute;sico alem&atilde;o certamente usou para elaborar teorias que o al&ccedil;aram para a hist&oacute;ria. Sua teoria da relatividade, grande avan&ccedil;o para a ci&ecirc;ncia, inspirou obras ficcionais que povoaram a mente de diretores de cinema, roteiristas e escritores.</font></p>     <p><font size="3">Exemplo cl&aacute;ssico &eacute; a espa&ccedil;onave Enterprise, da s&eacute;rie <I>Jornada nas estrelas</I> (<I>Star Trek</I>), que come&ccedil;ou a ser exibida no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1960. A s&eacute;rie lan&ccedil;ou ideias que est&atilde;o at&eacute; hoje no imagin&aacute;rio das pessoas, como vida alien&iacute;gena inteligente ou atalhos no espa&ccedil;o-tempo. O caminho que leva especula&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas &agrave; fic&ccedil;&atilde;o pode ser considerado, por&eacute;m, uma via de m&atilde;o dupla: cria&ccedil;&otilde;es ficcionais tamb&eacute;m servem de inspira&ccedil;&atilde;o para cientistas na produ&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias. No livro "<I>A f&iacute;sica de </I>Jornada nas estrelas" (1996), o cosm&oacute;logo e astrof&iacute;sico Lawrence M. Krauss reflete sobre "os desafios que teriam que ser enfrentados &#91;na vida real&#93; ao conceber a tecnologia da fic&ccedil;&atilde;o" como, por exemplo, o universo ficcional do filme, que prop&otilde;e inclusive o teletransporte. Na introdu&ccedil;&atilde;o da obra, o c&eacute;lebre f&iacute;sico brit&acirc;nico Stephen Hawking exalta a import&acirc;ncia da fic&ccedil;&atilde;o, pois ela &eacute; capaz de "expandir a imagina&ccedil;&atilde;o humana", al&eacute;m da relev&acirc;ncia de se estudar obras ficcionais, uma vez que "a fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de hoje frequentemente &eacute; o fato cient&iacute;fico de amanh&atilde;".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n2/a25img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>VERNE E SANTOS DUMONT </B>Essa conversa entre fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e o fato cient&iacute;fico comprovado por metodologias e experimentos, ocorre h&aacute; bastante tempo. Em artigo do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX ("Como me tornei um aeronauta e minha experi&ecirc;ncia com aeronaves") publicado na norte-americana <I>McClure's Magazine</I>, Alberto Santos Dumont (1873-1932) descreve sua paix&atilde;o, desde a inf&acirc;ncia, por inven&ccedil;&otilde;es e m&aacute;quinas que a tecnologia da &eacute;poca era apta a produzir, como as locomotivas dos trens. Ele relata que sua voca&ccedil;&atilde;o para criar m&aacute;quinas voadoras foi apoiada nas obras de J&uacute;lio Verne (1828-1905), que deram asas &agrave; sua imagina&ccedil;&atilde;o. O escritor franc&ecirc;s j&aacute; havia inspirado tamb&eacute;m outros ficcionistas de seu tempo, como o compatriota George M&eacute;li&egrave;s (1861-1938), considerado o pai dos efeitos especiais, que produziu o primeiro filme de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, <I>Viagem &agrave; lua</I> (1902), baseado no livro <I>Da terra &agrave; lua</I>, de 1865. Ambas as obras surpreenderam a sociedade com algo inating&iacute;vel &agrave;quela &eacute;poca, profetizando o que ocorreria somente em 1969 &#150; o homem em solo lunar. Usando o conhecimento do s&eacute;culo XIX (Verne tinha amigos cientistas e engenheiros, e lia v&aacute;rios jornais para familiarizar-se com os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos) aliado &agrave; sua f&eacute;rtil criatividade, o escritor conseguiu idealizar viagens tripuladas ao espa&ccedil;o, algo impens&aacute;vel na &eacute;poca.</font></p>     <p><font size="3">V&aacute;rios outros press&aacute;gios e constructos cient&iacute;ficos antevistos a partir do cinema e da literatura de fic&ccedil;&atilde;o podem ser ilustrados com obras. O pr&oacute;prio J&uacute;lio Verne em <I>Robur, o conquistador</I> (1886) previu um ve&iacute;culo voador em detalhes que se assemelhavam muito ao helic&oacute;ptero, quando nem o avi&atilde;o existia. No livro <I>Admir&aacute;vel mundo novo</I> (Aldous Huxley, 1932) h&aacute; v&aacute;rias ideias consideradas fantasiosas na data em que foi lan&ccedil;ado, dentre as quais a gera&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc;s em laborat&oacute;rio, o que viria a acontecer 46 anos depois, em 1978. E quem n&atilde;o enxerga semelhan&ccedil;a entre a for&ccedil;a mental com que personagens do filme <I>Guerra nas estrelas</I> (o primeiro filme data de 1977) movimentam objetos usando telepatia com os recentes experimentos do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que faz bra&ccedil;os rob&oacute;ticos se moverem &agrave; dist&acirc;ncia a partir de est&iacute;mulos el&eacute;tricos cerebrais?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>UMA QUEST&Atilde;O DE EDUCA&Ccedil;&Atilde;O </B>Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; com previs&otilde;es e especula&ccedil;&otilde;es que a ci&ecirc;ncia se nutre da fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Pesquisas apontam que filmes dessa modalidade t&ecirc;m ajudado estudantes a entender melhor conceitos cient&iacute;ficos. De acordo com Aguinaldo Robinson de Souza, professor do Departamento de Qu&iacute;mica da Unesp de Bauru, "o problema que se v&ecirc; no processo de ensino nas escolas &eacute; que falta motiva&ccedil;&atilde;o para os alunos nas aulas de ci&ecirc;ncia". Para ele, o ambiente de divers&atilde;o criado pelos filmes de fic&ccedil;&atilde;o &eacute; desencadeador de curiosidades e, assim, os estudantes come&ccedil;am a elaborar quest&otilde;es e buscar respostas. "Os alunos sentem-se mais &agrave; vontade num ambiente l&uacute;dico", explica Aguinaldo, que tamb&eacute;m &eacute; orientador no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia, um dos pioneiros no Brasil. Em um de seus trabalhos, usou como ferramenta de ensino o filme <I>Parque dos dinossauros</I> (<I>Jurassic Park</I>) que descreve como cientistas manipularam DNA de sangue contido no tubo digestivo de pernilongos (preservados por milh&otilde;es de anos na seiva de uma &aacute;rvore) para trazer dinossauros novamente &agrave; exist&ecirc;ncia. Em sala de aula, pode-se perguntar "se &eacute; poss&iacute;vel trazer um animal extinto &agrave; vida ou questionar se a l&oacute;gica usada pelos cientistas do filme &eacute; correta,", completa o professor ao lembrar que o material gen&eacute;tico de mamute (animal extinto h&aacute; milhares de anos) j&aacute; foi isolado e decifrado recentemente. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n2/a25img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>FIC&Ccedil;&Atilde;O E DIVULGA&Ccedil;&Atilde;O DA CI&Ecirc;NCIA </B>Nos Estados Unidos, a cria&ccedil;&atilde;o de obras de fic&ccedil;&atilde;o &eacute; coisa s&eacute;ria. Tanto que na Universidade do Kansas criou-se o Centro para Estudos de Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, que promove cursos intensivos de como escrever est&oacute;rias ficcionais. O astr&ocirc;nomo e cientista Carl Sagan (1934-96), um dos maiores divulgadores cient&iacute;ficos de todos os tempos, deixou um legado de registros cient&iacute;ficos filmados e escritos, como a s&eacute;rie <I>Cosmos</I>, do come&ccedil;o dos anos 1980, e <I>Contato</I>, publicado postumamente, em 1997. </font></p>     <p><font size="3">O modo f&aacute;cil como explicava descobertas e fen&ocirc;menos da astronomia, com recursos ficcionais, "certamente influenciou gera&ccedil;&otilde;es na carreira cient&iacute;fica", conta Wilson Roberto Pereira J&uacute;nior, integrante do grupo Ci&ecirc;ncia em Show e f&atilde; do programa <I>O mundo de Beakman</I>, que atraiu muitas crian&ccedil;as e adolescentes para a frente da televis&atilde;o na d&eacute;cada de 1980 por causa dos incr&iacute;veis experimentos que esclareciam muitos fen&ocirc;menos. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Daniel Blasioli Dentillo</I></font></p>      ]]></body>
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