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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/noticias.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>CIDADES VERDES</b>    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v64n3/linha.jpg"></font></p>     <p><font size="4">O desafio de tornar o espa&ccedil;o urbano equilibrado e sustent&aacute;vel </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Tudo est&aacute; perto, a escola dos filhos, o trabalho, os locais de lazer e as atividades culturais. Todas as pessoas t&ecirc;m acesso a &aacute;reas verdes em um raio de 300 metros em rela&ccedil;&atilde;o a suas casas. </font></p>     <p><font size="3">S&atilde;o 95 quil&ocirc;metros de ciclovias e 598 estacionamentos para bicicletas. O consumo de &aacute;gua por pessoa fica abaixo dos 100 litros di&aacute;rios. Estamos falando da cidade espanhola Victoria&#45;Gasteiz, eleita a Capital Verde Europeia de 2012. A nomea&ccedil;&atilde;o, feita pela Comiss&atilde;o Europeia, acontece desde 2010 e j&aacute; contemplou cidades como Estocolmo, na Su&eacute;cia, e Hamburgo, na Alemanha, na busca de valorizar iniciativas em prol da sustentabilidade no ambiente urbano. As quest&otilde;es ambientais demandam uma articula&ccedil;&atilde;o equilibrada entre o global e o local. </font></p>     <p><font size="3">O desafio de modificar as formas de pensar e agir em torno da quest&atilde;o ambiental passa pela transforma&ccedil;&atilde;o da vida nas cidades, pela mudan&ccedil;a nos h&aacute;bitos da popula&ccedil;&atilde;o urbana e das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para os munic&iacute;pios. J&aacute; existem v&aacute;rias iniciativas nesse sentido. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a07img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A Agenda 21 &eacute; o principal resultado da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento &#150; a Rio&#45;92. </font></p>     <p><font size="3">Trata&#45;se de um programa de a&ccedil;&otilde;es abrangente para ser adotado global, nacional e localmente, visando fomentar em escala planet&aacute;ria, a partir do s&eacute;culo XXI, um novo modelo de desenvolvimento. </font></p>     <p><font size="3">Por entender que &eacute; no espa&ccedil;o concreto do munic&iacute;pio que as coisas acontecem, a Agenda 21 privilegia a a&ccedil;&atilde;o local, delegando &agrave;s cidades a tarefa de estabelecer como ser&aacute; o crescimento da sociedade e o futuro da localidade. </font></p>     <p><font size="3"><b>ESPA&Ccedil;O DE MUDAN&Ccedil;A</b> A prefeitura de Victoria&#45;Gasteiz trabalha, desde 1995, em uma Agenda 21 Local, que tem entre seus objetivos reduzir o consumo dom&eacute;stico de &aacute;gua, aumentar as &aacute;reas verdes, eliminar sacolas pl&aacute;sticas, melhorar o sistema de transporte e reduzir as emiss&otilde;es de CO<Sub>2 </Sub>e de gases do efeito estufa. O t&iacute;tulo de cidade mais verde da Europa mostra que v&aacute;rias dessas metas foram atingidas. Para aumentar a biodiversidade da regi&atilde;o, foram implantadas medidas para reduzir a fragmenta&ccedil;&atilde;o do habitat e monitorar a fauna e flora locais, o que resultou em um cintur&atilde;o verde em torno da cidade. </font></p>     <p><font size="3">As &aacute;reas verdes funcionam, tamb&eacute;m, como escolas vivas para produ&ccedil;&atilde;o e estudo de hortas comunit&aacute;rias, jardinagem, produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica, entre outros. Boa parte dos investimentos na cidade espanhola foi direcionado para criar um sistema de transporte p&uacute;blico mais eficiente, com corredores de &ocirc;nibus, ciclovias e utiliza&ccedil;&atilde;o de energia limpa.</font></p>     <p><font size="3"> Na opini&atilde;o de Kazuo Nakano, arquiteto, urbanista e professor do Centro Universit&aacute;rio Senac, a mudan&ccedil;a da matriz energ&eacute;tica das cidades passa necessariamente pela mudan&ccedil;a na matriz da mobilidade urbana que dever&aacute; deixar o modelo "rodoviarista" de lado. "A persist&ecirc;ncia dessa dicotomia centro&#45;periferia, associada com o predom&iacute;nio dos autom&oacute;veis motorizados particulares e individuais em detrimento dos sistemas de transportes coletivos, criam grandes problemas nas condi&ccedil;&otilde;es de mobilidade e de deslocamento das pessoas", complementa o arquiteto que tamb&eacute;m &eacute; pesquisador no Polis, instituto de estudos, forma&ccedil;&atilde;o e assessoria em pol&iacute;ticas sociais. </font></p>     <p><font size="3"><B>ECOCIDADE CHINESA </B>Em 2005, a China anunciou a constru&ccedil;&atilde;o da primeira ecocidade do mundo, Dongtan, na ilha de Chongming, perto de Xangai. Dongtan foi planejada por um escrit&oacute;rio ingl&ecirc;s, especializado em projetos inovadores, e envolveu arquitetos, soci&oacute;logos, economistas e at&eacute; ornit&oacute;logos. A cidade teria apenas pr&eacute;dios de quatro ou seis andares, seria totalmente autossustent&aacute;vel e n&atilde;o emitiria CO<Sub>2</Sub>. Todos os res&iacute;duos seriam reaproveitados, quase n&atilde;o haveria carros. Todo o alimento viria de fazendas org&acirc;nicas ao redor da cidade. A utopia de um mundo equilibrado e perfeito? Sim, ao menos no papel, j&aacute; que os primeiros moradores deveriam se mudar em 2010 e, at&eacute; agora, quase nada aconteceu. </font></p>     <p><font size="3">"Cidades mais sustent&aacute;veis implicam em promover mudan&ccedil;as nos h&aacute;bitos de transporte, ampliando o acesso ao transporte p&uacute;blico; em incrementar &aacute;reas verdes, o que coloca em quest&atilde;o o modelo de uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo; em cuidar da qualidade das &aacute;guas dos rios e c&oacute;rregos e isto tem rela&ccedil;&atilde;o com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, pr&aacute;ticas sociais e h&aacute;bitos cotidianos", define Pedro Jacobi, soci&oacute;logo do Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia Ambiental da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">N&atilde;o muito longe de Xangai, em Guangzhou, capital da prov&iacute;ncia de Guangdong, um plano urbano estrat&eacute;gico, implantado entre 1997 e 2001, foi respons&aacute;vel por melhorar a gest&atilde;o do tr&aacute;fego na cidade, introduzir &aacute;reas verdes, controlar a polui&ccedil;&atilde;o e ajudar na conserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio natural e cultural da cidade. </font></p>     <p><font size="3">Trata&#45;se de um exemplo t&iacute;pico do crescimento que transformou a face da China a partir dos anos 1980. Press&atilde;o populacional, deteriora&ccedil;&atilde;o ambiental e degrada&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio foram algumas consequ&ecirc;ncias negativas do crescimento. Os problemas passaram a amea&ccedil;ar a vitalidade econ&ocirc;mica da cidade, conhecida por sua Feira do Com&eacute;rcio. Uma das raz&otilde;es para que o plano estrat&eacute;gico fosse bem sucedido foi a conscientiza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">Pesquisas de satisfa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico sobre qualidade de vida indicam um salto de 27%, em 1997, quando come&ccedil;ou o projeto, para 95,9%, em 2001. </font></p>     <p><font size="3"><b>OCUPA&Ccedil;&Atilde;O URBANA ARTICULADA</b> A distribui&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o das terras urbanas &eacute; um desafio permanente para as cidades. Grande parte dos problemas enfrentados pelas metr&oacute;poles hoje t&ecirc;m sua origem, por exemplo, em padr&otilde;es equivocados de ocupa&ccedil;&atilde;o das v&aacute;rzeas urbanas. "&Eacute; comum vermos ocupa&ccedil;&otilde;es completamente inadequadas em &aacute;reas com mananciais h&iacute;dricos que abastecem as cidades. Isso &eacute; resultado da falta total de articula&ccedil;&atilde;o entre as pol&iacute;ticas urbanas, habitacionais, fundi&aacute;rias e ambientais", explica Kazuo Nakano, do Instituto Polis. Al&eacute;m disso, segundo ele, de modo geral, essas v&aacute;rzeas t&ecirc;m seus cursos d'&aacute;gua retificados e canalizados.</font></p>     <p><font size="3">Os terrenos s&atilde;o drenados para implantar avenidas ou para ampliar a oferta de solos para empreendimentos imobili&aacute;rios. "As v&aacute;rzeas dos principais rios devem ser vistas como corredores ecol&oacute;gicos que comp&otilde;em o sistema de &aacute;reas verdes urbanas a serem distribu&iacute;das em v&aacute;rios pontos da cidade, para beneficiar o maior n&uacute;mero de bairros e de moradores", afirma o arquiteto. </font></p>     <p><font size="3"><B>DESCARTE SUSTENT&Aacute;VEL </B>A gest&atilde;o dos res&iacute;duos s&oacute;lidos &eacute; outra quest&atilde;o cr&iacute;tica no caminho da sustentabilidade urbana. Uma das formas de enfrentar o problema, afirma Nakano, &eacute; repensar o abastecimento alimentar das cidades. "Alimento e lixo s&atilde;o duas coisas que procuramos manter separados, mas que devem ser pensadas juntas na perspectiva da sustentabilidade urbana", acredita. Para ele, uma medida mais sustent&aacute;vel &eacute; priorizar alimentos naturais, mais condizentes com as culturais locais e regionais, e cuja produ&ccedil;&atilde;o deve ser mais pr&oacute;xima das cidades, ou at&eacute; dentro delas. "Os res&iacute;duos org&acirc;nicos gerados podem ser usados tanto para a gera&ccedil;&atilde;o de energia quanto para adubar os solos utilizados na produ&ccedil;&atilde;o de alimentos", opina. </font></p>     <p><font size="3">Experi&ecirc;ncia parecida com a sugerida pelo pesquisador est&aacute; em andamento em Daca, capital de Bangladesh, desde 1995. Ao inv&eacute;s de queimar os res&iacute;duos, a cidade criou um programa para coletar o lixo, fazer a compostagem e depois vender o produto para empresas de fertilizantes, gerando renda. </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m da redu&ccedil;&atilde;o de CO<Sub>2</Sub>, o projeto gerou 16 mil novos empregos para a popula&ccedil;&atilde;o pobre, principalmente mulheres. Em 2010, o modelo j&aacute; era utilizado em 47 projetos, por 26 cidades diferentes. </font></p>     <p><font size="3">A compostagem tamb&eacute;m foi a op&ccedil;&atilde;o da cidade de Sidney, Austr&aacute;lia, para tratar parte do lixo produzido na cidade. O programa Recursos Urbanos &#45; Redu&ccedil;&atilde;o, Reutiliza&ccedil;&atilde;o e Reciclagem elimina a incinera&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos, poupando 210 mil toneladas de emiss&otilde;es de CO<Sub>2 </Sub>por ano, al&eacute;m de evitar o despejo de mais de 70% de recursos dos res&iacute;duos nos aterros sanit&aacute;rios. A infraestrutura de reciclagem &eacute; projetada para ser autossuficiente em energia, com saldo zero de &aacute;gua e com odor e ru&iacute;do que a tornam adequada a ser localizada em zona industrial pr&oacute;xima de &aacute;reas residenciais. </font></p>     <p><font size="3"><B>DO LOCAL PARA O GLOBAL </B>De acordo com Pedro Jacobi, da USP, o munic&iacute;pio pode assumir um papel estrat&eacute;gico no enfrentamento dos problemas socioambientais. Ele acredita que cabe ao poder local fomentar pol&iacute;ticas que estimulem a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade. E a cidade &eacute; o espa&ccedil;o ideal para isso, j&aacute; que a maioria das popula&ccedil;&otilde;es vive em &aacute;reas urbanas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No Brasil, o Programa Cidades Sustent&aacute;veis, formado por uma rede de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, tem o objetivo de sensibilizar, mobilizar e oferecer ferramentas para que as cidades se desenvolvam de forma econ&ocirc;mica, social e ambientalmente sustent&aacute;vel. "O foco do programa &eacute; mostrar a import&acirc;ncia do planejamento e da gest&atilde;o das pol&iacute;ticas, mostrando que n&atilde;o h&aacute; contradi&ccedil;&atilde;o entre desenvolvimento social e econ&ocirc;mico e sustentabilidade", explica Maur&iacute;cio Broinizi, coordenador do programa. Ele afirma que um dos grandes entraves para o desenvolvimento sustent&aacute;vel no Brasil &eacute; a falta de uma cultura pol&iacute;tica de longo prazo. Inspirado em um programa semelhante, assinado por mais de 600 munic&iacute;pios europeus, o Programa Cidades Sustent&aacute;veis foi criado com algumas adapta&ccedil;&otilde;es para a realidade brasileira, em dois novos eixos de a&ccedil;&atilde;o: educa&ccedil;&atilde;o para a sustentabilidade e qualidade de vida e cultura para a sustentabilidade. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></font></p>      ]]></body>
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