<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252012000300010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252012000300010</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Bioprospecção no Brasil: um breve histórico]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Berlinck]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roberto Gomes de Souza]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Instituto de Química de São Carlos ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Programa Biota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,USP Núcleo de Pesquisas em Biodiversidade Marinha ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>64</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>27</fpage>
<lpage>30</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252012000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252012000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252012000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a09img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b>Bioprospec&ccedil;&atilde;o no Brasil: um breve hist&oacute;rico </b></font></p>     <p><font size="3">Roberto Gomes de Souza Berlinck </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><font size="4"><b>E</b></font>m sua m&uacute;sica <I>Embolada das d&aacute;divas da natureza</I>, Edu Lobo, Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri traduzem em versos a riqueza da biodiversidade do Brasil: </font></p>     <p><font size="3"><I>De toda forma e qualidade tem/oi tem pindoba, embiriba e sapucaia/tem titara, catul&eacute;, ouricur&iacute;/tem sucupira, sapucais, putumuj&uacute;/tem pau&#45;de&#45;santo, tem pau d'arco, tem tatajub&aacute;/sapucarana, canzenz&eacute;, ma&ccedil;aranduba/tem louro para&iacute;ba e tem pininga. </I></font></p>     <p><font size="3"><I>Pare meu irm&atilde;o/de falar em tanta mata/com tanta planta eu n&atilde;o sei o que fazer/mas diga l&aacute; se tem bicho pra comer/se tem bicho pra comer, se tem bicho pra comer. </I></font></p>     <p><font size="3"><I>De toda forma e qualidade tem,/on&ccedil;a pintada, sussuarana e maracaj&aacute;/E tem guar&aacute;, jaguatirica e guaxinim/e tem tatu, tatu&#45;peba, tatu&#45;bola/tem pregui&ccedil;a, tem quat&iacute;, tamandu&aacute;./E coelho que tem, tem, tem/queixada que tem, tem, tem/caitit&uacute; oi tem tamb&eacute;m/ oi diz que tem, tem/oi diz que tem, tem. </I></font></p>     <p><font size="3"><I>Pare meu irm&atilde;o/de falar em tanta fera/com tanto bicho eu n&atilde;o sei o que fazer/ah, um bichinho pra comer/eu s&oacute; quisera/com tanto assim eles v&atilde;o &eacute; me comer. </I></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><I>Mas tem os peixes que ainda n&atilde;o falei/de toda forma e qualidade tem/oi tem tra&iacute;ra, tem car&aacute; e jundi&aacute;/e tem caborge, tem piaba e carap&oacute;/e pit&uacute; e caranguejo e aru&aacute;. </I></font></p>     <p><font size="3"><I>Mas tamb&eacute;m tem cobra/que &eacute; um nunca se acabar/tem jacar&eacute;, cobra&#45;rainha e tem mu&ccedil;u/tem caninana, tem jib&oacute;ia e tem jerico&aacute;/tem jararaca, cascavel, surucuc&uacute;/e papa&#45;ovo e cobra verde assim n&atilde;o d&aacute;. </I></font></p>     <p><font size="3"><I>Mas tem sabi&aacute;, tem can&aacute;rio e curi&oacute;/tem passarinho t&atilde;o bom de se olhar/papa&#45;capim, cardeal e arumar&aacute;/e tem xex&eacute;u, guriat&atilde; e tem brej&aacute;. </I></font></p>     <p><font size="3"><I>E se quiser comer galinha/tem de todas pra fartar/tem pomba de tres c&ocirc;cos, tem pato mergulh&atilde;o/aracu&acirc;, ja&ccedil;an&atilde; e tem car&atilde;o/juriti e cardigueira e patur&iacute;. </I></font></p>     <p><font size="3"><I>Mas e nessa aben&ccedil;oada regi&atilde;o, ser&aacute; que tem o que faz falta na verdade? O que &eacute;, o que &eacute;, o que &eacute;? O que &eacute;, o que &eacute;, o que &eacute;? </I></font></p>     <p><font size="3">Segundo os poetas, mulher (1). Considera&ccedil;&otilde;es sexistas &agrave; parte, tal quest&atilde;o poderia suscitar muitas outras respostas: pesquisa, investigadores, inova&ccedil;&atilde;o, tecnologia, explora&ccedil;&atilde;o racional e sustentada. </font></p>     <p><font size="3">A biodiversidade brasileira &eacute; a mais rica do planeta: inclui de 15 a 25% de todas as esp&eacute;cies vegetais, apresenta alto grau de endemismo e est&aacute; dispersa em seis biomas &uacute;nicos. Esta biodiversidade tem sido extensivamente explorada desde a ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio sul&#45;americano por popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas que para c&aacute; migraram a partir do continente asi&aacute;tico, h&aacute; cerca de 15.000 anos (2). </font></p>     <p><font size="3">Desde seus prim&oacute;rdios, o homem utiliza recursos naturais para as mais diversas finalidades, em particular na forma de medicamentos, alimentos, suplementos alimentares, cosm&eacute;ticos, inseticidas e defensivos agr&iacute;colas. O conhecimento e o dom&iacute;nio de esp&eacute;cies vivas, seja na forma de cultivo ou na domestica&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies selvagens, bem como de sua explora&ccedil;&atilde;o para os mais diversos fins, sempre constituiu um elemento importante no estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es de poder (3). As atividades de descoberta, descri&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies de animais, plantas e microrganismos s&atilde;o parte intr&iacute;nseca da hist&oacute;ria da humanidade. A bioprospec&ccedil;&atilde;o &eacute; a mais antiga das atividades humanas. Contudo, o termo <I>bioprospec&ccedil;&atilde;o</I>, formalmente cunhado apenas em 1993 como sendo "a explora&ccedil;&atilde;o da biodiversidade para a descoberta de recursos gen&eacute;ticos e subst&acirc;ncias bioqu&iacute;micas comercialmente &uacute;teis" (4), &eacute; por demais espec&iacute;fico, e deixa de lado a grande maioria das atividades de investiga&ccedil;&atilde;o realizadas com esp&eacute;cies vivas. Al&eacute;m disso, associa a ideia da explora&ccedil;&atilde;o de recursos gen&eacute;ticos e bioqu&iacute;micos como sendo os &uacute;nicos comercialmente &uacute;teis, enquanto que estes s&atilde;o apenas parte de um conjunto muito mais amplo e complexo de atividades de bioprospec&ccedil;&atilde;o, como, por exemplo, a descoberta de novas esp&eacute;cies de organismos com potencial utiliza&ccedil;&atilde;o em processos biotecnol&oacute;gicos, bem como a investiga&ccedil;&atilde;o de como esses organismos se relacionam em n&iacute;vel molecular, atrav&eacute;s de mediadores qu&iacute;micos. As abordagens mais modernas de biotecnologia e biologia de sistemas (<I>systems biology</I>) s&atilde;o, ao menos em parte, fundamentadas em atividades de bioprospec&ccedil;&atilde;o. Logo, a utiliza&ccedil;&atilde;o do termo deveria ser mais ampla do que a de sua defini&ccedil;&atilde;o original, de maneira a incluir a descoberta, descri&ccedil;&atilde;o e potencial utiliza&ccedil;&atilde;o de seres vivos, e como estes se relacionam com o ambiente, pois desse relacionamento ocorre a express&atilde;o de seu metabolismo, em parte na forma de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas grandes e pequenas, que atuam em diferentes n&iacute;veis, como resultado do longo processo de evolu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a10img01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Neste sentido mais geral, a bioprospec&ccedil;&atilde;o &eacute; uma atividade entranhada na cultura brasileira. Registros indicam que os &iacute;ndios utilizavam plantas de tabaco, outras medicinais, e ainda v&aacute;rias para a constru&ccedil;&atilde;o de moradias e de canoas antes da chegada dos portugueses. O consumo intensivo de moluscos por ind&iacute;genas na costa do pa&iacute;s levou &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de sambaquis, literalmente "monte de conchas", os quais eram utilizados na fabrica&ccedil;&atilde;o de objetos como raspadores de conchas e facas de pedra, batedores e suportes de pedra. Os &iacute;ndios tamb&eacute;m ca&ccedil;avam p&aacute;ssaros para utilizar suas penas como ornamentos e como moeda de troca. Com a chegada dos colonizadores portugueses, franceses e holandeses, as atividades de bioprospec&ccedil;&atilde;o se intensificaram. A primeira foi a explora&ccedil;&atilde;o da madeira nobre de v&aacute;rias esp&eacute;cies de &aacute;rvores, sendo o Pau&#45;Brasil a mais conhecida. Estima&#45;se que nos primeiros anos de explora&ccedil;&atilde;o do Pau&#45;Brasil foram derrubadas cerca de 1.200 toneladas/ano de madeira, o que corresponderia a cerca de 2 milh&otilde;es de &aacute;rvores entre 1500 e 1600 (5). </font></p>     <p><font size="3">Pesquisadores e naturalistas, muitas vezes vinculados a ordens religiosas, se interessaram pela biodiversidade brasileira. &Eacute; de 1620 a <I>Hist&oacute;ria dos animais e &aacute;rvores do Maranh&atilde;o</I>, escrita por Frei Crist&oacute;v&atilde;o de Lisboa. Em sua <I>Chronica</I>, de 1663, Sim&atilde;o de Vasconcellos lista 20 frutos, dentre os quais a sapucaia, a pitomba, o ara&ccedil;&aacute;, o ibacurupari, o imbu, o araticum, o ing&aacute;, o ju&aacute;, o murici e a guabiraba. Na primeira metade do s&eacute;culo XVII, durante a ocupa&ccedil;&atilde;o holandesa no nordeste do Brasil, pesquisadores como Jorge Marcgrave e Guilherme Piso escreveram a <I>Hist&oacute;ria natural do Brasil</I>, enquanto que Piso tamb&eacute;m escreveu <I>De medicina brasiliensis</I>, na qual relata propriedades medicinais de uma grande variedade de plantas brasileiras. O qu&iacute;mico Nicolas Lem&eacute;ry publicou livro em 1716 em que menciona propriedades de plantas e animais das possess&otilde;es portuguesas (5,6). Em 1759 foi constitu&iacute;da a primeira sociedade cient&iacute;fica brasileira, da qual eram membros o Marqu&ecirc;s do Lavradio (especialista em medicina, cirurgia, bot&acirc;nica e farm&aacute;cia), Alexandre R. Ferreira (amazonista), Felix de Avellar Brotero (bot&acirc;nico), Jos&eacute; Correa da Serra (pesquisador do Jardim Bot&acirc;nico Real, Kew), Manuel Arruda C&acirc;mara (bot&acirc;nico), Jos&eacute; M. C. Velloso (bot&acirc;nico), todos com forte interesse na pesquisa sobre a biodiversidade brasileira. Entre o final do s&eacute;culo XVIII e in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX, alguns dos mais not&oacute;rios naturalistas da &eacute;poca estiveram no Brasil e realizaram levantamentos hist&oacute;ricos sobre a flora e a fauna brasileiras: Antoine de Saint&#45;Hillaire viajou pelo Brasil entre 1816 e 1822; Alexander Von Humboldt esteve aqui entre 1799 e 1804. Carl F. P. von Martius e Johann B. von Spix viajaram cerca de 10.000 quil&ocirc;metros entre 1817 e 1820. Como resultado, estes &uacute;ltimos publicaram a <I>Flora brasiliensis</I>, produzida entre 1840 e 1906 com a participa&ccedil;&atilde;o de 65 especialistas de v&aacute;rios pa&iacute;ses. A <I>Flora brasiliensis</I> apresenta descri&ccedil;&otilde;es taxon&ocirc;micas de 22.767 esp&eacute;cies, a maioria de angiospermas brasileiras, reunidos em 15 volumes, divididos em 40 partes, com um total de 10.367 p&aacute;ginas (5,7). </font></p>     <p><font size="3">Jos&eacute; Bonif&aacute;cio de Andrada e Silva era um grande amante das artes naturais, e instituiu o Museu Nacional, hoje vinculado &agrave; Universidade Federal do Rio de Janeiro. &Agrave; &eacute;poca, o qu&iacute;mico e naturalista Alexandre Antonio Vandelli dedicou&#45;se a estudar plantas da flora brasileira na qualidade de pesquisador do Museu Nacional. Theodoro Peckolt, naturalista e farmac&ecirc;utico, foi outro pesquisador vinculado ao Museu Nacional que se dedicou ao estudo de v&aacute;rias plantas brasileiras (9). Na mesma &eacute;poca foi criado o Laborat&oacute;rio Qu&iacute;mico&#45;Pr&aacute;tico do Rio de Janeiro, no Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro, no qual tamb&eacute;m se estudava plantas da flora brasileira. Nesse mesmo per&iacute;odo os tr&ecirc;s naturalistas que atuaram diretamente na elabora&ccedil;&atilde;o da Teoria da Evolu&ccedil;&atilde;o &#150; Charles Darwin, Alfred Wallace e Henry Bates &#150; estiveram no Brasil e certamente foram influenciados pela megabiodiversidade brasileira na formula&ccedil;&atilde;o de suas ideias. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a10img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Entre 1859 e 1861 foi institu&iacute;da a Comiss&atilde;o Cient&iacute;fica do Imp&eacute;rio, a primeira formada exclusivamente por pesquisadores genuinamente brasileiros. O projeto dessa comiss&atilde;o foi conhecer e relatar diversos aspectos da natureza e cultura do sert&atilde;o do Cear&aacute;, e, em menor extens&atilde;o, Pernambuco e Para&iacute;ba, dentre os quais extensa variedade da flora e fauna locais, bem como "conhecimentos tradicionais e populares (...) sobre virtudes medicinais de plantas e animais". A publica&ccedil;&atilde;o comentada dos documentos dessa comiss&atilde;o inclui riqu&iacute;ssima iconografia que apenas recentemente foi divulgada em bela edi&ccedil;&atilde;o extensamente ilustrada (10). </font></p>     <p><font size="3">Fato interessante &eacute; se verificar que, no fim do s&eacute;culo XIX, tr&ecirc;s dos primeiros institutos de pesquisa criados no Brasil desenvolviam atividades ligadas, direta ou indiretamente, &agrave; bioprospec&ccedil;&atilde;o: a Imperial Esta&ccedil;&atilde;o Agron&ocirc;mica de Campinas (criada em 1887), o Instituto Soroter&aacute;pico Federal &#150; atual Fiocruz &#150; (surgido em 1900) e o Instituto Butantan (criado em 1901). A voca&ccedil;&atilde;o da pesquisa brasileira para atividades de bioprospec&ccedil;&atilde;o se consolidou com a cria&ccedil;&atilde;o do Instituto de Qu&iacute;mica Agr&iacute;cola no Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro. Desta empreitada participaram diretamente aqueles que seriam os fundadores da pesquisa em qu&iacute;mica de produtos naturais no Brasil: Affonso Seabra, Paulo Lacaz, Walter Mors, Benjamin Gilbert e Otto Richard Gottlieb. Paralelamente, investiga&ccedil;&otilde;es desenvolvidas na Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o Preto (SP) por Maur&iacute;cio Oscar da Rocha e Silva e Sergio Ferreira levaram &agrave; descoberta de pept&iacute;deos bioativos da jararaca, que seriam posteriormente utilizados como modelo para desenvolver um dos principais f&aacute;rmacos para o tratamento da hipertens&atilde;o: o captopril. Este muito breve hist&oacute;rico    omite muitas outras &aacute;reas de desenvolvimento da ci&ecirc;ncia brasileira,    diretamente ligadas &agrave; bioprospec&ccedil;&atilde;o, tais como a bioqu&iacute;mica, a    biologia molecular, a microbiologia e a biotecnologia, por exemplo.</font></p>     <p><font size="3"> Do lado empresarial, a explora&ccedil;&atilde;o da pilocarpina, extra&iacute;da do <i>Pilocarpus microphilus</i>, constituiu o primeiro programa empresarial    de bioprospec&ccedil;&atilde;o no Brasil, envolvendo a produ&ccedil;&atilde;o de um princ&iacute;pio    ativo vegetal. No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, a Casa Marc Jacob SA exportava    fardos de folhas da planta para a Europa. Outras empresas do Piau&iacute;    tamb&eacute;m eram exportadoras, como a Pedro Machado &amp; Cia e a empresa    de Onofre Martins de Souza. No final dos anos 1960, a empresa    Merck alem&atilde; passou a atuar na compra de folhas de <i>P. microphilus</i>, disputando    com a israelense Plantex e com a escocesa McFarlam Smith o    mercado de pilocarpina na base do escambo com escopolamina, atropina    e derivados opi&aacute;ceos. Depois da Casa Marc Jacob ser substitu&iacute;da    pela empresa PVP, que passou a produzir nitrato de pilocarpina no    Brasil, esta entrou em competi&ccedil;&atilde;o direta com a multinacional Merck.    A Merck acabou por dominar o mercado de explora&ccedil;&atilde;o da planta    brasileira para a produ&ccedil;&atilde;o de pilocarpina (11).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> O trabalho de pesquisadores pioneiros nos primeiros 60 anos    do s&eacute;culo XX levou &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de uma verdadeira    escola de bioprospec&ccedil;&atilde;o brasileira, da qual    atualmente participam dezenas, qui&ccedil;&aacute; centenas,    de pesquisadores em todo o pa&iacute;s, distribu&iacute;dos    por todas as regi&otilde;es, presentes nas principais universidades    e institutos de pesquisa, dedicando&#45;se    a conhecer, entender e explorar racionalmente    os recursos naturais como plantas, animais e microrganismos    para a produ&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncias e    desenvolvimento de processos com as mais diversas    atividades e utilidades. Uma decorr&ecirc;ncia    &oacute;bvia dessa intensa atividade de bioprospec&ccedil;&atilde;o    foi o estabelecimento de v&aacute;rias ind&uacute;strias de cosm&eacute;ticos e farmac&ecirc;uticas    que buscam aproveitar elementos da biodiversidade brasileira    para a produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos, cosm&eacute;ticos, aditivos alimentares,    filtros solares, e outros produtos de imensa import&acirc;ncia    econ&ocirc;mica e social. O Acheflan, desenvolvido e produzido pelo    laborat&oacute;rio Ach&eacute;, foi o primeiro exemplo de fitof&aacute;rmaco brasileiro    a entrar no seleto mercado farmac&ecirc;utico.</font></p>     <p><font size="3"> Nos anos 1970, o Programa de Pesquisa de Plantas Medicinais    (PPPM), conduzido pela Central de Medicamentos (Ceme), foi estabelecido    ligado diretamente ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. O PPPM    teve por objetivo pesquisar e estabelecer diretrizes para a pesquisa de    plantas medicinais brasileiras para o uso como fitomedicamentos.    Entre 1982 e 1983 o PPPM elegeu uma lista de 21 plantas medicinais    para tal objetivo, e no segundo semestre de 1983 foram contratados    projetos de estudos pr&eacute;&#45;cl&iacute;nicos. A fase I foi iniciada em 1984,    obtendo&#45;se os primeiros resultados concretos com o capim&#45;cidr&atilde;o    em 1985 e depois com a espinheira santa em 1988, Por&eacute;m o financiamento    das pesquisas foi interrompido no in&iacute;cio dos anos 1990,    sendo reiniciado em 1992 e terminado em 1996. Durante esse per&iacute;odo    foram financiados 114 projetos em um montante de quase    US$ 7,8 milh&otilde;es (em valores da &eacute;poca). Apesar de estar com estudos    cl&iacute;nicos avan&ccedil;ados com oito plantas medicinais, a Ceme foi desativada    em 1997. Com o t&eacute;rmino do financiamento, as atividades de    pesquisa ficaram inviabilizadas, e o programa foi terminado (12).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a10img03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> A voca&ccedil;&atilde;o da pesquisa brasileira para a bioprospec&ccedil;&atilde;o chamou a    aten&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos e pesquisadores que, no final dos anos 1990, decidiram    criar o Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para Uso Sustentado    da Biodiversidade (Probem) com a participa&ccedil;&atilde;o de brasileiros    e estrangeiros. Em paralelo, surgiu a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira para o Uso    Sustent&aacute;vel da Biodiversidade da Amaz&ocirc;nia (BioAmaz&ocirc;nia), organiza&ccedil;&atilde;o    social destinada a servir de intermedi&aacute;ria entre o Probem e empresas    interessadas em explorar a biodiversidade da floresta. Em 2000 a BioAmaz&ocirc;nia estabeleceu acordo com a Novartis, o qual foi questionado    pelo ent&atilde;o ministro do Meio Ambiente, Jos&eacute; Sarney Filho, como sendo    ilegal. Em meio a uma conturbada sucess&atilde;o de fatos, em 23 de agosto de    2001 foi promulgada a Medida Provis&oacute;ria 2186&#45;16, que "(...) disp&otilde;e    sobre o acesso ao patrim&ocirc;nio gen&eacute;tico, a prote&ccedil;&atilde;o e o acesso ao conhecimento    tradicional associado, a reparti&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios e o acesso &agrave; tecnologia    e transfer&ecirc;ncia de tecnologia para sua conserva&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o,    e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias." Essa medida provis&oacute;ria foi um grande entrave    ao trabalho dos pesquisadores, cientistas, educadores e sociedade em geral,    que sempre valorizou a biodiversidade brasileira    como um dos principais patrim&ocirc;nios da na&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"> A MP 2186&#45;16 trouxe consigo uma regula&ccedil;&atilde;o    exacerbada de acesso &agrave; biodiversidade, em que os    &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores, no cumprimento de seu dever,    foram por vezes obrigados a prender pesquisadores    e pessoas que se dedicam ao uso e estudo    de plantas, animais e microrganismos. Todavia, ao    longo de 10 anos da exist&ecirc;ncia da MP 2186&#45;16,    os casos notificados de biopirataria de produtos    brasileiros por estrangeiros foram muito poucos.    O mais famoso se deve ao registro da marca "cupua&ccedil;u"    por empresas japonesas e americanas. Outros dizem respeito a    produtos oriundos da explora&ccedil;&atilde;o de plantas como o a&ccedil;a&iacute;, a copa&iacute;ba, a    andiroba, a prepara&ccedil;&atilde;o ayahuasca, bem como de produtos oriundos    de sapos e r&atilde;s que ocorrem na regi&atilde;o da Amaz&ocirc;nia. O problema &eacute; que    estas esp&eacute;cies vegetais e animais n&atilde;o ocorrem somente na Amaz&ocirc;nia    brasileira, mas tamb&eacute;m em outros pa&iacute;ses que fazem fronteira com    o Brasil. Sendo assim, o problema de se assumir, diferentemente do    caso do cupua&ccedil;u, se o registro de marcas e produtos dessas plantas e    animais fere ou n&atilde;o a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira de acesso &agrave; biodiversidade    &eacute; um caso de dif&iacute;cil solu&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"> O Programa Mineiro de Bioprospec&ccedil;&atilde;o Farmac&ecirc;utica, conduzido    pelos professores da UFMG Fern&atilde;o Castro Braga, Rubens de Almeida    R&iacute;cio e Ala&iacute;de Braga, objetivando a explora&ccedil;&atilde;o racional da biodiversidade    mineira e a valida&ccedil;&atilde;o do conhecimento tradicional associado    de popula&ccedil;&otilde;es locais, envolveu v&aacute;rias universidades, como a UFMG,    a UFV, a UFLA, a UFU al&eacute;m de centros de pesquisa como a Epamig    e a Funda&ccedil;&atilde;o Ezequiel Dias. Por&eacute;m, devido ao redirecionamento de    prioridades de financiamento por parte do governo do estado, o programa    foi transformado na Rede Mineira de Biotecnologia e Bioensaios,    em dezembro de 2000 (13). Em 2006 foram concedidos R$    4,16 milh&otilde;es para a "estrutura&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o da Rede Mineira de Biotecnologia &#150; Bioensaios e Biot&eacute;rio (Rede Bio)", tendo sido R$ 2,5 milh&otilde;es provenientes de repasse direto da Finep, e de R$ 1,66 milh&atilde;o de contrapartida por parte da Fapemig (14). No entanto, informa&ccedil;&otilde;es adicionais sobre o programa, em termos da estrutura&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e resultados, n&atilde;o se encontram dispon&iacute;veis. </font></p>     <p><font size="3">Em 2003 ap&oacute;s amplos debates pela comunidade cient&iacute;fica paulista, a Fapesp criou, no &acirc;mbito do programa Biota, a Rede Biota de Bioprospec&ccedil;&atilde;o e Bioensaios RedeBio (15). Idealizada por Vanderlan Bolzani (IQ&#45;Unesp, Araraquara), Glaucius Oliva (IFSC&#45;USP, S&atilde;o Carlos), Paulo Cezar Vieira (DQ&#45;UFSCar, S&atilde;o Carlos) e Carlos Joly (IB&#45;Unicamp, Campinas), foi subsequentemente transformada no sub&#45;programa BIO<I>prospec</I>TA (16). O BIO<I>prospec</I>TA tem por objetivo fomentar projetos de pesquisa cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos, que busquem identificar e desenvolver processos e produtos de maneira sustentada a partir de elementos da biodiversidade do estado de S&atilde;o Paulo. Tais projetos est&atilde;o diretamente ligados aos objetivos do programa Biota. Implantado desde 2006, o BIO<I>prospec</I>TA tem registrados na Biblioteca Virtual da Fapesp (17) 2 projetos de pesquisa em andamento e 5 conclu&iacute;dos (18). Outros 13 projetos participantes do BIO<I>prospec</I>TA foram apresentados no VII Simp&oacute;sio/VII Reuni&atilde;o de Avalia&ccedil;&atilde;o do Biota e IV Reuni&atilde;o de Avalia&ccedil;&atilde;o do BIO<I>prospec</I>TA, realizado entre 2 e 10 de julho de 2011. Os atuais projetos participantes do BIO<I>prospec</I>TA incluem levantamentos etnofarmacol&oacute;gicos de plantas para a descoberta de f&aacute;rmacos; a descoberta de plantas nativas com propriedades nutricionais, antitumorais, antioxidantes, anti&#45;inflamat&oacute;rias, antif&uacute;ngicas, antidiab&eacute;ticas, antiulcerog&ecirc;nicas, antiof&iacute;dicas, inibidoras de microrganismos patog&ecirc;nicos bucais, de parasitas tropicais e de enzimas como acetilcolinesterase e mieloperoxidase; a descoberta de algas com atividades citot&oacute;xicas, antibacterianas, antif&uacute;ngicas e como produtoras de subst&acirc;ncias antioxidantes; de microrganismos terrestres que possam realizar processos de biotransforma&ccedil;&atilde;o para a gera&ccedil;&atilde;o de novos prot&oacute;tipos de subst&acirc;ncias antimicrobianas, antiesquistossomose e antiespasm&oacute;dica; de organismos marinhos produtores de mol&eacute;culas bioativas e tamb&eacute;m de microrganismos marinhos como agentes eficazes em processos de biorremedia&ccedil;&atilde;o. Dois dos mais originais projetos do BIO<I>prospec</I>TA s&atilde;o direcionados para o desenvolvimento de bibliotecas de subst&acirc;ncias bioativas tendo por base produtos naturais de artr&oacute;podes e para a montagem de uma plataforma para a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos de metabolismo <I>in vivo</I> e <I>in vitro </I>como modelo em estudos pr&eacute;&#45;cl&iacute;nicos. V&aacute;rios outros projetos foram recentemente aprovados em chamadas voltadas para a bioprospec&ccedil;&atilde;o de organismos marinhos e tamb&eacute;m de microrganismos. Dentre os muitos projetos do BIO<I>prospec</I>TA, alguns desenvolvidos pelo N&uacute;cleo de Bioensaios, Bioss&iacute;ntese e Ecofisiologia de Produtos Naturais (NuBBE) do Instituto de Qu&iacute;mica da Unesp de Araraquara, e tamb&eacute;m pelo Grupo de Biologia Estrutural e Zooqu&iacute;mica do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da Unesp de Rio Claro, levaram ao patenteamento de produtos com potencial de utiliza&ccedil;&atilde;o farmac&ecirc;utica e cosm&eacute;tica, os quais encontram&#45;se em fase de desenvolvimento por abordagens de qu&iacute;mica medicinal. </font></p>     <p><font size="3">Desde 1998 a Fapesp j&aacute; investiu R$ 26,696 milh&otilde;es em projetos de pesquisa de bioprospec&ccedil;&atilde;o e biotecnologia vinculados ao programa BIO<I>prospec</I>TA e Biota, para o apoio de projetos de pesquisa b&aacute;sica voltada para a aplica&ccedil;&atilde;o, com forte potencial para desenvolvimento tecnol&oacute;gico. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A biodiversidade do Brasil &eacute; um imenso reposit&oacute;rio ainda muito pouco conhecido de esp&eacute;cies biol&oacute;gicas e de produtos naturais com potencial inestim&aacute;vel para desenvolvimento e inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, que pode e deve ser explorada de forma racional e sustentada. Como mal poderiam imaginar Edu Lobo, Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Roberto Gomes de Souza Berlinck</B> &eacute; professor do Instituto de Qu&iacute;mica de S&atilde;o Carlos, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). &Eacute; membro da coordena&ccedil;&atilde;o do Programa Biota da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo, e membro fundador do N&uacute;cleo de Pesquisas em Biodiversidade Marinha da USP. Email: </I><a href="mailto:rgsberlinck@iqsc.usp.br">rgsberlinck@iqsc.usp.br</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTA E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. O trecho da pe&ccedil;a de teatro de Boal e Guarnieri pode ser assistido em <a href="http://www.youtube.com/watch?v=bTzcZykrb0s" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=bTzcZykrb0s</a>.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Fuselli, S.; Tarazona&#45;Santos, E.; Dupanloup, I.; Soto, A.; Luiselli, D.; Pettener, D. <I>Mol. Biol. Evol</I>., Vol.20, pp.1682&#45;1691. 2003.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Balick, M. J. &amp; Fox, P. A., <I>Plants</I>, <I>people and culture</I> &#150; <I>the science of ethnobotany</I>, Scientific American Library, 1996.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Laird, S. A. in <I>Biodiversity and traditional knowledge</I> &#150; <I>equitable partnerships in practice</I>, Edited By Sarah A. Laird, Earthscan Publications Ltd., London &amp; Sterling (USA), p. xxii. 2002.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Dean, W. <I>A ferro e fogo</I> &#150; <I>a hist&oacute;ria e a devasta&ccedil;&atilde;o da Mata Atl&acirc;ntica brasileira</I>. Companhia das Letras, S&atilde;o Paulo, 2010.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Filgueiras, C.A.L. "Origens da ci&ecirc;ncia no Brasil". <I>Qu&iacute;m. Nova</I>, Vol.13, pp.222&#45;229. 1990.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. <a href="http://florabrasiliensis.cria.org.br/index" target="_blank">http://florabrasiliensis.cria.org.br/index</a> </font><!-- ref --><p><font size="3">8. Marques, A. J.; Filgueiras, C.A.L. "O qu&iacute;mico e o naturalista luso&#45;brasileiro Alexandre Antonio Vandelli". <I>Qu&iacute;m. Nova</I>., Vol.32, no.9, pp.2492&#45;2500. 2009.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">9. Santos, N.P.; Pinto, A.C., Alencastro, R. B. "Theodoro Peckolt: naturalista e farmac&ecirc;utico do Brasil Imperial. <I>Qu&iacute;m. Nova</I>, Vol.21, no.5, pp.666&#45;670. 1998.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Kury, L. (Org.), <I>Comiss&atilde;o cient&iacute;fica do Imp&eacute;rio. </I>Andrea Jakobsson Est&uacute;dio Editorial Ltda, Rio de Janeiro, 2009.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. An&ocirc;nimo, "Retrospecto da instala&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria de pilocarpina no Brasil". <I>In: </I>Sant'Ana, P.J.P. <I>A bioprospec&ccedil;&atilde;o no Brasil</I>. Paralelo 15, pp. 304&#45;310. 2002.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Sant'Ana, P.J.P. <I>A bioprospec&ccedil;&atilde;o no Brasil</I>. Paralelo 15. 2002.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Souza, S.G.A., "Potencialidades da biotecnologia em Minas Gerais: estudo sobre empresas e suas rela&ccedil;&otilde;es com universidades", &lt; <a href="http://www.cedeplar.ufmg.br/economia/dissertacoes/2001/Sara_Antunes_de_Souza.pdf" target="_blank">http://www.cedeplar.ufmg.br/economia/dissertacoes/2001/Sara_Antunes_de_Souza.pdf</a>&gt; (acessado em 09/04/2012).     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">14. &lt;<a href="http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/ciencia­e­tecnologia/10643­fapemig­e­finep­liberam­r­416­mi­para­a­rede­mineira­de­biotecnologia­fapemig­e­finep­liberam­r­4­16­mi­para­a­rede­mineira­de­biotecnologia" target="_blank">http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/ciencia&#45;e&#45;tecnologia/10643&#45;fapemig&#45;e&#45;finep&#45;liberam&#45;r&#45;416&#45;mi&#45;para&#45;a&#45;rede&#45;mineira&#45;de&#45;biotecnologia&#45;fapemig&#45;e&#45;finep&#45;liberam&#45;r&#45;4&#45;16&#45;mi&#45;para&#45;a&#45;rede&#45;mineira&#45;de&#45;biotecnologia</a>&gt;, (acessado em 22/02/2012).     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15. &lt;<a href="http://www.bv.fapesp.br/linha­do­tempo/2131/em­busca­de­novos­medicamentos/" target="_blank">http://www.bv.fapesp.br/linha&#45;do&#45;tempo/2131/em&#45;busca&#45;de&#45;novos&#45;medicamentos/</a>&gt;, (acessado em 09/04/2012).     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16. &lt; <a href="http://www.bioprospecta.org.br/" target="_blank">http://www.bioprospecta.org.br/</a>&gt;, (acessado em 09/04/2012).     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">17. &lt;<a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/" target="_blank">http://www.bv.fapesp.br/pt/</a>&gt;, (acessado em 09/04/2012).     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">18. &lt;<a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/metapesquisa/?q=Bioprospecta&ind ex=" target="_blank">http://www.bv.fapesp.br/pt/metapesquisa/?q=Bioprospecta&amp;ind ex=</a>&gt;, (acessado em 09/04/2012).     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[O trecho da peça de teatro de Boal e Guarnieri pode ser assistido em]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fuselli]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tarazona-Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dupanloup]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Soto]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Luiselli]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pettener]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mol. Biol. Evol.]]></source>
<year>2003</year>
<volume>20</volume>
<page-range>1682-1691</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Balick]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fox]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Plants, people and culture: the science of ethnobotany]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-name><![CDATA[Scientific American Library]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Laird]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Laird]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sarah A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biodiversity and traditional knowledge: equitable partnerships in practice]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>xxii</page-range><publisher-name><![CDATA[Earthscan Publications Ltd.London & Sterling]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dean]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Companhia das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Filgueiras]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.A.L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Origens da ciência no Brasil"]]></article-title>
<source><![CDATA[Quím. Nova]]></source>
<year>1990</year>
<volume>13</volume>
<page-range>222-229</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Filgueiras]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.A.L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["O químico e o naturalista luso-brasileiro Alexandre Antonio Vandelli"]]></article-title>
<source><![CDATA[Quím. Nova.]]></source>
<year>2009</year>
<volume>32</volume>
<numero>9</numero>
<issue>9</issue>
<page-range>2492-2500</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pinto]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Alencastro]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Theodoro Peckolt: naturalista e farmacêutico do Brasil Imperial]]></article-title>
<source><![CDATA[Quím. Nova]]></source>
<year>1998</year>
<volume>21</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>666-670</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kury]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comissão científica do Império]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Andrea Jakobsson Estúdio Editorial Ltda]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Retrospecto da instalação da indústria de pilocarpina no Brasil"]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Sant'Ana]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.J.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A bioprospecção no Brasil]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>304-310</page-range><publisher-name><![CDATA[Paralelo 15]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sant'Ana]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.J.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A bioprospecção no Brasil]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-name><![CDATA[Paralelo 15]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Souza]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.G.A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["Potencialidades da biotecnologia em Minas Gerais: estudo sobre empresas e suas relações com universidades"]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
