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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a12img01.jpg"></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><B>Construindo pontes? O Brasil diante da Primavera &Aacute;rabe</B></font></P>     <P><font size="3">Guilherme Stolle Paix&atilde;o e Casar&otilde;es</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><font size=5><b>N</b></font>os primeiros anos deste novo s&eacute;culo, a pol&iacute;tica externa brasileira (PEB) passou por um duplo movimento que nos permite, hoje, situar o pa&iacute;s na condi&ccedil;&atilde;o de <B>pot&ecirc;ncia emergente</B> ou <B>pot&ecirc;ncia intermedi&aacute;ria</B>. O primeiro deles, inaugurado pelo desejo do ent&atilde;o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva e de seu chanceler Celso Amorim de instaurar uma pol&iacute;tica externa "ativa e altiva", foi respons&aacute;vel pelo expressivo aumento do perfil internacional do Brasil, seja em escopo ou profundidade de atua&ccedil;&atilde;o. Observou-se, ademais, uma mudan&ccedil;a de estrat&eacute;gia de inser&ccedil;&atilde;o internacional: ao car&aacute;ter prioritariamente comercial da PEB de outrora, fortemente associado &agrave; participa&ccedil;&atilde;o brasileira em foros multilaterais, foi somada uma dimens&atilde;o pol&iacute;tica e bilateral de relevo, marcando a busca pela diversifica&ccedil;&atilde;o de parcerias e pelo retorno &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o sul-sul.</font></P>     <P><font size="3">O Oriente M&eacute;dio de uma maneira geral, e o mundo &aacute;rabe em particular, parecem ter encontrado um lugar diferenciado nessa nova estrat&eacute;gia que caracterizou o governo Lula &#150; e que ressoa, naturalmente, no in&iacute;cio do mandato de sua sucessora, Dilma Rousseff. A ideia deste artigo, nesse sentido, &eacute; dupla: primeiro, pretende-se avaliar o papel do mundo &aacute;rabe no contexto da inser&ccedil;&atilde;o internacional recente da diplomacia brasileira, utilizando-se dos casos l&iacute;bio e s&iacute;rio. Argumenta-se que o ativismo comercial com a regi&atilde;o n&atilde;o foi seguido por uma amplia&ccedil;&atilde;o do status pol&iacute;tico do Brasil, o que inviabilizou, em termos gerais, a utiliza&ccedil;&atilde;o desse eixo em particular como plataforma concreta da inser&ccedil;&atilde;o nacional. O segundo prop&oacute;sito do texto &eacute; sugerir caminhos poss&iacute;veis de atua&ccedil;&atilde;o do Brasil com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s recentes transforma&ccedil;&otilde;es pelas quais passa a regi&atilde;o &#150; notadamente, a chamada Primavera &Aacute;rabe &#150; &agrave; luz de dois epis&oacute;dios: a crise civil l&iacute;bia, que resultou na destitui&ccedil;&atilde;o de Muammar Khadafi, e a deteriora&ccedil;&atilde;o do regime s&iacute;rio de Bashar al-Assad, que se arrasta por quase um ano e j&aacute; deixou milhares de mortos. O argumento ser&aacute; estruturado na ordem exposta acima, e uma breve conclus&atilde;o buscar&aacute; dar conta dos resultados e contemplar as perspectivas futuras.</font></P>     <P><font size="3"><B> DOIS ATOS DA POL&Iacute;TICA EXTERNA BRASILEIRA PARA O MUNDO &Aacute;RABE: L&Iacute;BIA E S&Iacute;RIA </B>Os dois casos escolhidos para discuss&atilde;o &#150; as rela&ccedil;&otilde;es do Brasil com L&iacute;bia e S&iacute;ria &#150; ilustram com clareza os potenciais e as dificuldades que encontram nossa diplomacia ao estreitar os la&ccedil;os com o mundo &aacute;rabe. Em primeiro lugar, estamos falando de dois pa&iacute;ses <B>politicamente relevantes</B>, isto &eacute;, na&ccedil;&otilde;es com as quais aprofundar rela&ccedil;&otilde;es acarreta impactos pol&iacute;ticos mais amplos. A L&iacute;bia disputa primazia regional com outros "grandes" africanos, como a &Aacute;frica do Sul, al&eacute;m de possuir rela&ccedil;&otilde;es delicadas com vizinhos como o Chade; a S&iacute;ria, por sua vez, mant&eacute;m rivalidades hist&oacute;ricas (e sangrentas) com o L&iacute;bano e com Israel. Em segundo lugar, ambos os pa&iacute;ses possuem <B>import&acirc;ncia econ&ocirc;mica</B>, tendo no petr&oacute;leo e no potencial mercado consumidor seus pontos em comum. Quer dizer, s&atilde;o dois casos em que o Brasil pode avan&ccedil;ar seus interesses comerciais. Por fim, trata-se de <B>autocracias duradouras </B>com uma conduta pol&iacute;tica reiteradamente condenada pela comunidade internacional &#150; de v&iacute;nculo com grupos terroristas a viola&ccedil;&otilde;es constantes e massivas de direitos humanos. Relacionar-se com ambos, embora possa trazer dividendos tanto econ&ocirc;micos quanto pol&iacute;ticos, acaba gerando uma s&eacute;rie de arestas, que ser&atilde;o comentadas adiante.</font></P>     <P><font size="3">As rela&ccedil;&otilde;es entre o Brasil e o governo do coronel Muammar Khadafi &#150; que chegara ao poder em 1969 &#150; mantiveram-se em grande medida est&aacute;veis e focadas em sua dimens&atilde;o comercial ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Seu auge correspondeu &agrave; busca brasileira por tornar-se um grande exportador de armamentos, em fins dos anos 1970, quando houve troca de visitas bilaterais, o estabelecimento de um Acordo B&aacute;sico de Coopera&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o de empresas nacionais em projetos na L&iacute;bia (1).</font></P>     <P><font size="3">Com o isolamento internacional do governo de Khadafi ao longo da d&eacute;cada seguinte, as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais limitaram-se a um n&iacute;vel "bastante discreto". Brasil e L&iacute;bia somente solidificaram suas rela&ccedil;&otilde;es, entretanto, com a chegada do presidente Lula ao poder, em 2003. Dois fatos, ocorridos naquele mesmo ano, merecem men&ccedil;&atilde;o. O primeiro deles foi a revoga&ccedil;&atilde;o completa, em territ&oacute;rio nacional, do regime de san&ccedil;&otilde;es imposto ao regime de Khadafi &#150; por meio do Decreto nº 4.865, de outubro. Mais importante, contudo, foi a visita do chefe de Estado brasileiro &agrave; L&iacute;bia, em dezembro. Tratou-se de um evento particularmente importante, pois elevou o n&iacute;vel do di&aacute;logo bilateral e consolidou a tend&ecirc;ncia ao estreitamento dos la&ccedil;os bilaterais (1).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Esse movimento, por outro lado, causou grande desconforto em alguns setores dom&eacute;sticos e repercutiu at&eacute; mesmo na m&iacute;dia internacional. Diante da visita de Lula aos l&iacute;deres da regi&atilde;o, na qual sobressaiu o encontro com Khadafi, o jornal brit&acirc;nico <I>Financial Times</I> salientou o car&aacute;ter pol&iacute;tico da aproxima&ccedil;&atilde;o, entendida como uma provoca&ccedil;&atilde;o aos Estados Unidos. A revista <I>Veja</I> rotulou a diplomacia presidencial de "a turn&ecirc; de Lula pelas ditaduras", chamando a pol&iacute;tica externa daquele governo de "insignificante, quando n&atilde;o grotesca" (2). Outro ve&iacute;culo influente, a <I>Folha de S.Paulo</I>, publicou editorial, &agrave; mesma &eacute;poca, condenando a "diplomacia de resultados" de Lula por "atropelar" direitos humanos, nas rela&ccedil;&otilde;es com os autocratas do mundo &aacute;rabe (3). Naquela oportunidade, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, reiterou que a visita presidencial n&atilde;o seria ideol&oacute;gica, mas de neg&oacute;cios, buscando explorar oportunidades comerciais nas &aacute;reas de maquin&aacute;rio agr&iacute;cola, avia&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o civil (4).</font></P>     <P><font size="3">Luiz In&aacute;cio Lula da Silva encontrou-se com o l&iacute;der l&iacute;bio mais tr&ecirc;s vezes at&eacute; o fim de seu mandato. A primeira delas deu-se em ocasi&atilde;o da realiza&ccedil;&atilde;o da primeira c&uacute;pula entre a Am&eacute;rica do Sul e a &Aacute;frica, em novembro de 2006, na cidade nigeriana de Abuja. &Agrave; &eacute;poca, afirmou que a L&iacute;bia estaria mudando, "caminhando para um processo de democratiza&ccedil;&atilde;o" (5). Em julho de 2009, o presidente brasileiro, convidado a discursar na abertura da C&uacute;pula da Uni&atilde;o Africana, regressou &agrave; na&ccedil;&atilde;o l&iacute;bia, reunindo-se com Khadafi em Sirte e chamando-o de "amigo e irm&atilde;o". Poucos meses mais tarde, os l&iacute;deres reencontraram-se na Venezuela, durante a II C&uacute;pula Am&eacute;rica do Sul e &Aacute;frica (6). Face &agrave;s cr&iacute;ticas ao pragmatismo dos relacionamentos externos brasileiros, o Itamaraty insistia em sua pol&iacute;tica de n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o nos assuntos internos de outros pa&iacute;ses e na necessidade de estreitar la&ccedil;os com na&ccedil;&otilde;es do sul geopol&iacute;tico.</font></P>     <P><font size="3">Independentemente das conota&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas das rela&ccedil;&otilde;es entre Brasil e L&iacute;bia, deve-se ressaltar a vis&iacute;vel amplia&ccedil;&atilde;o de seu com&eacute;rcio exterior. A Petrobras, em parceria com a estatal l&iacute;bia National Oil Corporation (NOC), voltou a explorar &oacute;leo e g&aacute;s na costa da na&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe ap&oacute;s 11 anos sem atividades, em meados de 2005 (7). De uma exporta&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de US$ 56 milh&otilde;es entre 1989 e 2002, o Brasil passou a exportar nada menos que uma m&eacute;dia anual de US$ 232 milh&otilde;es durante os anos Lula, atingindo o significativo valor de US$ 456 milh&otilde;es em 2010. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s importa&ccedil;&otilde;es, manteve-se uma m&eacute;dia (com grandes oscila&ccedil;&otilde;es ano a ano) de US$ 8,7 milh&otilde;es entre 1989 e 2002, multiplicada para expressivos US$ 468 milh&otilde;es, em m&eacute;dia, durante o governo Lula. Somente no ano de 2008, importou-se da L&iacute;bia o equivalente a US$ 1,4 bilh&atilde;o, legando um vultoso d&eacute;ficit &agrave; balan&ccedil;a comercial e contrariando uma tend&ecirc;ncia hist&oacute;rica de super&aacute;vits do lado brasileiro (8).</font></P>     <P><font size="3">A despeito da amplia&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os econ&ocirc;micos, n&atilde;o se pode dizer que os benef&iacute;cios pol&iacute;ticos extra&iacute;dos da rela&ccedil;&atilde;o com a L&iacute;bia vieram na mesma propor&ccedil;&atilde;o. Se, por um lado, conseguiu-se potencializar os fluxos comerciais, com impactos positivos sobre os interesses empresariais brasileiros, a necess&aacute;ria aproxima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &#150; por vezes entendida at&eacute; mesmo como identifica&ccedil;&atilde;o &#150; colocou &agrave; prova a posi&ccedil;&atilde;o (historicamente confort&aacute;vel) da diplomacia brasileira. Press&otilde;es dom&eacute;sticas e de parte da comunidade internacional instaram o Itamaraty, nos &uacute;ltimos anos, a fazer defesas mais ostensivas da democracia no globo, de forma a justificar ou amenizar o estabelecimento de parcerias com autocratas como o l&iacute;der l&iacute;bio &#150; obrigando, por exemplo, o presidente Lula a falar, de maneira constrangedora, de uma suposta "democratiza&ccedil;&atilde;o" do regime de Khadafi. Ademais, ao lado das rela&ccedil;&otilde;es com Cuba e com o Ir&atilde;, a amizade entre Brasil e L&iacute;bia colocou em xeque a posi&ccedil;&atilde;o oficial brasileira no campo de direitos humanos.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a18img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">No caso s&iacute;rio, n&atilde;o foi diferente. Repete-se, com alguma frequ&ecirc;ncia, que os la&ccedil;os bilaterais existentes entre Brasil e S&iacute;ria s&atilde;o particularmente fortes devido &agrave; grande e influente comunidade &aacute;rabe-brasileira, em sua maioria s&iacute;rio-libanesa, que hoje ultrapassa os dez milh&otilde;es de habitantes (9). De fato, as rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre os dois pa&iacute;ses foram estabelecidas t&atilde;o logo a S&iacute;ria foi reconhecida como na&ccedil;&atilde;o independente, ao fim da Segunda Grande Guerra, e mantiveram-se est&aacute;veis &#150; embora mornas &#150; desde ent&atilde;o, sem altera&ccedil;&otilde;es significativas a despeito das mudan&ccedil;as de regimes e governos em ambos os lados.</font></P>     <P><font size="3">A reaproxima&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses deu-se exatamente no governo Lula, que encontrou no regime s&iacute;rio um importante ponto de apoio para as iniciativas da diplomacia brasileira, como a C&uacute;pula Am&eacute;rica do Sul-Pa&iacute;ses &Aacute;rabes (Aspa). Mais que isso, versa o argumento oficial que a S&iacute;ria, em virtude de sua centralidade geopol&iacute;tica no Oriente M&eacute;dio, deveria gozar de mais espa&ccedil;o decis&oacute;rio nas quest&otilde;es regionais candentes, como aquelas envolvendo a Palestina, o L&iacute;bano ou o Iraque (10). </font></P>     <P><font size="3">Do ponto de vista pol&iacute;tico, a chancelaria brasileira buscou eximir-se de qualquer impedimento em seus contatos com a S&iacute;ria. Alegou, para al&eacute;m da import&acirc;ncia estrat&eacute;gica do regime de Bashar al-Assad em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; paz na regi&atilde;o, que a aproxima&ccedil;&atilde;o com os s&iacute;rios almejava fomentar o di&aacute;logo bilateral entre estes e Israel, sobretudo no tocante &agrave; disputa pelas Colinas de Gol&atilde; (10). Isso justificaria, entre outras coisas, as seis viagens oficiais realizadas por Celso Amorim a Damasco, bem como a visita do presidente Assad ao Brasil &#150; sua primeira viagem transatl&acirc;ntica em uma d&eacute;cada de governo &#150; em julho de 2010. Naquela ocasi&atilde;o, o l&iacute;der s&iacute;rio refor&ccedil;ou o desejo de que o Brasil atuasse como "negociador ativo" no processo de paz entre &aacute;rabes e israelenses. Israel, ali&aacute;s, cujas rela&ccedil;&otilde;es com o governo brasileiro vinham deteriorando-se desde o ano anterior, foi objeto de cr&iacute;tica de ambos os l&iacute;deres em seus pronunciamentos (11). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">No campo dos neg&oacute;cios, o estreitamento dos la&ccedil;os com a S&iacute;ria buscou explorar um potencial comercial h&aacute; muito latente, explicado pela significativa instabilidade regional. De fato, entre 1989 e 2002, o Brasil exportou, em m&eacute;dia, US$ 49 milh&otilde;es para o mercado s&iacute;rio, correspondente a n&atilde;o mais que 0,1% do total de exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras. Os n&uacute;meros come&ccedil;aram a mudar no in&iacute;cio do governo Lula, de modo que, durante seus dois mandatos, a m&eacute;dia de exporta&ccedil;&otilde;es para a S&iacute;ria atingiu a marca de US$ 240 milh&otilde;es, com o pico de US$ 547 milh&otilde;es em 2010. Por outro lado, em decorr&ecirc;ncia da limitada pauta exportadora s&iacute;ria, o Brasil n&atilde;o importou mais que US$ 4 milh&otilde;es, em m&eacute;dia, no per&iacute;odo at&eacute; 2002. Da&iacute; em diante, o valor m&eacute;dio das importa&ccedil;&otilde;es daquele pa&iacute;s chegou a US$ 26 milh&otilde;es, donde se percebe uma balan&ccedil;a claramente superavit&aacute;ria do lado brasileiro (10). Os dilemas s&atilde;o muito pr&oacute;ximos da rela&ccedil;&atilde;o com a L&iacute;bia, com a diferen&ccedil;a que, no caso s&iacute;rio, o Brasil goza de um v&iacute;nculo, digamos, "existencial" com os s&iacute;rios, dificultando qualquer postura mais firme contra os abusos do regime de Assad.</font></P>     <P><font size="3"><B> O BRASIL DIANTE DA PRIMAVERA &Aacute;RABE: CONSTRUTOR DE PONTES? </B>O quadro da pol&iacute;tica exterior brasileira passou por duas importantes inflex&otilde;es no alvorecer de 2011. A primeira e mais importante delas foi a mudan&ccedil;a de governo, com a elei&ccedil;&atilde;o de Dilma Rousseff para suceder Lula, que havia governado o pa&iacute;s por dois mandatos consecutivos. Muito embora a nova presidente, tamb&eacute;m do Partido dos Trabalhadores (PT), conferisse importantes tra&ccedil;os de continuidade com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; gest&atilde;o anterior, a pol&iacute;tica externa abria-se como campo de inova&ccedil;&atilde;o, sobretudo na tem&aacute;tica dos direitos humanos. A presidente sinalizou reiteradas vezes, desde as elei&ccedil;&otilde;es, a centralidade da agenda de direitos humanos na sua gest&atilde;o. A nomea&ccedil;&atilde;o do embaixador Antonio Patriota para o MRE, mais discreto e menos pol&ecirc;mico que seu antecessor, viria a completar o quadro pol&iacute;tico em que, na interpreta&ccedil;&atilde;o de alguns (12), o Itamaraty reassumiria o comando das rela&ccedil;&otilde;es exteriores, ap&oacute;s oito anos competindo com uma forte diplomacia presidencial.</font></P>     <P><font size="3">A postura brasileira com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos no Ir&atilde; representou, nesse sentido, a concretiza&ccedil;&atilde;o dessa inflex&atilde;o de prioridades na agenda exterior. Pouco mais de tr&ecirc;s meses ap&oacute;s a posse, o Brasil votou de maneira in&eacute;dita no CDH, alinhando-se aos Estados Unidos na designa&ccedil;&atilde;o de um relator especial para monitorar a situa&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria no Ir&atilde;. Foi, para muitos, o in&iacute;cio da "era Dilma" em pol&iacute;tica externa (13). Restava, a partir dali, que a chancelaria estendesse sua posi&ccedil;&atilde;o na quest&atilde;o iraniana a circunst&acirc;ncias semelhantes.</font></P>     <P><font size="3">Nesse contexto, cumpre destacarmos a segunda inflex&atilde;o ocorrida no in&iacute;cio de 2011: a chamada Primavera &Aacute;rabe. O termo, embora discut&iacute;vel em termos da analogia hist&oacute;rica que constr&oacute;i, tem sido usado amplamente para descrever o conjunto de revolu&ccedil;&otilde;es populares do mundo &aacute;rabe iniciadas na Tun&iacute;sia, em dezembro de 2010. Os efeitos da agita&ccedil;&atilde;o social disseminaram-se rapidamente e foram amplificados com a destitui&ccedil;&atilde;o do presidente tunisiano, Zine El Abidine Ben Ali, no in&iacute;cio de janeiro &#150; ap&oacute;s 23 anos no poder. Um m&ecirc;s mais tarde, diante de sucessivos dias de sangrentos confrontos entre manifestantes e ex&eacute;rcito na Pra&ccedil;a Tahrir, no Cairo, foi a vez da ren&uacute;ncia do presidente eg&iacute;pcio, Hosni Mubarak, &agrave; frente do pa&iacute;s desde 1981. Entre janeiro e fevereiro, revoltas populares abalaram virtualmente todas as na&ccedil;&otilde;es &aacute;rabes, com importantes efeitos &#150; de mudan&ccedil;as institucionais a conflitos civis &#150; em pa&iacute;ses como Arg&eacute;lia, Bahrein, I&ecirc;men, Jord&acirc;nia, Kuwait, L&iacute;bano, L&iacute;bia, Marrocos e Om&atilde;. Em meados de mar&ccedil;o, a fronteira final da estabilidade autorit&aacute;ria, a S&iacute;ria, tamb&eacute;m &eacute; arrastada para uma duradoura subleva&ccedil;&atilde;o civil.</font></P>     <P><font size="3">Destes casos, foram particularmente caros &agrave; pol&iacute;tica externa brasileira os desdobramentos pol&iacute;ticos na L&iacute;bia e na S&iacute;ria. Em ambas as situa&ccedil;&otilde;es, o governo Dilma Rousseff foi deixado entre a cruz e a espada: apoiar os governos institu&iacute;dos de Khadafi e Assad sinalizaria n&atilde;o somente uma posi&ccedil;&atilde;o cautelar com rela&ccedil;&atilde;o aos epis&oacute;dios, mas principalmente a disposi&ccedil;&atilde;o brasileira em manter os la&ccedil;os oficiais, o interc&acirc;mbio pol&iacute;tico e os fluxos comerciais com ambos os pa&iacute;ses. Por outro lado, a presidente deveria dar conta das cada vez mais patentes viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos perpetradas por aqueles regimes. A escolha seria mais simples, n&atilde;o fossem as promessas feitas pelo governo brasileiro em seus primeiros meses. As circunst&acirc;ncias, contudo, impuseram uma necessidade de r&aacute;pido ajustamento do Brasil &agrave;s mudan&ccedil;as, face &agrave;s quais a coer&ecirc;ncia da pol&iacute;tica externa deveria ser preservada &#150; ao menos em discurso.</font></P>     <P><font size="3">Tratava-se, de maneira particularmente vis&iacute;vel, da dicotomia entre <B>princ&iacute;pios</B> e <B>produtos</B> postulada por Celso Amorim. O pragmatismo da pol&iacute;tica externa de Lula, por mais combatido que tivesse sido por alguns segmentos dom&eacute;sticos e internacionais, havia logrado resultados econ&ocirc;micos concretos, al&eacute;m de projetar, de maneira inequ&iacute;voca, o Brasil no mundo. Durante seus oito anos de governo, temas como direitos humanos ou democracia, embora presentes, perderam &ecirc;nfase. "Defendemos uma atitude de n&atilde;o indiferen&ccedil;a, sem descuidar dos princ&iacute;pios basilares da <B>soberania estatal</B> e da <B>n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais</B>", atestou, em artigo, o chanceler de Lula.</font></P>     <P><font size="3">N&atilde;o parecia ser o caso da pol&iacute;tica externa de Dilma Rousseff. O novo governo deveria resguardar sua coer&ecirc;ncia n&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o aos princ&iacute;pios defendidos pela gest&atilde;o anterior, mas &agrave;queles evocados pela presidente como priorit&aacute;rios. Os direitos humanos deveriam, assim, balizar a a&ccedil;&atilde;o brasileira diante da Primavera &Aacute;rabe. No caso l&iacute;bio, diante dos abusos massivos contra a popula&ccedil;&atilde;o civil, esperava-se que o Brasil referendasse as medidas tomadas pelo Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em remiss&atilde;o &agrave; doutrina internacional da "responsabilidade de proteger". No tocante &agrave; crise do regime de Bashar al-Assad, a expectativa era a de que o Brasil se juntasse ao coro das na&ccedil;&otilde;es, muitas das quais &aacute;rabes, que condenavam a violenta repress&atilde;o do governo aos manifestantes e civis em geral.</font></P>     <P><font size="3">Nenhuma das duas previs&otilde;es concretizou-se de fato. Mesmo tendo votado a favor de san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas contra Khadafi em fevereiro, a delega&ccedil;&atilde;o brasileira absteve-se, em 17 de mar&ccedil;o, na autoriza&ccedil;&atilde;o de uma zona de exclus&atilde;o a&eacute;rea em territ&oacute;rio l&iacute;bio. A posi&ccedil;&atilde;o do Brasil esteve afinada com os votos dos demais Brics &#150; China, &Iacute;ndia e R&uacute;ssia &#150; bem como da Alemanha. Em todos os casos, o argumento era semelhante: a chamada <I>no-fly zone</I> poderia abrir espa&ccedil;o para uma interven&ccedil;&atilde;o ocidental indesejada e desproporcional, liderada pela Otan. Neste caso, para al&eacute;m de uma quest&atilde;o de princ&iacute;pios &#150; na qual colidem os imperativos humanit&aacute;rios e a soberania dos Estados &#150; havia uma importante dimens&atilde;o comercial: o fortalecimento dos rebeldes l&iacute;bios e a cont&iacute;nua instabilidade local poderiam colocar em risco o interesse corporativo de um n&uacute;mero expressivo de empresas que passaram a atuar na L&iacute;bia durante o governo Lula (15).</font></P>     <P><font size="3">Uma vez autorizada a interven&ccedil;&atilde;o militar na L&iacute;bia, o conflito civil estendeu-se por praticamente seis meses, contrapondo os rebeldes, amparados pela Otan, ao governo central de Khadafi. O longevo l&iacute;der foi destitu&iacute;do em agosto e morto dois meses mais tarde pelas for&ccedil;as do Conselho Nacional de Transi&ccedil;&atilde;o (CNT), &oacute;rg&atilde;o rebelde que substituiu o antigo regime. Enquanto os Estados Unidos e grande parte das na&ccedil;&otilde;es europeias j&aacute; reconheciam o governo rebelde em julho, o governo brasileiro somente descredenciou os partid&aacute;rios de Khadafi de suas representa&ccedil;&otilde;es oficiais em setembro. Criticado pela demora em aceitar o CNT, o ministro Antonio Patriota afirmou que o Brasil "reconhece Estados, e n&atilde;o governos" (16).</font></P>     <P><font size="3">Ao contr&aacute;rio da quest&atilde;o l&iacute;bia, que encontrou seu desfecho com a ajuda da comunidade internacional, a situa&ccedil;&atilde;o na S&iacute;ria deteriora-se a cada dia e encontra-se paralisada no &acirc;mbito do Conselho de Seguran&ccedil;a. Ao desejo das pot&ecirc;ncias ocidentais de impor san&ccedil;&otilde;es ao regime de Assad, contrap&otilde;em-se a vontade de R&uacute;ssia e China, aliados tradicionais do governo s&iacute;rio, que insistem na ampla negocia&ccedil;&atilde;o internacional e vetaram, em outubro de 2011, uma proposta de resolu&ccedil;&atilde;o respaldada pelos pa&iacute;ses europeus. O Brasil e seus parceiros emergentes, &Iacute;ndia e &Aacute;frica do Sul, abstiveram-se novamente e causaram imediata rea&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica. Em editorial, o jornal <I>The New York Times </I>chamou de "vergonhosa" a cumplicidade desses governos ao regime de Assad (17), podendo at&eacute; mesmo comprometer aspira&ccedil;&otilde;es futuras a uma cadeira permanente no CSNU.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Fora daquele &acirc;mbito, no entanto, o Itamaraty tem buscado desempenhar um papel relevante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o s&iacute;ria. Em declara&ccedil;&atilde;o conjunta, &Iacute;ndia, Brasil e &Aacute;frica do Sul, que comp&otilde;em o F&oacute;rum Ibas, condenaram a viol&ecirc;ncia prolongada na S&iacute;ria mas reafirmaram seu compromisso com a soberania do pa&iacute;s. A tentativa do grupo em mediar o conflito, ao passo que &eacute; capaz de elevar o perfil internacional seus membros, acabou gerando resultados amb&iacute;guos. De acordo com Lucia Nader e Fernando Scir&eacute;, da ONG Conectas de direitos humanos, "&#91;a&#93; estrat&eacute;gia brasileira pelo Ibas, com medo de ser condenat&oacute;ria, foi complacente, abrindo precedentes para que governos violadores argumentem que est&atilde;o cooperando" (18). Na Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e no CDH, por outro lado, o Brasil votou contra o regime de Assad.</font></P>     <P><font size="3"><B> CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </B>Passado os primeiros anos do governo Dilma, algumas considera&ccedil;&otilde;es est&atilde;o em ordem. Antes de tudo, deve-se ressaltar que a nova pol&iacute;tica externa brasileira, ainda que tenha passado por uma mudan&ccedil;a de forma, mant&eacute;m fortes tra&ccedil;os de continuidade com a diplomacia de Lula no que diz respeito ao conte&uacute;do. As promessas do in&iacute;cio do governo foram escanteadas, seja diante da dificuldade em se manter a coer&ecirc;ncia nos foros internacionais, dada a secular tradi&ccedil;&atilde;o da chancelaria brasileira de n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o e respeito &agrave; soberania, seja em fun&ccedil;&atilde;o dos compromissos previamente assumidos nos blocos "emergentes", Brics e Ibas.</font></P>     <P><font size="3">Isso n&atilde;o significa que n&atilde;o haja espa&ccedil;o para a inova&ccedil;&atilde;o ou para a mudan&ccedil;a. A desvincula&ccedil;&atilde;o dos votos brasileiros nos &acirc;mbitos do Conselho de Seguran&ccedil;a e do Conselho de Direitos Humanos, por exemplo, mostra uma flexibilidade in&eacute;dita da diplomacia nacional em condenar governos pr&oacute;ximos por suas viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. Tomemos, por exemplo, o caso do Ir&atilde;. O Brasil contrariou o regime dos aiatol&aacute;s diversas vezes ao longo de 2011, levando at&eacute; mesmo o porta-voz do presidente Ahmadinejad a dizer, em janeiro de 2012, que Dilma "destruiu anos de bom relacionamento" entre os dois pa&iacute;ses (19). Por mais sutil que tenha sido o impacto comercial do estremecimento das rela&ccedil;&otilde;es, &eacute; um ind&iacute;cio de que a presidente est&aacute; rumando o caminho inverso de seu antecessor &#150; trocando <B>produtos</B> pelos <B>princ&iacute;pios</B> em que ela acredita.</font></P>     <P><font size="3">No tortuoso caminho trilhado pela pol&iacute;tica externa brasileira nos movimentos populares do mundo &aacute;rabe, contudo, o saldo ainda &eacute; negativo. Relat&oacute;rio recente da Human Rights Watch ressalta seu dissabor com a atua&ccedil;&atilde;o da diplomacia dos emergentes, que parecia ser orientada "n&atilde;o pelas aspira&ccedil;&otilde;es do povo &aacute;rabe, mas mais por seu compromisso com vis&otilde;es ultrapassadas da soberania nacional, mesmo quando isso resulta na blindagem de regimes repressivos da necessidade urgente de press&atilde;o internacional" (20). Na mesma linha, cr&iacute;ticos dom&eacute;sticos rotulam a atua&ccedil;&atilde;o brasileira em favor dos direitos humanos na S&iacute;ria de "t&iacute;mida" (21). Os paradoxos observados na conduta da diplomacia do governo Dilma tornam essa postura err&aacute;tica ainda mais evidente.</font></P>     <P><font size="3">O que fazer? Certamente, o caso l&iacute;bio &#150; que aparentemente chegou a um bom termo, com o reconhecimento internacional do CNT &#150; n&atilde;o representa mais embara&ccedil;os &agrave; PEB. N&atilde;o obstante, ele trouxe consigo um conceito novo, o de "responsabilidade ao proteger", cunhado pela pr&oacute;pria diplomacia brasileira quando da interven&ccedil;&atilde;o l&iacute;bia. O argumento &eacute; simples: para al&eacute;m da aventada "responsabilidade de proteger" &#150; corol&aacute;rio utilizado, no &acirc;mbito da ONU, para justificar a&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias &#150; a comunidade das na&ccedil;&otilde;es deve prevenir, sempre que poss&iacute;vel, qualquer tipo de a&ccedil;&atilde;o armada, esgotar os meios pac&iacute;ficos poss&iacute;veis e monitorar o uso da for&ccedil;a em campo.</font></P>     <P><font size="3">A ideia pode ser &uacute;til na abordagem do conflito s&iacute;rio, aproximando os interesses ocidentais das possibilidades diplom&aacute;ticas de R&uacute;ssia, China e dos demais emergentes. Nesse sentido, o fim do mandato brasileiro no Conselho de Seguran&ccedil;a pode ser um ativo importante, ao reduzir as press&otilde;es pela coer&ecirc;ncia em busca de uma cadeira permanente naquele &oacute;rg&atilde;o. Agora cabe ao Brasil, valendo-se da tradicional criatividade de sua diplomacia, construir as pontes necess&aacute;rias.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><B> Guilherme Stolle Paix&atilde;o e Casar&otilde;es </B>&eacute; professor de rela&ccedil;&otilde;es internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco e do Centro de Pesquisa e Documenta&ccedil;&atilde;o (CPDOC) da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas. &Eacute; pesquisador da Rede Interinstitucional de Pesquisa em Pol&iacute;tica Externa e Regime Pol&iacute;tico (Ripperp).</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><B>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">1.  Informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis no site do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores (MRE): <a href="http://dai-mre.serpro.gov.br/atos-internacionais/bilaterais/1978/b_48/" target="_blank">http://dai-mre.serpro.gov.br/atos-internacionais/bilaterais/1978/b_48/</a> (acesso em setembro de 2012).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071711&pid=S0009-6725201200040001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">2.  Alc&acirc;ntara, E. "A turn&ecirc; de Lula pelas ditaduras". <I>Veja</I>, edi&ccedil;&atilde;o 1833, 17 de dezembro de 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071713&pid=S0009-6725201200040001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3.  Gielow, I. "'Diplomacia de resultados' atropela direitos humanos". <I>Folha de S.Paulo</I>, 04 de dezembro de 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071715&pid=S0009-6725201200040001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4.  Na L&iacute;bia, Amorim diz que Brasil "n&atilde;o trocar&aacute; princ&iacute;pios por produtos". <I>Folha Online</I>, 10 de dezembro de 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071717&pid=S0009-6725201200040001800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">5.  Wasserman, R. "Lula defende encontro com Gaddafi na Nig&eacute;ria". <I>BBC Brasil</I>, 30 de novembro de 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071719&pid=S0009-6725201200040001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">6.  Landim, R. "Kadafi: o 'amigo' de Lula". 22 de fevereiro de 2011. Dispon&iacute;vel em <a href="http://blogs.estadao.com.br/sala-ao-lado/2011/02/22/kadafi-o-amigo-de-lula/" target="_blank">http://blogs.estadao.com.br/sala-ao-lado/2011/02/22/kadafi-o-amigo-de-lula/</a> (acesso em setembro de 2012).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071721&pid=S0009-6725201200040001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">7.  Ripardo, S. "Petrobras fecha acordo de explora&ccedil;&atilde;o com estatal l&iacute;bia". <I>Folha Online</I>, 15 de mar&ccedil;o de 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071723&pid=S0009-6725201200040001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">8.  Dados do Minist&eacute;rio do Desenvolvimento, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio. Dispon&iacute;veis em <a href="http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&amp;menu=576" target="_blank">http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=576</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071725&pid=S0009-6725201200040001800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">9.  Amorim, C. "Brazil and the Middle East: reflections on Lula's South-South cooperation". In:<I> Cairo Review</I>, Vol.2, p.50. 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071727&pid=S0009-6725201200040001800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="3">10.  Idem, p.56.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">11.  Monteiro, T. "Com al-Assad, Lula rejeita que 'n&atilde;o h&aacute; solu&ccedil;&atilde;o' para o Oriente M&eacute;dio". <I>O Estado de S. Paulo</I>, 30 de junho de 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071730&pid=S0009-6725201200040001800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">12.  Essa "nova caracter&iacute;stica" do governo Dilma veio para o bem, na opini&atilde;o de Cantanh&ecirc;de, E. "Atos, palavras, s&iacute;mbolos". <I>Folha de S. Paulo</I>, 12 de janeiro de 2011;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071732&pid=S0009-6725201200040001800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> mas n&atilde;o surtiu os devidos efeitos, conforme sugere Rossi, C. "Diplomacia de baixa voltagem". <I>Folha de S. Paulo</I>, 28 de agosto de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071733&pid=S0009-6725201200040001800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">13.  Corr&ecirc;a, A. "Para estrangeiros, mudan&ccedil;a de estilo &eacute; marca inicial da era Dilma". <I>BBC Brasil</I>, 8 de abril de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071735&pid=S0009-6725201200040001800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">14.  Amorim, C. "O Brasil e os direitos humanos: em busca de uma agenda positiva". In:<I> Pol&iacute;tica Externa</I>, Vol.18, no.2, p.75, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071737&pid=S0009-6725201200040001800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">15.  Elizondo, G. "Brazil's business in Libya". <I>Al Jazeera Americas</I>, 21 de fevereiro de 2011. Blogs.aljazeera.net.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071739&pid=S0009-6725201200040001800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">16.  Santos, D. "Brasil reconhece estados e n&atilde;o governos, diz Patriota sobre a L&iacute;bia". <I>Portal G1</I>, 23 de agosto de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071741&pid=S0009-6725201200040001800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">17.  "Isolating Assad". <I>The New York Times</I>, 31 de agosto de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071743&pid=S0009-6725201200040001800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">18.  Nader, L.; Scir&eacute;, F. "Mais quantas primaveras?". <I>O Estado de S. Paulo</I>, 04 de dezembro de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071745&pid=S0009-6725201200040001800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">19.  "Ir&atilde; critica Dilma e diz que Lula faz muita falta". <I>Folha de S.Paulo</I>, 23 de janeiro de 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071747&pid=S0009-6725201200040001800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">20.  Roth, K. "Time to abandon the autocrats and embrace rights". <I>Human Rights Watch &#150; World Report 2012. </I>Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.hrw.org/world-report-2012/time-abandon-autocrats-and-embrace-rights" target="_blank">http://www.hrw.org/world-report-2012/time-abandon-autocrats-and-embrace-rights</a> (acesso em setembro de 2012).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=071749&pid=S0009-6725201200040001800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">21.  Nader e Scir&eacute;, <I>op. cit.,</I> 2011.</font></P>      ]]></body>
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