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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O tempo biológico e a defesa do organismo: uma conversa bidirecional entre a glândula pineal e o sistema imunológico]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/ensaios.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O tempo biol&oacute;gico e a defesa do organismo: uma conversa bidirecional entre a gl&acirc;ndula pineal     e o sistema imunol&oacute;gico</b></font></p>     <p><font size="3"><i>Regina P. Markus    <br>   Erika Cecon</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A evolu&ccedil;&atilde;o dos organismos de unicelulares a pluricelulares exigiu um alto grau organizacional, baseado principalmente na especializa&ccedil;&atilde;o de grupos de c&eacute;lulas em &oacute;rg&atilde;os e tecidos. A sincroniza&ccedil;&atilde;o entre as diferentes fun&ccedil;&otilde;es &eacute; essencial para que seja garantida a sobreviv&ecirc;ncia do todo. Tal sincronia n&atilde;o envolve somente uma organiza&ccedil;&atilde;o espacial dos diferentes componentes, mas tamb&eacute;m uma organiza&ccedil;&atilde;o temporal. Embora n&atilde;o percebamos a influ&ecirc;ncia do tempo a maioria das atividades di&aacute;rias, como acordar, dormir, alimentar&#45;se, requerem uma refinada organiza&ccedil;&atilde;o temporal. Esta organiza&ccedil;&atilde;o permite que nosso organismo <i><b>antecipe</b></i> fun&ccedil;&otilde;es que acontecem mais ou menos no mesmo hor&aacute;rio. </font></p>     <p><font size="3">A regularidade dessas a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; independente de nossa vontade. Existe um sistema de grande complexidade que regula a organiza&ccedil;&atilde;o temporal de diversas fun&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas permitindo um ajuste &agrave; altern&acirc;ncia claro/escuro. O dia e a noite s&atilde;o os grandes regentes de nossas fun&ccedil;&otilde;es r&iacute;tmicas e a altern&acirc;ncia claro/escuro ambiental tem que ser traduzida em termos hormonais e neurais. </font></p>     <p><font size="3">Uma importante pergunta respondida na segunda metade do s&eacute;culo XX foi: <i><b>como cada c&eacute;lula do corpo sabe que &eacute; dia ou noite?</b></i> Para poder marcar o tempo, o nosso organismo tem um rel&oacute;gio interno, o chamado rel&oacute;gio biol&oacute;gico, que cicla com um per&iacute;odo de aproximadamente 24 horas. Este rel&oacute;gio &eacute; aut&ocirc;nomo, mas deve ser sempre ajustado ao tempo real, isto &eacute;, ao tempo do planeta. O rel&oacute;gio biol&oacute;gico central corresponde a um grupo de neur&ocirc;nios localizados no hipot&aacute;lamo, uma regi&atilde;o do c&eacute;rebro respons&aacute;vel pelo controle de fun&ccedil;&otilde;es vitais e aut&ocirc;nomas, tais como a fome, sede, respira&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o do sangue, dentre outras. Esse grupo de neur&ocirc;nios &eacute; conhecido pelo nome de n&uacute;cleo supraquiasm&aacute;tico (NSQ), denomina&ccedil;&atilde;o decorrente da localiza&ccedil;&atilde;o dessas c&eacute;lulas logo acima do quiasma &oacute;ptico. </font></p>     <p><font size="3">As c&eacute;lulas do NSQ mant&ecirc;m um ritmo de aproximadamente 24 horas mesmo quando colocadas em cultura &#151; indicando que sua atividade r&iacute;tmica &eacute; independente da informa&ccedil;&atilde;o temporal proveniente do meio ambiente. Portanto, para uma adapta&ccedil;&atilde;o aos ritmos ambientais estas c&eacute;lulas s&atilde;o sincronizadas diariamente &agrave; informa&ccedil;&atilde;o de claro/escuro atrav&eacute;s de uma via sin&aacute;ptica que conecta a retina ao NSQ. No in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI foi demonstrado que a retina tem um pigmento especial (melanopsina) localizado em neur&ocirc;nios que conectam a retina ao NSQ, e a percep&ccedil;&atilde;o da luz por estes pigmentos ajusta o rel&oacute;gio cada vez que inicia&#45;se um novo dia (1). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Sabendo como o rel&oacute;gio &eacute; reajustado, vamos rapidamente entender como esta informa&ccedil;&atilde;o &eacute; enviada para todo o organismo. Os NSQs conectam&#45;se tamb&eacute;m por via neural com a gl&acirc;ndula pineal &#151; uma gl&acirc;ndula em forma de pinho localizada na base do c&eacute;rebro, que &eacute; ativada pelo escuro e produz um horm&ocirc;nio &#151; <b>melatonina</b>. A melatonina cai rapidamente na circula&ccedil;&atilde;o sangu&iacute;nea, informando a todas as c&eacute;lulas do organismo: EST&Aacute; ESCURO! &#151; por isso ela tamb&eacute;m &eacute; conhecida como o horm&ocirc;nio do escuro.</font></p>     <p><font size="3">Muitos pesquisadores queriam entender o que fazia esse horm&ocirc;nio &#151; e a controv&eacute;rsia na literatura era grande. Nos anos de 1950, alguns autores diziam que era um horm&ocirc;nio que inibia as g&ocirc;nadas (ov&aacute;rios e test&iacute;culos), enquanto outros obtinham resultados contr&aacute;rios. Uns afirmavam que era um horm&ocirc;nio que facilitava a indu&ccedil;&atilde;o do sono, enquanto outros afirmavam o contr&aacute;rio! Essa controv&eacute;rsia s&oacute; foi resolvida quando ficou realmente confirmado que a fun&ccedil;&atilde;o da melatonina era marcar o escuro &#150; e, dessa forma, os experimentos feitos com animais noturnos, como os roedores, muito usados como modelos experimentais, indicavam que a melatonina favorecia a atividade, enquanto que os feitos com humanos indicavam que esse horm&ocirc;nio favorecia o sono. Assim, independentemente do que o organismo est&aacute; programado para fazer nessa fase de escuro (entrar em atividade ou em repouso), a melatonina &eacute; a respons&aacute;vel por essa informa&ccedil;&atilde;o ambiental. Quanto &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o, h&aacute; sempre o objetivo das crias nascerem no final da primavera ou no in&iacute;cio do ver&atilde;o, &eacute;poca com mais fartura de alimentos e com temperaturas mais adequadas para a sobreviv&ecirc;ncia do rec&eacute;m&#45;nascido. Como durante as noites longas de inverno h&aacute; maior produ&ccedil;&atilde;o de melatonina, h&aacute; uma involu&ccedil;&atilde;o das g&ocirc;nadas dos animais com curto per&iacute;odo de gesta&ccedil;&atilde;o, pois estes devem copular no in&iacute;cio da primavera, quando os dias come&ccedil;am a ficar mais longos e as noites mais curtas.  O inverso ocorre com os animais que precisam de longos per&iacute;odos de gesta&ccedil;&atilde;o. Russel Reiter, em um artigo seminal, introduz o conceito que a melatonina informa as horas e as esta&ccedil;&otilde;es do ano para todo o organismo (1).</font></p>     <p><font size="3"><b>QUANDO O CORPO DEIXA DE PERCEBER O DIA E A NOITE</b> Existem algumas situa&ccedil;&otilde;es em que o ajuste entre os ritmos internos e a informa&ccedil;&atilde;o luminosa ambiental parece falhar &#150; s&atilde;o aqueles dias em que nos sentimos doentes. Em uma gripe, por exemplo, sentimos dor generalizada no corpo, n&atilde;o temos muita energia para realizar tarefas, sentimos sonol&ecirc;ncia durante o dia mas temos dificuldade de conciliar o sono &agrave; noite. Esse conjunto de sensa&ccedil;&otilde;es &eacute; denominado "comportamento doentio". Nesta condi&ccedil;&atilde;o o organismo perde a capacidade de ser regulado pela altern&acirc;ncia dia/noite, e a principal informa&ccedil;&atilde;o que regula as fun&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas passa a ser proveniente de seu sistema imunol&oacute;gico ativado. </font></p>     <p><font size="3">A compreens&atilde;o de como a percep&ccedil;&atilde;o do meio interno pode afetar a percep&ccedil;&atilde;o do mundo externo tem sido buscada por nosso grupo nos &uacute;ltimos 20 anos e, recentemente, foi poss&iacute;vel determinar os mecanismos moleculares, celulares e organ&iacute;smicos que mostram que a gl&acirc;ndula pineal pode ser controlada pelo estado de higidez org&acirc;nica (quando se est&aacute; saud&aacute;vel, mas com diferentes propens&otilde;es para entrar em estado patol&oacute;gico). </font></p>     <p><font size="3"><b>ENVOLVIMENTO DA GL&Acirc;NDULA PINEAL NA DEFESA DO ORGANISMO</b> Ind&iacute;cios de que a gl&acirc;ndula pineal estaria relacionada de alguma forma com o sistema imune foram notados j&aacute; na d&eacute;cada de 1970, durante os primeiros experimentos em busca da fun&ccedil;&atilde;o da pineal. Animais que haviam passado por procedimento cir&uacute;rgico para retirada da gl&acirc;ndula pineal foram acompanhados por todo seu desenvolvimento e, dentre as altera&ccedil;&otilde;es observadas, apresentaram acelera&ccedil;&atilde;o na involu&ccedil;&atilde;o do timo, &oacute;rg&atilde;o do sistema imune relacionado com a matura&ccedil;&atilde;o de linf&oacute;citos. A partir da d&eacute;cada de 1990, muitos estudos demonstraram que a melatonina podia atuar como um anti&#45;inflamat&oacute;rio, mas havia grandes d&uacute;vidas se esta era uma fun&ccedil;&atilde;o do horm&ocirc;nio da pineal ou uma propriedade da mol&eacute;cula (melatonina) quando administrada ao organismo em grandes concentra&ccedil;&otilde;es. De fato, a quantidade de melatonina descrita para ter um efeito anti&#45;inflamat&oacute;rio era cerca de 10 mil vezes maior que a m&aacute;xima obtida no sangue. Mesmo n&atilde;o sendo uma a&ccedil;&atilde;o hormonal da melatonina, sua propriedade anti&#45;inflamat&oacute;ria continua sendo estudada at&eacute; hoje com o intuito de buscar novos f&aacute;rmacos para aplica&ccedil;&atilde;o em doen&ccedil;as inflamat&oacute;rias (2).</font></p>     <p><font size="3">Outro achado interessante foi feito pelo grupo do psic&oacute;logo Rand Nelson, da Universidade de Ohio (3), que verificou que a imunidade era diferente no inverno e ver&atilde;o, mostrando que no inverno muito mais energia &eacute; dirigida para os mecanismos de defesa do que no ver&atilde;o. No entanto, a conex&atilde;o entre esses efeitos e o aumento de melatonina nas noites longas de inverno n&atilde;o eram t&atilde;o evidentes como o que descrevemos acima para a reprodu&ccedil;&atilde;o. Os pesquisadores n&atilde;o obtinham resultados que fossem de f&aacute;cil reprodu&ccedil;&atilde;o e que permitiriam comprovar que o horm&ocirc;nio do escuro, produzido pela gl&acirc;ndula pineal, teria um papel relevante no controle das respostas de defesa.</font></p>     <p><font size="3">Uma das mudan&ccedil;as conceituais importantes foi considerar que a melatonina poderia ter duas a&ccedil;&otilde;es, uma <b>cronobi&oacute;tica</b> (horm&ocirc;nio do escuro) e outra independente de ritmos e que poderia ser obtida quando essa mol&eacute;cula era administrada como um f&aacute;rmaco (4). Dentre as a&ccedil;&otilde;es cronobi&oacute;ticas, podemos citar n&atilde;o s&oacute; o ajuste do ritmo de sono e vig&iacute;lia, mas tamb&eacute;m o ajuste de diversos outros ritmos como o de temperatura, de reprodu&ccedil;&atilde;o, e o de libera&ccedil;&atilde;o de alguns horm&ocirc;nios e citocinas (mediadores do sistema imunol&oacute;gico). Com rela&ccedil;&atilde;o aos efeitos n&atilde;o&#45;cronobi&oacute;ticos da melatonina, merece destaque sua participa&ccedil;&atilde;o como moduladora de diversos aspectos do sistema imunol&oacute;gico, tais como na prolifera&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas imunol&oacute;gicas e na indu&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de citocinas, e seu papel como antioxidante, um dos aspectos mais focados atualmente nos estudos da melatonina. A mol&eacute;cula &eacute; capaz de reagir diretamente com radicais livres, neutralizando&#45;os, al&eacute;m de induzir a express&atilde;o de enzimas envolvidas nos processos antioxidantes.</font></p>     <p><font size="3">Como os efeitos n&atilde;o&#45;cronobi&oacute;ticos da melatonina eram observados com concentra&ccedil;&otilde;es bem acima daquela liberada na corrente sangu&iacute;nea durante a noite, restava saber se tais concentra&ccedil;&otilde;es poderiam ser encontradas no organismo em alguma situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o envolvesse administra&ccedil;&atilde;o de melatonina ex&oacute;gena. A constata&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; produ&ccedil;&atilde;o de melatonina em outros &oacute;rg&atilde;os que n&atilde;o a pineal, em determinadas condi&ccedil;&otilde;es, lan&ccedil;ou nova luz ao entendimento dos diferentes aspectos dessa mol&eacute;cula t&atilde;o vers&aacute;til. Entretanto, a compreens&atilde;o do papel da melatonina no &acirc;mbito organizacional, considerando seus diferentes pap&eacute;is, locais e condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, ainda est&aacute; em sua fase inicial. </font></p>     <p><font size="3">Os primeiros estudos de nosso grupo estavam focados no efeito da melatonina como agente anti&#45;inflamat&oacute;rio (4&#45;7). A resposta inflamat&oacute;ria &eacute; caracterizada, de forma geral, pelos seguintes sinais: dor, calor, rubor e tumor. A dor &eacute; decorrente da pr&oacute;pria les&atilde;o ou agress&atilde;o sofrida e tamb&eacute;m por algumas subst&acirc;ncias liberadas no local; o calor &eacute; devido ao aumento na irriga&ccedil;&atilde;o sangu&iacute;nea no local, o que tamb&eacute;m resulta no rubor; j&aacute; o tumor &eacute; decorrente de aumento na permeabilidade vascular, de modo que c&eacute;lulas do sistema imune e l&iacute;quido migram para o tecido lesionado. Ao induzir uma les&atilde;o na pata de camundongos, foi observado que o incha&ccedil;o da pata apresentava uma ritmicidade, estando mais inchada durante o claro e menos inchada durante o escuro. A retirada da gl&acirc;ndula pineal fez com que esse ritmo desaparecesse, indicando que a melatonina estaria impondo esse ritmo na les&atilde;o. Posteriormente, foram demonstradas as bases moleculares desse efeito da melatonina. Analisando a&ccedil;&atilde;o hormonal da melatonina sobre c&eacute;lulas endoteliais, as c&eacute;lulas que revestem os vasos sangu&iacute;neos, observou&#45;se que a melatonina inibe a permeabilidade dessa camada celular, impedindo que as c&eacute;lulas do sistema imunol&oacute;gico migrem da corrente sangu&iacute;nea ao tecido lesionado. Assim, na presen&ccedil;a do horm&ocirc;nio, ou seja, na fase de escuro ambiental, essa permeabilidade est&aacute; inibida, o que est&aacute; de acordo com a observa&ccedil;&atilde;o de que o incha&ccedil;o na pata dos camundongos &eacute; menor durante a noite.</font></p>     <p><font size="3">Tornou&#45;se intrigante, por&eacute;m, o fato de que animais de h&aacute;bito noturno poderiam ter sua resposta imunol&oacute;gica prejudicada pela melatonina justamente no per&iacute;odo em que est&atilde;o ativos e expostos a infec&ccedil;&otilde;es. Isso nos levou, ent&atilde;o, a investigar como a gl&acirc;ndula pineal responde a mediadores inflamat&oacute;rios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>MELATONINA E A DEFESA DO ORGANISMO</b> A exposi&ccedil;&atilde;o da gl&acirc;ndula pineal a padr&otilde;es moleculares associados a pat&oacute;genos (Pamps, sigla do ingl&ecirc;s), tais como o lipopolissacar&iacute;deo (LPS) presente na membrana de bact&eacute;rias, resulta em bloqueio da express&atilde;o da enzima chave para a s&iacute;ntese de melatonina. O mecanismo de a&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel por esse bloqueio envolve a ativa&ccedil;&atilde;o de receptores de membrana para Pamps e a ativa&ccedil;&atilde;o de um fator de transcri&ccedil;&atilde;o, conhecido como NF&#45;kB, que regula a express&atilde;o de um pacote de genes respons&aacute;veis pela montagem da primeira resposta de defesa do organismo. </font></p>     <p><font size="3">O bloqueio da produ&ccedil;&atilde;o noturna de melatonina tem duas importantes consequ&ecirc;ncias. A primeira &eacute; permitir uma eficiente migra&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas de defesa do sangue para o local injuriado &#151; e a segunda &eacute; deixar de informar ao organismo o ciclo de ilumina&ccedil;&atilde;o ambiental e permitir que este se concentre de forma integral no processo de elimina&ccedil;&atilde;o do pat&oacute;geno (6).</font></p>     <p><font size="3">Como sabemos, a biologia &eacute; muito complexa e os mecanismos moleculares s&atilde;o processos altamente modulados pelo ambiente em que s&atilde;o desencadeados. Este conceito gen&eacute;rico &eacute; verdadeiro no que tange o controle da produ&ccedil;&atilde;o de melatonina. Muito j&aacute; &eacute; conhecido sobre o efeito de Pamps sobre c&eacute;lulas do sistema imunol&oacute;gico, em especial sobre macr&oacute;fagos &#151; c&eacute;lulas respons&aacute;veis por "capturar" e matar micr&oacute;bios e agentes patog&ecirc;nicos em geral. Estas c&eacute;lulas normalmente n&atilde;o produzem melatonina. Entretanto, foi verificado que a ativa&ccedil;&atilde;o dessas c&eacute;lulas por Pamps leva &agrave; express&atilde;o da enzima chave na s&iacute;ntese de melatonina, resultando em produ&ccedil;&atilde;o local de melatonina pelos macr&oacute;fagos. Por ser uma produ&ccedil;&atilde;o restrita em um local compartimentalizado (no tecido que est&aacute; sofrendo a les&atilde;o), as concentra&ccedil;&otilde;es de melatonina produzida por essas c&eacute;lulas chega a ser centenas de vezes maior do que a encontrada na corrente sangu&iacute;nea no pico noturno. Conforme comentado anteriormente, a melatonina em altas concentra&ccedil;&otilde;es exerce fun&ccedil;&otilde;es n&atilde;o&#45;cronobi&oacute;ticas e que s&atilde;o muito relevantes na resolu&ccedil;&atilde;o do quadro inflamat&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="3"><b>RESTAURA&Ccedil;&Atilde;O DA PRODU&Ccedil;&Atilde;O DE MELATONINA PELA PINEAL</b> Atrav&eacute;s de experimentos com as c&eacute;lulas do sistema imunol&oacute;gico que fazem fagocitose e produzem melatonina (macr&oacute;fagos), constatou&#45;se que h&aacute; produ&ccedil;&atilde;o apenas na presen&ccedil;a de um agente patog&ecirc;nico (ex: bact&eacute;ria, fungos). Ap&oacute;s a morte do agressor, a produ&ccedil;&atilde;o de melatonina cessa. </font></p>     <p><font size="3">A quest&atilde;o final para fechar o ciclo desencadeado pelo agente agressor &eacute; a restaura&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o hormonal da gl&acirc;ndula pineal. Interessantemente, isso &eacute; realizado com o aux&iacute;lio do pr&oacute;prio sistema imunol&oacute;gico. Entre as subst&acirc;ncias produzidas na fase de recupera&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o os horm&ocirc;nios anti&#45;inflamat&oacute;rios da gl&acirc;ndula adrenal &#151; os glicocortic&oacute;ides. Nosso laborat&oacute;rio mostrou que na gl&acirc;ndula pineal esses horm&ocirc;nios inibem o fator de transcri&ccedil;&atilde;o NF&#45;kB, permitindo que novamente o escuro possa induzir a express&atilde;o da enzima chave na s&iacute;ntese de melatonina. Esse ciclo da influ&ecirc;ncia de pat&oacute;genos sobre a produ&ccedil;&atilde;o pineal e extra&#45;pineal de melatonina foi denominado de <b>eixo imune&#45;pineal</b>.</font></p>     <p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> A proposta da exist&ecirc;ncia de um eixo imune&#45;pineal cria um novo paradigma para o entendimento da biologia do tempo e tamb&eacute;m esclarece v&aacute;rias controv&eacute;rsias sobre as fun&ccedil;&otilde;es da melatonina. </font></p>     <p><font size="3">De acordo com os estudos acima descritos, a melatonina end&oacute;gena al&eacute;m de ter uma fun&ccedil;&atilde;o cronobi&oacute;tica tamb&eacute;m atua de forma independente da altern&acirc;ncia claro/escuro. O novo paradigma criado pela proposta do eixo imune&#45;pineal implica que organismos atacados agudamente perdem a no&ccedil;&atilde;o do dia e da noite. Do ponto de vista cl&iacute;nico, &eacute; bem conhecido o chamado "comportamento doentio", que envolve uma incapacidade de coordenar hor&aacute;rios para vig&iacute;lia e para repouso. &Agrave; noite, &eacute; dif&iacute;cil conciliar o sono e, durante o dia, h&aacute; uma vontade cont&iacute;nua de dormitar. A falta da produ&ccedil;&atilde;o de melatonina induzida pela ativa&ccedil;&atilde;o do eixo imune&#45;pineal poderia ser uma das causas desse "comportamento doentio".</font></p>     <p><font size="3">A ativa&ccedil;&atilde;o do eixo imune&#45;pineal &eacute; um processo que permite uma melhor defesa do organismo e deve passar a ser considerada como parte integrante da resposta imune&#45;inata de mam&iacute;feros. Essa ativa&ccedil;&atilde;o compreende um ciclo completo que se inicia com a perda da sinaliza&ccedil;&atilde;o do escuro, a resolu&ccedil;&atilde;o do fator que gerou essa resposta e a volta &agrave; produ&ccedil;&atilde;o noturna de melatonina. A quest&atilde;o que se imp&otilde;e &eacute; o que ocorre quando esse ciclo n&atilde;o &eacute; completo. Apesar de ainda n&atilde;o serem conhecidas altera&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas resultantes da falta de produ&ccedil;&atilde;o de melatonina noturna, certamente esses sujeitos n&atilde;o estar&atilde;o vivendo em situa&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica apropriada. Uma das formas que temos para entender o resultado dessa falta hormonal &eacute; buscar doen&ccedil;as em que essa perda ocorra de forma sistem&aacute;tica. Um exemplo s&atilde;o os pacientes com doen&ccedil;a de Alzheimer (8), que n&atilde;o apresentam ritmo di&aacute;rio de melatonina e que, quando tratados com este horm&ocirc;nio, apresentam um retardo na progress&atilde;o da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="3">Em suma, a gl&acirc;ndula &eacute; capaz de responder n&atilde;o apenas ao ciclo claro/escuro ambiental, mas tamb&eacute;m &eacute; um sensor de agentes patog&ecirc;nicos. O paradigma do eixo imune&#45;pineal inicia uma nova fase no entendimento da rela&ccedil;&atilde;o entre o tempo biol&oacute;gico e a defesa de nosso organismo. A incapacidade do organismo em sincronizar suas atividades ao meio ambiente deve gerar condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis ao estabelecimento de patologias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><i><b>Regina P. Markus</b> &eacute; biom&eacute;dica, doutora e livre docente em farmacologia, professora titular do Departamento de Fisiologia do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da Universidade de S&atilde;o Paulo (IB&#45;USP); Email:</i> <A HREF="mailto:rpmarkus@usp.br">rpmarkus@usp.br</A>.    <br>   <i><b>Erika Cecon</b> &eacute; bi&oacute;loga, mestre em fisiologia pelo Departamento de Fisiologia do IB&#45;USP; Email: </i><A HREF="mailto:erika.cecon@usp.br">erika.cecon@usp.br</A>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Reiter, R.J.  &#150; "The melatonin rhythm: both a clock and a calendar". <I>Experientia </I> Vol.49, no.8, pp.654&#45;664, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Mauriz, J.L.; Collado, P.S.; Veneroso, C.; Reiter, R.J.; Gonz&aacute;lez&#45;Gallego, J. &#150; "A review of the molecular aspects of melatonin's anti&#45;inflammatory actions: recent insights and new perspectives". <I>J Pineal Res</I>. 2012 may 31. &#91;Epub ahead of print&#93;    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Walton, J.C.; Weil Z.M.; Nelson RJ. "Influence of photoperiod on hormones, behavior, and immune function". <I>Front Neuroendocrinol</I>. Vol.32, pp.303&#45;319, 2011.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">4. Cecon E. and Markus R.P. "Relevance of the chronobiological and non&#45;chronobiological actions of melatonin for enhancing therapeutic efficacy in neurodegenerative disorders". <I>Endocrine, Metabolic &amp; Immune Drug Discovery </I>Vol.5, no.2, pp. 91&#45;99, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Markus R.P.; Ferreira Z.S.; Fernandes P.A.; Cecon E. &#150; "The immune&#45;pineal axis: a shuttle between endocrine and paracrine melatonin sources". <I>Neuroimmunomodulation</I>. Vol.14, pp.126&#45;133, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Markus R.P. and Ferreira Z.S. &#150; "The immune&#45;pineal axis: the role of pineal and extra&#45;pineal melatonin in modulating inflammation". <I>Advances in Neuroimmuno Biology,</I> Vol.1, pp. 95&#45;104, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Fernandes P.A.C.M. and Markus, R.P. &#150; "Melatonin and inflammation &#150; the role of the immune&#45;pineal axis and the sympathetic tonus". In: <I>Melatonin in promotion of health</I>. Edited by Watson RR &#150; Published by Taylor and Francis, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Markus, R.P.; Silva, C.L.M.; Franco, D.G., Barbosa, E.M. &amp; Ferreira, Z.S. "Is melatonin modulation of nicotinic acetylcholine receptors a relevant fact for the therapy with cholinergic drugs?". <I>Pharmacology &amp; Therapeutics</I>, Vol.126, pp.251&#45;262, 2010.    </font></p>     ]]></body>
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