<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252013000200014</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252013000200014</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O vaso grego hoje]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Francisco]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gilberto da Silva]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<volume>65</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>37</fpage>
<lpage>39</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252013000200014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252013000200014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252013000200014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O vaso grego hoje</b></font></p>     <p><font size="3">Gilberto da Silva Francisco</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <b><font size=5>O</font></b>s   estudos sobre a cer&acirc;mica grega, concentrados nos   vasos figurados produzidos em Atenas entre os s&eacute;culos VI e IV a.C., t&ecirc;m   bastante influ&ecirc;ncia em campos variados. Esses objetos s&atilde;o frequentemente   apresentados em publica&ccedil;&otilde;es de hist&oacute;ria, hist&oacute;ria da arte e arqueologia, e   acabaram por compor algo do imagin&aacute;rio sobre a Gr&eacute;cia   arcaica e cl&aacute;ssica, a qual geralmente &eacute; situada como ponto original de   elementos importantes que teriam sido mantidos e (ou) desenvolvidos no   Ocidente. Dessa forma, desde o s&eacute;culo XVIII, eles foram tratados como objetos de arte e fontes bastante aptas para a   compreens&atilde;o de estruturas do passado chamado de cl&aacute;ssico. Entretanto, eles s&atilde;o   mais que isso; e, compreender a situa&ccedil;&atilde;o do vaso grego atualmente leva&#8209;nos a entender n&atilde;o apenas um passado distante, mas tamb&eacute;m como mobilizamos determinadas informa&ccedil;&otilde;es orientadas por   sele&ccedil;&otilde;es e como atribu&iacute;mos significados e valores a esses objetos. Ou seja, o   vaso grego explica algo sobre n&oacute;s mesmos. </font></p>     <p><font size="3"><b>VASO GREGO?</b> Ao falar da situa&ccedil;&atilde;o atual dos vasos gregos em cole&ccedil;&otilde;es e   museus, deve&#8209;se   considerar os v&aacute;rios processos de dispers&atilde;o que esses objetos sofreram ao longo do tempo e   a sua pr&oacute;pria caracteriza&ccedil;&atilde;o. O vaso grego n&atilde;o existe! De fato, havia a   produ&ccedil;&atilde;o de vasos de cer&acirc;mica por artes&atilde;os de cidades variadas que respondiam a   determinados elementos de articula&ccedil;&atilde;o aos quais chamamos de   "Gr&eacute;cia", "mundo grego" ou "pan&#8209;helenismo". Se   a Gr&eacute;cia, na Antiguidade, nunca existiu como na&ccedil;&atilde;o, o vaso grego, surge   como discurso no contexto em que a pr&oacute;pria ideia de uma Gr&eacute;cia&#8209;na&ccedil;&atilde;o se desenvolveu &#150; nos   s&eacute;culos XVIII e XIX. Ou seja, o vaso grego &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o moderna. </font></p>     <p><font size="3">Na Antiguidade, pode&#8209;se pensar na produ&ccedil;&atilde;o de vasos em centros variados, dos   quais o mais forte parece ter sido Atenas (ou a &Aacute;tica), entre os s&eacute;culos VI e   IV a.C. Esses vasos foram encontrados em v&aacute;rios   pontos do Mediterr&acirc;neo e imedia&ccedil;&otilde;es (da regi&atilde;o da Babil&ocirc;nia a Portugal, da   regi&atilde;o do Mar Negro at&eacute; Luxor, no Egito), e muito da sua inser&ccedil;&atilde;o atual em   cole&ccedil;&otilde;es de museus p&uacute;blicos responde a esse cen&aacute;rio bastante amplo de locais de   achado. Entretanto, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais complicada.   Esses objetos foram consistentemente inseridos no mercado de antiguidades e sua   proje&ccedil;&atilde;o tornou&#8209;se bem mais ampla. </font></p>     <p><font size="3"><b>O VASO GREGO EM MUSEUS E COLE&Ccedil;&Otilde;ES </b> Esses objetos comp&otilde;em cole&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses de todos os continentes. Atualmente, a legisla&ccedil;&atilde;o grega de prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s   antiguidades (sobretudo, as leis 5.351, de 1932, e 3.028, de 2002)   impede a sa&iacute;da de qualquer objeto arqueol&oacute;gico do solo grego. Entretanto, a   a&ccedil;&atilde;o de alguns pot&ecirc;ncias europeias e dos EUA, que ocupam v&aacute;rios s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos gregos desde o final do s&eacute;culo   XIX e o constante achado desses objetos em v&aacute;rios pa&iacute;ses do Mediterr&acirc;neo,   coerente com as pr&aacute;ticas comerciais antigas que permitiram uma dispers&atilde;o grande   desses vasos, proporcionaram a articula&ccedil;&atilde;o de uma   ampla circula&ccedil;&atilde;o moderna desses objetos e sua aquisi&ccedil;&atilde;o por   institui&ccedil;&otilde;es e particulares no mundo todo. Claramente, sua concentra&ccedil;&atilde;o   quantitativa &eacute; situada em museus europeus e nos EUA, mas eles tamb&eacute;m comp&otilde;em   cole&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses afastados desse eixo Europa&#8209;EUA, como o Jap&atilde;o, a Austr&aacute;lia e mesmo pa&iacute;ses da Am&eacute;rica   Latina: h&aacute;, por exemplo, vasos gregos, e outros objetos relacionados &agrave;   Antiguidade cl&aacute;ssica, em Cuba, Uruguai, Argentina e no Brasil. </font></p>     <p><font size="3">A situa&ccedil;&atilde;o da cole&ccedil;&atilde;o de antiguidades no Museu   Nacional de Belas Artes de Havana, Cuba, indica um   pouco da situa&ccedil;&atilde;o de aquisi&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o desses vasos em espa&ccedil;os t&atilde;o distantes   da sua regi&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o antiga e da produ&ccedil;&atilde;o do discurso sobre sua   contribui&ccedil;&atilde;o para a narrativa do Ocidente. Essa cole&ccedil;&atilde;o, atualmente sob a responsabilidade do Museu   Nacional de Belas Artes de Havana, foi organizada por um nobre cubano, o Conde   de Lagunillas, que teve sua cole&ccedil;&atilde;o requisitada no contexto da revolu&ccedil;&atilde;o   cubana, passando, a partir de ent&atilde;o, para a cust&oacute;dia do governo revolucion&aacute;rio. Dessa forma, n&atilde;o se tratava de uma pol&iacute;tica   p&uacute;blica de aquisi&ccedil;&atilde;o de antiguidades, como acontecia em alguns   pa&iacute;ses europeus e nos EUA, mas da aquisi&ccedil;&atilde;o estatal a partir de uma iniciativa   privada. Entretanto, a cole&ccedil;&atilde;o foi protegida. Ao ser acusado de ter vendido parte dos vasos que a compunham, Fidel   Castro teria dito, conforme publica&ccedil;&atilde;o do jornal <i>Vanguardia</i> de 31 de maio de   2006, em um discurso: "apenas os acostumados a vender a sua alma acreditam que   uma revolu&ccedil;&atilde;o, cujo maior princ&iacute;pio &eacute; a justi&ccedil;a, pode   vender a alma da cultura da p&aacute;tria". </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No Brasil, com a vinda da fam&iacute;lia real   portuguesa na primeira metade do s&eacute;culo XIX, v&aacute;rios elementos relacionados &agrave;   antiguidade cl&aacute;ssica come&ccedil;avam a se instalar. &Eacute; importante lembrar,   nesse sentido, da Miss&atilde;o Francesa que foi composta   por alguns arquitetos, como Grandjean de Montigny, respons&aacute;veis por projetos de   edif&iacute;cios com clara influ&ecirc;ncia da arquitetura cl&aacute;ssica. &Eacute; nesse contexto que a   cole&ccedil;&atilde;o de antiguidades da fam&iacute;lia real chega ao Brasil, composta por v&aacute;rios objetos relacionados &agrave; Gr&eacute;cia continental e colonial,   Egito, Etr&uacute;ria, entre outros locais, que comp&otilde;em atualmente o acervo do Museu   Nacional do Rio de Janeiro. Entretanto, essa cole&ccedil;&atilde;o que inseria o Brasil na   l&oacute;gica do colecionismo de antiguidades n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica.   H&aacute; outras, mais variadas, tamb&eacute;m compostas por vasos gregos, como algumas   cole&ccedil;&otilde;es particulares e outras p&uacute;blicas, como a do Museu de Arqueologia e   Etnologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (MAE/USP) e do Museu de Arte de S&atilde;o   Paulo (Masp). </font></p>     <p><font size="3">Essas cole&ccedil;&otilde;es v&ecirc;m sendo exploradas do ponto de   vista cient&iacute;fico. Basta lembrar da publica&ccedil;&atilde;o do cat&aacute;logo cr&iacute;tico da exposi&ccedil;&atilde;o   "Cer&acirc;micas antigas da Quinta da Boa Vista", no Museu de   Belas Artes (1); e do projeto "<i>Corpus Vasorum     Antiquorum</i>", que visa a publica&ccedil;&atilde;o de vasos gregos de algumas cole&ccedil;&otilde;es   particulares, do Masp e do MAE/USP, totalizando cerca de 200 objetos, projeto   dirigido pela arque&oacute;loga Haiganuch Sarian (MAE/USP), que publicou uma s&eacute;rie de   estudos sobre objetos do acervo do MAE, principalmente   a cer&acirc;mica grega e de tradi&ccedil;&atilde;o grega, agrupados na sua tese de livre doc&ecirc;ncia   (2). </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, &eacute; importante lembrar que a   situa&ccedil;&atilde;o desses objetos compondo a cole&ccedil;&atilde;o de museus expressivos no quadro   art&iacute;stico&#8209;cultural brasileiro, proporcionou a   sua caracteriza&ccedil;&atilde;o como patrim&ocirc;nio   nacional a partir de processos de tombamento. Por exemplo, a cole&ccedil;&atilde;o do Masp &eacute;   tombada pelo Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (Iphan) e a   cole&ccedil;&atilde;o do MAE foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico, Arqueol&oacute;gico, Art&iacute;stico e Tur&iacute;stico (Condephaat). N&atilde;o   se trata, evidentemente, do vaso grego isoladamente caracterizado como   patrim&ocirc;nio nacional brasileiro, mas &eacute; a sua inser&ccedil;&atilde;o nessas cole&ccedil;&otilde;es que o   situa em um grupo que, por sua delimita&ccedil;&atilde;o a partir   de elementos de interesse art&iacute;stico e cultural variados, foi considerado digno   de tombamento. Tem&#8209;se, assim, o vaso grego   situado em um processo de dispers&atilde;o que o encaminhou para o   Brasil, onde lhe foi atribu&iacute;do certos valores, inclusive o patrimonial. </font></p>     <p><font size="3"><b>O VASO GREGO E AS RELA&Ccedil;&Otilde;ES INTERNACIONAIS</b> A circula&ccedil;&atilde;o   acima indicada deve ser tamb&eacute;m pensada no contexto da atual prote&ccedil;&atilde;o das   antiguidades. Como visto, na Gr&eacute;cia, h&aacute; uma legisla&ccedil;&atilde;o bastante restritiva. J&aacute;   na It&aacute;lia, o pa&iacute;s com o maior n&uacute;mero de vasos gregos   encontrados fora da Gr&eacute;cia, a legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; mais flex&iacute;vel, mas mesmo assim h&aacute;   uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es legais contra pa&iacute;ses que, segundo algumas acusa&ccedil;&otilde;es   recentes, adquiriram antiguidades ilegalmente. Por exemplo, h&aacute; uma s&eacute;rie de   representa&ccedil;&otilde;es em tribunais internacionais   tratando do pedido de devolu&ccedil;&atilde;o de objetos arqueol&oacute;gicos que foram deslocados   durante o s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX para alguns pa&iacute;ses europeus como a   Fran&ccedil;a, Inglaterra, Alemanha e tamb&eacute;m os Estados Unidos. A campanha mais   sistematicamente apresentada &eacute; a da devolu&ccedil;&atilde;o dos   m&aacute;rmores do Partenon, que se tornou uma causa importante nacionalmente   articulada na Gr&eacute;cia atualmente. </font></p>     <p><font size="3">Entretanto, mesmo fora da monumentalidade arquitetural,   esse tipo de interesse &eacute; manifestado. Por exemplo, em 18 de janeiro de 2008, o jornal <i>O Estado de     S.Paulo</i> dava a seguinte not&iacute;cia: "MET devolve vaso roubado de   2.500 anos ao governo da It&aacute;lia". Tratava&#8209;se,   efetivamente, do desfecho de um processo internacional iniciado pelo ministro   da cultura italiano em 2005, visando reaver objetos   retirados da It&aacute;lia ilegalmente e recebidos pelo curador do Metropolitan Museum   (MET) de Nova Iorque. A not&iacute;cia continua: </font></p>     <p><font size="3">A cratera de Eufr&ocirc;nio &#150; um grande vaso pintado com cenas de   poemas hom&eacute;ricos &#150; &eacute; tido como um dos mais belos exemplos   do tipo. O vaso era usado para a dilui&ccedil;&atilde;o de vinho com &aacute;gua. "&Eacute; considerado,   universalmente, o melhor trabalho do artista", disse o ministro italiano da   Cultura, Francesco Rutelli. </font></p>     <p><font size="3">No centro da discuss&atilde;o est&atilde;o importantes institui&ccedil;&otilde;es como   o Minist&eacute;rio da Cultura italiano contra o   Metropolitan Museum em Nova Iorque, em uma campanha da It&aacute;lia contra o tr&aacute;fico   ilegal de antiguidades. Entretanto, mais que isso, &eacute; poss&iacute;vel notar, pela   caracteriza&ccedil;&atilde;o que o ministro italiano apresenta, que h&aacute; uma clara re&#8209;significa&ccedil;&atilde;o do objeto:   o artes&atilde;o virou um artista e o vaso sua obra de arte aproximada de uma   importante refer&ecirc;ncia cultural para o Ocidente &#150; a poesia hom&eacute;rica. Assim, no   seio do debate legalista que promoveu a devolu&ccedil;&atilde;o desse objeto, aparece uma argumenta&ccedil;&atilde;o focada nesses aspectos culturais que responde &agrave;   formula&ccedil;&atilde;o moderna do objeto (o vaso&#8209;objeto de   arte). </font></p>     <p><font size="3"><b>O VASO GREGO E O MERCADO DE ANTIGUIDADES</b> Em uma   narrativa sobre a contemporaneidade, no filme <i>O     meu melhor amigo</i> (<i>Mon       meilleur ami</i>, 2006), dirigido por Patrice   Leconte, o valor para se aferir o pre&ccedil;o de uma amizade em uma aposta &eacute; o de um   vaso grego avaliado em &euro;20.000. A amizade, o vaso grego e os vinte mil euros   revelam um tipo de valor alto atribu&iacute;do a esse objeto como mediador nas rela&ccedil;&otilde;es de um meio elitista, destoando, em certa medida,   do valor atribu&iacute;do a esse tipo de objeto na antiguidade, contexto   em que, pode&#8209;se dizer, n&atilde;o passaria de um   objeto banal &#150; n&atilde;o era t&atilde;o caro e se caracterizava como um tipo de artesanato   de interesse menor, considerando&#8209;se a cria&ccedil;&atilde;o escultural e arquitet&ocirc;nica. Entretanto, a re&#8209;significa&ccedil;&atilde;o atual o situa no plano de objeto/documento e   objeto de arte. </font></p>       <p><a name="img01" id="img01"></a></p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/a14img01.jpg"></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O valor do vaso no filme citado &eacute; bastante coerente, mas h&aacute;   valores bem maiores. Por exemplo, a casa de leil&otilde;es   Christie's anunciou o   maior rendimento at&eacute; ent&atilde;o em seus leil&otilde;es de antiguidades, a partir das vendas   dos dias 12 e 13 de junho de 2000: algo em torno de US$15 milh&otilde;es, dos quais,   apenas dois objetos foram respons&aacute;veis por quase US$3 milh&otilde;es. Trata&#8209;se de dois vasos   &aacute;ticos de figuras vermelhas: uma ta&ccedil;a assinada por Douris (por US$1.776.000) e   a famosa cratera de Toronto (por US$1.051.000), valores pr&oacute;ximos do   estimado, que era a partir de US$1 milh&atilde;o. Essa se&ccedil;&atilde;o (9448 &#150; 12 de junho de   2000) arrecadou US$ 7.053.906, a partir da venda de   151 pe&ccedil;as, sendo duas delas os vasos acima citados: lotes 81 e 111. E, no topo   da lista de vasos gregos adquiridos em leil&otilde;es, localiza&#8209;se uma h&iacute;dria de Caere, vendida por US$ 3.302.250.</font></p>     <p><font size="3">Vale notar que esses valores, se comparados aos das obras de arte contempor&acirc;nea, s&atilde;o   bastante modestos. Por exemplo, o leil&atilde;o intitulado "Impressionist and Modern   Art", em 3 de novembro de 2004, na Christie's, registrou, para grande parte das   obras, valores acima de um milh&atilde;o de d&oacute;lares, sendo a   venda mais expressiva desse dia fixada em US$ 20.167.000 &#150; trata&#8209;se do lote 24, a tela <i>Londres, le parlement, effet de soleil dans le brouillard</i>, de Claude Monet. Essa se&ccedil;&atilde;o (1429) arrecadou US$   28.222.150, a partir da venda de 58 obras. Valores   dessa grandeza, no que tange aos objetos no com&eacute;rcio de antiguidades, s&atilde;o   epis&oacute;dicos; como a venda de uma escultura helen&iacute;stica de &Aacute;rtemis e um cervo,   estimada entre cinco e sete milh&otilde;es de d&oacute;lares, mas vendida por US$ 28.600.000,   superando todas as expectativas da Sotheby's (leil&atilde;o em 7 de   junho de 2007, lote 41). </font></p>     <p><font size="3">O mercado parece distinguir o que &eacute; objeto de   arte e o que &eacute; antiguidade, atribuindo a esta um valor menor. Entretanto, esse   valor revela um interesse consistente que orienta a pr&oacute;pria   inser&ccedil;&atilde;o sociocultural desses vasos atualmente. N&atilde;o   s&atilde;o as mesas, despensas e tumbas mais variadas que eles preenchem, mas as   cole&ccedil;&otilde;es particulares e de museus que s&atilde;o potencialmente espa&ccedil;os de di&aacute;logo com   o p&uacute;blico e tamb&eacute;m institui&ccedil;&otilde;es de guarda de bens valiosos.   Inserido nessa l&oacute;gica, o vaso grego &eacute; tamb&eacute;m um bem de express&atilde;o financeira   bastante relevante. </font></p>     <p><font size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b> O potencial cient&iacute;fico do vaso grego como fonte de   informa&ccedil;&atilde;o de aspectos variados da experi&ecirc;ncia antiga n&atilde;o &eacute; algo que est&aacute; em   jogo. Nem mesmo a sua re&#8209;significa&ccedil;&atilde;o que permitiu certa transi&ccedil;&atilde;o do campo do   artesanato para o objeto de arte, que parece ser leg&iacute;tima, j&aacute; que esses objetos   s&atilde;o ativos na modernidade. &Eacute; justamente sua   inser&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica que permite imputar ao vaso grego significados novos n&atilde;o necessariamente incompat&iacute;veis com os significados   antigos. O que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel pensar &eacute; em uma linha que nos liga diretamente &agrave;   sua experi&ecirc;ncia passada e que o que somos e como os inserimos na nossa   experi&ecirc;ncia seja algo id&ecirc;ntico ao passado. O vaso   grego hoje &eacute; objeto de cole&ccedil;&atilde;o, objeto de arte, fonte de informa&ccedil;&atilde;o, alcan&ccedil;a   valores relativamente altos e &eacute;, inclusive, inserido no campo do patrim&ocirc;nio. &Eacute;   mais que o vaso dos gregos. Mas, para pensar nos gregos, a partir do vaso, &eacute;   necess&aacute;rio despi&#8209;lo do   que lhe foi atribu&iacute;do por n&oacute;s e, assim, exercitar a alteridade</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><font size="3"><b>Gilberto   da Silva Francisco </b>&eacute; doutor em arqueologia pelo Museu de Arqueologia e   Etnologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (MAE/USP)</font></i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">1. <i>Cer&acirc;micas   antigas da Quinta da Boa Vista</i>. Rio de Janeiro: Museu de Belas Artes.   1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Sarian, H.   "Arqueologia da imagem. Express&otilde;es do mito e da religi&atilde;o na antiguidade   cl&aacute;ssica". Tese de livre doc&ecirc;ncia em arqueologia cl&aacute;ssica &#150; MAE/USP. 2005.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Chappell, D. &amp; Manacorda, S. (Eds.) <i>Crime   in the art and antiquities</i></font> <font size="3"><i>world: ilegal trafficking in cultural     property.</i> New York, Dordrecht, Heidelberb,     London: Springer. 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Francisco, G. da S. "<i>Panatenaicas.</i> Tradi&ccedil;&atilde;o, perman&ecirc;ncia e deriva&ccedil;&atilde;o". Tese de doutorado apresentada no MAE/USP.   2012.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">Merryman, J. H.; Elsen, A. E. &amp;   Urice, S. K. <i>Law, ethics and visual arts.</i> 5&ordf; ed.,   Alphen aan der Rijn: Kluwer Law International. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Nistri, G. "The experience of the   Italian cultural heritage protection unit". In:   Chappell, D. &amp; Manacorda, S. (Eds.) <i>Crime     in the art and antiquities world: ilegal trafficking in cultural property. </i>New York,   Dordrecht, Heidelberb, London: Springer, pp.183&#8209;92.   2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">N&ouml;rskov, V. <i>Greek   vases in new contexts. The   collecting and trading of Greek vases &#150; an aspect of   the modern reception of Antiquity</i>. Aarhus:   Aarhus University Press. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">N&uacute;&ntilde;ez Guti&eacute;rres, M.   L. (Org.). <i>La Habana. Salas del Museo Nacional de Cuba, Palacio de Bellas Artes.</i> La Habana: Editora Letras Cubanas. 1990.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Olmos Romera, R. <i>Catalogo de los   vasos griegos del Museo Nacional de Bellas Artes de La Habana.</i> Madrid: Ministerio de   Cultura, Direcci&oacute;n General de Bellas Artes y Archivos, Instituto de   Conservaci&oacute;n y Restauraci&oacute;n de Bienes   Culturales. 1993.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">Valavanis, P.   &amp; Delevorrias, A. <i>Great moments in greek archaeology.</i> Athens:   Kapon. 2007.    </font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[Cerâmicas antigas da Quinta da Boa Vista]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Museu de Belas Artes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sarian]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["Arqueologia da imagem: Expressões do mito e da religião na antiguidade clássica"]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chappell]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Manacorda]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Crime in the art and antiquities world: ilegal trafficking in cultural property]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[New YorkDordrechtHeidelberbLondon ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Springer]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Francisco]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. da S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["Panatenaicas: Tradição, permanência e derivação"]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Merryman]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Elsen]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Urice]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Law, ethics and visual arts]]></source>
<year>2007</year>
<edition>5</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Alphen aan der Rijn ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Kluwer Law International]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nistri]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["The experience of the Italian cultural heritage protection unit"]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Chappell]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Manacorda]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Crime in the art and antiquities world: ilegal trafficking in cultural property]]></source>
<year>2011</year>
<page-range>183&#8209;92</page-range><publisher-loc><![CDATA[New YorkDordrechtHeidelberbLondon ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Springer]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nörskov]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Greek vases in new contexts: The collecting and trading of Greek vases - an aspect of the modern reception of Antiquity]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Aarhus ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Aarhus University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Núñez Gutiérres]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La Habana: Salas del Museo Nacional de Cuba, Palacio de Bellas Artes]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[La Habana ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Letras Cubanas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Olmos Romera]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Catalogo de los vasos griegos del Museo Nacional de Bellas Artes de La Habana]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ministerio de CulturaDirección General de Bellas Artes y Archivos, Instituto de Conservación y Restauración de Bienes Culturales]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Valavanis]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Delevorrias]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Great moments in greek archaeology]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Athens ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Kapon]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
