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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/tendencias.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><font size=5><b>A fronteira da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica no Brasil: enanti&ocirc;meros</b></font></P>     <P ALIGN="CENTER"><font size="3"><i><b>Marco Aur&eacute;lio Cremasco</b></i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><font size=5><b>A</b></font> ind&uacute;stria qu&iacute;mica &eacute; um dos setores mais din&acirc;micos e vitais de qualquer economia industrializada. Isto &eacute; consequ&ecirc;ncia da gera&ccedil;&atilde;o de produtos finais amplamente demandados por consumidores, assim como uma vasta lista de intermedi&aacute;rios utilizados por outras ind&uacute;strias em seus processos produtivos. A capacidade de inovar mais rapidamente do que os demais setores, oferecendo sempre novos produtos e modificando processos, permitiu not&aacute;vel crescimento para este tipo de ind&uacute;stria. Atualmente, o Brasil &eacute; a sexta pot&ecirc;ncia mundial no setor qu&iacute;mico. Por outro lado, o pa&iacute;s vem apresentando um hist&oacute;rico preocupante em sua balan&ccedil;a comercial, verificando&#45;se o crescimento explosivo no d&eacute;ficit de US$ 1,5 bilh&atilde;o em 1991 para pouco mais de US$ 28 bilh&otilde;es em 2012. Urge o investimento na agrega&ccedil;&atilde;o de conhecimento, de tecnologia e de inova&ccedil;&atilde;o para aumentar a competitividade das empresas nacionais (1). Segundo dados apresentados por Vieira (2), o valor agregado das exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras concentraram&#45;se, majoritariamente, em produtos de baixa intensidade tecnol&oacute;gica.</font></P>     <p><font size="3">Verifica&#45;se que a produ&ccedil;&atilde;o de f&aacute;rmacos &eacute; um fator de desempenho econ&ocirc;mico a ser considerado. O car&aacute;ter das interven&ccedil;&otilde;es no funcionamento dos mercados farmac&ecirc;uticos, principalmente nos pa&iacute;ses desenvolvidos, objetiva reduzir os gastos com sa&uacute;de, inclusive com medicamentos, e assegurar o acesso geral da popula&ccedil;&atilde;o aos tratamentos de forma racional (3). Todavia, a contribui&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica ocorrer&aacute; caso se invista na inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica de seus produtos e/ou processos por meio de melhoria de processos que conduzam &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de f&aacute;rmacos de alto valor agregado, como &eacute; o caso dos f&aacute;rmacos enantiom&eacute;ricos ou quirais. </font></P>     <p><font size="3">Enanti&ocirc;meros s&atilde;o compostos que apresentam a mesma f&oacute;rmula molecular, mas que n&atilde;o se sobrep&otilde;em, sendo imagem especular do seu par complementar. A diferen&ccedil;a entre as mol&eacute;culas est&aacute; na maneira como os &aacute;tomos est&atilde;o dispostos no espa&ccedil;o e na ordena&ccedil;&atilde;o nas respectivas mol&eacute;culas, as quais apresentam as mesmas propriedades f&iacute;sicas e qu&iacute;micas tais como: ponto de fus&atilde;o, ponto de ebuli&ccedil;&atilde;o e solubilidade, entre outras propriedades. A mistura equimolecular de dois enanti&ocirc;meros &eacute; denominada forma rac&ecirc;mica (ou mistura rac&ecirc;mica). A mistura rac&ecirc;mica &eacute; oticamente inativa, enquanto os pares de enanti&ocirc;meros apresentam diferen&ccedil;as nas propriedades fisiol&oacute;gicas.</font></P>     <p><font size="3">Observa&#45;se que, em certos casos, um dos enanti&ocirc;meros &eacute; o is&ocirc;mero mais ativo. Todavia, o menos ativo, para determinada a&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica, pode acarretar efeitos colaterais, como &eacute; o caso da talidomida, comercializada como mistura rac&ecirc;mica entre o final da d&eacute;cada de 1950 e in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1960, como sedativo e analg&eacute;sico. Depois da trag&eacute;dia causada por esse f&aacute;rmaco, em raz&atilde;o do (&#45;)&#45;(S)&#45;enanti&ocirc;mero apresentar efeitos teratog&ecirc;nicos levando, por falta de conhecimento das diferen&ccedil;as toxicol&oacute;gicas entre os enanti&ocirc;meros, &agrave; m&aacute; forma&ccedil;&atilde;o de milhares de fetos humanos, novos estudos para f&aacute;rmacos quirais foram desenvolvidos (5). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>INDIVIDUALIZA&Ccedil;&Atilde;O DOS ELEMENTOS</b> A necessidade, portanto, de se obter enanti&ocirc;meros individualmente separados para testes cl&iacute;nicos tem se tornado de extrema prioridade na pesquisa farmac&ecirc;utica e no desenvolvimento de novos f&aacute;rmacos (6). Dentro desse contexto, existe uma s&eacute;rie de vantagens da comercializa&ccedil;&atilde;o de enanti&ocirc;meros puros sobre a comercializa&ccedil;&atilde;o da mistura rac&ecirc;mica, dentre elas: redu&ccedil;&atilde;o da dose e da carga no metabolismo; restri&ccedil;&otilde;es menos r&iacute;gidas na dosagem, amplia&ccedil;&atilde;o do uso do f&aacute;rmaco; melhor controle da cin&eacute;tica da dosagem; redu&ccedil;&atilde;o da variabilidade da resposta dos pacientes; maior confian&ccedil;a na padroniza&ccedil;&atilde;o da dosagem; redu&ccedil;&atilde;o nas intera&ccedil;&otilde;es com outros f&aacute;rmacos de uso comum; aumento da atividade e redu&ccedil;&atilde;o na dosagem; aumento de especificidade e redu&ccedil;&atilde;o de efeitos colaterais.</font></P>     <p><font size="3">No que se refere &agrave; comercializa&ccedil;&atilde;o de f&aacute;rmacos enantiom&eacute;ricos, nos EUA, por exemplo, a fabrica&ccedil;&atilde;o quiral domina o mercado no setor farmac&ecirc;utico, passando de um faturamento de mais de US$ 1 bilh&atilde;o em 2003 para mais de US$ 1,6 bilh&atilde;o em 2008 (4). Os f&aacute;rmacos quirais representam mais da metade dos aprovados em todo o mundo, incluindo muitos daqueles mais vendidos no planeta. Por exemplo, entre as 10 prescri&ccedil;&otilde;es de produtos farmac&ecirc;uticos mais vendidos nos EUA em 2009, seis deles s&atilde;o enanti&ocirc;meros puros, dois s&atilde;o aquirais e dois racematos. Todavia, o valor do f&aacute;rmaco enantiom&eacute;rico &eacute; superior ao da mistura rac&ecirc;mica no qual est&aacute; presente. O enanti&ocirc;mero (&#45;)&#45;(S)&#45;verapamil, um importante antagonista de &iacute;ons c&aacute;lcio e indicado no tratamento de angina, hipertens&atilde;o arterial, fibrila&ccedil;&atilde;o ou <I>flutter</I> atrial e taquicardia supraventricular parox&iacute;stica, apresenta o valor em cerca de 520 vezes o valor da mistura rac&ecirc;mica (indicada para as mesmas patologias, contudo menos efetiva), a qual &eacute; comercializada a R$ 366/grama. Nota&#45;se, assim, a import&acirc;ncia de desenvolver tecnologias inovativas que busquem, sim, o lucro, mas um lucro respons&aacute;vel, como tamb&eacute;m o aumento na escala de produ&ccedil;&atilde;o, de modo a atender a sociedade com pre&ccedil;os acess&iacute;veis e um produto altamente espec&iacute;fico e que reduza efeitos colaterais, decorrentes do emprego da mistura rac&ecirc;mica.</font></P>     <p><font size="3">Torna&#45;se de extrema import&acirc;ncia, para a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, a ado&ccedil;&atilde;o efetiva da inova&ccedil;&atilde;o de neg&oacute;cios, com o objetivo de alcan&ccedil;ar vantagem competitiva; e a inova&ccedil;&atilde;o em gest&atilde;o, relacionada ao desenvolvimento de novas estruturas gerenciais. Neste caso, &eacute; importante refletir sobre a independ&ecirc;ncia da ger&ecirc;ncia de P&amp;D em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ger&ecirc;ncia industrial, de modo a propiciar a pesquisa aplicada e responder pelo desenvolvimento experimental que, por sua vez, objetiva a constru&ccedil;&atilde;o de prot&oacute;tipos de produ&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Como se v&ecirc;, a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, tendo como foco o f&aacute;rmaco quiral, envolve o conhecimento interdisciplinar e multidisciplinar, pois no seu desenvolvimento est&atilde;o presentes diversos profissionais que interagem, podendo&#45;se citar: qu&iacute;micos (na identifica&ccedil;&atilde;o de mol&eacute;culas quirais e suas propriedades), engenheiros qu&iacute;micos (na amplia&ccedil;&atilde;o de escala, defini&ccedil;&atilde;o de processos produtivos), m&eacute;dicos (na condu&ccedil;&atilde;o de testes pr&eacute;&#45;cl&iacute;nicos e cl&iacute;nicos), bi&oacute;logos (no estudo de atividades biol&oacute;gicas ), farmac&ecirc;uticos (na prepara&ccedil;&atilde;o do f&aacute;rmaco, em forma s&oacute;lida ou l&iacute;quida, para o seu emprego), administradores (na avalia&ccedil;&atilde;o de novas estruturas organizacionais),  economistas (na avalia&ccedil;&atilde;o macroecon&ocirc;mica do impacto da produ&ccedil;&atilde;o desses f&aacute;rmacos), soci&oacute;logos (no estudo do impacto social com o emprego de um produto mais efetivo e menos agressivo); profissionais de marketing (no que se refere &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia quanto &agrave; diferencia&ccedil;&atilde;o entre f&aacute;rmacos rac&ecirc;micos e enanti&ocirc;m&eacute;ricos). </font></P>     <p><font size="3">O bem&#45;estar das pessoas deve ser procurado independentemente do que elas possam gerar em termos econ&ocirc;micos. Ser livres de doen&ccedil;as ou do analfabetismo &eacute; relevante n&atilde;o s&oacute; pelo que representa como crescimento ao capital humano e ao crescimento econ&ocirc;mico, mas tamb&eacute;m pela vida das pessoas, da sua dignidade, felicidade e autoestima. Esse olhar tamb&eacute;m deve ser considerado ao se avaliar crit&eacute;rios de custos e benef&iacute;cios.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Marco Aur&eacute;lio Cremasco</b> &eacute; professor titular em engenharia qu&iacute;mica e livre docente  da Unicamp. Autor de</i> Fundamentos de transfer&ecirc;ncia de massa <i>(Editora da Unicamp) e</i> Vale a pena estudar engenharia qu&iacute;mica <i>(Editora Edgard Blucher).</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Leite, L. F. "Metodologia de sele&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e prioriza&ccedil;&atilde;o de projetos tecnol&oacute;gicos inovadores". Tese de doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=075052&pid=S0009-6725201300030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Vieira, E. <i>Tempo de criar</i>. Ind&uacute;stria Brasileira, Sistema Ind&uacute;stria, Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional da Ind&uacute;stria, ano 6, nº. 69, p. 17, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=075054&pid=S0009-6725201300030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Gadelha, C. A. G.; Quental, C.; Fialho, B. C. "Sa&uacute;de e inova&ccedil;&atilde;o: uma abordagem sist&ecirc;mica das ind&uacute;strias da sa&uacute;de". <i>Cad. Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>, v. 19, nº.1, p. 47, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=075056&pid=S0009-6725201300030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Nascimento, A. C. "Resolu&ccedil;&atilde;o enantiom&eacute;rica do secnidazol". Campinas: Faculdade de Engenharia Qu&iacute;mica, Unicamp, 2012. 122 p. Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=075058&pid=S0009-6725201300030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Caldwell, J. "Stereochemical determinants of the nature and consequences of drugs metabolism". <i>J.  Chromatogr.</i>, v. 694, p. 39, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=075060&pid=S0009-6725201300030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Sartor, J. P. "Separa&ccedil;&atilde;o cromatogr&aacute;fica do f&aacute;rmaco rolipram utilizando fase estacion&aacute;ria O,O&#45;bis&#91;4&#45;terc&#45;butilbenzoil&#93;&#45;N,N&#45;dialil&#45;L&#45;tartardiamida". Campinas: Faculdade de Engenharia Qu&iacute;mica, Unicamp, 2006. 113 p. Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=075062&pid=S0009-6725201300030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>      ]]></body>
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