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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>ARTES</b></font></P>     <P><font size=5><b>F<small>L&Aacute;VIO DE</small> C<small>ARVALHO: A REBELDIA COMO LINGUAGEM</small></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Nos dias de hoje, "saia&ccedil;o" no col&eacute;gio, com chamada pelas redes sociais, pode ser visto como uma forma inteligente e divertida de protestar contra medidas arbitr&aacute;rias e ineficientes. Mas ousadia mesmo foi, na d&eacute;cada de 1950, um homem de 57 anos sair pelo centro de S&atilde;o Paulo vestido com trajes provocativos bolados por ele: um blus&atilde;o de mangas curtas e folgadas e saiote de pregas largas. </font></P>     <p><font size="3">Fl&aacute;vio de Carvalho, em sua <I>Experi&ecirc;ncia nº 3</I>, fez isso em 1956, quando circulava pelas ruas paulistas um carro chamado DMK&#45;Vemag e Beatles era apenas uma banda que come&ccedil;ava a se formar em Liverpool. Fl&aacute;vio, morto h&aacute; 40 anos, foi um dos grandes nomes da gera&ccedil;&atilde;o modernista brasileira. E exerceu sua criatividade como arquiteto, engenheiro, cen&oacute;grafo, teatr&oacute;logo, pintor, desenhista, escritor, fil&oacute;sofo, performer, m&uacute;sico, <I>flashmobist</I> (muito antes de isso virar termo da moda). Mas foi acima de tudo um artista &agrave; frente do seu tempo.</font></P>     <p><font size="3">Ele nasceu em Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro, em 1899. Com um ano de idade mudou&#45;se com a fam&iacute;lia para a cidade de S&atilde;o Paulo. De fam&iacute;lia abastada, anos mais tarde foi estudar na Europa. Primeiro na Fran&ccedil;a, de 1911 a 1914, depois na Inglaterra, onde frequentou a Universidade de Durham. L&aacute;, formou&#45;se em engenharia civil em 1922, e fez seus estudos de belas artes. </font></P>     <p><font size="3">De volta a S&atilde;o Paulo, empregou&#45;se como calculista no renomado Escrit&oacute;rio T&eacute;cnico Ramos de Azevedo, respons&aacute;vel por importantes obras como o Teatro Municipal de S&atilde;o Paulo, a Pinacoteca do Estado e o Mercado Municipal de S&atilde;o Paulo. Nessa &eacute;poca, Fl&aacute;vio costumava andar pelos corredores do escrit&oacute;rio s&oacute; de short, o que era inadmiss&iacute;vel para os padr&otilde;es da &eacute;poca.  Ante um abaixo&#45;assinado dos inquilinos, exigindo sua imediata sa&iacute;da do pr&eacute;dio, Fl&aacute;vio n&atilde;o apenas se recusou como ainda afirmou: "N&atilde;o vou sair daqui de jeito nenhum. Voc&ecirc;s s&oacute; me tiram daqui a bala... mas vai ser dif&iacute;cil, porque vou instalar uma metralhadora em meu ateli&ecirc; (...)" E mais, no dia seguinte, publicou um an&uacute;ncio no <I>Di&aacute;rio Popular</I> "Compra&#45;se uma metralhadora. Tratar com Fl&aacute;vio de Carvalho no Instituto de Engenharia".</font></P>     <p><font size="3">Fl&aacute;vio de Carvalho foi um grande representante do Movimento Modernista. Seu profundo interesse pelo experimental refletia sua total fuga das regras e formas acad&ecirc;micas de tratar a arte, predominantes na primeira metade do s&eacute;culo XX. Seu estilo era na verdade uma fus&atilde;o de estilos. Suas pinturas, cen&aacute;rios, esculturas e performances tinham tra&ccedil;os surrealistas, cubistas e do expressionismo alem&atilde;o. Mas revelavam principalmente um grande apego ao pol&ecirc;mico e &agrave; renova&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a22img01.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Tinha como ideal a antropofagia pura, numa releitura de movimentos art&iacute;sticos europeus, adaptando&#45;os para a sociedade brasileira. Um tra&ccedil;o marcante em seus trabalhos, muitas vezes chamados de "experi&ecirc;ncias", era a busca por um contato direto com o espectador, o qual ele observava, buscando entender as rea&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas aos seus trabalhos. </font></P>     <p><font size="3">Ele faleceu em 4 de junho de 1973, em Valinhos, no interior de S&atilde;o Paulo, deixando uma vasta obra, que inclui livros, pinturas, desenhos, cen&aacute;rios, projetos arquitet&ocirc;nicos e ensaios.  Suas obras est&atilde;o espalhadas pela cidade de S&atilde;o Paulo &#150; no Pal&aacute;cio dos Bandeirantes, na Pinacoteca do Estado de S&atilde;o Paulo, no Museu de Arte Contempor&acirc;nea da Universidade de S&atilde;o Paulo, na Associa&ccedil;&atilde;o Paulista de Medicina, no Museu de Arte Moderna, no Museu de Arte de S&atilde;o Paulo Assis Chateaubriand, no Museu de Arte Brasileira da FAAP, na Pinacoteca Municipal do Centro Cultural S&atilde;o Paulo &#150;, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, na Pinacoteca da Universidade Federal de Vi&ccedil;osa (MG), na Galleria Nazionale d'Arte Moderna di Roma (It&aacute;lia), no Mus&eacute;e d'Art Moderne de la Ville de Paris (Fran&ccedil;a) e no Museum of Modern Art &#150; MoMA &#150; de Nova York (Estados Unidos). </font></P>     <p><font size="3">Mas, al&eacute;m das obras e acima de tudo, deixou&#45;nos o exemplo de que &eacute; poss&iacute;vel ser genial e irreverente, trabalhador incans&aacute;vel e cr&iacute;tico mordaz, independentemente da roupa que se use e que pode ser um short, uma saia ou um traje a rigor.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Leonor Assad</i></font></P>      ]]></body>
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