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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(mun).jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v65n4/a08img01.jpg"></p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nova edi&ccedil;&atilde;o de manual aumenta n&uacute;mero de transtornos mentais</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quinta vers&atilde;o do <i>Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais</i> (DSM-5), um cat&aacute;logo de mais de 300 doen&ccedil;as lan&ccedil;ado em maio de 2013, vem sofrendo cr&iacute;ticas. Especialistas a favor alegam que, sem o guia, n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel detectar novas doen&ccedil;as, nem trat&aacute;-las de forma adequada. J&aacute; os contr&aacute;rios, veem um aumento desnecess&aacute;rio de diagn&oacute;sticos e a influ&ecirc;ncia da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica na identifica&ccedil;&atilde;o de novas doen&ccedil;as. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/a08img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das mais pol&ecirc;micas mudan&ccedil;as no DSM-5 &eacute; a inclus&atilde;o da s&iacute;ndrome de Asperger e de todas as variantes do autismo em apenas uma classifica&ccedil;&atilde;o, que passa a ter graus de severidade e n&atilde;o divis&otilde;es. Essas varia&ccedil;&otilde;es s&atilde;o os chamados transtornos do espectro do autismo (ASD). Al&eacute;m disso, foram adicionados diversos crit&eacute;rios a outros transtornos mentais, como bipolaridade, s&iacute;ndrome de d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o (TDHA), esquizofrenia, depress&atilde;o e ansiedade. O Manual inclui ainda, na se&ccedil;&atilde;o III, uma s&eacute;rie de condi&ccedil;&otilde;es que precisam ser melhor estudadas para se chegar &agrave; decis&atilde;o de defini-las, ou n&atilde;o, como um transtorno formal, como o transtorno de jogos na internet. </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b> De acordo com Maria Aparecida Affonso Moys&eacute;s, livre-docente da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas e coordenadora do Laborat&oacute;rio de Estudos sobre Aprendizagem, Desenvolvimento e Direitos, no Centro de Investiga&ccedil;&otilde;es em Pediatria (Ciped), ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o DSM surgiu como uma sistematiza&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as mentais, sendo um instrumento complementar &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as. No entanto, a partir da vers&atilde;o III, ele passou a refletir as mudan&ccedil;as na &aacute;rea de psiquiatria norte-americana. "N&atilde;o &eacute; mais uma plastifica&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as, mas um manual que quase forma um profissional para fazer um diagn&oacute;stico. A cada edi&ccedil;&atilde;o os crit&eacute;rios s&atilde;o cada vez mais imprecisos e abrangentes. Por exemplo, at&eacute; o DSM-IV o luto era um crit&eacute;rio de exclus&atilde;o do diagn&oacute;stico de depress&atilde;o. Agora, a partir do 16º dia, a pessoa nessa condi&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada depressiva", afirma. "O DSM sempre foi um m&eacute;todo reducionista de diagn&oacute;stico, que n&atilde;o condiz com a complexidade humana e 'empobrece' a pluralidade das manifesta&ccedil;&otilde;es e dos comportamentos", afirma Fabiola Colombani, especialista em psicologia escolar e educacional, e doutoranda em educa&ccedil;&atilde;o pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/Mar&iacute;lia). Ela acredita que o olhar "biologizante" estigmatiza as pessoas e &eacute; falho, ao n&atilde;o considerar as singularidades dos pacientes. O argumento de Fabiola revela diferen&ccedil;as hist&oacute;ricas entre psic&oacute;logos e psiquiatras, na condu&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;sticos e tratamentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O DSM, no entanto, cumpre o papel de uniformizar as informa&ccedil;&otilde;es entre os pesquisadores da &aacute;rea, como defende Sergio Tamai, psiquiatra em S&atilde;o Paulo, doutor pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e associado da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Psiquiatria (ABP). "Obviamente, essa homogeneidade &eacute; fundamental quando se compara efetividade de procedimentos terap&ecirc;uticos ou ainda efeitos colaterais, nos casos de medica&ccedil;&otilde;es", salienta. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HIST&Oacute;RIA DO MANUAL</b> O DSM surgiu em 1952, resultado de estudos da Associa&ccedil;&atilde;o Norte-Americana de Psiquiatria (APA). A primeira edi&ccedil;&atilde;o descrevia 106 dist&uacute;rbios mentais.  Para Tamai, no entanto, as revis&otilde;es do Manual seguem a evolu&ccedil;&atilde;o do ci&ecirc;ncia. "&Agrave; medida que o conhecimento cient&iacute;fico avan&ccedil;a na medicina, doen&ccedil;as antes n&atilde;o reconhecidas passam a ser identificadas. Por exemplo, at&eacute; o final de 1970, o transtorno de p&acirc;nico n&atilde;o era reconhecido", lembra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro grande rompimento foi a publica&ccedil;&atilde;o do DSM-III, em 1980, com revis&atilde;o em 1987. A psiquiatria ainda n&atilde;o era uma especialidade m&eacute;dica respeitada. De acordo com Maria Aparecida, o DSM-III sofreu grande influ&ecirc;ncia das ent&atilde;o novas regulamenta&ccedil;&otilde;es da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica. &Agrave; &eacute;poca, foi liberada a propaganda de medicamentos. Segundo ela, at&eacute; essa vers&atilde;o, o Manual tinha foco em neurologia, n&atilde;o em psiquiatria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O DSM-IV, de 1994, manteve, basicamente, as mesmas diretrizes da vers&atilde;o anterior.  Por&eacute;m, houve grande mudan&ccedil;a com a introdu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o do espectro e, na vers&atilde;o 5, do conceito de risco. "Basicamente, voc&ecirc; pode estar bem, mas h&aacute; o risco. Os crit&eacute;rios s&atilde;o frouxos", lamenta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamai acha que, de forma imediata, n&atilde;o haver&aacute; mudan&ccedil;as para a popula&ccedil;&atilde;o com a nova vers&atilde;o. "O DSM pode ajudar os profissionais de sa&uacute;de mental a trocar informa&ccedil;&otilde;es, a organizar o racioc&iacute;nio cl&iacute;nico, mas o diagn&oacute;stico e a conduta terap&ecirc;utica s&atilde;o decis&otilde;es tomadas pelos pr&oacute;prios m&eacute;dicos em conjunto com os pacientes".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AUMENTO NAS VENDAS</b> Desde 1971, quando a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Uso de Subst&acirc;ncias Psicotr&oacute;picas definiu regras de usos dessas drogas, a medicaliza&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as psicol&oacute;gicas cresceu.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Fabiola explica que o termo medicaliza&ccedil;&atilde;o vai al&eacute;m do simples ato de medicar, corresponde ao ato de transformar quest&otilde;es de origem social em quest&otilde;es m&eacute;dicas, como no caso da TDAH, que surge no ambiente escolar e tem seu diagn&oacute;stico pautado em manifesta&ccedil;&otilde;es do cotidiano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2008, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) detectou aumento no consumo de psicotr&oacute;picos. No Brasil, segundo dados da Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) a venda de antidepressivos e calmantes cresceu, de 2009 a 2010, 83% e 57%, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> "H&aacute; um interesse das ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas em transformar os problemas sociais em doen&ccedil;as biol&oacute;gicas", enfatiza Fabiola. Dados que se refor&ccedil;am em pesquisa feita por Maria Aparecida Moys&eacute;s que constata que 80% dos membros que elaboraram o DSM-5 t&ecirc;m v&iacute;nculos com a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamai discorda dessa vis&atilde;o: "historicamente, as doen&ccedil;as precedem o surgimento dos medicamentos. Muitas das grandes descobertas psicofarmacol&oacute;gicas s&atilde;o obras do acaso, como o caso dos antipsic&oacute;ticos (a clorpromazina foi desenvolvida previamente como anest&eacute;sico) ou dos antidepressivos (o primeiro era usado no tratamento da tuberculose). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O DSM-5 contou com a colabora&ccedil;&atilde;o de mais de 1.500 cientistas e estava em debate desde 1999. A atual vers&atilde;o custa nos Estados Unidos US$199, muito mais do que as vers&otilde;es anteriores de US$25 (DSM-III), US$65 (DSM-IV) e US$84 na revis&atilde;o de 2000, segundo an&aacute;lise de Allen Francis, professor em&eacute;rito do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Duke (EUA) e coordenador da for&ccedil;a tarefa do DSM-IV em artigo para o site<i> Psychology Today.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Carolina Mendes Bento Ferreira</i></font></p>      ]]></body>
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