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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/brasil.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">50 <small>ANOS</small></font></P>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/line_blk.jpg" /></font></P>     <p><font size="4"><b>Antigos e novos sentidos da resist&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">"Resistir &eacute; preciso". O t&iacute;tulo da exposi&ccedil;&atilde;o que est&aacute; percorrendo diversas capitais brasileiras remete a uma reflex&atilde;o sobre o Brasil do passado e o do futuro.  A mostra, organizada pelo Instituto Vladmir Herzog, traz, por meio de fotografias, cartazes e obras de arte, a hist&oacute;ria da milit&acirc;ncia da imprensa e de artistas contra a ditadura militar que, durante 21 anos, governou o pa&iacute;s. </font></P>     <p><font size="3">A exposi&ccedil;&atilde;o revive, ent&atilde;o, uma hist&oacute;ria que completa 50 anos em 31 de mar&ccedil;o &#150; data em que ocorreu o golpe militar que deu in&iacute;cio &agrave; ditadura. Uma hist&oacute;ria que a mostra relata a partir da perspectiva daqueles que lutaram contra a opress&atilde;o e pelo direito de express&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Paralelamente, 2014 &eacute; ano de elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, o que alimenta a esperan&ccedil;a e o sonho de um pa&iacute;s mais democr&aacute;tico e igualit&aacute;rio. Nesse sentido, diz Jos&eacute; Luiz del Roio, membro do Instituto Vladmir Herzog e curador adjunto da exposi&ccedil;&atilde;o, passado e futuro se comunicam. "O Brasil n&atilde;o &eacute; mais um pa&iacute;s miser&aacute;vel, nem agr&aacute;rio como era na &eacute;poca do golpe militar. Mudamos muito, avan&ccedil;amos bastante, mas ainda falta democracia. As diversas formas de discrimina&ccedil;&atilde;o, especialmente o racismo, ainda s&atilde;o fortes e precisamos avan&ccedil;ar no campo da garantia dos direitos", descreve del Roio, militante na &eacute;poca da ditadura e um dos fundadores da A&ccedil;&atilde;o Libertadora Nacional (ALN), ao lado de Carlos Mariguella.</font></P>     <p><font size="3">Nesse contexto, o termo resist&ecirc;ncia, que na &eacute;poca da ditadura era associado &agrave; contraposi&ccedil;&atilde;o a uma ordem pol&iacute;tica vigente, renova seu significado, ganhando novos contornos como aqueles explicitados nas manifesta&ccedil;&otilde;es populares que tomaram as ruas em junho de 2013, dando rosto a uma juventude at&eacute; ent&atilde;o silenciosa e tida como despolitizada. "Somos um dos pa&iacute;ses mais desiguais do planeta. A resist&ecirc;ncia ganha ent&atilde;o um sentido de luta pela igualdade", afirma del Roio. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Luta por igualdade e por direitos sociais, reitera o soci&oacute;logo Ruy Braga, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). "As Jornadas de Junho foram uma manifesta&ccedil;&atilde;o pela garantia e amplia&ccedil;&atilde;o de direitos". Direitos reivindicados por uma juventude trabalhadora e escolarizada, oriunda de camadas sociais que aumentaram seu potencial de consumo, em decorr&ecirc;ncia do forte crescimento econ&ocirc;mico da d&eacute;cada passada. "Mas isso n&atilde;o basta. Essa juventude ingressou num mercado de trabalho mais exigente e mais prec&aacute;rio". &Eacute;, tamb&eacute;m, uma juventude que convive no cotidiano com servi&ccedil;os p&uacute;blicos de transporte, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o deficit&aacute;rios e falhos e que constata que uma renda melhor n&atilde;o assegura, necessariamente, mais qualidade de vida. "As pessoas passaram a ter dinheiro para comprar um carro, mas n&atilde;o conseguem pagar o seguro, a gasolina. Ent&atilde;o continuam enfrentando o caos do transporte urbano", explica Braga, referindo&#45;se ao mote das manifesta&ccedil;&otilde;es de junho do ano passado, o pre&ccedil;o das tarifas dos &ocirc;nibus urbanos.</font></P>     <p><font size="3">Em outras palavras, a pot&ecirc;ncia dos progressos alcan&ccedil;ados, no campo da economia, do emprego, por essa nova classe m&eacute;dia tende a se esgotar diante da persistente precariedade de acesso aos direitos sociais. Essa contradi&ccedil;&atilde;o permanece latente e, alimentada pelos questionamentos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pertin&ecirc;ncia de se realizar a Copa do Mundo e pelo clima eleitoral, pode reacender os protestos e mobiliza&ccedil;&otilde;es em 2014.</font></P>     <p><font size="3"><B>A NOVA FACE DO BRASIL </b>O jovem que foi &agrave;s ruas no ano passado, contudo, n&atilde;o &eacute; o mesmo, por exemplo, que aquele que se travestiu de cara&#45;pintada exigindo o <I>impeachment </I>do presidente Fernando Collor de Mello. Naquela &eacute;poca, Ruy Braga era l&iacute;der estudantil e participou ativamente das manifesta&ccedil;&otilde;es. Sua experi&ecirc;ncia contribui para analisar o momento atual. "&Eacute; um novo jovem e um novo Brasil que est&atilde;o saindo &agrave;s ruas", conclui. Um novo sujeito forjado por um contexto pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico e cultural distinto e, em certa medida, acredita o soci&oacute;logo, mais complexo do que o de duas d&eacute;cadas atr&aacute;s.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/a03img01.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em 1992, o Brasil vivia uma grave crise pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, decorrente das den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o contra Collor e de uma s&eacute;rie de medidas impopulares adotadas durante sua gest&atilde;o. Quem saiu &agrave;s ruas, analisa o soci&oacute;logo da USP, foi a classe m&eacute;dia insatisfeita que teve sua poupan&ccedil;a sequestrada pelo Plano Brasil Novo (ou Plano Collor) em nome do combate &agrave; hiperinfla&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, as manifesta&ccedil;&otilde;es dos caras&#45;pintadas estavam longe de se constituir numa rea&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea de indigna&ccedil;&atilde;o popular: elas nasceram e se fortaleceram no &acirc;mbito dos partidos pol&iacute;ticos, em especial do PT e do PC do B, e ganharam representatividade nacional gra&ccedil;as aos sindicatos, em especial o Sindicato Nacional dos Docentes das Institui&ccedil;&otilde;es Federais de Ensino Superior (Andes), que contava com grande capilaridade em todo o territ&oacute;rio nacional, conta Braga.</font></P>     <p><font size="3">Um cen&aacute;rio bem diferente do que se viu em junho passado, quando militantes de partidos pol&iacute;ticos que tentaram se juntar &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es foram hostilizados, num comportamento interpretado como uma rea&ccedil;&atilde;o social de descr&eacute;dito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s formas cristalizadas de representa&ccedil;&atilde;o e de funcionamento da pol&iacute;tica no pa&iacute;s.</font></P>     <p><font size="3">Para Marcos Nobre, autor do livro <I>Choque de democracia &#150; Raz&otilde;es da revolta</I> (Companhia das Letras, 2013) e professor de filosofia do Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a insatisfa&ccedil;&atilde;o&#45;mote dos protestos atuais tem como alvo o que ele caracteriza como blindagem do sistema pol&iacute;tico contra a influ&ecirc;ncia da sociedade. Blindagem esta forjada entre as elites pol&iacute;ticas desde o contexto do <I>impeachment</I> de Collor, como defesa, a fim de assegurar a manuten&ccedil;&atilde;o das estruturas por meio de alian&ccedil;as entre blocos pol&iacute;ticos, de modo a garantir a maioria &#150; pr&aacute;tica que se tornou comum ao longo dos governos que se sucederam desde ent&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Nobre entende que a repress&atilde;o policial durante os protestos foi uma express&atilde;o dessa blindagem, acirrando, naquele contexto, a rea&ccedil;&atilde;o da sociedade em busca de canais para manifestar suas insatisfa&ccedil;&otilde;es e demandas. Jos&eacute; Luiz del Roio agrega outro elemento &agrave; an&aacute;lise: "Temos uma pol&iacute;cia treinada para matar, que n&atilde;o investiga, mas mata. Este &eacute; um dos muitos entulhos autorit&aacute;rios que carregamos da ditadura". E a atua&ccedil;&atilde;o dessa pol&iacute;cia desencadeou uma rea&ccedil;&atilde;o ainda mais intensa por parte dos manifestantes. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">H&aacute;, ent&atilde;o, um novo sujeito pol&iacute;tico em forma&ccedil;&atilde;o. Um sujeito que se movimenta ao largo das estruturas tradicionais de representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social, que busca inclus&atilde;o e visibilidade e que forja os pr&oacute;prios meios &#150; atrav&eacute;s das redes sociais, por exemplo &#150; para expressar, canalizar sua insatisfa&ccedil;&atilde;o e promover a mobiliza&ccedil;&atilde;o. "&Eacute; um protagonismo mais complexo do que aquele exercido pela juventude no passado, j&aacute; que aparentemente n&atilde;o h&aacute; uma crise ou colapso. Mas h&aacute; uma reivindica&ccedil;&atilde;o por direitos sociais de uma popula&ccedil;&atilde;o urbana muito sens&iacute;vel &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas que enfrenta no dia a dia", diz Braga, da USP. </font></P>     <p><font size="3"><B>DA RUA &Agrave; POL&Iacute;TICA </b>Se, como analisa o fil&oacute;sofo Marcos Nobre, em 2013 as pessoas foram &agrave;s ruas pelo direito de se manifestar, pela abertura de canais entre a sociedade e o sistema pol&iacute;tico de modo que este funcione de maneira mais sintonizada com suas demandas e necessidades, existem indica&ccedil;&otilde;es de que essa movimenta&ccedil;&atilde;o mudou o pa&iacute;s. Mudou no sentido de que h&aacute; uma nova cultura pol&iacute;tica em forma&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">"O n&iacute;vel de mobiliza&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;ado em junho foi excepcional, seis milh&otilde;es de pessoas foram &agrave;s ruas", avalia Braga. Dificilmente, este grau se mobiliza&ccedil;&atilde;o se manter&aacute;; no entanto, ele enxerga novos campos de engajamento se tecendo e conquistando espa&ccedil;o, como foi o caso da greve dos professores da rede municipal do Rio de Janeiro. Na vis&atilde;o dele, os professores fazem parte dos mesmos extratos sociais que ocuparam as cidades com suas reivindica&ccedil;&otilde;es. "Pode ser que haja uma acomoda&ccedil;&atilde;o, mas ela ocorrer&aacute; num patamar muito superior ao que era", prev&ecirc;.</font></P>     <p><font size="3">Em outras palavras, Braga e outros estudiosos concordam que o Brasil p&oacute;s&#45;junho de 2013 n&atilde;o &eacute; mais o mesmo do passado. E que n&atilde;o ser&aacute; uma surpresa se as pessoas voltarem &agrave;s ruas.</font></P>     <p><font size="3">O pano de fundo do cinquenten&aacute;rio do golpe de 31 de mar&ccedil;o de 1964 poder&aacute; alimentar a movimenta&ccedil;&atilde;o, na medida em que prop&otilde;e um revisitar e uma reflex&atilde;o sobre a nossa hist&oacute;ria, prev&ecirc; Jos&eacute; Luiz del Roio. A conclus&atilde;o das investiga&ccedil;&otilde;es sobre a causa da morte do ex&#45;presidente Jo&atilde;o Goulart, deposto com o golpe, no &acirc;mbito da Comiss&atilde;o Nacional da Verdade pode trazer luzes e uma nova vers&atilde;o para a hist&oacute;ria do Brasil, afirma. Uma hist&oacute;ria que, na percep&ccedil;&atilde;o de del Roio, ainda n&atilde;o teve seu fim.</font></P>     <p><font size="3">"O processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o est&aacute; conclu&iacute;do. Desde 1985 estamos no regime de transi&ccedil;&atilde;o para a democracia, que ainda n&atilde;o est&aacute; plenamente consolidada", afirma.  As novas manifesta&ccedil;&otilde;es populares funcionam, ent&atilde;o, como express&otilde;es da pr&oacute;pria democracia em consolida&ccedil;&atilde;o. Um processo que n&atilde;o pode ser desvinculado da constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais equitativa e mais justa. E isso , ainda, permanece como um desafio a ser encarado pelo Brasil. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i>Marta Avancini</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/a03img02.jpg" border="0" usemap="#Map" /> <map name="Map"> <area shape="rect" coords="9,46,213,84" href="http://www.resistirepreciso.org.br/ccbb/" target="_blank" /> </map> </p>     ]]></body>
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