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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/mundo.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/a08img01.jpg" /></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>ESPORTE</b></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v66n1/line_blk.jpg" /></P>     <P><font size="4">A ci&ecirc;ncia e a arte     de correr descal&ccedil;o</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Desde o lan&ccedil;amento do livro <I>Born to run </I>de Christopher McDougall pregando a corrida descal&ccedil;a, o uso de t&ecirc;nis e a maneira de correr entraram em xeque. O jornalista narrou a vida dos &iacute;ndios mexicanos Tarahumara &#150; ex&iacute;mios corredores descal&ccedil;os ou com huaraches (sand&aacute;lias feitas com tiras de pneu) &#150; e reacendeu uma ideia latente desde que, em 1960, o et&iacute;ope Abebe Bikila venceu a Maratona Ol&iacute;mpica correndo sem t&ecirc;nis.</font></P>     <P><font size="3">A maneira como os p&eacute;s tocam o ch&atilde;o produz uma rea&ccedil;&atilde;o em cadeia afetando o corpo todo. A maior parte dos estudos atuais na &aacute;rea s&atilde;o de Daniel Lieberman, pesquisador do Departamento de Biologia Humana Evolutiva de Harvard. Ele notou que corredores quenianos descal&ccedil;os pisam de maneira suave sobre a parte da frente do p&eacute;, gerando quase zero impacto. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Estima&#45;se que 80% dos corredores pisem, ao contr&aacute;rio, predominantemente primeiro com o calcanhar, o que gera uma for&ccedil;a de at&eacute; quatro vezes o peso corporal. Um estudo publicado no <i>American College of Sports Medicine</i> constatou que quem pisa dessa forma tem mais les&otilde;es, pois o impacto diretamente nos joelhos &eacute; maior, e &eacute; por isso que o uso de t&ecirc;nis &eacute; refor&ccedil;ado. "Estamos aptos a realizar propuls&atilde;o quando o corpo est&aacute; exatamente acima dos p&eacute;s no momento da passada, mas ao tocar o ch&atilde;o com o calcanhar, a perna est&aacute; &agrave; frente do corpo, sem condi&ccedil;&otilde;es de maximizar a propuls&atilde;o. Ao pisar primeiramente com o calcanhar, 'empurramos' o ch&atilde;o para frente e, pela lei da a&ccedil;&atilde;o e rea&ccedil;&atilde;o, o ch&atilde;o nos empurra para tr&aacute;s. Por outro lado, ao tocar o ch&atilde;o com o antep&eacute;, o corpo naturalmente est&aacute; acima dos p&eacute;s e dessa forma a pisada &eacute; fisicamente mais eficiente", explica Fernando N&oacute;brega Santos, professor do Departamento de Matem&aacute;tica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que ministra cursos de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica unindo sua forma&ccedil;&atilde;o em f&iacute;sica te&oacute;rica e sua atua&ccedil;&atilde;o como triatleta amador. </font></P>     <P><font size="3"><B>DESCAL&Ccedil;O &Eacute; MELHOR</b> H&aacute; uma n&iacute;tida mudan&ccedil;a de t&eacute;cnica quando descal&ccedil;o. A tend&ecirc;ncia &eacute; aterrissar primeiro com a parte anterior do p&eacute;, o que diminui o impacto, pois o amortecimento ocorre no joelho e na articula&ccedil;&atilde;o do tornozelo e a impuls&atilde;o &eacute; feita com menos esfor&ccedil;o. "Este tipo de pisada &eacute; mais r&aacute;pida e faz com que o organismo n&atilde;o gere contra&ccedil;&atilde;o muscular para atenu&aacute;&#45;la", explica Vitor Tessutti, mestre em ci&ecirc;ncias da reabilita&ccedil;&atilde;o pelo Laborat&oacute;rio de Biomec&acirc;nica do Movimento e Postura Humana da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).</font></P>     <P><font size="3">Uma coisa &eacute; certa: os t&ecirc;nis com sistema de amortecimento mudaram a pisada natural. Um artigo de revis&atilde;o publicado em <I>The Journal of Foot and Ankle Research </I>revelou que crian&ccedil;as deixam os passos mais longos quando come&ccedil;am a usar cal&ccedil;ados &#150; e pisam com mais for&ccedil;a no calcanhar. "O t&ecirc;nis possui grande import&acirc;ncia para a t&eacute;cnica de passada. Dependendo dele, a passada pode modificar, significativamente, a t&eacute;cnica de corrida", diz Marcus Peikriszwili Tartaruga, coordenador do Laborat&oacute;rio de Biomec&acirc;nica (Labier) do curso de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica da Universidade Estadual do     Centro&#45;Oeste.</font></P>     <P><font size="3"><B>MUDAN&Ccedil;A DE H&Aacute;BITO </b>Mas jogar o t&ecirc;nis fora n&atilde;o &eacute; necessariamente a melhor solu&ccedil;&atilde;o. Com base em pesquisas, surgiu uma s&eacute;rie de cal&ccedil;ados chamados "minimalistas", com pouco ou sem nenhum amortecimento. O bi&oacute;logo Peter Larson, professor do Saint Anselm College em New Hampshire (EUA), descobriu que a maior parte dos que testaram esses cal&ccedil;ados continuavam a pisar primeiramente com o calcanhar.</font></P>     <P><font size="3">Por isso, todos que se interessam em testar a corrida descal&ccedil;a devem fazer com pacim&ocirc;nia. "&Eacute; importante que a transi&ccedil;&atilde;o para o minimalista seja feita em progress&atilde;o, seguindo os princ&iacute;pios do treinamento, aumentando gradativamente a quilometragem e o tempo", alerta o treinador Marcos Almeida, especialista em ci&ecirc;ncia da muscula&ccedil;&atilde;o e mestre em ci&ecirc;ncia da motricidade humana pela Universidade Campos dos Goytacazes (UCG).</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i>Marina Gomes</i></font></p>      ]]></body>

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