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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> AGRICULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Guerra no campo: agrot&oacute;xicos s&atilde;o aliados ou amea&ccedil;a?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Marcelo Figueiredo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2012 os produtores de soja do Cerrado brasileiro levaram um susto. A ocorr&ecirc;ncia de lagartas do g&ecirc;nero <i>Helicoverpa </i>atingiu n&iacute;veis populacionais que nunca tinham sido observados antes, causando s&eacute;rios preju&iacute;zos econ&ocirc;micos. Al&eacute;m da soja, a lagarta atingiu tamb&eacute;m as culturas de milho, algod&atilde;o, feij&atilde;o comum, milho, milheto e sorgo. O diagn&oacute;stico da Embrapa foi que o problema foi derivado de pr&aacute;ticas de cultivo inadequadas como, por exemplo, o plantio sucessivo de esp&eacute;cies vegetais hospedeiras da praga e o manejo inapropriado de agrot&oacute;xicos. A invas&atilde;o da lagarta <i>Helicoverpa armigera </i>&eacute; um dos exemplos de que a agricultura assiste a uma guerra entre as pragas e os agrot&oacute;xicos que tentam control&aacute;-las. O saldo at&eacute; agora parece negativo para os produtores agr&iacute;colas e para o meio ambiente. O Brasil, reconhecidamente uma das maiores pot&ecirc;ncias agr&iacute;colas do mundo, &eacute; tamb&eacute;m o campe&atilde;o mundial no uso de agrot&oacute;xicos, boa parte deles proibidos no resto do mundo, segundo informa&ccedil;&otilde;es da Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa), com base em dados das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e do Minist&eacute;rio do Desenvolvimento, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio. Esse caminho come&ccedil;ou a ser trilhado em meados da d&eacute;cada de 1960, quando o pa&iacute;s aderiu &agrave; chamada Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, processo a partir do qual uma s&eacute;rie de novas t&eacute;cnicas de plantio e amplo uso de produtos qu&iacute;micos s&atilde;o introduzidos na agricultura, permitindo aumento consider&aacute;vel na produ&ccedil;&atilde;o, especialmente nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Gra&ccedil;as &agrave; ci&ecirc;ncia e &agrave; tecnologia, a agricultura brasileira n&atilde;o para de crescer. Entretanto, esse crescimento traz diversos embates em especial voltados para os efeitos no meio ambiente por conta do uso extensivo de agrot&oacute;xicos, como por exemplo, para controlar a <i>Helicoverpa armigera.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a06img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESAFIOS NO CAMPO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Para o agr&ocirc;nomo Carlos Arthur Franz, coordenador geral de prote&ccedil;&atilde;o de plantas do Departamento de Sanidade Vegetal (DSV), do Minist&eacute;rio da Agricultura, o uso inadequado de produtos qu&iacute;micos pode causar o aumento ou o surgimento de uma nova praga ou doen&ccedil;a na lavoura, gerando um desequil&iacute;brio no meio ambiente e, consequentemente, uma sele&ccedil;&atilde;o de pragas e doen&ccedil;as resistentes aos agrot&oacute;xicos. Com isso, o produtor tem que usar esses produtos cada vez mais e em maiores quantidades. Al&eacute;m disso, a falta de rota&ccedil;&atilde;o de culturas, com a semeadura da mesma planta durante v&aacute;rias safras, ou mesmo sucess&otilde;es n&atilde;o adequadas de plantas de uma mesma fam&iacute;lia (milho sobre milheto, por exemplo), pode proporcionar o crescimento populacional de pragas, as quais s&atilde;o capazes de desenvolver v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es durante o ano. Segundo o bi&oacute;logo e produtor de soja e girassol, Jos&eacute; Roberto Bronzatti, as aplica&ccedil;&otilde;es err&ocirc;neas e abusivas de inseticidas n&atilde;o seletivos diminuem ou eliminam os inimigos naturais das pragas, sejam eles predadores ou parasitoides. Outros agrot&oacute;xicos, como os fungicidas utilizados para o controle de doen&ccedil;as, podem afetar o crescimento de fungos ben&eacute;ficos (entomopatog&ecirc;nicos) que atacam e matam as pragas. O aumento constante de pragas &eacute; um desafio que o Brasil tem que enfrentar para evitar que essas amea&ccedil;as se concretizem. "Precisamos reduzir a burocracia na aprova&ccedil;&atilde;o de novos agroqu&iacute;micos e melhorar a fiscaliza&ccedil;&atilde;o das nossas fronteiras", pondera Bronzatti.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>E O FUTURO? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Eduardo Leduc, vice-presidente s&ecirc;nior da Unidade de Prote&ccedil;&atilde;o de Cultivos da Basf para a Am&eacute;rica Latina e de Sustentabilidade para a Am&eacute;rica do Sul, novas pragas v&atilde;o surgir n&atilde;o somente no Brasil, mas tamb&eacute;m em seus vizinhos, e de forma mais r&aacute;pida. "Isso agrava a quest&atilde;o fitossanit&aacute;ria do pa&iacute;s", diz Leduc. Ele cita um recente estudo feito por pesquisadores da Embrapa no qual foi constatado que, nos &uacute;ltimos 20 anos, ao menos 20 pragas ex&oacute;ticas foram detectadas no Brasil. "&Eacute; uma por ano. Ser&aacute; que conseguiremos oferecer tecnologia para lidar com tantos problemas emergentes?", questiona. Os pontos cruciais a serem trabalhados, segundo Leduc, s&atilde;o as defici&ecirc;ncias do sistema de inova&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de novas tecnologias, a transfer&ecirc;ncia de conhecimento e o sistema regulat&oacute;rio fitossanit&aacute;rio do pa&iacute;s. Diante desse cen&aacute;rio desafiador, o Minist&eacute;rio da Agricultura e Abastecimento (Mapa) vem se reunindo com as principais entidades do setor para discutir o assunto e estudar a cria&ccedil;&atilde;o de um centro estrat&eacute;gico de pol&iacute;tica fitossanit&aacute;ria. Segundo Carlos Arthur Franz, engenheiro agr&ocirc;nomo e coordenador de fiscaliza&ccedil;&atilde;o do tr&acirc;nsito internacional de vegetais do Minist&eacute;rio da Agricultura, o maior problema do sistema de defesa nacional em funcionamento hoje &eacute; a aus&ecirc;ncia de um fundo de emerg&ecirc;ncia para o socorro imediato dos produtores em caso de ataque de pragas ex&oacute;ticas. Al&eacute;m disso, faltam recursos para a contrata&ccedil;&atilde;o de especialistas e para um trabalho de assist&ecirc;ncia e transfer&ecirc;ncia de tecnologia aos produtores. "O estado de emerg&ecirc;ncia decretado para a <i>Helicoverpa </i>est&aacute; nos mostrando, mais uma vez, como s&atilde;o imensas as dificuldades para implementar a&ccedil;&otilde;es", diz Franz.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a06img02.jpg"></p>     ]]></body>
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