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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> FUTEBOL/ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Futebol, m&uacute;sica e literatura: uma an&aacute;lise dos hinos dos clubes esportivos brasileiros</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Elcio Cornelsen </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os encontros entre futebol, m&uacute;sica e literatura ao longo do s&eacute;culo XX no Brasil, sem d&uacute;vida, foram muito prof&iacute;cuos e contribu&iacute;ram para a forma&ccedil;&atilde;o da identidade nacional da popula&ccedil;&atilde;o em torno de suas maiores paix&otilde;es, culminando com o que Nelson Rodrigues denominou emblematicamente de a "p&aacute;tria em chuteiras" (1).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como bem aponta o soci&oacute;logo portugu&ecirc;s Ant&oacute;nio da Silva Costa, "o futebol &eacute; uma das principais chaves de leitura de nossa sociedade. E tudo isso &eacute; facilitado, sobretudo, pela natureza profundamente simb&oacute;lica desse esporte e por seu funcionamento eminentemente ritual&iacute;stico" (2). Justamente no que tange o seu car&aacute;ter ritual&iacute;stico, encontramos espa&ccedil;o para uma discuss&atilde;o transdisciplinar que envolve os &acirc;mbitos da literatura, da m&uacute;sica e do futebol a partir do estudo de letras de hinos de clubes futebol.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por defini&ccedil;&atilde;o, hino (do grego: , "estrutura sonora") &eacute; uma composi&ccedil;&atilde;o po&eacute;tico-musical de louvor ou exalta&ccedil;&atilde;o. O hino &eacute; express&atilde;o de entusiasmo elevado, um poema ou c&acirc;ntico de venera&ccedil;&atilde;o ou louvor &agrave; divindade e n&atilde;o segue, necessariamente, uma regularidade formal. Originalmente, era composto em ritmo livre e n&atilde;o tinha rima ou estrofa&ccedil;&atilde;o r&iacute;gida. Al&eacute;m disso, o hino pode ser de esp&iacute;rito religioso, escrito especificamente para louvor ou adora&ccedil;&atilde;o tipicamente endere&ccedil;ado a deuses e her&oacute;is (3). Esse sentido original, cujas ra&iacute;zes remontam &agrave; Antiguidade, se transformaria em s&eacute;culos, at&eacute; atingir o seu sentido na Modernidade, quando surgem, ent&atilde;o, o hino nacional (de devo&ccedil;&atilde;o &agrave; na&ccedil;&atilde;o ou p&aacute;tria), o hino partid&aacute;rio (de devo&ccedil;&atilde;o a um partido pol&iacute;tico), o hino de organiza&ccedil;&otilde;es em geral e o hino desportivo (de devo&ccedil;&atilde;o a um clube ou agremia&ccedil;&atilde;o) (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde 2009, quando iniciamos nossos estudos sobre as letras de hinos de clubes de futebol brasileiros, procuramos desenvolver um quadro de an&aacute;lise que nos possibilitasse avali&aacute;-las em seus componentes l&iacute;ricos (a forma po&eacute;tica propriamente dita), &eacute;picos (elementos que alimentam o mito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; determinada agremia&ccedil;&atilde;o, como alus&atilde;o a s&iacute;mbolos, conquistas, virtudes etc) e dram&aacute;ticos (as marcas textuais que denotam afetividade, apelo &agrave; fidelidade, emo&ccedil;&atilde;o e louvor em rela&ccedil;&atilde;o ao clube) (5). Para isso, nos orientamos pela teoria dos g&ecirc;neros liter&aacute;rios proposta por Anatol Rosenfeld na d&eacute;cada de 1960, ao consider&aacute;-los, justamente, de acordo com sua adjetiva&ccedil;&atilde;o, ou seja, como elementos &eacute;picos, l&iacute;ricos e dram&aacute;ticos que podem estar presentes, simultaneamente, numa dada obra ou texto (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; d&eacute;cadas, &eacute; lugar comum afirmar que "o futebol explica o Brasil" (7), numa alus&atilde;o ao t&iacute;tulo da obra de Marcos Guterman, publicada em 2009, ou mesmo quando o escritor Jos&eacute; Lins do Rego, j&aacute; na d&eacute;cada de 1940, era categ&oacute;rico em afirmar que "o conhecimento do Brasil passa pelo futebol" (8). Sem d&uacute;vida, isso tem uma raz&atilde;o de ser, como bem aponta o soci&oacute;logo Roberto DaMatta ao considerar o futebol como "uma importante ag&ecirc;ncia de dramatiza&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira" (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, se o futebol &eacute;, por assim dizer, uma chave de leitura para a interpreta&ccedil;&atilde;o do Brasil, toda e qualquer manifesta&ccedil;&atilde;o cultural a ele associada se torna uma esp&eacute;cie de documento que certifica e reitera tal propriedade. &Eacute; justamente dessa forma que lidamos em nosso estudo com as letras dos hinos de clubes de futebol brasileiros, pois entendemos que eles carregam em si v&aacute;rias informa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o dizem respeito somente &agrave; hist&oacute;ria das pr&oacute;prias agremia&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m &agrave; hist&oacute;ria do pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OS HINOS DOS CLUBES DE FUTEBOL BRASILEIROS EM SEUS PRIM&Oacute;DIOS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; de conhecimento geral que o futebol, enquanto pr&aacute;tica desportiva, chegou ao pa&iacute;s no final do s&eacute;culo XIX. Em seus prim&oacute;rdios, o <i>football</i> desfrutou de um significado "nobre", sobretudo porque era, majoritariamente, praticado em clubes seletos. Aqueles que, n&atilde;o obstante as controv&eacute;rsias, s&atilde;o apontados por estudiosos como os pioneiros do futebol brasileiro - Charles Miller, Hans Nobling, Oscar Cox, Victor Serpa, entre outros (10) - estudaram na Europa e conheceram no ambiente dos <i>colleges</i> brit&acirc;nicos ou su&iacute;&ccedil;os uma nova modalidade esportiva. Transplantado para a <i>terra brasilis</i>, levaria algum tempo at&eacute; que o <i>football</i> criasse ra&iacute;zes profundas em nosso pa&iacute;s, tornando-se o futebol, "the brazilian way of life" nas palavras do jornalista brit&acirc;nico Alex Bellos (11).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, em seus prim&oacute;rdios, a significa&ccedil;&atilde;o que se atribuiu ao <i>football</i> estava atrelada a um segmento minorit&aacute;rio da sociedade da &eacute;poca, pois, como nos lembra Roberto DaMatta, o futebol n&atilde;o tem em si um significado imanente e pode, desta forma, sofrer transforma&ccedil;&otilde;es em seu sentido, de acordo com os modos com que uma dada sociedade dele se apropria: o futebol &eacute; aquilo o que dele fazemos, pois, "como todas as atividades humanas, n&atilde;o teria uma ess&ecirc;ncia que seria cheia ou vazia de consequ&ecirc;ncias, mas dependeria da rela&ccedil;&atilde;o que estabelece com seus receptores num dado momento e numa dada sociedade" (12).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como n&atilde;o poderia deixar de ser, isso se refletiu no modo como os clubes come&ccedil;aram a construir suas imagens identit&aacute;rias enquanto pertencentes a esse ambiente elitizado. Tomemos, por exemplo, o primeiro hino oficial do Fluminense Sport Club, composto em 1915 pelo renomado escritor Coelho Neto, membro da cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras (ABL) e autor de obras-primas como <i>A conquista e Rei negro</i>, e m&uacute;sica baseada na can&ccedil;&atilde;o "It's a long, long way to Tipperary", de H. Williams. A come&ccedil;ar pelo primeiro verso que d&aacute; t&iacute;tulo ao hino, "O Fluminense &eacute; um crisol", j&aacute; nota-se um estranhamento despertado pelo termo "crisol", totalmente em desuso nos nossos dias. Numa primeira tentativa de, literalmente, traduzi-lo, falar&iacute;amos de "cadinho", que, provavelmente, n&atilde;o diz muito para as gera&ccedil;&otilde;es mais novas. Vejamos a seguir a letra do hino na &iacute;ntegra:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Fluminense &eacute; um crisol    <br> Onde apuramos a energia    <br> Ao pleno ar, ao claro sol    <br> Lutando em justas de alegria    <br> O nosso esfor&ccedil;o se congra&ccedil;a    <br> Em torno do ideal viril    <br> De avigorar a nova ra&ccedil;a    <br> Do nosso Brasil!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Corrige o corpo como artista    <br> Vida imprime &agrave; est&aacute;tua augusta    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Faz da argila uma robusta    <br> Pe&ccedil;a de a&ccedil;o onde a alma assista    <br> Na arena como na vida    <br> Do forte &eacute; sempre a vit&oacute;ria    <br> Do est&aacute;dio foi que a Gr&eacute;cia acometida    <br> Irrompeu para a gl&oacute;ria</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ningu&eacute;m no clube se pertence    <br> A gl&oacute;ria aqui n&atilde;o &eacute; pessoal    <br> Quem vence em campo &eacute; o Fluminense    <br> Que &eacute;, como a P&aacute;tria, um ser ideal    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Assim nas justas se congra&ccedil;a    <br> Em torno dum ideal viril    <br> A gente mo&ccedil;a, a nova ra&ccedil;a    <br> Do nosso Brasil! (13)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nota-se, de antem&atilde;o, uma estrutura formal r&iacute;gida, &agrave; moda de um poema parnasiano, em voga na &eacute;poca, pr&oacute;pria para um hino de car&aacute;ter marcial. Como forma e conte&uacute;do est&atilde;o intimamente ligados, o vocabul&aacute;rio empregado tamb&eacute;m reflete esse car&aacute;ter. Sem d&uacute;vida, o processo de enobrecimento do <i>football </i>- e do Fluminense - &eacute; patente nos versos de Coelho Neto, as refer&ecirc;ncias espaciais procuram unir o Brasil &agrave; Gr&eacute;cia antiga, em que o clube emerge como um celeiro para forjar - o termo &eacute; apropriado a "crisol" - uma "nova ra&ccedil;a", pois "Corrige o corpo como artista/Vida imprime &agrave; est&aacute;tua augusta", numa alus&atilde;o &agrave; iconografia no &acirc;mbito dos esportes, marcadamente em sua origem pelas artes pl&aacute;sticas na Antiguidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, os versos "Do est&aacute;dio foi que a Gr&eacute;cia acometida/ irrompeu para a gl&oacute;ria", hoje em dia, nos soam demasiadamente estranhos como partes integrantes da letra de um clube de futebol. Poder&iacute;amos nos indagar: o que levou Coelho Neto a essa associa&ccedil;&atilde;o? E neste ponto come&ccedil;amos a compreender que a m&aacute;xima "o futebol explica o Brasil" n&atilde;o &eacute; t&atilde;o infundada assim. Para o "nobre esporte bret&atilde;o" das primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, era importante assegurar-lhe um "pedigree" &agrave; altura daqueles que o cultuavam - dentro e fora do <i>field </i>-, e nada mais natural que revesti-lo de um car&aacute;ter "ol&iacute;mpico", que sempre desfrutou de um sentido positivo na civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental, ainda mais numa &eacute;poca em que o Movimento Ol&iacute;mpico Internacional se consolidava atrav&eacute;s dos esfor&ccedil;os de Pierre de Coubertin. Cabe ressaltar tamb&eacute;m que, dentro desse procedimento, as virtudes s&atilde;o amplamente enaltecidas na letra de Coelho Neto: energia, combatividade, vigor, virilidade, for&ccedil;a, alegria, mocidade, gl&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com a jornalista Cl&aacute;udia Mattos (14), a letra de Coelho Neto apresentava aspectos que refletiam certa postura elitista e racista quanto &agrave; sociedade brasileira da &eacute;poca. De origem nobre, um "clube de ingleses", a "nova ra&ccedil;a" do Brasil, apregoada na letra, n&atilde;o se referiria &agrave; miscigena&ccedil;&atilde;o, mas sim &agrave;s origens elitistas do clube, que n&atilde;o aceitava jogadores negros em suas fileiras, nas duas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX. Sem d&uacute;vida, esse foi um fator que influenciou na decis&atilde;o de se compor um novo hino oficial para o Fluminense no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1920, levado a cabo por Ant&ocirc;nio Cardozo Menezes Filho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sem d&uacute;vida, hinos como esse, de car&aacute;ter marcial, carregam consigo marcas - textuais - de um tempo em que o <i>football</i> ainda n&atilde;o tinha se popularizado e se tornado o futebol. E se levarmos em conta o argumento de Cl&aacute;udia Mattos, de que, nas primeiras d&eacute;cadas de sua exist&ecirc;ncia, o ingresso de negros no clube era interditado, somos levados a deduzir tamb&eacute;m algumas peculiaridades da sociedade brasileira &agrave; &eacute;poca. Mesmo que o seguinte quadro soe demasiado gen&eacute;rico, parece-nos que ele n&atilde;o est&aacute; t&atilde;o longe da realidade: para se popularizar, o <i>football</i> - ainda na fase do amadorismo - teve de perder o seu "pedigree", teve de deixar de ser um objeto da <i>society</i> elitizada, teve de sair do <i>field</i> para atingir as margens dos centros urbanos brasileiros que cresciam &agrave; &eacute;poca, teve de ir para os terrenos baldios, campos improvisados e v&aacute;rzeas modestas. Neste ponto, a d&eacute;cada de 1920 &eacute; decisiva, pois n&atilde;o s&oacute; haver&aacute; uma maior integra&ccedil;&atilde;o de jogadores negros nas agremia&ccedil;&otilde;es, com destaque para o Clube de Regatas Vasco da Gama (15), como tamb&eacute;m come&ccedil;a a se estabelecer a profissionaliza&ccedil;&atilde;o dos jogadores de futebol, at&eacute; ser oficializada em 1933.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que nos motivou a eleger a letra do primeiro hino oficial do Fluminense como exemplo de uma &eacute;poca em que o futebol ainda n&atilde;o havia se popularizado foi a possibilidade de poder aludir a essas quest&otilde;es de ordem sociocultural e hist&oacute;rica. A pr&oacute;pria sociedade brasileira se reestruturava ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da Lei &Aacute;urea em 1888 e, respectivamente, a Proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica em 1889. Se levarmos em conta que Coelho Neto comp&ocirc;s a letra em 1915, faziam menos de 30 anos que esses acontecimentos hist&oacute;ricos haviam ocorrido. A Lei &Aacute;urea n&atilde;o teve for&ccedil;a para impedir que o preconceito no Brasil grassasse naquelas primeiras d&eacute;cadas e que chegasse at&eacute; nossos dias. E a estratifica&ccedil;&atilde;o social p&oacute;s-lei lan&ccedil;ou milh&otilde;es, simb&oacute;lica e fisicamente, &agrave; margem. E quando pensamos em aspectos como esses associados ao futebol, n&atilde;o podemos deixar de reconhecer o seu valor para a cultura brasileira. Isso, ali&aacute;s, nos faz lembrar Oswald de Andrade e o Manifesto Antrop&oacute;fago de 1928: o produto final do <i>football</i> foi o futebol num processo de democratiza&ccedil;&atilde;o cultural no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OS HINOS DE CLUBES DE FUTEBOL BRASILEIROS NA ERA DE SUA POPULARIZA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao contr&aacute;rio dos hinos marciais das d&eacute;cadas de 1910 e 1920, os hinos que surgiram a partir da d&eacute;cada de 1930 no Brasil acompanharam o processo de populariza&ccedil;&atilde;o do futebol, afastandose, assim, cada vez mais, de um sentido marcial e discursivamente "enobrecido" que, por exemplo, remontasse ao ber&ccedil;o dos esportes na Gr&eacute;cia antiga. Ao contr&aacute;rio, os chamados hinos populares, em sua imensa maioria, desde o in&iacute;cio refletiram em sua composi&ccedil;&atilde;o o espa&ccedil;o que o futebol atingira em nossa cultura. Decisivo nesse processo foi a alian&ccedil;a do futebol com a m&uacute;sica, mais especificamente o samba, outra manifesta&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter popular que havia se consolidado no mesmo per&iacute;odo. Mas &eacute; com o Carnaval e, mais especificamente, com o seu ritmo mais marcante, a marcha-rancho ou "marchinha", como &eacute; popularmente conhecida, que o futebol encontraria a sua trilha sonora apta a lhe atribuir tra&ccedil;os de identidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Certo conhecimento que temos a respeito de composi&ccedil;&otilde;es de hinos de clubes esportivos em outros pa&iacute;ses, como em Portugal e na Alemanha, nos permite afirmar que, nesses pa&iacute;ses, os hinos tamb&eacute;m receberam tra&ccedil;os daqueles ritmos considerados populares, como o fado no caso portugu&ecirc;s, ou como as chamadas "can&ccedil;&otilde;es de cervejaria", no caso alem&atilde;o, estas mantendo ainda alguns tra&ccedil;os r&iacute;tmicos que aludiam ao compasso dos antigos hinos marciais, fundamentalmente executadas ao som de metais e instrumentos de sopro. Portanto, o mesmo fen&ocirc;meno cultural ocorrido no Brasil, quando falamos de hinos de futebol, tamb&eacute;m ocorreu em outros pa&iacute;ses, mas o diferencial est&aacute;, justamente, no tipo de ritmo popular que permitiu esse casamento entre m&uacute;sica e futebol.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em estudo publicado sobre a visceral rela&ccedil;&atilde;o entre m&uacute;sica e futebol no Brasil, o jornalista Beto Xavier aponta para o fato de que, embora o futebol j&aacute; fizesse parte da vida dos m&uacute;sicos brasileiros no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, foi somente no final da d&eacute;cada de 1920 que o encontro entre m&uacute;sica e futebol "ganharia seu primeiro grande registro" (16), mais precisamente com o choro "1 x 0", de autoria de Pixinguinha e Benedito Lacerda, num momento &aacute;ureo da chamada "era do r&aacute;dio". Outros se seguiriam nas d&eacute;cadas posteriores e se tornariam verdadeiros cl&aacute;ssicos do g&ecirc;nero, como os choros "A ginga do Man&eacute;", de Jacob do Bandolim, "Radam&eacute;s y Pel&eacute;", de Tom Jobim, e "Esquerdinha na gafieira", de Altamiro Carrilho (17). Por&eacute;m, estes permaneciam ainda no &acirc;mbito da m&uacute;sica instrumental, sem integrar o texto po&eacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas &eacute;, sobretudo, com a cria&ccedil;&atilde;o de hinos de futebol que esse encontro entre m&uacute;sica e futebol se amplia, integrando a literatura, mais especificamente a arte po&eacute;tica. Pois o hino &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o mista e, como tal, marcada pela inclus&atilde;o simult&acirc;nea do elemento musical e do verbal, como ressalta Solange Ribeiro de Oliveira (18).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o &eacute; por acaso que m&uacute;sica e futebol se aliar&atilde;o ao longo do s&eacute;culo XX no Brasil, em parcerias muito felizes, envolvendo nomes como Ary Barroso, Lamartine Babo, Wilson Batista, Lupic&iacute;nio Rodrigues, Tom Z&eacute;, Gonzaguinha, Jo&atilde;o Bosco, Jorge Ben Jor, Paulinho Nogueira, Aldir Blanc, Chico Buarque, e tantos outros, verdadeiros mestres em exaltar a paix&atilde;o nacional. E a elas se juntar&aacute; a literatura, seja em romances, contos, poesias e cr&ocirc;nicas, atrav&eacute;s de escritores como Carlos Drummond de Andrade, Jos&eacute; Lins do Rego, Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campos, Jo&atilde;o Cabral de Melo Neto, Alc&acirc;ntara Machado, Vin&iacute;cius de Moraes, Carlos Heitor Cony, Edilberto Coutinho, Luis Fernando Ver&iacute;ssimo, Moacyr Scliar, Roberto Drummond, entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por sua vez, podemos afirmar com seguran&ccedil;a que a transi&ccedil;&atilde;o dos chamados hinos marciais para os hinos populares no &acirc;mbito do futebol se consolidou em meados da d&eacute;cada de 1940. Sem d&uacute;vida tal transi&ccedil;&atilde;o est&aacute; associada a Lamartine Babo (1904-1963), famoso compositor de marchas de carnaval que comp&ocirc;s nada mais nada menos do que os hinos de 11 clubes do Rio de Janeiro: Am&eacute;rica, time de cora&ccedil;&atilde;o do compositor, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama, Bangu, todos considerados "grandes" na &eacute;poca, e dos times "modestos" Madureira, Olaria, S&atilde;o Crist&oacute;v&atilde;o, Bonsucesso e Canto do Rio (19).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo consta, "Lal&aacute;", como Lamartine era conhecido, foi desafiado pelo radialista H&eacute;ber de B&ocirc;scoli, com quem compunha o "Trio de osso" juntamente com Yara Sales no programa <i>Trem da Alegria</i>, da R&aacute;dio Mayrink Veiga, a compor um hino por semana para cada clube do Rio de Janeiro, desafio esse plenamente cumprido pelo compositor (20). Ali&aacute;s, Lamartine Babo faria escola tamb&eacute;m quanto ao estilo dos hinos de futebol, compostos como marchas-rancho, e estas se diferenciavam das marchas militares em sua cad&ecirc;ncia. Ao se referir a essa associa&ccedil;&atilde;o entre futebol e carnaval, Paulo Jebaili afirma que "&#91;o&#93; hino de futebol escolhe a marcha porque &eacute; a festa. E a festa &eacute; sublima&ccedil;&atilde;o da dor. A marcha &eacute; uma das primeiras manifesta&ccedil;&otilde;es de pessoas que se reuniam em blocos na rua para cantar a vida de forma l&uacute;dica" (21).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para ilustrarmos o tipo de hino composto na fase de consolida&ccedil;&atilde;o do futebol como fen&ocirc;meno cultural popular, elegemos, mais uma vez, o Fluminense Football Club e seu terceiro hino da hist&oacute;ria, composto na d&eacute;cada de 1940, com letra de Lamartine Babo e m&uacute;sica do maestro Lyrio Pannicalli, que vai &agrave; contram&atilde;o dos hinos anteriores, uma vez que rompe com a tradi&ccedil;&atilde;o marcial, assumindo um car&aacute;ter eminentemente popular. Nossa escolha por esse hino n&atilde;o se deve apenas ao fato de que, metodologicamente, se torna mais interessante em termos de ilustra&ccedil;&atilde;o ao ser contraposto ao hino composto por Coelho Neto em 1915, mas, sobretudo, pelo fato de ser um dos mais belos hinos compostos para clubes do futebol brasileiro:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Primeiramente, podemos constatar que, em termos formais, a letra apresenta varia&ccedil;&atilde;o, portanto, sem a mesma rigidez da letra do primeiro hino oficial. Em segundo lugar, por se tratar de uma letra de car&aacute;ter popular, certos elementos &eacute;picos se fazem presentes com toda sua for&ccedil;a, a come&ccedil;ar pelo modo como se constr&oacute;i a cena narrativa, em que um "eu" se insere, aspecto totalmente ausente nos hinos marciais, quando predomina o sujeito coletivo "n&oacute;s": "Sou tricolor de cora&ccedil;&atilde;o / Sou do clube tantas vezes campe&atilde;o" / "Eu sou &eacute; tricolor".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, a letra inclui feitos heroicos e conquistas, outro tra&ccedil;o ausente em hinos marciais, eminentemente atemporais: "Retumbante de gl&oacute;rias / E vit&oacute;rias mil" / "Faz a torcida querida / Vibrar de emo&ccedil;&atilde;o o tricampe&atilde;o", sendo que este &uacute;ltimo verso refere-se &agrave; conquista dos t&iacute;tulos de campe&atilde;o carioca dos anos de 1917, 1918 e 1919. J&aacute; o modo como o clube &eacute; situado em termos de espa&ccedil;o, enquanto marca textual, refere-se ao &acirc;mbito nacional no verso "Clube que orgulha o Brasil", e a identidade simb&oacute;lica &eacute; amplamente explorada, sobretudo com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s cores do tricolor - verde, vermelho e branco: "Salve o querido pavilh&atilde;o / Das tr&ecirc;s cores que traduzem tradi&ccedil;&atilde;o" / "Com o verde da esperan&ccedil;a" / "Com o sangue encarnado" / "Branco &eacute; a paz e harmonia" / "Salve o tricolor".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por sua vez, os aspectos dram&aacute;ticos tamb&eacute;m s&atilde;o bem marcados na letra composta por Lamartine Babo, algo que, pelo car&aacute;ter "viril" dos hinos marciais, ou mesmo pelo investimento num sujeito coletivo "n&oacute;s" como representante daquele sentimento que Hil&aacute;rio Franco J&uacute;nior chamou de "esp&iacute;rito cl&acirc;nico" (23), n&atilde;o figurava nas letras de hinos compostas nos prim&oacute;rdios do futebol brasileiro. Ao contr&aacute;rio, por seu car&aacute;ter popular, h&aacute; espa&ccedil;o na letra do hino popular para a afetividade - "Sou tricolor de cora&ccedil;&atilde;o" / "Eu tenho amor ao tricolor" -, a emo&ccedil;&atilde;o - "Fascina pela sua disciplina / O Fluminense me domina" / "Faz a torcida querida / Vibrar de emo&ccedil;&atilde;o o tricampe&atilde;o" -, o apelo &agrave; fidelidade - "Sou tricolor de cora&ccedil;&atilde;o"; "Eu sou &eacute; tricolor" - e o louvor - "Salve o querido pavilh&atilde;o"; "Salve o tricolor".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sou tricolor de cora&ccedil;&atilde;o     <br> Sou do clube tantas vezes campe&atilde;o    <br> Fascina pela sua disciplina    <br> O Fluminense me domina    <br> Eu tenho amor ao tricolor</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Salve o querido pavilh&atilde;o    <br> Das tr&ecirc;s cores que traduzem tradi&ccedil;&atilde;o    <br> A paz, a esperan&ccedil;a e o vigor    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Unido e forte pelo esporte     <br> Eu sou &eacute; tricolor</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vence o Fluminense    <br> Com o verde da esperan&ccedil;a    <br> Pois quem espera sempre alcan&ccedil;a    <br> Clube que orgulha o Brasil     <br> Retumbante de gl&oacute;rias    <br> E vit&oacute;rias mil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vence o Fluminense    <br> Com o sangue do encarnado    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Com calor e com vigor    <br> Faz a torcida querida    <br> Vibrar de emo&ccedil;&atilde;o o tricampe&atilde;o</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sou tricolor de cora&ccedil;&atilde;o    <br> Sou do clube tantas vezes campe&atilde;o    <br> Fascina pela sua disciplina    <br> O Fluminense me domina    <br> Eu tenho amor ao tricolor</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Salve o querido pavilh&atilde;o    <br> Das tr&ecirc;s cores que traduzem tradi&ccedil;&atilde;o    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> A paz, a esperan&ccedil;a e o vigor    <br> Unido e forte pelo esporte    <br> Eu sou &eacute; tricolor</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vence o Fluminense    <br> Usando a fidalguia    <br> Branco &eacute; paz e harmonia    <br> Brilha com o sol     <br> Da manh&atilde;     <br> Com a luz de um refletor    <br> salve o tricolor. (22)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a16img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, podemos afirmar que o hino popular composto por Lamartine Babo e, desde ent&atilde;o, executado nos momentos de festividade e de conquistas do Fluminense suplanta os hinos anteriores - tanto o de Coelho Neto, quanto o de Cardozo de Menezes Filho, este &uacute;ltimo n&atilde;o abordado no espa&ccedil;o deste estudo. Lamartine Babo, que nem era tricolor, mas sim torcedor fan&aacute;tico do Am&eacute;rica do Rio, teve a sensibilidade para compor um texto que muito nos diz em termos do modo de cantar os feitos de um clube com alegria e, sobretudo, toler&acirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OUTROS HINOS POPULARES DE CLUBES DO FUTEBOL BRASILEIRO: ALGUMAS CURIOSIDADES ANTES DO APITO FINAL </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo de letras de hinos de clubes de futebol brasileiro nos possibilita percorrer uma via de m&atilde;o dupla: se num sentido podemos analisar o modo como as imagens dos clubes s&atilde;o constru&iacute;das, noutro, podemos refletir tamb&eacute;m sobre o contexto s&oacute;cio-hist&oacute;rico em que foram compostas, numa leitura chave para a pr&oacute;pria sociedade brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, s&atilde;o in&uacute;meras as curiosidades reveladas por um estudo dessa natureza. Basta pensarmos, por exemplo, na letra do hino do Gr&ecirc;mio Foot-Ball Porto Alegrense, composta pelo sambista Lupic&iacute;nio Rodrigues em 1954, que viria a substituir o primeiro hino oficial do clube, composto em 1924 por Isolino Leal, de car&aacute;ter marcial, e o segundo hino, de 1946, "Marcha de guerra do Gr&ecirc;mio Porto Alegrense", composto por Breno Blauth. Tomemos os versos que comp&otilde;em o refr&atilde;o: "At&eacute; a p&eacute; n&oacute;s iremos / Para o que der e vier / Mas o certo &eacute; que n&oacute;s estaremos / Com o Gr&ecirc;mio, onde o Gr&ecirc;mio estiver". Apenas esses versos j&aacute; d&atilde;o margem para algumas conjecturas, entre elas, o sujeito coletivo "n&oacute;s" do "esp&iacute;rito cl&acirc;nico" enquanto componente &eacute;pico, apontado anteriormente, e tamb&eacute;m uma marca de apelo &agrave; fidelidade, de car&aacute;ter dram&aacute;tico. Tais versos cantam o esfor&ccedil;o do torcedor gremista em acompanhar o clube onde quer que ele v&aacute; ou esteja, mesmo que isso possa significar um tremendo esfor&ccedil;o de ir a p&eacute;. Reza a lenda, entretanto, que esses versos tiveram uma motiva&ccedil;&atilde;o bem concreta, por ocasi&atilde;o de uma greve de condutores de bondes na capital ga&uacute;cha, em 1953, ano do cinquenten&aacute;rio do clube, que comprometera at&eacute; mesmo a realiza&ccedil;&atilde;o de jogos na cidade. Naquela oportunidade, Lupic&iacute;nio teria se sentado numa mesa de bar e composto os famosos versos. Entretanto, nem tudo foi inspira&ccedil;&atilde;o do poeta bo&ecirc;mio, pois se valeu de uma frase que torcedores do Gr&ecirc;mio exibiam estampada numa faixa, nos jogos da equipe: "Com o Gr&ecirc;mio onde estiver o Gr&ecirc;mio", frase atribu&iacute;da a Salim Nigri (24).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na letra do hino popular do Gr&ecirc;mio, temos, portanto, um t&iacute;tulo exemplo de intertextualidade entre a frase da faixa e os versos de Lupic&iacute;nio Rodrigues. Ali&aacute;s, a intertextualidade pode ocorrer tamb&eacute;m entre hinos. Bons exemplos disso s&atilde;o as letras dos hinos compostos por Lamartine Babo. Os versos do hino do Clube de Regatas Flamengo, composto por Lal&aacute;, enfatizam o apelo &agrave; fidelidade, um dos elementos dram&aacute;ticos presentes em letras de hinos populares de clubes de futebol: "Vencer, vencer, vencer / Uma vez Flamengo, / Flamengo at&eacute; morrer" (25). Algo semelhante ocorre com os versos do hino do Am&eacute;rica do Rio: "Hei de torcer, torcer, torcer / Hei de torcer at&eacute; morrer, morrer, morrer" (26). Al&eacute;m do apelo &agrave; fidelidade "at&eacute; morrer", h&aacute; tamb&eacute;m um tra&ccedil;o estil&iacute;stico de Lamartine ao empregar os verbos "vencer", "torcer" e "morrer" em repeti&ccedil;&atilde;o trina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lamartine, por assim dizer, faria escola, pois d&eacute;cadas mais tarde, outro compositor de marchinhas de carnaval em Minas Gerais, Vicente Motta, se inspiraria naqueles hinos para compor a letra do hino do Clube Atl&eacute;tico Mineiro, em 1969, conforme demonstram os seguintes versos:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93;    <br>   Vencer, vencer, vencer...     <br> Este &eacute; o nosso ideal.    <br> &#91;...&#93;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lutar, lutar, lutar...    <br> Pelos gramados do mundo para vencer.    <br> Clube Atl&eacute;tico Mineiro, Uma vez at&eacute; morrer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lutar, lutar, lutar...     <br> Com toda a nossa ra&ccedil;a pra vencer.    <br> Clube Atl&eacute;tico Mineiro,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Uma vez at&eacute; morrer (27).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n2/a16img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Consta ainda que, prestigiado por ter vencido as &uacute;ltimas duas edi&ccedil;&otilde;es de concursos de marchinhas de carnaval na cidade de Belo Horizonte, Vicente Motta, que comp&ocirc;s tamb&eacute;m o hino do Am&eacute;rica mineiro, foi contratado pela diretoria do Atl&eacute;tico com a incumb&ecirc;ncia de exaltar a excurs&atilde;o vitoriosa &agrave; Europa, empreendida pelo clube em 1950, e tamb&eacute;m o t&iacute;tulo de Campe&atilde;o dos Campe&otilde;es de 1937. Tais feitos est&atilde;o registrados nos versos "N&oacute;s somos campe&otilde;es do gelo / O nosso time &eacute; imortal / N&oacute;s somos campe&otilde;es dos campe&otilde;es / Somos o orgulho do esporte nacional" (27).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra peculiaridade desse hino, que tamb&eacute;m se tornaria recorrente em outros hinos mais recentes, &eacute; a refer&ecirc;ncia &agrave; mascote do clube: "Clube Atl&eacute;tico Mineiro / Galo Forte Vingador". Cabe lembrar que a cria&ccedil;&atilde;o de mascotes para os clubes se deu, sobretudo, nas d&eacute;cadas de 1930, 1940 e 1950, no bojo da populariza&ccedil;&atilde;o do futebol. E muito mais curiosidades podem ser reveladas por um estudo dessa natureza, que nos auxiliam a "ler" o Brasil atrav&eacute;s do futebol.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trila o apito final.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.  Rodrigues, N. "A p&aacute;tria em chuteiras". In: Rodrigues, N. <i>A p&aacute;tria em chuteiras: novas cr&ocirc;nicas de futebol</i>.  S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras. 1994.  pp 179-181.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080851&pid=S0009-6725201400020001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.  Costa, A. da S. "Apresenta&ccedil;&atilde;o". In: Lovisaro, M.; Neves, L. C. (org.). <i>Futebol e sociedade: um olhar transdisciplinar</i>.  Rio de Janeiro: Ed. Uerj.  2006. p 9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080853&pid=S0009-6725201400020001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.  Bilac, O.; Passos, G. <i>Tratado de versifica&ccedil;&atilde;o</i>.  6. ed., S&atilde;o Paulo; Rio de Janeiro:  Francisco Alves. 1930. p 110.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080855&pid=S0009-6725201400020001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.  Cornelsen, E. "Literatura, m&uacute;sica e futebol: um olhar transdisciplinar". In:  Holanda, S. A. de O. (et al.) (org.). <i>Amaz&ocirc;nia,  culturas, linguagens</i>. Curitiba:  Ed. CRV. 2011. pp 134-135.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080857&pid=S0009-6725201400020001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.  Cornelsen, E. "Hinos de futebol nas Gerais: dos hinos marciais aos populares". <i>Aletria</i>.  n. 2, v. 22, pp 60-61, maio-ago. 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080859&pid=S0009-6725201400020001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.  Rosenfeld, A. <i>O teatro &eacute;pico</i>.  S&atilde;o Paulo: Desa. 1965. pp 3-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080861&pid=S0009-6725201400020001600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.  Guterman, M. <i>O futebol explica o Brasil: uma  hist&oacute;ria da maior express&atilde;o popular do pa&iacute;s</i>. S&atilde;o  Paulo: Contexto. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080863&pid=S0009-6725201400020001600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.  In: <i>L&iacute;ngua Portuguesa</i>.  caderno especial Futebol &amp; Linguagem. ano I, p  66, abril de 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080865&pid=S0009-6725201400020001600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.  DaMatta, R. "Antropologia do &oacute;bvio: um ensaio em torno do significado social  do futebol brasileiro". In: DaMatta, R. <i>A  bola corre mais que os homens</i>. Rio de  Janeiro: Rocco. 2006. p 163.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080867&pid=S0009-6725201400020001600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.  Couto, E. de F. "Os prim&oacute;rdios do futebol em Belo Horizonte. Aspectos do  pertencimento club&iacute;stico (1908-1927)". In: Silva, S. R. da; Debortoli, J.  A. de O.; Silva, t. F. da (org.). <i>O  futebol nas Gerais</i>. Belo Horizonte: Ed. UFMG. 2012. p 113.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080869&pid=S0009-6725201400020001600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Bellos, A. <i>Futebol:  the Brazilian way of life</i>. London: Bloomsbury. 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080871&pid=S0009-6725201400020001600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.  DaMatta, R. "Os milagres do futebol". In: DaMatta, R. <i>Explora&ccedil;&otilde;es: ensaios de sociologia interpretativa</i>.  2. ed., Rio de Janeiro: Rocco. 2011.  p 88-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080873&pid=S0009-6725201400020001600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.  Netto, C. "Primeiro hino oficial do Fluminense Football Club (1915)". Dispon&iacute;vel  em: <a href="http://www.fluminense.com.br/index.php?option=comcontent&amp;view=article&amp;id=83&amp;Itemid=83" target="_blank">http://www.fluminense.com.br/index.php?option=comcontent&amp;view=article&amp;id=83&amp;Itemid=83</a>;  acesso em: 05 ago. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080875&pid=S0009-6725201400020001600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14.  Mattos, C. "Fluminense e a origem nobre". In: Mattos, C. <i>Cem anos de paix&atilde;o: uma mitologia carioca no futebol</i>.  Rio de Janeiro: Rocco. 1997.  p 54-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080877&pid=S0009-6725201400020001600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15.  Franzini, F. "Quando a bola tinha cor". In: Franzini, F. <i>Cora&ccedil;&otilde;es na ponta da chuteira: epis&oacute;dios iniciais da hist&oacute;ria do futebol  brasileiro (1919- 1938). </i>Rio de  Janeiro: DP&amp;A. 2003. pp 46-47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080879&pid=S0009-6725201400020001600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16.  Xavier, B. <i>Futebol no pa&iacute;s da m&uacute;sica</i>.  S&atilde;o Paulo: Panda Books. 2009. p 25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080881&pid=S0009-6725201400020001600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Xavier, B., <i>op.cit</i>. p 37. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18.  Oliveira, S. R. de. <i>Literatura e m&uacute;sica: modula&ccedil;&otilde;es  p&oacute;s-coloniais</i>. S&atilde;o Paulo:  Perspectiva. 2002. p 12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080884&pid=S0009-6725201400020001600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19.  Xavier, B., <i>op. cit</i>.,  p 52. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20.  Valen&ccedil;a, S. <i>Tra-la-l&aacute;</i>.  Rio de Janeiro: Funarte. 1981. p 158.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080887&pid=S0009-6725201400020001600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21.  Jebaili, P. "Para cantar de cor". <i>L&iacute;ngua  Portuguesa</i>. caderno especial Futebol  &amp; Linguagem. ano I, p 55, abril de 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080889&pid=S0009-6725201400020001600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22.  Babo, L.; Pannicalli, L. "Hino popular do Fluminense Sport Club (1945)".  Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.fluminense.com.br/index.php?option=comcontent&amp;view=article&amp;id=83&amp;Itemid=83" target="_blank">http://www.fluminense.com.br/index.php?option=comcontent&amp;view=article&amp;id=83&amp;Itemid=83</a>; acesso em:  05 ago. 2009. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23.  Franco Junior, H. <i>A dan&ccedil;a dos deuses: futebol,  cultura, sociedade</i>. S&atilde;o Paulo:  Companhia das Letras. 2007. pp 213-224.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080892&pid=S0009-6725201400020001600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24.  Xavier, B., <i>op. cit</i>.,  p 121. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25.  Valen&ccedil;a, <i>op. cit</i>.,  p 159. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26.  Valen&ccedil;a, <i>op. cit</i>.,  p 160. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27.  Motta, V. Hino atual do Clube Atl&eacute;tico Mineiro (1969). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.atletico.com.br/site/cam/hino" target="_blank">http://www.atletico.com.br/site/cam/hino</a>;  acesso em: 05 ago. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=080897&pid=S0009-6725201400020001600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Elcio Cornelsen</b> &eacute; professor associado da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que atua nos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em estudos liter&aacute;rios dessa institui&ccedil;&atilde;o e no interdisciplinar em estudos do lazer, da Escola de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Desde 2010, coordena o N&uacute;cleo de Estudos sobre Futebol, Linguagem e Artes (Fulia), e &eacute; bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq e do Programa Pesquisador Mineiro da Fapemig. </i></font></p>     ]]></body>
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