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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br>   CACHA&Ccedil;A</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pesquisa e novos neg&oacute;cios na redescoberta desse aguardente secular</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mariana de Castro Alves</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com quase quinhentos anos, a hist&oacute;ria da cacha&ccedil;a confunde-se com a do Brasil. Primeira bebida destilada das Am&eacute;ricas - criada antes do pisco peruano e da tequila mexicana -, &eacute; cada vez mais valorizada por um p&uacute;blico sofisticado, disposto a pagar pre&ccedil;os de malte escoc&ecirc;s envelhecido 12 anos. Sua imagem tipicamente popular adquiriu o charme de uma bebida de qualidade, genuinamente brasileira. A transforma&ccedil;&atilde;o deve-se a fatores de natureza econ&ocirc;mica e cultural e a iniciativas de produtores e do Estado para expandir seu consumo. Uma das iniciativas para fortalecer a cadeia produtiva da cacha&ccedil;a foi feita pela C&acirc;mara Setorial da Cacha&ccedil;a, do Minist&eacute;rio da Agricultura, composta por representantes do setor privado e do governo. O trabalho da C&acirc;mara resultou na elabora&ccedil;&atilde;o da Agenda Estrat&eacute;gica 2010 - 2015 para Cacha&ccedil;a. Publicada em 2011, a Agenda estabelece um plano de a&ccedil;&atilde;o para diversas &aacute;reas envolvidas nesta cadeia produtiva como legisla&ccedil;&atilde;o, intelig&ecirc;ncia competitiva, levantamento da produ&ccedil;&atilde;o e estoques de aguardente de cana e cacha&ccedil;a, pesquisa e desenvolvimento, entre outras. De acordo com Jairo Martins da Silva, superintendente-geral da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional da Qualidade (entidade sem fins lucrativos, ligada ao setor empresarial), a Agenda deve fortalecer a imagem da cacha&ccedil;a como um produto genuinamente brasileiro, melhorar sua qualidade, al&eacute;m de tamb&eacute;m coibir a produ&ccedil;&atilde;o e o com&eacute;rcio de produtos clandestinos. Para Martins, que h&aacute; alguns anos trabalha na divulga&ccedil;&atilde;o da cacha&ccedil;a brasileira na Europa, os produtores t&ecirc;m dado mais import&acirc;ncia &agrave; qualidade. "Isso &eacute; muito positivo, especialmente neste momento em que vamos receber grande n&uacute;mero de p&uacute;blico estrangeiro durante a Copa do Mundo e os Jogos Ol&iacute;mpicos", acredita. A divulga&ccedil;&atilde;o correta da nossa bebida mais famosa pode abrir portas para aumentar a exporta&ccedil;&atilde;o do produto. Em 2013, a exporta&ccedil;&atilde;o foi de nove milh&otilde;es de litros, para 59 pa&iacute;ses, n&uacute;mero 12% maior do que no ano anterior, segundo informa&ccedil;&otilde;es do Instituto Brasileiro da Cacha&ccedil;a (Ibrac). Os maiores importadores s&atilde;o Alemanha, Estados Unidos e Portugal. "Podemos vender mais para outros pa&iacute;ses. A exporta&ccedil;&atilde;o da cacha&ccedil;a n&atilde;o chega a 1% do que &eacute; produzido. Esse &eacute; um desafio", aponta Jairo Martins.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CAPACITA&Ccedil;&Atilde;O</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O novo status da cacha&ccedil;a j&aacute; se reflete no mercado de trabalho, ao gerar demandas por novos profissionais. Por meio de uma parceria com o Ibrac, o Senac S&atilde;o Paulo oferece, desde 2006, um curso para formar o <i>sommelier</i> de cacha&ccedil;a. Assim como o especialista em vinho, ele seleciona bons produtos, elabora cartas, serve clientes da maneira correta, sugerindo diferentes tipos de aguardentes com possibilidades de degusta&ccedil;&atilde;o e harmoniza&ccedil;&atilde;o. O <i>sommelier</i> de cacha&ccedil;a tamb&eacute;m desenvolve a&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o que possam contribuir para a aprecia&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o da cultura cachacista. "T&iacute;nhamos um problema no setor de servi&ccedil;os. Depois de organizar toda a cadeia produtiva para gerar um produto de qualidade, na hora de servir a bebida o gar&ccedil;om n&atilde;o estava preparado para atender, para explicar as peculiaridades da nossa cacha&ccedil;a. Isso prejudicava muito a imagem do produto porque a classe m&eacute;dia alta, em especial, consome a aguardente nos restaurantes", conta Martins, que tamb&eacute;m &eacute; professor de tecnologia de bebidas, da Universidade Anhembi Morumbi.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PESQUISAS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A universidade tem tido um papel importante no aprimoramento da cacha&ccedil;a brasileira. Uma das pesquisas que melhoraram a qualidade do produto foi a descoberta de uma levedura natural que acelera a fermenta&ccedil;&atilde;o e d&aacute; cor e aroma especial &agrave; bebida. "Os produtores da nossa regi&atilde;o reclamavam que perdiam toda a produ&ccedil;&atilde;o da cacha&ccedil;a na etapa da fermenta&ccedil;&atilde;o porque a cacha&ccedil;a ficava muito &aacute;cida", conta a agr&ocirc;noma Rosane Schwan, da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Depois de um longo trabalho de sele&ccedil;&atilde;o, que envolveu a pesquisa em mais de 1,2 mil leveduras, a equipe da Rosane chegou a quatro tipos que revelaram os melhores resultados. A UFLA-CA11, uma dessas leveduras, j&aacute; est&aacute; sendo comercializada para produtores de cacha&ccedil;a artesanal. "S&oacute; &eacute; considerada artesanal a cacha&ccedil;a produzida com caldo de cana-de-a&ccedil;&uacute;car <i>in natura</i>, sem adi&ccedil;&atilde;o de produtos qu&iacute;micos. A destila&ccedil;&atilde;o deve ser feita em alambiques de cobre", explica Rosane. A aguardente industrial pode ser de caldo de cana ou mela&ccedil;o, permite o uso de nutrientes, como sulfato de am&ocirc;nia e ureia, e a destila&ccedil;&atilde;o pode ser feita em recipientes de a&ccedil;o inox.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A levedura desenvolvida na UFLA acelera o processo de fermenta&ccedil;&atilde;o (ver box) e, devido &agrave; toler&acirc;ncia a altas concentra&ccedil;&otilde;es de etanol, produz mais cacha&ccedil;a a partir da mesma quantidade de cana, quando comparada &agrave;s leveduras dispon&iacute;veis no mercado. Ela propicia ainda um sabor frutal e aroma diferenciado, resultantes da produ&ccedil;&atilde;o de alguns &aacute;lcoois superiores. Outra vantagem da UFLA-CA11 &eacute; que ela n&atilde;o produz os chamados alde&iacute;dos na mesma quantidade que as leveduras utilizadas pela ind&uacute;stria atual. Eles s&atilde;o respons&aacute;veis pela desagrad&aacute;vel ressaca do dia seguinte. "A maior aceita&ccedil;&atilde;o da cacha&ccedil;a tem a ver com a melhoria da qualidade da bebida, uma bebida sem metanol, menos alde&iacute;do e outras metab&oacute;licos t&oacute;xicos", acredita Rosane Schwan. A nova levedura tamb&eacute;m &eacute; mais resistente aos contaminantes que porventura estejam presentes na cana.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOVOS SABORES</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estimativas do Ibrac apontam que existem cerca de quatro mil marcas e 40 mil produtores no Brasil, sendo 99% de pequeno porte. Thiago Nego, de 30 anos, &eacute; um deles. Ele produz artesanalmente a cacha&ccedil;a Samba Nego. S&atilde;o apenas 30 garrafas por m&ecirc;s. A bebida &eacute; um composto de aguardente feito com erva-doce, caramelo e lim&atilde;o siciliano. Thiago e mais dois amigos sempre gostaram da bebida, mas sentiam falta de um produto diferente. "A gente sempre escutava as pessoas dizerem que gostariam de tomar cacha&ccedil;a, mas que era uma bebida muito forte. Quer&iacute;amos produzir uma cacha&ccedil;a que agradasse esse perfil de consumidor", diz. "Demoramos uma ano e meio para chegar &agrave; receita ideal", conta. A distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; feita apenas em bares e restaurantes de alguns bairros da capital paulista como Pinheiros, Vila Madalena e Perdizes. "Queremos preservar a qualidade com pre&ccedil;o baixo. Nossa meta &eacute; aumentar a produ&ccedil;&atilde;o para 180 garrafas mensais". Todas trazem no r&oacute;tulo um recado para velhos e novos consumidores: "Uma homenagem aos brasileiros que est&atilde;o em busca de novos sabores e combina&ccedil;&otilde;es".</font></p>     ]]></body>
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