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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Conheça melhor a doença que está chegando ao Brasil e pode causar uma epidemia pelo país]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/brasil.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">F<small>EBRE DE</small> C<small>HIKUNGUNYA</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v66n4/line_blk.jpg"></P>     <P><font size="4"><b>Conhe&ccedil;a melhor     a doen&ccedil;a que est&aacute; chegando ao Brasil     e pode causar uma epidemia pelo pa&iacute;s</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Com nome complicado e ainda pouco conhecido pelos brasileiros, a febre de Chikungunya est&aacute; chegando ao pa&iacute;s. A doen&ccedil;a &eacute;, em alguns aspectos, similar &agrave; dengue. Al&eacute;m de sintomas parecidos, a semelhan&ccedil;a mais importante &eacute; o modo de transmiss&atilde;o: a picada do mosquito <I>Aedes aegypti</I>. Por esse motivo, sua propaga&ccedil;&atilde;o pelo Brasil &eacute; quase certa. &Eacute; poss&iacute;vel, at&eacute; mesmo, que gere uma epidemia no futuro pr&oacute;ximo.</font></P>     <p><font size="3">"O Brasil apresenta todas as condi&ccedil;&otilde;es para que ocorra uma epidemia", diz Vitor Laerte, pesquisador da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz de Bras&iacute;lia e consultor do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de para a febre de Chikungunya. "Toda a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; suscet&iacute;vel, o vetor &eacute; competente para transmiss&atilde;o do v&iacute;rus e &eacute; disseminado em quase todo territ&oacute;rio nacional".</font></P>     <p><font size="3">No dia 16 de setembro, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de registrou dois casos da febre de Chikungunya no munic&iacute;pio de Oiapoque, no Amap&aacute;, em pessoas que n&atilde;o viajaram para pa&iacute;ses onde ocorre transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a. Esses foram os dois primeiros casos de transmiss&atilde;o dentro do pa&iacute;s, chamados de aut&oacute;ctones.  Nas duas semanas seguintes, foram confirmados mais 41 casos aut&oacute;ctones no Brasil, dentre os quais 33 no munic&iacute;pio de Feira de Santana, na Bahia, e mais oito em Oiapoque. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/a05img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A febre de Chikungunya foi descrita pela primeira vez em um surto na Tanz&acirc;nia em 1952. Seu nome deriva de uma palavra de um dialeto de tribos africanas chamado Kimakonde. A tradu&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima &eacute; "se contorcer", provavelmente devido &agrave; forte dor causada pela doen&ccedil;a nas articula&ccedil;&otilde;es. Em dezembro de 2013, a febre foi diagnosticada na ilha caribenha de S&atilde;o Martinho. At&eacute; setembro de 2014, segundo dados da Organiza&ccedil;&atilde;o Pan&#45;Americana de Sa&uacute;de (Opas), j&aacute; haviam sido confirmados mais de 10.600 casos nas Am&eacute;ricas, incluindo pa&iacute;ses pr&oacute;ximos ao Brasil, como Venezuela e Col&ocirc;mbia.</font></P>     <p><font size="3"><b>MECANISMOS E SINTOMAS</b> A febre de Chikungunya &eacute; causada por um v&iacute;rus do g&ecirc;nero <I>Alphavirus</I>, que ataca os macr&oacute;fagos, c&eacute;lulas de defesa do corpo, e pode se alojar nas articula&ccedil;&otilde;es, causando dor intensa nessas regi&otilde;es. Esse e outros sintomas caracter&iacute;sticos da doen&ccedil;a, que incluem febre alta, dor de cabe&ccedil;a, n&aacute;useas e manchas pelo corpo, geralmente aparecem de 4 a 8 dias ap&oacute;s a picada do mosquito. Na maior parte dos casos, a febre Chikungunya apresenta apenas uma fase aguda, que pode durar dias ou semanas. Por&eacute;m, em uma pequena propor&ccedil;&atilde;o de casos, as dores nas articula&ccedil;&otilde;es podem se tornar cr&ocirc;nicas e persistirem por meses ou anos.</font></P>     <p><font size="3">"Ainda n&atilde;o se sabe exatamente porque algumas pessoas desenvolvem a forma cr&ocirc;nica e outras n&atilde;o", diz Andr&eacute; Freitas, m&eacute;dico da Coordenadoria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de da Secretaria de Sa&uacute;de de Campinas. "Nos pacientes que apresentam a forma cr&ocirc;nica, os v&iacute;rus permaneceram nos macr&oacute;fagos meses ap&oacute;s a infec&ccedil;&atilde;o inicial. A propor&ccedil;&atilde;o de pacientes que desenvolve essa forma mais grave &eacute; estimada em 10%".</font></P>     <p><font size="3">A doen&ccedil;a pode levar ao &oacute;bito, por&eacute;m os casos de mortes relacionados &agrave; febre Chikungunya s&atilde;o raros. A infec&ccedil;&atilde;o de mulheres gr&aacute;vidas, por&eacute;m, pode trazer s&eacute;rios riscos para seus filhos. "No momento do parto, m&atilde;es que t&ecirc;m febre de Chikungunya podem transmiti&#45;la para o rec&eacute;m&#45;nascido", afirma Laerte. "Por conta disso, a crian&ccedil;a pode desenvolver doen&ccedil;as graves, como encefalites, por exemplo".</font></P>     <p><font size="3"><b>TRATAMENTOS E PREVEN&Ccedil;&Atilde;O</b> Assim como no caso da dengue, n&atilde;o h&aacute; tratamento espec&iacute;fico para a febre de Chikungunya. As recomenda&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de s&atilde;o direcionadas para aliviar os sintomas, sendo indicado o uso de analg&eacute;sicos para melhorar o quadro de febre e de dores articulares. O uso de anti&#45;inflamat&oacute;rios &eacute; desaconselhado, pois a diferencia&ccedil;&atilde;o com dengue pode ser dif&iacute;cil no momento epidemiol&oacute;gico atual do Brasil. Esses medicamentos podem ser utilizados apenas depois de a dengue ser descartada e o diagn&oacute;stico da febre confirmado.</font></P>     <p><font size="3">"Existem laborat&oacute;rios americanos que est&atilde;o come&ccedil;ando a pesquisar uma vacina para a doen&ccedil;a", diz Laerte. "Por&eacute;m, ainda est&atilde;o em fase experimental e talvez demore anos at&eacute; que chegue ao mercado".</font></P>     <p><font size="3">Na Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, cientistas testaram em primatas uma vacina com o v&iacute;rus atenuado da febre de Chikungunya. Os animais n&atilde;o desenvolveram a doen&ccedil;a e tamb&eacute;m n&atilde;o apresentaram efeitos colaterais, o que significa que a vacina foi eficiente e segura. Exames em humanos ainda n&atilde;o foram feitos, portanto embora promissora, n&atilde;o h&aacute; garantia de que os resultados sejam os mesmos, e n&atilde;o h&aacute; previs&atilde;o de data para se tornar dispon&iacute;vel &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Para preven&ccedil;&atilde;o e conten&ccedil;&atilde;o de uma poss&iacute;vel epidemia, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de elaborou, no final de 2013, um plano nacional de conting&ecirc;ncia da doen&ccedil;a. Suas principais metas s&atilde;o o treinamento de profissionais da sa&uacute;de, a divulga&ccedil;&atilde;o de medidas &agrave;s secretarias de sa&uacute;de e a prepara&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios de refer&ecirc;ncia para o diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a. Tamb&eacute;m houve a elabora&ccedil;&atilde;o do manual de manejo cl&iacute;nico da febre de Chigunkunya e do guia de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica da doen&ccedil;a, que ser&aacute; lan&ccedil;ado ainda este ano.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O principal m&eacute;todo de preven&ccedil;&atilde;o, entretanto, continua sendo o mesmo da dengue &#150; evitar picadas do mosquito <I>Aedes aegypti.</i></font></p>     <p><font size="3">"Para quem estiver viajando ou for viajar para regi&otilde;es onde h&aacute; casos aut&oacute;ctones, &eacute; fundamental usar repelente e evitar picadas", diz Freitas. "Para quem viajou para essas regi&otilde;es e come&ccedil;ar a apresentar sintomas, &eacute; importante avisar seu m&eacute;dico para que este possa fazer o diagn&oacute;stico e notificar a vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de. Desta forma, novas transmiss&otilde;es poder&atilde;o ser evitadas e o tratamento poder&aacute; ser realizado adequadamente", orienta.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><I>Ricardo Aguiar</i></font></p>     <P>&nbsp;</p>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/a05img02.jpg"></p>      ]]></body>
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