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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>MANOEL DE OLIVEIRA</b></font></P>     <p><font size=5><b>C<small>INEASTA PORTUGU&Ecirc;S COMPLETA 105 NA ATIVA</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Ele nasceu 13 anos ap&oacute;s a inven&ccedil;&atilde;o do cinemat&oacute;grafo e rodou seu primeiro filme 36 anos depois da exibi&ccedil;&atilde;o de <I>L'arriv&eacute;e dun train &agrave; la ciotat</I>, a primeira apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica dos irm&atilde;os Lumi&eacute;re. Hoje, com 105 anos, o cineasta portugu&ecirc;s Manoel­ de Oliveira ainda se mant&eacute;m na ativa e est&aacute; filmando sua mais nova obra, <I>O velho do restelo</I>.</font></P>     <p><font size="3">O mais velho cineasta ainda ativo coleciona n&uacute;meros realmente impressionantes. Com mais de 80 anos de carreira, ele j&aacute; fez mais de 60 filmes entre longas, m&eacute;dias e curtas metragens, document&aacute;rios e obras de fic&ccedil;&atilde;o. Por sua obra foi premiado mais de 40 vezes, incluindo o Festival Internacional de Berlim (2009 e 1981), o Festival de Cannes (2008, 1999, 1997, 1990), o European Film Award (2007) e o Globo de Ouro (2009, 2002, 2001, 1999 e 1997).</font></P>     <p> <font size="3">"Ao longo de uma carreira que j&aacute; conta 83 anos de produ&ccedil;&atilde;o, Manoel de Oliveira alcan&ccedil;ou segura maturidade como cineasta, quer no &acirc;mbito do cinema de fic&ccedil;&atilde;o quer no do document&aacute;rio, tendo feito j&aacute; diversas experi&ecirc;ncias de montagem cinematogr&aacute;fica e de dura&ccedil;&atilde;o de planos e sequ&ecirc;ncias, criando assim uma est&eacute;tica cinematogr&aacute;fica pr&oacute;pria", aponta Renata Soares Junqueira, professora de literatura na Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Letras da Unesp e organizadora do livro <I>Manoel de Oliveira: uma presen&ccedil;a</I> &#150; <I>estudos de literatura e cinema</I> (Editora Perspectiva). </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/a17img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>RELEITURA DE CAM&Otilde;ES</b> A nova obra do diretor portugu&ecirc;s &eacute; um curta&#45;metragem baseado no personagem criado por Lu&iacute;s de Cam&otilde;es no canto IV da sua obra <I>Os lus&iacute;adas. </I>Oliveira faz uma leitura pessoal do personagem pessimista e derrotista, que na obra de Cam&otilde;es previu cat&aacute;strofes iminentes, para abordar temas atuais, como a atual crise econ&ocirc;mica que afeta a Europa, especialmente Portugal.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Adaptar obras liter&aacute;rias para o cinema &eacute; uma das marcas registradas do cineasta. "A grande maioria dos filmes de Manoel de Oliveira inspira&#45;se em contos, romances, pe&ccedil;as de teatro ou documentos de natureza historiogr&aacute;fica", aponta Junqueira. "Sem deixar de ser bastante fiel aos textos que adapta para exibi&ccedil;&atilde;o na grande tela, ele transforma esses mesmos textos em algo novo, produto que &eacute;, em &uacute;ltima an&aacute;lise, surpreendentemente distinto do modelo que o originou", continua.</font></P>     <p><font size="3">Dante Alighieri, (<I>A divina com&eacute;dia</I>), Camilo Castelo Branco (<I>Amor de perdi&ccedil;&atilde;o</I>) e E&ccedil;a de Queiroz (<I>Singularidades de uma rapariga loura</I>) s&atilde;o alguns dos autores que j&aacute; inspiraram a obra de Oliveira. E Machado de Assis tamb&eacute;m est&aacute; nos projetos do cineasta &#150; e talvez em um dos mais ambiciosos. Oliveira planeja produzir <I>A igreja do diabo</I>, que ter&aacute; como base tr&ecirc;s contos do escritor brasileiro (<I>Missa do galo</I>, <I> Ideias de can&aacute;rio</I> e <I>A igreja do diabo</I>, que intitula a obra). O filme come&ccedil;ou a ser rodado em 2011, por&eacute;m Oliveira decidiu interromper o projeto para realizar outra obra, <I>O gebo e a sombra</I>, lan&ccedil;ada em 2012. H&aacute; especula&ccedil;&otilde;es de que o cineasta planeje retomar o projeto assim que terminar <I>O velho do restelo</I> e que o filme seja lan&ccedil;ado em 2015 ou ainda este ano, com Lima Duarte e Fernanda Montenegro no elenco. Mas o pr&oacute;prio diretor &eacute; cauteloso ao falar sobre isso.</font></P>     <p><font size="3">Oliveira tamb&eacute;m tem cria&ccedil;&otilde;es bem pr&oacute;prias, como o aclamado filme <I>O estranho caso de Ang&eacute;lica</I>. E todas as suas obras tem a sua "assinatura", ou seja, seu modo &uacute;nico n&atilde;o apenas de fazer mas, tamb&eacute;m, de  viver o cinema. "Oliveira apresenta a dissemina&ccedil;&atilde;o de um olhar generoso e inteligente, mas sempre renovado. Recria sentimentos de pertencimento e critica comportamentos distorcidos, como a mentira, a gan&acirc;ncia e a soberba. Sua antropologia visual n&atilde;o se det&eacute;m nas formas de capta&ccedil;&atilde;o, mas na significa&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o contempor&acirc;neos tamb&eacute;m os seus recortes de realidade que s&atilde;o percebidos como olhares poss&iacute;veis", afirma At&iacute;lio Avancini, professor do Departamento de Jornalismo e Editora&ccedil;&atilde;o (CJE) e do Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Meios e Processos Audiovisuais (PPGMPA) da Escola de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o&#45;Jornalismo (ECA) da USP.</font></P>     <p><font size="3"><b>ALTA PRODUTIVIDADE</b> Manoel de Oliveira come&ccedil;ou a fazer cinema com 21 anos de idade, quando ganhou de seu pai uma filmadora. Inspirado pelo filme <I>Berlim, sinfonia de uma cidade (</I>Walter Ruttmann, 1927), decidiu filmar a vida cotidiana do lugar em que vivia, no Porto. Assim produziu seu primeiro filme, <I>Douro, faina fluvial</I> (1931), e o inscreveu no V Congresso Internacional da Cr&iacute;tica em Lisboa. O filme suscita o desagrado da cr&iacute;tica portuguesa e a admira&ccedil;&atilde;o de outros pa&iacute;ses. Isso porque Oliveira mostrava a dura realidade dos moradores e trabalhadores empobrecidos da regi&atilde;o. "A proposta est&eacute;tica do cineasta portugu&ecirc;s faz absorver gestos criativos de outras &aacute;reas art&iacute;sticas como o teatro de Bertold Brecht (1898&#45;1956). O mote do novo cinema portugu&ecirc;s, surgido em 1960, preconiza a&ccedil;&otilde;es realistas a partir de uma narrativa n&atilde;o ilusionista. Seus pressupostos est&eacute;ticos s&atilde;o politizados ao propor uma rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, geogr&aacute;fica, ecol&oacute;gica e filos&oacute;fica com suas imagens", explica Avancini.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n4/a17img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Nos primeiros 30 anos de sua carreira, Manoel de Oliveira dedicou&#45;se a fazer document&aacute;rios &#150; foram nove at&eacute; 1963, e apenas uma fic&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo: <I>Aniki&#45;B&oacute;b&oacute; </I>(1942).  Em toda sua longa carreira, o cineasta filmou dezoito document&aacute;rios &#150; e &agrave;s vezes uma fus&atilde;o de document&aacute;rio com fic&ccedil;&atilde;o &#150; e 33 filmes de fic&ccedil;&atilde;o. Durante todo esse tempo, a produtividade do cineasta manteve&#45;se alta: Oliveira entrou no s&eacute;culo XX, atravessou a ditadura salazarista em Portugal e adentrou o s&eacute;culo XXI realizando cerca de um filme por ano.</font></P>     <p><font size="3">Uma das caracter&iacute;sticas marcantes nas obras do cineasta portugu&ecirc;s &eacute; seu m&eacute;todo disjuntivo de composi&ccedil;&atilde;o, que provoca um distanciamento dos espectadores ao inv&eacute;s de uma aproxima&ccedil;&atilde;o &#150; tal como o teorizou e praticou Brecht "Seu m&eacute;todo disjuntivo de composi&ccedil;&atilde;o provoca sistematicamente choques nos seus espectadores de modo a dificultar a identifica&ccedil;&atilde;o com o que na tela se apresenta. Seja mediante opera&ccedil;&otilde;es de decupagem que promovem rupturas na linearidade l&oacute;gica da diegese ou que frustram as expectativas de senso comum dos espectadores, seja pelo enquadramento ins&oacute;lito ou pelo culto destemido dos longos planos fixos, seja ainda pela dire&ccedil;&atilde;o do trabalho dos atores, que s&atilde;o orientados a interpretar artificialmente os seus pap&eacute;is, abandonando a mimesis naturalista, ou seja, tamb&eacute;m pela sugest&atilde;o de di&aacute;logos t&aacute;citos que os seus filmes parecem estabelecer entre si, configurando assim uma rede bem urdida de remiss&otilde;es internas que o espectador desprevenido nem sempre consegue acompanhar", explica Junqueira.</font></P>     <p><font size="3"><b>LONGEVIDADE</b> Qual o segredo da longevidade de Manoel de Oliveira? O cineasta j&aacute; declarou, em entrevista a jornais e revistas, que deve sua longevidade &agrave; sua alimenta&ccedil;&atilde;o, que afirma ser &agrave; base de sopa de legumes e grelhados &#150; o que muitos entrevistadores j&aacute; contradisseram ao testemunhar Oliveira se fartando em refei&ccedil;&otilde;es variadas. Al&eacute;m disso, ele tamb&eacute;m afirma que &eacute; importante manter&#45;se ativo e estimular o intelecto, o que segue ao p&eacute; da letra.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"O pr&oacute;prio cineasta j&aacute; disse, em diversos depoimentos, que fazer cinema &eacute; o que o alimenta e lhe vai prolongando a vida", conta Junqueira. Ao que complementa Avancini: "Oliveira afirma, no alto de sua maturidade: 'Os artistas querem recriar o mundo como se fossem pequenos deuses e fazem um constante repensar sobre a hist&oacute;ria e a vida. Mas, por que acreditamos? Porque acreditamos na mem&oacute;ria'. Talvez o segredo de sua longevidade seja evidenciar que a &uacute;nica coisa verdadeira &eacute; a mem&oacute;ria. Mas que ela &eacute; tamb&eacute;m uma inven&ccedil;&atilde;o: 'o cinema traz fantasmas do passado". </font></P>     <p><font size="3">Talvez, mais sobre o segredo de sua longevidade seja revelado no document&aacute;rio autobiogr&aacute;fico de confiss&otilde;es e mem&oacute;rias que Manoel de Oliveira filmou em 1982. Mas, como o filme s&oacute; ser&aacute; exibido depois da sua morte, ainda vamos esperar muito para v&ecirc;&#45;lo.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><I>Chris Bueno</i></font></P>      ]]></body>
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