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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>TEND&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Reflex&otilde;es sobre sustentabilidade urbana</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Suzana Kahn</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A urbaniza&ccedil;&atilde;o crescente &eacute; mais que uma tend&ecirc;ncia global, &eacute; uma certeza que transforma sociedades e aumenta o con-sumo de energia no mundo. Em 1900, quando a popula&ccedil;&atilde;o global era de 1,6 bilh&atilde;o, somente 13% da popula&ccedil;&atilde;o vivia em &aacute;reas urbanas (cerca de 200 milh&otilde;es). Hoje, mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial (3,6 bilh&otilde;es) vive em cidades. Em 2050, espera-se que a popula&ccedil;&atilde;o urbana cres&ccedil;a para 5,6 a 7,1 bilh&atilde;o, ou seja, entre 64% e 69% da popula&ccedil;&atilde;o mundial. As &aacute;reas urbanas dever&atilde;o triplicar at&eacute; 2030, Segundo o Relat&oacute;rio de Mitiga&ccedil;&atilde;o do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (1).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">&Eacute; importante notar que esse aumento se dar&aacute; em quase sua totalidade nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Dependendo de como a pol&iacute;tica para o planejamento urbano for implementada, este aspecto poder&aacute; tanto ser positivo, com modelos de urbaniza&ccedil;&atilde;o modernos e sustent&aacute;veis, quanto negativo, com a continuidade do crescimento ca&oacute;tico das cidades dos pa&iacute;ses mais pobres.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">As cidades, atualmente, j&aacute; consomem mais da metade da energia prim&aacute;ria mundial com a consequente emiss&atilde;o de gases de efeito estufa, o que contribui para o agravamento do aquecimento global. Assim, as cidades n&atilde;o apenas contribuem significativamente para as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, mas s&atilde;o por elas muito afetadas. Os efeitos adversos do clima, como inunda&ccedil;&otilde;es, deslizamentos, au	mento de temperatura e chuvas intensas, s&atilde;o mais percebidos pela popula&ccedil;&atilde;o urbana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Por tudo isso, as cidades passaram a ocupar um papel central nas pol&iacute;ticas e preocupa&ccedil;&otilde;es associadas ao desenvolvimento sustent&aacute;vel, foco dos recentes compromissos e metas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para s&eacute;culo XXI.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Recentemente, tanto o documento resultante da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, Rio+20 - "O Futuro que Queremos" (2) - como as propostas para os Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS), incluem t&oacute;picos espec&iacute;ficos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s cidades. No caso do "O Futuro que Queremos", o par&aacute;grafo 134 do documento explicita a import&acirc;ncia das cidades para um futuro sustent&aacute;vel e reconhece que a mobilidade &eacute; um tema central para o desenvolvimento sustent&aacute;vel. O transporte sustent&aacute;vel auxilia no crescimento econ&ocirc;mico e na acessibilidade sendo, portanto, um meio de se atingir a equidade social, melhorar a sa&uacute;de e resili&ecirc;ncia das cidades. Neste contexto, um dos temas centrais para a busca da sustentabilidade das cidades &eacute; a melhoria da mobilidade, que desempenha um papel crucial da qualidade de vida urbana. A busca por um sistema de transporte adequado a uma nova realidade, inclui novas tecnologias, tanto de ve&iacute;culos como de combust&iacute;veis e de infraestrutura, mas tamb&eacute;m novas pr&aacute;ticas e padr&otilde;es de consumo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Evidentemente, n&atilde;o se encontrar&aacute; uma &uacute;nica e satisfat&oacute;ria solu&ccedil;&atilde;o para a melhoria da mobilidade urbana, mas sim um conjunto de solu&ccedil;&otilde;es, dependendo do tamanho da cidade em quest&atilde;o, de suas caracter&iacute;sticas socioecon&ocirc;micas e geogr&aacute;ficas, al&eacute;m dos aspectos culturais de seus habitantes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">O que facilita essa busca por um mode-lo sustent&aacute;vel de mobilidade &eacute; o fato de que a maior parte da expans&atilde;o urbana esperada ainda nem ocorreu, conforme comentado anteriormente neste artigo, o que faz com que se tenha algum tempo restante para incorporar novas pr&aacute;ticas. Sabe-se que a chance de crescer da mesma forma que as cidades mais antigas e desenvolvidas n&atilde;o existe mais. A transi&ccedil;&atilde;o para uma economia de baixo carbono &eacute; inevit&aacute;vel. O mundo, indubitavelmente, caminha para um per&iacute;odo com maiores restri&ccedil;&otilde;es ambientais. Assim, o planejamento de um sistema de transporte urbano sustent&aacute;vel n&atilde;o poder&aacute; ficar defasado do modelo de desenvolvimento do futuro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">O setor de transporte no mundo foi respons&aacute;vel, em 2010, por aproximadamente 23% das emiss&otilde;es do principal g&aacute;s de efeito estufa, o di&oacute;xido de carbono (CO<Sub>2</Sub>), relacionadas &agrave; energia (1). Caso nada seja feito, &eacute; esperado que o setor de transportes tenha a maior taxa de crescimento das emiss&otilde;es de CO<Sub>2</Sub> comparado com os demais setores que usam energia. Em termos das alternativas de diminui&ccedil;&atilde;o de emiss&atilde;o de gases de efeito estufa no setor de transportes &eacute; poss&iacute;vel: a) pro-mover a <b>redu&ccedil;&atilde;o de viagens</b> motorizadas como, por exemplo, aumento da densidade urbana, uso de tecnologia de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, consumo local, reduzindo o deslocamento das mercadorias; b) <b>mudan&ccedil;a de modal</b> de trans-porte, priorizando os menos intensivos em energia de origem f&oacute;ssil tais como o incentivo ao emprego de bicicleta e transporte p&uacute;blico seja atrav&eacute;s de oferta de infraestrutura como moderniza&ccedil;&atilde;o da existente; c) <b>diminui&ccedil;&atilde;o da intensidade de energia</b> de maneira a induzir a melhoria de desempenho dos ve&iacute;culos por meio de uso de materiais mais leves, tecnologias de motores mais modernas etc; d) o <b>aumento do uso de energia renov&aacute;vel, </b>como biocombust&iacute;veis nos ve&iacute;culos traria benef&iacute;cios ambientais, tanto locais, no que diz respeito &agrave; qualidade do ar, quanto globais, como no caso da intensifica&ccedil;&atilde;o do efeito estufa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">De qualquer forma, o sucesso dessas medidas implica em uma mudan&ccedil;a de comportamento da sociedade. Poucos consumidores se preocupam com a an&aacute;lise do ciclo de vida do que consomem, o que leva a um desbalanceamento entre o custo individual e o benef&iacute;cio coletivo. Isso significa que para que haja uma difus&atilde;o de tecnologias mais eficientes e limpas &eacute; necess&aacute;rio que se tenha uma pol&iacute;tica p&uacute;blica mandat&oacute;ria, como a exig&ecirc;ncia de padr&otilde;es m&iacute;nimos de efici&ecirc;ncia e taxa&ccedil;&atilde;o, entre outros instrumentos econ&ocirc;micos. Outro exemplo de relev&acirc;ncia do padr&atilde;o de comportamento &eacute; a forma de dirigir. Uma redu&ccedil;&atilde;o de at&eacute; 10% do consumo de combust&iacute;vel em ve&iacute;culos leves pode ser obtida atrav&eacute;s de medidas de "eco-driving" (3).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Cabe ao poder p&uacute;blico a defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas que privilegiem o transporte sustent&aacute;vel tais como medidas restritivas como ped&aacute;gio urbano, sucateamento de frotas antigas, n&iacute;vel m&iacute;nimo de efici&ecirc;ncia dos ve&iacute;culos, proibi&ccedil;&atilde;o de estacionamentos em determinadas &aacute;reas, entre outras. Medidas de incentivo tamb&eacute;m s&atilde;o bem-vindas, tais como: prioridade de circula&ccedil;&atilde;o para ve&iacute;culos com ocupa&ccedil;&atilde;o completa, redu&ccedil;&atilde;o de impostos para ve&iacute;culos ou combust&iacute;veis mais eficientes, tarifas reduzidas para trans-porte p&uacute;blico, sistema de informa&ccedil;&atilde;o para o usu&aacute;rio de transporte coletivo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, &eacute; importante lembrar que tais medidas devem estar acompanhadas de controle, fiscaliza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o eficiente. Uma forma de monitorar a efic&aacute;cia das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &eacute; atrav&eacute;s do uso de indicadores de transporte sustent&aacute;vel, um poderoso instrumento de transpar&ecirc;ncia e gest&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A caracter&iacute;stica dos indicadores &eacute; extremamente dependente de contextos espec&iacute;ficos, podendo ser usados de acordo com diferentes prioridades e preocupa&ccedil;&otilde;es. Diversos estudos comparam o uso de indicadores de transporte sustent&aacute;vel (4;5). Alguns indicadores refletem m&uacute;ltiplas categorias de impactos, por exemplo, acidentes de tr&acirc;nsito imp&otilde;em custos econ&ocirc;micos de danos e redu&ccedil;&atilde;o da produtividade, e os custos sociais de dor e redu&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida urbana. O consumo de combust&iacute;vel pode ser um indicador &uacute;til porque reflete o consumo de energia e emiss&otilde;es de poluentes. Assim, para uma avalia&ccedil;&atilde;o sobre consumo de energia, cidades e transporte sustent&aacute;vel, o que deve ser utilizado &eacute; um conjunto de indicadores e n&atilde;o apenas um determinado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Suzana Kahn</b> &eacute; professora da Coppe da UFRJ, coordenadora executiva do Fundo Verde de Desenvolvimento e Energia da Cidade Universit&aacute;ria UFRJ e presidente do comit&ecirc; cient&iacute;fico do Painel Brasileiro de Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas (PBMC) e vice presidente do IPCC.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">1. Relat&oacute;rio de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas e Mitiga&ccedil;&atilde;o do IPCC, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091248&pid=S0009-6725201500010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">2. "O Futuro que Queremos". "The Future We Want: outcome document adopted at Rio+20", United Nations Conference on Sustainable Development. UNCSD, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091250&pid=S0009-6725201500010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">3. IEA 	- Relat&oacute;rio da International Energy Agency (Energy Outlook), 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091252&pid=S0009-6725201500010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">4. Santos, A. S.; Ribeiro, S. K. <i>The use of sustainability indicators in urban passenger transport during the decision-making process: the case of Rio de Janeiro, Brazil</i>. Elsevier, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091254&pid=S0009-6725201500010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">5. Joumard, R.; Gudmundsson, H. (edits.). <i>Indicators of environmental sustainability in transport: an interdisciplinary approach to methods</i>. INRETS report, Recherches R282. Les Collections de l'INRETS; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091256&pid=S0009-6725201500010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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