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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Investimentos no Nordeste começam a surtir efeitos, mas região ainda enfrenta desafios]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> POL&Iacute;TICA DE C,T&amp;I</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Investimentos no Nordeste come&ccedil;am a surtir efeitos, mas regi&atilde;o ainda enfrenta desafios</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n1/a04img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">"Nos &uacute;ltimos dez anos, a pol&iacute;tica de C,T&amp;I no Nordeste impactou fortemente nossa base cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica. Ampliamos o n&uacute;mero de universidades e institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, institutos de pesquisa e de ensino tecnol&oacute;gico e de laborat&oacute;rios especializados". A frase &eacute; do diretor geral da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa da Bahia (Fapesb), Roberto Paulo Machado Lopes, mas poderia ser de qualquer outro gestor das ag&ecirc;ncias nordestinas de fomento &agrave; C,T&amp;I. Os investimentos j&aacute; se refletem em alguns indicadores da regi&atilde;o. De 2009 a 2013, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) aumentou em 68,8% o n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es na base Scopus, passando de 3.216 para 5.429 artigos. A Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC), por sua vez, passou de tr&ecirc;s pedidos de patente, no bi&ecirc;nio 2008-2009, para 26 no bi&ecirc;nio seguinte, de acordo com o Ranking Universit&aacute;rio Folha, de 2014. No ranking das universidades que mais cresceram em n&uacute;mero de pedidos de patentes figuram outras duas: a Universidade Federal de Sergipe (UFS), que passou de cinco para 24 pedidos no mesmo per&iacute;odo, e a Universidade Federal do Maranh&atilde;o (UFMA), que pulou de tr&ecirc;s para 14 pedidos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">De maneira geral, os gestores de C,T&amp;I no Nordeste s&atilde;o otimistas em rela&ccedil;&atilde;o aos pr&oacute;ximos anos. Francisco Carvalho, presidente da Funda&ccedil;&atilde;o Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (Funcap) at&eacute; dezembro de 2014, ressalta que, se os investimentos continuarem no ritmo atual e a pol&iacute;tica de interioriza&ccedil;&atilde;o do ensino superior permanecer, o futuro &eacute; promissor. "Estudos j&aacute; foram feitos para formular pol&iacute;ticas em C&amp;T no Nordeste, abrangendo as demandas estaduais com uma vis&atilde;o de aplica&ccedil;&atilde;o de curto, m&eacute;dio e longo prazo, atrav&eacute;s do Plano de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento do Nordeste. Tamb&eacute;m estamos vendo os resultados do Fundo de Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica do Estado do Cear&aacute; (FIT), programa estrat&eacute;gico de incentivo &agrave; inova&ccedil;&atilde;o e &agrave; pesquisa cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica, que tem beneficiado institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa e ensino, apoiado a inova&ccedil;&atilde;o empresarial, promovido melhoria da infraestrutura tecnol&oacute;gica e de projetos estruturantes e polos tecnol&oacute;gicos", relata Carvalho. "Temos recebido in&uacute;meras miss&otilde;es estrangeiras com interesse efetivo de consolidar parcerias nas diferentes &aacute;reas. O crescimento de grupos de excel&ecirc;ncia tamb&eacute;m &eacute; vis&iacute;vel. Basta analisar a demanda qualificada que a funda&ccedil;&atilde;o tem tido nos seus recentes editais", afirma Abraham Benzaquen, da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Ci&ecirc;ncia e Tecnologia de Pernambuco (Facepe). Para o diretor geral da Fapesb, nos pr&oacute;ximos anos, a Bahia e o Nordeste j&aacute; ter&atilde;o alcan&ccedil;ado um patamar bem mais elevado em C&amp;T e constru&iacute;do as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para tornar-se refer&ecirc;ncia nacional. "Com o amplo trabalho que vem sendo desenvolvido pelas FAPs e demais institui&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; pesquisa cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica e de inclus&atilde;o social, creio que uma parcela muito maior da popula&ccedil;&atilde;o ter&aacute; dom&iacute;nio tecnol&oacute;gico", diz. "O crescimento recente da forma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e a cria&ccedil;&atilde;o de novas universidades, como a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), consolidam nossa cren&ccedil;a de que os avan&ccedil;os continuar&atilde;o e ser&atilde;o potencializados com uma caracter&iacute;stica importante: permitir uma melhor distribui&ccedil;&atilde;o espacial da base cient&iacute;fica e das oportunidades de desenvolvimento tecnol&oacute;gico", afian&ccedil;a o gestor baiano.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>O desafio da qualidade</b> A opini&atilde;o do secret&aacute;rio de C&amp;T de Fortaleza, Tarc&iacute;sio Pequeno, &eacute; menos otimista em rela&ccedil;&atilde;o aos colegas, pelo menos em &acirc;mbito nacional: "Estamos passando por uma troca de poder tanto no plano federal como no plano estadual. No plano federal n&atilde;o h&aacute; perspectivas muito positivas por conta da situa&ccedil;&atilde;o macroecon&ocirc;mica e das press&otilde;es do mercado financeiro e da imprensa, que provavelmente resultar&atilde;o em cortes de verba p&uacute;blica e, como todos sabemos, a &aacute;rea de ci&ecirc;ncia e tecnologia sempre est&aacute; na linha de frente da l&acirc;mina de corte. As perspectivas n&atilde;o s&atilde;o boas. No entanto, no plano estadual, pode-se antever uma melhora, dada a natureza do governo entrante, muito aberto ao di&aacute;logo e consciente da import&acirc;ncia da ci&ecirc;ncia e tecnologia na constru&ccedil;&atilde;o de uma nova estrat&eacute;gia para o desenvolvimento do estado. &Eacute; l&iacute;cito esperar, por exemplo, que, pela primeira vez, o recurso previsto constitucionalmente em 2% da receita tribut&aacute;ria l&iacute;quida para a Funcap seja honrado", aponta. Apesar de avan&ccedil;os no cen&aacute;rio de publica&ccedil;&otilde;es e pedidos de patentes das universidades da regi&atilde;o, nenhuma delas figura entre as 10 melhores do pa&iacute;s no Ranking Universit&aacute;rio Folha. O aumento significativo dos investimentos n&atilde;o significa melhora na qualidade das pesquisas, como destaca o professor Gilson Volpato, da Universidade Estadual Paulista (Unesp): "A diminui&ccedil;&atilde;o das disparidades na qualidade cient&iacute;fica em nosso pa&iacute;s n&atilde;o depende somente de dinheiro, mas de educa&ccedil;&atilde;o. O processo de forma&ccedil;&atilde;o de cientistas no Brasil &eacute; antiquado e equivocado, ao menos aquele que se concentra na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Com isso, n&uacute;cleos de pesquisa tradicionais e que se concentram em certos estados acabam se destacando", enfatiza.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Os problemas n&atilde;o se restringem &agrave; qualidade da pesquisa. Para Tarc&iacute;sio Pequeno, as pol&iacute;ticas de financiamento ainda s&atilde;o escassas. "Esse financiamento tem que ser disputado em editais, normalmente dirigidos &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, em que frequentemente os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos n&atilde;o podem competir. Essa &eacute; a principal dificuldade que temos. O sistema de C,T&amp;I n&atilde;o est&aacute; preparado para apoiar &oacute;rg&atilde;os como o nosso", finaliza.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><i><b>Giselle Soares</b></i></font></p>      ]]></body>

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