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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Intervenção Urbana: artistas ocupam espaços urbanos e interagem de forma criativa]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>CULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n1/a20img04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Interven&ccedil;&atilde;o Urbana: artistas ocupam espa&ccedil;os urbanos e interagem de forma criativa</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">&Eacute; na rua que a maioria das interven&ccedil;&otilde;es urbanas acontece. N&atilde;o existe plateia. As pessoas n&atilde;o compram ingresso e n&atilde;o se sentam em uma cadeira a espera de um espet&aacute;culo. A performance urbana &eacute; um tipo de apresenta&ccedil;&atilde;o que invade a vida das pessoas em seu cotidiano na cidade. "&Eacute; tudo que foge do par&acirc;metro art&iacute;stico convencional", afirma Priscilla Toscano, atriz, pesquisadora e uma das diretoras do Coletivo PI, grupo que realiza interven&ccedil;&otilde;es urbanas ef&ecirc;meras utilizando diferentes linguagens, tais como a performance, teatro, dan&ccedil;a e as artes visuais. Mas qual a diferen&ccedil;a entre o teatro e a interven&ccedil;&atilde;o? O teatro &eacute; uma lingua-gem art&iacute;stica com um plano ficcional, um jogo com c&oacute;digos j&aacute; constru&iacute;dos entre fazedores e p&uacute;blico: "est&aacute; num espa&ccedil;o protegido e previamente compreendido", aponta P&acirc;mella Cruz, que tamb&eacute;m dirige o Coletivo PI. "Com as interven&ccedil;&otilde;es, queremos criar alguns estranhamentos, um impacto visual e po&eacute;tico nas situa&ccedil;&otilde;es do cotidiano", completa Priscilla. Segundo ela, a performance &eacute; influenciada pelas artes visuais, uma vez que as imagens s&atilde;o o grande norte dos trabalhos. "Queremos que as pessoas sejam impactadas pela pot&ecirc;ncia da imagem e de sua poesia". O urbano &eacute; terreno f&eacute;rtil para a cria&ccedil;&atilde;o no campo das interven&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">"A rua &eacute; soberana, coloca desafios e possibilidades que v&atilde;o muito al&eacute;m daquilo que podemos prever", constata Priscilla. "A interven&ccedil;&atilde;o urbana est&aacute; no espa&ccedil;o cotidiano, na rotina, e provoca rupturas, dilata olhares, instaura novas maneiras de pensar  o tempo e o espa&ccedil;o na din&acirc;mica cotidiano", ressalta P&acirc;mella. "O foco &eacute; pensar as din&acirc;micas da cidade, as rela&ccedil;&otilde;es entre n&oacute;s, sujeitos urbanos, e os espa&ccedil;os que constru&iacute;mos e habitamos para, a partir da&iacute;, criar uma interven&ccedil;&atilde;o que ressalte determinados elementos, ativando zonas de mem&oacute;ria, liberdade e jogo", explica. Para fazer performance urbana &eacute; preciso dominar a rotina do espa&ccedil;o p&uacute;blico e tra&ccedil;ar estrat&eacute;gias para interferir no tr&acirc;nsito, na avenida, na rua, na cal&ccedil;ada, em um viaduto etc. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso um olhar diferenciado sobre o espa&ccedil;o urbano, fonte de inspira&ccedil;&atilde;o para o artista que opta pela interven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Entre saltos </b>Um dos trabalhos mais ousados que o Coletivo PI realizou foi a interven&ccedil;&atilde;o intitulada <i>Entre saltos</i>. Um coro de pessoas, em sua maioria mulheres, anda no meio da rua com roupas vermelhas e rosas, cal&ccedil;ando um sapato de salto alto em um dos p&eacute;s e levando o outro nas m&atilde;os. A ideia da performance surgiu depois que Priscilla Toscano viu uma mulher na Avenida Paulista, na cidade de S&atilde;o Paulo, andando com um sapato com salto quebrado na m&atilde;o e outro no p&eacute;. "Eu pensei: por que ela n&atilde;o tira o sapato do p&eacute; e anda descal&ccedil;a? Levei essa imagem da mulher executiva para o grupo e, depois de experimentar essa sensa&ccedil;&atilde;o na rua, discutimos e constru&iacute;mos a interven&ccedil;&atilde;o por meio do di&aacute;logo com v&aacute;rias mulheres", conta a pesquisadora. "<i>Entre saltos</i> &eacute; um trabalho que se efetiva nesse encontro com tantas pessoas, que trazem sonhos, questionamentos, independente da classe social, de ser artista ou n&atilde;o", completa P&acirc;mella.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">A performance foi realizada em diversas cidades do Brasil. Em Campinas, interior de S&atilde;o Paulo, a apresenta&ccedil;&atilde;o contou com a parceria do Sesc, que, em 2014, juntamente com o Coletivo PI, organizou uma oficina com mulheres que trabalham e moram no Jardim Itatinga, bairro na periferia da cidade que concentra grande n&uacute;mero de bares e casas de shows er&oacute;ticos. Tamb&eacute;m participaram da interven&ccedil;&atilde;o estudantes de artes c&ecirc;nicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), travestis e o p&uacute;blico em geral.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Rupturas no cotidiano </b>Priscilla acredita, diferentemente do teatro, que as mulheres que participam de uma interven&ccedil;&atilde;o urbana como <i>Entre saltos</i>, n&atilde;o est&atilde;o disfar&ccedil;adas e protegidas por uma personagem. "Cada mulher tem uma hist&oacute;ria diferente. &Eacute; uma caminhada que vai al&eacute;m de proporcionar um momento art&iacute;stico. S&atilde;o muitas emo&ccedil;&otilde;es postas em evid&ecirc;ncia no momento da performance", considera a pesquisadora. Em dezembro de 2014, o Coletivo PI voltou ao bairro campineiro para exibir o document&aacute;rio <i>Entre saltos</i>, que contou a trajet&oacute;ria da interven&ccedil;&atilde;o em todas as cidades pelas quais passou.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Priscilla Toscano tamb&eacute;m integra o Desvio Coletivo, rede de criadores em cena performativa que atua na zona de fronteira entre o teatro, a performance, a dan&ccedil;a e as artes visuais e tecnol&oacute;gicas. A rede surgiu a partir de um projeto de pesquisa do Laborat&oacute;rio de Pr&aacute;ticas Performativas, ligado &agrave; Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes (ECA), da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). O Desvio Coletivo apresentou, em 2014, <i>Cegos</i> em v&aacute;rias cidades do pa&iacute;s. Nesta interven&ccedil;&atilde;o, dezenas de homens e mulheres, em trajes sociais, cobertos de argila e de olhos vendados, caminham lentamente, com objetivo de interferir, de forma po&eacute;tica, no fluxo do cotidiano da cidade. Para Priscilla, uma das diretoras da interven&ccedil;&atilde;o, <i>Cegos</i>, faz uma cr&iacute;tica &agrave; condi&ccedil;&atilde;o massacrante do trabalho corporativo iconizado no terno e gravata usados pelos homens e no <i>tailleur</i> adotado pelas mulheres em toda grande metr&oacute;pole. O t&iacute;tulo da a&ccedil;&atilde;o &eacute; inspirado no quadro "A par&aacute;bola dos cegos", do pintor belga Pieter Bruegel (1568), em que se veem cegos conduzindo cegos, cada qual tentando encontrar algum apoio para avan&ccedil;ar pelo caminho. "N&atilde;o importa se para quem est&aacute; na rua, assistindo, a interven&ccedil;&atilde;o &eacute; entendida ou n&atilde;o como arte. O que importa &eacute; o inc&ocirc;modo que a performance causa", afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Para P&acirc;mella Cruz, as interven&ccedil;&otilde;es urbanas ajudam a pensar e a criar espa&ccedil;os de arte e afetividade no cotidiano da cidade. "Ao instaurar rupturas tempor&aacute;rias na rotina, elas instigam olhares curiosos, estimulam as pessoas a repensar rela&ccedil;&otilde;es e questionar normas e padr&otilde;es, reafirmam as ruas e a cidade como l&oacute;cus da partilha, da conviv&ecirc;ncia das diferen&ccedil;as, da experi&ecirc;ncia com outro, da cria&ccedil;&atilde;o de novas formas de habitar", finaliza.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><i>Amanda Cotrim</i></font></p>      ]]></body>

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