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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Hilda Hilst em revista: escritora, que faria 85 anos em 2015, ganha exposição e reedições]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>CULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Hilda Hilst em revista: escritora, que faria 85 anos em 2015, ganha exposi&ccedil;&atilde;o e reedi&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Mariana Garcia de Castro Alves</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Ao lembrar que Machado de Assis foi fortemente contestado em sua &eacute;poca, o poeta e linguista Carlos Vogt disse que dificilmente um escritor &eacute; compreendido o bastante para ser elevado &agrave; categoria de cl&aacute;ssico por seus contempor&acirc;neos. "Mesmo a grande obra s&oacute; ganha plenitude e eleva&ccedil;&atilde;o quando a vida &eacute; aplainada pelos bi&oacute;grafos", afirma Vogt nos<i> Cadernos de Literatura Brasileira,</i> do Instituto Moreira Salles (1999), em n&uacute;mero dedicado a Hilda Hilst. E o caso da escritora parece ser bem esse. Hilda Hilst transitou pela poesia, prosa e teatro e teve sua obra reconhecida por cr&iacute;ticos importantes como Leo Gilson Ribeiro (1929-2007) que a considerava detentora da "mais deslumbrante prosa po&eacute;tica do Brasil posterior a Guimar&atilde;es Rosa". Contudo, apesar da aprova&ccedil;&atilde;o por parte da cr&iacute;tica especializada, Hilda n&atilde;o teve a repercuss&atilde;o que merecia enquanto ela era viva. Falecida em 2004, aos 73 anos, seu trabalho foi editado com distribui&ccedil;&atilde;o relevante a partir de 2001, quando a Editora Globo relan&ccedil;ou suas obras reunidas em vinte volumes. Antes disso foram apenas edi&ccedil;&otilde;es com distribui&ccedil;&atilde;o limitada, como os bel&iacute;ssimos livros publicados pelo artista e editor Massao Ohno ou as edi&ccedil;&otilde;es da Nankin, tamb&eacute;m uma casa de pequeno porte, e da Brasiliense, nos anos 1980. Hoje, pouco mais de dez anos ap&oacute;s sua morte, encontrar um livro da poetisa ficou mais f&aacute;cil. Em dezembro de 2014, a Editora Globo lan&ccedil;ou mais um livro intitulado<i> Porn&ocirc; chic.</i> A edi&ccedil;&atilde;o re&uacute;ne os quatro t&iacute;tulos da<i> Trilogia obscena (O caderno rosa de Lori Lamby, Contos d'esc&aacute;rnio: textos grotescos, Cartas de um sedutor</i> e<i> Buf&oacute;licas),</i>al&eacute;m do in&eacute;dito<i> Fragmento pornogr&aacute;fico rural.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n2/a19fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>AMPLIA&Ccedil;&Atilde;O</b> De acordo com Daniel Fuentes, presidente do Instituto Hilda Hilst, entre abril de 2013 e 2014, as vendas dos livros aumentaram 100%. Em entrevista para o jornal<i> O Estado de S.Paulo,</i> ele estimou um crescimento de outros 60% no m&ecirc;s de mar&ccedil;o de 2015, n&uacute;meros que mostram que o interesse por Hilda Hilst e sua obra aumentaram. Uma biografia est&aacute; sendo escrita, mas nome do autor &eacute; guardado em segredo por Fuentes, que tamb&eacute;m &eacute; respons&aacute;vel pela gest&atilde;o dos direitos autorais da escritora. Na &aacute;rea do audiovisual, dois filmes sobre a obra da autora est&atilde;o em fase de produ&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">De fevereiro a abril de 2015, esteve em cartaz no Ita&uacute; Cultural (na capital paulista), a exposi&ccedil;&atilde;o<i> Ocupa&ccedil;&atilde;o Hilda Hilst,</i> com centenas de anota&ccedil;&otilde;es, desenhos e originais pertencentes ao acervo do Centro de Documenta&ccedil;&atilde;o Cultural Alexandre Eul&aacute;lio (Cedae), ligado &agrave; Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e ao Instituto Hilda Hilst, que fica na Casa do Sol, uma ch&aacute;cara nos arredores da cidade de Campinas, onde Hilda morou de 1964 at&eacute; sua morte. A mostra reproduziu o ambiente interno da Casa do Sol, com suas paredes cor de rosa onde foram penduradas molduras de pessoas admiradas pela escritora e que ela costumava chamar de "amados", como Freud, Emily Dickinson, Ludwig Wittgenstein, Kafka, Sartre, Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles e Apol&ocirc;nio de Almeida Prado Hilst, pai de Hilda. A inten&ccedil;&atilde;o da mostra foi reproduzir o cotidiano da escritora, trazendo suas refer&ecirc;ncias, anota&ccedil;&otilde;es, registros e desenhos. O ambiente foi concebido para que o visitante pudesse ler e reler as muitas obras, em uma tentativa de atender o grande desejo de Hilda: ser lida. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Para Luisa Destri, doutoranda em literatura brasileira na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e que organizou a antologia<i> Uma superf&iacute;cie de gelo ancorada no riso</i> (Globo, 2012), existe uma mitologia em torno de Hilda Hilst que consolidou uma ideia de que sua obra &eacute; dif&iacute;cil e herm&eacute;tica. Na opini&atilde;o dessa pesquisadora, "iniciativas como a<i> Ocupa&ccedil;&atilde;o Hilda Hilst</i>podem gerar uma aproxima&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico como o autor. A mostra foi como uma porta de entrada para o universo dessa autora, n&atilde;o s&oacute; para seus livros, mas para seu cotidiano e sua intimidade", acredita a pesquisadora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n2/a19fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Hilda deixou a cidade de S&atilde;o Paulo no fim dos anos 1960 para viver reclusa na Casa do Sol, rodeada de cachorros - eram quase 100 - onde passou a se dedicar integralmente &agrave; literatura. "A mudan&ccedil;a de Hilda para Campinas representa um ponto de virada na sua vida e tamb&eacute;m na sua produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria. H&aacute; refer&ecirc;ncias concretas &agrave; Casa do Sol em sua obra, mas o lugar tem tamb&eacute;m uma import&acirc;ncia simb&oacute;lica", aponta Destri. "Hilda tinha um projeto muito consciente de cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria quando se mudou para Campinas. Tinha metas e desejos que buscou cumprir naquele espa&ccedil;o", diz. Apesar de viver distante de grandes centros urbanos como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, ela n&atilde;o vivia isolada, ao contr&aacute;rio. A Casa do Sol era tamb&eacute;m uma casa de muitos encontros, com outros escritores, poetas, m&uacute;sicos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>L0NG0 CAMINHO</b> A despeito das iniciativas em torno da obra de Hilda Hilst, ainda n&atilde;o se pode dizer que sua obra seja lida pois n&atilde;o &eacute; uma autora comprada pelos governos para compor o acervo de escolas e bibliotecas, por exemplo. Ademais, na espetaculariza&ccedil;&atilde;o da literatura, muitas vezes interessam mais as excentricidades do artista que as implica&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas da obra. Para Alcir P&eacute;cora, professor de teoria liter&aacute;ria na Unicamp, a imagem de mito exc&ecirc;ntrico constru&iacute;da em torno de Hilda pode ter obscurecido a import&acirc;ncia liter&aacute;ria de sua obra. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Sua "virada" para a pornografia &eacute; emblem&aacute;tica no sentido de mostrar que a autora pode ainda n&atilde;o ser bem compreendida. No final dos anos 1980, Hilda anunciou que, a partir daquele momento, s&oacute; escreveria bandalheiras. A declara&ccedil;&atilde;o foi uma forma de chamar aten&ccedil;&atilde;o, explicitando um desejo recorrente: ser lida. Entretanto, a partir da&iacute;, sua obra passou a ser vinculada a uma literatura menor. E n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil ainda encontrar men&ccedil;&otilde;es na imprensa que fazem essa associa&ccedil;&atilde;o. Com preocupa&ccedil;&otilde;es metaf&iacute;sicas e, ao mesmo tempo, obscena na transgress&atilde;o, Hilda ainda tem um longo caminho a trilhar. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Independentemente disso e dos eventos que divulgam seu trabalho, o bom mesmo seria poder voltar &agrave; primeira experi&ecirc;ncia de leitura, recuperar o impacto do contato inaugural com o texto de Hilda Hilst, em &aacute;guas "&agrave;s vezes lodosas, &agrave;s vezes claras", como disse uma vez o jornalista e escritor Caio Fernando Abreu (1948-1996). &Aacute;guas nas quais a poeta nos lan&ccedil;a, sem perd&atilde;o, como se jogasse "nen&uacute;fares num tanque de &aacute;guas podres".</font></p>      ]]></body>

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