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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A luz na arquitetura e na cidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Walter Galv&atilde;o<sup>I</sup>; Camila D'Ottaviano<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Arquiteto e urbanista, docente da Universidade Nove de Julho (Uninove), especialista em conforto ambiental e avalia&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-ocupa&ccedil;&atilde;o (APO) e doutor em arquitetura e urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S&atilde;o Paulo (FAU/USP)    <br>  <sup>II</sup>Urbanista, docente FAU/USP. &Eacute; pesquisadora do Observat&oacute;rio das Metr&oacute;poles e do N&uacute;cleo de Apoio &agrave; Pesquisa, Produ&ccedil;&atilde;o e Linguagem do Ambiente Constru&iacute;do (Napplac). &Eacute; membro da diretoria da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur) (gest&atilde;o 2015-2017)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A arquitetura e o uso da luz</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A constru&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios para o abrigo, atividades religiosas ou armazenamento de mercadorias existe desde os prim&oacute;rdios da urbaniza&ccedil;&atilde;o, entre sum&eacute;rios, eg&iacute;pcios etc. A evolu&ccedil;&atilde;o da arquitetura, com o desenvolvimento de novas tecnologias e diversidade de usos, foi acompanhada de avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos que tamb&eacute;m impactaram diretamente no desenvolvimento de novas e melhores fontes artificiais de luz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se observarmos os primeiros abrigos das civiliza&ccedil;&otilde;es antigas, como as habita&ccedil;&otilde;es das povoa&ccedil;&otilde;es na China do per&iacute;odo neol&iacute;tico ou mesmo as cabanas celtas, podemos perceber que o fogo era usado sobretudo para o cozimento de alimentos e, em regi&otilde;es de invernos rigorosos, para o aquecimento. Como a maior parte das manh&atilde;s o homem permanecia na &aacute;rea externa, onde exercia quase todas as atividades do seu dia a dia, recolhendo-se &agrave; habita&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo noturno apenas para dormir, poucas eram as preocupa&ccedil;&otilde;es com o fogo nas edifica&ccedil;&otilde;es como fonte de ilumina&ccedil;&atilde;o. Mesmo o uso de aberturas e janelas para aproveitamento da luz natural era um recur-so dispens&aacute;vel para o ambiente dom&eacute;stico, sendo utilizado apenas em templos, pal&aacute;cios e pr&eacute;dios p&uacute;blicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Historicamente, alguns efeitos obtidos com a ilumina&ccedil;&atilde;o natural marcaram a arquitetura no decorrer dos s&eacute;culos. Primeiramente, pode ser citado o templo eg&iacute;pcio do Fara&oacute; Rams&eacute;s II em Abu Simbel (sec. XII a.C.), onde, por dois dias ao ano, o sol incide sobre as est&aacute;tuas dos deuses Amon-R&aacute; e R&aacute;-Harakhte, al&eacute;m da escultura que representa o fara&oacute;, deixando a imagem de Ptah, uma divindade negativa, sempre na obscuridade. No Pante&atilde;o romano, de 126 d.C., uma abertura circular no centro da c&uacute;pula de cobertura serve para iluminar todo o templo. Com o avan&ccedil;o das t&eacute;cnicas construtivas, como o arcobotante medieval e o vidro, nas igrejas g&oacute;ticas da Idade M&eacute;dia as longas aberturas laterais com vitrais, se tornaram um elemento importante da arquitetura religiosa e consagra&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o sacro interior. Lemos (1) pondera:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre o vitral das igrejas g&oacute;ticas (...) tr&ecirc;s propriedades b&aacute;sicas - suporte de imagens sacras, material de riqueza intr&iacute;nseca assemelhando-se &agrave;s pedras preciosas e um mist&eacute;rio, pois fulgura sem que haja brilho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos na &aacute;rea da arquitetura permitiram tamb&eacute;m o uso da ilumina&ccedil;&atilde;o natural em edif&iacute;cios p&uacute;blicos e emblem&aacute;ticos, como as bibliotecas. A necessidade de ilumina&ccedil;&atilde;o adequada que possibilitasse a leitura sempre foi um desafio para os projetistas e construtores. A biblioteca de Ninive, do s&eacute;culo VII a. C., por exemplo, era t&atilde;o importante que se localizava no pal&aacute;cio do rei ass&iacute;rio Assurban&iacute;pal II. V&aacute;rias bibliotecas p&uacute;blicas se destacaram na Roma antiga, como a constru&iacute;da por Trajano (53-117 d.C), onde um sal&atilde;o de 30 metros de comprimento era iluminado por grandes janelas. As bibliotecas de mosteiros e conventos da Idade M&eacute;dia (<i>biblioteca-scriptorium</i>) apresentavam in&uacute;meras janelas para iluminar as salas em que os monges se reuniam para ler e estudar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pode-se observar (em gravura da Idade M&eacute;dia) S&atilde;o Jer&ocirc;nimo, em sua devo&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria e regenera&ccedil;&atilde;o da alma, num <i>scriptorium</i> situado ao lado da biblioteca do mosteiro. Esses espa&ccedil;os eram destinados &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o de manuscritos &#91;...&#93; a mesa do copista era colocada pr&oacute;xima &agrave; janela, de tal forma que a ilumina&ccedil;&atilde;o natural, ao projetar-se no interior da sala, favorecesse a boa reprodu&ccedil;&atilde;o dos livros. A ilumina&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os podia ser vista ao olhar a sombra do copista projetada na parede (em gravura j&aacute; citada), uma indica&ccedil;&atilde;o de que o arquiteto aproveitava ao m&aacute;ximo a ilumina&ccedil;&atilde;o natural para favorecer o bom uso e fun&ccedil;&atilde;o do ambiente (2)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial no s&eacute;culo XVIII, as cidades cresceram em ritmo vertiginoso. Igualmente aumentou o n&uacute;mero de atividades realizadas dentro das edifica&ccedil;&otilde;es. Amplos galp&otilde;es eram edificados para abrigar ind&uacute;strias, onde in&uacute;meras pessoas realizavam atividades fabris, necessitando de boa ilumina&ccedil;&atilde;o para o exerc&iacute;cio adequado do trabalho. Grandes aberturas serviam para captar o m&aacute;ximo de ilumina&ccedil;&atilde;o natural nas &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No s&eacute;culo XIX, as pesquisas na &aacute;rea de sa&uacute;de p&uacute;blica identificaram que a ilumina&ccedil;&atilde;o natural era importante como fator de preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as. Assim, a ilumina&ccedil;&atilde;o natural passou a ser importante tamb&eacute;m nas habita&ccedil;&otilde;es. As novas normas e regula&ccedil;&otilde;es edil&iacute;cias passaram a exigir aberturas em todos os ambientes de perman&ecirc;ncia prolongada das habita&ccedil;&otilde;es. As velhas e insalubres alcovas (espa&ccedil;os para dormir) sem aberturas para o exterior, passavam a ser legalmente combatidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os arquitetos modernistas da primeira metade do s&eacute;culo XX incorporaram a ilumina&ccedil;&atilde;o natural em seus projetos como componente c&ecirc;nico e monumental.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na capela de Notre Dame du Haut (1950), do arquiteto Le Corbusier, as aberturas de diferentes tamanhos e localizadas na fachada sem simetria ou ordem fazem com que a luz natural crie magn&iacute;ficos efeitos formais no interior. Outra obra emblem&aacute;tica &eacute; a catedral de Bras&iacute;lia, projetada por Oscar Niemeyer (1958), onde os amplos vitrais da cobertura fazem uma perfeita intera&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is com a divindade. Na capela do arquiteto mexicano Luis Barrag&aacute;n, na Cidade do M&eacute;xico (1952), a luz do entardecer incide por abertura composta de vidros &acirc;mbar tangenciando a parede de textura rugosa destacando os efeitos desta rugosidade e fazendo com que uma grande cruz de madeira existente no interior da capela pare&ccedil;a flutuar (3).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v67n3/a15fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito &agrave; ilumina&ccedil;&atilde;o artificial, mesmo com o advento da ilumina&ccedil;&atilde;o a g&aacute;s, os equipamentos de queima de &oacute;leo e velas artesanais ainda eram as principais op&ccedil;&otilde;es para a ilumina&ccedil;&atilde;o noturna nas resid&ecirc;ncias. A partir do s&eacute;culo XX, a populariza&ccedil;&atilde;o da l&acirc;mpada de Thomas Edson fez com que muitas habita&ccedil;&otilde;es passassem da luz do candeeiro para a el&eacute;trica, sem nunca ter utilizado a luz a g&aacute;s (4). Por outro lado, nas edifica&ccedil;&otilde;es onde se faz necess&aacute;ria a ilumina&ccedil;&atilde;o para a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades, o advento da ilumina&ccedil;&atilde;o artificial com boa qualidade oriunda da l&acirc;mpada el&eacute;trica fez com que as jornadas de trabalho se prolongassem para al&eacute;m do entardecer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, a falta de preocupa&ccedil;&otilde;es com o gasto de energia no uso da ilumina&ccedil;&atilde;o fez com que ela fosse utilizada indiscriminadamente. Salvo a cria&ccedil;&atilde;o da l&acirc;mpada fluorescente, at&eacute; os anos de 1970, poucas eram as preocupa&ccedil;&otilde;es na otimiza&ccedil;&atilde;o da luz emitida pelas fontes luminosas, fosse melhorando a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica da l&acirc;mpada (l&acirc;mpadas que emitissem muita luz com pouco consumo de energia el&eacute;trica) ou projetando lumin&aacute;rias que direcionassem a luz das l&acirc;mpadas para a &aacute;rea de interesse. Atitudes simples hoje adotadas eram negligenciadas, como a separa&ccedil;&atilde;o de circuitos por setores, sendo que, algumas vezes, quando algu&eacute;m estava trabalhando isoladamente numa &aacute;rea de um grande sal&atilde;o, todo ele estava iluminado artificialmente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio dos anos 1970, a crise do petr&oacute;leo impactou profundamente o uso da ilumina&ccedil;&atilde;o artificial nas edifica&ccedil;&otilde;es. Com o aumento do custo do petr&oacute;leo, muitos pa&iacute;ses tiveram que reduzir o consumo de energia el&eacute;trica, pois suas matrizes de gera&ccedil;&atilde;o eram termoel&eacute;tricas, ou seja, consumiam derivados de petr&oacute;leo. Surgiram preocupa&ccedil;&otilde;es na sociedade quanto &agrave; otimiza&ccedil;&atilde;o no uso da ilumina&ccedil;&atilde;o e buscou-se a melhoria na efici&ecirc;ncia nos equipamentos. Foram criadas, por exemplo, l&acirc;mpadas fluorescentes eletr&ocirc;nicas compactas para que fossem facilmente utilizadas nas habita&ccedil;&otilde;es, bem como houve o desenvolvimento de l&acirc;mpadas de descarga mais eficientes e dur&aacute;veis para o uso na ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, como as l&acirc;mpadas de vapor de s&oacute;dio, por exemplo. Nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XXI, as l&acirc;mpadas de LED, muito mais dur&aacute;veis e com baix&iacute;ssimo consumo de energia, come&ccedil;am a substituir todas as outras e, com a diminui&ccedil;&atilde;o de seu custo final ao consumidor, passam a tornar-se acess&iacute;veis aos usu&aacute;rios de todas as categorias de uso, seja ele residencial, comercial ou industrial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, vale citar as preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais surgidas a partir dos anos de 1980 e que igualmente impactaram na ilumina&ccedil;&atilde;o das edifica&ccedil;&otilde;es. Programas de controle ao desperd&iacute;cio de energia relacionado ao uso dos sistemas de ilumina&ccedil;&atilde;o artificial tornaramse comuns. O uso da ilumina&ccedil;&atilde;o natural tamb&eacute;m voltou a ser um elemento importante nos projetos de arquitetura.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A luz nas cidades</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O uso da luz nos espa&ccedil;os externos &agrave; habita&ccedil;&atilde;o e depois nos espa&ccedil;os coletivos e urbanos esteve, desde sempre, ligado &agrave; ideia de dom&iacute;nio sobre o espa&ccedil;o e tamb&eacute;m &agrave; no&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a. Existem relatos de que, na Roma antiga, existiam escravos encarregados de acender lumin&aacute;rias e acompanhar pessoas no per&iacute;odo noturno, of&iacute;cio que perdurou at&eacute; a Idade M&eacute;dia. No entanto, a ilumina&ccedil;&atilde;o das ruas das cidades era, at&eacute; a Idade M&eacute;dia, primordialmente responsabilidade dos propriet&aacute;rios das casas, que colocavam facultativamente lamparinas ou fogueiras na frente de seus im&oacute;veis. Roizemblatt (5) cita algumas esparsas iniciativas de ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, como dos reis franceses do s&eacute;culo XIV, Phillipe V e Jean II, que mandaram instalar velas e lanternas nos port&otilde;es de seus pal&aacute;cios. Apenas no s&eacute;culo XV, por&eacute;m, surgiu a primeira tentativa sistem&aacute;tica de ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica quando, em 1417, Sir Henri Barton, prefeito de Londres, ordenou que as casas deveriam manter lamparinas acesas nas suas fachadas (5). Essas iniciativas, no entanto, ainda eram incipientes, pois at&eacute; ent&atilde;o havia pouca movimenta&ccedil;&atilde;o noturna nas cidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O crescimento populacional p&oacute;s-Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial nos s&eacute;culos XVIII e XIX trouxe um incremento na movimenta&ccedil;&atilde;o da vida citadina, prolongando o cotidiano urbano para o per&iacute;odo noturno e, muitas vezes, com atividades il&iacute;citas e violentas (7). Mesmo em cidades cujo crescimento n&atilde;o tinha no desenvolvimento da ind&uacute;stria o principal motivo para seu aumento populacional no s&eacute;culo XIX, o problema da viol&ecirc;ncia urbana relacionada &agrave; vida noturna ocorria. Sobre a cidade do Rio de Janeiro,</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Uma bomba populacional abalou o Rio de Janeiro nos treze anos em que a corte portuguesa esteve no Brasil (1808-1821). O n&uacute;mero de habitantes, que era de 60.000 em 1808, tinha dobrado em 1821 &#91;...&#93; A criminalidade atingiu &iacute;ndices alt&iacute;ssimos (...) pouca gente se arriscava a sair desacompanhada &agrave; rua depois do anoitecer" (8) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A necessidade de iluminar as ruas das cidades no per&iacute;odo noturno tornou-se premente para prover de seguran&ccedil;a os espa&ccedil;os urbanos. Na capital carioca, como resposta para a viol&ecirc;ncia que a assolava nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XIX, o poder p&uacute;blico tratou de iluminar as ruas com lumin&aacute;rias onde era utilizado &oacute;leo de baleia (8). Cidades como Londres (1807) e Paris (1819) iniciaram experi&ecirc;ncias de ilumina&ccedil;&atilde;o a g&aacute;s das &aacute;reas p&uacute;blicas. No Brasil, a ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica a g&aacute;s foi introduzida na segunda metade do s&eacute;culo XIX em cidades como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, sendo substitu&iacute;da pela ilumina&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX. Curiosamente, as duas maiores cidades do nosso pa&iacute;s n&atilde;o foram as pioneiras na ilumina&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, cabendo esse ineditismo &agrave;s cidades de Campos, no estado do Rio de Janeiro, e Rio Claro, em S&atilde;o Paulo, nos anos de 1880 (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a populariza&ccedil;&atilde;o do autom&oacute;vel, a ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica passou a ter tamb&eacute;m a fun&ccedil;&atilde;o de iluminar as ruas e cal&ccedil;adas para evitar acidentes entre pedestres e ve&iacute;culos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo do s&eacute;culo XX, a publicidade passou a fazer parte da ilumina&ccedil;&atilde;o urbana. Aproveitando-se do aumento de atividades no per&iacute;odo noturno, o com&eacute;rcio viu na ilumina&ccedil;&atilde;o uma maneira de destacar seus produtos e servi&ccedil;os e atrair clientes. Letreiros nas fachadas dos im&oacute;veis, grandes luminosos e <i>outdoors</i> s&atilde;o cada vez mais frequentes nas ruas das grandes cidades ao redor do mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica pode ser usada tamb&eacute;m como forma de valoriza&ccedil;&atilde;o da paisagem urbana, onde, al&eacute;m da ilumina&ccedil;&atilde;o funcional que propicie seguran&ccedil;a, facilitando a locomo&ccedil;&atilde;o e a orienta&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo noturno, tamb&eacute;m ilumine artisticamente marcos urbanos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A luz &eacute; vital para a exist&ecirc;ncia do ser humano. A busca por fontes confi&aacute;veis de ilumina&ccedil;&atilde;o sempre acompanhou a humanidade ao longo da hist&oacute;ria. A atra&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria do homem pelo fogo estava relacionada com o calor, bem como com o brilho intenso da luz.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do mesmo modo, o princ&iacute;pio prim&aacute;rio da arquitetura foi a busca da melhoraria na qualidade de vida do ser humano. O momento que o homem resolveu produzir o seu abrigo demonstra que j&aacute; n&atilde;o se conformava com as adapta&ccedil;&otilde;es que a natureza fornecia, ou seja, as cavernas n&atilde;o mais atendiam &agrave;s suas necessidades. Os usos dos edif&iacute;cios aumentaram e n&atilde;o apenas abrigos passaram a ser produzidos, mas tamb&eacute;m templos, dep&oacute;sitos, pal&aacute;cios. Durante mil&ecirc;nios, o cotidiano no interior dos edif&iacute;cios ocorria no per&iacute;odo diurno pois os humanos dispunham apenas da luz do dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante a Idade M&eacute;dia, os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos possibilitaram uma maior utiliza&ccedil;&atilde;o da luz natural, em especial nos edif&iacute;cios religiosos ou emblem&aacute;ticos. No entanto, nos tr&ecirc;s &uacute;ltimos s&eacute;culos, com a introdu&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios de produ&ccedil;&atilde;o industrial nas sociedades, aumentaram as demandas de usos nos edif&iacute;cios, igualmente crescendo a necessidade de evolu&ccedil;&atilde;o na qualidade das fontes artificiais de luz. Ao mesmo tempo, as cidades cresceram e seu cotidiano passou a se prolongar para o per&iacute;odo noturno, gerando a necessidade de ilumina&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na segunda metade do s&eacute;culo XX, n&atilde;o apenas ruas e pra&ccedil;as eram iluminadas, mas a luz tamb&eacute;m passou a ser utilizada como destaque de produtos e servi&ccedil;os, do mesmo modo que marcos urbanos passaram a se destacar no per&iacute;odo noturno com o uso da ilumina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Agradecidos &agrave;s suas fontes luminosas, os humanos sempre dignificaram seus benef&iacute;cios. A mitologia grega nominava Prometeu, o tit&atilde; que roubou o fogo dos deuses e deu aos homens, como "protetor da humanidade" pelo seu feito. Luiz XIV, o mais longevo e prestigiado rei franc&ecirc;s, era conhecido como "Rei Sol" pela sua grandeza e magnitude e, mesmo nos dias atuais onde o pensamento racional predomina, as l&acirc;mpadas ainda s&atilde;o associadas no ide&aacute;rio comum como uma boa ideia, ou uma "ideia luminosa".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias Bibiliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Lemos, C. A. C. O que &eacute; arquitetura. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 2003, p.28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=094362&pid=S0009-6725201500030001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Barbosa, C. V. "Percep&ccedil;&atilde;o da ilumina&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o da arquitetura: prefer&ecirc;ncias humanas em ambientes de trabalho". Tese de doutorado. S&atilde;o Paulo: FAU/USP, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=094364&pid=S0009-6725201500030001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Saez, A. M. "Luz, leis e livre-concorr&ecirc;ncia: conflitos em torno das concess&otilde;es de energia el&eacute;trica na cidade de S&atilde;o Paulo no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX". In: Hist&oacute;ria vol.28 nº.2. Franca, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=094366&pid=S0009-6725201500030001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Roizemblatt, I. "Crit&eacute;rios da ilumina&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica urbana". Tese de Doutorado, S&atilde;o Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=094368&pid=S0009-6725201500030001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. dos Santos, E. R. "A ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica como elemento de composi&ccedil;&atilde;o da paisagem". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Porto Alegre: UFRGS, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=094370&pid=S0009-6725201500030001500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Bresciani, M. S. M. Londres e Paris do s&eacute;culo XIX: o espet&aacute;culo da pobreza. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=094372&pid=S0009-6725201500030001500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Gomes, L. 1808: Como uma rainha louca, um pr&iacute;ncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napole&atilde;o e mudaram a hist&oacute;ria de Brasil e Portugal. S&atilde;o Paulo: Planeta do Brasil, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=094374&pid=S0009-6725201500030001500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. K&uuml;hl, J.C.A. e Ferraz,V.M.B. "As usinas de Corumbata&iacute;". In: Revista Hist&oacute;ria &amp; Energia. Patrim&ocirc;nio Arquitet&ocirc;nico da Funda&ccedil;&atilde;o Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico da Energia de S&atilde;o Paulo. 2ª Ed. S&atilde;o Paulo: Funda&ccedil;&atilde;o Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico da Energia de S&atilde;o Paulo, 2000. nº. 8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=094376&pid=S0009-6725201500030001500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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