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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VIGIL&Acirc;NCIA    <br>   ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Abertura e controle na governamentalidade algor&iacute;tmica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Henrique Parra</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Soci&oacute;logo e ativista, professor do Departamento de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp) e coordenador do Laborat&oacute;rio deTecnologia, Pol&iacute;tica e Conhecimento (Pimentalab). E integrante da rede Lavits e realiza pesquisa de p&oacute;s-doutorado financiado pelo CNPq junto ao Instituto Brasileiro de Informa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia e tecnologia (Ibict) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo surge como desdobramento de uma apresenta&ccedil;&atilde;o realizada no Semin&aacute;rio Informa&ccedil;&atilde;o e Internet, organizado pelo Instituto Brasileiro de Informa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (IBICT) em Bras&iacute;lia, agosto de 2015. Com o t&iacute;tulo "Abertura e Controle", o debate contou tamb&eacute;m com a participa&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores Sarita Albagli e Sergio Amadeu.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tema proposto (Abertura e Controle) permite abordar algumas quest&otilde;es que est&atilde;o na interface de dois projetos que estou conduzindo neste momento: Ci&ecirc;ncia Aberta e Desenvolvimento Local (1); Tecnopol&iacute;tica e Saberes Situados. Este artigo &eacute; tamb&eacute;m um desdobramento das proposi&ccedil;&otilde;es lan&ccedil;adas num pequeno ensaio "Privacidade como bem comum" (2) e das reflex&otilde;es provocadas pela leitura recente de dois textos: um artigo de Antoinette Rouvroy (3) e um ensaio de Amador Fern&aacute;ndez-Savater (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta introdu&ccedil;&atilde;o se faz necess&aacute;ria apenas para indicar a tomada de uma perspectiva em que abertura e controle s&atilde;o fen&ocirc;menos interconectados e interdependentes quando falamos em comunica&ccedil;&atilde;o digital em redes cibern&eacute;ticas.Os sentidos utilizados para esses dois termos neste texto s&atilde;o: abertura: capacidade de acessar, interpretar, difundir informa&ccedil;&atilde;o (seja para fins de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento ou para garantir a funcionalidade t&eacute;cnica de softwares, hardwares etc); e controle: capacidade de regular um conjunto de fun&ccedil;&otilde;es, eventos, vari&aacute;veis com vistas &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de algum resultado desejado (por exemplo, ter o controle da situa&ccedil;&atilde;o, controle do sistema etc). Mas tamb&eacute;m como uma capacidade de exerc&iacute;cio de poder.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso da comunica&ccedil;&atilde;o em meios digitais, abertura e controle podem se combinar e se efetivar atrav&eacute;s da implementa&ccedil;&atilde;o de protocolos. Segundo Alexander Galloway (5) podemos definir "protocolo" das seguintes maneiras: padr&atilde;o que governa a implementa&ccedil;&atilde;o de uma tecnologia espec&iacute;fica; ou formas de governo para obten&ccedil;&atilde;o de controle num dado sistema. Mais especificamente, o protocolo para os cientistas da computa&ccedil;&atilde;o pode ser entendido como: regras convencionadas que governam um conjunto de comportamentos poss&iacute;veis dentro de um sistema heterog&ecirc;neo; ou ainda t&eacute;cnica para alcan&ccedil;ar regula&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria dentro de um ambiente contingente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABUND&Acirc;NCIA INFORMACIONAL E OS PARADOXOS DA ABERTURA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; &eacute; senso comum falar que vivemos uma revolu&ccedil;&atilde;o dos dados (6). Com o crescente uso das tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o digital, um novo universo de informa&ccedil;&otilde;es passa a ser produzido, registrado, analisado, sobre cada aspecto de nossas vidas (7), &agrave;s vezes com nosso consentimento, muitas vezes com nossa cumplicidade e ades&atilde;o volunt&aacute;ria (p.ex. Facebook), mas na maioria das vezes, sem termos a menor no&ccedil;&atilde;o do que de fato ocorre com nossas informa&ccedil;&otilde;es (8).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este novo manancial informacional &eacute;, por vezes, referido como o "petr&oacute;leo do s&eacute;culo XXI" (9), fazendo alus&atilde;o &agrave; sua import&acirc;ncia para as atividades econ&ocirc;micas e cria&ccedil;&atilde;o de riqueza monet&aacute;ria. Nesta dimens&atilde;o, quanto mais informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel, quando maior o fluxo informacional, melhor para o dinamismo da economia. Paradoxalmente, tal entendimento caminha lado a lado com a defesa seletiva da expans&atilde;o do sistema de propriedade intelectual sobre informa&ccedil;&otilde;es consideradas estrat&eacute;gicas para a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Nesta perspectiva, o livre fluxo informacional (apoiado no discurso da abertura e transpar&ecirc;ncia) combina-se &agrave; expans&atilde;o de novos <i>enclousers</i> informacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O importante aqui &eacute; estar no melhor lugar da cadeia produtiva informacional (camada f&iacute;sica, aplicativos, harwares etc) de forma a poder modular a membrana que regula os fluxos entre abertura e fechamento estrat&eacute;gico sobre a informa&ccedil;&atilde;o "que conta". Como podemos observar nos recentes acordos comerciais do Trans Pacific Partenership (10), ao mesmo tempo que promovem a expans&atilde;o da propriedade intelectual sobre o conhecimento e a cultura, sob press&atilde;o das grandes corpora&ccedil;&otilde;es, as regulamenta&ccedil;&otilde;es que protegem os dados pessoais dos cidad&atilde;os europeus s&atilde;o atacados como inimigos do livre fluxo informacional, impedindo assim o desenvolvimento econ&ocirc;mico dessas na&ccedil;&otilde;es (11).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas esse novo universo de dados &eacute; tamb&eacute;m encarado como um recurso fundamental para o avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia em in&uacute;meras &aacute;reas do conhecimento. Como afirmou um dos diretores de uma ag&ecirc;ncia de sa&uacute;de norte-americana, "as informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis sobre pacientes, tratamentos, condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, efeitos de drogas etc, organizadas como <i>big data</i> ter&atilde;o um efeito sobre a medicina do s&eacute;culo XXI maior do que teve a penicilina no s&eacute;culo XX". N&atilde;o apenas na &aacute;rea m&eacute;dica, esse volume infinito de dados inaugura o <i>big data</i> em diversas disciplinas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo as humanidades que sempre deram prefer&ecirc;ncia &agrave; dimens&atilde;o qualitativa e significativa das informa&ccedil;&otilde;es, e se aproximavam com suspeita tanto das tecnologias como dos dados quantitativos, abra&ccedil;aram as novas possibilidades oferecidas pelas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TICs). As chamadas humanidades digitais n&atilde;o trabalham exclusivamente com <i>big data,</i> mas fazem uso intensivo das novas informa&ccedil;&otilde;es produzidas atrav&eacute;s das media&ccedil;&otilde;es digitais presentes em nossa vida social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do ponto de vista estatal, seja para o acompanhamento e avalia&ccedil;&atilde;o de suas a&ccedil;&otilde;es, para a cria&ccedil;&atilde;o de novas formas de participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; e controle social, mas principalmente para o monitoramento e controle sobre os cidad&atilde;os sob uma l&oacute;gica securit&aacute;ria, as informa&ccedil;&otilde;es digitais produzidas e recolhidas constituem um novo recurso fundamental para o poder gestion&aacute;rio. Participa&ccedil;&atilde;o, transpar&ecirc;ncia, acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e controle social s&atilde;o palavras que passaram a compor um vocabul&aacute;rio comum de militantes, cientistas e gestores governamentais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Indiquei rapidamente tr&ecirc;s eixos — econ&ocirc;mico, ci&ecirc;ncia/conhecimento e governo estatal — apenas para destacar a forma como essa nova produ&ccedil;&atilde;o e disponibiliza&ccedil;&atilde;o de dados situa-se sobre uma arena conflituosa de profunda reconfigura&ccedil;&atilde;o social, onde as fronteiras entre p&uacute;blico-privado, trabalho e n&atilde;o-trabalho, abertura e controle ganham novos contornos, e onde o surgimento de novas formas de conhecer vem acompanhado por novas formas de exerc&iacute;cio do poder (a principal refer&ecirc;ncia aqui &eacute;, evidentemente, Michel Foucault).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os exemplos s&atilde;o infinitos:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">i) nota fiscal eletr&ocirc;nica: coleta de dados sobre o consumo do cidad&atilde;o que contribui para combater a evas&atilde;o fiscal e, ao mesmo tempo, produz um conhecimento de alto valor de mercado sobre perfis de consumo. Quais os usos que podem ser feitos dessas informa&ccedil;&otilde;es? Quem s&atilde;o os intermedi&aacute;rios e terceiros que t&ecirc;m acesso &agrave; ela?;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ii) dados sobre pacientes no sistema p&uacute;blico ou privado de sa&uacute;de: prontu&aacute;rio eletr&ocirc;nico, importante para ampliar nossos conhecimentos tanto sobre a sa&uacute;de humana como sobre o sistema de sa&uacute;de. Mas como essas informa&ccedil;&otilde;es podem ser usadas?;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">iii) dados que produzimos em nosso uso cotidiano da internet que s&atilde;o importantes para conhecermos mais sobre determinados aspectos da vida social e, ao mesmo tempo, s&atilde;o o insumo b&aacute;sico da vigil&acirc;ncia industrial e distribu&iacute;da (estatal e corporativa).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, indicamos que essa crescente produ&ccedil;&atilde;o e disponibiliza&ccedil;&atilde;o de dados (dimens&atilde;o da abertura) vem acompanhada de novas formas de controle. H&aacute;, portanto, a emerg&ecirc;ncia de novas formas de conhecer que se combinam &agrave;s novas formas de exerc&iacute;cio do poder. E elas n&atilde;o s&atilde;o gen&eacute;ricas e abstratas, mas sim, situadas (ou contextualizadas) e emp&iacute;ricas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; sob essa perspectiva que gostaria de avan&ccedil;ar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o faz sentido falarmos da abertura e transpar&ecirc;ncia como valores transcendentais que devam ser aplicados genericamente &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es produzidas (uma vez que existe esta possibilidade). As condi&ccedil;&otilde;es e possibilidades de abertura devem sempre ser analisadas nos contextos espec&iacute;ficos de sua produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o, bem como nos efeitos sociais e culturais (sist&ecirc;micos) que elas podem provocar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pensemos, por exemplo, como os efeitos relativos &agrave; disponibiliza&ccedil;&atilde;o livre e consentida de nossas informa&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas est&aacute; al&eacute;m de quest&otilde;es sobre a decis&atilde;o/escolha individual e, portanto, tamb&eacute;m ter&atilde;o efeitos que escapam &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos dados pessoais (como veremos ao final deste artigo).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por um lado, a oferta dessas informa&ccedil;&otilde;es (p.ex. dados biom&eacute;dicos) pode contribuir para o avan&ccedil;o dos estudos sobre doen&ccedil;as etc. Podemos considerar aqui que essa "abertura" &eacute; volunt&aacute;ria e cabe apenas ao indiv&iacute;duo decidir o que fazer com seus dados pessoais. Todavia, precisamos considerar os efeitos dessa informa&ccedil;&atilde;o num cen&aacute;rio mais complexo em que o campo de for&ccedil;as econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico (corpora&ccedil;&otilde;es, Estados etc) &eacute; distribu&iacute;do de forma assim&eacute;trica. De partida, temos atores com condi&ccedil;&otilde;es distintas de apropria&ccedil;&atilde;o e uso dessa informa&ccedil;&atilde;o. Suponhamos que essas informa&ccedil;&otilde;es sejam utilizadas para analisar o perfil gen&eacute;tico de um cidad&atilde;o no momento de sua contrata&ccedil;&atilde;o profissional ou para a contrata&ccedil;&atilde;o de um conv&ecirc;nio m&eacute;dico. Neste caso, estamos tratando dos problemas relativos &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o dos dados desse indiv&iacute;duo sobre ele mesmo. Todavia, o simples fato de que alguns indiv&iacute;duos disponibilizem suas informa&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas livremente pode criar uma nova situa&ccedil;&atilde;o em que todos aqueles que n&atilde;o disponibilizam suas informa&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas sejam tratados de forma negativa (pagar um seguro m&eacute;dico mais caro etc).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por isso, al&eacute;m da prote&ccedil;&atilde;o dos dados pessoais, temos que pensar em formas de regula&ccedil;&atilde;o sobre o que &eacute; poss&iacute;vel fazer, em termos de coleta, organiza&ccedil;&atilde;o, sistematiza&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise da massa de dados atualmente dispon&iacute;vel, mesmo quando anonimizadas, portanto, fora da esfera dos chamados "dados pessoais". Foi neste sentido que escrevi um pequeno ensaio sugerindo que tamb&eacute;m abordemos o direito &agrave; privacidade com um bem comum (12).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com isso, pode-se apontar para a emerg&ecirc;ncia de um horizonte sociocultural mais amplo, que estamos produzindo com nossas pequenas a&ccedil;&otilde;es individuais. N&atilde;o seria essa a pol&iacute;tica inscrita no protocolo da transpar&ecirc;ncia total pretendida pelo Facebook? A cria&ccedil;&atilde;o de uma cultura da transpar&ecirc;ncia em que a disponibiliza&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria de nossos dados se naturaliza como um imperativo social e moral? &Eacute; sobre esta configura&ccedil;&atilde;o cultural mais ampla que se desenvolve o restante deste artigo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VIGIL&Acirc;NCIA E ANONIMATO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como promover o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, ao conhecimento e &agrave; cultura e, ao mesmo tempo, combater os efeitos potencialmente perversos dessa abertura? Quando falamos em revolu&ccedil;&atilde;o dos dados (como bem interrogou o artigo de Jonathan Gray, em 13) precisamos perguntar para quem ser&aacute; esta revolu&ccedil;&atilde;o? Nesse sentido, parece-me importante colocar a quest&atilde;o da abertura num contexto muito assim&eacute;trico de distribui&ccedil;&atilde;o do poder comunicacional, econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recentemente, numa lista de discuss&atilde;o dedicada &agrave; tecnopol&iacute;tica e ao ativismo, chamada Antivigil&acirc;ncia (14), tive contato com um documento excelente (15) de um grupo de trabalho em tecnologia da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Sa&uacute;de Coletiva. Com uma percep&ccedil;&atilde;o aguda, j&aacute; no in&iacute;cio dos anos 1990, alguns m&eacute;dicos e enfermeiros atentos &agrave; necessidade de se pensar em formas cr&iacute;ticas de gest&atilde;o dos grandes bancos de dados que come&ccedil;avam a se constituir sobre os pacientes no sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de, produziram esse documento que levanta v&aacute;rias quest&otilde;es importantes como, por exemplo, quais s&atilde;o as tecnologias que podem promover a confidencialidade, proteger a identidade dos pacientes e evitar usos indevidos por empresas sobre os bancos de dados?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da mesma forma como esses atores estavam preocupados com a identidade e a privacidade dos pacientes, hoje enfrentamos quest&otilde;es an&aacute;logas no debate sobre a nova Lei de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados Pessoais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; nesse sentido, tamb&eacute;m, que a comunidade tecnoativista tem organizado eventos, como as Cryptoparties (16), destinados a difundir o uso de tecnologias que promovam a comunica&ccedil;&atilde;o segura, a privacidade e o anonimato, como formas de luta contra as a&ccedil;&otilde;es massivas de vigil&acirc;ncia estatal e corporativa. A luta pelo direito ao anonimato na rede &eacute; de suma import&acirc;ncia num cen&aacute;rio de crescente media&ccedil;&atilde;o digital. Na atual conjuntura a defesa do anonimato &eacute; uma poss&iacute;vel estrat&eacute;gia para a defesa da liberdade de express&atilde;o, para resistir &agrave; "censura preventiva" ou ainda para combater o "conformismo antecipativo" diante dos mecanismos de <i>profiling.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o &agrave; toa, na era p&oacute;s-Snowden come&ccedil;am a surgir servi&ccedil;os conhecidos como <i>zero-knowledge</i> (protocolos computacionais que objetivam eliminar a produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o desej&aacute;vel). Outro exemplo &eacute; o esfor&ccedil;o de ciberativistas para criar ambientes de intera&ccedil;&atilde;o que tentam recriar a situa&ccedil;&atilde;o de um encontro de duas pessoas numa floresta, numa conversa presencial e sem qualquer registro que n&atilde;o o da mem&oacute;ria individual de cada uma delas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O anonimato na rede tamb&eacute;m cumpre a importante fun&ccedil;&atilde;o de criar espa&ccedil;os de intera&ccedil;&atilde;o que possam efetivamente funcionar como arenas p&uacute;blicas. &Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o an&aacute;loga ao efeito provocado pelas cidades modernas na sociabilidade, onde o espa&ccedil;o p&uacute;blico se caracteriza pela possibilidade do encontro com pessoas que n&atilde;o conhecemos e, por isso, surgiram c&oacute;digos de conduta para o bom conv&iacute;vio com aquele ser gen&eacute;rico que desconhe&ccedil;o. Tais princ&iacute;pios e c&oacute;digos formam a base dos direitos de cidadania.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na medida em que os ambientes digitais produzem uma infinidade de dados sobre os usu&aacute;rios, a garantia do anonimato torna-se um recurso importante (mas n&atilde;o &uacute;nico como veremos adiante) para que possamos evitar a emerg&ecirc;ncia de uma sociedade policial, onde sabemos tudo sobre todos, e onde todas as intera&ccedil;&otilde;es acontecem em cen&aacute;rios onde a possibilidade do imprevisto e do indeterminado est&atilde;o sob controle.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>GOVERNAMENTALIDADE ALGOR&Iacute;TMICA </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, em todos esses casos que listamos, o conflito e as formas de apropria&ccedil;&atilde;o e expropria&ccedil;&atilde;o se d&atilde;o sobre a fronteira dos dados p&uacute;blicos e privados, e tamb&eacute;m sobre a capacidade de atribuir autenticidade e identidade aos dados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a crescente concentra&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es digitais nas m&atilde;os de poucos atores corporativos e estatais, as pr&aacute;ticas de abertura e livre disponibiliza&ccedil;&atilde;o de dados combinam-se &agrave; emerg&ecirc;ncia do <i>big data, </i>num contexto de distribui&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica no poder comunicacional (propriedade dos meios, infraestrutura, aplicativos etc). Neste cen&aacute;rio, gostaria de apontar que a forma de exerc&iacute;cio de poder adquire outra din&acirc;mica, deslocando, portanto, o conflito pol&iacute;tico para outras arenas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para explorar essa nova configura&ccedil;&atilde;o entre saberes e poderes no mundo do <i>big data,</i> Antoinette Rouvroy, pesquisadora do Research Center Information, Law &amp;Society (B&eacute;lgica), toma as ideias de Foucault e Deleuze para desenvolver o conceito de governamentalidade algor&iacute;tmica, como um desdobramento da governamentalidade neoliberal:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Eu gostaria de descrever este deslizamento da governamentalidade neoliberal em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; governamentalidade algor&iacute;tmica: um modo de governo alimentado essencialmente por dados brutos (que operam como sinais infra-pessoais e a-significantes mas quantific&aacute;veis); que afetam os indiv&iacute;duos sob o modo de alerta, provocando o reflexo, mais do que sob o modo da autoriza&ccedil;&atilde;o, proibi&ccedil;&atilde;o ou persuas&atilde;o, ao se apoiar sobre suas capacidades de entendimento e de vontade; visando essencialmente a antecipar o futuro, a limitar o poss&iacute;vel, muito mais do que regulamentar as condutas. Os dispositivos da governamentalidade algor&iacute;tmica integram o <i>data-mining:</i> a explora&ccedil;&atilde;o das reservas de dados massivos e brutos, que individualmente n&atilde;o possuem nenhum sentido, para a partir deles tra&ccedil;ar perfis de comportamento. O <i>data-mining</i> permite gerir as pessoas de maneira personalizante, industrial, sistem&aacute;tica e preemptiva, se interessando por elas somente enquanto pertencentes a uma multitude de perfis (de consumidores, de delinquentes potenciais etc) (17). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa perspectiva, o que est&aacute; em jogo &eacute; muito mais a capacidade de produzir e gerenciar uma infinidade de perfis, de criar cen&aacute;rios e produzir futuros. O perfil &eacute; supra-individual (&eacute; uma categoria estat&iacute;stica) e &eacute; criado a partir de informa&ccedil;&otilde;es brutas, infra-individuais. N&atilde;o &eacute; mais o indiv&iacute;duo que conta, mas o ser dividual. Deleuze j&aacute; tinha apontado isso naquele pequeno texto <i>post-scriptum</i> das sociedades de controle. Mas a governamentalidade algor&iacute;tmica ocupa-se de um mundo digital muito distinto daquele observado por Deleuze.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o se trata apenas de gerir permiss&otilde;es de acesso, de modular a exist&ecirc;ncia dividual a partir de controles de varia&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua. &Eacute; tudo isso tamb&eacute;m, por&eacute;m o campo de interven&ccedil;&atilde;o com o <i>big data </i>cria uma "pol&iacute;tica da simula&ccedil;&atilde;o" que &eacute; a pr&oacute;pria morte da pol&iacute;tica, uma vez que as a&ccedil;&otilde;es passam a ser governadas gra&ccedil;as ao <i>feedback</i> dos par&acirc;metros que indicam os cen&aacute;rios futuros produzidos com base nas predisposi&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas de cada perfil, de cada situa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se age, n&atilde;o se cria, modula-se.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Galloway aborda esse problema por uma perspectiva complementar que ele chamar&aacute; de poder protocolar. N&atilde;o &eacute; preciso se preocupar com o sentido da a&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel conduzir a a&ccedil;&atilde;o de outra maneira. Na medida em que toda a&ccedil;&atilde;o tecnicamente mediada precisa passar pelo protocolo, o importante &eacute; que este protocolo produza os efeitos desejados. &Eacute; uma a&ccedil;&atilde;o governada no presente gra&ccedil;as ao controle sobre os efeitos desejados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; por isso que estamos al&eacute;m do <i>big brother.</i> Claro, Snowden e Assange est&atilde;o a&iacute; para nos lembrar dos in&uacute;meros aparatos de vigil&acirc;ncia. Por&eacute;m, neste cen&aacute;rio trata-se, menos, de impedir que nos expressemos livremente. Sim, isso tamb&eacute;m acontece no momento de exerc&iacute;cio do poder sobre o indiv&iacute;duo em situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas. Todavia, na governamentalidade algor&iacute;tmica somos convidados a sempre nos expressarmos livremente: <i>"escreva aqui o que voc&ecirc; est&aacute; pensando" </i>(Facebook), "o <i>que est&aacute; acontecendo</i>?" (Twitter) entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m do <i>big brother</i> — tomo de empr&eacute;stimo a feliz express&atilde;o de Evegeny Morozov — estamos diante da <i>big mother</i> <sup>(18)</sup>. Ela sabe o que eu desejo, ela sabe o que eu preciso, ela vai me oferecer o que acha que necessito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Antoine Rouvroy tamb&eacute;m chama nossa aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia de discutirmos o direito a um futuro n&atilde;o-preocupado: ser&aacute; que as informa&ccedil;&otilde;es que eu estou produzindo agora, mesmo que anonimizadas (portanto, n&atilde;o se trata de dados pessoais), n&atilde;o est&atilde;o a compor um perfil estat&iacute;stico que ser&aacute; utilizado no futuro para guiar minhas escolhas ou para me incluir em determinadas categorias sociais que ainda sou incapaz de imaginar?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por tudo isso, &eacute; importante pensarmos numa pol&iacute;tica para a prote&ccedil;&atilde;o dos dados pessoais e tamb&eacute;m nas garantias para o anonimato na rede. Por&eacute;m, isso s&oacute; d&aacute; conta de uma parte do problema. &Eacute; absolutamente poss&iacute;vel manter a governamentalidade algor&iacute;tmica funcionando dentro do respeito &agrave;quilo que entendemos como "dados pessoais". Para enfrentarmos essa nova forma de poder, teremos que pensar em novas formas de regula&ccedil;&atilde;o sobre a informa&ccedil;&atilde;o que &eacute; produzida, para al&eacute;m da dicotomia p&uacute;blico-privado. Afinal, trata-se de discutir o que queremos fazer coletivamente com as informa&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o a&iacute;? Quais as possibilidades e o que queremos evitar? Talvez, tenhamos mesmo que pensar que a prote&ccedil;&atilde;o dos dados pessoais n&atilde;o se refere mais ao indiv&iacute;duo, mas sim &agrave; coletividade. Ou seja, com a crescente media&ccedil;&atilde;o das tecnologias digitais h&aacute; toda uma nova partilha do mundo que se faz necess&aacute;ria, afinal a intermedia&ccedil;&atilde;o digital inaugura um novo territ&oacute;rio comum sob disputa. Uma alternativa seria pensarmos o ecossistema comunicacional de maneira an&aacute;loga aos bens comuns (diferentemente do <i>commons</i> da perspectiva liberal ou neoinstitucionalista), tra&ccedil;ando seu usufruo coletivo a partir de uma concep&ccedil;&atilde;o renovada dos direitos no mundo digital.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Ci&ecirc;ncia Aberta e Desenvolvimento Local &eacute; um projeto interinstitucional da Open and Collaborative Development Network, apoiado pelo Internacional Development Research Center - Canad&aacute;, coordenado no Brasil pelo Ibict. No momento, o autor deste artigo realiza uma pesquisa de p&oacute;s-doc no Ibict/UFRJ investigando essa iniciativa. Mais informa&ccedil;&otilde;es: <a href="http://cienciaaberta.ubatuba.cc" target="_blank">http://cienciaaberta.ubatuba.cc</a>.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Parra, H. Z.M.. <i>Privacidade como bem comum.</i> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://prototype.pimentalab.net/?p=67" target="_blank">http://prototype.pimentalab.net/?p=67</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Rouvroy, A. <i>Le droit &agrave; la protection de la vie priv&eacute;e comme droit &agrave; un avenir non pr&eacute;-occup&eacute;, et comme condition de survenance du commun.</i> (Draft / Version provisoire) Entretiens &agrave; propos du droit &agrave; la protection de la vie priv&eacute;e (&agrave; para&icirc;tre). Ed. Claire Lobet-Maris, Nathalie Grandjean, Perrine Vanmeerbeek. Paris: FYP &eacute;ditions, 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://works.bepress.com/cgi/viewcontent.cgi?article=1065&amp;context=antoinette_rouvroy" target="_blank">http://works.bepress.com/cgi/viewcontent.cgi?article=1065&amp;context=antoinette_rouvroy</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Fern&aacute;ndez-Savater, A. <i>La pesadilla de un mundo en red:</i> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.eldiario.es/interferencias/pesadilla-mundo-red_6_412668752.html" target="_blank">http://www.eldiario.es/interferencias/pesadilla-mundo-red_6_412668752.html</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Galloway, A. <i>Protocol, how control exists after decentralization,</i> MIT Press, Cambridge, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Veja o projeto United Nations Data Revolution Group. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.undatarevolution.org/" target="_blank">http://www.undatarevolution.org/</a> Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Veja o projeto Quantified Self. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://quantifiedself.com/" target="_blank">http://quantifiedself.com/</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. As controv&eacute;rsias em torno da pol&iacute;tica de privacidade dos usu&aacute;rios do Windows 10.0 &eacute; um bom exemplo neste caso. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.slate.com/articles/technology/bitwise/2015/08/windows_10_privacy_problems_here_s_how_bad_they_are_and_how_to_plug_them.html" target="_blank">http://www.slate.com/articles/technology/bitwise/2015/08/windows_10_privacy_problems_here_s_how_bad_they_are_and_how_to_plug_them.html</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Sobre o valor econ&ocirc;micos dos dados pessoais para o World Economic Forum, veja <a href="http://www3.weforum.org/docs/WEF_ITTC_PersonalDataNewAsset_Report_2011.pdf" target="_blank">http://www3.weforum.org/docs/WEF_ITTC_PersonalDataNewAsset_Report_2011.pdf</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. O Trans Pacific Partenership &eacute; um grande acordo comercial entre os Estados Unidos e demais pa&iacute;ses alinhados &agrave; sua pol&iacute;tica comercial. Desenhado sob forte influ&ecirc;ncia de grupos econ&ocirc;micos e corpora&ccedil;&otilde;es poderosas, ele foi elaborado distante do escrut&iacute;nio p&uacute;blico. Nos &uacute;ltimos meses a organiza&ccedil;&atilde;o Wikileaks tem publicado partes importantes desse documento visando interrogar a legitimidade pol&iacute;tica desse acordo. Veja <a href="https://wikileaks.org/tpp/" target="_blank">https://wikileaks.org/tpp/</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. E. Morozov desenvolve um argumento interessante sobre este fato: <a href="http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/jul/12/ttip-your-data-privacy-is-a-barrier-to-economic-growth" target="_blank">http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/jul/12/ttip-your-data-privacy-is-a-barrier-to-economic-growth</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Parra, H.Z.M. <i>op.cit.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Gray, J. <i>Data revolution for whom?</i> Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.open-democracy.net/ourkingdom/jonathan-grey/data-revolution-for-whom" target="_blank">https://www.open-democracy.net/ourkingdom/jonathan-grey/data-revolution-for-whom</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Site do projeto Antivigil&acirc;ncia - <a href="https://antivigilancia.org/" target="_blank">https://antivigilancia.org/</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. O documento analisado est&aacute; dispon&iacute;vel online em <a href="http://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2015/06/GT_informacao_plano-diretor.pdf" target="_blank">http://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2015/06/GT_informacao_plano-diretor.pdf</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Na cidade de S&atilde;o Paulo a Cryptorave &eacute; um evento anual que tem atra&iacute;do um grande p&uacute;blico - <a href="https://cryptorave.org/">https://cryptorave.org/</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Agrade&ccedil;o a Lilian Sampaio pela ajuda na tradu&ccedil;&atilde;o. A seguir o fragmento original em franc&ecirc;s <i>"J'ai voulu d&eacute;crire ce glissement du gouvernement n&eacute;olib&eacute;ral au gouvernement algorithmique: un mode de gouvernement nourri essentiellement de donn&eacute;es brutes (qui op&egrave;rent comme des signaux infra-personnels et a-signifiants mais quantifiables); qui affecte les individus sur le mode de l'alerte provoquant du r&eacute;flex plut&ocirc;t que sur le mode de l'autorisation, de l'interdiction, de la persuasion, en s'appuyant sur leurs capacit&eacute;s d'entendement et de volont&eacute; ; qui vise essentiellement &agrave; anticiper l'avenir, &agrave; borner le possible, plut&ocirc;t qu'&agrave; r&eacute;glementer les conduites. Les dispositifs de la gouvernementalit&eacute; algorithmique int&egrave;grent le data-mining: l'exploitation de gisements de donn&eacute;es massives et brutes, qui n'ont individuellement aucun sens, pour en faire surgir des profils de comportements. Le data-mining permet de g&eacute;rer les gens de fa&ccedil;on personnalisante, industrielle, syst&eacute;matique, pr&eacute;emp-tive, en ne s'int&eacute;ressant &agrave; eux qu'en tant qu'ils rel&egrave;vent d'une multitude de profils (de consommateurs, de d&eacute;linquants potentiels etc.)".</i></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Morozov, E. <i>The planning machine.</i> Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.newyorker.com/magazine/2014/10/13/planning-machine" target="_blank">http://www.newyorker.com/magazine/2014/10/13/planning-machine</a>. Acesso em 28/10/2015.    </font></p>      ]]></body><back>
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