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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOT&Iacute;CIAS DO BRASIL    <br>   CENTEN&Aacute;RIO ABC</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Institui&ccedil;&atilde;o se engaja ainda mais em prol da ci&ecirc;ncia brasileira </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Germana Barata</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando surgiram, no final do s&eacute;culo XVII, as academias de ci&ecirc;ncias tinham como objetivo reunir talentos, acelerar os avan&ccedil;os e interc&acirc;mbios na ci&ecirc;ncia. Com o tempo o papel dessas institui&ccedil;&otilde;es se ampliou, passando a incluir incentivar jovens para a carreira cient&iacute;fica, realizar diagn&oacute;sticos e aconselhar os tomadores de decis&atilde;o sobre as pol&iacute;ticas cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas. H&aacute; cem anos, celebrados no dia 3 de maio, era inaugurada a Sociedade Brasileira de Ci&ecirc;ncias sob a presid&ecirc;ncia do franc&ecirc;s, naturalizado brasileiro, Henri Charles Morize (1861-1930). Em 1921, a sociedade mudaria seu nome para Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora sua miss&atilde;o siga a tradi&ccedil;&atilde;o internacional, a entidade brasileira tem peculiaridades. Jacob Palis, presidente da ABC de 2007 a abril deste ano, lembra que o fato do pa&iacute;s ser muito grande tornou importante a atua&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o nas v&aacute;rias regi&otilde;es por meio de seis vice-presidentes regionais e quatro diretores. Com isso, h&aacute; maior entrosamento e representa&ccedil;&atilde;o de todas as regi&otilde;es e, tamb&eacute;m, mais equil&iacute;brio na elei&ccedil;&atilde;o dos membros afiliados. Em cem anos de atua&ccedil;&atilde;o a ABC teve papel marcante em conquistas para a ci&ecirc;ncia brasileira, como os esfor&ccedil;os na introdu&ccedil;&atilde;o da radiodifus&atilde;o no pa&iacute;s (1923), a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq), em 1949, e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em 1969.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n2/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Na d&eacute;cada de 1930, frente &agrave; percep&ccedil;&atilde;o de que no Brasil era imposs&iacute;vel manter a associa&ccedil;&atilde;o &#91;ABC&#93; sem o apoio do Estado, iniciou-se um processo para provar a utilidade pr&aacute;tica da ci&ecirc;ncia, e isso fortaleceu-se ao ponto de a ABC exercer, hoje, um forte papel na defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nas v&aacute;rias &aacute;reas de sua atua&ccedil;&atilde;o", analisa Jos&eacute; Murilo de Carvalho, historiador e membro da ABC desde 2003. Em 1967, o governo federal reconheceria a ABC como parte integrante do sistema de ci&ecirc;ncia e tecnologia nacional e como entidade competente a fornecer pareceres sobre o estado de C&amp;T no pa&iacute;s, por meio do II Plano B&aacute;sico de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico. O documento legitimou a academia e permitiu que a mesma pleiteasse recursos governamentais para suas atividades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ABC tem produzido documentos relevantes para as pol&iacute;ticas cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas do pa&iacute;s como "Uma pol&iacute;tica de Estado para ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o", enviado em 2003 a todos os candidatos &agrave; presid&ecirc;ncia e que acabou sendo incorporado no plano de CT&amp;I do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT), em 2007. H&aacute; tamb&eacute;m a publica&ccedil;&atilde;o de materiais com tem&aacute;tica espec&iacute;fica, por exemplo sobre pesquisas na Ant&aacute;rtica brasileira, a crise h&iacute;drica, educa&ccedil;&atilde;o, Amaz&ocirc;nia, sustentabilidade, entre outros. "&Eacute; uma pena que nossos governantes n&atilde;o utilizem esse valioso material, escrito por cientistas altamente especializados em suas &aacute;reas, at&eacute; mesmo para tomada de decis&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas. Em outros pa&iacute;ses, os governos costumam ouvir mais seus cientistas. As academias de ci&ecirc;ncias s&atilde;o um canal de interlocu&ccedil;&atilde;o", lamenta a bi&oacute;loga D&eacute;bora Foguel, acad&ecirc;mica desde 2008.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Multidisciplinar</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o s&atilde;o todas as &aacute;reas do conhecimento cient&iacute;fico que estiveram sempre contempladas na academia. No in&iacute;cio apenas as ci&ecirc;ncias matem&aacute;ticas, f&iacute;sicoqu&iacute;micas e biol&oacute;gicas estavam representadas. "Os cientistas de maior visibilidade na &eacute;poca eram da &aacute;rea de biol&oacute;gicas, como Osvaldo Cruz, Carlos Chagas, Adolfo Lutz, Juliano Moreira", conta Carvalho. No anivers&aacute;rio de 80 anos da institui&ccedil;&atilde;o as engenharias ganharam espa&ccedil;o e, at&eacute; o ano 2000, incorporaram 10 &aacute;reas priorit&aacute;rias. As ci&ecirc;ncias sociais foram as &uacute;ltimas a ter representa&ccedil;&atilde;o sendo que a maioria dos membros &eacute; formada por cientistas sociais em sentido estrito - economistas, soci&oacute;logos, cientistas pol&iacute;ticos, antrop&oacute;logos -, embora haja historiadores, como Carvalho, e juristas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ana Paula Hey, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), em artigo apresentado durante o 38ºEncontro Anual da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Ci&ecirc;ncias Sociais (Anpocs), em 2014, lembrou que a ABC possu&iacute;a acad&ecirc;micos com atua&ccedil;&atilde;o nas ci&ecirc;ncias humanas desde a funda&ccedil;&atilde;o. Dentre os exemplos ela cita membros vindos de &aacute;reas tradicionais, como o m&eacute;dico Roquette-Pinto (1884-1954), com atua&ccedil;&atilde;o voltada para a antropologia e a etnologia, e o engenheiro Everardo Adolpho Backheuser (1879-1951), que fazia pesquisas em geopol&iacute;tica e geografia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mulheres na ci&ecirc;ncia </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira mulher a se tornar membro da ABC foi a polonesa Marie Curie, em 1926, quando j&aacute; era laureada duplamente pela Academia Sueca com o Nobel. A ocean&oacute;grafa Marta Vannucci foi a primeira mulher a ser aceita como membro associado, em 1955. Apenas em 1966 ela se tornou membro titular.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o de g&ecirc;nero &eacute; priorit&aacute;ria para a ABC e faz parte das a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Embora Palis reconhe&ccedil;a que o percentual de 14% ainda est&aacute; longe do ideal, ele reconhece que houve avan&ccedil;os que colocam o Brasil &agrave; frente de academias tradicionais como a francesa (8%) e a inglesa (6%), e no mesmo patamar das institui&ccedil;&otilde;es da Argentina, Chile e Col&ocirc;mbia. "O sonho &eacute; a paridade", diz Palis. Entre os novos membros, o percentual de mulheres chega aos 25%. Dentre 69 academias de ci&ecirc;ncias ao redor do mundo, a m&eacute;dia de participa&ccedil;&atilde;o feminina est&aacute; em 12% e apenas 40% das institui&ccedil;&otilde;es possuem pol&iacute;ticas ou comit&ecirc;s dedicados &agrave; quest&atilde;o de g&ecirc;nero, como concluiu o documento "Women for science: inclusion and participation in academies of science", publicado no final de 2015 pela Rede Global de Academias de Ci&ecirc;ncia (IAP).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Comemora&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para seu anivers&aacute;rio, a ABC organiza eventos sat&eacute;lites que incluem debates sobre grandes temas como o genoma humano (11 e 12 de dezembro), seguran&ccedil;a alimentar (18 e 19 de abril) e o encontro internacional "An open world" (Um mundo aberto), para discutir o compartilhamento de informa&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses. Esta ser&aacute; a segunda edi&ccedil;&atilde;o desse evento, que ocorreu h&aacute; tr&ecirc;s anos na Alemanha em fun&ccedil;&atilde;o do centen&aacute;rio do pr&ecirc;mio Nobel recebido pelo f&iacute;sico Niels Bohr (1885-1962). Em 1950, ele escreveu uma carta &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas em defesa da abertura e do interc&acirc;mbio de informa&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses como forma de combater a crise do p&oacute;s-Segunda Guerra Mundial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sob o apropriado t&iacute;tulo "Um s&eacute;culo de ci&ecirc;ncia: construindo um futuro melhor", a ABC fez sua reuni&atilde;o magna nos dias 4 a 6 de maio, no Museu do Amanh&atilde;, Rio de Janeiro, do qual a ABC &eacute; apoiadora. O evento apontou as prioridades da institui&ccedil;&atilde;o com confer&ecirc;ncias sobre energia, educa&ccedil;&atilde;o, doen&ccedil;as negligenciadas - como o zika v&iacute;rus -, seguran&ccedil;a alimentar e novas tecnologias. Dentre os convidados estavam o pr&ecirc;mio Nobel Takaaki Kajita (f&iacute;sica, 2015), a presidente da Academia Americana de Ci&ecirc;ncias e editora-chefe da revista <i>Science</i>, Marcia McNutt, o ex-presidente da NAS, Bruce Alberts, e John Hopcroft, da Cornell University, que recebeu o pr&ecirc;mio Turing, em 1986.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse primeiro centen&aacute;rio a ABC comemora as conquistas e a maior influ&ecirc;ncia na sociedade. Sua atua&ccedil;&atilde;o, em um pa&iacute;s em desenvolvimento, sobretudo diante de uma grave crise que amea&ccedil;a as conquistas em ci&ecirc;ncia e tecnologia, se torna ainda mais relevante. Tarefa que a nova diretoria assume a partir de agora. Foram eleitos para presidir a ABC (2016-2019) o f&iacute;sico Luiz Davidovich, com o engenheiro Jo&atilde;o Fernando Gomes de Oliveira como vice-presidente, os diretores Elibio Leopoldo Rech Filho, engenheiro agr&ocirc;nomo, Francisco Rafael Martins Laurindo, m&eacute;dico, o matem&aacute;tico Hil&aacute;rio Alencar da Silva, o historiador Jos&eacute; Murilo de Carvalho e a f&iacute;sica Marcia Cristina Bernardes Barbosa, al&eacute;m de seis novos vice-presidentes regionais.</font></p>      ]]></body>
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