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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOT&Iacute;CIAS DO MUNDO    <br>   RESENHA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Soldados de seis pernas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n2/a09fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; imaginou uma bomba de abelhas? Ou insetos criados especialmente para disseminar doen&ccedil;as? Ou ainda pragas controladas para destruir planta&ccedil;&otilde;es de na&ccedil;&otilde;es inimigas? De acordo com Jeffrey Lockwood, entom&oacute;logo e professor do Departamento de Ci&ecirc;ncias Naturais e Humanidades da Universidade do Wyoming, Estados Unidos, isso n&atilde;o &eacute; apenas imagina&ccedil;&atilde;o, mas uma assustadora realidade. Em seu livro <i>Soldados de seis pernas: usando insetos como armas de guerra,</i> ele conta a hist&oacute;ria ainda pouco conhecida da utiliza&ccedil;&atilde;o de insetos como armas de guerra e instrumentos de tortura e terror. Publicado originalmente pela Oxford University Press e lan&ccedil;ado no Brasil no ano passado pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC), o livro j&aacute; recebeu dois pr&ecirc;mios liter&aacute;rios: a Medalha John Burroughs e o Pushcart Prize.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lockwood analisou de forma exaustiva documentos hist&oacute;ricos e arquivos militares em busca de material para compor seu livro. O resultado &eacute; um relato bem documentado e assombroso sobre como simples insetos podem se tornar verdadeiras armas de destrui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARMAS DE GUERRA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Insetos s&atilde;o utilizados como arma h&aacute; s&eacute;culos. O relato de <i>Soldados de seis pernas</i> come&ccedil;a no paleol&iacute;tico e chega aos dias atuais. Os primeiros registros de guerras narram a utiliza&ccedil;&atilde;o de abelhas e vespas para desorientar ex&eacute;rcitos inimigos. Na Idade M&eacute;dia, ex&eacute;rcitos catapultavam colmeias de abelhas sobre os muros de cidades cercadas. Em 1942, bombardeiros japoneses lan&ccedil;aram recipientes de cer&acirc;mica cheios de vetores de c&oacute;lera sobre cidades no sul da China, fazendo mais de 200 mil v&iacute;timas. Em 1960, estra-tegistas norte-americanos produziram mensalmente 130 milh&otilde;es de mosquitos portadores do flaviv&iacute;rus com o objetivo de disseminar a febre amarela entre civis - o plano, no entanto, nunca foi levado a cabo. E n&atilde;o &eacute; s&oacute;: os insetos tamb&eacute;m eram usados para torturar. Os persas amarravam seus prisioneiros em &aacute;rvores e os cobriam de mel, deixando que vespas e outros insetos fizessem o resto. No s&eacute;culo 19, o emir de Bukhara abandonava seus prisioneiros em um po&ccedil;o cheio de insetos carn&iacute;voros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">At&eacute; mesmo a dengue tem espa&ccedil;o no livro. De acordo com o autor, mosquitos infectados com o v&iacute;rus da dengue foram utilizados em Saipan (a maior das Ilhas Marianas do Norte, no Oceano Pac&iacute;fico) durante a Segunda Guerra Mundial, e cerca de um ter&ccedil;o da tropa inimiga contraiu a doen&ccedil;a. H&aacute; ainda acusa&ccedil;&otilde;es de que o surto de dengue em Cuba em 1981, que deixou mais de 115 mil pessoas hospitalizadas e causou 158 mortes, tenha sido induzido pelos Estados Unidos. Menos de um ano depois, outro surto de dengue e de febre amarela aconteceu no Afeganist&atilde;o - que tamb&eacute;m acusou os Estados Unidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os insetos tamb&eacute;m podem ser usados para atacar planta&ccedil;&otilde;es e, assim, enfraquecer o inimigo, diminuindo suas provis&otilde;es de alimentos e for&ccedil;ando-o a gastar recursos para combater novas pragas. Lockwood relata em seu livro as pesquisas realizadas pela Fran&ccedil;a e pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, envolvendo o besouro da batata. Apesar de n&atilde;o haver provas, o autor explora as alega&ccedil;&otilde;es de que a Alemanha tenha utilizado estes besouros na Inglaterra e que os Estados Unidos utilizaram "bombas" desses insetos em planta&ccedil;&otilde;es na Alemanha e na R&uacute;ssia. Alega&ccedil;&otilde;es semelhantes, igualmente sem provas, surgiram durante a Guerra Fria, como a da Coreia do Norte que afirmava que os norte-americanos depositaram col&ecirc;mbolos (pequenos artr&oacute;podes) em suas planta&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TECNOLOGIA AVAN&Ccedil;ADA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os insetos ainda podem utilizados como sensores para a detec&ccedil;&atilde;o de explosivos e outras subst&acirc;ncias nocivas. De acordo com Lockwood, abelhas podem ser treinadas para detectar e pairar sobre minas terrestres e vespas para sinalizar a presen&ccedil;a de explosivos ou outros produtos qu&iacute;micos perigosos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de deixar importantes epis&oacute;dios hist&oacute;ricos de fora e de alguns trechos beirarem o melodrama, <i>Soldados de seis pernas</i> &eacute; um relato fascinante. O autor consegue cativar o leitor, explorando a hist&oacute;ria ainda pouco conhecida dos insetos, mostrando o perigo da sua utiliza&ccedil;&atilde;o como arma e levantando quest&otilde;es &eacute;ticas, apontando para a possibilidade de um cen&aacute;rio muito mais sombrio na atualidade caso essa pr&aacute;tica continue a ser utilizada em a&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia e agress&atilde;o. O &uacute;ltimo cap&iacute;tulo do livro &eacute; um alerta sobre o potencial destrutivo de insetos no contexto do terrorismo contempor&acirc;neo. Com o surto de dengue, zika e chikungunya, o livro de Lockwood d&aacute; muito a se pensar - e temer.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n2/a09fig02.jpg"></p>      ]]></body>
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