<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252017000300003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602017000300003</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Presidente da SBPC por três mandatos faz um balanço de sua gestão]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Morales]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Paula]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mariuzzo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrícia]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<volume>69</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>6</fpage>
<lpage>12</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://127.0.0.1/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252017000300003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://127.0.0.1/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252017000300003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://127.0.0.1/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252017000300003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> ENTREVISTA: HELENA NADER</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Presidente da SBPC por tr&ecirc;s mandatos  faz um balan&ccedil;o de sua gest&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ana Paula Morales; Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Helena Nader se tornou s&oacute;cia da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) muito jovem, quando ainda cursava gradua&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas, na modalidade m&eacute;dica, na Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp). A primeira vez que assumiu um cargo na diretoria da entidade foi em junho de 2009, quando foi eleita primeira vice-presidente. Dois anos depois, em fevereiro de 2011, assumiu a presid&ecirc;ncia da SBPC em substitui&ccedil;&atilde;o ao matem&aacute;tico Marco Antonio Raupp que se afastou do cargo para ocupar a presid&ecirc;ncia da Ag&ecirc;ncia Espacial Brasileira. Est&aacute; em seu terceiro mandato como presidente da entidade (2011-2013), (2013-2015) e (2015-2017). &Eacute; a terceira mulher a ser eleita para a presid&ecirc;ncia da SBPC; as anteriores foram Carolina Bori (1987-1989) e Glaci Zancan (1999-2003). Em julho deste ano, Helena Nader deve entregar o cargo para o novo presidente. Sua gest&atilde;o ficou marcada por v&aacute;rias conquistas, como a vota&ccedil;&atilde;o do Marco Legal de C&amp;T, mas tamb&eacute;m por redu&ccedil;&otilde;es dr&aacute;sticas no or&ccedil;amento para pesquisas e ci&ecirc;ncia e tecnologia. Considerando os contingenciamentos divulgados em mar&ccedil;o deste ano, restam apenas R$ 3,3 bilh&otilde;es para investimentos em CT&amp;I em 2017. Os recursos inicialmente destinados ao MCTIC, que j&aacute; eram praticamente metade dos cerca de R$ 10 bilh&otilde;es registrados em 2013, agora s&atilde;o os mais baixos na hist&oacute;ria da CT&amp;I brasileira (cairam para metade do que eram dez anos atr&aacute;s, em valores corrigidos). Nesta entrevista, Helena Nader faz um balan&ccedil;o de sua gest&atilde;o e aponta os principais desafios para a ci&ecirc;ncia e para as universidades brasileiras. Fala tamb&eacute;m das conquistas que obteve. "Acho que conquistamos uma posi&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia. Trouxemos a ci&ecirc;ncia de volta para o debate".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura: Desde que assumiu a vice-presid&ecirc;ncia da SBPC, o pa&iacute;s viveu momentos favor&aacute;veis ao desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico, passando a outros muito problem&aacute;ticos, como os recentes cortes no or&ccedil;amento para C&amp;T. Como a senhora avalia a atua&ccedil;&atilde;o da SBPC nesses &uacute;ltimos 10 anos?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Helena Nader: Uma pergunta que eu sempre me fa&ccedil;o &eacute;: quem &eacute; a SBPC? Muitos cobram a&ccedil;&otilde;es e posicionamentos da SBPC, dizendo que temos que fazer isso ou aquilo. E eu penso: a SBPC somos todos n&oacute;s. Todos temos que participar e lutar pela ci&ecirc;ncia. &Eacute; um trabalho gigante, no qual todos, ou muitos, deveriam estar envolvidos. Da minha parte, quando terminar meu mandato, em julho, eu espero entregar uma sociedade com os mesmos valores daqueles que a criaram em 1948, que compartilhavam da necessidade de incentivar a ci&ecirc;ncia para promover o desenvolvimento social e econ&ocirc;mico. Isso sempre me guiou. Eu espero que os fundadores, onde quer que estiverem, sintam que eu tentei fazer uma SBPC que era a deles: que &eacute; uma sociedade que luta pela ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; um trabalho que envolve muito sacrif&iacute;cio. Na hora em que voc&ecirc; assume posi&ccedil;&otilde;es, voc&ecirc; desagrada pessoas, a solid&atilde;o &eacute; grande. Por exemplo, quando a SBPC n&atilde;o se posicionou em rela&ccedil;&atilde;o ao impeachment da presidente Dilma. Ora, eu, Helena, tenho uma posi&ccedil;&atilde;o muito clara sobre isso, mas a SBPC n&atilde;o. E fui muito criticada por isso. Mas, no meu entender, o importante era a sociedade defender a manuten&ccedil;&atilde;o do estado democr&aacute;tico de direito. Infelizmente, v&aacute;rias pessoas n&atilde;o tiveram uma compreens&atilde;o clara do papel que eu desempenhei. Vivi momentos de rejei&ccedil;&atilde;o muito forte. Mas a vida &eacute; assim.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para fazer o que eu fiz na SBPC, em v&aacute;rias ocasi&otilde;es eu abri m&atilde;o da companhia da minha fam&iacute;lia. Isso sem receber nada porque o trabalho como presidente da SBPC &eacute; <i>pro bono</i>. E nunca deixei a carreira de pesquisadora de lado, eu continuei fazendo ci&ecirc;ncia de qualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dia eu penso em escrever um livro sobre esses 10 anos &agrave; frente da sociedade. Perdemos muitas lutas, mas eu tenho a sensa&ccedil;&atilde;o de dever cumprido. Fizemos uma parceria bastante prof&iacute;cua com a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC), cuja fun&ccedil;&atilde;o &eacute; complementar &agrave; da SBPC. Eu acredito que, hoje, conquistamos uma posi&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia. Frequentemente somos chamados a participar de reuni&otilde;es no Congresso Nacional, por exemplo. Trouxemos a ci&ecirc;ncia de volta para o debate.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: O que a senhora destacaria nas gest&otilde;es em que esteve na presid&ecirc;ncia da SBPC?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: Uma conquista da qual eu tenho muito orgulho &eacute; o Marco Legal de C&amp;T &#91;Projeto de Lei da C&acirc;mara (PLC) 77/2015, foi aprovado pelo Senado Federal em 9 de dezembro de 2015. Disp&otilde;e sobre est&iacute;mulos ao desenvolvimento cient&iacute;fico, &agrave; pesquisa, &agrave; capacita&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica e &agrave; inova&ccedil;&atilde;o&#93;. Esse trabalho come&ccedil;ou ainda quando eu era vice-presidente na gest&atilde;o do Marco Ant&ocirc;nio Raupp. Em outubro de 2008, tivemos um encontro com o presidente Lula, juntamente com o, ent&atilde;o, ministro de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, S&eacute;rgio Rezende e representantes de v&aacute;rias sociedades cient&iacute;ficas brasileiras, incluindo a ABC. Como resultado, em 2010, o Raupp entregou um documento que deu origem ao projeto do Marco Legal de C&amp;T, que eu tive o prazer de ver aprovado. Parte dessa conquista eu devo aos senadores Aloysio Nunes (PSDB/SP), Jorge Viana (PT/AC) e Renan Calheiros (PMDB/AL). O grande m&eacute;rito do projeto foi institucionalizar o sistema de ci&ecirc;ncia e tecnologia, eliminando a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica e favorecendo parcerias com as ind&uacute;strias, por exemplo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um aspecto importante foi a inclus&atilde;o da ci&ecirc;ncia b&aacute;sica no texto da Lei. Ap&oacute;s o tr&acirc;mite do projeto na C&acirc;mara, a palavra "b&aacute;sica" foi suprimida. Ent&atilde;o, eu comecei a lutar para que voltasse para o texto porque no Brasil o que n&atilde;o est&aacute; escrito, &eacute; proibido. Eu lutei por isso e tive sucesso. Conseguimos que a palavra "b&aacute;sica" figurasse no texto final aprovado por meio de uma emenda de reda&ccedil;&atilde;o, assim o Marco inclui a palavra "inova&ccedil;&atilde;o", o que considero importante, mas tamb&eacute;m a ci&ecirc;ncia b&aacute;sica. N&atilde;o acredito nessa separa&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia aplicada e ci&ecirc;ncia b&aacute;sica. A ci&ecirc;ncia &eacute; uma s&oacute; e, com as discuss&otilde;es e a aprova&ccedil;&atilde;o do Marco Legal, alcan&ccedil;amos uma compreens&atilde;o maior sobre o papel da ci&ecirc;ncia no desenvolvimento do pa&iacute;s. Mas a luta continua porque agora temos que regulamentar a Lei.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra conquista foi a reformula&ccedil;&atilde;o da SBPC Jovem, que passou a ser uma responsabilidade conjunta entre SBPC e a universidade que recebe a Reuni&atilde;o Anual. Isso fez com que esse evento voltasse a ter sucesso. Al&eacute;m disso, criamos o "dia da fam&iacute;lia na ci&ecirc;ncia", em 2014, cuja programa&ccedil;&atilde;o &eacute; dirigida &agrave; intera&ccedil;&atilde;o com a comunidade, mostrando que a ci&ecirc;ncia faz parte do dia a dia das pessoas. Acontece no s&aacute;bado, e conta com v&aacute;rias atividades para a fam&iacute;lia. S&atilde;o atividades que t&ecirc;m tido uma grande audi&ecirc;ncia, mostrando que a sociedade brasileira &eacute; &aacute;vida por conhecimento. Em S&atilde;o Carlos &#91;onde foi realizada a 67ª Reuni&atilde;o da SBPC, em 2015&#93;, um pai veio falar comigo dizendo: "eu nunca pensei que voltaria &agrave; escola pelas m&atilde;os do meu filho". Eu espero que essas iniciativas continuem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra novidade que introduzimos na Reuni&atilde;o Anual foi a SBPC Ind&iacute;gena, que consiste em convidar as pessoas que antes eram objeto de estudo da antropologia, da sociologia, para sentar &agrave; mesa. Com isso ind&iacute;genas e quilombolas compunham mesas de discuss&atilde;o. Isso &eacute; importante para dar voz a essas pessoas. E, finalmente, a SBPC Inova&ccedil;&atilde;o que come&ccedil;ou na edi&ccedil;&atilde;o da Reuni&atilde;o Anual em S&atilde;o Carlos, em 2015, mostrando que tanto a ci&ecirc;ncia b&aacute;sica como a inova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o relevantes. Eu tenho orgulho de ter ousado fazer isso!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: Como a senhora avalia as mudan&ccedil;as na carreira de pesquisador nas universidades federais?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: A estrutura&ccedil;&atilde;o do Plano de Carreiras e Cargos de Magist&eacute;rio Federal &#91;Lei nº 12.772/2012&#93; resultou na fal&ecirc;ncia da carreira de professor na universidade federal. Uma das modifica&ccedil;&otilde;es previstas na Lei 12.772 &eacute; a forma de ingresso, sempre no primeiro n&iacute;vel da classe de professor auxiliar. N&atilde;o h&aacute; mais concursos para professor titular. O pesquisador s&oacute; chega a esse n&iacute;vel da carreira por tempo de servi&ccedil;o, sem m&eacute;rito. Eu vejo isso como um complicador, uma amea&ccedil;a para o futuro da universidade federal brasileira que, infelizmente, n&atilde;o conseguimos reverter. Sem m&eacute;rito n&atilde;o tem universidade. Eu n&atilde;o tenho vergonha de dizer que a universidade &eacute; meritocr&aacute;tica, se n&atilde;o assim, ela ser&aacute; o qu&ecirc;, pol&iacute;tico-partid&aacute;ria? A &uacute;nica parte que eu consegui junto &agrave; presidente Dilma, na &uacute;ltima reuni&atilde;o do Conselho Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (CCT), foi retirar do texto o artigo que eliminava a exig&ecirc;ncia de doutorado para ingressar na carreira na universidade federal. Isso era uma aberra&ccedil;&atilde;o, contra a defini&ccedil;&atilde;o de universidade. Ao menos, esse ponto foi revertido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: O crescimento no n&uacute;mero de universidades federais observado, nos &uacute;ltimos anos, n&atilde;o foi acompanhado por um aumento no or&ccedil;amento para essas institui&ccedil;&otilde;es. O que deu errado? Ainda nesse aspecto, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que o sistema de autonomia de gest&atilde;o financeira das estaduais paulistas, vigente no estado desde 1989, tem sido garantia de sua distin&ccedil;&atilde;o e bom desempenho acad&ecirc;mico. Em sua opini&atilde;o essa condi&ccedil;&atilde;o est&aacute; amea&ccedil;ada?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: A minha gera&ccedil;&atilde;o viveu uma fase na qual n&atilde;o pod&iacute;amos falar nada, nos expressar. No entanto, com o fim do regime autorit&aacute;rio militar, n&oacute;s exageramos ao achar que tudo deveria ser decidido por voto e levamos esse modelo para a universidade. Agora, aponte uma universidade excepcional no mundo que tenha elei&ccedil;&atilde;o. Os cargos v&atilde;o para aqueles mais capazes. Eu n&atilde;o sou contra ter elei&ccedil;&atilde;o, mas esse modelo exige negocia&ccedil;&atilde;o, obter apoio. Nessa hora, a universidade repete o mesmo modelo que existe no Congresso Nacional, onde tudo &eacute; feito na base da barganha, o maior problema na gest&atilde;o do Estado brasileiro. &Eacute; o que est&aacute; acontecendo nas federais e estaduais. Como resolver? Dif&iacute;cil, temos que come&ccedil;ar de novo. As universidades t&ecirc;m que fazer uma autocr&iacute;tica. Todo mundo fala sobre internacionaliza&ccedil;&atilde;o, mas ningu&eacute;m olha, de fato, como as universidades l&aacute; fora s&atilde;o geridas. Temos que repensar a gest&atilde;o. As universidades p&uacute;blicas paulistas t&ecirc;m uma situa&ccedil;&atilde;o mais tranquila de financiamento, mas as estaduais de outros estados est&atilde;o na pen&uacute;ria. J&aacute; as federais que antes receberiam 1/12 do or&ccedil;amento, agora v&atilde;o receber 1/18 e a primeira parte s&oacute; chega em abril. Como &eacute; poss&iacute;vel fazer planejamento estrat&eacute;gico? Como ter uma universidade de classe mundial? Como competir com outros pa&iacute;ses, por exemplo, com a China, que tem mostrado resultados excepcionais nos &uacute;ltimos anos. China e Coreia t&ecirc;m universidades para forma&ccedil;&atilde;o de professores que atraem os melhores talentos. Por que n&atilde;o conseguimos fazer isso aqui? Temos &iacute;ndices de evas&atilde;o de 50% nos cursos de licenciatura das federais, ou seja, justamente naqueles cursos que formam os professores dos pr&oacute;ximos alunos que entrar&atilde;o na universidade. Isso &eacute; muito preocupante e n&atilde;o &eacute; papel da SBPC. As universidades, e as associa&ccedil;&otilde;es das quais elas participam, t&ecirc;m que parar para analisar isso, ou vamos andar para tr&aacute;s. Falamos muito que aumentou o n&uacute;mero de matr&iacute;culas no ensino superior nos &uacute;ltimos anos, de fato, mas o que pouco se fala &eacute; que esse aumento se deu principalmente em institui&ccedil;&otilde;es privadas (75% das matr&iacute;culas), muitas delas nas bolsas de valores, ou seja, elas t&ecirc;m que dar lucro. Ensino com lucro &eacute; uma vis&atilde;o diferente, &eacute; esse contingente que corresponde a maior parte do alunado. &Eacute; preciso olhar a qualidade. Muitas dessas institui&ccedil;&otilde;es at&eacute; preferem ser centros universit&aacute;rios para n&atilde;o precisar contratar doutores. Isso &eacute; muito grave, &eacute; uma discuss&atilde;o que a sociedade vai ter que fazer. Teremos algumas mesas sobre isso na Reuni&atilde;o Anual da SBPC deste ano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: Em outros pa&iacute;ses, como a Coreia, por exemplo, as empresas contribuem com mais de 70% do total investimento em CT&amp;I. Aqui no Brasil, essa participa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito pequena. Em sua opini&atilde;o, por que prevalece essa mentalidade no empresariado brasileiro?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: Se voc&ecirc; olhar a Coreia do Sul h&aacute; uns 25 anos, ela se parecia com o Brasil. Em 1997/98 aconteceu aquela crise econ&ocirc;mica nos pa&iacute;ses do Sudeste Asi&aacute;tico (os chamados Tigres Asi&aacute;ticos) que afetou diversos pa&iacute;ses, inclusive o Brasil. Passado o ponto agudo da crise, a Coreia fez um estudo sobre op&ccedil;&otilde;es de investimento governamental e a decis&atilde;o foi investir em ci&ecirc;ncia. O conceito por tr&aacute;s disso era: se eu investir em alguns setores vou ter uma expans&atilde;o da economia, seguida de uma estabiliza&ccedil;&atilde;o e depois uma queda; se eu investir em ci&ecirc;ncia, a economia tem uma queda inicial, mas depois ela volta a crescer. No final da d&eacute;cada de 1990, que carro ou celular n&oacute;s compr&aacute;vamos da Coreia? O que vemos hoje, com empresas de classe mundial, &eacute; resultado de um diagn&oacute;stico de governo. Aqui, os 18 vetos que foram feitos no Marco Legal referem-se exatamente a temas que poderiam resultar em uma alavancagem de patamar, com investimento especialmente na micro e pequena empresa de base tecnol&oacute;gica. Essa &eacute; a estrat&eacute;gia norte-americana com <i>startups</i>. Os subs&iacute;dios concedidos para essas empresas permitem que elas cres&ccedil;am para depois serem compradas por grandes organiza&ccedil;&otilde;es. Aqui, o Minist&eacute;rio da Fazenda e o do Planejamento n&atilde;o conseguiram colocar isso em pr&aacute;tica. Eles n&atilde;o entenderam que vivemos em uma economia do conhecimento. N&oacute;s estamos atrasados nesse quesito. O financiamento maci&ccedil;o da ci&ecirc;ncia ainda vem do Estado e vai ter que ser assim por um bom per&iacute;odo, at&eacute; que essas ind&uacute;strias de classe mundial possam investir. Se n&atilde;o fosse o investimento p&uacute;blico n&atilde;o haveria o pr&eacute;-sal ou os resultados no agroneg&oacute;cio que alcan&ccedil;amos gra&ccedil;as &agrave; Embrapa e outros institutos de pesquisa agr&iacute;cola antes dela. O Brasil &eacute; muito competente, mas parece que n&atilde;o nos damos conta disso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: No Brasil, a classe cient&iacute;fica parece estar muito distante do governo, sendo pouco consultada para tomadas de decis&atilde;o em assuntos t&eacute;cnicos e estrat&eacute;gicos. A senhora acredita que se trata de falta de credibilidade?</b></i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: O CCT funcionou perfeitamente no governo do presidente Lula, nos dois mandatos. Isso teve um impacto muito grande na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, na colabora&ccedil;&atilde;o entre minist&eacute;rios. Esse conselho &eacute; chave. Infelizmente, n&atilde;o sei por que, no governo da presidente Dilma, o CCT se reuniu apenas uma vez. Ele pode impactar decis&otilde;es do governo porque re&uacute;ne comunidade acad&ecirc;mica, empres&aacute;rios e os minist&eacute;rios que precisam de ci&ecirc;ncia. Eu vejo como um instrumento importante que precisa ser utilizado. Pouco antes do in&iacute;cio da crise pol&iacute;tica atual, as reuni&otilde;es voltaram a acontecer para discutir infraestrutura, legisla&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma pena ficarmos sujeitos a um certo personalismo, onde dependemos da sensibilidade das pessoas que est&atilde;o &agrave; frente do governo, da vontade dessas pessoas. &Eacute; s&oacute; lembrarmos das frequentes trocas de ministro da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. As institui&ccedil;&otilde;es do Brasil n&atilde;o s&atilde;o fortes, essa &eacute; que &eacute; a verdade. N&oacute;s vivemos de solu&ccedil;os e a ci&ecirc;ncia n&atilde;o funciona assim, ela acontece com planejamento estrat&eacute;gico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: No per&iacute;odo em que a senhora esteve &agrave; frente da SBPC alguns programas importantes foram lan&ccedil;ados, como por exemplo dos Institutos Nacionais de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (INCTs). Pode falar um pouco sobre eles.</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: Os INCTs s&atilde;o fruto das reuni&otilde;es do CCT, na gest&atilde;o do ministro Sergio Resende, quando discutimos modelos de parcerias p&uacute;blico-privadas. Eles s&atilde;o na verdade uma amplia&ccedil;&atilde;o dos Institutos de Mil&ecirc;nio, com mais recursos e para mais &aacute;reas. Os projetos do primeiro edital (2014) foram avaliados e tiveram bons resultados. Os recursos investidos n&atilde;o foram t&atilde;o grandes se pensarmos no n&uacute;mero de institui&ccedil;&otilde;es envolvidas em cada INCT. O principal resultado, a meu ver, foram as articula&ccedil;&otilde;es entre diferentes entes: estaduais, federais, universidades, centros de pesquisa etc. Ent&atilde;o veio o segundo edital, em 2016, j&aacute; no governo Dilma. Depois de longo per&iacute;odo de avalia&ccedil;&atilde;o dos projetos e aprova&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero maior do que no primeiro edital, n&atilde;o havia mais recursos. A PEC dos gastos p&uacute;blicos autoriza os estados a fazer cortes tamb&eacute;m. Ent&atilde;o muitos deles est&atilde;o tendo cortes nos financiamentos via suas funda&ccedil;&otilde;es. A crise financeira est&aacute; no &acirc;mbito federal e estadual. Como esses INCTs v&atilde;o se manter? O or&ccedil;amento do minist&eacute;rio &eacute; de cerca de R$ 15 bilh&otilde;es (incluindo comunica&ccedil;&otilde;es), dos quais R$ 5 bilh&otilde;es n&atilde;o podem ser contingenciados porque s&atilde;o para pessoal e custeio, sobram cerca de R$ 10 bilh&otilde;es e, desse montante, metade j&aacute; foi contingenciado na Lei Or&ccedil;ament&aacute;ria Anual (LOA). &Eacute; o que sobrou de todos esses cortes que o Congresso est&aacute; usando para planejar os gastos de 2018! Temos, portanto, uma aberra&ccedil;&atilde;o. &Eacute; contra isso que estou lutando. A situa&ccedil;&atilde;o financeira &eacute; muito grave. O que temos &eacute; uma verdadeira "escolha de Sofia" entre quem vai receber recursos: o edital universal ou os INCTs. &Eacute; uma crise que vem se agravando continuamente nos &uacute;ltimos anos, o que demonstra uma falta de vis&atilde;o estrat&eacute;gica de na&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: E o programa Ci&ecirc;ncia sem Fronteiras?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: Esse era um programa que tinha come&ccedil;o, meio e fim, e que foi objeto de muitas cr&iacute;ticas por parte da m&iacute;dia. Em minha opini&atilde;o, temos que fazer uma grande avalia&ccedil;&atilde;o e a&iacute; fazer um novo projeto. Em princ&iacute;pio, eu diria que foi exagerado, um projeto muito grande para ser executado em pouco tempo, em quatro anos, envolvendo 100 mil bolsistas. No entanto, eu apoiei porque eu acredito que a presidente Dilma foi eleita democraticamente e, portanto, ela tinha o direito de implementar um programa no qual ela acreditava. Entretanto, ela tinha a obriga&ccedil;&atilde;o de manter o programa com recursos novos, fora do or&ccedil;amento do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. Isso n&atilde;o aconteceu.  Ela usou financiamento do pr&oacute;prio minist&eacute;rio. Enfim, esperamos uma boa avalia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: A senhora j&aacute; declarou sua prefer&ecirc;ncia por dar aulas para alunos mais jovens, ainda na gradua&ccedil;&atilde;o. Qual o papel do professor no ensino superior hoje?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: Pelo menos na &aacute;rea que eu trabalho, na gradua&ccedil;&atilde;o voc&ecirc; pega o jovem, um aluno para o qual voc&ecirc; pode apresentar o novo, pode entusiasmar. Na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o isso j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais poss&iacute;vel. Na verdade, para mim na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o cabe mais ter tantas aulas, e sim discuss&atilde;o e debate. Na gradua&ccedil;&atilde;o &eacute; diferente, &eacute; forma&ccedil;&atilde;o. Eu tenho ex-alunos de gradua&ccedil;&atilde;o com os quais mantenho contato at&eacute; hoje. Gosto de dar aula, eu me preparo para isso e sempre tento levar alguma coisa para alunos, algo que n&atilde;o est&aacute; no livro. Acho importante mostrar qual o papel do aluno na universidade p&uacute;blica, a responsabilidade de estar ali. Ao mesmo tempo, eu vejo que n&oacute;s estamos em um modelo de ensino totalmente ultrapassado na universidade brasileira. Isso foi relatado por alunos que participaram do Ci&ecirc;ncia sem Fronteiras. Em universidades fora do pa&iacute;s &eacute; comum ter um espa&ccedil;o para o aluno estudar sozinho, ele &eacute; mais independente. Aqui, isso n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel porque os estudantes reclamam que o professor n&atilde;o quer dar aula. Isso tem que mudar. Nosso aluno fica oito horas por dia em sala de aula. O c&eacute;rebro n&atilde;o &eacute; uma esponja. Se ele n&atilde;o estudar, ele n&atilde;o vai aprender. Mas aqui h&aacute; uma resist&ecirc;ncia cultural. Nossa universidade tem que se modernizar. A fun&ccedil;&atilde;o do professor &eacute; abrir caminhos, ensinar a buscar. Outro exemplo de nosso atraso &eacute; a quase inexist&ecirc;ncia de cursos em outra l&iacute;ngua. O Ci&ecirc;ncia sem Fronteiras foi bom para isso, para mostrar essa defici&ecirc;ncia grave nos nossos estudantes do ensino superior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: Levantamento recente mostra que as mulheres s&atilde;o respons&aacute;veis por cerca da metade da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira. Essa propor&ccedil;&atilde;o, no entanto, n&atilde;o se mant&eacute;m para todas as &aacute;reas - nas chamadas ci&ecirc;ncias duras, elas ainda s&atilde;o minoria - e tampouco se reflete em cargos de lideran&ccedil;a. Qual &eacute; o papel da mulher na ci&ecirc;ncia brasileira?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: O papel da mulher na ci&ecirc;ncia &eacute; totalmente relevante. A mulher atingiu, em pouco tempo, &iacute;ndices de escolariza&ccedil;&atilde;o que a gente n&atilde;o imaginava. Por exemplo, 49% da ci&ecirc;ncia na m&atilde;o das mulheres n&atilde;o &eacute; algo trivial e o Brasil vem vindo num crescendo. No Brasil, a mulher n&atilde;o estudava, n&atilde;o votava, ent&atilde;o se voc&ecirc; olhar, em 50 anos o que essa mulher fez, &eacute; espantoso. Para fazer uma compara&ccedil;&atilde;o, no Brasil 14 ou 15% dos membros da academia s&atilde;o mulheres, nos Estados Unidos s&atilde;o 8% e na Fran&ccedil;a, menos do que isso. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a03fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Temos que nos orgulhar. Quando eu falo isso, as feministas n&atilde;o gostam. Claro que estamos aqu&eacute;m do que queremos, mas no tempo que temos de educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um resultado fant&aacute;stico. Ter mais mulheres nas &aacute;reas da <i>hard science </i>vai depender de n&oacute;s mesmas. N&atilde;o se esque&ccedil;a que quem cria as crian&ccedil;as s&atilde;o majoritariamente as mulheres. Temos que romper essas barreiras de g&ecirc;nero na inf&acirc;ncia, combater os estere&oacute;tipos das cores rosa e azul, das bonecas para as meninas e dos brinquedos de montar para os meninos. Eu n&atilde;o me esque&ccedil;o dos meus pais. Minha m&atilde;e, por exemplo, n&atilde;o p&ocirc;de estudar porque meu av&ocirc; n&atilde;o permitiu e meu pai n&atilde;o fez curso superior. Mesmo assim, eles me diziam: "n&atilde;o h&aacute; limites para o que voc&ecirc; pode fazer a n&atilde;o ser aqueles que voc&ecirc; coloca para voc&ecirc; mesma". Eles sempre estiveram presentes. Para mim, a forma&ccedil;&atilde;o vem de casa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por que tem poucas mulheres em posi&ccedil;&atilde;o de comando? Eu acho que al&eacute;m da segrega&ccedil;&atilde;o da sociedade, tem muito uma segrega&ccedil;&atilde;o que a mulher se auto imp&otilde;e. Infelizmente! Mesmo assim tamb&eacute;m acho que esse cen&aacute;rio tem melhorado, por exemplo temos v&aacute;rias reitoras nas universidades brasileiras. Eu tenho orgulho do que a mulher brasileira conquistou na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia. O que eu n&atilde;o aceito &eacute; que a mulher, tendo a mesma compet&ecirc;ncia que o homem,  ganhe menos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: A revista </b></i><b>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura<i> &eacute; um dos marcos na divulga&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia no Brasil. Qual o papel desses ve&iacute;culos e da divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia para o fortalecimento de uma cultura cient&iacute;fica em nosso pa&iacute;s?</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: A <i>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura</i> se confunde com a hist&oacute;ria da SBPC. A revista passou por diversas fases, v&aacute;rias ideias foram testadas e algumas descartadas, por exemplo, teve uma fase em que a revista era publicada em ingl&ecirc;s. O formato que temos hoje &#91;desde 2002&#93;, eu acho que est&aacute; atendendo a necessidade atual. Isso n&atilde;o significa que n&atilde;o pode melhorar, deve melhorar. Penso que poder&iacute;amos nos aproximar do p&uacute;blico jovem. A revista se afastou desse p&uacute;blico, do jovem pesquisador. &Eacute; fundamental atrair esse p&uacute;blico que tem se afastado cada vez mais da ci&ecirc;ncia e dessas discuss&otilde;es. Acho importante o n&uacute;cleo tem&aacute;tico onde a revista traz assuntos pol&ecirc;micos com coragem, como foi com o tema do aborto, em um pa&iacute;s que virou criacionista e reacion&aacute;rio. Para mim a maior injusti&ccedil;a contra as mulheres &eacute; a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, &eacute; uma ofensa, como se a mulher fosse um ser inferior e homens e a sociedade tivessem que dizer a ela se deve ou n&atilde;o seguir com uma gravidez. Isso fere direitos humanos. N&atilde;o quero dizer que sou a favor do aborto, eu sou a favor de descriminalizar o aborto, uma das principais causas de morte entre mulheres. At&eacute; quando vamos tolerar isso? A <i>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura</i> tem essa fun&ccedil;&atilde;o de trazer debates importantes e, al&eacute;m do n&uacute;cleo tem&aacute;tico, tem um papel muito relevante na divulga&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: Cientistas no Brasil vivem em um cen&aacute;rio de adversidades, falta de equipamentos, materiais, bolsas. Quais s&atilde;o suas motiva&ccedil;&otilde;es para seguir em frente enquanto cientista?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HN: Eu acredito no Brasil, de verdade. O que eu puder fazer para reverter essa situa&ccedil;&atilde;o de falta de perspectiva, eu vou fazer, vou continuar lutando. Nosso povo &eacute; &aacute;vido por conhecer, por aprender.</font></p>      ]]></body>

</article>
