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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> ENSAIOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ci&ecirc;ncia fora dos muros da universidade: o caso do Pint of science na  cidade do Rio de Janeiro, Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Luciano Luz Gonzaga<sup>I</sup>;  Jo&atilde;o Ricardo A. da Silveira<sup>II</sup>; Denise Lannes<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Doutorando em educa&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o e difus&atilde;o em bioci&ecirc;ncias, do Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica Leopoldo de Meis, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E-mail: <a href="mailto:gonzaga@bioqmed.ufrj.br">gonzaga@bioqmed.ufrj.br</a>    <br> <sup>II</sup>Doutorando em educa&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o e difus&atilde;o em bioci&ecirc;ncias do Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica Leopoldo de Meis, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Harvard Visiting Research Fellow. E-mail: <a href="mailto:silveira@bioqmed.ufrj.br">silveira@bioqmed.ufrj.br</a>    <br> <sup>III</sup>Professora associada do Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica Leopoldo de Meis, Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBqM/UFRJ). E-mail: <a href="mailto:lannes@bioqmed.ufrj.br">lannes@bioqmed.ufrj.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>Pint of science</i> &eacute; um festival de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica que acontece simultaneamente durante tr&ecirc;s noites em mais de uma centena de cidades em diferentes pa&iacute;ses ao redor do mundo. O principal objetivo do evento &eacute; proporcionar debates interessantes, divertidos e relevantes sobre as pesquisas cient&iacute;ficas mais recentes, em um formato acess&iacute;vel ao p&uacute;blico, fora do ambiente acad&ecirc;mico e de forma gratuita.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como regra geral, o <i>Pint of science</i> acontece em bares, cafeterias e restaurantes. A escolha desses ambientes informais visa possibilitar a intera&ccedil;&atilde;o entre cientistas, o p&uacute;blico do festival e os frequentadores recorrentes desses locais, de forma descontra&iacute;da. O formato do festival procura evitar qualquer semelhan&ccedil;a com aulas formais ou palestras acad&ecirc;micas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A organiza&ccedil;&atilde;o do evento fica a cargo de volunt&aacute;rios oriundos de universidades e/ou centros de pesquisas. Geralmente, s&atilde;o estudantes de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, pesquisadores em fase de p&oacute;s-doutorado e docentes que almejam debater, de maneira informal, o que os cientistas est&atilde;o produzindo em seus respectivos laborat&oacute;rios de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo, portanto, tem como principal objetivo, relatar a experi&ecirc;ncia na realiza&ccedil;&atilde;o do primeiro festival <i>Pint of science</i> na cidade do Rio de Janeiro e, atrav&eacute;s da t&eacute;cnica de sondagem, identificar as caracter&iacute;sticas do p&uacute;blico que frequenta, bem como a percep&ccedil;&atilde;o desse p&uacute;blico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tem&aacute;ticas e &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do evento. Esperamos que o compartilhamento de nossa experi&ecirc;ncia, como organizadores do festival, possa contribuir para a organiza&ccedil;&atilde;o de novas iniciativas de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica que rompam com a formalidade acad&ecirc;mica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O COME&Ccedil;O DO <i>PINT OF SCIENCE</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em 2012, os pesquisadores Michael Motskin e Praveen Paul, do Imperial College London, tiveram a ideia de trazer para seus laborat&oacute;rios pessoas acometidas por Alzheimer, Parkinson, doen&ccedil;as neuromusculares e esclerose m&uacute;ltipla. O objetivo era divulgar as pesquisas que eles estavam realizando em neuroci&ecirc;ncia para esses pacientes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A experi&ecirc;ncia foi t&atilde;o inspiradora que os dois cientistas pensaram: por que n&atilde;o sair de nossos laborat&oacute;rios e ir ao encontro das pessoas em bares, cafeterias e restaurantes? Da&iacute; veio a ideia de organizar um evento no qual pesquisadores, das mais variadas &aacute;reas de pesquisa, pudessem dialogar tanto com o p&uacute;blico leigo quanto com o especializado em um ambiente informal. O local escolhido foram os pubs de Londres. No ano de 2013 aconteceu a primeira edi&ccedil;&atilde;o do <i>Pint of science</i> que logo se espalhou por diversos pa&iacute;ses do mundo, tais como: &Aacute;frica do Sul, Alemanha, Austr&aacute;lia, &Aacute;ustria, Canad&aacute;, Espanha, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Inglaterra, Irlanda e It&aacute;lia (Paul; Motskin, 2016).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a primeira edi&ccedil;&atilde;o aconteceu em 2015, na cidade de S&atilde;o Carlos (SP), organizada por estudantes da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Em 2016, o festival aconteceu concomitantemente em mais de 100 cidades do mundo e, no Brasil, em Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Dourados (MS), Ribeir&atilde;o Preto (SP), S&atilde;o Carlos (SP), S&atilde;o Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A EXPERI&Ecirc;NCIA NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A hist&oacute;ria do <i>Pint of science</i>, no Rio de Janeiro, come&ccedil;ou quando o pesquisador do Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica Leopoldo de Meis (IBqM), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Jo&atilde;o Ricardo Aguiar da Silveira, foi convidado pelo comit&ecirc; organizador do festivalno Brasil para coordenar o evento na cidade. A equipe formada contou com docentes, discentes de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e com a professora Denise Lannes, respons&aacute;vel pelo laborat&oacute;rio transdisciplinar de pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o - Em Forma&ccedil;&atilde;o. A pesquisa com a t&eacute;cnica de sondagem acerca das caracter&iacute;sticas e percep&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico foi realizada pelo doutorando Luciano Luz Gonzaga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos grandes desafios encontrados na efetiva realiza&ccedil;&atilde;o do evento na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 2016, foi encontrar bares com acesso via transporte p&uacute;blico, com estacionamento e que estivessem relativamente distantes dos grandes canteiros de obras, uma vez que, na referida ocasi&atilde;o, a cidade do Rio de Janeiro se preparava para os Jogos Ol&iacute;mpicos Rio 2016.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A principal motiva&ccedil;&atilde;o da comiss&atilde;o organizadora para realiza&ccedil;&atilde;o do <i>Pint of science</i> foi fomentar novos espa&ccedil;os dial&oacute;gicos entre a comunidade cient&iacute;fica e o p&uacute;blico em geral, bem como incorporar o festival ao calend&aacute;rio das atividades dos cariocas. Dessa forma, de acordo com Oliveira e colaboradores (2015), seria poss&iacute;vel contribuir para uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o do cientista com a sociedade, atrav&eacute;s de uma linguagem decodificada e interativa para ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>METODOLOGIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Etapa 1 - Organiza&ccedil;&atilde;o do evento</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A organiza&ccedil;&atilde;o do evento come&ccedil;ou cinco meses antes da data prevista para o in&iacute;cio do festival. Nessa fase, as principais atividades foram: defini&ccedil;&atilde;o das tem&aacute;ticas que seriam abordadas no evento; convite e confirma&ccedil;&atilde;o dos palestrantes; procura e a confirma&ccedil;&atilde;o dos bares onde o evento seria realizado; busca por patroc&iacute;nios; divulga&ccedil;&atilde;o do evento em diferentes meios de comunica&ccedil;&atilde;o; cria&ccedil;&atilde;o e confec&ccedil;&atilde;o do material gr&aacute;fico; cria&ccedil;&atilde;o e confec&ccedil;&atilde;o de camisas e outros materiais de promo&ccedil;&atilde;o do evento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das dificuldades enfrentadas pelos organizadores desse tipo de evento &eacute; sensibilizar pesquisadores not&oacute;rios em suas &aacute;reas, que tenham habilidade de comunica&ccedil;&atilde;o oral e que aceitem se adequar &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es do festival. Entre elas est&atilde;o a limita&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s <i>slides</i> por apresenta&ccedil;&atilde;o (sem gr&aacute;ficos ou tabelas complexas), a fim de que o pesquisador seja o mais informal poss&iacute;vel; o uso de linguagem coloquial; a concord&acirc;ncia com o fato de poder ser interrompido e a disponibilidade para participar de um evento noturno. Al&eacute;m disso, como se trata de um evento sem fins lucrativos e dependente de apoios e patroc&iacute;nios, o pesquisador deve aceitar participar sem um <i>pro labore</i>. Para transpor esses obst&aacute;culos foram necess&aacute;rios cerca de tr&ecirc;s meses de trabalho, em encontros presenciais, por telefone e por correio eletr&ocirc;nico at&eacute; que tiv&eacute;ssemos a efetiva confirma&ccedil;&atilde;o definitiva dos pesquisadores participantes do evento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s diversas reuni&otilde;es da equipe organizadora e da colabora&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores convidados, os temas para o primeiro <i>Pint of science </i>no Rio de Janeiro foram definidos: transforma&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, neuroci&ecirc;ncia e o v&iacute;rus Zika. Em meio a um grave surto de microcefalia associada ao v&iacute;rus da Zika no pa&iacute;s (Garcez, 2016), este &uacute;ltimo tema foi considerado de fundamental import&acirc;ncia por possibilitar o di&aacute;logo informal entre o p&uacute;blico do evento e pesquisadores integrantes dos grupos de pesquisa mais importantes nessa &aacute;rea no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante todo o per&iacute;odo de organiza&ccedil;&atilde;o do evento, a equipe buscou apoiadores e patroc&iacute;nio junto a institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas. Por se tratar de um evento com possibilidade de divulga&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea na m&iacute;dia, era esperado que houvesse interesse em patrocinar o evento. Mas em meio &agrave; instabilidade pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica que o Brasil come&ccedil;ou a enfrentar no primeiro semestre de 2016, essa perspectiva n&atilde;o se confirmou. Embora 19 empresas tenham sido contatadas e os valores de patroc&iacute;nio fossem baixos, nenhum patrocinador foi captado. O evento foi realizado somente com recursos dos organizadores. Assim, a confec&ccedil;&atilde;o de <i>banners</i> e outros materiais de divulga&ccedil;&atilde;o, despesas com telefone, transporte e alimenta&ccedil;&atilde;o durante a produ&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o do evento, foram custeadas pelos pr&oacute;prios organizadores. Os apoiadores contribu&iacute;ram com o registro audiovisual do evento e na divulga&ccedil;&atilde;o do mesmo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Etapa 2 - Realiza&ccedil;&atilde;o do evento e levantamento estat&iacute;stico dos participantes </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O evento ocorreu em tr&ecirc;s bares no munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, de 23 a 25 de maio de 2016, sempre das 19h30min at&eacute; as 21 horas. No dia 23, o evento foi realizado no bairro do Leblon, com a participa&ccedil;&atilde;o de dois pesquisadores, com o tema "O mundo depois do sil&iacute;cio". Nessa noite, os pesquisadores, sentados em mesas do bar e sem o uso de <i>slides</i>, falaram sobre o tema por cerca de 20 minutos. O restante do tempo foi destinado &agrave; intera&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico. Na segunda noite, o local do evento foi a Lapa, com o tema "Zica ou ziquizira: um v&iacute;rus cheio de segredos". Tr&ecirc;s pesquisadores, nessa noite, falaram ao p&uacute;blico com o uso de poucos <i>slides</i> somente ilustrativos. Na terceira e &uacute;ltima noite, o evento aconteceu em um espa&ccedil;o cultural e bar, no bairro de Botafogo, com o tema "As tecnologias reconfigurando o c&eacute;rebro", tamb&eacute;m com tr&ecirc;s convidados. Nessa noite, a din&acirc;mica foi bastante diferente. Cada pesquisador ficou em um local diferente do bar com microfone sem fio. Um dos pesquisadores atuou como mediador, fazendo perguntas aos demais e permitindo a intera&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa, foi utilizado um breve question&aacute;rio semiestruturado (quest&otilde;es abertas e fechadas), objetivando identificar as caracter&iacute;sticas do p&uacute;blico e suas opini&otilde;es acerca do evento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESULTADOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nas tr&ecirc;s noites do evento, os locais tiveram todas as suas mesas ocupadas e com um n&uacute;mero expressivo de pessoas em p&eacute;. Devido &agrave; caracter&iacute;stica do evento e dos locais de realiza&ccedil;&atilde;o, sem cobran&ccedil;a de ingresso e com livre acesso permitido, n&atilde;o houve contagem precisa de p&uacute;blico em cada noite. De acordo com os s&iacute;tios na internet de cada um dos bares realizados, as capacidades de p&uacute;blico eram de 60, 150 e 100 pessoas, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa de opini&atilde;o foi respondida por 156 pessoas. Destas, 58% eram do sexo feminino e 42% do sexo masculino. A m&eacute;dia da idade era em torno de 30 anos, com alta dispers&atilde;o nos tr&ecirc;s dias do evento (desv. pad<sub>1dia</sub>= 9,6; desv. pad<sub>2dia</sub>=11,2; desv. pad<sub>3dia</sub>= 12,1).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos participantes, houve uma presen&ccedil;a significativa de estudantes de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (1º dia: 29%, 2º dia: 33%, 3º dia: 39%), seguida de professores universit&aacute;rios (1º dia: 26%, 2º dia: 8,5%, 3º dia: 12%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que tange ao deslocamento das pessoas ao local do evento, pudemos verificar que a dist&acirc;ncia entre a resid&ecirc;ncia dos participantes da pesquisa e os locais dos eventos n&atilde;o foi considerada um empecilho (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a16fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sendo o munic&iacute;pio do Rio de Janeiro palco de grandes atra&ccedil;&otilde;es em todo o seu territ&oacute;rio, buscamos tamb&eacute;m verificar de que forma as pessoas ficaram sabendo do evento. Constatamos que 62,2%, dos 156 respondentes, ficaram sabendo sobre a realiza&ccedil;&atilde;o do evento a partir das redes sociais. Esse resultado sinaliza a import&acirc;ncia do uso das redes sociais na divulga&ccedil;&atilde;o de eventos dessa natureza. Al&eacute;m disso, segundo Collins, Shiffman e Rock (2016), parece que as redes sociais tamb&eacute;m s&atilde;o percebidas pelos pesquisadores como ve&iacute;culos importantes de trabalho e comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro dado colhido na pesquisa de opini&atilde;o foi sobre a qualidade da intera&ccedil;&atilde;o dos cientistas com a plateia. Do total dos respondentes, 54% informaram ter sido "excelente", bem como uma expressiva parcela do p&uacute;blico respondente (74%) afirmou que o tema abordado era "muito interessante' (<a href="#fig2">Figura 2</a>). Corroborando, portanto, com a informa&ccedil;&atilde;o de que o local do evento (ver <a href="#fig1">Figura 1</a> - dist&acirc;ncia resid&ecirc;ncia-evento), n&atilde;o oferece obst&aacute;culo quando o tema desperta interesse, mesmo quando &eacute; realizado em um dia &uacute;til da semana e iniciando-se no hor&aacute;rio de tr&acirc;nsito intenso.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a16fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto aos bares escolhidos para o evento, verificamos que 33% dos participantes os avaliaram como excelentes; 41% como bons; 13,5% como regulares; 2,6% como ruins; 1,9% como p&eacute;ssimos e 8% deixaram em branco ou n&atilde;o quiseram responder. Em suma, 74% dos participantes declararam estar satisfeitos com os ambientes escolhidos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O relato detalhado da organiza&ccedil;&atilde;o do festival realizado no Rio de Janeiro, em 2016, visa contribuir com informa&ccedil;&otilde;es e dados que possam ser &uacute;teis para realiza&ccedil;&atilde;o de eventos similares no futuro. Como em todos os bares onde o evento foi realizado houve a lota&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima do local, podemos concluir a que realiza&ccedil;&atilde;o do evento foi bem-sucedida. No entanto, percebemos que existem ainda enormes desafios para que eventos dessa natureza possam ser cada vez mais frequentados pelo p&uacute;blico n&atilde;o acad&ecirc;mico, e n&atilde;o somente pelo p&uacute;blico que j&aacute; conhece e vivencia a ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se o objetivo de eventos de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; atrair a aten&ccedil;&atilde;o da sociedade em geral para temas relacionados &agrave;s ci&ecirc;ncias, novas alternativas de aproxima&ccedil;&atilde;o entre a academia e a sociedade precisam ser experimentadas. Um grande n&uacute;mero de projetos de ci&ecirc;ncia nos Estados Unidos utiliza a arte como estrat&eacute;gia de divulga&ccedil;&atilde;o e um n&uacute;mero relevante desses trabalhos indica que as artes podem envolver profundamente as pessoas (Lesen; Rogan; Blum, 2016). Dados como estes v&ecirc;m ao encontro das nossas experi&ecirc;ncias pr&eacute;vias e podem dar indicativos de que, possivelmente, a intera&ccedil;&atilde;o arte-ci&ecirc;ncia pode colaborar para ampliar o interesse do p&uacute;blico n&atilde;o especializado em ci&ecirc;ncia. Um caminho nessa dire&ccedil;&atilde;o &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o de eventos de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica que propiciem uma experi&ecirc;ncia art&iacute;stica e cultural sem estabelecer fronteiras entre as &aacute;reas do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Constatamos tamb&eacute;m que, embora os pesquisadores tenham interesse em fazer divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, consideram um desafio a comunica&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico n&atilde;o especializado de maneira informal, sem a utiliza&ccedil;&atilde;o de jarg&otilde;es cient&iacute;ficos e sem a utiliza&ccedil;&atilde;o de gr&aacute;ficos complexos ou textos escritos. Eventos como o <i>Pint of science</i> podem contribuir de maneira pr&aacute;tica para que cientistas repensem, aprimorem e coloquem em pr&aacute;tica novas formas de comunica&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico n&atilde;o especializado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No momento em que a ci&ecirc;ncia brasileira passa por dr&aacute;sticos cortes de or&ccedil;amento que podem ser determinantes para o futuro do pa&iacute;s (Angelo, 2017), torna-se fundamental a aproxima&ccedil;&atilde;o entre a academia e a sociedade em geral em eventos que rompam com a formalidade acad&ecirc;mica e experimentem novas inciativas de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Desta forma, poder&aacute; haver maior engajamento social e, assim, o devido reconhecimento do papel social da ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Angelo, C. "Brazilian scientists reeling as federal funds slashed by nearly half". <i>Nature</i>, 2017. &#91;Acesso em 21 de maio de 2017&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.nature.com/news/brazilian-scientists-reeling-as-federal-funds-slashed-by-nearly-half-1.21766" target="_blank">http://www.nature.com/news/brazilian-scientists-reeling-as-federal-funds-slashed-by-nearly-half-1.21766</a>,    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Collins, K.; Shiffman, D.; Rock, J. "How are scientists using social media in the workplace?". <i>PloS One</i>, v. 11, nº. 10, p. e0162680, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De Oliveira, S. R. et al. "Algumas pr&aacute;ticas em divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: a import&acirc;ncia de uma linguagem interativa". <i>Rua</i>, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Garcez, P. P. et al. "Zika virus impairs growth in human neurospheres and brain organoids". <i>Science</i>, v. 352, nº. 6287, p. 816-818, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lesen, A. E.; Rogan, A.; Blum, M. J. "Science communication through art: objectives, challenges, and outcomes". <i>Trends in Ecology &amp; Evolution</i>, v. 31, nº. 9, p. 657-660, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Praven, P.; Motskin, M. "Scientific life: my world engaging the public with your research". <i>Trends in Immunology,</i> v. 37, nº. 4, p. 268-271, april 2016.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Agradecimentos:</b> Aos apoiadores do evento no Rio e Janeiro em 2016: Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, Euraxess Science Slam e Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica Leopoldo de Meis. &Agrave; empresa Elsevier, patrocinador nacional 2016. &Agrave; Nat&aacute;lia Pasternak e a todo comit&ecirc; nacional organizador do <i>Pint of science</i>. Aos pesquisadores convidados do <i>Pint of science</i> Rio de Janeiro, 2016: Fernanda Tovar-Moll, Jerson Lima, Luiz Alberto Oliveira, Marcela Sabino, M&aacute;rio Alberto C. Silva-Neto, Rodrigo Brindeiro, Rogerio Pannizzutti e Stevens Rehen. Aos integrantes do Laborat&oacute;rio Em Forma&ccedil;&atilde;o, organizadores do <i>Pint of science</i> no Rio de Janeiro: Cristina Maia, Danila Braga, Diego Mota, Edite Fagundes Tebaldi, Elisa Oswaldo-Cruz Marinho, Ericka Telles, Fl&aacute;via Dutra, Josemar Moreira Barbosa, Juliana Aguiar, Julia Cavazza, Rosany Fernandes e Roseday Santos Nascimento.</font></p>      ]]></body><back>
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