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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> POVOS IND&Iacute;GENAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Hist&oacute;ria recente &eacute; marcada por retrocessos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patricia Piacentini</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste ano, a s&eacute;rie<i> Povos ind&iacute;genas no Brasil</i>, do Instituto Socioambiental (ISA), completa 37 anos. O 12º volume traz informa&ccedil;&otilde;es de 2011 a 2016, per&iacute;odo marcado por graves amea&ccedil;as aos direitos ind&iacute;genas. A obra &eacute; uma refer&ecirc;ncia sobre a hist&oacute;ria e a situa&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea de todos os povos ind&iacute;genas brasileiros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O lan&ccedil;amento deste ano destaca a sociodiversidade ind&iacute;gena, apresentando temas gerais como demografia, l&iacute;nguas e pol&iacute;tica indigenista, mas tamb&eacute;m traz artigos com assuntos espec&iacute;ficos assinados por pesquisadores e outros profissionais que atuam diretamente com essas comunidades. "O livro d&aacute; not&iacute;cias de um Brasil ind&iacute;gena para um pa&iacute;s que sistematicamente quer esquec&ecirc;-lo", descreve Tatiane Klein, jornalista e antrop&oacute;loga que atuou como editora-assistente em duas edi&ccedil;&otilde;es da s&eacute;rie durante sua passagem pelo ISA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma novidade da publica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os textos de autoria ind&iacute;gena, como a da antrop&oacute;loga Mislene Mendes, do povo Ticuna (AM); do advogado Luiz Eloy Terena, do povo Terena (MS); e de Jairo Saw, uma das grandes lideran&ccedil;as do povo Munduruku (PA).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m foi dado um destaque maior para as lideran&ccedil;as femininas. "Foi a forma que encontramos para combater esse problema de representatividade, mas principalmente revelar para um p&uacute;blico amplo as preocupa&ccedil;&otilde;es e aspira&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, experi&ecirc;ncias de vida, projetos e especialmente os conhecimentos manejados por elas", comenta a antrop&oacute;loga.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AMEA&Ccedil;AS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> "Se um leitor se aventurar por todos os livros dessa s&eacute;rie, desde 1987 at&eacute; hoje, ver&aacute; que desde o per&iacute;odo pr&eacute;-constituinte - quando os direitos dos &iacute;ndios &agrave; diferen&ccedil;a, terra, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o foram registrados na Carta Magna - jamais houve um contexto de concentra&ccedil;&atilde;o de tantas amea&ccedil;as", lamenta Klein. "Essa amea&ccedil;a se expressa tanto no desinteresse do poder executivo em demarcar as terras ind&iacute;genas (o prazo venceu em 1993), quanto por iniciativas do legislativo federal para os territ&oacute;rios j&aacute; ocupados", acrescenta. No final de 2016, eram 189 iniciativas nesse sentido, entre elas a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, que visa transferir do executivo federal para o Congresso Nacional a compet&ecirc;ncia de demarcar terras ind&iacute;genas, anular terras j&aacute; demarcadas e autorizar empreendimentos de impacto nessas &aacute;reas. "Os retrocessos tamb&eacute;m ocorrem no judici&aacute;rio, em que a tese do 'marco temporal' tem sido aplicada para anular processos de demarca&ccedil;&atilde;o de terras que n&atilde;o estivessem ocupadas pelas comunidades ind&iacute;genas em 5 outubro de 1988 - quando foi promulgada a Constitui&ccedil;&atilde;o. Nesse &uacute;ltimo per&iacute;odo tamb&eacute;m houve um acentuado enfraquecimento da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio (Funai) como n&atilde;o ocorria desde o fim da ditadura civil-militar", lembra a jornalista. Como forma de luta e resist&ecirc;ncia, em abril, os povos ind&iacute;genas organizaram o 14º Acampamento Terra Livre, que reuniu em Bras&iacute;lia mais de quatro mil pessoas de 200 povos diferentes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a19fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUDAN&Ccedil;A DE MENTALIDADE</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Al&eacute;m do retrocesso nos direitos ind&iacute;genas, ainda se v&ecirc; muito preconceito por parte da sociedade que enxerga o &iacute;ndio a partir de estere&oacute;tipos. "Particularmente, acredito que uma parte da m&iacute;dia &eacute; respons&aacute;vel por essa vis&atilde;o na medida em que apresenta o ind&iacute;gena com a imagem tradicional. &Eacute; preciso ir al&eacute;m do dia do &iacute;ndio", destaca Jo&atilde;o Rivelino Rezende Barreto (Y&uacute;puri), antrop&oacute;logo e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). "O ISA sempre apostou na comunica&ccedil;&atilde;o com um p&uacute;blico n&atilde;o especializado como uma forma de combater o preconceito contra os povos ind&iacute;genas. Esse livro busca cumprir esse objetivo", finaliza Klein.</font></p>      ]]></body>

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