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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS     <br> MATEM&Aacute;TICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Forma&ccedil;&atilde;o de professores de matem&aacute;tica: para uma abordagem problematizada</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Victor Giraldo &#91;1&#93;</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenador do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ensino de Matem&aacute;tica. Contato: <a href="mailto:victor.giraldo@gmail.com">victor.giraldo@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O: A RUPTURA ENTRE UNIVERSIDADE E ESCOLA NA FORMA&Ccedil;&Atilde;O DE PROFESSORES DE MATEM&Aacute;TICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; mais um s&eacute;culo, o matem&aacute;tico alem&atilde;o Felix Klein denunciava, em sua c&eacute;lebre obra <i>Matem&aacute;tica elementar de um ponto de vista superior </i>&#91;2&#93; (editada pela primeira vez em 1908), uma aliena&ccedil;&atilde;o entre a forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria de professores de matem&aacute;tica e a pr&aacute;tica de sala de aula da escola b&aacute;sica. O autor identifica essa ruptura como uma dupla descontinuidade: por um lado, quando os estudantes ingressam nos cursos universit&aacute;rios de forma&ccedil;&atilde;o de professores, poucas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o estabelecidas entre a matem&aacute;tica com que passam a ter contato e aquela anteriormente aprendida por eles como alunos da escola b&aacute;sica; e por outro lado, quando concluem esses cursos e iniciam a vida profissional, poucas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o estabelecidas entre a matem&aacute;tica aprendida durante a gradua&ccedil;&atilde;o e aquela que passa a ser demandada pela pr&aacute;tica de sala de aula da escola b&aacute;sica. Assim, &eacute; como se, ao ingressar na universidade, o futuro professor devesse "esquecer" toda a matem&aacute;tica que aprendeu at&eacute; ent&atilde;o na escola b&aacute;sica; e ao terminar a gradua&ccedil;&atilde;o, o professor devesse novamente "esquecer" toda a matem&aacute;tica ali aprendida para se iniciar na carreira docente. Em consequ&ecirc;ncia, o curso universit&aacute;rio pode ter um efeito essencialmente in&oacute;cuo na forma&ccedil;&atilde;o do professor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ruptura denunciada por Klein n&atilde;o &eacute; particular de seu tempo ou de seu contexto social, e tem paralelos com resultados de pesquisas mais recentes em educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica. Por exemplo, a pesquisadora estadunidense Deborah Ball, em sua tese de doutorado &#91;3&#93;, identifica e desafia tr&ecirc;s suposi&ccedil;&otilde;es que, segundo a autora, permeavam tacitamente as concep&ccedil;&otilde;es dos cursos universit&aacute;rios de forma&ccedil;&atilde;o de professores de matem&aacute;tica nos EUA &agrave; &eacute;poca: (i) os t&oacute;picos da matem&aacute;tica escolar s&atilde;o simples e comumente entendidos; (ii) portanto, esses t&oacute;picos n&atilde;o precisam ser reaprendidos pelos futuros professores na universidade; (iii) o conhecimento de matem&aacute;tica de n&iacute;vel universit&aacute;rio ser&aacute; suficiente para equipar os futuros professores com um entendimento amplo e profundo da matem&aacute;tica escolar, suficiente para o ensino da disciplina na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse estudo, Ball prop&ocirc;s problemas t&iacute;picos da matem&aacute;tica escolar a um grupo de estudantes universit&aacute;rios que estavam se preparando para se tornar professores da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Por exemplo, foi pedido aos estudantes que formulassem <i>um contexto para o ensino de uma divis&atilde;o por &frac12;</i> (isto &eacute;, para abordar a divis&atilde;o por fra&ccedil;&otilde;es). Apenas 5 dentre 28 participantes do estudo forneceram respostas consideradas apropriadas. Os demais estudantes apresentaram respostas incorretas (em geral, confundindo divis&atilde;o por &frac12; com divis&atilde;o por 2), ou foram incapazes de responder - mesmo aqueles com desempenho avaliado como acima da m&eacute;dia nas disciplinas de matem&aacute;tica universit&aacute;ria. Esses resultados p&otilde;em diretamente em cheque as suposi&ccedil;&otilde;es apontadas pela autora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, segundo o diagn&oacute;stico de Moreira &#91;4&#93;, ainda que o chamado modelo "3+1" (tr&ecirc;s anos de disciplinas de "conte&uacute;do", seguidos de um ano de disciplinas de "pedagogia") tenha sido abandonado na maior parte dos cursos de licenciatura em matem&aacute;tica, seu princ&iacute;pio basilar permanece presente. Esses cursos continuam se estruturando por meio da justaposi&ccedil;&atilde;o de m&oacute;dulos sobre o "conte&uacute;do matem&aacute;tico" e m&oacute;dulos sobre "pedagogia" que, apesar de em geral n&atilde;o serem mais separados em anos letivos diferentes, ainda s&atilde;o projetados e executados sem articula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fato de quest&otilde;es semelhantes - que revelam cen&aacute;rios de ruptura entre as formas como professores de matem&aacute;tica t&ecirc;m sido formados e a forma&ccedil;&atilde;o efetivamente necess&aacute;ria para o ensino da disciplina na escola b&aacute;sica - emergirem em contextos culturais e em tempos diferentes indica a complexidade do tema. Embora a ideia de que "para ser um bom professor de matem&aacute;tica basta saber muita matem&aacute;tica" seja um senso comum recorrente (e at&eacute; mesmo determine algumas pol&iacute;ticas de forma&ccedil;&atilde;o de professores), a pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica e, sobretudo, os resultados da aprendizagem de matem&aacute;tica na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica brasileira demonstram que n&atilde;o &eacute; "t&atilde;o simples assim". Como observam Moreira e Ferreira &#91;5&#93;, frequentemente se defende uma forma&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida em matem&aacute;tica para o futuro professor, sem que se explicite o que efetivamente constituiria essa tal solidez ou se discuta seu impacto efetivo na pr&aacute;tica profissional docente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, &eacute; surpreendente que uma quest&atilde;o ao mesmo tempo t&atilde;o complexa e t&atilde;o decisiva para a sociedade seja debatida e decidida com base em argumentos com fundamentos t&atilde;o fr&aacute;geis, tais como as "convic&ccedil;&otilde;es" ou experi&ecirc;ncias pessoais daqueles que atuam em forma&ccedil;&atilde;o de professores. Neste sentido, Tardif, Lessard e Lahaye &#91;6&#93; expressam uma contradi&ccedil;&atilde;o inerente ao lugar social da educa&ccedil;&atilde;o ao observarem que professores "ocupam uma posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica no interior das rela&ccedil;&otilde;es complexas que unem as sociedades contempor&acirc;neas aos saberes que elas produzem e mobilizam com diversos fins" (p. 216); entretanto, "na medida que a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento tende a se impor como um fim em si mesmo e um imperativo social indiscut&iacute;vel, (...) as atividades de forma&ccedil;&atilde;o e de educa&ccedil;&atilde;o parecem passar, progressivamente, para o segundo plano" (p. 217).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A constru&ccedil;&atilde;o de curr&iacute;culos de cursos de licenciatura em matem&aacute;tica n&atilde;o pode deixar de levar em conta resultados de pesquisa, como os citados anteriormente - e envolve a reflex&atilde;o sobre quest&otilde;es muito mais b&aacute;sicas, tais como <i>para que escola se pretende formar professores, o que tem sido e o que pode ser essa escola</i>. Ainda que essas quest&otilde;es possam parecer evidentes, envolvem concep&ccedil;&otilde;es radicalmente diferentes, que podem implicar em formas radicalmente diferentes de formar professores. Nesse sentido, merece especial preocupa&ccedil;&atilde;o a ideia de que possivelmente venhamos (de maneira inadvertida ou n&atilde;o) formando professores com refer&ecirc;ncia em uma escola anacr&ocirc;nica, ainda baseada em um paradigma de aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimentos prontos - uma escola que ignora inteiramente as transforma&ccedil;&otilde;es sociais, culturais e as formas de comunica&ccedil;&atilde;o e de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste artigo abordamos um pequeno recorte dessa discuss&atilde;o &#91;7&#93;. No debate sobre forma&ccedil;&atilde;o de professores que ensinam matem&aacute;tica, tanto no &acirc;mbito da pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica, como nos meios profissionais de professores da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e de formadores de professores, faz-se presente com frequ&ecirc;ncia uma polariza&ccedil;&atilde;o entre algumas <i>dicotomias</i>: matem&aacute;tica abstrata <i>versus</i> matem&aacute;tica contextualizada; matem&aacute;tica acad&ecirc;mica <i>versus</i> matem&aacute;tica escolar; conhecimento de matem&aacute;tica "pura" <i>versus</i> conhecimento de matem&aacute;tica para o ensino. Parte consider&aacute;vel dos obst&aacute;culos observados no ensino e na aprendizagem s&atilde;o, em grande medida, explicados a partir de dicotomias como essas. Passamos a discutir brevemente alguns aspectos dessas dicotomias, &agrave; luz da pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o e em educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica. Em seguida, procuramos demarcar outra dicotomia que, embora seja menos reconhecida, consideramos que possa ajudar a entender diversos obst&aacute;culos associados &agrave;s formas como a matem&aacute;tica &eacute; ensinada hoje: exposi&ccedil;&atilde;o naturalizada da matem&aacute;tica <i>versus</i> exposi&ccedil;&atilde;o problematizada da matem&aacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MATEM&Aacute;TICA ACAD&Ecirc;MICA VERSUS MATEM&Aacute;TICA ESCOLAR</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em linhas gerais, a dicotomia entre a matem&aacute;tica acad&ecirc;mica e a matem&aacute;tica escolar pressup&otilde;e concep&ccedil;&otilde;es sobre academia e escola, seus pap&eacute;is e fun&ccedil;&otilde;es sociais. Uma primeira vis&atilde;o - muito simplificada - seria a de que a academia &eacute; o lugar onde o conhecimento &eacute; produzido e de onde se deve, portanto, ditar o que &eacute; matem&aacute;tica e como esta deve ser ensinada na escola. E a escola, por sua vez, &eacute; um lugar onde a matem&aacute;tica, produzida na academia, &eacute; "simplificada" e "difundida", por e para grupos que n&atilde;o interferem em sua produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um aspecto (talvez menos difundido) do trabalho de Klein diz respeito ao papel da escola na produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento matem&aacute;tico. Para o autor, esse papel &eacute; t&atilde;o central quanto o da academia: cabe &agrave; escola estabelecer um terreno cultural que determinar&aacute; caminhos segundo os quais novos conhecimentos ser&atilde;o produzidos. Isto &eacute;, em linhas gerais, as formas como a matem&aacute;tica &eacute; ensinada na escola n&atilde;o apenas s&atilde;o influenciadas por, como tamb&eacute;m influenciam as formas como a matem&aacute;tica se desenvolver&aacute; como ci&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, Klein se refere ao estabelecimento de uma hierarquia entre a matem&aacute;tica elementar &#91;8&#93; e a matem&aacute;tica avan&ccedil;ada como um obst&aacute;culo a ser vencido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a literatura de pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o e em educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica tem discutido largamente os diversos fatores que incidem nas formas como o conhecimento &eacute; mobilizado e ressignificado a partir das pr&aacute;ticas escolares. Por exemplo, Yves Chevallard &#91;9&#93; examina a passagem entre os chamados "saber cient&iacute;fico" e "saber ensinado", a que se refere como <i>transposi&ccedil;&atilde;o did&aacute;tica</i>:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">um conte&uacute;do de saber que &eacute; designado como saber a ensinar sofre, a partir de ent&atilde;o, um conjunto de transforma&ccedil;&otilde;es adaptativas que v&atilde;o torn&aacute;-lo apto a ocupar um lugar entre <i>os objetos de ensino</i>. O "trabalho" que transforma um saber a ensinar em um objeto de ensino &eacute; denominado <i>transposi&ccedil;&atilde;o did&aacute;tica </i>(p. 45, grifos no original).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o autor o saber ensinado pode desgastar-se com o tempo, tanto no sentido de afastar-se das normas do saber cient&iacute;fico como de aproximar-se "perigosamente" do saber banalizado (isto &eacute;, do senso comum).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, Andr&eacute; Chervel &#91;10&#93; critica duramente a vis&atilde;o de que as disciplinas escolares sejam meras vulgariza&ccedil;&otilde;es das respectivas ci&ecirc;ncias de refer&ecirc;ncia, e de que o papel da pedagogia seja simplesmente o de suavizar esse processo de vulgariza&ccedil;&atilde;o. Para o autor, as disciplinas escolares s&atilde;o:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">entidades <i>sui generis</i>, (...), independentes, numa certa medida, de toda realidade cultural exterior &agrave; escola, e desfrutando de uma organiza&ccedil;&atilde;o, de uma economia interna e de uma efic&aacute;cia que elas n&atilde;o parecem dever a nada al&eacute;m delas mesmas, quer dizer, &agrave; sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria (p. 180).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Chervel, a pedagogia &eacute; parte constituinte do pr&oacute;prio conte&uacute;do das disciplinas escolares, considerando a independ&ecirc;ncia das mesmas. Em sua an&aacute;lise, o autor usa como refer&ecirc;ncia o caso da teoria gramatical ensinada na escola francesa, que "foi historicamente criada pela pr&oacute;pria escola, na escola e para a escola" &#91;10&#93; (p. 181).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Interpreta&ccedil;&otilde;es dos trabalhos desses autores t&ecirc;m levado a cr&iacute;ticas com respeito ao estabelecimento da matem&aacute;tica acad&ecirc;mica como saber de refer&ecirc;ncia &uacute;nico, ao qual a matem&aacute;tica escolar deve estar subordinada; ou, num extremo oposto, da desconsidera&ccedil;&atilde;o completa das rela&ccedil;&otilde;es entre matem&aacute;tica acad&ecirc;mica e escolar. Al&eacute;m disso, diversos pesquisadores t&ecirc;m criticado as formas como as concep&ccedil;&otilde;es sobre matem&aacute;tica acad&ecirc;mica t&ecirc;m se refletido nos modelos de forma&ccedil;&atilde;o de professores de matem&aacute;tica no Brasil. Por exemplo, Moreira e David &#91;11&#93; criticam a ideia dominante de que, "fora da organiza&ccedil;&atilde;o l&oacute;gico-formal-dedutiva, o conhecimento matem&aacute;tico torna-se um amontoado de fatos dispersos, sem conex&otilde;es e, portanto, sem o formato de uma teoria" (p. 59). Esses autores prosseguem observando que, segundo essa concep&ccedil;&atilde;o, os valores conceituais e est&eacute;ticos da matem&aacute;tica cient&iacute;fica seriam suficientes para garantir um estatuto te&oacute;rico-cient&iacute;fico &agrave; forma&ccedil;&atilde;o fornecida nos cursos de licenciatura em matem&aacute;tica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em nossa pr&oacute;pria interpreta&ccedil;&atilde;o, essas cr&iacute;ticas revelam um desafio em desenhar programas de forma&ccedil;&atilde;o inicial de professores de matem&aacute;tica que n&atilde;o se divorciem da matem&aacute;tica acad&ecirc;mica, mas ao mesmo tempo que n&atilde;o estabele&ccedil;am com esta uma rela&ccedil;&atilde;o de <i>subordina&ccedil;&atilde;o</i>. Por "rela&ccedil;&atilde;o de subordina&ccedil;&atilde;o" nos referimos a concep&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de professores que mantenham um compromisso com os valores e crit&eacute;rios formais da matem&aacute;tica acad&ecirc;mica, a ponto de deixar de reconhecer as m&uacute;ltiplas formas por meio das quais conhecimentos matem&aacute;ticos s&atilde;o mobilizados e produzidos no contexto escolar, assim, desqualificando a escola como um lugar de produ&ccedil;&atilde;o de saberes. Entendemos que a supera&ccedil;&atilde;o da ruptura entre escola e universidade tem sido interpretada (a nosso ver, equivocadamente) como o estabelecimento de tais rela&ccedil;&otilde;es de subordina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONHECIMENTO DE MATEM&Aacute;TICA "PURA" VERSUS CONHECIMENTOS DE MATEM&Aacute;TICA PARA ENSINAR</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das refer&ecirc;ncias centrais para a pesquisa em forma&ccedil;&atilde;o de professores tem sido o trabalho de Lee Shulman. Esse autor identifica a desconsidera&ccedil;&atilde;o do conhecimento sobre o conte&uacute;do para a avalia&ccedil;&atilde;o das habilidades para o ensino como um <i>paradigma perdido </i>&#91;12&#93;. Com base nessa cr&iacute;tica, o autor prop&otilde;e a no&ccedil;&atilde;o de <i>conhecimento pedag&oacute;gico de conte&uacute;do</i>, como o conhecimento sobre os aspectos do conte&uacute;do que o fazem compreens&iacute;vel a outros - um am&aacute;lgama especial entre conte&uacute;do e pedagogia &#91;12, 13&#93; que pode ser descrito como um conhecimento <i>sobre</i> o conte&uacute;do <i>para</i> o ensino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho de Shulman tem sido apropriado de diversas formas na pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica &#91;14&#93;. Algumas dessas apropria&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m gerado cr&iacute;ticas, especialmente com respeito ao estabelecimento de estruturas de categorias fixas de conhecimento, que visariam prescrever o que o professor deve ou n&atilde;o saber e que, al&eacute;m disso, considerariam os saberes de conte&uacute;do para o ensino apenas da perspectiva do pr&oacute;prio conte&uacute;do, que seria assumido como dado, independente de contextos sociais (em particular escolares) em que &eacute; produzido e mobilizado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em nossa pr&oacute;pria interpreta&ccedil;&atilde;o, uma contribui&ccedil;&atilde;o importante do trabalho de Shulman est&aacute; no reconhecimento da exist&ecirc;ncia de saberes pr&oacute;prios da pr&aacute;tica de ensinar matem&aacute;tica na escola b&aacute;sica, que s&atilde;o complexos e diversificados - e, sobretudo, que <i>n&atilde;o podem ser reduzidos ao conhecimento de conte&uacute;do per se</i>. Assim, a relev&acirc;ncia da proposi&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de conhecimento pedag&oacute;gico de conte&uacute;do n&atilde;o est&aacute; no estabelecimento de uma categoria prescritiva e fixa de saberes que o professor deve adquirir, e sim na possibilidade de argumentar sobre o conte&uacute;do, situado em um contexto educacional, da perspectiva do ensino, considerando os objetivos inscritos a esse contexto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por exemplo, consideremos os dois tipos de algoritmos para a opera&ccedil;&atilde;o de divis&atilde;o com n&uacute;meros naturais (ilustrados na <a href="#fig1">Figura 1</a>, a seguir): as chamadas <i>divis&atilde;o por ordens</i> e <i>divis&atilde;o por estimativas</i> &#91;15&#93;.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a12fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na estrutura do algoritmo de divis&atilde;o por ordens (usualmente empregado na escola b&aacute;sica), a opera&ccedil;&atilde;o &eacute; efetuada em passos determinados pelas ordens decimais do dividendo. Na estrutura do algoritmo da divis&atilde;o por estimativas, a opera&ccedil;&atilde;o &eacute; efetuada por meio de decomposi&ccedil;&otilde;es do dividendo dadas por estimativas sucessivas para o quociente. Se argumentamos sobre que algoritmo &eacute; "melhor" da perspectiva do conhecimento de conte&uacute;do <i>per se</i>, possivelmente, o mais relevante ser&aacute; o fato de que algoritmo por ordens &eacute; o "&oacute;timo", no sentido em que conduz ao resultado em um n&uacute;mero m&iacute;nimo de passos. Entretanto, se essa argumenta&ccedil;&atilde;o se d&aacute; sob a perspectiva do conhecimento de conte&uacute;do para o ensino, deve-se levar em conta o fato de que o algoritmo por estimativas pode evidenciar estruturas matem&aacute;ticas que s&atilde;o importantes para a aprendizagem, mas que podem ficar ocultas na forma de registro do algoritmo por ordens.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tardif &#91;16&#93; destaca a import&acirc;ncia da natureza dos saberes pr&oacute;prios do fazer docente, que caracterizam os professores <i>profissionalmente</i> e os distinguem de outras profiss&otilde;es e ocupa&ccedil;&otilde;es. Para o autor, o professor deve saber mais do que sua mat&eacute;ria, sua disciplina e seu programa, mas tamb&eacute;m possuir saberes pedag&oacute;gicos, e desenvolver um saber pr&aacute;tico baseado em sua experi&ecirc;ncia cotidiana com os alunos. Tardif destaca os "saberes que brotam da experi&ecirc;ncia e s&atilde;o por ela validados. Incorporam-se &agrave; viv&ecirc;ncia individual e coletiva sob a forma de 'habitus' e de habilidades, de saber fazer e de saber ser".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho de Tardif constitui uma contribui&ccedil;&atilde;o importante no reconhecimento do <i>ser professor</i> como uma <i>profiss&atilde;o</i>, com uma epistemologia pr&oacute;pria. Embora esse fato possa parecer evidente, seu reconhecimento tem um papel pol&iacute;tico fundamental, uma vez que a atividade de professor &eacute; frequentemente desqualificada como uma profiss&atilde;o, e vista, ao contr&aacute;rio, como uma "voca&ccedil;&atilde;o" ou um "sacerd&oacute;cio" - que pode exigir "dedica&ccedil;&atilde;o" ou inspirar "admira&ccedil;&atilde;o", mas n&atilde;o tem o mesmo estatuto social de outras profiss&otilde;es - ou mesmo como "algo que qualquer um pode fazer". Esse reconhecimento tem ainda implica&ccedil;&otilde;es importantes nos programas de forma&ccedil;&atilde;o de professores, que devem ser orientadas pelas pr&aacute;ticas e saberes pr&oacute;prios da atividade de ser professor na escola b&aacute;sica, entendida como uma profiss&atilde;o. Neste sentido, N&oacute;voa &#91;17&#93; defende uma forma&ccedil;&atilde;o de professores constru&iacute;da dentro da pr&oacute;pria profiss&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Noddings &#91;18&#93; destaca que a express&atilde;o conhecimento pedag&oacute;gico de conte&uacute;do, cunhada por Shulman, &eacute; mais um <i>grito de guerra pol&iacute;tico</i> do que um r&oacute;tulo para um corpo de conhecimento. A autora destaca que a especificidade do conhecimento de matem&aacute;tica do professor tem implica&ccedil;&otilde;es na sua pr&aacute;tica e tamb&eacute;m na sua forma&ccedil;&atilde;o. Davis e Simmt &#91;19&#93; denunciam que o conhecimento matem&aacute;tico que emerge da experi&ecirc;ncia da pr&aacute;tica de professores pode nunca ser considerado como um aspecto expl&iacute;cito da sua forma&ccedil;&atilde;o e nem mesmo ser reconhecido como parte do seu corpo disciplinar formal de conhecimento. Os autores afirmam, ainda, que os saberes de conte&uacute;do matem&aacute;tico necess&aacute;rios para o ensino "n&atilde;o &eacute; uma <i>vers&atilde;o dilu&iacute;da</i> da matem&aacute;tica formal". Neste sentido, como j&aacute; observamos:</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns curr&iacute;culos de cursos de licenciatura s&atilde;o concebidos (...) tendo como refer&ecirc;ncia principal os curr&iacute;culos dos cursos de bacharelado correspondentes, dos quais s&atilde;o exclu&iacute;dos os t&oacute;picos considerados "dif&iacute;ceis" ou "desnecess&aacute;rios" para o professor. Assim, a licenciatura &eacute; concebida como um <i>bacharelado mutilado</i>. Essa &eacute; uma <i>perspectiva negativa</i> para a forma&ccedil;&atilde;o de professores, pois se sustenta em premissas apenas sobre aquilo que o professor <i>n&atilde;o</i> precisa saber, sem levar em considera&ccedil;&atilde;o os saberes necess&aacute;rios para a pr&aacute;tica. &#91;15&#93; (grifos no original).</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EXPOSI&Ccedil;&Atilde;O NATURALIZADA DA MATEM&Aacute;TICA VERSUS EXPOSI&Ccedil;&Atilde;O PROBLEMATIZADA DA MATEM&Aacute;TICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas se&ccedil;&otilde;es anteriores deste texto, discutimos dicotomias presentes no debate sobre forma&ccedil;&atilde;o de professores de matem&aacute;tica: matem&aacute;tica acad&ecirc;mica <i>versus</i> matem&aacute;tica escolar; conhecimento de matem&aacute;tica "pura" <i>versus</i> conhecimento de matem&aacute;tica para o ensino. Por&eacute;m, consideramos que tanto a pesquisa como as a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&otilde;es de professores t&ecirc;m mais a se beneficiar da explora&ccedil;&atilde;o de articula&ccedil;&otilde;es entre essas dimens&otilde;es do que do estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es de oposi&ccedil;&atilde;o r&iacute;gida entre elas (neste sentido o termo "versus" nos t&iacute;tulos das se&ccedil;&otilde;es expressa mais uma provoca&ccedil;&atilde;o do que uma concord&acirc;ncia).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, entendemos a escola como um <i>lugar de produ&ccedil;&atilde;o de saberes</i>, e n&atilde;o simplesmente de aquisi&ccedil;&atilde;o ou de transmiss&atilde;o de conhecimentos estabelecidos. Consideramos que tal entendimento tem implica&ccedil;&otilde;es cruciais nos argumentos para (re)pensar as formas de exposi&ccedil;&atilde;o da matem&aacute;tica na escola; bem como no reconhecimento do ser professor como uma atividade profissional, que est&aacute; associada a uma rede complexa de pr&aacute;ticas e saberes espec&iacute;ficos, isto &eacute;, que se estabelece a partir de uma epistemologia pr&oacute;pria. De fato, se a fun&ccedil;&atilde;o do professor fosse meramente a de transmitir ao aluno conhecimentos estabelecidos, sua pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o poderia contemplar apenas um conjunto de regras e procedimentos gerais, isto &eacute;, poderia se reduzir &agrave; dimens&atilde;o do "saber fazer".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Levando essas reflex&otilde;es em considera&ccedil;&atilde;o, nos alinhamos com Davis e Simmt &#91;19&#93; na perspectiva de que o saber do professor de matem&aacute;tica deve contemplar, de forma indissoci&aacute;vel, o saber <i>sobre a matem&aacute;tica estabelecida</i> e o saber <i>sobre os processos sociais e hist&oacute;ricos por meio dos quais a matem&aacute;tica &eacute; produzida</i>. Para esses autores, os saberes de matem&aacute;tica para o ensino n&atilde;o s&atilde;o determinados por estruturas fixas prescritivas, e sim a partir da articula&ccedil;&atilde;o entre categorias <i>mais est&aacute;veis</i> (conceitos matem&aacute;ticos, curr&iacute;culo) e <i>mais din&acirc;micas</i> (coletividade da sala de aula, entendimento subjetivo) do conhecimento matem&aacute;tico, entendidas como indissoci&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste sentido, consideremos que merece aten&ccedil;&atilde;o outra dicotomia, que necessariamente se estabelece em uma rela&ccedil;&atilde;o de oposi&ccedil;&atilde;o: exposi&ccedil;&atilde;o naturalizada da matem&aacute;tica <i>versus</i> exposi&ccedil;&atilde;o problematizada da matem&aacute;tica &#91;20&#93;. Entendemos por <i>exposi&ccedil;&atilde;o naturalizada</i> aquela que se baseia apenas na considera&ccedil;&atilde;o da <i>matem&aacute;tica estabelecida</i>, como um corpo de conhecimento que sempre foi e sempre ser&aacute; da forma que &eacute; hoje, ou que evolui linearmente de um estado visto como "mais atrasado" para um estado "mais avan&ccedil;ado", por meio da inspira&ccedil;&atilde;o isolada de "g&ecirc;nios com talento inato". A<i> exposi&ccedil;&atilde;o problematizada</i>, em contrapartida, corresponde a uma concep&ccedil;&atilde;o da matem&aacute;tica a partir de seus m&uacute;ltiplos processos sociais de produ&ccedil;&atilde;o - o que inclui tanto os processos hist&oacute;ricos de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, que levaram &agrave;s formas como a matem&aacute;tica est&aacute; estabelecida hoje, como os processos de produ&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o de saberes nos contextos sociais escolares. Nos termos de Davis e Simmt &#91;19&#93;, uma formula&ccedil;&atilde;o para essa dicotomia seria a de que a exposi&ccedil;&atilde;o naturalizada se sustenta exclusivamente em categorias est&aacute;veis do conhecimento, enquanto a exposi&ccedil;&atilde;o problematizada &eacute; constru&iacute;da a partir da articula&ccedil;&atilde;o entre categorias est&aacute;veis e din&acirc;micas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As pr&aacute;ticas de ensino da matem&aacute;tica - tanto na escola como na universidade - t&ecirc;m sido largamente dominadas por paradigmas de exposi&ccedil;&atilde;o naturalizada. Sendo assim, o reconhecimento da dicotomia entre exposi&ccedil;&otilde;es naturalizada e problematizada da matem&aacute;tica pode contribuir com o entendimento de diversos obst&aacute;culos do ensino e da aprendizagem da disciplina, que s&atilde;o usualmente discutidos a partir de rela&ccedil;&otilde;es de oposi&ccedil;&atilde;o entre a matem&aacute;tica escolar e a matem&aacute;tica acad&ecirc;mica. Isto &eacute;, em nossa interpreta&ccedil;&atilde;o, muitos desses obst&aacute;culos est&atilde;o mais associados a um modelo de exposi&ccedil;&atilde;o da matem&aacute;tica que tem determinado seu ensino, tanto na escola como na universidade (embora se manifeste de formas diferentes em cada um desses contexto), do que a qualquer ruptura entre escola e universidade. De fato, na base de muitos obst&aacute;culos de ensino e de aprendizagem de matem&aacute;tica podem se encontrar v&iacute;nculos entre concep&ccedil;&otilde;es sobre a pr&oacute;pria natureza da matem&aacute;tica e formas naturalizadas de exposi&ccedil;&atilde;o da disciplina, que se alimentam mutuamente, s&atilde;o tacitamente estabelecidas e amplamente disseminadas, tanto no ensino b&aacute;sico como no universit&aacute;rio:</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/quad01.jpg"> Como a matem&aacute;tica &eacute; vista como uma "ci&ecirc;ncia do rigor", seu ensino deve ser "rigoroso";</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/quad01.jpg"> Como a matem&aacute;tica &eacute; vista como ci&ecirc;ncia da "certeza", n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para o erro em seu ensino;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/quad01.jpg"> Como o conhecimento matem&aacute;tico &eacute; "organizado em teoremas", seu ensino deve privilegiar a apresenta&ccedil;&atilde;o de respostas;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/quad01.jpg"> Como a matem&aacute;tica &eacute; produzida historicamente por "g&ecirc;nios", seu entendimento s&oacute; &eacute; acess&iacute;vel a pessoas com "talento inato". Neste caso, o objetivo do ensino de matem&aacute;tica, seria, ent&atilde;o identificar os estudantes "talentosos" e separ&aacute;-los dos "fracos".</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para ilustrar a discuss&atilde;o com um exemplo (muito simples), consideremos as estrat&eacute;gias para efetuar uma opera&ccedil;&atilde;o de multiplica&ccedil;&atilde;o exibidas na <a href="#fig2">Figura 2</a>, a seguir. Algumas dessas estrat&eacute;gias podem revelar concep&ccedil;&otilde;es potencialmente produtivas dos alunos, embora as respostas obtidas n&atilde;o correspondam necessariamente ao resultado da opera&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, em algumas delas, as multiplica&ccedil;&otilde;es parciais s&atilde;o resolvidas corretamente, embora os valores posicionais de seus resultados sejam desconsiderados. Entretanto, uma vis&atilde;o de que o objetivo do ensino de matem&aacute;tica &eacute; meramente separar os estudantes entre "talentosos" e "fracos" pode sustentar pr&aacute;ticas em que o professor desconsidera inteiramente a produ&ccedil;&atilde;o do aluno. Essa vis&atilde;o pode levar o professor a desconsiderar at&eacute; mesmo estrat&eacute;gias que s&atilde;o absolutamente corretas do ponto de vista matem&aacute;tico, mas que diferem dos algoritmos considerados como "padr&otilde;es".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais pr&aacute;ticas privilegiam a repeti&ccedil;&atilde;o de procedimentos, em detrimento de habilidades como curiosidade e investiga&ccedil;&atilde;o - e podem levar a efeitos opostos aos objetivos da escola como um lugar de produ&ccedil;&atilde;o de saberes, mais afinados com uma escola anacr&ocirc;nica, orientada apenas para a aquisi&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es prontas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Encontram-se tamb&eacute;m no ensino universit&aacute;rio pr&aacute;ticas an&aacute;logas a essas, no sentido da preval&ecirc;ncia de exposi&ccedil;&otilde;es naturalizadas da matem&aacute;tica. Isso se verifica, por exemplo, em disciplinas iniciais de c&aacute;lculo diferencial e integral, quando se opta por dar &ecirc;nfase a procedimentos rotineiros que poderiam ser facilmente resolvidos por meio de m&eacute;todos computacionais com recursos digitais, em lugar de explorar os fundamentos conceituais matem&aacute;ticos desses m&eacute;todos. Exposi&ccedil;&otilde;es naturalizadas verificam-se ainda quando a abordagem de disciplinas de matem&aacute;tica mais avan&ccedil;adas se reduz &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o de sequ&ecirc;ncias de teoremas, sem que seus contextos matem&aacute;ticos sejam discutidos, ou suas hip&oacute;teses sejam problematizadas. Tais pr&aacute;ticas ignoram completamente as transforma&ccedil;&otilde;es recentes na sociedade e nas pr&oacute;prias formas de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento matem&aacute;tico cient&iacute;fico, e apresentam a matem&aacute;tica essencialmente da mesma forma que ela era ensinada d&eacute;cadas atr&aacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Parece haver ainda uma cultura de que a exposi&ccedil;&atilde;o da matem&aacute;tica de forma problematizada implicaria em um "enfraquecimento" do conte&uacute;do, isto &eacute;, em um ensino "facilitado". Tal cultura se sustenta na premissa que saberes matem&aacute;ticos s&atilde;o produzidos de forma linear e n&atilde;o problem&aacute;tica - o que n&atilde;o &eacute; verdade nem mesmo para os processos hist&oacute;ricos de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento matem&aacute;tico &#91;22&#93;. No caso dos cursos de licenciatura, essa cultura pode cristalizar nos futuros professores vis&otilde;es naturalizadas da matem&aacute;tica, al&eacute;m de concep&ccedil;&otilde;es sobre como a matem&aacute;tica deve ser ensinada, que podem ter implica&ccedil;&otilde;es no ensino da disciplina na escola b&aacute;sica. Sendo assim, &eacute; urgente repensar essas concep&ccedil;&otilde;es, sob pena de se cristalizar um modelo anacr&ocirc;nico de ensino de matem&aacute;tica na escola e na universidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS E NOTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Este texto foi produzido no Laborat&oacute;rio de Pr&aacute;ticas Matem&aacute;ticas para o Ensino da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a contribui&ccedil;&atilde;o de todos os seus membros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. A obra original de Klein, <i>Elementarmathematik vom h&ouml;heren Standpunkte aus</i>, &eacute; organizada em 3 volumes, abordando: aritm&eacute;tica, &aacute;lgebra e an&aacute;lise; geometria; precis&atilde;o e aproxima&ccedil;&otilde;es. A primeira tradu&ccedil;&atilde;o dos volumes 1 e 2 para o portugu&ecirc;s foi editada em 2009 pela Sociedade Brasileira de Matem&aacute;tica. A tradu&ccedil;&atilde;o mais recente para o ingl&ecirc;s, incluindo os tr&ecirc;s volumes, foi publicada em 2016. Seguem as refer&ecirc;ncias das obras nas tradu&ccedil;&otilde;es para o ingl&ecirc;s e portugu&ecirc;s, respectivamente: Klein, F. <i>Elementary mathematics from a higher standpoint</i>, volumes I, II, III. Traduzido por Schubring, G.; Menghini, M.; Baccaglini-Frank, A.. Berlin: Springer, 2016 (edi&ccedil;&atilde;o do original: 1908).    <!-- ref --> Klein, F. <i>Matem&aacute;tica elementar de um ponto de vista superior</i>, volumes I, II. Lisboa: SPM, 2009 (edi&ccedil;&atilde;o do original: 1908).    <!-- ref -->3. Ball, D. L. "The subject matter preparation of prospective mathematics teachers: Challenging the myths<i>". National Center for Research on Teacher Education</i>, Michigan State University, 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Moreira, P .C. "3+1 e suas (In)variantes (reflex&otilde;es sobre as possibilidades de uma nova estrutura curricular na licenciatura em matem&aacute;tica)". <i>Bolema</i>, v. 26, n. 44, p. 1137-1150, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Moreira, P.; Ferreira, A. "O lugar da matem&aacute;tica na licenciatura em matem&aacute;tica"<i>. Bolema</i>, v. 27, n. 47, p. 981-1005, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Tardif, M.; Lessard, C.; Lahaye, L. "Os professores face ao saber: esbo&ccedil;o de uma problem&aacute;tica do saber docente". <i>Teoria e Educa&ccedil;&atilde;o</i>, v. 4, p. 215-233, 1991.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Uma discuss&atilde;o mais detalhada sobre alguns dos aspectos aqui abordados &eacute; feita em &#91;5&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Para uma discuss&atilde;o mais aprofundada do conceito de "matem&aacute;tica elementar" de Klein, veja &#91;23&#93;.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Chevallard, Y. <i>La transposici&oacute;n did&aacute;ctica: del saber sabio al saber ense&ntilde;ado</i>. Buenos Aires: Aique, 1991.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Chervel, A. "Hist&oacute;ria das disciplinas escolares: reflex&otilde;es sobre um campo de pesquisa". <i>Teoria &amp; Educa&ccedil;&atilde;o</i>, n. 2, p. 177-229, 1990.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Moreira, P. C.; David, M.M. "O conhecimento matem&aacute;tico do professor: forma&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica docente na escola b&aacute;sica". <i>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o</i>, n. 28, p. 50-62, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Shulman, L. "Those who understand: knowledge growth in teaching". <i>Educational Researcher</i>, v.15, p. 4-14, 1986.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Shulman, L." Knowledge and teaching: foundations of the new reform". <i>Havard Educational Review</i>, v. 57, pp. 1-22, 1987.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Ball, D. L.; Thames, M. H.; Phelps, G. "Content knowledge for teaching what makes it special?" <i>Journal of Teacher Education</i>, v. 59, n. 5, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Giraldo, V.; Quintaneiro, W.; Moustapha, B.; Matos, D.; Melo, L.; Menezes, F.; Dias, U.; Costa Neto, C.; Rangel, R.; Cavalcante, A.; Andrade, F.; Mano, V.; Caetano, M. "Laborat&oacute;rio de pr&aacute;ticas matem&aacute;ticas para o ensino". In: Oliveira, A. M .P.; Ortig&atilde;o, M. I .R. (eds.) <i>Abordagens te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas na pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica.</i> Bras&iacute;lia: SBEM, 2018 (no prelo).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Tardif, M. "Saberes profissionais dos professores e conhecimentos universit&aacute;rios: elementos para uma epistemologia da pr&aacute;tica profissional dos professores e suas consequ&ecirc;ncias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; forma&ccedil;&atilde;o para o magist&eacute;rio". <i>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o</i>, n. 13, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. N&oacute;voa, A. <i>Professores: imagens do futuro presente</i>. Lisboa: Educa, 2009.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Noddings, N. "Professionalization and mathematics teaching". In: Grouws, D. (Ed). <i>Handbook of research on mathematics teaching and learning</i>, p. 197-208. New York: MacMillan, 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Davis, B.; Simmt, E. "Mathematics-for-teaching: an ongoing investigation of the mathematics that teachers (need to) know". <i>Educational Studies in Mathematics</i>, v. 61, n. 3, p. 293-319, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Giraldo, V.; Roque, T. "Hist&oacute;ria e tecnologia na constru&ccedil;&atilde;o de um ambiente problem&aacute;tico para o ensino de matem&aacute;tica". In: Roque, T.; Giraldo, V. (eds.) <i>O saber do professor de matem&aacute;tica: ultrapassando a dicotomia entre did&aacute;tica e conte&uacute;do</i> (p. 39-56). Rio de Janeiro: Ci&ecirc;ncia Moderna, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. Ripoll, C.; Giraldo, V.; Rangel, L. <i>Matem&aacute;tica para o ensino</i> - Volume 1 - N&uacute;meros naturais. Rio de Janeiro: SBM, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. Roque, T. <i>Hist&oacute;ria da matem&aacute;tica - uma vis&atilde;o cr&iacute;tica, desfazendo mitos e lendas</i>. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. Schubring, G. "A matem&aacute;tica elementar de um ponto de vista superior: Felix Klein e a sua atualidade". In: Roque, T.; Giraldo, V. (eds.), <i>O saber do professor de matem&aacute;tica: ultrapassando a dicotomia entre did&aacute;tica e conte&uacute;do</i> (p. 34-54). Rio de Janeiro: Ci&ecirc;ncia Moderna, 2014.    </font></p>      ]]></body><back>
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