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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> HIST&Oacute;RIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Livro explora rela&ccedil;&otilde;es raciais e luta dos negros contra a escravid&atilde;o em Cuba</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Beatriz Maia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n2/a16fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Insurrei&ccedil;&otilde;es, fugas e a luta pelo fim da escravid&atilde;o s&atilde;o alguns dos temas que comp&otilde;em o cen&aacute;rio em que se desenvolve o livro <i>Conspira&ccedil;&otilde;es da ra&ccedil;a de cor escravid&atilde;o, liberdade e tens&otilde;es raciais em Santiago de Cuba (1864-1881),</i> da historiadora e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Iacy Maia Mata. Este ano, o livro recebeu a men&ccedil;&atilde;o honrosa na categoria "literatura brasileira" do Pr&ecirc;mio Liter&aacute;rio Casa de Las Am&eacute;ricas, em cerim&ocirc;nia realizada todos os anos em Havana. A obra faz parte da cole&ccedil;&atilde;o V&aacute;rias Hist&oacute;rias, coordenada pelo Centro de Pesquisa em Hist&oacute;ria Social da Cultura (Cecult) e publicada pela Editora da Unicamp.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De uma conjuntura de guerras e intensa agita&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, a autora escolheu analisar uma conspira&ccedil;&atilde;o pouco estudada pela historiografia sobre a col&ocirc;nia espanhola. Trata-se da conspira&ccedil;&atilde;o descoberta em 1867, em Santiago de Cuba, envolvendo homens "livres de cor" e escravos, e que pretendia, fundamentalmente, p&ocirc;r fim &agrave; escravid&atilde;o. O inqu&eacute;rito produzido para investigar e punir os acusados de participar do movimento cont&eacute;m cerca de 1.200 folhas entre interrogat&oacute;rios, depoimentos, defesas e senten&ccedil;a e foi a porta de entrada para a autora discutir escravid&atilde;o, liberdade e rela&ccedil;&otilde;es raciais na regi&atilde;o. Uma das hip&oacute;teses para a falta de aten&ccedil;&atilde;o da historiografia para a conspira&ccedil;&atilde;o de 1867, segundo a autora, &eacute; a intensa atividade pol&iacute;tica anticolonial em Cuba que, entre 1868 e 1898, foi convulsionada por tr&ecirc;s guerras contra a Espanha, que teriam ofuscado a conspira&ccedil;&atilde;o. Mata cita o historiador Jo&atilde;o Jos&eacute; Reis como uma de suas grandes inspira&ccedil;&otilde;es, por conta dos estudos sobre a Revolta dos Mal&ecirc;s, em Salvador, surpreendida ainda em seus preparativos em 1835. "O di&aacute;logo com a historiografia brasileira e o olhar atento para a hist&oacute;ria social permitiram que eu me debru&ccedil;asse sobre a sociedade santiagueira a partir da conspira&ccedil;&atilde;o e do projeto de revolta que n&atilde;o se realizou", completa. "As duas perguntas que me fiz foram: por que os "livres de cor" est&atilde;o envolvidos em uma conspira&ccedil;&atilde;o com escravos? E em seguida: qual o significado, para a &eacute;poca, do lema 'sublevar a gente de cor contra a branca'? Isso aparece em outras revoltas e conspira&ccedil;&otilde;es escravas nas Am&eacute;ricas, mas eu queria destrinchar os significados pol&iacute;ticos desse projeto nesse contexto espec&iacute;fico", conta a historiadora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSPIRA&Ccedil;&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mata explica que a express&atilde;o "livres de cor", amplamente utilizada na &eacute;poca em Cuba, abarca negros, pardos, mulatos, morenos, <i>trigue&ntilde;os</i> e outras denomina&ccedil;&otilde;es de um sistema de classifica&ccedil;&atilde;o social baseado na cor. Nesse contexto, um dos argumentos fundamentais da pesquisa &eacute; que no curso das conspira&ccedil;&otilde;es e insurrei&ccedil;&otilde;es antiescravistas e anticoloniais, negros e mulatos passaram a reivindicar o pertencimento &agrave; "ra&ccedil;a de cor".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para entender como os "livres de cor" viviam na regi&atilde;o, a autora analisou testamentos, textos de viajantes, legisla&ccedil;&otilde;es municipais, documenta&ccedil;&otilde;es policiais e buscou dados acerca de ocupa&ccedil;&atilde;o, posses e possibilidade de mobilidade social. De acordo com ela, ainda que alguns negros e mulatos chegassem a possuir pequenas faixas de terra e escravos, a mobilidade social n&atilde;o os livrava do estigma da cor. Esse foi o caso do propriet&aacute;rio da fazenda La Retreta que foi chamado de "negro desavergonhado" por um vizinho branco na presen&ccedil;a da escravaria. Apesar de possuir terra e escravos, o fazendeiro queixou-se &agrave; pol&iacute;cia de que a ofensa fazia com que os cativos n&atilde;o o respeitassem. "Livres de cor" trabalhavam lado a lado com escravos nos engenhos e cafezais, &agrave;s vezes desempenhando as mesmas tarefas e foi nessa experi&ecirc;ncia compartilhada que come&ccedil;aram a organizar a conspira&ccedil;&atilde;o de 1867. A proximidade com os escravos e o tratamento discriminat&oacute;rio vivido pelos "livres de cor" ajudam a explicar o compromisso desses homens com a aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n2/a16fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na vis&atilde;o da autora, por mais que alguma ascens&atilde;o social fosse poss&iacute;vel, grupos de homens "livres de cor" percebiam com muita precis&atilde;o as barreiras impostas pelas hierarquias raciais. "Percebi isso quando comecei a me perguntar por que um dos objetivos da conspira&ccedil;&atilde;o era sublevar a 'gente de cor' contra os brancos e promover a igualdade entre os negros. Observando os pap&eacute;is que os brancos ocupavam em Santiago de Cuba na d&eacute;cada de 1860, percebi que os grandes fazendeiros, as autoridades administrativas, os ju&iacute;zes, os policiais, os comerciantes, todos em posi&ccedil;&otilde;es de poder e controle eram brancos", pontua Mata. A conspira&ccedil;&atilde;o teve como alvo n&atilde;o s&oacute; os propriet&aacute;rios de escravos, mas os brancos que dominavam os espa&ccedil;os de poder e prest&iacute;gio na sociedade colonial.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VOCABUL&Aacute;RIO POL&Iacute;TICO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O livro reconstitui o ambiente pol&iacute;tico em que emergiram as conspira&ccedil;&otilde;es da "ra&ccedil;a de cor" e analisa o vocabul&aacute;rio pol&iacute;tico espec&iacute;fico mobilizado pelos negros no curso das guerras anticoloniais. A autora encontrou na documenta&ccedil;&atilde;o pistas como a de uma testemunha da conspira&ccedil;&atilde;o de 1867, que relatou que um homem negro entrou na casa de um homem pardo e o convocou a matar um branco, dizendo "n&oacute;s todos somos iguais". Para a autora, o gesto seria uma tentativa de diluir as diferen&ccedil;as existentes entre pardos e negros para que atuassem juntos na conspira&ccedil;&atilde;o. Nessa &eacute;poca, em Cuba, pardos e negros tinham festas e associa&ccedil;&otilde;es separadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No final de 1880 e in&iacute;cio de 1881, cerca de 200 "livres de cor" foram presos e deportados, acusados de tomar parte em assunto pol&iacute;tico. As autoridades espanholas alegavam que aqueles homens tramavam uma grande conspira&ccedil;&atilde;o. Nos documentos apreendidos pelas autoridades espanholas, uma carta de um pardo a um mulato, suspeitos de participar da conspira&ccedil;&atilde;o, reafirmava o compromisso de redimir os "irm&atilde;os africanos" (ex-escravos e agora patrocinados), pois por suas veias corria o mesmo sangue. Outra carta de suspeitos da conspira&ccedil;&atilde;o terminava com "muito cuidado e que Deus proteja nosso prop&oacute;sito para o bem da nossa ra&ccedil;a".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse modo, Mata identifica o vocabul&aacute;rio pol&iacute;tico espec&iacute;fico dos "livres de cor", que lutaram contra a escravid&atilde;o e conclamaram a unidade entre negros e pardos durante as guerras anticoloniais. Nesse esfor&ccedil;o, a identidade de "ra&ccedil;a de cor" foi acionada e negros, pardos e mulatos, apesar da diferen&ccedil;a na cor, passaram a reivindicar uma origem e passado comuns: a &Aacute;frica. A historiadora ressalta que as classifica&ccedil;&otilde;es por cor n&atilde;o deixaram de existir: "a categoria ra&ccedil;a foi mobilizada com o objetivo pol&iacute;tico de abolir a escravid&atilde;o e conquistar direitos pol&iacute;ticos integrais para os n&atilde;o-brancos. Ao mesmo tempo, esses insurgentes e conspiradores que assinavam como "cubanos de cor" lutavam para tornar Cuba uma na&ccedil;&atilde;o. Eles forjaram, nas batalhas contra a Espanha e a escravid&atilde;o, suas identidades racial e nacional", finaliza.</font></p>      ]]></body>

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