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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> DIVULGA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, 69 anos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mariana Castro Alves</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n3/a06fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n3/a06fig01thumb.jpg">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A longevidade de uma publica&ccedil;&atilde;o tem a ver com sua capacidade de se reinventar. A <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, que teve seu primeiro n&uacute;mero publicado em 1949, ano seguinte ao da cria&ccedil;&atilde;o da SBPC, revela a disposi&ccedil;&atilde;o constante de fazer valer a divulga&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o para o fortalecimento da ci&ecirc;ncia no pa&iacute;s. &Eacute; o que se v&ecirc; quando se entra em contato com seu acervo, no "Centro de Mem&oacute;ria SBPC Am&eacute;lia I. Hamburger", localizado no edif&iacute;cio da rua Maria Antonia, em S&atilde;o Paulo. O pr&eacute;dio guarda registros da hist&oacute;ria da SBPC em sua rela&ccedil;&atilde;o com a pr&oacute;pria Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) - na medida em que surge no seio da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras. Apesar da experi&ecirc;ncia de manusear as transforma&ccedil;&otilde;es pelas quais a publica&ccedil;&atilde;o passou, o acesso aos documentos n&atilde;o mais depender&aacute; de visita <i>in loco</i>: todos os n&uacute;meros da revista j&aacute; est&atilde;o acess&iacute;veis na internet (veja box).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dispon&iacute;vel em vers&atilde;o impressa e on-line a partir de 2002, ano em que passa a ser produzida no Laborat&oacute;rio de Estudos Avan&ccedil;ados em Jornalismo (Labjor), na Unicamp, a revista &eacute; um marco para a institucionaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia no pa&iacute;s. De acordo com Carlos Vogt, seu atual editor chefe, trata-se de "uma das publica&ccedil;&otilde;es mais antigas e importantes para a grande virada que a ci&ecirc;ncia brasileira conhece a partir dos anos 1950". No cen&aacute;rio de p&oacute;s-guerra, do ponto de vista do financiamento e de forma&ccedil;&atilde;o de pesquisadores, divulgar os resultados das pesquisas era fundamental. Assim, desde sua concep&ccedil;&atilde;o, a revista foi um ve&iacute;culo que expressou a import&acirc;ncia da pesquisa cient&iacute;fica para a sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Idealizada por Jos&eacute; Reis (1907-2002), que a dirigiu de 1949 a 1954 e de 1972 a 1985, a <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> n&atilde;o &eacute; considerada "apenas" uma revista, mas um &oacute;rg&atilde;o da SBPC, uma associa&ccedil;&atilde;o "aberta n&atilde;o apenas a cientistas, mas a todos os que se interessem pela ci&ecirc;ncia, por suas aplica&ccedil;&otilde;es e pelas consequ&ecirc;ncias destas", conforme se l&ecirc; na contracapa de sua primeira edi&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, seu objetivo "como &oacute;rg&atilde;o que &eacute; da SBPC, servir de aproxima&ccedil;&atilde;o dos cientistas entre si, e destes com o p&uacute;blico, entre todos desenvolvendo forte e indispens&aacute;vel sentimento de solidariedade e compreens&atilde;o", registra seu primeiro editorial.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>JOS&Eacute; REIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio, a revista <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> era feita com muita dificuldade, inclusive financeira. &Eacute; o que conta Paulo Sawaya (1903-1995), cientista e um dos tr&ecirc;s "cavaleiros andantes da ci&ecirc;ncia" junto com Jos&eacute; Reis e Maur&iacute;cio Rocha e Silva, todos fundadores da SBPC, em depoimento gravado em v&iacute;deo sobre o hist&oacute;rico da associa&ccedil;&atilde;o. A revista come&ccedil;ou a ser feita dentro de seu laborat&oacute;rio, na Alameda Glette, 463. A casa abrigou os Departamentos de Bot&acirc;nica, Zoologia, Gen&eacute;tica, Geologia, Mineralogia, Qu&iacute;mica e Biologia at&eacute; 1956, ano em que ocorre a transfer&ecirc;ncia para a cidade universit&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro n&uacute;mero, de 1949, j&aacute; trazia ilustra&ccedil;&otilde;es e fotos. A capa, escolhida pela diretoria da SBPC "dentre originais que examinou", era de autoria do arquiteto Ernest de Carvalho Mange, s&oacute;cio que tinha acabado de fazer est&aacute;gio no ateli&ecirc; de Le Corbusier. Com propagandas de material t&eacute;cnico e dentifr&iacute;cio, o primeiro n&uacute;mero registra a subven&ccedil;&atilde;o anual de 50 mil cruzeiros feita pelo industrial Francisco Pignatari para a revista se tornar realidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa fase, era dividida nas sess&otilde;es: pesquisas recentes, notas originais, coment&aacute;rios, homens e institui&ccedil;&otilde;es, livros e revistas e notici&aacute;rio. Seu formato j&aacute; dava conta das tend&ecirc;ncias e das novidades da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira e mundial. "Jos&eacute; Reis remodelou a revista, deu um impulso, acompanhando mais ou menos o que Maur&iacute;cio (Rocha e Silva) pensava que devia ser, do tipo da <i>Nature</i>, de Londres", afirmou Sawaya. "Sob a dire&ccedil;&atilde;o editorial de Jos&eacute; Reis, os objetivos hist&oacute;ricos de comunica&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica foram afirmados", considera Vogt.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1968, a <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> &eacute; remodelada. A lombada passa a ser em formato brochura, e n&atilde;o mais em "canoa" feita com grampos. O papel passa a ter mais brilho. As ilustra&ccedil;&otilde;es das capas mostram um cuidado visual primoroso, com destaque aos trabalhos do artista uruguaio Luis Diaz. A partir dos anos 1970, junto com esse tratamento art&iacute;stico apurado, estavam as cr&iacute;ticas ao regime militar. A cr&iacute;tica volta-se principalmente &agrave; concep&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia somente como tecnologia e &agrave; destina&ccedil;&atilde;o pelo Estado de verbas apenas a parques industriais e n&atilde;o &agrave; pesquisa b&aacute;sica realizada nas universidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1972, Jos&eacute; Reis posiciona-se na revista: "Se em tempos idos a tecnologia cresceu paralelamente &agrave; ci&ecirc;ncia e mesmo &agrave; sua revelia, isso n&atilde;o ocorre com a atual, que nasce da ci&ecirc;ncia e a partir dela se constitui com velocidade de transforma&ccedil;&atilde;o cada vez maior. Infelizmente, os que governam financeiramente a pesquisa nem sempre se d&atilde;o conta dessa rela&ccedil;&atilde;o". Dessa forma, ao firmar sua posi&ccedil;&atilde;o, a SBPC "assumiu um papel importante no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o, aumentou sua independ&ecirc;ncia e conquistou maior reconhecimento pelo governo", segundo Ana Maria Fernandes, em "A constru&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia no Brasil e a SBPC" (Bras&iacute;lia: Editora Universidade de Bras&iacute;lia, 2000, p. 243).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTERNACIONALIZA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos anos 1990, uma grande transforma&ccedil;&atilde;o. Em conson&acirc;ncia com os ares da &eacute;poca, de 1991 a 2001, a revista passa a ser publicada integralmente em ingl&ecirc;s. Em editorial assinado por Cesar Timo-Iaria, da &aacute;rea de neurofisiologia, a justificativa: "A vantagem de usar o ingl&ecirc;s &eacute; que essa l&iacute;ngua, falada em pa&iacute;ses predominantes em escala mundial, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, passou a ser a l&iacute;ngua franca em todos os continentes, e dessa forma intermediando todos os tipos de comunica&ccedil;&atilde;o humana, prevalecendo sobre todas as outras l&iacute;nguas". Deste modo, a partir do volume 43, tendo como editor Luiz Rodolpho Travassos, a <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> torna-se "Journal of the Brazilian Association for the Advancement of Science", com esp&iacute;rito de reinven&ccedil;&atilde;o que a caracteriza na tentativa de dar respostas aos problemas postos aos cientistas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TEMAS E TEND&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, ap&oacute;s a reuni&atilde;o anual de julho de 2000, em Bras&iacute;lia, o conselho deliberativo da SBPC define que a revista deve voltar a ser publicada em portugu&ecirc;s. Em seu 54º n&uacute;mero, o tema "Viol&ecirc;ncia" &eacute; escolhido. A revista continua a contar com apoio do CNPq, da Fapesp, passa a ter suporte t&eacute;cnico do Labjor e do Instituto Uniemp para desenvolvimento gr&aacute;fico. Carlos Vogt, ent&atilde;o vice-presidente da SBPC na gest&atilde;o de Glaci Zancan, toma a frente da publica&ccedil;&atilde;o, repensando seu formato e renovando seus princ&iacute;pios. Sob o bin&ocirc;mio "Temas e tend&ecirc;ncias", desde ent&atilde;o, o mote "s&atilde;o artigos com n&uacute;cleo tem&aacute;tico e o acompanhamento do desenvolvimento cient&iacute;fico, sendo sens&iacute;vel &agrave;s tend&ecirc;ncias, numa linguagem acad&ecirc;mica mais aberta ao leitor", explica Vogt. Marcelo Knobel &eacute; editor chefe da revista de 2008 a 2017, e acompanha esse formato. Quando se torna reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a revista volta ent&atilde;o a ser dirigida por Vogt.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O dinamismo que marca sua hist&oacute;ria continua vivo. Em homenagem ao seu idealizador, editorial assinado por Vogt em 2002, quando do falecimento de Jos&eacute; Reis, indica: "Possamos n&oacute;s, todos os que integram o corpo editorial da revista, cientistas e jornalistas, cumprir, retomando-o do in&iacute;cio e renovando-o sempre, o papel que Jos&eacute; Reis e seus colaboradores t&atilde;o bem desenharam (...)". </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CI&Ecirc;NCIA &amp; CULTURA DIGITAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma parceria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) com a Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional, viabilizou a digitaliza&ccedil;&atilde;o de toda a cole&ccedil;&atilde;o da revista <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>. A revista teve seu primeiro n&uacute;mero publicado em 1949, ano seguinte ao da cria&ccedil;&atilde;o da SBPC. Desde 2002, quando a revista passou a ser produzida no Laborat&oacute;rio de Estudos Avan&ccedil;ados em Jornalismo, Labjor Unicamp, al&eacute;m da vers&atilde;o impressa, a <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura </i>conta com uma vers&atilde;o digital no portal Scielo. Os n&uacute;meros anteriores a 2002, no entanto, eram de dif&iacute;cil acesso. Com a digitaliza&ccedil;&atilde;o, as 456 edi&ccedil;&otilde;es e suplementos da revista podem ser consultados no site: <a href="http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/</a>. Segundo Vin&iacute;cius Martins, coordenador da Hemeroteca Digital, a consulta ao acervo pode ser feita por t&iacute;tulo, per&iacute;odo, edi&ccedil;&atilde;o, local de publica&ccedil;&atilde;o e palavra. "A busca por palavras &eacute; poss&iacute;vel devido &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o da tecnologia de reconhecimento &oacute;tico de caracteres (optical character recognition - OCR), que proporciona aos pesquisadores maior alcance na pesquisa textual em peri&oacute;dicos. Todo o texto reconhec&iacute;vel &eacute; indexado e pode ser recuperado", explicou. Para Ildeu Moreira, como boa parte dos registros hist&oacute;ricos sobre a SBPC est&aacute; documentada justamente nas p&aacute;ginas da <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, a digitaliza&ccedil;&atilde;o foi muito importante, "tanto para recuperar como para preservar a hist&oacute;ria da institui&ccedil;&atilde;o", disse.</font></p>      ]]></body>
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