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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> HIST&Oacute;RIA DA CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O progresso da ci&ecirc;ncia &eacute; l&iacute;ngua universal de associa&ccedil;&otilde;es pelo mundo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Meghie Rodrigues</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde a funda&ccedil;&atilde;o da primeira sociedade para o avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia, no s&eacute;culo XIX, diversas institui&ccedil;&otilde;es do tipo v&ecirc;m sendo criadas para promover o di&aacute;logo entre cientistas, governos e outras esferas da sociedade civil, isso porque o que deve ser feito com e pela ci&ecirc;ncia n&atilde;o se restringe apenas a conversas a portas fechadas entre legisladores ou em laborat&oacute;rios. Para Tom Wang, chefe de rela&ccedil;&otilde;es internacionais da Associa&ccedil;&atilde;o Americana para o Avan&ccedil;o da Ci&ecirc;ncia (AAAS), criar esse espa&ccedil;o de di&aacute;logo &eacute; papel crucial de institui&ccedil;&otilde;es dessa natureza, j&aacute; que o conhecimento cient&iacute;fico n&atilde;o &eacute; produzido em uma ilha fora da sociedade em que est&aacute; inserido. "A interface e a intera&ccedil;&atilde;o entre a comunidade cient&iacute;fica e outras &aacute;reas da sociedade n&atilde;o &eacute;, e n&atilde;o pode ser, apenas resumida &agrave; gera&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico. De fato, como cidad&atilde;os das sociedades onde vivem e trabalham, cientistas s&atilde;o parte do todo social - ent&atilde;o essa atividade tem a ver com o engajamento do cientista como indiv&iacute;duo e como grupo com outras esferas da sociedade".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n3/a07fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando a AAAS surgiu, em meados do s&eacute;culo XIX, seu objetivo era congregar cientistas e engenheiros em atividade nos Estados Unidos, em um ambiente multidisciplinar e aberto a cidad&atilde;os interessados em ci&ecirc;ncia. O surgimento da institui&ccedil;&atilde;o, em 1848, seguia a tend&ecirc;ncia do que j&aacute; estava acontecendo na Europa: em 1822 surgira a primeira associa&ccedil;&atilde;o do tipo - a Sociedade de Naturalistas e M&eacute;dicos Alem&atilde;es na cidade de Leipzig - e pouco tempo depois, em 1831, a Associa&ccedil;&atilde;o Brit&acirc;nica para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (atualmente Associa&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia Brit&acirc;nica, BSA) em York. Ainda naquela d&eacute;cada, em 1839, surgia a Sociedade Italiana para o Progresso da Ci&ecirc;ncia, em Pisa. Sua cong&ecirc;nere francesa veio um pouco mais tarde, em 1872, em Bordeaux. &Iacute;ndia e Austr&aacute;lia/ Nova Zel&acirc;ndia tamb&eacute;m criaram suas pr&oacute;prias sociedades nessa &eacute;poca (1876 e 1888, respectivamente).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A parte norte do mundo via um crescimento tecnocient&iacute;fico sem precedentes nesse per&iacute;odo - ci&ecirc;ncia, t&eacute;cnica e ind&uacute;stria se confundiam no s&eacute;culo XIX e, como escreve a historiadora da ci&ecirc;ncia Eszter P&aacute;l em 2014 (<i>Review of Sociology, </i>vol 4, 2014), a pr&oacute;pria nomenclatura de praticantes e estudiosos das ci&ecirc;ncias como "cientistas" tamb&eacute;m surgiu nessa &eacute;poca - e, junto com ela, institui&ccedil;&otilde;es como a Royal Society, que se propunha a sistematizar o di&aacute;logo entre pares nesse cen&aacute;rio social. O que engessava a Society, aponta a pesquisadora, era ser composta por membros da aristocracia. Assim, a BSA surgiu pouco tempo depois para renovar esse quadro. Seus membros n&atilde;o vinham "apenas da aristocracia, mas da pequena nobreza e das classes m&eacute;dias".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n3/a07fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por meio de debates p&uacute;blicos, encontros, semin&aacute;rios e publica&ccedil;&otilde;es, organizados por essas associa&ccedil;&otilde;es, as ideias circulavam e oxigenavam a crescente organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da comunidade interessada pela ci&ecirc;ncia no Reino Unido e em outros pa&iacute;ses. Um pouco mais tarde, outras entidades com o mesmo objetivo foram surgindo em mais regi&otilde;es. No s&eacute;culo XX, &Aacute;frica do Sul (1902), Canad&aacute; (1923), Jap&atilde;o (1932), Argentina (1934), Brasil (1948, com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia, SBPC), Venezuela (1950) e Col&ocirc;mbia (1970) foram alguns pa&iacute;ses que criaram as suas pr&oacute;prias associa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>S&Eacute;CULO XXI E DESAFIOS DE ORDEM POL&Iacute;TICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um ponto em que gestores de diversas dessas entidades concordam &eacute; que, do s&eacute;culo XIX para c&aacute;, seus objetivos n&atilde;o mudaram fundamentalmente - a promo&ccedil;&atilde;o da interface entre conhecimento cient&iacute;fico e vida social continua no cerne das atividades. Ian Raper, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Sul-Africana para o Progresso da Ci&ecirc;ncia, conta que palestras p&uacute;blicas promovidas pela institui&ccedil;&atilde;o, como as Marloth Lectures, por exemplo, t&ecirc;m grande relev&acirc;ncia em seu pa&iacute;s. "A proferida pelo prof. Rudi van Aarde (Universidade de Pretoria) teve grande influ&ecirc;ncia em prevenir o abate de elefantes no Parque Nacional Kruger", lembra ele.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo sendo apartid&aacute;rias por natureza, sociedades para o progresso da ci&ecirc;ncia n&atilde;o ficam ilesas ou alheias a decis&otilde;es pol&iacute;ticas, que variam de governo a governo - e afinam sua estrat&eacute;gia para que o debate com a esfera p&uacute;blica seja mais efetivo. Segundo Tom Wang, da AAAS, nos Estados Unidos, apesar do receio de cortes no financiamento para a ci&ecirc;ncia n&atilde;o ser t&atilde;o preocupante quanto logo ap&oacute;s a elei&ccedil;&atilde;o de Donald Trump, "h&aacute; &aacute;reas em que precisamos ser muito mais vocais, como mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e o uso de evid&ecirc;ncias de base cient&iacute;fica para apoiar pol&iacute;ticas ambientais". Temas relacionados &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m s&atilde;o pauta importante para a AAAS porque "afetam a capacidade de atra&ccedil;&atilde;o de cientistas, estudantes e engenheiros estrangeiros ao pa&iacute;s", diz ele.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; na Am&eacute;rica Latina, a preocupa&ccedil;&atilde;o com cortes &eacute; realidade - e sociedades para o progresso da ci&ecirc;ncia t&ecirc;m sido bastante atuantes neste sentido. Maria Villaveces, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Colombiana para o Avan&ccedil;o da Ci&ecirc;ncia, observa que "a for&ccedil;a do setor de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser medida por uma inst&acirc;ncia burocr&aacute;tica e sim pela produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica - que n&atilde;o avan&ccedil;a se n&atilde;o existe financiamento por parte do setor p&uacute;blico em temas estrat&eacute;gicos para o pa&iacute;s". Concorda com ela Vanderlan Bolzani, vice-presidente da SBPC: "temos muito desmando. Nosso grande problema &eacute; n&atilde;o ter uma pol&iacute;tica do Estado brasileiro para a ci&ecirc;ncia, apenas pol&iacute;ticas de governo, que ficam &agrave; deriva de cada gest&atilde;o". A SBPC vem se empenhando h&aacute; tempos no di&aacute;logo sobre esse cen&aacute;rio. "Fazemos cartas p&uacute;blicas, n&atilde;o sa&iacute;mos de Bras&iacute;lia... e as verbas continuam sendo tiradas da ci&ecirc;ncia e da educa&ccedil;&atilde;o. Veja a China: quanto mais percebem uma crise, mais investem em ci&ecirc;ncia e tecnologia para ficarem mais fortes". E completa: "quando, em um sistema j&aacute; abalado, se tira mais dinheiro e se diminui as chances de avan&ccedil;o em pesquisa de excel&ecirc;ncia para jovens, esta &eacute; a morte anunciada de um pa&iacute;s".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n3/a07fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Longe da Am&eacute;rica Latina, pa&iacute;ses &aacute;rabes tamb&eacute;m enfrentam desafios de ordem pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica para fazer sua ci&ecirc;ncia progredir. Em 2011, foi criada a Sociedade para o Avan&ccedil;o da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia no Mundo &Aacute;rabe (SASTA), com sede na Calif&oacute;rnia. Wael Al-Delaimy, presidente da entidade, conta que fundar a SASTA nos EUA foi uma forma de "n&atilde;o associar a institui&ccedil;&atilde;o com um pa&iacute;s &aacute;rabe espec&iacute;fico, correndo o risco de fazer com que outros perdessem o interesse na iniciativa". Ele explica que a ci&ecirc;ncia funciona como elemento que traz os pa&iacute;ses &aacute;rabes a discuss&otilde;es comuns, mesmo que a diplomacia, mesmo que cient&iacute;fica, n&atilde;o seja uma tarefa f&aacute;cil de se conseguir no mundo &aacute;rabe. &Eacute; uma escada que se vai subindo devagar. "Nosso plano &eacute; que os governos abracem a entidade e digam, 'ok, nos ajude a decidir o que fazer' - este &eacute; nosso plano, mesmo que seja um pa&iacute;s por vez. Damos aconselhamento para universidades - &eacute; um passo para o n&iacute;vel nacional e, eventualmente, para o regional". A ambi&ccedil;&atilde;o da SASTA, segundo Al-Delaimy, &eacute; ser um ponto de converg&ecirc;ncia para a ci&ecirc;ncia &aacute;rabe – desafio relativamente mais complexo que unir a comunidade cient&iacute;fica de um &uacute;nico pa&iacute;s. "Queremos que a regi&atilde;o se una porque h&aacute; muito potencial e muita expertise complementar entre os pa&iacute;ses. S&oacute; precisam de algu&eacute;m que os una". </font></p>      ]]></body>
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