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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> SBPC 70 ANOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A SBPC na forma&ccedil;&atilde;o de um pesquisador e gestor de C&amp;T</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Aldo Malavasi</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diretor-geral adjunto de Ci&ecirc;ncias e Aplica&ccedil;&otilde;es Nucleares da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (IAEA) da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) em Viena, &Aacute;ustria. Professor titular aposentado do Departamento de Gen&eacute;tica da Universidade de S&atilde;o Paulo. Atuou na SBPC como secret&aacute;rio-geral (1999 a 2001, 2007 a 2009, 2009 a 2011, julho/2013 a mar&ccedil;o/2014), primeiro tesoureiro (2003 a 2005) e secret&aacute;rio (1993 a 1995 e 1995 a 1997)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>COME&Ccedil;ANDO A HIST&Oacute;RIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tenho clara a imagem do professor Domingos Valente no distante ano de 1969, no estacionamento do edif&iacute;cio da zoologia (formalmente denominado edif&iacute;cio Ernst Markus) na cidade universit&aacute;ria da USP (Universidade de S&atilde;o Paulo), conversando com um grupo de calouros - entre os quais eu me inclu&iacute;a - sobre a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia). Ele era ent&atilde;o o secret&aacute;rio-geral da entidade e explicava com a sua voz estridente o que ela era e como ocorriam as suas reuni&otilde;es anuais. A SBPC funcionava ent&atilde;o em uma sala acanhada, cedida pelo Departamento de Fisiologia Animal, que era chefiado por Paulo Sawaya, um dos fundadores da SBPC. Tinha apenas uma funcion&aacute;ria, uma baixinha muito simp&aacute;tica, a querida Eliana, que ficou na SBPC at&eacute; 1988.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como resultado daquela conversa de convencimento, um grupo de alunos do primeiro ano do curso de ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas decidiu participar da 21ª Reuni&atilde;o Anual da SBPC em Porto Alegre, no campus da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), no m&ecirc;s de julho de 1969, mesmo sem ter - obviamente - qualquer trabalho a apresentar. A longa viagem de &ocirc;nibus foi uma grande aventura e est&aacute;vamos todos felizes com a perspectiva de participar de um evento com grandes nomes da ci&ecirc;ncia brasileira. A partir da&iacute;, as reuni&otilde;es anuais passaram a ser obrigat&oacute;rias para mim como estudante e estagi&aacute;rio do Departamento de Biologia (hoje Gen&eacute;tica e Evolu&ccedil;&atilde;o), chefiado por Crodowaldo Pavan.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A SBPC de ent&atilde;o era dominada pelas <i>hard sciences</i>, especialmente a gen&eacute;tica e a f&iacute;sica. Dos sete cargos da diretoria do bi&ecirc;nio 1975-77, cinco deles eram ocupados por geneticistas (Pavan, Newton Freire-Maia, Luiz Edmundo Magalh&atilde;es, Eliane Azevedo e Renato Basile), um f&iacute;sico, o presidente Oscar Sala, e uma psic&oacute;loga, Carolina Bori.  A tesouraria foi, por muito tempo, ocupada por geneticistas do Departamento de Biologia da USP e meus professores Renato Basile, Andr&eacute; Perondini e Luis Carlos Sim&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando me tornei docente no mesmo departamento, em 1973, me associei ao grupo de pesquisa liderado por Pavan e Antonio Brito da Cunha, que estudava a gen&eacute;tica de insetos. Pavan, com sua enorme vis&atilde;o, convenceu dois docentes - Jo&atilde;o Morgante e eu - a nos dedicarmos ao estudo das moscas-das-frutas verdadeiras, n&atilde;o &agrave;s dros&oacute;filas ou &agrave;s <i>Rhyncoschiara</i>, j&aacute; que as primeiras causam s&eacute;rios problemas econ&ocirc;micos ao mesmo tempo que s&atilde;o excelente material de estudo de gen&eacute;tica e evolu&ccedil;&atilde;o. Essa mudan&ccedil;a de material de estudo foi o mais importante fator da minha carreira cient&iacute;fica. A influ&ecirc;ncia do genial e at&eacute; certo ponto espalhafatoso Pavan marcou de forma definitiva minha forma de pensar e de fazer ci&ecirc;ncia, bem como de conduzir as rela&ccedil;&otilde;es no trabalho. Ele sempre me dizia para enxergar uma faceta diferente daquela &oacute;bvia que todos enxergavam. Ouvi dele in&uacute;meras vezes, em diferentes situa&ccedil;&otilde;es: "Pense e enxergue diferente, italiano", principalmente quando eu discordava de forma acirrada de algumas das suas ideias ex&oacute;ticas, para n&atilde;o dizer malucas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Comecei a participar das reuni&otilde;es da SBG (Sociedade Brasileira de Gen&eacute;tica), que tratavam dos assuntos relacionados com as pesquisas que eu tocava dentro da USP, mas tamb&eacute;m participava das reuni&otilde;es anuais da SBPC, que eram carregadas de alto conte&uacute;do pol&iacute;tico. A famosa 29ª Reuni&atilde;o Anual, de julho de 1977, realizada na PUC-SP (Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo), foi um marco na luta contra o regime militar e um divisor de &aacute;guas dentro da SBPC, que come&ccedil;ou a receber forte influ&ecirc;ncia das ci&ecirc;ncias sociais e humanas. Interessante notar, entretanto, que somente no bi&ecirc;nio 1981-83 aparece o primeiro cientista social na diretoria, Jos&eacute; Albertino Rodrigues, como secret&aacute;rio-geral.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O IN&Iacute;CIO NA ORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O DAS REUNI&Otilde;ES ANUAIS DA SBPC</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir de 1983, a convite de Andr&eacute; Perondini, ent&atilde;o membro da diretoria, comecei a trabalhar na coordena&ccedil;&atilde;o de audiovisual das reuni&otilde;es anuais da SBPC: S&atilde;o Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Bras&iacute;lia. Aprendi o que era a retaguarda e infraestrutura de uma reuni&atilde;o com cinco a dez mil participantes. T&iacute;nhamos que garantir o funcionamento tranquilo com mais de 100 monitores de sess&otilde;es, que acompanhavam todas as atividades dando suporte para que tudo corresse dentro da normalidade e prevenir que ocorressem contratempos. E como ocorriam! Projetores que queimavam (a l&acirc;mpada e o pr&oacute;prio) no meio da apresenta&ccedil;&atilde;o; tomadas sem energia; salas que n&atilde;o estavam escuras o suficiente para as proje&ccedil;&otilde;es de slides (lembram dos slides?); apresentadores que simplesmente n&atilde;o apareciam; monitores que eram maltratados e desrespeitados pelos palestrantes. Realmente aprendi bastante come&ccedil;ando numa atividade essencial para qualquer reuni&atilde;o cient&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da&iacute; para ser eleito secret&aacute;rio regional de SP em 1986 foi um pequeno pulo. Foi quando comecei a trabalhar diretamente com Carolina Bori, minha grande <i>shadow </i>(isso quando o conceito ainda n&atilde;o estava bem estabelecido) dentro da SBPC. Aprendi extraordinariamente com ela - calma, segura, ouvindo atentamente o interlocutor e sempre tendo uma atitude positiva. Ao lado de Pavan, Carolina foi a figura que mais influenciou minha carreira profissional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A CARREIRA NA USP</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Departamento de Gen&eacute;tica da USP era um ambiente de grande efervesc&ecirc;ncia cient&iacute;fica com uma variedade de laborat&oacute;rios que inclu&iacute;a gen&eacute;tica humana e m&eacute;dica, gen&eacute;tica e citogen&eacute;tica de insetos de v&aacute;rias esp&eacute;cies (incluindo as nossas moscas-das-frutas), gen&eacute;tica de primatas, citogen&eacute;tica de roedores, gen&eacute;tica de peixes, cultura de tecidos de insetos e gen&eacute;tica de microrganismos.  O n&uacute;mero e a qualidade dos alunos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o eram extraordin&aacute;rios. Viv&iacute;amos num ambiente de muita criatividade e tamb&eacute;m, como pode se esperar, de muita competi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como nosso laborat&oacute;rio era especializado em moscas-das-frutas de interesse econ&ocirc;mico, nos anos 1980 fomos procurados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para que realiz&aacute;ssemos estudos no nordeste do Brasil para demonstrar que a &aacute;rea produtora de mel&otilde;es era livre de uma esp&eacute;cie de mosca-das-frutas. Esse trabalho se desenvolveu muito bem e conseguimos demonstrar que a regi&atilde;o noroeste do estado do Rio Grande do Norte era (e permanece at&eacute; hoje) livre de <i>Anastrepha grandis</i>, a mosca alvo que ataca frutas da fam&iacute;lia das cucurbit&aacute;caeas - mel&otilde;es, ab&oacute;boras e afins. O trabalho foi realizado por demanda e com forte apoio do setor produtivo, e por isso foi necess&aacute;ria muita negocia&ccedil;&atilde;o internacional para a demonstra&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea livre. Esse foi o meu <i>debut</i> como negociador em n&iacute;vel internacional, discutindo em Washington e Roma o estabelecimento da &aacute;rea que acabou sendo reconhecida em 1988.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse projeto foi um importante passo para deixar a seguran&ccedil;a do laborat&oacute;rio dentro do campus universit&aacute;rio da USP e ir para o mundo externo, onde a realidade &eacute; bem diversa. O que hoje se espera da universidade brasileira - a abertura para a sociedade como um todo - era visto com reservas h&aacute; 30 anos. Realizar pesquisas voltadas para melhorar a competitividade do setor privado, ent&atilde;o, era quase um pecado capital.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No final dos anos 1990, os produtores de manga brasileiros n&atilde;o podiam exportar aos Estados Unidos e Jap&atilde;o por barreiras fitossanit&aacute;rias - basicamente, pela presen&ccedil;a de moscas-das-frutas nas regi&otilde;es produtoras. Desenvolvemos ent&atilde;o, para essas pragas, em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria), USDA e associa&ccedil;&atilde;o de produtores, o tratamento hidrot&eacute;rmico que abriu as portas para a exporta&ccedil;&atilde;o de mangas do Brasil para esses dois importantes mercados consumidores, gerando uma receita significativa para o pa&iacute;s e centenas de empregos, al&eacute;m de melhorar a qualidade da fruta para o consumo interno. A aprova&ccedil;&atilde;o do tratamento demandou longas e cansativas reuni&otilde;es em Washington e Tokyo que mesclavam interesses econ&ocirc;micos, t&eacute;cnicos e at&eacute; cient&iacute;ficos. Foi um grande treinamento para todos n&oacute;s na arena internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com as pesquisas que toc&aacute;vamos no laborat&oacute;rio, de interesse econ&ocirc;mico para o Brasil, consegu&iacute;amos formar mestres e doutores de v&aacute;rias regi&otilde;es do pa&iacute;s que, por sua vez, come&ccedil;aram novos laborat&oacute;rios em suas institui&ccedil;&otilde;es. A publica&ccedil;&atilde;o dos resultados desses trabalhos em peri&oacute;dicos e a participa&ccedil;&atilde;o em reuni&otilde;es cient&iacute;ficas da &aacute;rea inseriram o laborat&oacute;rio e o Brasil no cen&aacute;rio internacional. A escalada foi natural at&eacute; que atingi o n&iacute;vel de professor titular da USP, em 1995.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AL&Eacute;M FRONTEIRAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O p&oacute;s-doutorado &eacute; algo que realmente abre a cabe&ccedil;a dos jovens doutores que se isolam nos seus laborat&oacute;rios durante a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, pressionados pelos orientadores para concluir a tese antes do t&eacute;rmino da bolsa. Como j&aacute; era docente quando terminei o doutorado eu n&atilde;o enfrentei esse problema, mas o est&aacute;gio de p&oacute;s-doutoramento na Universidade do Texas, no distante ano de 1979, foi marcante por entrar em contato com outra cultura cient&iacute;fica e social. Ao lado do aprimoramento do ingl&ecirc;s, o contato com cientistas das mais diferentes tend&ecirc;ncias em gen&eacute;tica e evolu&ccedil;&atilde;o foi um primeiro passo para entender e respeitar a biodiversidade (aqui considerando a cultura como parte do nosso "bio").</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um novo est&aacute;gio na Universidade de Massachusetts e USDA em 1989/90 me ajudou a consolidar uma vis&atilde;o mais ampla da ci&ecirc;ncia, ao mesmo tempo que construiu um amplo <i>networking</i> com pesquisadores e gerentes de projeto espalhados pelo mundo. Pr&oacute;ximo ao regresso ao Brasil, recebi o convite para ir trabalhar no USDA em Honolulu, no Hava&iacute;, mas declinei, muito penalizado, pois acreditava que estava maduro para ajudar o Brasil na &aacute;rea de gen&eacute;tica e controle biol&oacute;gico de insetos pragas. Al&eacute;m disso, a Fapesp (Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo), o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico)  e a USP haviam investido muito na minha forma&ccedil;&atilde;o e eu me senti no dever de retornar esse investimento para o pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gradativamente, come&ccedil;aram a se abrir portas para uma atua&ccedil;&atilde;o internacional, como <i>chair</i> do Working Group of Fruit Fly of the Western Hemisphere por nove anos, <i>chair</i> do Simp&oacute;sio Internacional de Moscas-das-Frutas por quatro anos, membro de v&aacute;rios <i>boards</i> de sociedades internacionais e membro de conselhos consultivos cient&iacute;ficos ao redor do mundo (Calif&oacute;rnia, M&eacute;xico, Guatemala, Eti&oacute;pia, FAO-Rome), al&eacute;m de miss&otilde;es internacionais em mais de 30 pa&iacute;ses nas Am&eacute;ricas e Caribe, &Aacute;frica, &Aacute;sia e Europa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com essas miss&otilde;es, organizadas por organismos internacionais como a FAO (Food and Agriculture Organization), IAEA (International Atomic Energy Agency), USDA (United States Department of Agriculture), IICA/OEA (Instituto Interamericano de Coopera&ccedil;&atilde;o na Agricultura da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos) aprendi a observar e a respeitar as caracter&iacute;sticas e a cultura de cada povo, bem como orientar e canalizar a energia para os objetivos do projeto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas miss&otilde;es tinham o objetivo de tra&ccedil;ar estrat&eacute;gias para cada pa&iacute;s da melhor forma de ultrapassar as barreiras fitossanit&aacute;rias - ajud&aacute;vamos principalmente os pa&iacute;ses em desenvolvimento. E minha maior colabora&ccedil;&atilde;o sempre foi romper a imobilidade e colocar diferentes institui&ccedil;&otilde;es dentro do pa&iacute;s - &agrave;s vezes, competidoras -  para trabalhar de forma conjunta para atingir o objetivo comum. Nesse sentido, ser brasileiro ajudava extraordinariamente, pois eu usava exemplos do nosso pa&iacute;s para convenc&ecirc;-los a tocar os desafios para frente.  Al&eacute;m, obviamente, de falar do futebol, do samba e das praias. E me dei conta de como o Brasil era (e continua sendo) um pa&iacute;s muito querido pelo cidad&atilde;o comum da grande maioria dos pa&iacute;ses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a participa&ccedil;&atilde;o em conselhos e associa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, ganha-se uma experi&ecirc;ncia extraordin&aacute;ria em negocia&ccedil;&atilde;o e estrat&eacute;gia em ambiente altamente competitivo e com m&uacute;ltiplos interesses envolvidos. Nesses <i>boards</i> e miss&otilde;es participam cientistas de v&aacute;rias &aacute;reas, gerentes de projetos que precisam mostrar resultados, membros de governo de diferentes n&iacute;veis e vis&otilde;es (em geral n&atilde;o alinhadas com a ci&ecirc;ncia) e setor privado que, surpreendentemente para mim, eram com frequ&ecirc;ncia mais male&aacute;veis e razo&aacute;veis que os colegas cientistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1997, fui convidado pela OEA a ser o diretor do Programa de Erradica&ccedil;&atilde;o da Mosca-da-Carambola no norte do Am&eacute;rica do Sul, compreendendo o Suriname, Rep&uacute;blica da Guiana, Guiana Francesa e o estado do Amap&aacute;. Era um projeto muito desafiador, que envolvia enormes problemas pol&iacute;ticos com a Fran&ccedil;a - j&aacute; que a Guiana Francesa ainda &eacute; um territ&oacute;rio ultramarino. Foi muito interessante negociar constantemente com governos de quatro pa&iacute;ses (com quatro l&iacute;nguas e quatro moedas diferentes), com equipes trabalhando em cada pa&iacute;s e implementando o projeto de acordo com as caracter&iacute;sticas locais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O projeto foi bem-sucedido, tendo eliminado a praga na Guiana, quase na totalidade do Suriname e no Amap&aacute;. Na reta final aconteceram os ataques terroristas de 11 de setembro de 2011 e as fontes financiadoras secaram. Hoje a praga retomou toda a &aacute;rea que ocupava originalmente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A experi&ecirc;ncia de comandar um grande n&uacute;mero de t&eacute;cnicos de diferentes nacionalidades e n&iacute;vel cultural e realizar um trabalho nas cidades distantes e na selva foi realmente enriquecedora. Certamente n&atilde;o se treinam bons marinheiros em mares calmos. E a experi&ecirc;ncia do Suriname foi pra l&aacute; de tempestade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eu diria a que a participa&ccedil;&atilde;o nos <i>boards</i>, o programa no Suriname por quatro anos, associada &agrave; participa&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rias diretorias da SBPC foram as mais ricas experi&ecirc;ncias que tive na minha vida profissional. Vamos ent&atilde;o voltar &agrave; SBPC.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AS DIRETORIAS DA SBPC</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Participei de sete diretorias a partir de 1993 at&eacute; 2014 (n&atilde;o cont&iacute;nuos), num total de 13 anos trabalhando com os presidentes Aziz Ab Saber, S&eacute;rgio Henrique Ferreira, Glaci Zancan, Ennio Candotti, Marco Antonio Raupp e Helena Nader. Fui secret&aacute;rio, secret&aacute;rio-geral e tesoureiro. Fui tamb&eacute;m conselheiro por duas ocasi&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora a diretoria tenha nove cargos, sendo um presidente, dois vice-presidentes, um secret&aacute;rio-geral, tr&ecirc;s secret&aacute;rios e dois tesoureiros, a SBPC &eacute; um regime totalmente presidencialista. As principais a&ccedil;&otilde;es da sociedade s&atilde;o determinadas pelo presidente e se n&atilde;o h&aacute; acordo dentro da diretoria, o conflito se instala. Eu poderia escrever um volumoso livro sobre meus 13 anos testemunhando disputas sensacionais e estressantes. Para o s&oacute;cio entretanto, essas desaven&ccedil;as n&atilde;o chegam a atingi-lo seriamente. O que havia de comum entre todos era o real interesse pela comunidade cient&iacute;fica brasileira. Esse &eacute; um fen&ocirc;meno interessante - apesar das profundas diferen&ccedil;as entre seus membros, o resultado final era sempre no sentido de promover a ci&ecirc;ncia e a tecnologia no pa&iacute;s da melhor forma poss&iacute;vel. Os caminhos variavam, mas o objetivo comum, que era o mais importante, era bem definido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; tamb&eacute;m o conselho da SBPC, que se re&uacute;ne anualmente durante as reuni&otilde;es anuais e, adicionalmente, em fevereiro nos anos de elei&ccedil;&atilde;o. O grupo estabelece as grandes diretrizes da entidade, mas fica longe do seu dia a dia. E muitas vezes funciona como uma suprema corte, quando as diverg&ecirc;ncias na diretoria est&atilde;o muito acentuadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um aspecto que deve ser lembrado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; SBPC e que raramente ocorre em outras sociedades cient&iacute;ficas e similares, &eacute; a sua forma de elei&ccedil;&atilde;o. Os s&oacute;cios votam em nomes, n&atilde;o em chapas. O resultado disso, algumas vezes, &eacute; a composi&ccedil;&atilde;o de diretorias formadas com membros de posi&ccedil;&otilde;es antag&ocirc;nicas. Isso &eacute; interessante - quando n&atilde;o paralisante -, pois resulta num excelente exerc&iacute;cio de negocia&ccedil;&atilde;o e acomoda&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as. Apenas para ficar em dois exemplos, numa diretoria fui eleito tesoureiro com prec&iacute;puo papel de garantir a viabilidade da sociedade e n&atilde;o permitir seu endividamento, que j&aacute; era alto. Com muito trabalho, stress e desgaste consegui atingir esses objetivos. O outro exemplo, agora oposto - para mim magn&iacute;fico - &eacute; a diretoria eleita para 2007-09 quando dos nove cargos, cinco eram de uma "chapa" e os outros 4 membros da outra "chapa". Sob a lideran&ccedil;a do Raupp, com a sua forma tranquila de condu&ccedil;&atilde;o, ao final de alguns meses &eacute;ramos todos um s&oacute; grupo com um entendimento acima do normal. Com isso conseguimos avan&ccedil;ar em muitos aspectos, como com a aquisi&ccedil;&atilde;o da sede administrativa na rua da Consola&ccedil;&atilde;o, em S&atilde;o Paulo, que, gra&ccedil;as &agrave; eficiente gest&atilde;o do tesoureiro Jos&eacute; Raimundo Coelho, colocou a SBPC num patamar de total tranquilidade, j&aacute; que a sede &eacute; um problema recorrente em quase toda sociedade cient&iacute;fica no Brasil. E essa diversidade que fazia avan&ccedil;ar as v&aacute;rias atividades da SBPC.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um outro aspecto interessante &eacute; a proximidade da SBPC com os &oacute;rg&atilde;os de governo encarregados de tra&ccedil;ar e executar a pol&iacute;tica de ci&ecirc;ncia e tecnologia nacional. Um dos efeitos disso foram os convites, em diferentes &eacute;pocas, a v&aacute;rios membros da diretoria e do conselho a assumirem importantes cargos federais. &Oacute;bvio que os convites eram feitos em fun&ccedil;&atilde;o das carreiras como pesquisadores e cientistas, mas a SBPC dava e d&aacute; uma visibilidade aos seus membros. O primeiro foi Pavan, que deixou a presid&ecirc;ncia da SBPC para a assumir a dire&ccedil;&atilde;o do CNPq em 1986, seguido por Abilio Baeta Neves (Capes), Jorge Guimar&atilde;es (Capes), Regina Markus (Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, MCT), Sergio Rezende (Financiadora de Estudos e Projetos, Finep, e MCT), Marco Antonio Raupp (Ag&ecirc;ncia Espacial Brasileira, AEB, e MCT), Celso Melo (CNPq), Jos&eacute; Raimundo Coelho (AEB), Renato Janine Ribeiro (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, MEC), Eunice Durhan (MEC), Reinaldo Guimar&atilde;es (Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, MS), Jo&atilde;o Steiner (MCT).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses convites podem e devem ser interpretados como algo natural na atividade pol&iacute;tica da SBPC. Apesar dessa proximidade com o poder central, a sociedade sempre manteve sua independ&ecirc;ncia, com uma posi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s medidas tomadas pelo governo federal na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia e tecnologia. Essa atitude de colocar sempre em cheque as a&ccedil;&otilde;es governamentais foi e &eacute; a grande respons&aacute;vel pela reputa&ccedil;&atilde;o da entidade. Algo bastante similar acontece com a AAAS (American Association for the Advancement of Science) nos EUA - proximidade, mas cr&iacute;tica sempre.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Participar da diretoria da SBPC &eacute; uma experi&ecirc;ncia muito marcante, pois se aprende sobre a diversidade e a riqueza da ci&ecirc;ncia no Brasil e, claro, suas fragilidades e potencialidades. Com diferentes <i>background</i> cient&iacute;ficos, depreende-se a perspectiva de cada ci&ecirc;ncia e sua forma de se relacionar nas diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pelas minhas caracter&iacute;sticas pessoais, sou muito mais para carregar piano e dar solu&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas do que participar de intermin&aacute;veis reuni&otilde;es e gerar documentos longos e de dif&iacute;cil compreens&atilde;o. Reconhe&ccedil;o minha defici&ecirc;ncia nos aspectos te&oacute;ricos - sou realmente de a&ccedil;&atilde;o. Com isso me dediquei bastante &agrave;s reuni&otilde;es anuais, regionais e especiais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AS REUNI&Otilde;ES DA SBPC</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como o in&iacute;cio de minha hist&oacute;ria na SBPC aconteceu numa reuni&atilde;o anual, acabei me interessando em melhor organiz&aacute;-la e dar maior efici&ecirc;ncia e organicidade antes, durante e depois dela ocorrer. O grande desafio de organizar uma reuni&atilde;o &eacute; exatamente o fato de ela ser anual. Quando terminamos o relat&oacute;rio de uma reuni&atilde;o, que ocorre em julho, come&ccedil;amos logo depois a organiza&ccedil;&atilde;o da seguinte. Com isso, n&atilde;o h&aacute; muito tempo para refinamento e testes. Esse &eacute; o desafio que, em geral, a maior parte dos membros de uma diretoria n&atilde;o gosta de aceitar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando assumi como secret&aacute;rio na gest&atilde;o do Aziz em 1993, conversava muito com o secret&aacute;rio-geral Ademar Freire-Maia, geneticista como eu, e nos d&aacute;vamos muito bem para tratar desses assuntos. J&aacute; conhecia parcialmente o funcionamento, pois havia trabalhado na comiss&atilde;o de audiovisual nas reuni&otilde;es de 1984 a 1988, mas n&atilde;o como organizador - o que come&ccedil;ou com o 46º encontro em Vit&oacute;ria, no Esp&iacute;rito Santo, em 1994. A reuni&atilde;o seguinte foi em S&atilde;o Lu&iacute;s, no Maranh&atilde;o, e l&aacute; comecei a assumir a coordena&ccedil;&atilde;o-geral com um desafio enorme, pois eram mais de 12 mil inscritos em fun&ccedil;&atilde;o de um excelente trabalho realizado pela comiss&atilde;o organizadora local. Uma cena inesquec&iacute;vel foi o tumulto gerado por aqueles que queriam se inscrever a qualquer custo. Como n&atilde;o hav&iacute;amos feito um n&uacute;mero grande de cadernos de programa al&eacute;m daquele dos inscritos previamente - e era invi&aacute;vel imprimir cadernos adicionais em t&atilde;o pouco tempo (a impress&atilde;o era feita em S&atilde;o Paulo e o transporte era via caminh&atilde;o), Aziz e Ademar eram de opini&atilde;o que n&atilde;o poder&iacute;amos aceitar a inscri&ccedil;&atilde;o sem fornecer o caderno de programa. E vai convencer a multid&atilde;o... Decidimos ent&atilde;o que reduzir&iacute;amos o valor da inscri&ccedil;&atilde;o e dar&iacute;amos apenas o certificado de participa&ccedil;&atilde;o aos rec&eacute;m inscritos. E todos os dias public&aacute;vamos nos jornais de S&atilde;o Lu&iacute;s as atividades daquele dia, al&eacute;m de distribuir cartazes no campus da Universidade Federal do Maranh&atilde;o (UFMA). Foi um excelente aprendizado. Doloroso, mas efetivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com isso, no remoto ano de 1995 come&ccedil;amos um processo de informatiza&ccedil;&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o da secretaria e das reuni&otilde;es. Para isso tivemos um forte apoio de Sergio Henrique e de Jacob Palis (ent&atilde;o presidente e vice-presidente). Basicamente, conseguimos colocar todos os inscritos numa base de dados que lev&aacute;vamos conosco em dois <i>hard drive</i> - em voos separados -, permitindo uma entrega de material com muito menos espera. O desafio era arranjar microcomputadores e impressoras suficientes, todos ligados em rede, em cada universidade que sediava a reuni&atilde;o anual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro problema enorme era o trauma dos resumos recebidos via correio em um formul&aacute;rio de papel. Imaginem de 2 a 3 mil envelopes que enchiam a sede da SBPC sendo abertos e separados manualmente por sess&otilde;es onde seriam apresentados. E sem nenhuma revis&atilde;o do que estava escrito! Havia um bom n&uacute;mero de trabalhos que se perdiam e que n&atilde;o eram programados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Come&ccedil;amos com a inscri&ccedil;&atilde;o e o resumo enviados num disquete (o que &eacute; isso mesmo?) que imprim&iacute;amos e envi&aacute;vamos ao comit&ecirc; de revis&atilde;o. Esse comit&ecirc; foi criado depois que li um resumo que tratava da temperatura retal da anta! Foi o gatilho para criarmos um mecanismo para evitar tais absurdos. Cont&aacute;vamos com um grupo de abnegados que se dispunham a ir at&eacute; o escrit&oacute;rio na rua Maria Ant&ocirc;nia rever o que tinha sido recebido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lutamos muito e conseguimos eliminar a impress&atilde;o do livro de resumos para entrega durante a reuni&atilde;o anual. Argumento: o n&atilde;o comparecimento dos proponentes que deveriam apresentar seus trabalhos na reuni&atilde;o era ao redor de 12%, mas o resumo aparecia impresso no livro como tendo sido apresentado. Al&eacute;m disso, o livro de resumos era t&atilde;o grosso e pesado que causava muitos transtornos. Assim, a impress&atilde;o passou a ser feita a posteriori, apenas com os trabalhos efetivamente apresentados. E de impresso, o livro de resumos evoluiu mais recentemente para apenas publica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra briga bonita foi a elimina&ccedil;&atilde;o das sess&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o oral. Todos n&oacute;s das &aacute;reas experimentais que frequentavam congressos internacionais sab&iacute;amos que as sess&otilde;es orais quase n&atilde;o existiam para apresenta&ccedil;&atilde;o de trabalhos, tendo sido substitu&iacute;das por p&ocirc;steres, ainda na &eacute;poca sem plotters. Entretanto, as ci&ecirc;ncias sociais e humanas n&atilde;o tinham qualquer tradi&ccedil;&atilde;o de apresenta&ccedil;&atilde;o em p&ocirc;ster. Fui execrado in&uacute;meras vezes pela minha insist&ecirc;ncia em acabar com as sess&otilde;es orais, sendo acusado de querer eliminar essas ci&ecirc;ncias das reuni&otilde;es. O tempo mostrou o acerto da minha insist&ecirc;ncia e hoje vemos p&ocirc;steres de alta qualidade em todas as sess&otilde;es de todas as &aacute;reas. Para incentivar os autores (basicamente alunos de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s) a capricharem no p&ocirc;ster, institu&iacute;mos a comiss&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o, onde dois ou tr&ecirc;s especialistas percorriam a sess&atilde;o perguntando e fazendo sugest&otilde;es aos autores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o advento da internet, eliminamos a inscri&ccedil;&atilde;o via correio, que passou a ser feita on-line no site da SBPC. Enfrentei muita resist&ecirc;ncia sob argumento que n&atilde;o havia internet em todos os lugares do pa&iacute;s - o que era verdade -, mas havia as <i>lan houses</i> e a possibilidade de usar a rede das universidades. Hoje, escrevendo este artigo, fico feliz ao lembrar que sempre induzi o desenvolvimento de novas tecnologias e procedimentos em prol da SBPC. Ali&aacute;s, sempre argumentei que n&atilde;o pod&iacute;amos esquecer do nosso nome as duas &uacute;ltimas letras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Introduzimos tamb&eacute;m outras altera&ccedil;&otilde;es como: apresentador para os conferencistas (antes o/a conferencista ficava l&aacute; na frente sem saber exatamente como proceder); inscri&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via em minicursos para evitar tumulto no in&iacute;cio da reuni&atilde;o (ap&oacute;s o advento da internet ampla); a sess&atilde;o de p&ocirc;steres ser &uacute;nica atividade da reuni&atilde;o naquele hor&aacute;rio, para valorizar a atividade e n&atilde;o dispersar os participantes; setoriza&ccedil;&atilde;o da secretaria por atividades, para permitir especializa&ccedil;&atilde;o e maior efici&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2003, quando secret&aacute;rio-geral na gest&atilde;o de Glaci Zancan (2001-03), introduzi uma temeridade para ent&atilde;o: a elei&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica para todos os cargos da SBPC. De novo, o que hoje soa absolutamente normal, me tomou muita negocia&ccedil;&atilde;o, tempo, conversa, convencimento, idas e vindas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma dor de cabe&ccedil;a constante nas reuni&otilde;es anuais &eacute; a sess&atilde;o inaugural. Quem vai para a mesa, quem vai discursar, qual a sequ&ecirc;ncia dos discursos?  Eram (e imagino que continuam sendo) problemas recorrentes. Aos poucos, as diferentes diretorias estabeleceram um padr&atilde;o que funcionava relativamente bem desde que n&atilde;o houvesse excesso de press&atilde;o da comiss&atilde;o local. Conseguimos reduzir o n&uacute;mero de pessoas na mesa e, mais importante, o/a presidente da SBPC sempre fazer o &uacute;ltimo discurso da sess&atilde;o inaugural. E n&atilde;o atrasar o in&iacute;cio por mais de 20 minutos. Para evitar contratempos e ter maior controle da cerim&ocirc;nia, dispensamos os mestres-de-cerim&ocirc;nias locais e assumimos a fun&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tendo sido o coordenador geral de 11 reuni&otilde;es anuais e de 13 reuni&otilde;es regionais/especiais, aprendi a receber press&otilde;es divergentes dos v&aacute;rios setores e a acomod&aacute;-las; a desenvolver empatia com a comiss&atilde;o organizadora local, nossos parceiros que representam a maior parte dos nossos clientes finais; que &eacute; poss&iacute;vel obter sempre melhor desempenho da equipe local aceitando suas limita&ccedil;&otilde;es e respeitando os diferentes <i>backgrounds</i> culturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, o aspecto de networking  e l&uacute;dico da reuni&atilde;o anual: fiz uma quantidade enorme de amigos por todos os lugares que passei, aprendi muito sobre o Brasil e  sobre as outras ci&ecirc;ncias. Principalmente nos finais de tarde, nas mesas das &aacute;reas de alimenta&ccedil;&atilde;o, com um copo na m&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A EQUIPE DA SBPC</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na realidade, n&atilde;o posso deixar de falar, nesta minha revis&atilde;o, sobre a equipe da SBPC. Eu diria, sem medo de errar, que o papel da sociedade &eacute; t&atilde;o proeminente hoje muito em fun&ccedil;&atilde;o do alto n&iacute;vel de comprometimento do seu <i>staff</i>. Nunca encontrei, em todas as organiza&ccedil;&otilde;es que j&aacute; trabalhei, tal n&iacute;vel de seriedade, comprometimento e efici&ecirc;ncia. Seria dif&iacute;cil aqui dar o cr&eacute;dito a todos que merecem, mas gostaria de destacar alguns, como a Nicinha, que &eacute; a hist&oacute;ria viva da SBPC e com seu jeito calmo e tranquilo sobreviveu a enormes intemp&eacute;ries e passou por 23 diretorias com 11 presidentes! Junta-se a ela a Fernanda, que sempre desconfiava das minhas inova&ccedil;&otilde;es; a Wanda Marta, para quem tudo ia dar errado; a Lea, detalhista e dedicada, &uacute;nica para a fun&ccedil;&atilde;o com os resumos; e mais recentemente Luiz, Thiago e Carlos. N&atilde;o esquecendo as que nos deixaram pelo caminho, Tel&oacute;, Zuleica e Tereza. Enfim, n&atilde;o se faz uma sociedade s&oacute;lida sem um time de suporte forte e coeso.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A MOSCAMED NO VALE DO S&Atilde;O FRANCISCO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s deixar a USP, aceitei mais um desafio interessante: implantar uma biof&aacute;brica de insetos est&eacute;reis no Nordeste do Brasil, usando o formato de OS (organiza&ccedil;&atilde;o social) ligada ao governo do estado da Bahia, contando com forte apoio do MCTI e do MAPA (Minist&eacute;rio de Agricultura e Abastecimento). Assim, em 2005 inauguramos em Juazeiro, Bahia, no vale do rio S&atilde;o Francisco, a primeira biof&aacute;brica no pa&iacute;s para a produ&ccedil;&atilde;o e libera&ccedil;&atilde;o de insetos est&eacute;reis de pragas da agricultura. Passado algum tempo e com forte apoio do ent&atilde;o ministro de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o Sergio Rezende, come&ccedil;amos tamb&eacute;m a produ&ccedil;&atilde;o de mosquitos vetores de doen&ccedil;as humanas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enfrentamos enormes dificuldades para colocar e manter a opera&ccedil;&atilde;o de uma OS sem or&ccedil;amento fixo de qualquer entidade governamental. A busca de sustentabilidade era, e continua sendo, um grande desafio, mas que traz no seu bojo uma experi&ecirc;ncia &uacute;nica dentro do semi-&aacute;rido brasileiro. Aprendi muito, negociando com os governos federal, estaduais e municipais, produtores, universidades, organiza&ccedil;&otilde;es internacionais etc., mostrando o papel importante que a Moscamed Brasil realiza para o pa&iacute;s como centro irradiador de tecnologia de ponta e de treinamento para t&eacute;cnicos de dentro e de fora do pa&iacute;s. Sem ser governo e sem ser empresa privada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A AG&Ecirc;NCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA AT&Ocirc;MICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio de 2014, o diretor-geral da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (IAEA), Y. Amano, me convidou para ser diretor geral adjunto no departamento que cuida das aplica&ccedil;&otilde;es nucleares de uso pac&iacute;fico - entre elas alimento, agricultura, preven&ccedil;&atilde;o e tratamento de c&acirc;ncer, ambiente, &aacute;guas continentais e tecnologia nuclear na ind&uacute;stria. O trabalho que estava sendo desenvolvido na Moscamed, a minha inser&ccedil;&atilde;o na comunidade internacional nas &aacute;reas de controle gen&eacute;tico de pragas e fitossanidade e a minha atua&ccedil;&atilde;o dentro da SBPC me credenciavam para o posto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sair do querido vale do S&atilde;o Francisco e ir morar em Viena por tr&ecirc;s anos n&atilde;o estava nos meus planos, mas como sempre aceitei o desafio e vim para a Ag&ecirc;ncia basicamente para tocar o projeto de 50 milh&otilde;es de euros para a renova&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o dos novos laborat&oacute;rios, al&eacute;m de tocar as quest&otilde;es de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) do departamento que conta com uma equipe de cerca de 400 pessoas altamente qualificadas de 38 nacionalidades. Foi e tem sido um desafio enorme, que est&aacute; perto de sua conclus&atilde;o. Ao inv&eacute;s dos tr&ecirc;s anos, ficarei quase cinco para terminar esse projeto. A experi&ecirc;ncia de interagir com mais de 100 pa&iacute;ses nessa fun&ccedil;&atilde;o &eacute; fant&aacute;stica e aprende-se muito a navegar em mares revoltos. Quando converso com os ministros de todas as &aacute;reas, estando na sede em Viena ou nos pa&iacute;ses que visito, percebo como conseguimos atender tantas demandas. Apesar dos mares revoltos &eacute; incr&iacute;vel entregar novos laborat&oacute;rios e ver implementados projetos que fazem a diferen&ccedil;a em muitos pa&iacute;ses da &Aacute;frica, &Aacute;sia e Am&eacute;rica Latina. &Eacute; algo bastante recompensador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para terminar, como diria meu mestre Pavan, sou um homem de muita sorte por ter feito tudo que fiz, me divertindo e conhecendo as coisas e as pessoas com quem interagi. Por essas e outras &eacute; que a SBPC, aos seus 70 anos, &eacute; uma jovem senhora, segura de si, contundente e agrad&aacute;vel. Como tem que ser!</font></p>      ]]></body>
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