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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> SBPC 70 ANOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Princ&iacute;pios para um novo modelo de avalia&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Alexandre Netto</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor titular do Departamento de Bioqu&iacute;mica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), conselheiro da SBPC e membro titular da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias. Foi reitor da UFRGS entre 2008 e 2016</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o &eacute; o n&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o superior que mais tem avan&ccedil;ado no pa&iacute;s. Em pouco mais de 60 anos de trajet&oacute;ria, a atividade dos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o vem contribuindo para o desenvolvimento  cient&iacute;fico, econ&ocirc;mico e social atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o de profissionais qualificados, com impacto decisivo na produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, no desenvolvimento de tecnologias e inova&ccedil;&atilde;o social e no recente engajamento com a qualifica&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Constituindo um sistema de dimens&otilde;es continentais, hoje mais de quatro mil programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o est&atilde;o em atividade no pa&iacute;s, sendo a grande maioria abrigada em universidades p&uacute;blicas e comunit&aacute;rias. A atividade de pesquisa associada aos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o representa quase a totalidade da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A recente expans&atilde;o das universidades federais, fomentada pelo Reuni (Programa de Reestrutura&ccedil;&atilde;o e Expans&atilde;o das Universidades Federais), gerou importante fen&ocirc;meno de amplia&ccedil;&atilde;o com interioriza&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o brasileira, um desafio h&aacute; muito reconhecido pela comunidade acad&ecirc;mica. A contrata&ccedil;&atilde;o de doutores motivou a cria&ccedil;&atilde;o de novos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e a qualifica&ccedil;&atilde;o de outros existentes, aspecto que refor&ccedil;a a import&acirc;ncia das universidades como elementos fundamentais na equa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas com foco no desenvolvimento da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o v&aacute;rios os fatores que contribuem para o sucesso da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o brasileira. Um deles &eacute; o portal de peri&oacute;dicos Capes (Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior), uma das maiores cole&ccedil;&otilde;es virtuais de peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos e de obras de refer&ecirc;ncia do mundo que possibilita o acesso livre e imediato &agrave; informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica para todos os programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o acreditados em atividade. A recente e crescente utiliza&ccedil;&atilde;o de plataformas de acesso aberto para publica&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos (<i>open access</i>) tamb&eacute;m tem exercido efeitos positivos sobre a divulga&ccedil;&atilde;o e o acesso &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. A qualifica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via ao ingresso nos programas &eacute; outra caracter&iacute;stica virtuosa do sistema. A dissemina&ccedil;&atilde;o dos programas de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, a partir da iniciativa pioneira do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico), oferece a oportunidade de inicia&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia durante a gradua&ccedil;&atilde;o e, em muitos casos, funciona como uma pr&eacute;-qualifica&ccedil;&atilde;o ao ingresso na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Ainda, toda a comunidade reconhece que a sistem&aacute;tica de avalia&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o pela Capes foi um dos principais fatores que levaram ao crescimento da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira. O forte envolvimento da comunidade acad&ecirc;mica da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o com a avalia&ccedil;&atilde;o, aproximadamente 1700 pessoas na &uacute;ltima quadrienal, por exemplo, indica a capilaridade do processo, bem como sua capacidade de expressar a percep&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de desenvolvimento da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PORQUE REVISAR A AVALIA&Ccedil;&Atilde;O DA P&Oacute;S-GRADUA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A avalia&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo singular, que coloca a educa&ccedil;&atilde;o terci&aacute;ria brasileira num patamar diferenciado frente aos pa&iacute;ses do continente e mesmo dos pa&iacute;ses desenvolvidos do Hemisf&eacute;rio Norte.  A avalia&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica dos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o pela Capes &eacute; realizada h&aacute; mais de 40 anos, com o intuito de acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o e garantir a qualidade, e a consequente acredita&ccedil;&atilde;o. Com o crescimento do sistema, a avalia&ccedil;&atilde;o foi assumindo complexidade e sofistica&ccedil;&atilde;o; sua log&iacute;stica atual envolve centenas (ou milhares) de docentes das diversas &aacute;reas do conhecimento, apoiados na poderosa Plataforma Sucupira. A virtualiza&ccedil;&atilde;o deu origem ao Qualis, sistema criado para normatizar o impacto da produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, para fins da avalia&ccedil;&atilde;o. A sistematiza&ccedil;&atilde;o do Qualis e a estrutura da plataforma (anteriormente chamada de Coleta Capes), de certa maneira conformaram as pol&iacute;ticas internas da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e contribuiram para que o Brasil atingisse posi&ccedil;&atilde;o de destaque na produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mundial, hoje figurando entre os 15 principais pa&iacute;ses em termos de n&uacute;mero de artigos publicados e indexados na Web of Science.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, a sensa&ccedil;&atilde;o de uma parte importante da comunidade &eacute; que o modelo atual de avalia&ccedil;&atilde;o parece ter se exaurido. Em todos os &acirc;mbitos, seja nos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, nas comiss&otilde;es de &aacute;rea da Capes e nas sociedades cient&iacute;ficas, discute-se a necessidade de rever o processo. Algumas das principais cr&iacute;ticas s&atilde;o: a) vis&atilde;o demasiadamente quantitativa devido &agrave; import&acirc;ncia assumida pelo Qualis; b) hegemonia de indicadores provindos das &aacute;reas de ci&ecirc;ncias "duras", que ao parametrizar os produtos da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (o que facilita e agiliza a avalia&ccedil;&atilde;o) n&atilde;o contempla adequadamente os distintos perfis disciplinares; c) grande heterogeneidade de crit&eacute;rios utilizados por comiss&otilde;es de uma mesma grande &aacute;rea, sobretudo a atribui&ccedil;&atilde;o de categorias no Qualis; d) falta de mecanismos de avalia&ccedil;&atilde;o e de apoio &agrave; interdisciplinaridade; e) dificuldade em avaliar a relev&acirc;ncia social dos programas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A necessidade de revis&atilde;o da avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos pontos previstos no Plano Nacional de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (PNPG) vigente. A pr&oacute;pria comiss&atilde;o de acompanhamento de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, nomeada pela Capes, vem refletindo e discutindo o tema, e tem ouvido a comunidade organizada nas associa&ccedil;&otilde;es e entidades cient&iacute;ficas. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) foi instada a contribuir, e para tal ouviu sociedades cient&iacute;ficas e outros membros da comunidade. Uma comiss&atilde;o formada por conselheiros da SBPC sistematizou as sugest&otilde;es e redigiu um documento propositivo, j&aacute; encaminhado &agrave; comiss&atilde;o de acompanhamento, e que constitui a base deste artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante que se tenham claros alguns pontos quando a avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; discutida. &Eacute; necess&aacute;rio entender e explicitar, porque avaliar? Avaliar para que e por quem? Avaliar somente para estabelecer "ranking"? Ser&aacute; que um &uacute;nico modelo de avalia&ccedil;&atilde;o atende a todas as &aacute;reas?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A SBPC decidiu por sugerir princ&iacute;pios norteadores de uma nova avalia&ccedil;&atilde;o, uma nova pr&aacute;tica avaliativa que reflita as demandas da comunidade acad&ecirc;mica e que exer&ccedil;a o papel de induzir boas pr&aacute;ticas para o fazer cient&iacute;fico e para a forma&ccedil;&atilde;o de pessoas qualificadas para a ci&ecirc;ncia. S&atilde;o sete os princ&iacute;pios:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. CONTEMPLAR A DIVERSIDADE DAS &Aacute;REAS DISCIPLINARES E OS ASPECTOS REGIONAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Reconhecendo a heterogeneidade do sistema da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, entendemos que &eacute; mister avaliar de forma distinta os diferentes. Assim, h&aacute; peculiaridades dos cursos das &aacute;reas de humanas e sociais que n&atilde;o s&atilde;o valorizados no atual modelo (muito apropriado para as ci&ecirc;ncias chamadas "duras"). Cursos novos e aqueles em processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o s&atilde;o penalizados ao serem avaliados pela mesma "r&eacute;gua" de cursos consolidados, especialmente aqueles da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica; de fato eles demandam pol&iacute;ticas de apoio, orienta&ccedil;&atilde;o e acompanhamento. Da mesma forma, os mestrados profissionais, ora em expans&atilde;o, merecem um olhar mais profundo. H&aacute; que definir, com a clareza poss&iacute;vel, os crit&eacute;rios de "excel&ecirc;ncia", com a participa&ccedil;&atilde;o da coletividade e considerando que as diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s t&ecirc;m distintos perfis socioecon&ocirc;micos, potencialidades e necessidades em termos de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento e de qualifica&ccedil;&atilde;o de pesquisadores. Tamb&eacute;m sugerimos a participa&ccedil;&atilde;o de consultores com experi&ecirc;ncia internacional de avalia&ccedil;&atilde;o para acompanhar cursos com conceitos 5, 6 e 7. O est&iacute;mulo &agrave; solidariedade entre os cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e a pr&aacute;tica da autoavalia&ccedil;&atilde;o devem ser estimulados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. UTILIZAR CRIT&Eacute;RIOS QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS NA AVALIA&Ccedil;&Atilde;O DA PRODU&Ccedil;&Atilde;O INTELECTUAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de instrumental, o uso do Qualis tem produzido distor&ccedil;&otilde;es que prejudicam a avalia&ccedil;&atilde;o. Homogeneizar o Qualis dentro de grandes &aacute;reas permitir&aacute; avan&ccedil;ar na interdisciplinaridade e diluir feudos disciplinares. Por outro lado, h&aacute; que respeitar os crit&eacute;rios das &aacute;reas disciplinares para construir a necess&aacute;ria inter/transdisciplinaridade. A autoria principal dos orientadores permanentes e os artigos cient&iacute;ficos de alto impacto podem ser mais valorizados, tamb&eacute;m pelo aspecto das parcerias e da internacionaliza&ccedil;&atilde;o. A avalia&ccedil;&atilde;o de impacto pode ser repensada para permitir novos indicadores e bases mais compat&iacute;veis com as humanidades e as artes. Da mesma forma, h&aacute; que "Quali"ficar livros, eventos cient&iacute;ficos e outras produ&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas, de forma &aacute;gil e transparente. Muitas &aacute;reas defendem que crit&eacute;rios qualitativos devem ser empregados, pois a forma&ccedil;&atilde;o de p&oacute;s-graduandos vai al&eacute;m da contabiliza&ccedil;&atilde;o dos artigos publicados. Os cursos poderiam elencar os itens (disserta&ccedil;&otilde;es, teses, artigos e outros) a serem lidos e apreciados, para uma melhor avalia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3. DEFINIR CRIT&Eacute;RIOS CLAROS PARA ESTIMULAR E AVALIAR INTERDISCIPLINARIDADE E INOVA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cada vez mais a ci&ecirc;ncia dilui as fronteiras disciplinares, pois os problemas abordados por ela s&atilde;o, no mais das vezes, complexos e sua solu&ccedil;&atilde;o requer m&uacute;ltiplos olhares. Mas para melhor avaliar a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, e assim passar do discurso (est&iacute;mulo a) &agrave; pr&aacute;tica (reconhecimento e recompensa pelo esfor&ccedil;o interdisciplinar), o Qualis deve ser revisto (conforme acima comentado). Tamb&eacute;m, a &aacute;rea "multidisciplinar" deveria passar por extensa reformata&ccedil;&atilde;o.  Crit&eacute;rios qualitativos tamb&eacute;m devem ser definidos. Da mesma forma a inova&ccedil;&atilde;o, pr&aacute;tica crescente em programas nas &aacute;reas de engenharias e sa&uacute;de, de humanas e sociais e das artes, carece de adequada conceitua&ccedil;&atilde;o (inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e inova&ccedil;&atilde;o social, pelo menos) e de crit&eacute;rios claros. Dito de outra forma, h&aacute; necessidade de estabelecer pol&iacute;ticas claras de apoio; da&iacute; podem ser derivados crit&eacute;rios e formas de avalia&ccedil;&atilde;o. As atividades de inova&ccedil;&atilde;o enriquecem o percurso formativo dos estudantes e definem a voca&ccedil;&atilde;o de cursos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4. DEFINIR CRIT&Eacute;RIOS CLAROS PARA ESTIMULAR E INTERNACIONALIZA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A boa pr&aacute;tica cient&iacute;fica desconhece barreiras geopol&iacute;ticas, pois &eacute; a afinidade tem&aacute;tica que define a aproxima&ccedil;&atilde;o de pesquisadores. H&aacute; muitos exemplos disso nos relat&oacute;rios dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, mas os crit&eacute;rios para valora&ccedil;&atilde;o da internacionaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ainda pobres e mant&ecirc;m a l&iacute;ngua inglesa como par&acirc;metro principal. Ora, &eacute; importante considerar que as &aacute;reas possuem caracter&iacute;sticas e afinidades lingu&iacute;sticas, tem&aacute;ticas e geopol&iacute;ticas, bem como h&aacute; que estimular o desenvolvimento de novas rela&ccedil;&otilde;es institucionais Sul-Norte e Sul-Sul. E talvez, mais do que avaliar, seja importante definir mecanismos claros de est&iacute;mulo e fomento &agrave; internacionaliza&ccedil;&atilde;o da pesquisa realizada nos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Para al&eacute;m das bolsas de mobilidade de discentes e docentes, h&aacute; que definir projetos cient&iacute;ficos em coopera&ccedil;&atilde;o internacional. Novamente, isto passa pela a&ccedil;&atilde;o das ag&ecirc;ncias de fomento baseadas em pol&iacute;ticas claras definidas pela Capes, com ades&atilde;o institucional (e n&atilde;o apenas de cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o individualmente). S&atilde;o pouco mais de vinte universidades que posuem mais de cinco programas com conceitos de excel&ecirc;ncia, com notas 6 ou 7, aqueles naturalmente vocacionados para a internacionaliza&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, institui&ccedil;&otilde;es com pequeno n&uacute;mero de cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o poderiam ser apoiadas de forma distinta. &Eacute; importante refor&ccedil;ar que a internacionaliza&ccedil;&atilde;o, sem d&uacute;vida necess&aacute;ria para que a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica ganhe em qualidade e impacto, necessita de fomento adequado e crescente, bem como de planejamento de m&eacute;dio e de longo prazos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>5. RELEV&Acirc;NCIA SOCIAL E REGIONALIZA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nosso pa&iacute;s continental possui cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o que expressam, em sua pr&aacute;tica, suas enormes diferen&ccedil;as regionais. Tanto em termos de fomento e condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, quanto em import&acirc;ncia local e relev&acirc;ncia. Isto &eacute;, um curso com nota 4 ou 5 nas regi&otilde;es Norte ou Nordeste pode ter maior impacto na comunidade local que um curso nota 7 nas regi&otilde;es Sudeste ou Sul. H&aacute; tamb&eacute;m importantes diferen&ccedil;as intrarregionais. O desafio &eacute; estabelecer crit&eacute;rios para avaliar, de maneira clara e transparente, a relev&acirc;ncia social e as possibilidades criadas para apropria&ccedil;&atilde;o social do conhecimento. Nesse sentido, diversificar talvez seja mais l&oacute;gico do que homogeneizar. Um crit&eacute;rio fundamental para avaliar as repercuss&otilde;es sociais dos cursos seria sua participa&ccedil;&atilde;o/ader&ecirc;ncia cont&iacute;nua (e n&atilde;o apenas em a&ccedil;&otilde;es pontuais) em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Tamb&eacute;m &eacute; importante bem avaliar e estimular a articula&ccedil;&atilde;o dos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o com a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e sua contribui&ccedil;&atilde;o para a melhoria da educa&ccedil;&atilde;o em todos os n&iacute;veis, especialmente na forma&ccedil;&atilde;o ativa e continuada de professores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>6. DIFUS&Atilde;O E COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O P&Uacute;BLICA DA CI&Ecirc;NCIA, TECNOLOGIA E INOVA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conhecimento produzido na universidade e a qualifica&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores formados na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o atinge real import&acirc;ncia quando s&atilde;o socializados atrav&eacute;s dos diversos meios de divulga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o especializada. A apropria&ccedil;&atilde;o social do conhecimento e da tecnologia (C,T&amp;I) e o debate p&uacute;blico sobre ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o constituem um dos importantes desafios da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos anos, e os alunos devem participar de oficinas e de projetos de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. A difus&atilde;o da ci&ecirc;ncia precisa ser encarada como um compromisso da comunidade acad&ecirc;mica, especialmente dos estudantes de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, aqueles que ser&atilde;o os acad&ecirc;micos e pesquisadores de amanh&atilde;. H&aacute; que definir formas de avalia&ccedil;&atilde;o apropriadas, como a edi&ccedil;&atilde;o/contribui&ccedil;&otilde;es sobre C,T&amp;I em diversos meios, por exemplo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>7. VALORIZA&Ccedil;&Atilde;O DA DIMENS&Atilde;O FORMATIVA DA P&Oacute;S-GRADUA&Ccedil;&Atilde;O  E DOS EGRESSOS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante que a avalia&ccedil;&atilde;o valorize, al&eacute;m da produ&ccedil;&atilde;o intelectual do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, a qualidade da forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais, mestres e doutores. Sugere-se que o crit&eacute;rio "tempo de titula&ccedil;&atilde;o" seja repensado, pois desconhece especificidades e n&atilde;o contempla a trajet&oacute;ria percorrida. Outra forma de avaliar o impacto positivo dos programas &eacute; acompanhar a absor&ccedil;&atilde;o dos egressos pelo mundo do trabalho, tanto acad&ecirc;mico como n&atilde;o acad&ecirc;mico. Uma vez que menos de 2% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira conquista o n&iacute;vel da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, este contingente engloba lideran&ccedil;as intelectuais e acad&ecirc;micas e gestores p&uacute;blicos qualificados. No atual cen&aacute;rio de crise, o acompanhamento dos mais de 55 mil mestres e doutores anualmente titulados pode, de alguma forma, contribuir para evitar o desperd&iacute;cio de voca&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e acad&ecirc;micas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUINDO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A an&aacute;lise desse conjunto de princ&iacute;pios revela pelos menos dois aspectos interessantes. O primeiro &eacute; que n&atilde;o h&aacute; propostas disruptivas, ou seja, em termos gerais os pilares da avalia&ccedil;&atilde;o seguem bem aceitos; o que sinaliza a percep&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da avalia&ccedil;&atilde;o e dos benef&iacute;cios que a pr&aacute;tica vem trazendo &agrave;s atividades formativas e de pesquisa. O segundo &eacute; que as institui&ccedil;&otilde;es que abrigam a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, especialmente as universidades, devem assumir maior protagonismo na defini&ccedil;&atilde;o dos rumos de seus programas. Muitos dos pontos comentados podem ser elaborados e incorporados &agrave;s pr&aacute;ticas acad&ecirc;micas atrav&eacute;s de seus planos de desenvolvimento institucional, independentemente da avalia&ccedil;&atilde;o pela Capes, e representariam claros avan&ccedil;os institucionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A revis&atilde;o de um modelo t&atilde;o complexo quanto eficaz de avalia&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o brasileira deve se constituir num processo com ativa participa&ccedil;&atilde;o da coletividade acad&ecirc;mica, organizada em suas mais diversas inst&acirc;ncias. Os princ&iacute;pios acima indicam que a almejada reformula&ccedil;&atilde;o reflete a necessidade de defini&ccedil;&atilde;o clara de pol&iacute;ticas de desenvolvimento e de apoio &agrave; p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, bem como da governan&ccedil;a da avalia&ccedil;&atilde;o pela Capes. Fomento crescente e continuado &eacute; fator essencial para que a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o continue avan&ccedil;ando; na aus&ecirc;ncia de tal apoio toda e qualquer mudan&ccedil;a que venha a ser implementada n&atilde;o atingir&aacute; o objetivo de qualificar a atividade. Prioridade m&aacute;xima &eacute; a revoga&ccedil;&atilde;o da Emenda Constitucional 95, respons&aacute;vel pelo tr&aacute;gico congelamento de gastos pelo governo federal que j&aacute; afeta a todos os projetos, laborat&oacute;rios e programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, bem como as universidades e os centros de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Revisar a avalia&ccedil;&atilde;o significa renovar uma estrutura complexa e qualificada que em muito contribuiu para o enorme avan&ccedil;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o brasileira. Trata-se da necess&aacute;ria metamorfose que o presente e o futuro da pr&aacute;tica cient&iacute;fica que o pa&iacute;s demanda est&atilde;o a reclamar. De outra forma, &eacute; poss&iacute;vel que essa necessidade de mudan&ccedil;a da avalia&ccedil;&atilde;o seja a primeira express&atilde;o de que, talvez, tenha chegado o momento de repensar a pr&oacute;pria p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o brasileira, seus objetivos, princ&iacute;pios e forma de organiza&ccedil;&atilde;o. Ser&atilde;o avan&ccedil;os incrementais ou mudan&ccedil;a de modelo? Esta &eacute; a pr&oacute;xima reflex&atilde;o a merecer aten&ccedil;&atilde;o e energia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Observa&ccedil;&atilde;o: este texto &eacute; uma vers&atilde;o adaptada do documento propositivo elaborado pela comiss&atilde;o da SBPC para a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, composta por Ana Maria Bonetti, Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos, Carlos Alexandre Netto, Fernanda Antonia da Fonseca Sobral, Helena Bonciani Nader, Maira Baumgarten Correa e Zelinda Maria Braga Hirano.</i></font></p>      ]]></body>
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