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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> SBPC 70 ANOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Decifrar o enigma da pol&iacute;tica de drogas requer mais ci&ecirc;ncia do que nunca</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sidarta Ribeiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor titular e diretor do Instituto do C&eacute;rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Agora, mais do que nunca, o debate cient&iacute;fico sobre a pol&iacute;tica de drogas se faz urgente. Ap&oacute;s quase um s&eacute;culo da devastadora guerra contra drogas como a maconha e da igualmente devastadora exalta&ccedil;&atilde;o de drogas como o &aacute;lcool, emerge em grande parte do planeta a convic&ccedil;&atilde;o de que esse modelo fracassou &#91;1, 2&#93;. A proibi&ccedil;&atilde;o de algumas drogas sem qualquer base cient&iacute;fica &#91;3&#93; e a consequente transforma&ccedil;&atilde;o de seu uso em caso de pol&iacute;cia representa um ros&aacute;rio de dolorosas trag&eacute;dias sociais. Historicamente, a proibi&ccedil;&atilde;o falhou em reduzir o consumo de subst&acirc;ncias il&iacute;citas em todo o mundo, como por exemplo no Brasil &#91;4&#93; e nos Estados Unidos &#91;5&#93;. Tamb&eacute;m n&atilde;o conseguiu reduzir os custos do uso problem&aacute;tico de drogas &#91;6&#93; e tampouco logrou proteger os usu&aacute;rios dos riscos da sobredose e da contamina&ccedil;&atilde;o, uma vez que o controle de qualidade &eacute; invi&aacute;vel no mercado negro &#91;7&#93;. A proibi&ccedil;&atilde;o inibe o debate sobre grupos de risco, dificultando que pessoas vulner&aacute;veis tomem as devidas precau&ccedil;&otilde;es &#91;8&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De forma muito perversa, a proibi&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m infiltra e apodrece o tecido social, corrompendo os aparatos policial e jur&iacute;dico do Estado, bem como as diversas inst&acirc;ncias de poder pol&iacute;tico em n&iacute;vel municipal, estadual e federal &#91;9&#93;. E &eacute; assim que a proibi&ccedil;&atilde;o mata, tortura e encarcera a granel &#91;10&#93;, atingindo desproporcionalmente jovens negros de baixa renda &#91;11&#93;, mas invariavelmente poupando os poderosos desconhecidos por tr&aacute;s de sua engrenagem. A Secretaria Especial de Assuntos Estrat&eacute;gicos estima que o homic&iacute;dio de um jovem brasileiro causa a perda de R$ 550 mil em capacidade produtiva do pa&iacute;s. Com base no total de homic&iacute;dios no per&iacute;odo de 1996 a 2015, a perda acumulada passa de R$ 450 bilh&otilde;es &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ningu&eacute;m sabe dizer qual &eacute; a extens&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro pelo narcotr&aacute;fico, esse Leviat&atilde; cada vez mais poderoso, alimentado pela pujan&ccedil;a de um mercado que j&aacute; deveria h&aacute; muito ter sido trazido para a luz da economia formal. O que sabemos &eacute; que as consequ&ecirc;ncias da pol&iacute;tica proibicionista n&atilde;o se restringem aos que usam, vendem ou reprimem o consumo de drogas. As balas perdidas matam qualquer um, inclusive crian&ccedil;as. A interven&ccedil;&atilde;o militar no Rio de Janeiro, que prejudica certas fac&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o outras &#91;13&#93;, pode ser apenas o in&iacute;cio de um longo e perigoso inverno social. Da mesma forma, causa preocupa&ccedil;&atilde;o a guinada conservadora do governo, com resolu&ccedil;&atilde;o aprovada, em 2018, no Conselho Nacional de Pol&iacute;tica sobre Drogas (Conad), que favorece a interna&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica e o tratamento em comunidades terap&ecirc;uticas de cunho religioso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, existe esperan&ccedil;a. Em pa&iacute;ses onde houve a legaliza&ccedil;&atilde;o ou discriminaliza&ccedil;&atilde;o de drogas n&atilde;o houve aumento do consumo, mas observou-se redu&ccedil;&atilde;o de crimes violentos e mortes associadas a drogas &#91;14-16&#93;. Outro modelo de regula&ccedil;&atilde;o se faz necess&aacute;rio no Brasil, com base em s&oacute;lidas evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas e na isonomia normativa entre subst&acirc;ncias de potencial terap&ecirc;utico ou t&oacute;xico semelhante &#91;17&#93;. Assim como no caso do aborto, come&ccedil;a a emergir a compreens&atilde;o de que n&atilde;o se trata simplesmente de ser a favor ou contra o consumo de drogas, mas de garantir a redu&ccedil;&atilde;o de danos para todos os cidad&atilde;os, sem distin&ccedil;&atilde;o de classe, sexo e ra&ccedil;a &#91;18&#93;. N&atilde;o se trata portanto de um debate restrito a este ou aquele tipo de especialista. A pol&iacute;tica de drogas &eacute; assunto tanto da psiquiatria quanto da sa&uacute;de p&uacute;blica, da psicologia e da toxicologia, da neuroci&ecirc;ncia e da gen&eacute;tica, da sociologia e da economia, do direito e da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, da hist&oacute;ria e da assist&ecirc;ncia social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em maio de 2018, por delibera&ccedil;&atilde;o do Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), foi criado um Grupo de Trabalho sobre Pol&iacute;tica de Drogas com o objetivo de amadurecer esse debate de forma multidisciplinar. Tamb&eacute;m com esse intuito ser&aacute; realizada na 70ª Reuni&atilde;o Anual da SBPC, no dia 27 de julho de 2018, das 15h30 &agrave;s 18h00, a mesa-redonda intitulada "Ap&oacute;s o fim da guerra &agrave;s drogas: desafios da regulamenta&ccedil;&atilde;o", com Francisco In&aacute;cio Bastos, da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz), Virg&iacute;nia Martins Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Lu&iacute;s Fernando T&oacute;foli, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atrav&eacute;s de seu corpo cient&iacute;fico altamente qualificado, a SBPC se mobiliza para formular alternativas ao status quo. Que, assim como a Esfinge, amea&ccedil;a nos devorar se n&atilde;o decifrarmos seu enigma.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Godlee, F.; Hurley, R. "The war on drugs has failed: doctors should lead calls for drug policy reform". <i>BMJ</i> 355, i6067, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. GCDP. <i>The War on Drugs: Report of the Global Commission on Drug Policy</i>. Global Commission on Drug Policy, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Gable, R. S. <i>Drugs and Society: U.S. Public Policy</i>, J. M. Fish, Ed. Rowman &amp; Littlefield Publishers, Lanham, MD, pp. 149-162, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Cebrid. <i>II Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotr&oacute;picas no Brasil: estudo envolvendo as 108 maiores cidades do pa&iacute;s</i>. 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"Drogas e neuroci&ecirc;ncias". <i>Boletim do Instituto Brasileiro de Ci&ecirc;ncias Criminais</i>, Ed. Especial Drogas, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Alves, M. H. M.; Philip, E. <i>Vivendo no fogo cruzado: moradores de favelas, traficantes de droga e viol&ecirc;ncia policial no Rio de Janeiro</i>. Editora da Unesp, S&atilde;o Paulo, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. MJSP. <i>Levantamento Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es Penitenci&aacute;rias</i>. Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a e Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Lima, R. S., <i>et al. 11º Anu&aacute;rio Brasileiro de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica</i>. 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EMCDDA. <i>European Drug Report 2017: Trends and Developments</i>, Lisboa, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Rosmarin, A.; Eastwood, N. <i>A quiet revolution: drug decriminalization policies in practice across the globe</i>. Release - Drugs, the Law and Human Rights, London, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Nutt, D. J.; King, L. A.; Phillips, L. D. "Independent Scientific Committee on Drug Harms in the UK: a multicriteria decision analysis". <i>Lancet</i> 376, 1558-1565, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Csete J. et al. "Public health and international drug policy". <i>Lancet</i> 387, 1427-1480, 2016.    </font></p>      ]]></body><back>
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