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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> MUSEOLOGIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Museu Nacional celebra 200 anos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Allison Almeida</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando Dom Jo&atilde;o VI assinou o decreto para a constru&ccedil;&atilde;o do Museu Real, em 6 de junho de 1818, o evento foi saudado como uma iniciativa para a elabora&ccedil;&atilde;o de uma cultura cient&iacute;fica em prol dos interesses coloniais: "Propagar os conhecimentos e estudos das ci&ecirc;ncias naturais no Reino do Brasil, que encerra em si milhares de objetos dignos de observa&ccedil;&atilde;o e exame e que podem ser empregados em benef&iacute;cio do com&eacute;rcio, da ind&uacute;stria e das artes", escreveu Dom Jo&atilde;o VI, sobre os motivos que o fizeram construir o Museu Real. Considerado o marco zero do processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia brasileira, ap&oacute;s a proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, em 1889, passou a se chamar Museu Nacional. "Na &eacute;poca da inaugura&ccedil;&atilde;o, o museu representava muito pouco para a sociedade brasileira. Era um dep&oacute;sito cheio de promessas. Ele s&oacute; come&ccedil;ou a ser influente e interessante algum tempo depois, a partir das primeiras exposi&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas em 1821", explica Luiz Fernando Dias Duarte, diretor adjunto do Museu Nacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Claudia Rodrigues Carvalho, do Departamento de Antropologia do Museu, ele teve um papel fundamental como precursor de pesquisas no Brasil, incentivando a cria&ccedil;&atilde;o de outras institui&ccedil;&otilde;es nas mais diferentes &aacute;reas das ci&ecirc;ncias naturais e humanas. "O bicenten&aacute;rio do Museu Nacional representa muito mais do que o anivers&aacute;rio de uma institui&ccedil;&atilde;o. Significa o in&iacute;cio de uma pol&iacute;tica de estado voltada para a pesquisa, alicer&ccedil;ada em suas cole&ccedil;&otilde;es. Antes do museu j&aacute; se fazia ci&ecirc;ncia no pa&iacute;s, mas sua cria&ccedil;&atilde;o reflete uma pol&iacute;tica de estado que se volta para a valoriza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia enquanto produtora de conhecimento e estrat&eacute;gica para o crescimento do pa&iacute;s", afirmou.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n3/a17fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ACERVO &Uacute;NICO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O exuberante pal&aacute;cio de estilo neocl&aacute;ssico, sede do Museu Nacional, abriga um acervo com mais de vinte milh&otilde;es de itens. Pe&ccedil;as de diferentes &aacute;reas como antropologia, biologia, bot&acirc;nica, arqueologia, zoologia, etnologia, geologia e paleontologia impressionam as mais de 180 mil pessoas que visitam o museu todos os anos. Uma extensa cole&ccedil;&atilde;o que j&aacute; encantou cientistas como Albert Einstein, Marie Curie e Santos Dumont. "O que mais me impressionou foi a variedade", disse o administrador Nilson Cavalcante, pernambucano e residente no estado do Rio de Janeiro h&aacute; mais de duas d&eacute;cadas. "Meteoritos, f&oacute;sseis, arte eg&iacute;pcia, artefatos ind&iacute;genas, documentos da &eacute;poca do imp&eacute;rio... tudo aqui &eacute; muito interessante".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Museu Nacional tamb&eacute;m ostenta o t&iacute;tulo de maior cole&ccedil;&atilde;o de artigos da hist&oacute;ria eg&iacute;pcia da Am&eacute;rica do Sul. Est&aacute;tuas, esquifes, hier&oacute;glifos e m&uacute;mias vieram das cole&ccedil;&otilde;es de Dom Pedro I e Dom Pedro II, admiradores da antiga cultura eg&iacute;pcia. A imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II, foi outro membro da fam&iacute;lia real que contribuiu assiduamente com o acervo do museu. Simpatizante da ci&ecirc;ncia, ela patrocinou uma s&eacute;rie de escava&ccedil;&otilde;es arqueol&oacute;gicas na It&aacute;lia. Parte das pe&ccedil;as coletadas nessas expedi&ccedil;&otilde;es fazem parte da cole&ccedil;&atilde;o greco-romana do museu. "Destaco a estatueta Kor&eacute; (que representa uma figura feminina de p&eacute;), uma pe&ccedil;a de estilo arcaico, provavelmente uma c&oacute;pia romana, encontrada no s&iacute;tio etrusco de Veio. Composta por dois tons de m&aacute;rmore, &eacute; uma pe&ccedil;a rara que expressa grande eleg&acirc;ncia" destaca Duarte.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n3/a17fig02.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n3/a17fig02thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MOMENTO DELICADO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No discurso de anivers&aacute;rio de 100 anos do Museu Nacional, Edgar Roquette-Pinto, um dos maiores cientistas brasileiros e um dos pioneiros da radiodifus&atilde;o nacional, enfatizou que a sociedade e o poder p&uacute;blico deveriam ter mais esmero para que a mensagem cient&iacute;fica da institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fosse prejudicada. No segundo centen&aacute;rio a mensagem segue atual, dado os recentes cortes no or&ccedil;amento para a ci&ecirc;ncia no Brasil, que tamb&eacute;m afetam o museu. Administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde a d&eacute;cada de 1940, a institui&ccedil;&atilde;o trabalha com um or&ccedil;amento anual de R$ 520 mil, valor que n&atilde;o permite, por exemplo, disponibilizar toda a cole&ccedil;&atilde;o do museu para visita&ccedil;&atilde;o. Em termos de compara&ccedil;&atilde;o, o Museu Americano de Hist&oacute;ria Natural, em Nova York, Estados Unidos, tem o or&ccedil;amento anual de U$ 657 milh&otilde;es. J&aacute; o Museu de Hist&oacute;ria Natural de Londres, no Reino Unido, recebe por ano &#163;80 milh&otilde;es para manter a cole&ccedil;&atilde;o museol&oacute;gica. Apenas um por cento de todo o extenso acervo do Museu Nacional est&aacute; exposto para os visitantes por conta, principalmente, de falta de espa&ccedil;o e de manuten&ccedil;&atilde;o das c&acirc;maras expositivas. Um caso que ilustra a gravidade do problema &eacute; o que aconteceu recentemente na sala que abriga o f&oacute;ssil do Maxakalisaurus topai, dinossauro brasileiro mais antigo j&aacute; descoberto. O local, um dos mais populares entre os visitantes, est&aacute; fechado devido a um ataque de cupins que ruiu sua estrutura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma vaquinha virtual organizada pela dire&ccedil;&atilde;o do museu conseguiu arrecadar cerca de 50 mil reais para a revitaliza&ccedil;&atilde;o e reabertura dessa sala. No entanto, a institui&ccedil;&atilde;o tem problemas que v&atilde;o al&eacute;m de sua estrutura f&iacute;sica, como as amea&ccedil;as de quebra de contrato com empresas que prestam servi&ccedil;os terceirizados. "A situa&ccedil;&atilde;o em que o Museu Nacional e toda a UFRJ se encontram &eacute; pat&eacute;tica. Volta e meia, somos amea&ccedil;ados de perder os contratos de servi&ccedil;os b&aacute;sicos como limpeza e vigil&acirc;ncia, o que j&aacute; motivou alertas e at&eacute; fechamentos de exposi&ccedil;&otilde;es nos &uacute;ltimos anos. Neste momento, por exemplo, a ruptura do contrato de jardinagem est&aacute; afetando o horto bot&acirc;nico", conta Duarte. Segundo ele, o or&ccedil;amento apertado tamb&eacute;m atrapalha a atividade acad&ecirc;mica. "A conten&ccedil;&atilde;o dos recursos das ag&ecirc;ncias financiadoras, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq), amea&ccedil;a a publica&ccedil;&atilde;o de uma de nossas melhores revistas, a <i>Mana: estudos de antropologia social.</i> N&atilde;o temos recursos para publicar o terceiro n&uacute;mero deste ano", lamenta o diretor adjunto. Os problemas estruturais s&atilde;o percept&iacute;veis para os visitantes e turistas. A bela fachada do pal&aacute;cio imperial n&atilde;o esconde as infiltra&ccedil;&otilde;es, h&aacute; fios el&eacute;tricos expostos e paredes com mofo no pr&eacute;dio hist&oacute;rico. "Um lugar como esse deveria ser bem mais cuidado. Acho que o museu representa bem o atual momento do Rio de Janeiro. Rico em cultura, mas abandonado pelo poder p&uacute;blico", lamenta a microempres&aacute;ria Maiara Almeida, em visita ao museu. Em entrevista para o jornal Folha de S.Paulo, do &uacute;ltimo dia 30 de maio, Alexander Kelnner, diretor do museu, revelou que seriam necess&aacute;rios investimentos de R$300 milh&otilde;es, ao longo de 10 anos, para que a institui&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;asse o n&iacute;vel dos melhores museus do mundo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NA ACADEMIA E NA SOCIEDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje, o Museu Nacional &eacute; um importante centro de estudos multidisciplinares que re&uacute;ne pesquisadores de toda a Am&eacute;rica Latina. A institui&ccedil;&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel por cursos de extens&atilde;o acad&ecirc;mica e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em diferentes &aacute;reas de conhecimento, inclusive com a primeira experi&ecirc;ncia brasileira de um mestrado em l&iacute;nguas ind&iacute;genas. "J&aacute; temos seis cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, sendo um de n&iacute;vel 7, de antropologia, e outro de n&iacute;vel 6, de zoologia, na classifica&ccedil;&atilde;o da Capes", informa Duarte. Com 330 esp&eacute;cies de vegetais de todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s, o horto bot&acirc;nico &eacute; um importante laborat&oacute;rio para pesquisadores e um chamariz  para crian&ccedil;as e adolescentes visitarem o museu, por meio do projeto "Escola na trilha", realizado desde 2011.</font></p>      ]]></body>
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