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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A participação brasileira no eclipse solar total de maio de 1919: observando a coroa solar para melhor defender a ciência]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   100 ANOS DO ECLIPS EDESOBRAL</b></font></p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A participa&ccedil;&atilde;o brasileira no eclipse solar total de maio de 1919: observando a coroa solar para melhor defender a ci&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Antonio Augusto Passos Videira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Professor do Departamento de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), colaborador no Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas (MCTI), professor no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ensino e Hist&oacute;ria da Matem&aacute;tica e da F&iacute;sica e bolsista de produtividade do CNPq. O autor agradece o apoio financeiro concedido pelo CNPq por meio de uma bolsa de pesquisa e pela Faperj por meio do programa Proci&ecirc;ncia (UERJ)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pouco mais de 20 anos ap&oacute;s a proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, o Observat&oacute;rio Nacional brasileiro passava por uma quadratura dif&iacute;cil, o que, &eacute; bom que se registre, n&atilde;o era exatamente uma novidade na sua trajet&oacute;ria. Fundado 85 anos antes, o observat&oacute;rio, rar&iacute;ssimas vezes, tinha desfrutado de uma situa&ccedil;&atilde;o material adequada para que desempenhasse satisfatoriamente suas tarefas. A ci&ecirc;ncia e, em particular, a astronomia, n&atilde;o eram vistas pelo governo federal ou pela chamada elite social e cultural como constituindo elementos relevantes, seja para melhorar a vida da popula&ccedil;&atilde;o, seja para aumentar o conhecimento em geral. Assim, os funcion&aacute;rios do Observat&oacute;rio Nacional, desgostosos, precisavam estar atentos para toda situa&ccedil;&atilde;o capaz de originar alguma a&ccedil;&atilde;o junto ao governo, com o objetivo de melhorar sua situa&ccedil;&atilde;o. Se o motivo fosse puramente cient&iacute;fico, melhor ainda, uma vez que a dire&ccedil;&atilde;o do observat&oacute;rio procurava fazer dele uma institui&ccedil;&atilde;o a servi&ccedil;o da chamada ci&ecirc;ncia pura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1912 surgiu uma oportunidade interessante. Aconteceria um eclipse solar total, que poderia ser muito bem observado a partir do territ&oacute;rio brasileiro. Henrique Morize, ent&atilde;o diretor da institui&ccedil;&atilde;o, ao perceber o interesse, concretizado nos pedidos de informa&ccedil;&atilde;o que recebia de diferentes observat&oacute;rios estrangeiros, procurou fazer com que a sua institui&ccedil;&atilde;o tomasse parte nesse certame cient&iacute;fico, o que realmente aconteceu, mas n&atilde;o com os resultados almejados por Morize e sua equipe de colaboradores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A capacidade de organiza&ccedil;&atilde;o exibida pelo corpo de funcion&aacute;rios do Observat&oacute;rio Nacional durante a prepara&ccedil;&atilde;o para a observa&ccedil;&atilde;o do eclipse solar de 1912 foi tal que, cinco anos depois, aquela institui&ccedil;&atilde;o foi novamente contatada por astr&ocirc;nomos estrangeiros para que fornecesse informa&ccedil;&otilde;es relativas a outro evento de mesma natureza que ocorreria no final do m&ecirc;s de maio de 1919. Uma vez mais, o reduzido corpo de funcion&aacute;rios do Observat&oacute;rio Nacional conseguiu reunir as informa&ccedil;&otilde;es requisitadas, difundidas em um pequeno op&uacute;sculo &#91;1&#93;, que vinha acompanhado de um mapa (<a href="#fig1">Figura 1</a>), no qual se encontrava exibida a faixa do territ&oacute;rio nacional que seria "tocada" pelo eclipse. As informa&ccedil;&otilde;es organizadas pelos astr&ocirc;nomos brasileiros interessavam particularmente aos colegas ingleses, os quais, liderados por Arthur S. Eddington (1880-1944), tamb&eacute;m se preparavam para observar o evento.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a08fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Agrave; frente da institui&ccedil;&atilde;o desde meados de 1908, o franc&ecirc;s naturalizado brasileiro Henrique Morize (1860-1930) pretendia tomar parte no certame cient&iacute;fico. A presen&ccedil;a de uma equipe brasileira fortaleceria a causa da astronomia no Observat&oacute;rio Nacional, al&eacute;m de apagar a frustra&ccedil;&atilde;o do eclipse anterior, que n&atilde;o p&ocirc;de ser estudado devido ao mau tempo &#91;2&#93;. A institui&ccedil;&atilde;o, que ainda se encontrava localizada na velha sede no Morro do Castelo, vivia uma situa&ccedil;&atilde;o moderadamente favor&aacute;vel - fato raro em sua hist&oacute;ria j&aacute; secular, em boa medida devido &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma nova sede. Ap&oacute;s quase um s&eacute;culo de exist&ecirc;ncia, o observat&oacute;rio estava prestes a possuir uma sede localizada em um s&iacute;tio que, mesmo que n&atilde;o fosse o mais recomend&aacute;vel, ainda assim, era indubitavelmente superior &agrave;s instala&ccedil;&otilde;es de ent&atilde;o, remanescentes da presen&ccedil;a dos jesu&iacute;tas na cidade do Rio de Janeiro (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a08fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo a prepara&ccedil;&atilde;o para o eclipse de 1919 n&atilde;o se assemelhava ao que o Observat&oacute;rio Nacional tinha vivido poucos anos antes. Em 1912, Morize teve que recorrer a um acidente fortuito (uma janela do pr&eacute;dio oitocentista caiu em uma zona densamente povoada, sem deixar v&iacute;timas), em suas pr&oacute;prias palavras, para fazer com que o seu superior, o ministro da Agricultura, se interessasse pela sorte da sua institui&ccedil;&atilde;o. A verba extraordin&aacute;ria solicitada foi aprovada no Congresso Nacional, mas ela chegou ao Observat&oacute;rio Nacional com muito atraso, quase inviabilizando a ida da equipe brasileira para Passa Quatro, Minas Gerais, local em que o eclipse solar deveria ter sido observado. Passa Quatro foi decepcionante para quase todos os cientistas que l&aacute; estiveram. Como j&aacute; afirmado acima, o evento astron&ocirc;mico n&atilde;o p&ocirc;de ser observado devido &agrave;s chuvas que castigaram a regi&atilde;o. Talvez, entre todos aqueles que estiveram no sul do estado de Minas Gerais, o cientista que menos ficou decepcionado fosse Morize, pois, afinal, apesar do fracasso da observa&ccedil;&atilde;o em si, ele tinha conseguido mostrar &agrave;s autoridades a import&acirc;ncia do Observat&oacute;rio Nacional. Foi a partir de ent&atilde;o que come&ccedil;ou o trabalho de prospec&ccedil;&atilde;o por um local para a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova sede, inaugurada no in&iacute;cio da d&eacute;cada seguinte &#91;3&#93; (<a href="#fig3">Figura 3</a>). Al&eacute;m da quest&atilde;o da nova sede j&aacute; estar bem encaminhada, os tempos vividos pelo observat&oacute;rio durante as etapas preparat&oacute;rias para os eclipses de 1912 e 1919 mostram, quando comparadas, outras diferen&ccedil;as, que merecem ser comentadas, ainda que brevemente.</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a08fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma primeira diferen&ccedil;a digna de men&ccedil;&atilde;o &eacute; a exist&ecirc;ncia, em 1919, de uma agremia&ccedil;&atilde;o destinada &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da causa da ci&ecirc;ncia no pa&iacute;s. Fundada em 1916, a ent&atilde;o Sociedade Brasileira de Sciencias - atual Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC) -, propunha-se n&atilde;o apenas a fomentar a causa da ci&ecirc;ncia pura, desinteressada de eventuais desdobramentos tecnol&oacute;gicos e econ&ocirc;micos, mas tamb&eacute;m a difundi-la no Brasil e no estrangeiro. O seu presidente desde a funda&ccedil;&atilde;o era justamente Henrique Morize (<a href="#fig4">Figura 4</a>). Para ele, bem como para os seus colegas acad&ecirc;micos, a promo&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia deveria ser entendida como uma defesa da cultura e da sua relev&acirc;ncia para o desenvolvimento de uma na&ccedil;&atilde;o e de sua popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a08fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma segunda diferen&ccedil;a not&aacute;vel entre as duas &eacute;pocas diz respeito &agrave; percep&ccedil;&atilde;o que o grupo de cientistas, reunidos em torno da ABC, tinha de si pr&oacute;prio. Esse grupo percebia-se como forte o suficiente para tentar concretizar os seus ideais. Entre estes, n&atilde;o apenas estava a funda&ccedil;&atilde;o de uma institui&ccedil;&atilde;o como a ABC, mas o interesse que tinham pela cria&ccedil;&atilde;o de uma universidade, genuinamente inspirada no modelo que associava fortemente ensino e pesquisa. Tamb&eacute;m no ano de 1916, na cidade do Rio de Janeiro, foi fundada uma faculdade de ci&ecirc;ncias, oficialmente vinculada ao Instituto Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico Brasileiro (IHGB). Essa faculdade de ci&ecirc;ncias durou muito pouco tempo, sendo fechada por falta de apoio oficial &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; ainda outro ponto que deve ser lembrado quando &eacute; feita refer&ecirc;ncia ao eclipse de 1919: o fim da Primeira Guerra Mundial. Os quatro anos do conflito provocaram horrores desconhecidos at&eacute; ent&atilde;o, al&eacute;m de milh&otilde;es de mortes, que, ao final, pareciam ter sido in&uacute;teis. Apesar de a guerra ter chegado ao seu fim, permaneciam feridas abertas, como, por exemplo, a comunica&ccedil;&atilde;o entre os povos. Talvez aqui os cientistas pudessem contribuir, uma vez que j&aacute; era uma pr&aacute;tica entre eles a troca de informa&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es, mesmo que nem sempre de forma pac&iacute;fica. Em particular, Eddington, que era quaker, (<a href="#fig5">Figura 5</a>) tinha interesse em mostrar que a ci&ecirc;ncia poderia ser um elemento relevante na pacifica&ccedil;&atilde;o dos esp&iacute;ritos. No caso do eclipse de maio de 1919, o que estava em jogo era a comprova&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, que seria feita por ingleses, de uma teoria revolucion&aacute;ria - a teoria da relatividade geral - proposta por um alem&atilde;o e que, caso estivesse correta, desbancaria a teoria da gravita&ccedil;&atilde;o universal de Isaac Newton, uma das personalidades inglesas mais importantes da era moderna &#91;5&#93;. Em outras palavras, a ci&ecirc;ncia poderia contribuir para reaproximar as na&ccedil;&otilde;es afastadas pela guerra.</font></p>     <p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a08fig05.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O relat&oacute;rio preparado em 1917 pelo Observat&oacute;rio Nacional contribuiu para que o local da observa&ccedil;&atilde;o do eclipse fosse a cidade cearense de Sobral, que tinha, &agrave; &eacute;poca, uma popula&ccedil;&atilde;o de cerca de 30 mil habitantes. Entre os fatores que explicam a escolha de Sobral, encontram-se o tempo de dura&ccedil;&atilde;o do eclipse na regi&atilde;o, a sua localiza&ccedil;&atilde;o, o fato de ser servida por linha f&eacute;rrea, facilitando o transporte dos instrumentos, ser uma cidade com algumas ind&uacute;strias pequenas e oficinas mec&acirc;nicas, necess&aacute;rias na eventualidade de quebra ou avaria nos equipamentos e o seu clima, relativamente seco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo cient&iacute;fico da miss&atilde;o brasileira n&atilde;o era o mesmo dos ingleses. Nas palavras de Morize: "A forma e a disposi&ccedil;&atilde;o da cor&ocirc;a &#91;solar&#93;, assim como a indaga&ccedil;&atilde;o espectrosc&oacute;pica de sua composi&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;ram, pois, os dois principais assuntos do programa da Comiss&atilde;o Brasileira em sua expedi&ccedil;&atilde;o a Sobral, para observar o eclipse de 29 de maio de 1919" &#91;6&#93;. Tratava-se de um tema de investiga&ccedil;&atilde;o importante, n&atilde;o apenas por pertencer a uma ci&ecirc;ncia muito nova - a astrof&iacute;sica &#91;7&#93; -, mas tamb&eacute;m por que ainda se tinha muitas d&uacute;vidas sobre o Sol, em particular sobre a sua coroa, que somente poderia ser investigada justamente durante um eclipse.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os membros da comiss&atilde;o brasileira eram os seguintes: Henrique Morize, Domingos Costa, Allyrio de Mattos, Lelio Gama (todos eles astr&ocirc;nomos do Observat&oacute;rio Nacional), T. H. Lee (emprestado pelo Servi&ccedil;o Geol&oacute;gico), Luiz Rodrigues (meteorologista) e Arthur de Castro Almeida (mec&acirc;nico). No relat&oacute;rio que escreveu e que foi publicado no in&iacute;cio de 1920 com o fito de apresentar a hist&oacute;ria e os resultados da comiss&atilde;o brasileira, Morize menciona de passagem a presen&ccedil;a de um "intr&eacute;pido amador", que para l&aacute; se deslocara desde o Rio de Janeiro, Alfredo Leal da Costa. Nada mais &eacute; dito no relat&oacute;rio sobre ele &#91;8&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m dos brasileiros, havia a comiss&atilde;o inglesa composta por dois cientistas, D. Davidson e A. C. D. Crommelin, e uma comiss&atilde;o norte-americana, enviada pelo Departamento de Magnetismo Terrestre do Carnegie Institute e composta por Daniel Wise e Andrews Thomson. Enquanto a equipe inglesa estava interessada em verificar e medir o desvio dos raios luminosos na proximidade de objetos massivos, os norte-americanos ocupavam-se com a influ&ecirc;ncia da sombra lunar sobre fen&ocirc;menos de eletricidade atmosf&eacute;rica e magnetismo terrestre.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O instrumental cient&iacute;fico levado pelo Observat&oacute;rio Nacional compreendia principalmente os seguintes itens: uma luneta fotogr&aacute;fica Mailhat, uma equatorial Steinheil e espectr&oacute;grafos, entre os quais um espectr&oacute;grafo de Hilger. A comiss&atilde;o brasileira chegou de trem a Sobral no dia 9 de maio, tendo deixado a ent&atilde;o capital federal no dia 25 de abril. Os dias que antecederam o eclipse foram freneticamente empregados para a instala&ccedil;&atilde;o dos instrumentos, test&aacute;-los, corrigir ou consertar problemas que surgiram e treinar a equipe para a observa&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno (<a href="/img/revistas/cic/v71n3/a08fig06.jpg">Figura 6</a>). Morize chegou a escrever artigo para um jornal local, pedindo &agrave; popula&ccedil;&atilde;o local que se mantivesse calma durante o per&iacute;odo de tempo de dura&ccedil;&atilde;o do eclipse, evitando produzir ru&iacute;dos ou trepida&ccedil;&otilde;es que pudessem prejudicar o funcionamento da aparelhagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o relat&oacute;rio que Morize publicou na revista da ent&atilde;o Sociedade Brasileira de Sciencias, fruto de uma palestra que deu para os seus colegas acad&ecirc;micos, o dia do eclipse foi parcialmente encoberto devido a uma espessa n&eacute;voa que se formou na regi&atilde;o. Com o passar das horas, as nuvens se adensaram ao ponto de, no momento do in&iacute;cio do eclipse, a visibilidade do Sol estar em muito reduzida. Em suas palavras:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos se desesperavam, mas aos poucos esse len&ccedil;ol se foi adelga&ccedil;ando, deixando aparecer c&aacute; e l&aacute; rasg&otilde;es que, passando sobre o Sol, permitiam ver que a totalidade se aproximava. Subitamente, &agrave;s 8.42, levanta-se leve brisa de Leste que toca as nuvens para W, deixando ver o disco solar, j&aacute; muito escurecido, no meio de larga mancha azul. Do peito de todos sahiu suspiro de profundo allivio, quando &agrave;s 8.55, de meu rel&oacute;gio, verifiquei ter j&aacute; principiado a totalidade. Nesse momento todos, mesmo os simples curiosos que cercavam o acampamento, sentiram-se comovidos pela impon&ecirc;ncia do espet&aacute;culo que se manifestava.&#91;9&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passado o susto inicial, as equipes inglesa e brasileira conseguiram tirar as fotografias planejadas. Algumas foram reveladas em    Sobral, apesar de a qualidade da &aacute;gua n&atilde;o ser a mais adequada para essa tarefa. O resultado mais conhecido, obtido pelos astr&ocirc;nomos do Observat&oacute;rio Nacional, est&aacute; materializado em uma fotografia, uma protuber&acirc;ncia da coroa solar, muito reproduzida em livros de astronomia (<a href="#fig7">Figura 7</a>), descrita por Morize com as seguintes palavras: "...via-se a cor&ocirc;a, de c&ocirc;r cambiante, com matizes de madrep&eacute;rola e forma mais ou menos complicada, sobre a qual sobresahia em vermelho intenso linda protuber&acirc;ncia que &eacute; uma das maiores que tenha sido observada" &#91;10&#93;.</font></p>     <p><a name="fig7"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a08fig07.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As fotografias obtidas em Sobral permitiram, sempre segundo Morize, fixar algumas conclus&otilde;es sobre a forma da coroa solar, "que reflete muita luz da photoesphera ao mesmo tempo que a parte da cor&ocirc;a mais perto do sol, ou cor&ocirc;a interna, emite luz propria" &#91;11&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A leitura do relat&oacute;rio de Morize nos mostra a sua satisfa&ccedil;&atilde;o com a participa&ccedil;&atilde;o dos astr&ocirc;nomos brasileiros em Sobral em todas as fases envolvidas no eclipse de 29 de maio de 1919. O seu relato procurou ser fiel aos fatos, sem esconder os problemas enfrentados e os obst&aacute;culos enfrentados e nem todos superados. O tom em nada ufanista adotado por Morize, n&atilde;o apenas correspondia &agrave; sua pr&oacute;pria personalidade discreta e adepta do trabalho rotineiro e silencioso &#91;11&#93;, mas tamb&eacute;m estava de acordo com a sua cren&ccedil;a de que uma das mais importantes miss&otilde;es da sua gera&ccedil;&atilde;o era educar os leigos. A educa&ccedil;&atilde;o, para ser bem sucedida, deveria mostrar e descrever todas as etapas envolvidas na pr&aacute;tica cient&iacute;fica. Tal descri&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica da ci&ecirc;ncia era dirigira &agrave;queles que estavam fora da sua al&ccedil;ada. Ainda assim, eles podem ser vistos como o mais importante alvo de Morize naquela altura, j&aacute; que a meta mais importante desse movimento de educa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o pela ci&ecirc;ncia era conquist&aacute;-la para a causa da ci&ecirc;ncia, a qual, nas suas palavras, pode ser descrita do seguinte modo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sciencia pura, desinteressada, da qual nasceu as aplica&ccedil;&otilde;es praticas, tal como da semente resultam a planta e o fructo, &eacute; a base da riqueza nacional, e as na&ccedil;&otilde;es que a abandonam, fiadas no beneficio provavel das pesquisas feitas nos paizes que melhor comprehendam os interesses seus e da humanidade, ficar&atilde;o condenados a serem paizes de 2-a &#91;segunda&#93; classe qualquer que possa ser a riqueza ostentada em certa phase &#91;12&#93;.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As palavras acima n&atilde;o soam como se tivessem sido pronunciadas em tom pessimista. Elas certamente constituem uma advert&ecirc;ncia, principalmente dirigida &agrave;queles que detinham responsabilidades frente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o brasileira da &eacute;poca. Soavam como um alerta, que vale para os dias atuais, quase cem anos depois daquele almo&ccedil;o comemorativo, uma vez que a situa&ccedil;&atilde;o que hoje vivemos &eacute;, em muito, semelhante &agrave;quela descrita por Morize.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS E NOTAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	Eclipse de maio de 1919 - Previs&atilde;o para o Brazil. Rio de Janeiro: Typographia &amp; Litographia Rohe, 1919.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	Caffarelli, R. V. "O eclipse solar de 1912". In: <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>, v. 32, n. 5, p. 561-573, 1980.    <!-- ref --> Barboza, C. H. "Encontros e desencontros na observa&ccedil;&atilde;o do eclipse solar de 10 de outubro de 1912". In: <i>Anais do 13º Semin&aacute;rio Nacional de Hist&oacute;ria da Ci&ecirc;ncia e da Tecnologia</i>. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.13snhct.sbhc.org.br/resources/anais/10/1352991527_ARQUIVO_ArtigoBarbozaSNHCTok.pdf" target="_blank">https://www.13snhct.sbhc.org.br/resources/anais/10/1352991527_ARQUIVO_ArtigoBarbozaSNHCTok.pdf</a>. Acesso em: 25/04/2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	Morize, H. <i>Observat&oacute;rio Astron&ocirc;mico- Um s&eacute;culo de hist&oacute;ria (1827-1927). </i>Rio de Janeiro: Salamandra, 1987.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	Guimar&atilde;es, L. M. P.. "A experi&ecirc;ncia pioneira da Academia de Altos Estudos - Faculdade de Filosofia e Letras do Instituto Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico Brasileiro (1916-1922)". In: <i>Teias</i>, Rio de Janeiro, v.1, n.jan/jun, p. 38-45, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	Videira, A. L. L. "Um dos maiores - se n&atilde;o mesmo o maior dos feitos na hist&oacute;ria do pensamento humano: a teoria da relatividade geral", <i>Monografia</i>, CBPF, v.2, n.1, p. 1-17, 2016 dx.doi.org/10.7437/MO2447-1119/2016.01.001. Acesso em 25/04/2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	Morize, H. "Resultados obtidos pela comiss&atilde;o brasileira do eclipse de 29 de maio de 1919". In: <i>Henrique Morize</i> (coordenado por Antonio Augusto Passos Videira), Cole&ccedil;&atilde;o Mem&oacute;ria do Saber. Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o Miguel de Cervantes,  pp. 312-328, p. 317, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	Videira, A. A. P. "A cria&ccedil;&atilde;o da astrof&iacute;sica na segunda metade do s&eacute;culo XIX". In: <i>Boletim da Sociedade Astron&ocirc;mica Brasileira</i>, S&atilde;o Paulo, v.14, n.3, p. 54-69, 1995.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.	Morize, 2012, op. cit. p. 321. Por raz&otilde;es outras, eu conheci a sua &uacute;nica filha, Neyla Leal da Costa (1925-2019), que se formou em qu&iacute;mica na Escola Nacional de Qu&iacute;mica da antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ) e que trabalhou no Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas e no Departamento de F&iacute;sica da Pontif&iacute;cia Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro. Quando a entrevistei, em julho de 2017, eu n&atilde;o perguntei nada sobre o seu pai, tendo em vista que os meus interesses estavam fixados na hist&oacute;ria da f&iacute;sica nuclear experimental no Rio de Janeiro. Anos atr&aacute;s, Nelya Leal da Costa doou o telesc&oacute;pio, juntamente com outros instrumentos cient&iacute;ficos, para a cidade de Campinas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.	Morize, 2012, op. cit., pp. 322-323.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.	Morize, 2012, op. cit., p. 323.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.	Morize, 2012, op. cit., p. 325.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.	Videira, A. A. P. <i>Henrique Morize e o ideal de ci&ecirc;ncia pura na Rep&uacute;blica Velha</i>. 1. ed. Rio de Editora: FGV Editora, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.	Morize, H. "Allocu&ccedil;&atilde;o pronunciada pelo Prof. Henrique Morize no Almo&ccedil;o Bimestral em que se Reunem os Membros do 'C&iacute;rculo de Professores' e que se realizou no dia 15 do corrente". In: <i>Henrique Morize</i> (coordenado por Antonio Augusto Passos Videira), Cole&ccedil;&atilde;o Mem&oacute;ria do Saber. Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o Miguel de Cervantes, 2012, pp. 484-491, pp. 489-490.    </font></p>      ]]></body><back>
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