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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Eclipse de 1919 e a teoria da relatividade: rumo à Ilha do Príncipe]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   100 ANOS DO ECLIPS EDESOBRAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O Eclipse de 1919 e a teoria da relatividade: rumo &agrave; Ilha do Pr&iacute;ncipe</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ana Sim&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora catedr&aacute;tica do Centro Interuniversit&aacute;rio de Hist&oacute;ria das Ci&ecirc;ncias e Tecnologia, Faculdade de Ci&ecirc;ncias, Universidade de Lisboa</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O eclipse solar total de 29 de maio de 1919 foi observado por quatro equipes de expedicion&aacute;rios - duas brit&acirc;nicas, uma brasileira e outra norte-americana. Das equipes brit&acirc;nicas, uma conduziu o astrof&iacute;sico Arthur Stanley Eddington (1882-1944) e o especialista em mecanismos de relojoaria Edwin Turner Cottingham (1869-1940) &agrave; Ilha do Pr&iacute;ncipe, ent&atilde;o col&ocirc;nia portuguesa, na costa oeste africana; a outra levou os astr&ocirc;nomos do Observat&oacute;rio de Greenwich, Andrew C.C. Crommelin (1865-1939) e Charles Rundle    Davidson (1875-1970), a Sobral,&nbsp;no estado do Cear&aacute;, nordeste brasileiro, onde se juntaram &agrave;s equipes brasileira e norte-americana para observar o fen&ocirc;meno.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contrariamente &agrave;s expedi&ccedil;&otilde;es brasileira e norte-americana, que tinham objetivos tradicionais, tendo realizado observa&ccedil;&otilde;es de astrof&iacute;sica e de magnetismo terrestre, respectivamente, as equipes brit&acirc;nicas tinham um objetivo singular: testar a recente teoria da gravita&ccedil;&atilde;o (teoria da relatividade geral) de Albert Einstein (1879-1955) e, em particular, a previs&atilde;o do encurvamento dos raios luminosos que passam junto de grandes massas gravitacionais, com um valor estimado de desvio de 1,75'' segundos de arco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O encontro improv&aacute;vel entre Einstein e Eddington, assim como os motivos que levaram o astr&ocirc;nomo real brit&acirc;nico Frank Watson Dyson (1868-1939), conjuntamente com Eddington, a tentar organizar as comitivas, inclu&iacute;ram ingredientes muito diferentes dos habituais &#91;1&#93;, conferindo contornos multifacetados &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o das expedi&ccedil;&otilde;es num tempo pol&iacute;tico particularmente adverso associado &agrave; Primeira Guerra Mundial e aos contextos diversos, nacionais e coloniais, dos locais de chegada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal como era tradi&ccedil;&atilde;o no contexto da astronomia, redes de contactos entre comunidades de astr&ocirc;nomos foram acionadas para que as equipes expedicion&aacute;rias recebessem dos pa&iacute;ses de acolhimento, isto &eacute;, do Brasil e de Portugal, todo o apoio necess&aacute;rio, por via das suas institui&ccedil;&otilde;es e personalidades cient&iacute;ficas. Em Portugal, num primeiro momento foi contatada a Sociedade de Geografia de Lisboa, solicitando-se um mapa e informa&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas da Ilha do Pr&iacute;ncipe e, num segundo momento, iniciado a 11 de novembro de 1918, o dia em que o armist&iacute;cio foi assinado, sucedeu-se uma troca mais extensa de correspond&ecirc;ncia entre Eddington e o sub-director do Observat&oacute;rio Astron&ocirc;mico de Lisboa, coronel Frederico Thomaz Oom (1869-1930), com vista &agrave; marca&ccedil;&atilde;o das viagens e acomoda&ccedil;&atilde;o na Ilha do Pr&iacute;ncipe.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m dos objetivos estritamente cient&iacute;ficos, as expedi&ccedil;&otilde;es e as viagens que as integram cruzam sempre ci&ecirc;ncia e poder, economia e pol&iacute;tica &#91;2&#93;; deslocam pessoas, instrumentos e objetos, em movimentos dominados por perip&eacute;cias e contratempos inesperados; e, apesar do cuidado cir&uacute;rgico posto na sua prepara&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o sempre sujeitas a incertezas que testam a tenacidade dos expedicion&aacute;rios mais teimosos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a11fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As expedi&ccedil;&otilde;es organizadas para observar o eclipse solar total de 29 de maio de 1919 n&atilde;o fugiram &agrave; regra. No que concerne &agrave;s expedi&ccedil;&otilde;es brit&acirc;nicas, envolveram dois anos de preparativos em tempo de guerra, que culminaram em cinco minutos de observa&ccedil;&otilde;es sujeitas &agrave;s partidas do tempo meteorol&oacute;gico. Apesar do apoio financeiro do governo brit&acirc;nico, n&atilde;o houve direito a novos equipamentos e o rigor das medi&ccedil;&otilde;es dependeu de instrumentos constru&iacute;dos ou adaptados de partes pr&eacute;-existentes, dispersas por v&aacute;rios observat&oacute;rios brit&acirc;nicos e recolhidas no Observat&oacute;rio Real de Greenwich para os preparativos finais. Foram deslocadas cerca de duas toneladas de material para cada comitiva, para regi&otilde;es tropicais junto ao equador, situadas a dist&acirc;ncias de pouco mais de 7200 km, no caso do Sobral, e de 5800 km, no caso da Ilha do Pr&iacute;ncipe. E, finalmente, o seu sucesso dependeu da participa&ccedil;&atilde;o de astr&ocirc;nomos do Brasil e Portugal, de membros das elites locais, mas tamb&eacute;m de trabalhadores e servi&ccedil;ais que ficaram para sempre an&ocirc;nimos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m das comunica&ccedil;&otilde;es e publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, alguns dos astr&ocirc;nomos brit&acirc;nicos em tr&acirc;nsito, e muito em particular Eddington, produziram coment&aacute;rios e at&eacute; relatos mais ou menos circunstanciados das perip&eacute;cias associadas &agrave;s viagens que os levaram a lugares t&atilde;o long&iacute;nquos e ex&oacute;ticos. Os relatos de Eddington s&atilde;o o objeto deste artigo. Produzidos por um astr&ocirc;nomo experiente e ex&iacute;mio comunicador, oferecem ao leitor um olhar sobre paisagens, locais, pessoas e experi&ecirc;ncias alheios &agrave; rotina di&aacute;ria do seu autor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a11fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DE LIVERPOOL AO FUNCHAL, COM PASSAGEM POR LISBOA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Depois de dois anos de negocia&ccedil;&otilde;es e longos meses de preparativos, culminando nos trabalhos finais de adapta&ccedil;&atilde;o de instrumentos e constru&ccedil;&atilde;o do material, na v&eacute;spera da partida os expedicion&aacute;rios deslocaram-se de Greenwich para Liverpool, trazendo consigo o equipamento. Sa&iacute;ram do porto de Liverpool rumo a Lisboa, no vapor Anselm, no dia 8 de mar&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As impress&otilde;es do vapor foram muito positivas. Maior e mais confort&aacute;vel que as expectativas, com cerca de 60 passageiros de primeira classe a bordo, as cabines partilhadas dois a dois, uma por Eddington e Cottingham e a outra por Davidson e Crommelin, estavam bem colocadas a uma altura apreci&aacute;vel do n&iacute;vel do mar. Apesar das boas condi&ccedil;&otilde;es gerais da viagem, a passagem pelo Golfo de Biscaia foi turbulenta &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A vida a bordo refletia alguns dos constrangimentos do tempo de guerra, apesar do armist&iacute;cio j&aacute; ter sido assinado: os passageiros n&atilde;o podiam ser informados nem da localiza&ccedil;&atilde;o nem da rota. Mas, para al&eacute;m disso, tudo se passava como se os tempos fossem de normalidade, muito especialmente no que dizia respeito &agrave; diversidade, qualidade e quantidade dos alimentos, em que abundavam a&ccedil;&uacute;car, carne, p&atilde;o branco e pudins. A sociabilidade era a t&iacute;pica das embarca&ccedil;&otilde;es de longo curso e inclu&iacute;a refei&ccedil;&otilde;es com o capit&atilde;o, jogos e conversas entre os passageiros de v&aacute;rias nacionalidades, entre os quais se encontrava um astr&ocirc;nomo amador brit&acirc;nico que ia missionar na Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A chegada em Lisboa ocorreu no dia 12. Frederico Oom esperava-os. Visitaram o Observat&oacute;rio Astron&ocirc;mico de Lisboa durante cerca de duas horas, conheceram o diretor C&eacute;sar Augusto Campos Rodrigues (1836-1919), um velho charmoso (de 82 anos) que n&atilde;o aparentava ser um vice-almirante &#91;4&#93;, e admiraram a Tapada da Ajuda em que o observat&oacute;rio se localizava, com as amendoeiras em flor. A viagem at&eacute; o observat&oacute;rio e o regresso ao barco foram feitos num carro que Oom alugou por tr&ecirc;s horas com o prop&oacute;sito de lhes mostrar um pouco de Lisboa e, em particular, da zona de Bel&eacute;m &#91;5&#93;. Ao contr&aacute;rio das impress&otilde;es de 1912, em que Eddington referia que Lisboa n&atilde;o parecia uma capital europeia, mas antes um entreposto comercial, em jeito de grande mercado &#91;6&#93;, agora Eddington notava apenas que Lisboa parecia muito pac&iacute;fica, ainda que cheia de soldados e sem pol&iacute;cia &agrave; vista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A verdade &eacute; que, a todas as incertezas e contratempos de uma viagem planejada em plena Grande Guerra, acrescia-se tamb&eacute;m a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de uma enorme instabilidade por que Portugal passava desde finais de 1917.  Tratou-se do processo que conduziu Sid&oacute;nio Pais, em maio de 1918, &agrave; presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica que ele acumulou com o cargo de primeiro ministro. Foi um per&iacute;odo acompanhado por modifica&ccedil;&otilde;es impostas &agrave; matriz republicana que vigorara at&eacute; ent&atilde;o e que conferiram ao  mandato de Pais um cunho presidencialista e ditatorial que culminou no seu assassinato, em 14 de dezembro de 1918. Em carta a Oom, datada de 4 de fevereiro de 1918, Eddington escrevia: "Verificamos que todas as viagens de barco para Lisboa est&atilde;o presentemente canceladas - suponho que devido &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o. Confiamos que o senhor e o Observat&oacute;rio se encontram ilesos." Referia-se naturalmente &agrave; instaura&ccedil;&atilde;o da junta revolucion&aacute;ria de 1917 por Sid&oacute;nio Pais. Afinal, foi poss&iacute;vel parar em Lisboa e n&atilde;o admira, pois, que se espantasse com a calmaria presenciada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; de notar que na correspond&ecirc;ncia trocada, e apesar dessa men&ccedil;&atilde;o &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o, Oom nunca fez quaisquer coment&aacute;rios relativos &agrave; situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nacional. &Eacute; claro que o dever de ajuda cient&iacute;fica aos astr&ocirc;nomos expedicion&aacute;rios fazia parte da sua &eacute;tica enquanto homem de ci&ecirc;ncia. Sempre o tinha afirmado e praticado. Assim fizera quando preparou, com min&uacute;cia e profissionalismo, a recep&ccedil;&atilde;o &agrave;s equipes de astr&ocirc;nomos estrangeiros que se deslocaram a Portugal para observar o eclipse de 1900, visto na totalidade no pa&iacute;s &#91;7&#93;. A esse sentido de miss&atilde;o acrescia, muito possivelmente, a cren&ccedil;a na disjun&ccedil;&atilde;o entre as esferas cient&iacute;fica e pol&iacute;tica, ainda que na pr&aacute;tica Oom pugnasse por afirmar o Observat&oacute;rio como uma institui&ccedil;&atilde;o republicana, empenhada na constru&ccedil;&atilde;o de uma nova cidadania para a qual a ci&ecirc;ncia era pe&ccedil;a chave.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 13 de mar&ccedil;o, os astr&ocirc;nomos deixaram Lisboa rumo ao Funchal onde chegaram no dia seguinte, por coincid&ecirc;ncia o dia em que Albert Einstein (1879-1955) completava 40 anos. Depois de um passeio pela cidade, fizeram-se as despedidas de Davidson e Crommelin, num almo&ccedil;o num restaurante, visto que estes iam regressar ao Anselm, rumo a Bel&eacute;m do Par&aacute;, e Eddington e Cottingham permaneciam na Madeira, &agrave; espera do vapor para a Ilha do Pr&iacute;ncipe.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MADEIRA. IMPRESS&Otilde;ES DE UMA ILHA ATL&Acirc;NTICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Eddington e Cottingham instalaram-se no Hotel Bela Vista (Jones' Bella Vista), gerido por brit&acirc;nicos e com muitos h&oacute;spedes dessa nacionalidade, a cerca de 10 minutos  a p&eacute; do centro da cidade. Para vencerem os declives urbanos acentuados, os viajantes recorreram ami&uacute;de a carros de bois (sem rodas, quais tren&oacute;s) e notaram a predomin&acirc;ncia de bananeiras, canas de a&ccedil;&uacute;car, vinhas, palmeiras e cactos. Eddington notou tamb&eacute;m a exist&ecirc;ncia de uma fruta que desconhecia: "as n&ecirc;speras, parecidas com alperces mas com sabor pr&oacute;ximo do das cerejas" &#91;8&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eddington sentiu-se muito bem na Madeira. As temperaturas eram elevadas face aquelas a que estava habituado, mas eram do seu agrado; e o clima soalheiro alternava com ventos do deserto e chuvas tropicais. Enquanto Cottingham, j&aacute; com cinquenta anos e avesso a grandes caminhadas, preferia socializar na cidade,    Eddington aproveitou para conhecer a ilha. Subiu ao Terreiro da Luta, ao pico do Areeiro, ao Curral das Freiras, mas tamb&eacute;m ao Poiso, ao Ribeiro Frio e aos seus balc&otilde;es, assinalando altitudes apreci&aacute;veis e percorrendo &agrave;s vezes mais de 25 milhas por caminhada. Apreciou as levadas, mas n&atilde;o gostou das praias rochosas e sujas, ainda que tomasse ami&uacute;de banho numa localidade pr&oacute;xima do Funchal, indicada por um jovem brit&acirc;nico em tratamento na Madeira, de quem se tornou amigo e com quem fez v&aacute;rias caminhadas e partidas de xadrez &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, Eddington perdeu-se pelas bananas locais, comendo cerca de uma d&uacute;zia por dia, classificou a "carne, de cordeiro, vitela e os bifes, como extremamente boa e a melhor que alguma vez provei" &#91;10&#93;, e apreciou tamb&eacute;m o tabaco local.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dois viajantes n&atilde;o resistiram aos atrativos do casino, onde iam quase diariamente tomar ch&aacute; e tamb&eacute;m, claro, apreciar a emo&ccedil;&atilde;o de um jogo de roleta, proibido na Madeira mas ainda assim praticado com a complac&ecirc;ncia da pol&iacute;cia e, no caso deles, tamb&eacute;m com grande modera&ccedil;&atilde;o. Entre os seus interlocutores encontravam-se um m&eacute;dico ingl&ecirc;s, familiar de Lord Kelvin e, na parte final da estada, um diretor de um jornal local que os ajudou a ultimar a papelada para rumarem a Ilha do Pr&iacute;ncipe, divulgando pormenores da expedi&ccedil;&atilde;o no seu peri&oacute;dico &#91;11&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DE FUNCHAL A ILHA DO PR&Iacute;NCIPE </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eddington e Cottingham ficaram 26 dias no Funchal, partindo no dia 9 de abril para o porto de Santo Ant&ocirc;nio, na Ilha do Pr&iacute;ncipe, a bordo do vapor Portugal da Companhia Nacional de Navega&ccedil;&atilde;o, com parada nas ilhas de Cabo Verde, em S&atilde;o Vicente, em 13 de abril, onde se encontrava uma importante esta&ccedil;&atilde;o de cabo submarino telegr&aacute;fico e, no dia seguinte, 14 de abril, na ilha de Santiago, na cidade da Praia &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O vapor Portugal era de dimens&atilde;o semelhante ao Anselm, tamb&eacute;m agrad&aacute;vel e espa&ccedil;oso, tal como a cabine em que os astr&ocirc;nomos se instalaram. No entanto, n&atilde;o tinha espregui&ccedil;adeiras de aluguel nem instala&ccedil;&otilde;es para exerc&iacute;cio &#91;13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cerca de 20 passageiros viajavam em primeira classe, incluindo v&aacute;rios portugueses e sete brit&acirc;nicos, entre os quais se encontravam, para al&eacute;m dos expedicion&aacute;rios, tr&ecirc;s homens que se dirigiam &agrave; esta&ccedil;&atilde;o de cabo de S&atilde;o Vicente, outro que ia dirigir uma refinaria de a&ccedil;&uacute;car e, finalmente, uma jovem mission&aacute;ria, a quem os passageiros dedicavam toda a aten&ccedil;&atilde;o. A bordo ia tamb&eacute;m um portugu&ecirc;s, oficial de armada, que falava bem ingl&ecirc;s &#91;14&#93;. As atividades de lazer compreendiam jogos variados, entre os quais jogos de tabuleiro (xadrez) e pequenas pe&ccedil;as de teatro, pois havia atores a bordo. A comida era boa, inclu&iacute;a carne tenra e sorvetes, mas n&atilde;o particularmente apelativa para o gosto de Eddington, que sofria tamb&eacute;m com o ch&aacute; de m&aacute; qualidade. Mais uma vez, n&atilde;o havia sinais de racionamento, com a&ccedil;&uacute;car e manteiga &agrave; vontade e "comendo-se num dia a quantidade de carne da ra&ccedil;&atilde;o semanal" &#91;15&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tempo esteve quente, o c&eacute;u l&iacute;mpido com noites de luar at&eacute; &agrave; chegada a S&atilde;o Vicente, uma ilha &aacute;rida, quente e &uacute;mida, com temperaturas na ordem dos 29ºC &agrave; sombra, onde passageiros desceram e outros entraram. Os expedicion&aacute;rios brit&acirc;nicos aproveitaram para visitar a esta&ccedil;&atilde;o de Cabo, nodo de comunica&ccedil;&otilde;es com o hemisf&eacute;rio sul e ponto estrat&eacute;gico durante a Grande Guerra. A pr&oacute;xima parada foi a cidade da Praia, onde o vapor ficou por poucas horas, seguindo viagem para a Ilha do Pr&iacute;ncipe.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de terem acabado de passar por um dos centros nevr&aacute;lgicos de comunica&ccedil;&otilde;es entre a Europa, os Estados Unidos da Am&eacute;rica e o hemisf&eacute;rio sul (o outro situava-se nos A&ccedil;ores), a verdade &eacute; que os viajantes se sentiam progressivamente mais afastados de tudo e todos. Poucas ou nenhuma not&iacute;cia da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica internacional tinham recebido desde a sua partida do Reino Unido, situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o tinha sido atenuada pela passagem r&aacute;pida por Lisboa nem pela estada prolongada no Funchal, onde os jornais publicavam fundamentalmente not&iacute;cias locais. Dirigiam-se assim para o desconhecido, junto ao equador, e as amarras ao tempo pol&iacute;tico iam-se esfuma&ccedil;ando, criando enorme ansiedade nos viajantes, que tamb&eacute;m nada sabiam dos colegas expedicion&aacute;rios dos quais tinham se despedido no Funchal.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PR&Iacute;NCIPE. IMPRESS&Otilde;ES DE UMA ILHA EQUATORIAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Durante o percurso de Cabo Verde a Ilha do Pr&iacute;ncipe, o tempo muito nublado nunca permitiu avistar terra, apesar da rota do navio n&atilde;o se afastar mais de 40 milhas do continente. Viram, sim, muitos peixes voadores e bandos de tartarugas, mas nunca baleias ou tubar&otilde;es &#91;16&#93;. Ao fim de v&aacute;rios dias, em 23 de abril, os expedicion&aacute;rios chegaram finalmente ao porto de Santo Ant&ocirc;nio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os portugueses chegaram &agrave;s ilhas de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe em 1470, seguindo-se esfor&ccedil;os para o seu povoamento, com a introdu&ccedil;&atilde;o da cana de a&ccedil;&uacute;car no s&eacute;culo XV, cultura que se encontrava em franco decl&iacute;nio no s&eacute;culo XVII devido tanto &agrave; concorr&ecirc;ncia do Brasil como a revoltas locais, o que acabou por reduzir as ilhas a entrepostos de escravos. Unidas administrativamente em 1753, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, a col&ocirc;nia de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe tinha-se tornado um expressivo produtor mundial de cacau e de caf&eacute; &#91;17&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As impress&otilde;es da ilha foram logo positivas, a densa vegeta&ccedil;&atilde;o luxuriante a descer abruptamente at&eacute; o mar, contrastando agradavelmente com a aridez de Cabo Verde &#91;18&#93;. Ainda a bordo, foram recebidos pelo administrador em exerc&iacute;cio da Ilha do Pr&iacute;ncipe, Vasconcelos, pelo representante da Sociedade de Agricultura Colonial, Grageira, e pelo presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Plantadores, Jer&oacute;nimo Jos&eacute; Carneiro, um homem jovem estabelecido na ilha h&aacute; pouco mais de dois anos, cuja fam&iacute;lia era propriet&aacute;ria, desde 1875, da ro&ccedil;a Sundy, uma das maiores planta&ccedil;&otilde;es do local. Essa recep&ccedil;&atilde;o formal, incluindo as individualidades que representavam as v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es oficiais e ro&ccedil;as particulares da ilha n&atilde;o deixava d&uacute;vidas sobre a import&acirc;ncia concedida pelas autoridades portuguesas aos viajantes e ao prop&oacute;sito da viagem. Tal como referiram "percebemos rapidamente que nos tinha sa&iacute;do a sorte grande" &#91;19&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dos viajantes n&atilde;o darem informa&ccedil;&otilde;es sobre a popula&ccedil;&atilde;o, estima-se que naquela altura n&atilde;o deveria ultrapassar os 6000 habitantes, dos quais provavelmente cerca de 3% eram portugueses ou europeus e a grande maioria eram trabalhadores das ro&ccedil;as &#91;20&#93;. Ainda que a escravatura tivesse sido oficialmente abolida em 1875, a verdade &eacute; que o fluxo de trabalhadores vindos de Angola, Cabo Verde e Mo&ccedil;ambique para as ro&ccedil;as de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe configurou uma situa&ccedil;&atilde;o de trabalhos for&ccedil;ados pr&oacute;xima da escravatura. Essa situa&ccedil;&atilde;o esteve na origem dos conflitos que opuseram o governo portugu&ecirc;s e as autoridades brit&acirc;nicas, nos anos que precederam a implanta&ccedil;&atilde;o da rep&uacute;blica, pouco mais de uma d&eacute;cada antes da viagem dos expedicion&aacute;rios. Com efeito, a empresa familiar Cadbury, um dos maiores compradores do cacau da Ilha do Pr&iacute;ncipe, n&atilde;o queria de forma alguma estar envolvida em transa&ccedil;&otilde;es comerciais envolvendo "cacau escravo" &#91;21&#93;, dadas as preocupa&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias que a sua afilia&ccedil;&atilde;o religiosa (quakers), a mesma da de Eddington, lhes infundia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante a estada na ilha, o c&iacute;rculo de relacionamentos dos expedicion&aacute;rios foi naturalmente restrito, e compunha-se, para al&eacute;m dos acima referidos, do juiz, do capit&atilde;o do porto, do tesoureiro, do curador respons&aacute;vel pelo "trabalho importado" &#91;22&#93;, de um empregado de escrit&oacute;rio de Jer&oacute;nimo Carneiro assim como de Atalaia, o administrador da ro&ccedil;a Sundy, antigo oficial de cavalaria que tinha lutado pela monarquia em 1910 e, depois de passar por Espanha e Fran&ccedil;a, se tinha refugiado ali h&aacute; quatro anos; e, finalmente, os negros brit&acirc;nicos Lewis e Wright, os &uacute;nicos dois trabalhadores da Esta&ccedil;&atilde;o de Cabo. Com excep&ccedil;&atilde;o destes &uacute;ltimos &#91;23&#93;, poucos falavam ingl&ecirc;s, n&atilde;o passando as conversas de frases b&aacute;sicas, apoiadas por olhadelas no dicion&aacute;rio. A conviv&ecirc;ncia pr&oacute;xima estabelecida entre Atalaia e Eddington desenrolou-se em franc&ecirc;s sum&aacute;rio (o que Cottingham, ainda assim, desconhecia totalmente), mas suficiente para se fazerem entender e at&eacute; debater temas de interesse comum, principalmente depois do jantar, quando, j&aacute; na ro&ccedil;a Sundy, os trabalhadores vinham discutir com Atalaia os mais variados assuntos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na pequena povoa&ccedil;&atilde;o de Santo Ant&ocirc;nio, a que passaram logo a chamar cidade, ficaram instalados na resid&ecirc;ncia de Jer&oacute;nimo Carneiro, uma vivenda nova com uma bela vista para a ba&iacute;a, onde coabitavam pacificamente um macaco, um c&atilde;o e um gato. Dois dos quatro dias que ficaram na "cidade" foram aproveitados para retemperar for&ccedil;as, passear de lancha ao largo do porto e jogar t&ecirc;nis com o juiz e o curador. As noites foram ocupadas em amena cavaqueira, ao som de m&uacute;sica cl&aacute;ssica da pianola e gramofone de Jer&oacute;nimo Carneiro. Dois dos dias foram reservados &agrave; escolha do local das observa&ccedil;&otilde;es, no primeiro visitaram de mula as ro&ccedil;as Esperan&ccedil;a e  S&atilde;o Joaquim, no segundo a ro&ccedil;a Sundy. Ao chegarem &agrave; Sundy, as d&uacute;vidas sobre a localiza&ccedil;&atilde;o desvaneceram-se.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A casa fica perto da ponta noroeste da ilha, longe das montanhas, num planalto com vista para uma ba&iacute;a situada cerca de 500 metros abaixo. T&iacute;nhamos notado esta casa quando nos aproximamos da ilha no vapor. Foi f&aacute;cil decidir que este era o local mais favor&aacute;vel; e aconteceu que existia um recinto fechado perto da casa que nos servia perfeitamente. Viamo-lo diretamente da janela do nosso quarto. &Eacute; abrigado a leste por um edif&iacute;cio e aberto em dire&ccedil;&atilde;o ao mar, a oeste e a norte - o ideal para o eclipse. Tratamos logo de fazer construir um pedestal para o cel&oacute;stato e de que a nossa bagagem nos fosse entregue na segunda-feira. &#91;24&#93;</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a11fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ro&ccedil;a Sundy, tal como todas as ro&ccedil;as da ilha, era uma esp&eacute;cie de pequena povoa&ccedil;&atilde;o, organizada em torno da casa principal do administrador, e exibindo capela, escola, hospital, habita&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores que, naquela altura, totalizavam mais de 600, escrit&oacute;rios, armaz&eacute;ns, casa de secagem, oficinas, est&aacute;bulos e propriedades agr&iacute;colas. O espa&ccedil;o escolhido para as observa&ccedil;&otilde;es, na traseira da casa principal onde os astr&ocirc;nomos ficaram instalados, tinha de coordenadas 1º 40' N, 29m 32s E (7º23'E) &#91;25&#93;. Os astr&ocirc;nomos mudaram-se para a ro&ccedil;a no dia 28 de abril, usando como transporte mulas e carruagem. Chegaram primeiro os astr&ocirc;nomos e s&oacute; depois as duas toneladas de bagagem que aproveitou os carris da ro&ccedil;a, ainda que durante um trecho de cerca de 1 milha fosse carregada por trabalhadores locais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi com a ajuda desses trabalhadores, incluindo carpinteiros e mec&acirc;nicos, que come&ccedil;aram imediatamente os preparativos da instala&ccedil;&atilde;o, iniciados com a constru&ccedil;&atilde;o de duas tendas que resistiram "esplendorosamente a um dil&uacute;vio" mal foram erigidas, passando assim um exigente teste natural &agrave; sua efic&aacute;cia. A instala&ccedil;&atilde;o do material (tendas, telesc&oacute;pio, cel&oacute;stato e mecanismo regulador) prosseguiu mas foi tomada a decis&atilde;o de n&atilde;o desempacotar o espelho do cel&oacute;stato para que a umidade n&atilde;o o danificasse. Em carta enviada a Oom, datada de 4 de maio, Eddington refere a ajuda inestim&aacute;vel que lhes estava sendo concedida e acrescenta: "Tudo o que precisamos agora &eacute; de um bom dia para o eclipse" &#91;26&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O adiantado dos trabalhos e o isolamento da Sundy levou os astr&ocirc;nomos a regressarem a Santo Ant&ocirc;nio durante uma semana, entre 6 e 13 de maio, para voltarem definitivamente &agrave; Sundy ainda a 13 de maio. Nessa &uacute;ltima etapa finalizaram a instala&ccedil;&atilde;o dos instrumentos e procederam a sua afina&ccedil;&atilde;o e verifica&ccedil;&atilde;o. A partir de 16 de maio foram tiradas fotografias em noites claras, que foram reveladas tamb&eacute;m durante a noite, um processo lento devido &agrave; temperatura demasiado elevada da &aacute;gua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depois de chuva copiosa a 9 de maio, a gravana, ou esta&ccedil;&atilde;o fria, instalou-se. Deixou praticamente de chover, mas o c&eacute;u encobriu-se e as condi&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas pareciam muito menos favor&aacute;veis &agrave; observa&ccedil;&atilde;o do eclipse do que durante a esta&ccedil;&atilde;o anterior, chuvosa. &Eacute; bem poss&iacute;vel que Eddington come&ccedil;asse a temer pelo resultado da expedi&ccedil;&atilde;o e recordasse o fracasso da observa&ccedil;&atilde;o em Passa Quatro, no Brasil, em 1912, e o de tantos outros astr&ocirc;nomos que tinham visto o esfor&ccedil;o herc&uacute;leo das suas equipes coroado pelo desapontamento de nada conseguirem observar. Se houve ainda alguns dias desanuviados, os dois dias antes do eclipse foram muito desfavor&aacute;veis, os piores at&eacute; ent&atilde;o, e n&atilde;o auguravam nada de bom.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O ECLIPSE DE 29 DE MAIO DE 1919. OBSERVA&Ccedil;&Otilde;ES E INVISIBILIDADES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; no barco de regresso &agrave; Europa, a descri&ccedil;&atilde;o que Eddington fez do eclipse, em carta &agrave; m&atilde;e, &eacute; um depoimento claro e detalhado que revela todo o espectro de emo&ccedil;&otilde;es vividas naqueles pequenos instantes em que tanto trabalho e expectativas convergiam e que as partidas do tempo teimavam em torpedear:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na manh&atilde; do eclipse, o Sr. Carneiro, o curador, o juiz, o Sr. Wright e tr&ecirc;s m&eacute;dicos juntaram-se a n&oacute;s. Assim que chegaram, uma tempestade violenta de chuva desabou sobre n&oacute;s, a mais forte que presenciamos. Era muito incomum naquela &eacute;poca do ano; mas foi favor&aacute;vel ao eclipse, pois ajudou a limpar o c&eacute;u. A chuva parou por volta do meio-dia (o eclipse era &agrave;s 2:15pm). Apareceram alguns raios de sol depois da chuva, mas o c&eacute;u ficou nublado de novo. Por volta da 1:30pm, quando a fase parcial estava avan&ccedil;ada, come&ccedil;amos a vislumbrar o sol, &agrave; 1:55pm, pod&iacute;amos ver o crescente (atrav&eacute;s das nuvens) quase continuamente, e grandes manchas de c&eacute;u claro come&ccedil;aram a aparecer. Tivemos que ter f&eacute; e acreditar que o nosso programa de fotografias ia ser executado. N&atilde;o vi o eclipse, estive demasiado ocupado a trocar as placas, exceto por um relance para ter a certeza de que tinha come&ccedil;ado, e outro a meio para ver quantas nuvens havia. Tiramos 16 fotografias (das quais 4 ainda n&atilde;o foram reveladas). S&atilde;o todas boas fotos do Sol, mostrando uma proemin&ecirc;ncia not&aacute;vel; mas as nuvens interferiram muito nas imagens das estrelas. As primeiras 10 fotografias praticamente n&atilde;o mostram estrelas. As &uacute;ltimas 6 mostram algumas imagens que, espero, nos dar&atilde;o o que precisamos; mas &eacute; muito decepcionante. Tudo indica que os nossos dispositivos foram bastante satisfat&oacute;rios e, com um tempo mais desanuviado, dever&iacute;amos ter obtido resultados espl&ecirc;ndidos. Dez minutos depois do eclipse, o c&eacute;u estava limpo, mas pouco depois ficou nublado de novo.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Revelamos 2 fotografias por noite durante 6 noites ap&oacute;s o eclipse, e passei os dias a tirar medidas. O tempo nublado prejudicou os meus planos e tive que analisar as medidas de um modo diferente do que pretendia; consequentemente, n&atilde;o consegui fazer nenhum an&uacute;ncio preliminar do resultado. Mas a placa melhor que medi deu um resultado em concord&acirc;ncia com Einstein e acho que consegui uma pequena confirma&ccedil;&atilde;o de uma segunda placa. &#91;27&#93;</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a11fig04.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na verdade, como era de se esperar, h&aacute; diferen&ccedil;as substanciais entre o relato privado, transcrito acima, e a descri&ccedil;&atilde;o inclu&iacute;da no artigo conjunto publicado nas <i>Transactions of the Royal Society of London </i>&#91;28&#93;, ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, na reuni&atilde;o conjunta da Royal Society of London e da Royal Astronomical Society, ocorrida a 6 de novembro de 1919. N&atilde;o tanto ao n&iacute;vel das informa&ccedil;&otilde;es fornecidas, que s&atilde;o sensivelmente as mesmas, mas na maior precis&atilde;o na identifica&ccedil;&atilde;o dos instantes da totalidade e, principalmente, na aus&ecirc;ncia de refer&ecirc;ncia &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es sentidas. A descri&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica adjetiva a "excel&ecirc;ncia" das fotografias e a "notabilidade" da proemin&ecirc;ncia mas omite a refer&ecirc;ncia &agrave; decep&ccedil;&atilde;o provocada pelo mau tempo, &agrave; f&eacute; em acreditar na execu&ccedil;&atilde;o do programa e, finalmente, &agrave; esperan&ccedil;a que os resultados comprovassem a previs&atilde;o de Einstein.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais curioso &eacute; notar a forma como Eddington se refere ao eclipse quando, em 1920, no mesmo ano do artigo conjunto, publicou <i>Space, time and gravitation, </i>um livro de divulga&ccedil;&atilde;o que introduz, de forma n&atilde;o t&eacute;cnica, o p&uacute;blico leigo ao formalismo e aparato conceptual da teoria da relatividade. Dois dos cap&iacute;tulos s&atilde;o dedicados &agrave;s previs&otilde;es da teoria da relatividade geral, sendo o cap&iacute;tulo "Pesando a luz" consagrado &agrave;s expedi&ccedil;&otilde;es e aos seus resultados. Nele, descreve em termos po&eacute;ticos o momento m&aacute;gico da totalidade, de enorme beleza, expectativa e muita az&aacute;fama:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A caixa de sombra ocupa toda a nossa aten&ccedil;&atilde;o. H&aacute; um maravilhoso espet&aacute;culo acima e, como revelaram as fotos, uma maravilhosa proemin&ecirc;ncia-chama est&aacute; posicionada a cem mil milhas acima da superf&iacute;cie do Sol. N&atilde;o temos tempo nem para uma olhadela. Estamos conscientes apenas da estranha meia-luz da paisagem e do sil&ecirc;ncio da natureza, interrompidos pelas chamadas dos observadores e a batida do metr&ocirc;nomo, que conta os 302 segundos de totalidade. &#91;29&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em termos do conte&uacute;do dos relatos escritos identifica-se, assim, uma grada&ccedil;&atilde;o decrescente de emo&ccedil;&otilde;es, da riqueza da comunica&ccedil;&atilde;o privada, que p&otilde;e a nu os sentimentos do astr&ocirc;nomo, ao texto de divulga&ccedil;&atilde;o, que descreve com como&ccedil;&atilde;o a paisagem e o ambiente mas omite refer&ecirc;ncias ao sentir do astr&ocirc;nomo e, finalmente, &agrave; publica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, factual e mais detalhada nos pormenores e informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Note-se ainda que no artigo cient&iacute;fico se omite a refer&ecirc;ncia &agrave;s testemunhas locais que acompanharam o trabalho dos expedicion&aacute;rios, enumeradas na carta &agrave; m&atilde;e (os "Sr. Carneiro, o curador, o juiz, o Sr. Wright e tr&ecirc;s m&eacute;dicos juntaram-se a n&oacute;s") e intu&iacute;das pelo leitor atento do livro de divulga&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da men&ccedil;&atilde;o aos "observadores" que faziam o chamamento crucial &agrave; mudan&ccedil;a de chapas nos instantes devidos. Assim, apesar da sua invisibilidade, dois tipos de atores locais participaram diretamente nas experi&ecirc;ncias: os trabalhadores, que forneceram a m&atilde;o de obra para a constru&ccedil;&atilde;o de suportes para os instrumentos ou estruturas de prote&ccedil;&atilde;o de toda a aparelhagem, e os membros da elite local que participaram nas observa&ccedil;&otilde;es da totalidade. Estes vieram juntar-se aos astr&ocirc;nomos, autoridades e individualidades nacionais e coloniais, que asseguraram o sucesso da viagem e da perman&ecirc;ncia dos expedicion&aacute;rios em Funchal e na Ilha do Pr&iacute;ncipe.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dias que se seguiram ao eclipse foram ocupados na revela&ccedil;&atilde;o e medi&ccedil;&atilde;o de 12 das 16 chapas tiradas. Na Ilha do Pr&iacute;ncipe, como em Sobral, recorreram &agrave; ajuda local, neste caso ao gelo fornecido por Grageira para assegurar condi&ccedil;&otilde;es de temperatura adequadas da revela&ccedil;&atilde;o &#91;30&#93;. Ainda assim, quatro das chapas n&atilde;o puderam ser reveladas dada a composi&ccedil;&atilde;o do seu material ser inadequada &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es locais &#91;31&#93;. Entretanto, foi tomada a decis&atilde;o de n&atilde;o ficarem na ilha para obter as chapas extras de compara&ccedil;&atilde;o, pois um "bra&ccedil;o de ferro" entre o governo portugu&ecirc;s e a companhia de navega&ccedil;&atilde;o quanto ao pre&ccedil;o dos bilhetes anunciava uma greve sem fim &agrave; vista. Optaram por recorrer &agrave;s tiradas no in&iacute;cio do ano em Oxford, em condi&ccedil;&otilde;es razo&aacute;veis mas n&atilde;o ideais, para funcionarem como chapas de compara&ccedil;&atilde;o &#91;32&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dias restantes at&eacute; a partida foram ocupados numa ca&ccedil;ada de macacos, abundantes na ilha a ponto de haver trabalhadores das ro&ccedil;as destacados propositadamente para os afastarem das &aacute;rvores de cacau; num passeio a uma das depend&ecirc;ncias da Sundy onde se plantava uma variedade muito especial de cacau: "era uma vis&atilde;o linda ver as grandes vagens douradas em tal n&uacute;mero que a floresta parecia iluminada por lanternas chinesas" &#91;33&#93;; numa visita &agrave; Lapa, propriedade da Sociedade Agr&iacute;cola Colonial, onde nadaram com cautela por causa dos tubar&otilde;es e onde comeram peixe na praia, uma faixa de areia muito branca que se estendia entre os coqueiros e o mar; e numa visita &agrave; pequena ilha Bom Bom e &agrave;s ru&iacute;nas da habita&ccedil;&atilde;o apala&ccedil;ada de uma conhecida negociante de escravos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REGRESSO E AN&Uacute;NCIO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com ajuda oficial, os astr&ocirc;nomos conseguiram lugar no navio superlotado S.S. Zaire, partindo em 12 de junho de Santo Ant&ocirc;nio, na companhia de Jer&oacute;nimo Carneiro. Partilharam cabine com um tripulante portugu&ecirc;s, reencontraram a jovem mission&aacute;ria com quem tinham feito a viagem para a Ilha do Pr&iacute;ncipe e conheceram uma outra mission&aacute;ria quaker.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A viagem de regresso, pior e mais lenta que a da ida, foi amenizada por um telegrama de Dyson que afirmava: "a equipe do Brasil foi bem sucedida" &#91;34&#93;. Na verdade, o telegrama enviado por Crommelin a Dyson dizia "Eclipse espl&ecirc;ndido", o que, de acordo com o c&oacute;digo pr&eacute;-estabelecido, significava um eclipse perfeito, enquanto que o de Eddington anunciava "Atrav&eacute;s de nuvens. Esperan&ccedil;oso"&#91;35&#93;, quebrando o c&oacute;digo, mas mantendo o otimismo, apesar da decep&ccedil;&atilde;o &#91;36&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passaram pela cidade da Praia no dia 20 de junho e chegaram a Lisboa em data incerta, entre 30 de junho e 2 de julho. De Lisboa partiram a bordo de um vapor tamb&eacute;m superlotado da Royal Mail Steam Packet Line, chegando a Liverpool em 14 de julho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ver&atilde;o foi passado no trabalho de an&aacute;lise e redu&ccedil;&atilde;o dos dados das fotografias tiradas na Ilha do Pr&iacute;ncipe e em Sobral, ao mesmo tempo que Einstein se sentia cada vez mais apreensivo na aus&ecirc;ncia de not&iacute;cias. A 22 de setembro, Einstein recebeu a indica&ccedil;&atilde;o de que os resultados apontavam no sentido das suas previs&otilde;es &#91;37&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conhecem-se os detalhes da apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, em 6 de novembro, na c&eacute;lebre sess&atilde;o conjunta referida acima &#91;38&#93;, que se revestiu de enorme pompa e circunst&acirc;ncia. Os resultados obtidos eram compat&iacute;veis com as previs&otilde;es de Einstein. A an&aacute;lise do que se passou nessa reuni&atilde;o e o seu impacto no Reino Unido, na Alemanha, no Brasil, em Portugal e no resto do mundo, n&atilde;o podem ser abordados neste artigo. Basta referir que as suas repercuss&otilde;es, tanto cient&iacute;ficas como populares, inclu&iacute;ram discuss&otilde;es acesas e, ao mesmo tempo, catapultaram Einstein para o estrelato cient&iacute;fico, eclipsando, no processo, os pr&oacute;prios expedicion&aacute;rios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>&Agrave; LAIA DE CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o quero terminar sem ponderar as raz&otilde;es da aus&ecirc;ncia de refer&ecirc;ncias, nas cartas e publica&ccedil;&otilde;es de Eddington, ao trabalho nas ro&ccedil;as e ao "cacau escravo", tanto mais que, &agrave; primeira vista, as suas convic&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas religiosas apontariam em sentido contr&aacute;rio. Contudo, numa segunda leitura, a considera&ccedil;&atilde;o pelos valores &eacute;ticos da educa&ccedil;&atilde;o de Eddington, ocorrida numa sociedade de estrutura marcadamente classista, assim como as expectativas comportamentais nas rela&ccedil;&otilde;es entre anfitri&atilde;o e convidado na ro&ccedil;a Sundy, permitem entender a aus&ecirc;ncia desse assunto, tanto nos relatos p&uacute;blicos como nos privados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A esses aspectos acrescente-se a vis&atilde;o que os cientistas foram arquitetando, pelo menos desde o s&eacute;culo XVII, da ci&ecirc;ncia, dos cientistas e do seu <i>m&eacute;tier</i>, que os colocava nos ant&iacute;podas da sociedade real em que existiam. Essa foi, ali&aacute;s, a vis&atilde;o que subjaz &agrave; estrat&eacute;gia desenvolvida apaixonadamente por Eddington no p&oacute;s-expedi&ccedil;&atilde;o. Empenhou-se em apresent&aacute;-la ao mundo como inst&acirc;ncia por excel&ecirc;ncia de internacionalismo cient&iacute;fico, tanto mais cativante quanto tinha decorrido numa situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de conflito b&eacute;lico entre o pa&iacute;s dos astr&ocirc;nomos que mediram o encurvamento e o do f&iacute;sico que o previu. Apesar de atraente, essa narrativa &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o de uma comunidade (a dos cientistas), empenhada em afirmar a sua import&acirc;ncia e estatuto socioprofissionais e hegemonia epistemol&oacute;gica. Muitas vezes, no passado como no presente, e o caso do eclipse de 1919 oferece um exemplo significativo nesse sentido, constru&ccedil;&atilde;o narrativa e pr&aacute;tica cient&iacute;fica entram em conflito, por vezes de forma dram&aacute;tica. Tendo estes aspectos em mente a invisibilidade do &#147;cacau escravo&#148; deixa, mais uma vez, de ser surpreendente, ainda que se mantenha inc&ocirc;moda. &Eacute; antes, sim, um sinal dos tempos. &Eacute; antes, sim, reflexo das constru&ccedil;&otilde;es narrativas, das mitologias, de uma comunidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda que parciais e de formatos e extens&atilde;o diversos, uns de cariz privado e outros p&uacute;blicos, os relatos que Eddington deixou da sua aventura entrela&ccedil;am impress&otilde;es pessoais, coment&aacute;rios subjetivos e considera&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas. Analisados em conjunto, permitem reconstituir as viv&ecirc;ncias da expedi&ccedil;&atilde;o e evidenciar as suas m&uacute;ltiplas facetas, cient&iacute;ficas, sociais e pol&iacute;ticas. Reveladores, tanto pelo que mencionam como pelo que omitem, esses relatos s&atilde;o uma componente essencial para a reconstru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do eclipse de 1919, rumo a uma hist&oacute;ria global.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AGRADECIMENTOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Agrade&ccedil;o o apoio dos Master and Fellows of Trinity College, Cambridge, pelo uso da correspond&ecirc;ncia de Eddington, e da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Portugal, no &acirc;mbito do projecto UID/HIS/00286/2019.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Crelinsten, J. <i>Einstein's jury. The race to test relativity</i>. Princeton: Pricenton University Press, 2006;    <!-- ref --> M. Stanley<i>, Practical mystic: religion, science and A.S. Eddington. </i>Chicago: Chicago University Press, 2007;    <!-- ref --> Mota, E.,Crawford, P., Sim&otilde;es,  A. "Einstein in Portugal: Eddington's expedition to Pr&iacute;ncipe and the reactions of portuguese astronomers (1917-1925). In: <i>British Journal for the History of Science, </i>42, pp. 245-73, 2009;    <!-- ref --> Sim&otilde;es, A. "O eclipse de 29 de maio de 1919 e a teoria da relatividade. Um encontro improv&aacute;vel". In: <i>Gazeta de F&iacute;sica</i>, 42, pp. 4-7, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Pang, A. S. K. <i>Empire and the Sun. Victorian solar eclipse expeditions</i>. Stanford: Stanford University Press, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Crommelin, A. C. C. "The eclipse expedition to Sobral". In: <i>The Observatory</i>, 42, pp. 368-71, p. 368, 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Trinity College Library, Cambridge. Correspond&ecirc;ncia de Eddington (TCL: EDDN A4/2). 15 de mar&ccedil;o de 1919. Neste artigo baseio-me nas cartas de Eddington &agrave; m&atilde;e Sarah Ann Eddington e &agrave; irm&atilde; Winnifred Eddington. No que se segue e no que se refere &agrave;s cartas &agrave; m&atilde;e indicarei, por simplicidade, apenas a data da carta.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Crommelin, (ref. n.3), p. 368; TCL: EDDN A4/2. 15 de mar&ccedil;o de 1919; Arquivo MUHNAC/OAL (Arquivo do Observat&oacute;rio Astron&oacute;mico de Lisboa): Bilhete de F. Oom.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. TCL: EDDN A4/2. 3 de setembro de 1912.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Carolino, L. M.;  Sim&otilde;es, A. "The eclipse, the astronomer and his audience: Frederico Oom and the total solar eclipse of 28 may 1900 in Portugal". In: <i>Annals of Science, </i>69, pp. 223-226, 2012.    <!-- ref --> Carolino, L. M.;  Sim&otilde;es, A. "Frederico Oom e a promo&ccedil;&atilde;o da astronomia em Portugal". In: <i>Gazeta de F&iacute;sica</i>, 42, pp.17-20, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. TCL: EDDN A4/2. 15 de mar&ccedil;o de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. TCL: EDDN A4/2. 27 de mar&ccedil;o, 6 e 13 de abril de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. TCL: EDDN A4/2. 27 de mar&ccedil;o de 1919.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. TCL: EDDN A4/2. 13 de abril de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. TCL: EDDN A4/2. 20 de abril de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. TCL: EDDN A4/2. 5 de maio de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. TCL: EDDN A4/2. 20 de abril de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. TCL: EDDN A4/2. Carta de Eddington a Winnifred Eddington, 5 de maio de 1919.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. TCL: EDDN A4/2.  29 de abril - 2 de maio de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Nascimento, A. "Poderes e quotidianos nas ro&ccedil;as de S. Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe", tese de doutoramento, 2002;    <!-- ref --> <i>Hist&oacute;rias da Ilha do Pr&iacute;ncipe. </i>Oeiras: Munic&iacute;pio de Oeiras, 2011;    <!-- ref -->  Pape, D.; Andrade, R. R. <i>As ro&ccedil;as de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe</i>. Lisboa: Tinta da China, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. TCL: EDDN A4/2. 29 de abril - 2 de maio de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. TCL: EDDN A4/2. 29 de abril - 2 de maio de 1919.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil encontrar dados sistem&aacute;ticos sobre a popula&ccedil;&atilde;o da ilha, pelo que &eacute; necess&aacute;rio cruzar fontes, nem sempre f&aacute;ceis de localizar, sendo quaisquer estimativas sempre provis&oacute;rias. Por exemplo, em Seibert, G. "Patrim&ocirc;nio edificado de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe. A ro&ccedil;a Sundy".&nbsp;In:&nbsp;<i>China e pa&iacute;ses lus&oacute;fonos - patrim&ocirc;nio constru&iacute;do</i>. Macau: Instituto Internacional de Macau, pp.394-415, 2016,    <!-- ref --> afirma-se que "em 1908 havia 3300 servi&ccedil;ais na Ilha do Pr&iacute;ncipe, a maioria da popula&ccedil;&atilde;o da ilha tinha descido para 3830, sendo 150 brancos e 350 ilh&eacute;us" (p.407) (e a popula&ccedil;&atilde;o da Ilha do Pr&iacute;ncipe n&atilde;o devia ultrapassar 6% da de S&atilde;o Tom&eacute;).  De acordo com o <i>Boletim Geral das Col&oacute;nias</i>, Vol43 (S.Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe), Portugal, Ag&ecirc;ncia Geral das Col&oacute;nias, 1929,     a popula&ccedil;&atilde;o do Pr&iacute;ncipe era de 5311 habitantes em 1914 e 6903 em 1921. Agrade&ccedil;o a Duarte Pape a indica&ccedil;&atilde;o desta &uacute;ltima fonte que me permitiu fazer uma melhor estimativa da popula&ccedil;&atilde;o do Pr&iacute;ncipe.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Jer&oacute;nimo, M. B.<i> The 'civilizing mission' of portuguese colonialism, 1870-1930</i>. New York: Palgrave Mcmillan, 2015;    <!-- ref --> Gisa Weszkalnys, "Principe eclipsed. Commemorating the confirmation of Einstein's theory of general relativity". In: <i>Anthropology Today</i> 25, pp. 8-12, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. TCL: EDDN A4/2. 29 de abril - 2 de maio de 1919.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. A exist&ecirc;ncia de trabalhos ingleses na Esta&ccedil;&atilde;o de Cabo tinha sido referida por Oom na correspond&ecirc;ncia com Eddington.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. TCL: EDDN A4/2. 29 de abril - 2 de maio de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Dyson, F. W.; Eddington, A.; Davidson, C. "A determination of the deflection of light by the sun's gravitational field, from observations made at the total solar eclipse of may 29, 1919". In: <i>Royal Society of London. Philosophical Transactions A</i> 220 pp. 291-333, p.313, 1920. Traduzido em: Nunes dos Santos, A. M.; Auretta,  C. (coords.). <i>Eddington e Einstein. </i>Lisboa: Gradiva, 1992.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25. Arquivo MUHNAC/OAL. PT/MUL/OAL/C/240.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. TCL: EDDN A4/2. 21 de junho e 2 de julho de 1919.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27. Dyson et al., (ref. n.25).</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28. Eddington, A. S. <i>Space, time and gravitation: an outline of the general relativity theory. </i>New York: Harper Row, pp.110-22, p.115, 1959, 1ª edi&ccedil;&atilde;o 1920.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">29. Dyson et al., (ref. n.25). p.316.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">30. Eddington, (ref. n.29), p. 116.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">31. Dyson et al., (ref. n.25). p.314, 317.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">32. TCL: EDDN A4/2. 21 de junho de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">33. TCL: EDDN A4/2. 21 de junho de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">34. <i>The Observatory</i> 42 (540), p.256, 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">35. <i>The Observatory</i>, 42 (541), pp. 261-272, pp. 261-2, 1919. Reuni&atilde;o de 13 de junho de 1919.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">36.  F&ouml;lsing, A. A<i>lbert Einstein. </i>pp.433-52. London: Penguin, 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">37. "Joint eclipse meeting of the Royal Society and the Royal Astronomical Society". In: <i>The Observatory </i>42, pp. 389-98, 1919.    </font></p>      ]]></body><back>
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