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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br>   EDUCA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da astronomia no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a16fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O c&eacute;u fascina o homem h&aacute; milhares de anos. Tanto que a astronomia &eacute; considerada a mais antiga das ci&ecirc;ncias - seus primeiros registros datam de 3.000 a.C. e se devem aos chineses, babil&ocirc;nios, ass&iacute;rios e eg&iacute;pcios. Ao longo de todo esse tempo, a astronomia vem guiando o homem rumo ao avan&ccedil;o cient&iacute;fico. A astronomia brasileira tamb&eacute;m tem uma longa hist&oacute;ria. O Brasil abrigou o primeiro observat&oacute;rio astron&ocirc;mico do Hemisf&eacute;rio Sul, constru&iacute;do em 1639 no pal&aacute;cio Friburgo, em Recife, pelos holandeses. O Observat&oacute;rio Nacional, originalmente denominado Imperial Observat&oacute;rio do Rio de Janeiro, foi criado em 1827, e &eacute; uma das mais antigas institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas brasileiras. No seu primeiro s&eacute;culo de exist&ecirc;ncia, o Observat&oacute;rio Nacional organizou e participou de diversas expedi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas de astronomia. A mais famosa delas foi a do eclipse solar de Sobral (CE), em 1919, que ajudou a confirmar a teoria da relatividade geral de Einsten.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ali&aacute;s, neste ano comemoram-se os cem anos do evento, com direito ao N&uacute;cleo Tem&aacute;tico dedicado ao tema nesta edi&ccedil;&atilde;o da <i>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura,</i> exposi&ccedil;&atilde;o cultural e encontro internacional organizado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) no m&ecirc;s de maio. O famoso eclipse, observado na pequena cidade do interior cearense, causou tanto alvoro&ccedil;o porque confirmou a teoria da relatividade formulada por Albert Einstein. A equipe inglesa, liderada pelo astr&ocirc;nomo ingl&ecirc;s Arthur Eddington, da Royal Astronomical Society, tirou v&aacute;rias fotografias durante o eclipse que comprovaram que a luz se desvia ao passar pr&oacute;xima a um corpo celeste de grande massa. Para celebrar o centen&aacute;rio, a SBPC, em parceria com a prefeitura de Sobral e com o governo do estado do Cear&aacute;, organizou o Encontro Internacional do Centen&aacute;rio do Eclipse de Sobral (1919-2019), que aconteceu nos dias 28 a 30 de maio, com palestras, bate-papos, e apresenta&ccedil;&otilde;es culturais. Tamb&eacute;m o Museu de Astronomia e Ci&ecirc;ncias Afins (MAST), em parceria com o Observat&oacute;rio Nacional, inaugurou no dia 29 de maio a exposi&ccedil;&atilde;o <i>O eclipse - Einstein, Sobral e o GPS</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de seu longo hist&oacute;rico no que se refere &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da astronomia, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer. "Em geral os jornais e as m&iacute;dias fazem tradu&ccedil;&otilde;es de pautas internacionais, o que resulta em invisibilidade do que &eacute; produzido no Brasil", aponta a f&iacute;sica Daniela Borges Pavani, professora do Departamento de Astronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico problema enfrentado pela &aacute;rea. A falta de preparo dos profissionais da m&iacute;dia, de investimento (e at&eacute; mesmo de interesse) por parte dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o e de acessibilidade dos cientistas tamb&eacute;m dificulta - e muito - a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da astronomia brasileira. "A divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de astronomia &eacute; uma via de m&atilde;o dupla", explica o f&iacute;sico Roberto Dias da Costa, professor do Departamento de Astronomia da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). "Por um lado, &eacute; necess&aacute;rio que os &oacute;rg&atilde;os de imprensa se interessem pelo tema, quebrando aquele paradigma de que apenas pol&iacute;tica, pol&iacute;cia e economia interessam ao p&uacute;blico. Por outro, os astr&ocirc;nomos profissionais necessitam tornar-se acess&iacute;veis &agrave; imprensa, tanto em termos de disponibilidade de tempo como em termos de comunicabilidade".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Buscando favorecer a divulga&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea, a Sociedade Astron&ocirc;mica Brasileira (SAB) tem feito um esfor&ccedil;o para disponibilizar pesquisadores da &aacute;rea como contatos para a imprensa. Al&eacute;m disso a SAB oferece aos influenciadores digitais, em especial aos <i>youtubers</i>, um programa de tutoria, em que astrof&iacute;sicos d&atilde;o apoio para a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da &aacute;rea.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EDUCA&Ccedil;&Atilde;O &amp; ASTRONOMIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m da divulga&ccedil;&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o pela astronomia tamb&eacute;m se faz extremamente importante. Por envolver uma combina&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia, tecnologia e cultura, a astronomia &eacute; um instrumento poderoso para despertar o interesse e envolver os jovens estudantes nas diferentes &aacute;reas da ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos par&acirc;metros curriculares nacionais (PCN), que j&aacute; completam 30 anos, ou na base comum curricular nacional (BCCN), proposta mais recentemente, a astronomia &eacute; apontada como uma aliada importante na introdu&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas e como uma &aacute;rea do conhecimento transversal. "A astronomia n&atilde;o &eacute; uma disciplina escolar, mas ela &eacute; multidisciplinar, possibilitando discutir temas da geografia, f&iacute;sica, hist&oacute;ria, artes...", explica o f&iacute;sico Gustavo Rojas, pesquisador do N&uacute;cleo de Forma&ccedil;&atilde;o de Professores da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar) e l&iacute;der das equipes brasileiras que disputam a Olimp&iacute;ada Internacional de Astronomia e Astrof&iacute;sica (IOAA).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a16fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a falta de investimento para a prepara&ccedil;&atilde;o dos professores ainda &eacute; um problema frequente. Isso faz com que o tema seja abordado de forma inadequada, ou at&eacute; mesmo n&atilde;o seja abordado, em sala de aula. No entanto, algumas iniciativas v&ecirc;m buscando preencher essa lacuna. A USP oferece cursos a dist&acirc;ncia para professores, como o mestrado profissional em ensino de astronomia, criado em 2013. Uma das iniciativas mais exemplares em rela&ccedil;&atilde;o aos estudantes &eacute; a Olimp&iacute;ada Brasileira de Astronomia e Astron&aacute;utica (OBA), um evento nacional realizado nas escolas brasileiras desde 1998 pela SAB, que atualmente atinge mais de um milh&atilde;o de estudantes do ensino fundamental e m&eacute;dio. "Al&eacute;m dessas a&ccedil;&otilde;es, espa&ccedil;os como planet&aacute;rios, observat&oacute;rios e museus de ci&ecirc;ncias s&atilde;o importantes para educar e divulgar a astronomia. E, nesse processo, falar e entender a ci&ecirc;ncia e suas implica&ccedil;&otilde;es em nossas vidas &eacute; fundamental", afirma Rojas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O BRASIL E O MUNDO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A explora&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o aumentou n&atilde;o apenas nosso conhecimento sobre o universo, mas tamb&eacute;m trouxe v&aacute;rios benef&iacute;cios para nossa vida na Terra. Os resultados do desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico da astronomia frequentemente se transformam em aplica&ccedil;&otilde;es essenciais para o nosso dia a dia. Telecomunica&ccedil;&otilde;es, GPS, previs&otilde;es meteorol&oacute;gicas, pain&eacute;is solares, scanners de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica e muitas outras aplica&ccedil;&otilde;es para a medicina s&atilde;o apenas algumas das &aacute;reas dependentes da infraestrutura espacial.    "&Eacute; comum as pessoas pensarem que pesquisar assuntos que n&atilde;o t&ecirc;m aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica imediata &eacute; perda de tempo. Por&eacute;m, a pesquisa b&aacute;sica, entre as quais est&aacute; a astronomia, &eacute; propulsora do desenvolvimento cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gico e social", explica Pavani. "Em maio comemoramos 100 anos da comprova&ccedil;&atilde;o da teoria da relatividade geral, assunto em que o Brasil foi protagonista atrav&eacute;s das observa&ccedil;&otilde;es do eclipse total do Sol em Sobral (CE). Um assunto que parece totalmente desconectado da nossa vida cotidiana. Entretanto, n&atilde;o poder&iacute;amos usar esses aplicativos de chamar t&aacute;xi, Uber etc. porque o funcionamento do GPS, que est&aacute; por tr&aacute;s desses servi&ccedil;os, baseia-se nessa teoria. Temos in&uacute;meros exemplos, que v&atilde;o da medicina ao Wi-Fi", diz a professora da UFRGS.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E apesar de todas as dificuldades, o Brasil faz parte da expans&atilde;o desse tipo de conhecimento. Nos &uacute;ltimos anos, a quantidade de artigos cient&iacute;ficos na &aacute;rea publicados por brasileiros cresceu significativamente, passando de quatro mil pesquisas divulgadas, entre 2000 e 2009, para 5,3 mil, de 2010 a 2017. E n&atilde;o &eacute; s&oacute;, nosso pa&iacute;s tamb&eacute;m faz parte de iniciativas internacionais, como o Bingo, um radiotelesc&oacute;pio projetado para fazer a primeira detec&ccedil;&atilde;o de oscila&ccedil;&otilde;es ac&uacute;sticas de Byron (BAO). Por meio desse telesc&oacute;pio ser&aacute; poss&iacute;vel medir as propriedades da energia escura. O projeto est&aacute; sendo constru&iacute;do pelo Brasil e inclui pesquisadores da Ar&aacute;bia Saudita, Su&iacute;&ccedil;a, Reino Unido e Uruguai.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Claro que h&aacute; alguns percal&ccedil;os no caminho do desenvolvimento dessa &aacute;rea por aqui. Por anos o pa&iacute;s lutou para participar do Observat&oacute;rio Europeu do Sul (ESO). Em 2010, a ESO aprovou a entrada do Brasil no cons&oacute;rcio, mas apenas em 2015 o Congresso brasileiro aprovou a ades&atilde;o. Apesar do processo ainda depender da san&ccedil;&atilde;o presidencial, a ESO fez um acordo de ades&atilde;o que colocava o Brasil em condi&ccedil;&atilde;o de igualdade com os outros 14 membros. Isso possibilitava que as ind&uacute;strias brasileiras participassem nas apresenta&ccedil;&otilde;es das propostas do Observat&oacute;rio e que os astr&ocirc;nomos de institui&ccedil;&otilde;es brasileiras concorressem a tempo de observa&ccedil;&atilde;o nos telesc&oacute;pios do ESO nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es que os demais membros. Por&eacute;m, o n&atilde;o cumprimento da oficializa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s como participante e a falta do acerto das obriga&ccedil;&otilde;es financeiras previstas obrigaram o ESO a suspender a participa&ccedil;&atilde;o brasileira no ano passado. "Uma sociedade bem informada – tanto em sua educa&ccedil;&atilde;o escolar como em sua educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica – &eacute; essencial para a tomada de decis&otilde;es. De modo que em epis&oacute;dios de restri&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias o cidad&atilde;o possa avaliar a situa&ccedil;&atilde;o criticamente e enxergar que esses campos (a educa&ccedil;&atilde;o e a ci&ecirc;ncia) s&atilde;o essenciais, percebendo que n&atilde;o existe pa&iacute;s desenvolvido e com justi&ccedil;a social sem investimento em educa&ccedil;&atilde;o e que a ci&ecirc;ncia &eacute; uma pe&ccedil;a-chave no desenvolvimento econ&ocirc;mico", afirma Rojas.</font></p>      ]]></body>
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