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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br>   IDHA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A desigualdade escondida nos &iacute;ndices</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Leonor Assad; Patricia Mariuzzo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ONU divulgou em dezembro &uacute;ltimo o<i> Relat&oacute;rio 2019 de Desenvolvimento Humano</i>. Com o subt&iacute;tulo "Al&eacute;m da renda, al&eacute;m das m&eacute;dias, al&eacute;m dos dias de hoje: desigualdades no desenvolvimento humano no s&eacute;culo XXI", s&atilde;o 366 p&aacute;ginas de discuss&otilde;es, apoiadas em dados, gr&aacute;ficos e tabelas, que alertam para a necessidade de se combater as desigualdades que est&atilde;o por toda parte e n&atilde;o dizem respeito apenas &agrave;s quest&otilde;es de renda e riqueza. O <i>Relat&oacute;rio</i> enfatiza, por exemplo, a import&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o de qualidade em todas as idades, inclusive no ensino pr&eacute;-prim&aacute;rio. Destaca tamb&eacute;m que parte das causas das desigualdades s&atilde;o desequil&iacute;brios de poder que, para serem superados, exigem a ado&ccedil;&atilde;o de medidas antitruste.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v72n1/a03fot01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em que pesem as cr&iacute;ticas &agrave; metodologia ajustada em 2010, o &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) &eacute; uma m&eacute;dia geom&eacute;trica dos &iacute;ndices normalizados do desempenho m&eacute;dio dos pa&iacute;ses nas principais dimens&otilde;es do desenvolvimento humano: vida longa e saud&aacute;vel, conhecimento e padr&atilde;o de vida decente (<a href="/img/revistas/cic/v72n1/a03fig01.html">figura 1</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v72n1/html/a03fig01.html"><img src="/img/revistas/cic/v72n1/a03fig01tb.jpg">    <br>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Figura 1 - Clique para ampliar</font></a></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os &iacute;ndices brasileiros t&ecirc;m apontado melhorias. A esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida ao nascer passou de 72,9, em 2010, para 75,7, em 2018 - um ganho de quase tr&ecirc;s anos. J&aacute; a expectativa de anos de estudo passou de 13,8 para 15,4 no per&iacute;odo. Por outro lado, o ganho na escolaridade m&eacute;dia foi menor em oito anos, passando de 7,2 para 7,8 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Olavo Nogueira Filho, diretor de pol&iacute;ticas educacionais da Todos Pela Educa&ccedil;&atilde;o, uma organiza&ccedil;&atilde;o civil sem fins lucrativos, os indicadores de escolaridade no Brasil t&ecirc;m forte rela&ccedil;&atilde;o com a evas&atilde;o escolar - principalmente, entre o fim do ensino fundamental e in&iacute;cio do ensino m&eacute;dio. Nogueira Filho destaca que "em que pese alguns poucos estados terem conseguindo avan&ccedil;ar mudan&ccedil;as importantes, essa &eacute; uma agenda que o Brasil ainda n&atilde;o enfrentou a contento. E aqui o problema &eacute;, fundamentalmente, um problema de modelo pedag&oacute;gico que perdura h&aacute; muitos anos, de um ensino m&eacute;dio arcaico, que n&atilde;o dialoga com os anseios da juventude nem com as demandas da contemporaneidade". Segundo ele, a boa not&iacute;cia &eacute; que a partir de 2020, a chamada "reforma do ensino m&eacute;dio&#187;, disparada em 2017/2018, finalmente come&ccedil;ar&aacute; a ganhar contornos mais concretos nas redes de ensino. No entanto, Nogueira ressalta: "a proposta n&atilde;o resolver&aacute; todos os problemas, mas a depender da qualidade da sua implementa&ccedil;&atilde;o, pode ser um passo na dire&ccedil;&atilde;o correta".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CRESCIMENTO LENTO E DESIGUAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de ser publicada anualmente desde 1990, a an&aacute;lise do IDH n&atilde;o pode ser feita pontualmente. Os contrastes regionais em pa&iacute;ses de grandes dimens&otilde;es como Brasil, China e R&uacute;ssia - os dois primeiros na categoria de desenvolvimento humano alto - s&atilde;o maiores do que em pa&iacute;ses como a R&uacute;ssia. Dos quatro pa&iacute;ses do BRIC (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul) - conforme designa&ccedil;&atilde;o adotada no Relat&oacute;rio - as maiores taxas de crescimento m&eacute;dio anual do IDH no per&iacute;odo 2010-2018 foram observadas na &Iacute;ndia e na China, pa&iacute;ses de contrastes geogr&aacute;ficos e culturais. De todo modo, ainda que perdendo posi&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o a 2017, no per&iacute;odo 2010-2018 o Brasil teve crescimento m&eacute;dio superior aos vizinhos Argentina e Uruguai, que se encontram na categoria de desenvolvimento humano muito alto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A posi&ccedil;&atilde;o do Brasil muda quando &eacute; feita a corre&ccedil;&atilde;o considerando a desigualdade, por meio do &iacute;ndice de GNI que varia de 0 (igualdade absoluta) a 100 (desigualdade absoluta).  No cen&aacute;rio mundial, o Brasil figura como um pa&iacute;s altamente desigual. Dos 53 pa&iacute;ses com desenvolvimento humano alto, somente quatro - Brasil (53.3), Botswana (53.3), Santa Lucia (51,2) e &Aacute;frica do Sul (63) - receberam &iacute;ndice de desigualdade superior a 50. A Noruega, por exemplo, que desde 2013 apresenta o maior IDH, alcan&ccedil;ou um &iacute;ndice de desigualdade de 27,5. E mais, apenas seis pa&iacute;ses, todos no continente africano, alcan&ccedil;aram &iacute;ndice de desigualdade superior ao do Brasil: Mo&ccedil;ambique (54), Lesoto (54,2), Rep&uacute;blica Central Africana (56,2), Z&acirc;mbia (57,1), Nam&iacute;bia (59,1) e &Aacute;frica do Sul (63). Por isso, quando se desconta a desigualdade, o Brasil perde 23 posi&ccedil;&otilde;es no ranking mundial, a maior dentre todos os pa&iacute;ses.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O VALOR DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A renda nacional bruta per capita teve um aumento de mais de 32% entre 2010 e 2018. Nogueira Filho, aponta que a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma importante ferramenta para abrir horizontes e democratizar oportunidades. "Um ensino de qualidade, que prepare para o mercado de trabalho e para uma vida aut&ocirc;noma, &eacute; um vetor muito poderoso para romper de maneira definitiva o ciclo vicioso da pobreza e da baixa mobilidade social que castiga o Brasil", salienta. Segundo ele, o desafio &eacute; grande, porque, novamente, o desafio diz respeito &agrave; qualidade da aprendizagem (e n&atilde;o escolaridade apenas) - o que exige esfor&ccedil;o estrat&eacute;gico da gest&atilde;o p&uacute;blica e monitoramento constante da sociedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v72n1/a03tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, horizontes, oportunidades e renda n&atilde;o s&atilde;o iguais para todos.  Segundo o relat&oacute;rio da ONU, as disparidades de g&ecirc;nero continuam sendo uma das formas mais persistentes de desigualdade em todos os pa&iacute;ses e &eacute; uma das maiores barreiras ao desenvolvimento humano. Com demasiada frequ&ecirc;ncia, mulheres e meninas s&atilde;o discriminadas na sa&uacute;de, na educa&ccedil;&atilde;o, em casa e no mercado de trabalho. Considerando o &iacute;ndice de desigualdade de g&ecirc;nero, o Brasil ocupa a 89ª posi&ccedil;&atilde;o, atr&aacute;s de pa&iacute;ses como L&iacute;bano (93ª posi&ccedil;&atilde;o no IDH) e China, que ocupa a 39ª posi&ccedil;&atilde;o em desigualdade de g&ecirc;nero. Apesar do porcentual de mulheres com mais de 25 anos que possuem alguma educa&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria ser maior do que o de homens (61% contra 57,7%), a taxa de participa&ccedil;&atilde;o no trabalho &eacute; de 74,4% para homens e de 54% para mulheres, considerando os com mais de 15 anos de idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O relat&oacute;rio de 2018 do Programa Internacional de Avalia&ccedil;&atilde;o de Estudantes (PISA), principal avalia&ccedil;&atilde;o de qualidade da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica do mundo, divulgado em dezembro de 2019, aponta que o Brasil vem conquistando pontua&ccedil;&atilde;o crescente desde 2006: 20 pontos a mais em leitura e 14 pontos a mais em matem&aacute;tica e em ci&ecirc;ncias. Em 2018, o exame avaliou 600 mil alunos de 15 anos de 79 pa&iacute;ses ou regi&otilde;es e o Brasil ocupou a 42ª posi&ccedil;&atilde;o em leitura - foco desse ano no exame, a 58ª posi&ccedil;&atilde;o em matem&aacute;tica e a 53ª em ci&ecirc;ncias. Entretanto, do total de estudantes que fizeram o exame, 43% n&atilde;o alcan&ccedil;aram o n&iacute;vel considerado m&iacute;nimo em nenhuma das &aacute;reas do conhecimento. Em matem&aacute;tica, esse &iacute;ndice cai para 32%, sendo que a m&eacute;dia &eacute; de 76% para estudantes de pa&iacute;ses da OCDE (Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico), por vezes chamada de Grupo dos Ricos, visto que os 36 pa&iacute;ses membros produzem juntos mais da metade de toda a riqueza do mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O PISA tamb&eacute;m evidencia as desigualdades brasileiras. Estudantes de estratos sociais mais altos recebem mais apoio emocional dos pais (18,4% contra 7,7% dos mais pobres) enquanto os mais pobres t&ecirc;m mais apoio emocional dos professores (12%, contra 10,6% dos ricos). Estudantes de estratos sociais mais baixos tendem a ser mais cooperativos entre si (11,9% contra 10,3% dos ricos), enquanto que os mais ricos se consideram mais competitivos (13,6% contra 8,9%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ou seja, desenvolvimento humano elevado depende de justi&ccedil;a social, educa&ccedil;&atilde;o e renda. E como assinala Nogueira Filho, exige um projeto de pa&iacute;s que combine diferentes reformas e pol&iacute;ticas para diminuir os abismos.</font></p>      ]]></body>
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