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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br>   METEOROLOGIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Previs&atilde;o do tempo e comunica&ccedil;&atilde;o sempre de m&atilde;os dadas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tatiana Jorgetti Fernandes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v72n1/a06fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No dia 19 de agosto de 2019 o c&eacute;u da cidade de S&atilde;o Paulo virou not&iacute;cia no mundo todo. No meio da tarde os paulistanos tiveram que acender as luzes. Rapidamente os meteorologistas explicaram o fen&ocirc;meno: a causa da escurid&atilde;o foi a forma&ccedil;&atilde;o de nebulosidade associada &agrave; passagem de um sistema frontal, que pode ter sofrido influ&ecirc;ncia das queimadas que aconteciam em grandes &aacute;reas da Am&eacute;rica do Sul. A meteorologia, no entanto, n&atilde;o est&aacute; presente apenas em situa&ccedil;&otilde;es extremas como essa, ao contr&aacute;rio a previs&atilde;o do tempo influencia o cotidiano de toda a sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atividades essenciais - como sistemas de transporte a&eacute;reos e n&aacute;uticos, agricultura, constru&ccedil;&atilde;o civil, pesca, turismo - dependem de conhecer e prever as condi&ccedil;&otilde;es do tempo. A atividade tamb&eacute;m est&aacute; fortemente relacionada com quest&otilde;es de seguran&ccedil;a, especialmente quando se trata de eventos extremos: "&Eacute; parte da minha rotina de trabalho comunicar &agrave; defesa civil sobre a possibilidade de tempestades, granizo e ventos fortes", explica      Ana &Aacute;vila, meteorologista e pesquisadora do Centro de Pesquisas Meteorol&oacute;gicas e Clim&aacute;ticas Aplicadas &agrave; Agricultura da Universidade Estadual de Campinas (Cepagri/Unicamp).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A previs&atilde;o do tempo tem um papel fundamental em diversas atividades econ&ocirc;micas, como no setor agr&iacute;cola. Pryscilla Paiva, jornalista e editora de tempo e clima no Canal Rural, relata que 60% da audi&ecirc;ncia do site do canal vem da busca informa&ccedil;&otilde;es sobre meteorologia. "O tempo &eacute; o &uacute;nico insumo da agricultura sobre o qual o produtor n&atilde;o tem total controle, o que ele pode fazer &eacute; se preparar com anteced&ecirc;ncia e us&aacute;-lo como ferramenta".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; parte essencial da previs&atilde;o do tempo. "A linguagem acess&iacute;vel &eacute; algo muito importante em nossa profiss&atilde;o" comenta &Aacute;vila. Al&eacute;m disso, o desenvolvimento da previs&atilde;o do tempo a que temos acesso hoje n&atilde;o seria poss&iacute;vel sem a evolu&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Hoje a previs&atilde;o do tempo chega at&eacute; n&oacute;s pela TV, r&aacute;dio, sites, aplicativos de celulares e at&eacute; pelas redes sociais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HIST&Oacute;RIAS DA PREVIS&Atilde;O DO TEMPO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O interesse pela meteorologia come&ccedil;ou em torno de 10 mil anos atr&aacute;s, quando o homem passou a fixar moradia e plantar seu alimento. Mas conforme lembra Giovanni Dolif, meteorologista e pesquisador do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), "as primeiras informa&ccedil;&otilde;es da meteorologia surgiram no contexto da navega&ccedil;&atilde;o, que deu grande impulso para o conhecimento meteorol&oacute;gico". Os primeiros registros de previs&atilde;o s&atilde;o do s&eacute;culo XIX, realizados em Londres, Inglaterra, por Robert Fitzroy, capit&atilde;o do navio do naturalista ingl&ecirc;s Charles Darwin. Antes dele, algumas vari&aacute;veis da atmosfera eram medidas por instrumentos, fornecendo informa&ccedil;&otilde;es isoladas das condi&ccedil;&otilde;es do tempo. Mas como ressalta Dolif, "a atmosfera envolve todo o planeta e o que acontece em determinado lugar &eacute; sempre influenciado pelo que acontece a centenas ou milhares de quil&ocirc;metros dali". Assim, apenas ap&oacute;s a inven&ccedil;&atilde;o do tel&eacute;grafo el&eacute;trico, em 1837, "o compartilhamento de dados e informa&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas possibilitou uma vis&atilde;o ampla dos sistemas meteorol&oacute;gicos e isso foi um grande avan&ccedil;o, um grande salto na meteorologia", destaca. O pioneiro Robert Fitzroy utilizou os dados recebidos via tel&eacute;grafo para emitir avisos de tempestades na regi&atilde;o costeira em 1860. Em 1861, ele passou a publicar previs&otilde;es di&aacute;rias no jornal The Times,  em Londres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, com a inven&ccedil;&atilde;o do r&aacute;dio, informa&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas passaram a ser disseminadas com maior agilidade e come&ccedil;aram a ser realizadas transmiss&otilde;es de previs&otilde;es do tempo para as embarca&ccedil;&otilde;es. A primeira transmiss&atilde;o de um boletim de previs&atilde;o do tempo via r&aacute;dio foi realizada em Boston, em 1925. Pela televis&atilde;o foi em 1936, na BBC. "Com a utiliza&ccedil;&atilde;o de imagens e mapas ficou muito mais simples descrever as condi&ccedil;&otilde;es do tempo do que s&oacute; descrevendo com a voz", conta Dolif.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O TEMPO DOS N&Uacute;MEROS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desenvolvimento da previs&atilde;o num&eacute;rica do tempo, baseada na resolu&ccedil;&atilde;o de equa&ccedil;&otilde;es matem&aacute;ticas que representam as leis f&iacute;sicas, caracterizou outro importante avan&ccedil;o na ci&ecirc;ncia de prever o tempo. A primeira previs&atilde;o utilizando recursos computacionais foi realizada nos Estados Unidos, em 1950, pelo Eniac, primeiro computador digital eletr&ocirc;nico de grande escala. Com o tempo, modelos num&eacute;ricos passaram a ser desenvolvidos e executados em diversos centros de meteorologia ao redor do mundo, mas essas primeiras previs&otilde;es representavam a atmosfera de forma bastante simplificada e apontavam apenas padr&otilde;es gerais. A qualidade das previs&otilde;es do tempo contou tamb&eacute;m com apoio institucional. Ainda em 1950 foi estabelecida a Organiza&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica Mundial (WMO, na sigla em ingl&ecirc;s), que um ano depois se tornou uma ag&ecirc;ncia especializada da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em um esfor&ccedil;o de coopera&ccedil;&atilde;o para facilitar o interc&acirc;mbio gratuito e irrestrito de dados, informa&ccedil;&otilde;es, produtos e servi&ccedil;os meteorol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos na segunda metade do s&eacute;culo XX foram marcados pela obten&ccedil;&atilde;o de dados por sensoriamento remoto, que produziram melhorias significativas nas previs&otilde;es num&eacute;ricas. Os radares militares passaram a ser utilizados para medi&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas, ap&oacute;s o fim da Segunda Guerra Mundial. O primeiro sat&eacute;lite meteorol&oacute;gico foi o Tiros-1, lan&ccedil;ado em abril de 1960 pela Nasa, inaugurando uma nova era de observa&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas. Dolif ressalta o grande desenvolvimento na qualidade das previs&otilde;es na d&eacute;cada de 1980 "por conta do advento dos sat&eacute;lites meteorol&oacute;gicos que proporcionaram uma vis&atilde;o mais ampla do nosso planeta". Em paralelo ao aumento de quantidade e qualidade dos dados meteorol&oacute;gicos, "com o aumento da capacidade dos computadores foi poss&iacute;vel fazer previs&otilde;es para mais tempo a frente e com maior grau de detalhamento", afirma Dolif. Finalmente, o advento da internet possibilita hoje o processamento e a troca de bilh&otilde;es de informa&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas em tempo real.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v72n1/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente as previs&otilde;es do tempo t&ecirc;m &iacute;ndices de acerto superiores a 85% nos tr&ecirc;s primeiros dias, e contam com tr&ecirc;s elementos principais: a rede de observa&ccedil;&otilde;es, os modelos num&eacute;ricos e os meteorologistas. A rede de observa&ccedil;&otilde;es, coordenada pela WMO, consolida dados coletados a partir de sat&eacute;lites meteorol&oacute;gicos, radares, esta&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas, radiossondas, aeronaves, navios e outras fontes. Quanto maior quantidade, cobertura e precis&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es, melhor a qualidade das previs&otilde;es. A partir da an&aacute;lise dos dados meteorol&oacute;gicos, dos resultados dos modelos e levando em conta as particularidades de cada regi&atilde;o, os meteorologistas avaliam as condi&ccedil;&otilde;es do tempo, elaboram as previs&otilde;es e as comunicam para a sociedade. "Como a quantidade de informa&ccedil;&otilde;es &eacute; muito grande, o desafio &eacute; interpret&aacute;-las e lev&aacute;-las ao p&uacute;blico de forma eficiente e clara", aponta Dolif.</font></p>      ]]></body>
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