<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252022000100010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20220010</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os protagonistas da independência do Brasil. Para além das grandes personagens conhecidas pela historiografia, participação de populares, escravizados e indígenas foi fundamental para tornar o país independente]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bueno]]></surname>
<given-names><![CDATA[Chris]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2022</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2022</year>
</pub-date>
<volume>74</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>1</fpage>
<lpage>5</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252022000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252022000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252022000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Os protagonistas da independ&ecirc;ncia do Brasil. Para al&eacute;m das grandes personagens conhecidas pela historiografia, participa&ccedil;&atilde;o de populares, escravizados e ind&iacute;genas foi fundamental para tornar o pa&iacute;s independente</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Jornalista, escritora, divulgadora de ci&ecirc;ncias, editoraexecutiva da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, e m&atilde;e apaixonada por escrever (especialmente sobre ci&ecirc;ncia)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Jos&eacute; Bonif&aacute;cio, ministro e conselheiro, preparou o documento que iniciou oficialmente o processo de separa&ccedil;&atilde;o com Portugal em 6 de agosto de 1822. Maria Leopoldina, na condi&ccedil;&atilde;o de princesa regente do Brasil, presidiu uma decisiva sess&atilde;o do Conselho de Estado no dia 2 de setembro de 1822, solidificando o caminho para a separa&ccedil;&atilde;o entre o Brasil e Portugal. E D. Pedro, pr&iacute;ncipe regente, declarou o territ&oacute;rio brasileiro definitivamente separado da metr&oacute;pole portuguesa, no dia 7 de setembro de 1822.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">D. Pedro, Maria Leopoldina e Jos&eacute; Bonif&aacute;cio s&atilde;o algumas das mais ilustres personalidades da Independ&ecirc;ncia do Brasil, relembradas e celebradas na Hist&oacute;ria. Mas n&atilde;o foram as &uacute;nicas figuras importantes nesse processo. A luta pela separa&ccedil;&atilde;o de Portugal foi travada por in&uacute;meros personagens: populares, escravizados e ind&iacute;genas, que desempenharam papeis essenciais para tornar o Brasil independente.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>A luta pela separa&ccedil;&atilde;o de Portugal foi travada por in&uacute;meros personagens - populares, escravizados e ind&iacute;genas que desempenharam papeis essenciais para tornar o Brasil independente.</b></styled-content></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"Os personagens importantes foram incont&aacute;veis, e seria bastante ilus&oacute;rio elencar meia d&uacute;zia de homens brancos que viviam ao redor de D. Pedro", aponta Jo&atilde;o Paulo Peixoto Costa, professor de Hist&oacute;ria do&nbsp;Instituto Federal do Piau&iacute;&nbsp;(IFP). "N&atilde;o se trata de ignorar a atua&ccedil;&atilde;o dessas pessoas, que estiveram inclusive em Lisboa, se indispuseram com as medidas das Cortes portuguesas que queriam rever os privil&eacute;gios do Brasil e articularam o projeto de separa&ccedil;&atilde;o. Mas a pr&oacute;pria ideia de independ&ecirc;ncia n&atilde;o teria tido a m&iacute;nima reverbera&ccedil;&atilde;o sem a atua&ccedil;&atilde;o desses populares".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Um cen&aacute;rio em ebuli&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A chegada da fam&iacute;lia real portuguesa ao Brasil, em 1808 - fugindo das tropas francesas que invadiram Portugal - fez com que as rela&ccedil;&otilde;es entre as duas partes do imp&eacute;rio luso-brasileiro mudasse significativamente. O estabelecimento da fam&iacute;lia real no Brasil ocasionou uma s&eacute;rie de mudan&ccedil;as, como a abertura dos portos e outras medidas adotadas por D. Jo&atilde;o, que contribu&iacute;ram para o desenvolvimento comercial e&nbsp;econ&ocirc;mico&nbsp;na col&ocirc;nia. No Brasil, o estabelecimento da fam&iacute;lia real implicou no aumento dos impostos e na interfer&ecirc;ncia direta na administra&ccedil;&atilde;o da capitania. Enquanto em Portugal a invas&atilde;o francesa deixou como legado uma forte crise, tanto pol&iacute;tica quanto econ&ocirc;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Pressionado pelas Cortes portuguesas, D. Jo&atilde;o retorna a Portugal em 1821, mas deixa seu filho, D. Pedro, como pr&iacute;ncipe regente do Brasil. Com isso, ocorre a reivindica&ccedil;&atilde;o da transfer&ecirc;ncia das principais institui&ccedil;&otilde;es criadas durante o Per&iacute;odo Joanino para Portugal, o envio de mais tropas para o Rio de Janeiro, e outras medidas tomadas pelos portugueses serviram para aumentar o descontentamento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nesse cen&aacute;rio, cresce a press&atilde;o dos portugueses para que o pr&iacute;ncipe retorne a Portugal, ao mesmo tempo em que, no Brasil, um grupo se organiza pela perman&ecirc;ncia do regente. Esse grupo, intitulado "Clube&nbsp;da&nbsp;Resist&ecirc;ncia", em janeiro de 1822, elabora um documento apontando as raz&otilde;es para a perman&ecirc;ncia do pr&iacute;ncipe no Brasil, al&eacute;m de coletar oito mil assinaturas em um abaixo-assinado defendendo sua continua&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. Motivado pelo apoio recebido, D. Pedro declara que permaneceria no pa&iacute;s, no que ficou popularmente conhecido como o "Dia do Fico". Refor&ccedil;ando sua posi&ccedil;&atilde;o, o regente decreta o "Cumpra-se" - uma ordem estabelecendo que&nbsp;nenhuma lei ou determina&ccedil;&atilde;o vinda de Portugal seria v&aacute;lida no Brasil sem sua autoriza&ccedil;&atilde;o. A rea&ccedil;&atilde;o portuguesa foi inexor&aacute;vel: Portugal considerou a Assembleia Constituinte brasileira ileg&iacute;tima,&nbsp;anulou os poderes pol&iacute;ticos do pr&iacute;ncipe e declarou seu mandato ilegal, e ainda amea&ccedil;ou invadir o Brasil se D. Pedro se recusasse a retornar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Maria Leopoldina e Jos&eacute; Bonif&aacute;cio tiveram papel fundamental nos acontecimentos de ent&atilde;o. Quando as Cortes portuguesas passaram a exigir o retorno de D. Pedro a Portugal, Jos&eacute; Bonif&aacute;cio defendeu a autonomia brasileira e convenceu os deputados brasileiros a apoiar&nbsp;a perman&ecirc;ncia do pr&iacute;ncipe no Brasil. Ele contou com o apoio de Maria Leopoldina que, na aus&ecirc;ncia de D. Pedro, permaneceu como princesa&nbsp;regente. Foi ela quem recebeu as not&iacute;cias de que Portugal estava preparando uma a&ccedil;&atilde;o contra o Brasil. A D. Pedro coube declarar a separa&ccedil;&atilde;o definitiva, no dia 7 de setembro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nesse processo, tamb&eacute;m s&atilde;o figuras essenciais o pol&iacute;tico e jornalista Joaquim Gon&ccedil;alves Ledo e o religioso Janu&aacute;rio da Cunha Barbosa. Considerado um dos articuladores da Independ&ecirc;ncia do Brasil, Joaquim Gon&ccedil;alves foi um dos respons&aacute;veis pelo Dia do Fico e pela convoca&ccedil;&atilde;o da Assembleia Constituinte de 1822. Fundador do Rev&eacute;rbero Constitucional Fluminense, peri&oacute;dico com intuito de defender a causa da independ&ecirc;ncia brasileira, Janu&aacute;rio Barbosa organizou o documento com mais de oito mil assinaturas que pedia a perman&ecirc;ncia de D. Pedro no pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n1/a10fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"O projeto da independ&ecirc;ncia do Brasil foi um projeto das elites", explica Lucia Maria Bastos Pereira das Neves, professora do Departamento de Hist&oacute;ria do Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas da&nbsp;Universidade do Estado do Rio de Janeiro&nbsp;(UERJ). "Foram as elites pol&iacute;ticas e intelectuais os condutores do movimento. Mas isso n&atilde;o significa que se pode esquecer que tamb&eacute;m houve uma grande participa&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas e escravizados, especialmente nas guerras de independ&ecirc;ncia, mesmo porque lutar pela independ&ecirc;ncia do Brasil poderia significar lutar por sua pr&oacute;pria liberdade", diz.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Participa&ccedil;&atilde;o popular</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Segundo Costa, embora o projeto da separa&ccedil;&atilde;o de Portugal tenha sido articulado especialmente pela elite, &eacute; equivocado pensar que a popula&ccedil;&atilde;o estava alheia aos acontecimentos. "O povo esteve atento a tudo que se passava, desde quando estourou a Revolu&ccedil;&atilde;o Liberal do Porto no final de 1820 e tiveram in&iacute;cio em 1821 as Cortes de Lisboa - uma institui&ccedil;&atilde;o que passou comandar o imp&eacute;rio e pretendia elaborar uma Constitui&ccedil;&atilde;o sob a qual o rei estaria submetido. O povo n&atilde;o era indiferente a tudo isso". O pesquisador explica que a ades&atilde;o ao projeto da independ&ecirc;ncia brasileira n&atilde;o nascia de um "nacionalismo", mas sim de uma oposi&ccedil;&atilde;o a Portugal. "Grande parte dos grupos populares viam no rei uma entidade protetora contra os abusos das elites pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas, que eram violentos e gananciosos no usufruto de sua m&atilde;o de obra e de suas terras. Portanto, o retorno do monarca e a proposta de uma Constitui&ccedil;&atilde;o eram bastante amea&ccedil;adoras para muitos, que passaram a ver nas Cortes - e, gradativamente, em Portugal - um inimigo".</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b><styled-content style="color:#890e10">Embora o projeto da independ&ecirc;ncia tenha sido articulado especialmente pela elite, &eacute; equivocado pensar que a popula&ccedil;&atilde;o estava alheia aos acontecimentos.</styled-content></b></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Apesar de frequentemente relembradas, essas grandes personalidades n&atilde;o foram as &uacute;nicas a desempenharem papeis importantes no processo na independ&ecirc;ncia. "A Hist&oacute;ria ensinada em sala de aula muitas vezes foca nos grandes nomes, nas grandes figuras. Mas ensinar Hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; apenas ensinar nomes e datas, &eacute; ensinar a refletir, a pensar criticamente", enfatiza Neves. "A independ&ecirc;ncia da &eacute;poca era a n&atilde;o sujei&ccedil;&atilde;o de um povo a um processo, a uma lei - no caso, Portugal. E desse rompimento com Portugal participaram v&aacute;rios personagens desconhecidos: uma gama populares sem rosto e sem nome que tamb&eacute;m foram protagonistas da Independ&ecirc;ncia".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n1/a10fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Negros e ind&iacute;genas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O processo de independ&ecirc;ncia n&atilde;o foi um processo homog&ecirc;neo ou pac&iacute;fico. Muitas prov&iacute;ncias se declararam contra a separa&ccedil;&atilde;o de Portugal e v&aacute;rios conflitos eclodiram pelo pa&iacute;s. Na Bahia, um violento combate se desenrolou entre 7 de setembro de 1822 e 2 de julho de 1823. Na regi&atilde;o do Gr&atilde;o-Par&aacute;, a resist&ecirc;ncia contra o dom&iacute;nio imperial acabou deixando cerca de 1300 mortos, parte deles por asfixia no por&atilde;o de navios capturados pelas for&ccedil;as de D. Pedro. Os conflitos se estenderam at&eacute; meados de 1825.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nessas batalhas, a participa&ccedil;&atilde;o de negros e ind&iacute;genas foi fundamental. "Escravos baianos fugiam para voluntariar-se nas tropas, num misto de civismo e de busca pela liberdade pessoal", explica Adriano Comissoli, professor do Departamento de Hist&oacute;ria e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria da&nbsp;Universidade Federal de Santa Maria&nbsp;(UFSM). "No caso de ind&iacute;genas, temos registro de participa&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m de negativa em lutar e de manifesta&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis a D. Jo&atilde;o. Algumas dessas manifesta&ccedil;&otilde;es estiveram atravessadas por conflitos locais, como a defesa das terras ind&iacute;genas frente &agrave; tentativa de invas&atilde;o por grandes propriet&aacute;rios. Ou seja, a independ&ecirc;ncia mesclava tamb&eacute;m antigas animosidades. No extremo sul do Brasil, os charruas apoiaram o projeto de Jos&eacute; Gerv&aacute;sio Artigas (l&iacute;der pol&iacute;tico, general militar e estadista da regi&atilde;o do R&iacute;o de la Plata, que lutou nas guerras de independ&ecirc;ncia da Am&eacute;rica Latina contra os Imp&eacute;rios Espanhol Portugu&ecirc;s) de criar uma Confedera&ccedil;&atilde;o dos Povos Livres e, por isso, se opuseram &agrave;s for&ccedil;as portuguesas at&eacute; 1820, quando foram vencidos", continua.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Entre os ind&iacute;genas, destaca-se a figura do guarani Andr&eacute;s Guacurary e Artigas, mais conhecido como Andresito. Filho adotivo Jos&eacute; Gerv&aacute;sio Artigas, Andresito nasceu em S&atilde;o Borja (atualmente Estado do Rio Grande do Sul, Brasil) e cresceu na vizinha S&atilde;o Tom&eacute; (hoje Prov&iacute;ncia de Corrientes, Argentina). Foi Comandante General das Miss&otilde;es, e destacou-se na tentativa de criar uma Confedera&ccedil;&atilde;o dos Povos Livres na regi&atilde;o do extremo sul, que inclu&iacute;a n&atilde;o apenas ind&iacute;genas, mas tamb&eacute;m escravos libertos (muitos libertados por ele) e popula&ccedil;&atilde;o empobrecida. Combateu as tropas portuguesas em v&aacute;rias ocasi&otilde;es, at&eacute; ser finalmente capturado em 1819.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Revolu&ccedil;&atilde;o feminina</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"Pela maior parte da hist&oacute;ria, o an&ocirc;nimo foi uma mulher", escreveu a escritora inglesa Virginia Woolf. Na independ&ecirc;ncia do Brasil n&atilde;o foi diferente. Muitas mulheres participaram ativamente, tomando parte at&eacute; mesmo das batalhas. Contudo, a maioria permanece desconhecida at&eacute; os dias de hoje.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Uma das poucas mulheres que conseguiu al&ccedil;ar seu nome aos livros de Hist&oacute;ria foi Maria Quit&eacute;ria de Jesus, ou simplesmente Maria Quit&eacute;ria. Primeira mulher a fazer parte do Ex&eacute;rcito Brasileiro, a baiana teve que fingir ser homem e usar o nome do cunhado para conseguir entrar em uma batalh&atilde;o. Denunciada pelo pr&oacute;prio pai, Maria Quit&eacute;ria foi impedida de deixar as tropas pelo major Silva e Castro, que a considerava importante na luta contra os portugueses por sua facilidade com o manejo de armas e sua disciplina em batalha. Assim, a jovem passou a usar seu nome verdadeiro, trocou o uniforme masculino por saias e adere&ccedil;os, e juntou-se oficialmente &agrave;s tropas que lutavam contra os portugueses em 1822. Sua coragem em ingressar em um meio exclusivamente masculino inspirou outras mulheres, que se uniram &agrave;s tropas e formaram um grupo comandado por Quit&eacute;ria. Nesse batalh&atilde;o, ela se destacou em v&aacute;rios combates, recebendo de D. Pedro a medalha de "Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Mas Quit&eacute;ria n&atilde;o foi a &uacute;nica mulher na frente de batalha. A pescadora negra Maria Felipa de Oliveira liderou o povo liberto da regi&atilde;o da Bahia para atacar e neutralizar as tropas portuguesas que teimavam em n&atilde;o deixar o Brasil ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia. Maria Felipa se engajou na luta pela separa&ccedil;&atilde;o de Portugal e, com suas companheiras, utilizava de seus conhecimentos de pesca para patrulhar e sabotar os barcos portugueses que se aproximavam das praias. Sua principal arma era a ast&uacute;cia. Muitas vezes, ela e as mulheres de seus grupos seduziam os soldados portugueses, apenas para conduzi-los at&eacute; a praia, embebeda-los, despi-los, e ent&atilde;o aplicar-lhes bofetadas de cansan&ccedil;&atilde;o (planta que provoca sensa&ccedil;&atilde;o de queimadura na pele). Felipa exerceu uma forte lideran&ccedil;a sobre a popula&ccedil;&atilde;o pobre da Ilha de Itaparica, incluindo &iacute;ndios tupinamb&aacute;s e tapuias em seu grupo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"&Eacute; central perceber que a emancipa&ccedil;&atilde;o brasileira foi um contexto de oportunidades de lutar por liberdade e autonomia, seja para ampli&aacute;-la, garanti-la ou conquista-la", aponta Costa. "Pensar na hist&oacute;ria da independ&ecirc;ncia a partir das a&ccedil;&otilde;es coletivas tamb&eacute;m &eacute; oportuno para a atualidade, quando vemos direitos constitucionais sendo fragilizados. A cidadania foi reivindicada pela popula&ccedil;&atilde;o que coletivamente se manifestou e protagonizou a independ&ecirc;ncia, pensada em torno dos pr&oacute;prios conceitos e expectativas de liberdade, e que foi exclu&iacute;da por elites fundamentalmente escravistas", finaliza.</font></p>      ]]></body>

</article>
