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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As guerras da independência. Longe de ser um processo pacífico, a Independência do Brasil foi repleta de revoltas, motins e levantes por todo território]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>As guerras da independ&ecirc;ncia. Longe de ser um processo pac&iacute;fico, a Independ&ecirc;ncia do Brasil foi repleta de revoltas, motins e levantes por todo territ&oacute;rio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Jornalista, escritora, divulgadora de ci&ecirc;ncias, editoraexecutiva da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, e m&atilde;e apaixonada por escrever (especialmente sobre ci&ecirc;ncia)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Um pr&iacute;ncipe, um grito, e um pa&iacute;s declarado independente. Ao contr&aacute;rio da narrativa oficial que predomina nos livros e nas aulas de hist&oacute;ria, a Independ&ecirc;ncia do Brasil n&atilde;o se consolidou no 7 de setembro de 1822, &agrave;s margens do Rio Ipiranga. Tampouco foi um processo homog&ecirc;neo, definitivo e pac&iacute;fico. Ao contr&aacute;rio: foi complexo e repleto de lutas nas diferentes regi&otilde;es do territ&oacute;rio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O estabelecimento da corte portuguesa no Brasil ocasionou uma s&eacute;rie de mudan&ccedil;as, como a abertura dos portos &agrave;s na&ccedil;&otilde;es amigas, a cria&ccedil;&atilde;o de novas institui&ccedil;&otilde;es, e uma maior autonomia e unidade para a col&ocirc;nia. Por outro lado, tamb&eacute;m acarretou o aumento dos impostos e a interfer&ecirc;ncia direta na administra&ccedil;&atilde;o da capitania, al&eacute;m de estabelecer uma maior repress&atilde;o contra as mobiliza&ccedil;&otilde;es populares.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Isso levou a uma crescente insatisfa&ccedil;&atilde;o na col&ocirc;nia - tanto das elites, quanto dos populares. O resultado foi uma s&eacute;rie de revolu&ccedil;&otilde;es que eclodiram pelo pa&iacute;s, conhecidas como as Guerras pela Independ&ecirc;ncia, que persistiram at&eacute; meados de 1825. "De fato, em 1821 e 1822, antes de setembro, havia muita tens&atilde;o pol&iacute;tica. As prov&iacute;ncias podiam escolher atender os decretos das Cortes de Lisboa ou os do pr&iacute;ncipe-regente. Atrav&eacute;s de jornais e de cartas oficiais ou particulares, os integrantes de diferentes prov&iacute;ncias procuravam convencer os moradores delas ou de outras a aderir a esse ou aquele projeto pol&iacute;tico", aponta Adriano Comissoli, professor do Departamento de Hist&oacute;ria e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A primeira delas, que antecedeu a Proclama&ccedil;&atilde;o da Independ&ecirc;ncia, foi a Revolu&ccedil;&atilde;o Pernambucana de 1817 - um movimento de car&aacute;ter separatista, republicano e liberal. O movimento foi o &uacute;nico do per&iacute;odo colonial que atingiu a tomada do poder, levando a capitania de Pernambuco a declarar sua separa&ccedil;&atilde;o do Brasil e a proclamar uma rep&uacute;blica. A repress&atilde;o foi violenta: 14 revoltosos foram executados (a maioria enforcada e esquartejada), e centenas morreram em combate ou na pris&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"A Revolu&ccedil;&atilde;o Pernambucana &eacute; um movimento muito forte no Nordeste em 1817", explica Paulo Pinheiro Machado, professor do Departamento de Hist&oacute;ria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). "&Eacute; um movimento federalista em que se desenhava outro tipo de Estado, republicano, com a separa&ccedil;&atilde;o dos poderes executivo, legislativo e judici&aacute;rio para evitar a centraliza&ccedil;&atilde;o de poder".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Revoltas, motins e levantes</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A Proclama&ccedil;&atilde;o da Independ&ecirc;ncia, no entanto, n&atilde;o acalmou os &acirc;nimos. Muito pelo contr&aacute;rio: v&aacute;rios grupos tomaram posi&ccedil;&otilde;es variadas, aumentando a tens&atilde;o atrav&eacute;s do territ&oacute;rio. O site Impress&otilde;es Rebeldes, do Instituto de Hist&oacute;ria da Universidade Federal Fluminense (UFF), lista 24 ocorr&ecirc;ncias entre 1820 e 1824, classificadas como revoltas, motins e levantes. "Sobre as lutas da independ&ecirc;ncia &eacute; importante considerar o quanto foram variadas. N&atilde;o apenas houve batalhas contra tropas portuguesas, mas tamb&eacute;m revoltas, lutas pelo poder local, motins, e muitas intimida&ccedil;&otilde;es por parte das for&ccedil;as militares", afirma Comissoli. "Em resumo, podemos falar de guerras entre o Rio de Janeiro e for&ccedil;as leais a Lisboa, revoltas locais, motins e guerras separatistas", continua.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>N&atilde;o apenas houve batalhas contra tropas portuguesas, mas tamb&eacute;m revoltas, lutas pelo poder local, motins, e muitas intimida&ccedil;&otilde;es por parte das for&ccedil;as militares.</b></styled-content></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A Bahia foi um dos locais mais conflituosos. Na regi&atilde;o, os tumultos aumentam em 1822 com a Carta R&eacute;gia que substitu&iacute;a o brasileiro Manuel Pedro de Freitas Guimar&atilde;es, governador das armas da Bahia, pelo portugu&ecirc;s In&aacute;cio Lu&iacute;s Madeira de Melo. Ap&oacute;s uma fracassada tentativa de acordo entre a Junta Provis&oacute;ria e a C&acirc;mara de Salvador, as tropas entram em choque. Salvador &eacute; ent&atilde;o cercada pelo ex&eacute;rcito portugu&ecirc;s, e dezenas de fam&iacute;lias e soldados brasileiros deixam a cidade rumo &agrave;s vilas do Rec&ocirc;ncavo Baiano. L&aacute;, tropas de volunt&aacute;rios - formadas especialmente por escravos fugidos - se re&uacute;nem para compor uma armada que organiza a resist&ecirc;ncia em solo baiano. Nos meses seguintes, v&aacute;rias batalhas s&atilde;o travadas por terra e mar, com caracter&iacute;sticas de guerra civil. O ponto m&aacute;ximo &eacute; alcan&ccedil;ando nos meses de maio e junho de 1823, quando as tropas brasileiras cercam Salvador e expulsam os portugueses da regi&atilde;o, no dia 2 de julho.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"O rec&ocirc;ncavo baiano foi um local de disputas muito violentas, onde chegou a se formar um segundo ex&eacute;rcito, composto por escravos fugidos, que cercaram a capital Salvador e expulsaram os portugueses", aponta Machado. "Essas lutas baianas s&atilde;o consideradas fundamentais para a consolida&ccedil;&atilde;o da ideia de unidade do territ&oacute;rio brasileiro".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No Piau&iacute;, enquanto as autoridades se opunham ao novo governo, v&aacute;rios grupos apoiavam o projeto de D. Pedro. A prov&iacute;ncia era controlada pelo governador e major portugu&ecirc;s Jo&atilde;o Jos&eacute; da Cunha Fidi&eacute;, que tinha a miss&atilde;o de manter o norte da ex-col&ocirc;nia fiel &agrave; Coroa Portuguesa. No entanto, pouco mais de um m&ecirc;s ap&oacute;s o Grito do Ipiranga, as cidades de Parna&iacute;ba e Oeiras declaram sua ades&atilde;o ao projeto da independ&ecirc;ncia. Fidi&eacute; parte para reprimir o movimento rebelde, quando &eacute; surpreendido por uma coluna de piauienses, maranhenses e cearenses &agrave;s margens do Rio Jenipapo, em Campo Maior. &Eacute; a&iacute; que se trava, no dia 13 de mar&ccedil;o de 1823, um dos confrontos mais sangrentos das Guerras da Independ&ecirc;ncia: a Batalha do Jenipapo. Armados com espingardas, fac&otilde;es, machados, foices, e at&eacute; paus e pedras, os rebeldes enfrentam os bem armados soldados de Fidi&eacute;. Em poucas horas de embate, entre 200 e 400 brasileiros s&atilde;o mortos. Apesar da grande baixa, os rebeldes conseguem debandar, levando os suprimentos portugueses. As tropas lusitanas s&atilde;o obrigadas a recuar para o Maranh&atilde;o e os rebeldes conseguem dominar a prov&iacute;ncia. Fidi&eacute; acaba preso, enviado ao Rio de Janeiro e deportado para Lisboa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n1/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>E a guerra continua</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Algumas prov&iacute;ncias desfrutavam de uma rela&ccedil;&atilde;o privilegiada com Portugal - e, por isso, resistiram mais para aderir ao projeto da independ&ecirc;ncia. Esse &eacute; o caso do Maranh&atilde;o e do Gr&atilde;o-Par&aacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A elite maranhense possu&iacute;a uma s&eacute;rie de vantagens quanto a exporta&ccedil;&atilde;o, a manuten&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o e as rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ligadas aos portugueses - da&iacute; o desejo em manter os v&iacute;nculos com Portugal. No entanto, o interesse do Imp&eacute;rio era manter a unidade do territ&oacute;rio. Assim, nos primeiros meses de 1823, tropas organizadas a partir do Cear&aacute; e do Piau&iacute; invadiram o Maranh&atilde;o. A capital S&atilde;o Lu&iacute;s foi cercada por mar e amea&ccedil;ada de destrui&ccedil;&atilde;o at&eacute; se render no dia 28 de julho.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Do mesmo modo, o Gr&atilde;o-Par&aacute; tamb&eacute;m possu&iacute;a uma forte liga&ccedil;&atilde;o com os comerciantes portugueses. Havia ainda a vantagem da dist&acirc;ncia e a navega&ccedil;&atilde;o, bem mais segura e r&aacute;pida para Lisboa do que para o Rio de Janeiro, o que facilitava o com&eacute;rcio e as rela&ccedil;&otilde;es com Portugal. Entretanto, ap&oacute;s a Independ&ecirc;ncia do Brasil, a rela&ccedil;&atilde;o da Prov&iacute;ncia com as Cortes de Lisboa ficou estremecida. A elite paraense e o rec&eacute;m-criado imp&eacute;rio brasileiro come&ccedil;am a pressionar a capitania para que aderisse &agrave; independ&ecirc;ncia. Ent&atilde;o, at&eacute; que D. Pedro envia o militar ingl&ecirc;s John Grenfell para intimar as autoridades pela ades&atilde;o. Para cumprir sua miss&atilde;o, o militar envia um of&iacute;cio alertando que a cidade est&aacute; sitiada e ser&aacute; invadida se as autoridades civis, militares e eclesi&aacute;sticas n&atilde;o aderirem &agrave; independ&ecirc;ncia. O epis&oacute;dio n&atilde;o passa de um blefe porque, na verdade, o capit&atilde;o ingl&ecirc;s tinha apenas uma esquadra. Sem saber da mentira de Grenfell, as autoridades do Gr&atilde;o-Par&aacute; assinam a ades&atilde;o &agrave; independ&ecirc;ncia no dia 15 de agosto de 1823.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Mas a ades&atilde;o da capitania n&atilde;o foi assim t&atilde;o simples. Um dos pontos de maior conflito foi o fato de que a elite poderia manter seus t&iacute;tulos e propriedades ao assinar um documento jurando fidelidade a D. Pedro. "No Par&aacute; a guerra de independ&ecirc;ncia &eacute; um conflito entre brasileiros fi&eacute;is a Portugal e brasileiros fi&eacute;is ao Imp&eacute;rio, enfim uma guerra civil entre brasileiros", explica Vitor Izecksohn, professor do Instituto de Hist&oacute;ria e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Assim, apenas tr&ecirc;s meses ap&oacute;s a ades&atilde;o, eclodiu uma revolta das tropas paraenses em Bel&eacute;m, lutando por direitos iguais. O movimento foi duramente reprimido, e 256 paraenses foram confinados no por&atilde;o do navio S&atilde;o Jos&eacute; Diligente e morreram asfixiados, sufocados ou at&eacute; mesmo fuzilados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"A regi&atilde;o do Gr&atilde;o-Par&aacute; &eacute; uma regi&atilde;o de forte liga&ccedil;&atilde;o com a Portugal, especialmente comercial. Os portugueses dominavam o mercado de trabalho e tinham a soberania do com&eacute;rcio de retalho (como era chamado o com&eacute;rcio de varejo). Ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia, come&ccedil;am a surgir v&aacute;rios movimentos anti-lusitanos e contra o monop&oacute;lio dos portugueses no com&eacute;rcio", aponta Machado. "Adeptos da causa portuguesa ou brasileira, os negociantes portugueses se tornariam um dos principais alvos das camadas insatisfeitas com a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e social da Prov&iacute;ncia. Eles eram vistos como contr&aacute;rios aos interesses da maioria da popula&ccedil;&atilde;o composta de ind&iacute;genas, negros e mesti&ccedil;os".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n1/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A &uacute;ltima prov&iacute;ncia a se tornar independente foi a Cisplatina. A regi&atilde;o sempre foi marcada por conflitos, sendo inicialmente disputada por Portugal e Espanha, e depois entre Brasil e Buenos Aires. Durante o processo de independ&ecirc;ncia brasileira, a Prov&iacute;ncia da Cisplatina fazia parte do territ&oacute;rio do Brasil - mas isso n&atilde;o apaziguou a situa&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o do Rio da Prata. "A regi&atilde;o oriental do Rio da Prata era muito cobi&ccedil;ada pela sua localiza&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e pelo seu potencial econ&ocirc;mico, e foi incorporada ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1821. Mas a cria&ccedil;&atilde;o da Cisplatina e a sua incorpora&ccedil;&atilde;o ao territ&oacute;rio brasileiro foram motivos de muita pol&ecirc;mica e muitos conflitos na regi&atilde;o entre o Brasil, Buenos Aires e o Uruguai", aponta Izecksohn.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 1825, o militar e pol&iacute;tico Juan Ant&ocirc;nio Lavalleja liderou uma rebeli&atilde;o contra o Brasil para anexar a Cisplatina &agrave; Prov&iacute;ncia Unida do Rio da Prata (atual Argentina). Para o imp&eacute;rio brasileiro, a manuten&ccedil;&atilde;o territorial do Brasil era fundamental. Assim, D. Pedro enviou tropas para a &aacute;rea, mas suas a&ccedil;&otilde;es serviram apenas para agravar os &acirc;nimos. As tropas brasileiras foram derrotadas e o Brasil perdeu a Prov&iacute;ncia da Cisplatina. Mais tarde, o pa&iacute;s concordou em participar da Confer&ecirc;ncia Preliminar da Paz, que estabeleceu o cessar-fogo e a separa&ccedil;&atilde;o da Cisplatina, que por fim obteve sua independ&ecirc;ncia e se tornou a Rep&uacute;blica Oriental do Uruguai.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Ex&eacute;rcito de negros, ind&iacute;genas e mulheres</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os diversos epis&oacute;dios do processo da Independ&ecirc;ncia do Brasil contaram com a participa&ccedil;&atilde;o de representantes de todas as ra&ccedil;as, classes e g&ecirc;neros. Ainda que com interesses e motivos variados, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel negar a contribui&ccedil;&atilde;o das camadas populares, negros escravizados e libertos (ou at&eacute; mesmo fugidos), ind&iacute;genas, sertanejos e mulheres. A maioria das revoltas, motins e levantes que ocorreram atrav&eacute;s do territ&oacute;rio nacional tiveram car&aacute;ter fortemente popular, emancipacionista e democr&aacute;tico.</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>A maioria das revoltas, motins e levantes que ocorreram atrav&eacute;s do territ&oacute;rio nacional tiveram car&aacute;ter fortemente popular, emancipacionista e democr&aacute;tico.</b></styled-content></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Al&eacute;m disso, houve forte presen&ccedil;a dessas camadas no ex&eacute;rcito. Por&eacute;m, o recrutamento era um assunto um tanto controverso. Por um lado, era temido e repudiado pela popula&ccedil;&atilde;o mais pobre, pois significava o afastamento das atividades econ&ocirc;micas e sociais. Por outro, era negado aos escravos. "Apesar da forte presen&ccedil;a de negros e mesti&ccedil;os, o servi&ccedil;o militar brasileiro n&atilde;o era aberto a escravos", explica Izecksohn. "A Constitui&ccedil;&atilde;o Imperial garantia os direitos de propriedade, e como propriedade os escravos n&atilde;o podiam ser oficialmente expropriados: seja pelo governo imperial, seja pelos governos provinciais. Consequentemente o alistamento estava aberto somente para aqueles que possu&iacute;am liberdades civis ou para escravos libertos para defender o Estado sob condi&ccedil;&otilde;es excepcionais. Por outro lado, havia muito debate sobre quais eram essas condi&ccedil;&otilde;es excepcionais. Al&eacute;m disso, a escassez de soldados fazia com que o ex&eacute;rcito acabasse recorrendo a essa popula&ccedil;&atilde;o de negros (libertos ou at&eacute; mesmo fugidos) e de &iacute;ndios".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O processo da independ&ecirc;ncia brasileira foi longo e &aacute;rduo. Segundo os pesquisadores, &eacute; ainda um projeto em constru&ccedil;&atilde;o. "As pessoas perguntavam-se muito sobre o pa&iacute;s e a sociedade que queriam e propunham caminhos para constru&iacute;-la. Este &eacute; um exerc&iacute;cio de pol&iacute;tica que precisamos retomar e praticar constantemente: pensar o futuro e os modos de alcan&ccedil;&aacute;-lo", prop&otilde;e Comissoli. "A import&acirc;ncia da constitui&ccedil;&atilde;o, da separa&ccedil;&atilde;o dos poderes e do respeito &agrave;s leis leg&iacute;timas igualmente se destacam no per&iacute;odo. E tamb&eacute;m a participa&ccedil;&atilde;o de diversos setores da sociedade", finaliza.</font></p>      ]]></body>

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