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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Diálogo permanente com a sociedade numa Universidade Freireana: para Paulo Freire, o diálogo entre o saber popular e o saber científico é fundamental]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Di&aacute;logo permanente com a sociedade numa Universidade Freireana: para Paulo Freire, o di&aacute;logo entre o saber popular e o saber cient&iacute;fico &eacute; fundamental</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>S&eacute;rgio Haddad</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Doutor em educa&ccedil;&atilde;o e coordenador de projetos especiais da A&ccedil;&atilde;o Educativa. Foi professor do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Curr&iacute;culo da PUC-SP e membro do Conselho de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo trata das diversas manifesta&ccedil;&otilde;es de Paulo Freire ao longo da sua vida sobre a universidade e o seu papel a partir dos seus escritos. Descreve sobre os diversos per&iacute;odos de trabalho do educador em universidades antes, durante e posterior ao seu ex&iacute;lio. Apesar de o foco central das suas preocupa&ccedil;&otilde;es como educador ser a alfabetiza&ccedil;&atilde;o de adultos e o papel da educa&ccedil;&atilde;o no contexto de uma pedagogia cr&iacute;tica, Paulo Freire n&atilde;o deixou de refletir sobre como a universidade poderia desempenhar a sua miss&atilde;o a servi&ccedil;o dos oprimidos em um contexto de injusti&ccedil;a social. O di&aacute;logo com a sociedade, em particular com os setores populares dentro e fora das universidades, fortalece o seu papel pol&iacute;tico e pedag&oacute;gico, sem perder a rigorosidade necess&aacute;ria do trabalho acad&ecirc;mico. Para Freire, dentre os desafios, s&atilde;o fundamentais o di&aacute;logo entre o saber popular e o saber cient&iacute;fico e a contribui&ccedil;&atilde;o que as universidades teriam para qualificar a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica de maneira a facilitar a entrada, a participa&ccedil;&atilde;o e o di&aacute;logo com os mais pobres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Paulo Freire; Universidade; Universidade Freiriana; Di&aacute;logo.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paulo Freire escreveu pouco sobre o universo acad&ecirc;mico. Tamb&eacute;m n&atilde;o foram longos os per&iacute;odos de perman&ecirc;ncia como professor nas universidades por onde passou em sua vida. No entanto, esses fatos n&atilde;o relativizam aquilo que produziu, dada a relev&acirc;ncia e o ineditismo do seu pensamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nascido em 1921, o educador come&ccedil;ou a dar algumas aulas no ensino superior na Escola de Servi&ccedil;o Social, no in&iacute;cio do seu trabalho no Sesi (1947-1957), em Recife. Entretanto, foi a partir de 1952 que Paulo Freire se aproximou de forma mais consistente da universidade, quando foi nomeado professor catedr&aacute;tico interino de Hist&oacute;ria e Filosofia da Educa&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Belas Artes da ent&atilde;o Universidade de Recife. A nomea&ccedil;&atilde;o era pr&aacute;tica corrente, visto n&atilde;o haver ainda cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o para a forma&ccedil;&atilde;o de docentes para o ensino superior. Paulo ministrava suas aulas em paralelo ao trabalho pastoral e no Sesi <a name="1a"></a><sup>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93;</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1959, defendeu tese de doutorado por meio de concurso para catedr&aacute;tico efetivo de Hist&oacute;ria e Filosofia da Educa&ccedil;&atilde;o. Pretendia se efetivar na Faculdade de Belas Artes, local onde j&aacute; trabalhava, al&eacute;m de obter a titula&ccedil;&atilde;o de doutor. Teve um bom desempenho e conseguiu o t&iacute;tulo, mas n&atilde;o a efetiva&ccedil;&atilde;o. Foi exonerado do cargo de professor catedr&aacute;tico interino, ap&oacute;s oito anos de trabalho. No entanto, foi nomeado professor de Hist&oacute;ria e Filosofia da Educa&ccedil;&atilde;o na Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras da Universidade de Recife e tomou posse no in&iacute;cio de 1961. Por sua sugest&atilde;o, o reitor que o havia nomeado, Jo&atilde;o Alfredo da Costa Lima, inaugurou o Servi&ccedil;o de Extens&atilde;o Cultural (SEC) em 1962 e o convidou para assumir a coordena&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A experi&ecirc;ncia do Sesi, o trabalho pastoral, a conviv&ecirc;ncia com o grupo de assistentes sociais da Escola de Servi&ccedil;o Social, as leituras que orientaram suas diversas pr&aacute;ticas, a doc&ecirc;ncia na universidade, toda a viv&ecirc;ncia daqueles anos embasou a elabora&ccedil;&atilde;o de sua tese de doutorado intitulada "<i>Educa&ccedil;&atilde;o e atualidade brasileira"</i> &#91;1&#93; . O trabalho garantiria a Paulo Freire as condi&ccedil;&otilde;es e o prest&iacute;gio necess&aacute;rios para que suas pesquisas e sua atua&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica ganhassem repercuss&atilde;o e dimens&atilde;o nacional, mas tamb&eacute;m para que despertassem a desconfian&ccedil;a e a persegui&ccedil;&atilde;o que viriam com o golpe militar de 1964 e que o levariam ao ex&iacute;lio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Universidade de Recife, a partir do Servi&ccedil;o de Extens&atilde;o Cultural, Paulo Freire desenvolveu e assessorou com seus colegas v&aacute;rios trabalhos de alfabetiza&ccedil;&atilde;o de adultos, culminando com a experi&ecirc;ncia de Angicos no Rio Grande do Norte, em janeiro de 1963, que o levou a Bras&iacute;lia para preparar um programa nacional de alfabetiza&ccedil;&atilde;o, a convite do ent&atilde;o presidente Jo&atilde;o Goulart, dada a enorme repercuss&atilde;o (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a05fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos primeiros textos que escreveu sobre o papel das universidades foi "<i>A prop&oacute;sito de uma administra&ccedil;&atilde;o"</i>, ainda em 1961, quando avaliou os 18 primeiros meses do mandato do reitor Jo&atilde;o Alfredo da Costa Lima. Publicado pela Imprensa Universit&aacute;ria, em suas primeiras p&aacute;ginas, o documento realizava uma leitura da realidade daquele momento hist&oacute;rico, que j&aacute; havia desenvolvido na sua tese de doutorado. Afirmava que o Brasil passava por um momento hist&oacute;rico de autorreconhecimento, no qual as elites, antes distantes, agora voltavam-se ao povo para construir uma sociedade mais justa por meio do di&aacute;logo. As elites dirigentes, considerando entre elas o reitor, passariam a tomar para si a responsabilidade pelo processo de transi&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia ing&ecirc;nua para uma consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica dos setores populares, reconhecendo neles agentes significativos do desenvolvimento, num di&aacute;logo permanente com a sociedade.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>N&atilde;o podem as universidades brasileiras furtar-se &agrave; discuss&atilde;o dos problemas ligados diretamente &agrave; educa&ccedil;&atilde;o popular, justamente numa fase da vida nacional em que o povo emerge, e, ganhando a consci&ecirc;ncia, mesmo ing&ecirc;nua, de sua presen&ccedil;a no processo hist&oacute;rico, renuncia, como j&aacute; disse, &agrave;s suas velhas posi&ccedil;&otilde;es de espectador e ensaia novas posi&ccedil;&otilde;es de participante &#91;2&#93;. </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A oportunidade que se apresentava naquele momento hist&oacute;rico, dizia o educador em seu texto, n&atilde;o poderia ser deixada de lado, pois as massas populares vinham em processos crescentes de tomada de consci&ecirc;ncia que deveriam ser incorporadas ao di&aacute;logo com as elites para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa, industrial, moderna, aut&ocirc;noma e n&atilde;o dependente, como vinha ocorrendo ao longo da hist&oacute;ria brasileira. O desenvolvimento de uma consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica dos setores populares era fundamental para que n&atilde;o ca&iacute;ssem na massifica&ccedil;&atilde;o e no comportamento reflexo das posi&ccedil;&otilde;es das elites.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Uma das fundamentais tarefas da Universidade moderna, sobretudo em sociedades como a nossa, sofrendo o forte impacto das mudan&ccedil;as sociais e econ&ocirc;micas, &eacute;, realmente, preparar o homem para, envolvido no tr&acirc;nsito como est&aacute;, integrar-se nele, sem perder o esp&iacute;rito e a f&eacute;, sem o que se arrisca o homem a perder a paz e mergulhar na agonia. A cair "domesticado" no anonimato nivelador da massifica&ccedil;&atilde;o &#91;2&#93;. </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paulo Freire defendia a natureza pol&iacute;tica do trabalho da educa&ccedil;&atilde;o, identificando as ra&iacute;zes das injusti&ccedil;as sociais e buscando alternativas para super&aacute;-las. Nesse sentido, a sua equipe no SEC trabalhava para constituir um "Sistema Paulo Freire de Educa&ccedil;&atilde;o", que teria in&iacute;cio com a alfabetiza&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adultos nas primeiras etapas e chegaria &agrave; Universidade Popular &#91;3&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o golpe militar, a pedagogia cr&iacute;tica desenvolvida por Paulo Freire e equipe acabou por lev&aacute;-lo &agrave; pris&atilde;o e, posteriormente, ao ex&iacute;lio, em fins de 1964. Passou muito rapidamente pela Bol&iacute;via, depois trabalhou no Chile, ficou um ano nos Estados Unidos a convite da Universidade de Harvard e, finalmente, viveu 10 anos em Genebra na Su&iacute;&ccedil;a, trabalhando no Conselho Mundial das Igrejas (CMI), de 1970 a 1980. Ali, teve a oportunidade de viajar por muitos pa&iacute;ses, em mais de 150 viagens internacionais. J&aacute; era uma pessoa reconhecida internacionalmente, principalmente depois do lan&ccedil;amento do livro "<i>Pedagogia do Oprimido",</i> em 1971.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "Paulo Freire defendia a natureza pol&iacute;tica do trabalho da educa&ccedil;&atilde;o, identificando as ra&iacute;zes das injusti&ccedil;as sociais e buscando alternativas para super&aacute;-las."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em novembro de 1973, Paulo Freire atendeu a um convite do Ministro da Educa&ccedil;&atilde;o da Argentina e viajou para Buenos Aires para uma s&eacute;rie de compromissos. Nessa viagem, teve a oportunidade de participar de duas tardes com todos os reitores das universidades p&uacute;blicas do pa&iacute;s. Conforme relatou no livro "<i>Pedagogia da Esperan&ccedil;a"</i>, naqueles encontros conheceu experi&ecirc;ncias, vivenciou o &iacute;mpeto inovador do per&iacute;odo peronista e o esfor&ccedil;o de recriarem-se como universidades. Discutiu a import&acirc;ncia da n&atilde;o segmenta&ccedil;&atilde;o entre doc&ecirc;ncia, pesquisa e extens&atilde;o, e a relev&acirc;ncia de n&atilde;o s&oacute; ir ao encontro de grupos populares, mas tamb&eacute;m de manter a presen&ccedil;a desses setores dentro da pr&oacute;pria universidade, como uma necessidade pol&iacute;tica e epistemol&oacute;gica &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Paulo Freire,</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>a presen&ccedil;a dos setores populares de forma alguma desmereceria a rigorosidade que se deve ter com a pesquisa e a doc&ecirc;ncia. Ao contr&aacute;rio, a universidade que n&atilde;o luta por mais rigorosidade, por mais seriedade no &acirc;mbito da pesquisa como no da doc&ecirc;ncia, sempre indicotomiz&aacute;veis, esta sim, n&atilde;o pode se aproximar seriamente das classes populares, comprometer-se com ela &#91;4&#93;. </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O educador estava preocupado com uma compreens&atilde;o cr&iacute;tica sobre como relacionar a ci&ecirc;ncia universit&aacute;ria com a consci&ecirc;ncia das classes populares. No fundo, era a rela&ccedil;&atilde;o entre saber popular, senso comum e conhecimento cient&iacute;fico. E isso s&oacute; poderia ocorrer na medida em que esses setores estivessem "contidos" nas universidades, como um compromisso de classe.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Comentando sobre o dilema dos setores populares que lutam por uma escola p&uacute;blica de qualidade, enquanto os setores das elites pagam boas escolas privadas para, posteriormente, frequentarem as universidades p&uacute;blicas ou as comunit&aacute;rias de qualidade, afirmou que s&oacute; seria poss&iacute;vel discutir a aproxima&ccedil;&atilde;o das universidades com os setores populares quando a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica fosse resolvida. Nesse sentido, a universidade teria um papel importante, n&atilde;o s&oacute; na gradua&ccedil;&atilde;o e na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m em conv&ecirc;nios com os sindicatos dos professores, num esfor&ccedil;o de educa&ccedil;&atilde;o permanente, trabalhando com a pr&aacute;tica e refletindo teoricamente sobre ela.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "Discutiu a import&acirc;ncia da n&atilde;o segmenta&ccedil;&atilde;o entre doc&ecirc;ncia, pesquisa e extens&atilde;o e a relev&acirc;ncia de n&atilde;o s&oacute; ir ao encontro de grupos populares, mas tamb&eacute;m de manter a presen&ccedil;a desses setores dentro da pr&oacute;pria universidade como uma necessidade pol&iacute;tica e epistemol&oacute;gica."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seu primeiro retorno ao Brasil, em 1979, ainda no aeroporto, Fernando Henrique Cardoso declarou aos jornalistas presentes que era uma vergonha uma pessoa como Paulo Freire ser obrigado a deixar o pa&iacute;s e que agora era um problema de todos criar condi&ccedil;&otilde;es de trabalho para ele. "As universidades deveriam correr para contrat&aacute;-lo", disse.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paulo Freire decidiu fixar resid&ecirc;ncia em S&atilde;o Paulo, para onde voltou em definitivo no ano seguinte. Integrou-se ao Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Curr&iacute;culo, na Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUC-SP). Al&eacute;m de ser o titular de algumas disciplinas, acompanhava grupos de pesquisa e orientava alunos do mestrado e do doutorado - n&atilde;o chegou a trabalhar na gradua&ccedil;&atilde;o. Sua presen&ccedil;a pelos corredores era motivo de admira&ccedil;&atilde;o, curiosidade e aten&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gostava de chamar seus encontros de semin&aacute;rios. Entendia que "cursos" ou "aulas" eram termos n&atilde;o coerentes com sua postura dial&oacute;gica. Era comum encontrar alunos apinhados nas janelas e sentados no ch&atilde;o. N&atilde;o importava o n&uacute;mero de alunos na sala de aula. Entrava, cumprimentava a todos cordialmente e dava in&iacute;cio ao semin&aacute;rio. Normalmente, escrevia no quadro uma frase sint&eacute;tica, como "teoria <i>versus</i> pr&aacute;tica". Depois, convidava os alunos a refletirem sobre o tema de forma livre, a partir de suas pr&oacute;prias experi&ecirc;ncias. Os estudantes vinham de diversas &aacute;reas, como filosofia, hist&oacute;ria, letras, pedagogia. A &uacute;nica recomenda&ccedil;&atilde;o era a de que a liberdade de participa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fosse motivo para perder o foco sobre o tema apresentado e suas consequ&ecirc;ncias para a vida de cada um. Paulo Freire acolhia a voz de todos, falava sobre diversos autores sem mostrar filia&ccedil;&atilde;o a nenhuma teoria espec&iacute;fica. Frequentemente, dividia os semin&aacute;rios com algum outro professor, colegas do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o na PUC-SP. Essa forma de atuar, estabelecida por uma sugest&atilde;o sua, era baseada no princ&iacute;pio de que ningu&eacute;m sozinho detinha todo o conhecimento, que quanto mais gente estivesse na sala de aula, mais ricos seriam os semin&aacute;rios em fun&ccedil;&atilde;o da diversidade de opini&otilde;es e vis&otilde;es. A defesa da presen&ccedil;a dos setores populares nas universidades, unida &agrave; sua pedagogia cr&iacute;tica, permitiam o di&aacute;logo permanente com a sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m do trabalho na PUC-SP, aceitou o convite para ser professor na Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O interesse por t&ecirc;-lo no corpo docente j&aacute; havia sido manifestado pelo diretor da faculdade, em 1978, quando Paulo Freire ainda vivia em Genebra. Sua efetiva&ccedil;&atilde;o na Unicamp n&atilde;o transcorreria de maneira tranquila como na PUC-SP, afinal, acima da universidade estadual e p&uacute;blica, ainda havia um governo militar (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a05fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto aguardava a sua efetiva&ccedil;&atilde;o, trabalhou como professor convidado e por poucas horas, recebendo acolhida calorosa da comunidade acad&ecirc;mica que apoiava sua presen&ccedil;a no campus. Em 1982, dois anos depois do in&iacute;cio de sua colabora&ccedil;&atilde;o com a Unicamp, seu nome voltaria a ganhar destaque quando foi eleito reitor pela comunidade acad&ecirc;mica em uma vota&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica contra as a&ccedil;&otilde;es do governador do estado, Paulo Maluf, alinhado aos militares. Tr&ecirc;s anos depois, em mais um movimento para postergar sua efetiva&ccedil;&atilde;o, a reitoria interventora solicitou ao professor Rubem Alves, membro do Conselho Diretor da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o, um parecer a respeito do educador. O pedido despertou tamanha indigna&ccedil;&atilde;o em Alves que o levou a elaborar o seguinte parecer:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Um parecer sobre Paulo Reglus Neves Freire. </i></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O seu nome &eacute; conhecido em universidades atrav&eacute;s do mundo todo. </i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>N&atilde;o o ser&aacute; aqui, na Unicamp? E ser&aacute; por isso que deverei acrescentar a minha assinatura (nome conhecido, dom&eacute;stico) como avalista?</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Seus livros, n&atilde;o sei em quantas l&iacute;nguas estar&atilde;o publicados. Imagino (e bem pode ser que esteja errado) que nenhum outro dos nossos docentes ter&aacute; publicado tanto em tantas l&iacute;nguas. As teses que j&aacute; se escreveram sobre o seu pensamento formam bibliografias de muitas p&aacute;ginas. E os artigos escritos sobre o seu pensamento e sua pr&aacute;tica educativa, se publicados, seriam livros. </i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O seu nome, por si s&oacute;, sem pareceres dom&eacute;sticos que o avalizem, transita pelas universidades da Am&eacute;rica do Norte e da Europa. E quem quisesse acrescentar a este nome a sua pr&oacute;pria "carta de apresenta&ccedil;&atilde;o" s&oacute; faria papel rid&iacute;culo. </i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>N&atilde;o, n&atilde;o posso pressupor que este nome n&atilde;o seja conhecido na Unicamp. Isto seria ofender &agrave;queles que comp&otilde;em seus &oacute;rg&atilde;os decis&oacute;rios. </i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Por isso o meu parecer &eacute; uma recusa a dar um parecer. E nessa recusa vai, de forma impl&iacute;cita e expl&iacute;cita, o espanto de que eu devesse acrescentar o meu nome ao de Paulo Freire. Como se, sem o meu, ele n&atilde;o se sustentasse. Mas ele se sustenta sozinho. </i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Paulo Freire atingiu o ponto m&aacute;ximo que um educador pode atingir. </i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; se desejamos t&ecirc;-lo conosco. A quest&atilde;o &eacute; se ele deseja trabalhar ao nosso lado. </i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&Eacute; bom dizer aos amigos: Paulo Freire &eacute; meu colega. </i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Temos salas no mesmo corredor da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Unicamp. </i></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Era o que me cumpria dizer &#91;7&#93;. </i><sup><i> </i></sup></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O parecer foi firmado em 25 de maio de 1985. Um m&ecirc;s e meio depois, em 12 de julho, a admiss&atilde;o de Paulo Freire como professor da Unicamp foi publicada no Di&aacute;rio Oficial do Estado de S&atilde;o Paulo. Paulo Freire foi professor da Unicamp at&eacute; 1991, quando pediu ao reitor que o exonerasse, em decorr&ecirc;ncia de sua readmiss&atilde;o, via Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), antiga Universidade de Recife, onde havia trabalhado at&eacute; 1964. Estava prestes a se aposentar por idade e n&atilde;o poderia acumular duas aposentadorias pelo servi&ccedil;o p&uacute;blico, conforme o estabelecido na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988. Optou por se aposentar pela Universidade Federal de Pernambuco - como explicou a Carlos Alberto Vogt, &agrave; &eacute;poca reitor da Unicamp, na carta que lhe enviou em 4 de mar&ccedil;o de 1991. Paulo receberia mais se aposentando pela UFPE.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "Ao longo da sua hist&oacute;ria, Paulo Freire demarcou a pedagogia cr&iacute;tica n&atilde;o separando pol&iacute;tica e educa&ccedil;&atilde;o. Mantinha o di&aacute;logo permanente com a sociedade como uma das bases do seu pensamento, em particular com os setores populares."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m dos compromissos regulares na PUC-SP e na Unicamp, Paulo tamb&eacute;m colaborou com outras institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior. Na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), aceitou o convite para desenvolver um ciclo de debates sobre educa&ccedil;&atilde;o popular, que ocorreu ao longo do segundo semestre de 1983. Na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), em 1987, ministrou um curso de um semestre na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes (ECA) chamado "Arte-Educa&ccedil;&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o Cultural", a convite da professora Ana Mae Barbosa. Ainda na USP, convidado pelo professor Moacir Gadotti, ajudou a formatar os chamados "Encontros com Paulo Freire", na Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em "<i>Cartas &agrave; Cristina"</i>, de 1994, livro composto de v&aacute;rias cartas endere&ccedil;adas &agrave; sua sobrinha, Paulo Freire dedicou sua 16&ordf; carta a tratar do papel do orientador de trabalhos acad&ecirc;micos numa perspectiva democr&aacute;tica. Apesar de dedicar grande parte do texto a desenvolver uma reflex&atilde;o sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre orientador e orientando, assim como sobre o papel de cada um, afirma que tudo isso s&oacute; faz sentido para ambos e para a sociedade se a forma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica for de qualidade.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Sem rigor, sem seriedade, sem disciplina intelectual, o processo da orienta&ccedil;&atilde;o que envolve orientador e orientando se frustra e deixa de cumprir o que dele se espera &#91;5&#93;. </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo da sua hist&oacute;ria, Paulo Freire demarcou a pedagogia cr&iacute;tica n&atilde;o separando pol&iacute;tica e educa&ccedil;&atilde;o. Mantinha o di&aacute;logo permanente com a sociedade como uma das bases do seu pensamento, em particular com os setores populares. Para tanto, a universidade deveria incorporar esses setores n&atilde;o s&oacute; como preocupa&ccedil;&atilde;o da pesquisa, do ensino e da extens&atilde;o, mas tamb&eacute;m com a presen&ccedil;a de estudantes.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Uma universidade n&atilde;o se aproxima ou se afasta das &aacute;reas populares a n&atilde;o ser atrav&eacute;s de uma decis&atilde;o pol&iacute;tica. Por outro lado, n&atilde;o se aproximam ou se afastam por puro arb&iacute;trio de uma lideran&ccedil;a. Deve haver uma rela&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica entre uma certa demanda das camadas populares e a decis&atilde;o pol&iacute;tica de responder a ela. A decis&atilde;o n&atilde;o se toma no ar, n&atilde;o se d&aacute; ao gosto da lideran&ccedil;a, mas na hist&oacute;ria, nas condi&ccedil;&otilde;es materiais que est&atilde;o a&iacute; &#91;6&#93;. </i></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nota</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a>&#91;<a href="#1a">i</a>&#93; A parte hist&oacute;rica deste artigo baseou-se no livro "<i>O Educador"</i>, do mesmo autor, publicado em 2019, pela Editora Todavia &#91;7&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. FREIRE, P. <i>Educa&ccedil;&atilde;o e atualidade brasileira. </i>3. ed. S&atilde;o Paulo (SP): Cortez/Instituto Paulo Freire, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=122644&pid=S0009-6725202300010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. FREIRE, P. <i>A prop&oacute;sito de uma administra&ccedil;&atilde;o</i>. Recife (PE): Imprensa Universit&aacute;ria, 1961. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.acervo.paulofreire.org:8080/jspui/handle/7891/1362" target="_blank">www.acervo.paulofreire.org:8080/jspui/handle/7891/1362</a>. Acesso em: 30 mar. 2020.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=122646&pid=S0009-6725202300010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. MACIEL, J. A fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica do sistema Paulo Freire. <i>Revista de Cultura da Universidade de Recife</i>, Recife, n. 4, abr. /jun. 1963.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=122648&pid=S0009-6725202300010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. FREIRE, P. <i>Pedagogia da esperan&ccedil;a:</i> um reencontro com a pedagogia do oprimido. 2. ed. S&atilde;o Paulo (SP): Paz e Terra, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=122650&pid=S0009-6725202300010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. FREIRE, P. <i>Cartas &agrave; Cristina:</i> reflex&otilde;es sobre minha vida e minha pr&aacute;xis. 2. ed. S&atilde;o Paulo (SP): Paz e Terra, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=122652&pid=S0009-6725202300010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. FREIRE, P.; NOGUEIRA, A.; MASSA, D. <i>Universidade e compromisso popular. </i> Transcri&ccedil;&atilde;o do Primeiro Semin&aacute;rio Universidade e Compromisso Popular. Campinas (SP): PUC-Campinas, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=122654&pid=S0009-6725202300010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. HADDAD, S. <i>O educador:</i> um perfil de Paulo Freire. S&atilde;o Paulo (SP): Todavia, 2019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=122656&pid=S0009-6725202300010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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